Henrique Souza está se formando em psicologia e trabalha em uma startup (Foto: Arquivo pessoal)

Henrique Souza está se formando em psicologia e trabalha em uma startup (Foto: Arquivo pessoal)

Para Henrique Souza, adolescentes de 17 e 18 anos não devem entrar de imediato na universidade.

Luiza Tenente, no G1

Sabe aquele roteiro pré-estabelecido para os jovens de 17 ou 18 anos? Saia da escola, entre no cursinho ou na faculdade e seja um profissional bem-sucedido? Então: isso pode te deixar mentalmente doente. Quebre isso e se permita falhar.”

Esse é o conselho de Henrique Souza, de 22 anos, compartilhado no Facebook e curtido por mais de 40 mil pessoas. Recém-formado em psicologia, ele sugere que os jovens terminem o ensino médio e reservem os 6 meses seguintes para atividades de autoconhecimento. A recomendação não é que seja um período de descanso, e sim de experiências intensas.

Faça uma lista de pessoas que você admira e sugira de trabalhar de graça para elas nesse período. Trabalhe como vendedor em uma loja. Faça voluntariado com crianças ou idosos, entre no coral, dê aula de inglês, crie um canal no Youtube para postar vídeos diários, ensine grávidas a fazer crochê. O principal é: faça tudo sem o medo de errar, sem pensar se os outros vão curtir. Quanto mais você falhar, mais vai crescer”, sugere Henrique.

Henrique recomenda que estudantes não entrem na faculdade logo após terminar a escola (Foto: Reprodução/Facebook)

Henrique recomenda que estudantes não entrem na faculdade logo após terminar a escola (Foto: Reprodução/Facebook)

Na opinião de Henrique, são atividades como essas que vão ajudar o jovem a perceber quais são suas habilidades e preferências. “Não precisa ser só projeto de caridade, até porque não é todo mundo que tem condição financeira de ser bancado por 6 meses. Mas dá para conciliar um canal de música no Youtube com um trabalho que pague as contas. Ter um chefe, precisar ouvir os colegas e ousar são jeitos de dar valor para as pessoas, de se conhecer”, diz.

Ele afirma que a decisão de aguardar 6 meses para entrar na faculdade pode incomodar os pais, os professores ou os amigos. “Eles todos querem nosso bem. Mas não necessariamente o que eles desejam é o que vai nos fazer feliz. Minha irmã tem 17 anos e está sofrendo para escolher uma profissão. Eu sugeri a ela: foca na sua aprendizagem e em algo que exija várias habilidades de você. Se permita tentar mil coisas diferentes, falhar em 995 delas e descobrir 5 que fazem seu coração bater mais forte”, conta Henrique.

Ele explica que, na universidade, também é possível dar continuidade aos projetos pessoais – grupos de estudo e voluntariado, por exemplo. “Mas não vejo motivo para querer entrar na faculdade de cara, ainda mais se for privada, que vai exigir dinheiro e tempo. Esse período de 6 meses pode amadurecer a escolha”, diz.

Recomendação por experiência própria

Henrique foi aprovado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aos 17 anos, logo após terminar o ensino médio. O sonho dele era cursar psicologia – mas, quando começaram as aulas, ele se decepcionou. “Sou de São Leopoldo e precisei mudar de cidade. A adaptação foi difícil, as matérias não eram o que eu pensava, fiquei muito frustrado. Eu tinha uma expectativa grande e, quando não entendia algum texto, me culpava”, conta. “Perdi energia, minha rotina mudou e aí tive depressão nos dois primeiros semestres.”

O que ajudou o jovem a se reerguer foram as atividades complementares. “Foi o que mudou minha vida. Comecei a experimentar tudo sem filtro: laboratório de pesquisa, monitoria na faculdade, empresa júnior. Elaborei projetos de workshop, cozinhava à noite, vendia alfajor, pastel e pão de queijo para os meus colegas. Não podemos fazer só o que fica bonito no Instagram. Precisamos ser humildes”, diz.

Equipe da Eurekka, startup da qual Henrique é sócio, cria soluções tecnológicas para problemas humanos (Foto: Arquivo pessoal)

Equipe da Eurekka, startup da qual Henrique é sócio, cria soluções tecnológicas para problemas humanos (Foto: Arquivo pessoal)

Nas atividades extracurriculares, Henrique conheceu seus atuais sócios da startup Eureka, que busca desenvolver soluções tecnológicas para problemas humanos. “Postei esse texto porque me lembrei da minha história. Dói ver jovens sofrendo”, diz.

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