Emily Mortimer no papel de Florence Green. Foto: Cineart Filmes

André Carmona, no Estadão

A Livraria começa com uma descrição em tom literário, como se o trecho de um romance estivesse sendo lido para o espectador. Assim, somos apresentados à história de Florence Green (Emily Mortime). Ela é uma viúva, cheia de boas intenções, que se muda para uma pequena cidade costeira da Inglaterra alimentando o sonho de abrir o próprio negócio – justamente uma loja de livros. Mas, para isso, terá de lutar. Contra tudo e contra todos.

O filme, adaptação da diretora espanhola Isabel Coixet para a obra homônima de Penelope Fitzgerald, é ambientado nos anos 1950. A população do pequeno e conservador vilarejo, ainda que sem motivo aparente, logo passa a se opor à ideia de uma livraria ali. Todos querem distância de Florence Green e de seu ‘subversivo’ empreendimento cultural.

Atacada, principalmente, pela elite local, a protagonista ameniza seu drama encontrando refúgio nas poucas e incipientes amizades. Uma delas é o sr. Brundich (Bill Nighy). Leitor inveterado, o milionário recluso desperta, ao mesmo tempo, a curiosidade e a admiração de todos. Juntos, os dois travam diálogos interessantes e, de certa maneira, cômicos sobre como lidar com a situação.

A atriz Emily Mortime se encaixa harmoniosamente na personagem que interpreta. É verdade que seu jeito frágil e a feição de eterno sofrimento contrastam com o discurso atual de empoderamento feminino, de mulheres fortes e prontas para a guerra. Nem por isso somos menos cativados por sua doce luta literária.

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