Publicado no Sopa Cultural

Homem por trás de nada menos do que duas das maiores franquias da história do cinema – “Star Wars” e “Indiana Jones” –, George Lucas é alvo de uma minuciosa e envolvente biografia em “George Lucas: Uma vida”, que a BestSeller lança em novembro. O autor Brian Jay Jones passou três anos se dedicando ao projeto, que contou com muitas entrevistas de amigos e colegas de Lucas, além de extensa pesquisa de documentos e arquivos.

Num apanhado abrangente de sua vida pessoal e profissional, entre sucessos e fracassos, George Lucas é retratado desde a infância em Modesto, na Califórnia. Lá ele começou a desenvolver seu gosto pelo cinema e também uma relação conflituosa com o pai. Anos mais tarde, já na faculdade, conheceu Francis Ford Coppola durante um estágio, e os dois acabaram criando um estúdio, no fim dos anos 1960. O livro conta ainda detalhes sobre outra amizade famosa de Lucas, com Steven Spielberg – “Indiana Jones” é obra da dupla.

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O livro conta ainda em detalhes todo o processo de filmagens de Star Wars e o drama que rondou a produção. Sucesso mundial incontestável hoje em dia, o filme enfrentou diversos problemas durante suas gravações, e equipe e diretor tinham certeza de que estavam embarcando num fracasso. O texto acompanha também a surpresa quando as filas para assistir ao filme se estendiam por quarteirões e o longa bateu diversos recordes de bilheteria.

“Um retrato ágil do recluso e visionário George Lucas. Sua ascensão de completo desconhecido a lenda da indústria cinematográfica está toda registrada aqui e é contada através de histórias divertidas e insights do homem por trás da criação. O livro traz opiniões de seus colegas, concorrentes, mentores e amigos que, por vezes, são cruelmente honestas… É a biografia definitiva para os fãs de carteirinha.” Rolling Stone

O pioneirismo de George Lucas e sua influência no formato e nos modelos dos filmes comerciais que vieram a seguir também estão no relato de Jones, que conta ainda sobre a criação da Lucasfilm – e sua posterior venda para a Disney –, as iniciativas do cineasta no universo dos efeitos digitais, sua relação de altos e baixos com Hollywood e a rotina no rancho Skywalker.

TRECHO:

Em maio de 1974 – quase oito meses depois do prazo –, Lucas concluiu o rascunho de The Star Wars. Com 191 cenas e 33 mil palavras, estava abarrotado de política e contextualização, mas, mesmo nesse esboço inicial, algumas partes soam familiares. O personagem principal é um jovem chamado Annikin Starkiller, que estuda para se tornar um Jedi-Bendu sob o general de 70 anos Luke Skywalker. Existem dois androides que garantem alívio cômico, um baixo e atarracado, o outro um robô reluzente “ao estilo Metrópolis”, uma referência à mulher mecânica do diretor Fritz Lang em seu filme art déco de 1926. Há “um enorme monstro de pele verde sem nariz e com grandes guelras” chamado Han Solo, uma corajosa princesa Leia, de 14 anos, referências a “espadas laser” e wookiees, bem como a um “general alto de aparência severa” – um personagem relativamente menor – chamado Darth Vader. E, pela primeira vez, um personagem se despede dizendo “Que a Força dos Outros esteja com você”. Lucas ainda estava mantendo os elementos de que gostava do primeiro esboço, incluindo uma briga em uma cantina, uma perseguição em meio a um cinturão de asteroides, o resgate de uma prisão e a cerimônia de premiação de encerramento. Mas continuava a ter problemas com parte dele: ainda não estava bem certo daquilo que o Império estava buscando, e ainda havia personagens demais, locações demais, contextos demais com que ligar. Mas pelo menos estava terminado.

Brian Jay Jones é autor de “Jim Henson: The biography”, biografia do criador dos Muppets e best-seller do New York Times.Trabalhou por quase 20 anos como analista de políticas públicas e redator de discursos. Vive em Maryland com a esposa. Mais informações em brianjayjones.com

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