Frances de Pontes Peebles, autora de "Entre irmãs", livro que deu origem ao filme homônimo de Breno Silveira - Elaine Melko / Foto Divulgação

Frances de Pontes Peebles, autora de “Entre irmãs”, livro que deu origem ao filme homônimo de Breno Silveira – Elaine Melko / Foto Divulgação

 

Nascida em Recife, Frances de Pontes Peebles mora nos EUA desde pequena

Alessandro Giannini, em O Globo

SÃO PAULO – Autora do romance que inspirou o filme “Entre irmãs”, Frances de Pontes Peebles, 37 anos, nasceu no Recife e ainda pequena mudou-se com a família para os Estados Unidos, onde mora em Miami. O livro, reeditado pela editora Arqueiro, reproduz o título do filme por razões mercadológicas. Escrito em inglês, foi lançado no mercado americano, em 2009, com o nome “The seamstress” (a costureira, em tradução livre). Só no ano seguinte foi lançado no Brasil pela Nova Fronteira, então como “A costureira e o cangaceiro”. Com forte sotaque pernambucano, a escritora diz que o português é “como música” para ela, já que a língua foi aprendida “de ouvido” e não a capacita a escrever nada mais longo do que bilhetes e e-mails.

Por que resolveu escrever um romance sobre o período do cangaço?

Quando eu era pequena, em Recife, vivia rodeada dessas histórias. Minha avó e minha tia-avó contavam como era nos tempos antigos. Elas vieram da Paraíba, de Sapé, e foram para Pernambuco, em Taquaritinga, com mais ou menos 8 anos. Fiquei muito ligada nesse passado. Queria juntar essas histórias do urbano e da caatinga, queria que fossem “personagens” no livro.

As irmãs, Emília e Luzia, são inspiradas nessas duas parentes?

Minha avó era Emília, e minha tia-avó era Luzia. Dei os nomes às personagens em homenagem a elas, que eram costureiras e tinham uma máquina Singer operada por pedal. Claro que minha tia-avó Luzia não foi cangaceira. Colocá-las no livro foi uma maneira de mantê-las vivas por meio dessa história.

E o cangaceiro Carcará, tem base real?

O Carcará é ficcional, mistura de vários personagens. Em Taquaritinga, onde minha família tinha uma fazenda, havia um cangaceiro chamado Antônio Silvino, muito temido pela população. Tem muitas histórias dele que aproveitei. Contam que fez um cangaceiro comer uma lata de sal; dizem também que uma vez ele obrigou uma senhora a abraçar um cacto.

Tem novo livro para lançar?

Sim, deve sair em 2018 ou 2019. O título provisório é “The air you breath”. Conta a história de duas cantoras pernambucanas que fazem sucesso nos anos 1930 e em seguida vão tentar a sorte nos EUA.

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