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O cinema aborda temas históricos ou polêmicos que podem ajudar no estudo

Katilaine Chagas, na Gazeta Online

Se para conquistar uma vaga em uma universidade é impossível não seguir uma rotina de estudos, para se dar bem no Enem há pelo menos algumas formas de dar uma aliviada na tensão e ainda se manter por dentro do conteúdo.

Os filmes estão aí, também, para isso. Por exemplo, “Olga”, longa-metragem brasileiro, permite-nos conhecer a história da alemã judia e comunista que acabou deportada do Brasil direto para os campos de concentração nazistas.

E, por tabela, despertar o interesse dos estudantes em itens importantes para o Enem, e para reflexão pessoal, ao abordar o nazismo e o comunismo.

“Cidade de Deus”, outra produção brasileira, ajuda a refletir as desigualdades sociais e origens da violência urbana. Esses títulos são alguns entre inúmeros indicados por professores do ensino médio e de cursos pré-Enem para estimular seus alunos.

“Para o aluno entender a questão é preciso entender aquele cenário. O filme é uma boa dica para visualizar isso. Ele relaxa aprendendo. E ele consegue visualizar no filme o que ele aprendeu em sala de aula” diz a professora de redação do Darwin Bárbara Citeli.

Para a prova de redação, ela e outros professores apostam em quatro grandes áreas: violência urbana, tecnologia, meio ambiente e saúde. Para cada uma, costuma indicar um filme diferente. Respectivamente, o já citado “Cidade de Deus”, “A Rede Social” e o documentário “Uma Verdade Inconveniente”.

Na área da saúde, ela lembrou que os alunos trouxeram para o debate a série “13 Reasons Why”, sobre bullying e suicídio.

O professor de História do Projeto Universidade para Todos (Pupt) Wesley Jesus Barbosa, conhecido como Tio Chico, cita o potencial de um filme despertar a curiosidade do aluno sobre um tema que poderia ser considerado maçante.

“O filme é uma obra de arte. A pretensão inicial é subverter a realidade. Mas há elementos reais ali. Isso estimula (o aluno) a buscar informações a partir do que viu no filme. E é bom para descansar porque é entretenimento também”, diz.

Além do sempre citado clássico “O Nome da Rosa”, lembrado há três décadas nas salas de aula, o professor aconselha também a assistir a “Apocalipse Now”, que ajuda a entender a Guerra Fria e a do Vietnã, e os filmes “A Lista de Schindler” e “A Vida é Bela”, ambos com recortes sobre o nazismo.

O professor de Geografia e Atualidades Lucas Campos, do Salesiano, empolga-se ao citar uma imensa lista de filmes. “Boa parte dos que a gente indica trazem alguma realidade que trabalhamos”, justifica.

Na lista dele, está o filme “Entre os Muros da Escola”, passado todo dentro de uma escola na França e que ajuda a discutir a situação de refugiados, tema presente na imprensa nacional e internacional.

Outra dica do professor é o filme “Okja”, sobre a amizade entre um menina e um animal, desenvolvido pela ciência inicialmente para outros fins. “Trabalha conceitos de Biologia e Geografia, além de conceitos de produção de alimentos, sobre agroindústria e a produção de alimentos transgênicos.”

O estudante do 3º ano do Salesiano Vinícius Raupp, 17 anos, aprova a estratégia dos professores de indicarem filmes. “Fica mais didático. E sai do negócio padrão da sala de aula”, conta o jovem, que pretende tentar a vaga para o curso de Engenharia Mecânica.

DICAS DE FILMES

Olga. Sobre a militante comunista alemã de origem judaica. Veio para o Brasil, mas acabou deportada para a Alemanha nazista.

Entre os Muros da Escola. A história é em uma escola na periferia da França e ajuda a compreender a situação de refugiados.

O Nome da Rosa. Um clássico tanto da literatura quando do cinema. Passado na Idade Média, a história é sobre a investigação de uma série de assassinatos em um mosteiro italiano.

Xingu. Trajetória dos irmãos Villas-Bôas pelo interior do Centro-Oeste brasileiro. Bom para compreender a marcha para o oeste, período em que Getúlio Vargas incentivou a migração para o interior.

Central do Brasil. Uma ex-professora se mantém escrevendo cartas de analfabetos para parentes. A história trata das migrações internas e a busca por melhores condições de vida em outros estados.

Clash. Foca no período pós-eleição do presidente Mohamed Morsi, no Egito. Trata a questão da Primavera Árabe, aborda Oriente Médio, grupos terroristas e disputas políticas

Complexo: Universo Paralelo. Obra sobre a ocupação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, a vida e religiosidade nas favelas.

A Revolução dos Bichos. Baseado no livro de George Orwell, o filme trata de maneira metafórica a Revolução Russa, que completa 100 anos em 2017.

Matemática do Diabo. É sobre um jovem de origem judaica que volta no tempo e para em 1941, na Polônia, quando o país foi invadido por nazistas

Invictus. Nelson Mandela, eleito presidente da África do Sul, tenta reunificar o país, ainda dividido mesmo após o fim do apartheid, por meio do esporte.

Mississipi em Chamas. Investigação sobre a morte de ativistas de direitos civis nos EUA na década de 1960. Trata sobre racismo e permite um paralelo com países que ainda sofrem com a discriminação.

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