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Nathalia Durval, na Folha de S.Paulo

Laéssio Rodrigues de Oliveira, 44, decidiu largar o trabalho de balconista em uma padaria em São Bernardo do Campo, em São Paulo, para se tornar ladrão de livros.

Hoje na penitenciária Milton Dias Moreira, no Rio, teve outras quatro passagens pelo sistema carcerário. Cumpriu quase dez anos e foi condenado a mais uma década.

O jornalista e diretor Carlos Juliano Barros acompanhou a trajetória do ladrão incomum e trocou correspondência com ele de 2012 a 2017.

Em parceria com Caio Cavechini, ele conta essa história no documentário “Cartas para um Ladrão de Livros”.

O filme estreou no Festival do Rio e tem neste sábado (28), às 16h, sua última exibição na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Considerado pela Polícia Federal o maior criminoso do gênero no país, Laéssio levou livros, fotos, mapas e documentos raros de bibliotecas e museus em diversos Estados.

O ladrão culpa Carmen Miranda pelos atos. Fã da cantora, decidiu colecionar a seu respeito. Uma revista “Fon Fon” dos anos 1940 com ela na capa foi o primeiro furto.

Motivado pela pobreza, diz, viu oportunidade nas falhas de segurança dos acervos e começou a agir no fim dos anos 1990. Percebeu que havia colecionadores dispostos a pagar por obras raras.

Laéssio gostou tanto da iconografia 'Os Trinta Valérios' (1901), de Valério Vieira, que decidiu não roubá-la

Laéssio gostou tanto da iconografia ‘Os Trinta Valérios’ (1901), de Valério Vieira, que decidiu não roubá-la

Seu maior feito, afirma, foi levar mais de 2.000 documentos, avaliados em cerca de R$ 1,5 milhão, do Palácio do Itamaraty, no Rio.

Foi detido pela primeira vez em 2004, após denúncia de um vendedor que comprou dele por R$ 2.000 um livro estimado em R$ 70 mil, pertencente ao Museu Nacional.

Barros quer mostrar uma visão pessoal do criminoso, a quem considera “peculiar”. “Acho que a função do cinema é apresentar outro ponto de vista sobre uma boa história”, diz. “Isso não me faz relevar os atos criminosos”, ressalva o diretor. Ele, afinal, “lesou museus e bibliotecas”.

Nascido em Teresina, no Piauí, Laéssio fala inglês e iniciou faculdade de biblioteconomia. Ele afirma querer “deixar sua marca” para não ser “mais um na multidão”.

Na primeira carta a Barros, só concordou em falar se recebesse uma biografia de Carmen Miranda. Depois, recomendou a leitura de “A Menina que Roubava Livros”, de Markus Zusak.

As investigações não procuraram identificar quem comprou obras de Laéssio nem o paradeiro delas. Mas algumas foram recuperadas.

“Vários compraram essas obras de arte e se safaram. Me parece pouco provável que não soubessem da origem criminosa”, pondera Barros.

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