A Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria, foi credenciada pelo MEC como instituição que promoveu criatividade na grade curricular

Publicado na Tribuna do Ceará

Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria (FOTO: Divulgação)

Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria (FOTO: Divulgação)

 

De acordo com a Constituição Federal Brasileira, a educação é um direito de todos. É nessa perspectiva que há dois anos a Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria, a 220 km de Fortaleza, inseriu em sua grade curricular o respeito à diversidade como disciplina fundamental para os alunos do ensino médio da instituição.

Ensinar adolescentes sobre diversidade sexual, cultural e religiosa pode ser sim uma alternativa para melhorar o convívio social. Mesmo que para alguns abordar o tema na escola ainda seja inadequado, a ideia vem dando certo e garantindo o bom relacionamento entre os alunos.

Segundo a diretora do colégio Edna Torres, a intenção é preparar o jovem para além do vestibular. “Desde 2014 estamos trabalhando esta questão de diversidade dentro e fora da sala de aula. Semanalmente nós realizamos projetos de inclusão como forma de preparar os jovens para as diversidades que eles vão encontrar na vida”, diz a diretora.

O projeto, intitulado como Desenvolvimento Pessoal e Social (DPS), permite um melhor convívio entre os adolescentes. Nesse conceito, os alunos são incentivados a apresentar trabalhos sobre as diversas religiões e falar sobre o tema dentro de sala de aula. “Independente da escolha sexual ou religiosa todos nós temos que entender que são pessoas comuns. Então, debatemos críticas sociais de forma a educar pais, alunos, professores e moradores do município a terem um melhor convívio. Os alunos perderam a vergonha de mostrar realmente que são”, afirmou Edna Torres.

Para a aluna Ana Beatriz, do 3º ano do ensino médio, a ideia aproximou todos aqueles que frequentam a escola. “Começamos a nos conhecer melhor, a nos relacionar melhor e aprender mais um com o outro. E isso foi importante para o desenvolvimento de todos os alunos. Com esse projeto, não vemos mais casos de bullying ou falta de respeito entre os alunos. Sabemos que somos todos iguais”, ressalta a estudante, que pretende ser professora de português.

Além das aulas preparatórias para o vestibular, os alunos são condicionados a discutirem assuntos relacionados ao respeito fora de sala de aula. Pelo menos uma vez por semana, os jovens vão em comunidades próximas à escola para difundir um tema abordado pelos professores.

“Semanalmente um tema é escolhido para ser debatido fora da escola. Por exemplo, na última semana escolhemos amizade como tema. A partir disso, os alunos colhem leituras, vídeos, imagens e todo tipo de material que fale sobre isso e vão ensinar à comunidade próxima as maneiras que eles devem adotar para conseguir um bom relacionamento tomando como base a amizade”, conclui Edna.

Reconhecimento

Para ingressar o novo conteúdo, professores e coordenadores se reuniram durante todo o ano de 2013 para elaborar formas de explorar a disciplina. Mesmo com pouco tempo de funcionamento, a novidade já causou interesse. No ano passado, a escola foi selecionada pelo Ministério da Educação como uma das 178 instituições que promoveram a invenção e criatividade na grade curricular. Ao todo, 600 escolas de todos os municípios do Brasil concorrem a esse incentivo.

Para a Edna Torres, o projeto atingiu até os pais dos alunos. “O projeto foi bem aceito tanto pelos próprios alunos quanto pelos pais. Os pais dos jovens incentivam o resto da comunidade a respeitar mais, a ser mais sociável e adquirir um bom convívio entre todos. Então, foi um projeto pequeno que está ganhando um bom crescimento”.

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