Da atriz que liderou as denúncias do assédio em Hollywood a figuras femininas na política, os títulos contam histórias de luta de mulheres em diversas áreas

Mariana Rudzinski, na Elle

Lute Como uma Garota: 60 Feministas que Mudaram o Mundo – Laura Barcella e Fernanda Lopes

Cultrix/Divulgação)

O que a cientista Marie Curie, a artista plástica Judy Chicago, a autora Clarice Lispector e Beyoncé têm em comum? Todas elas, cada uma em sua área de atuação, mudaram o mundo de alguma forma.

Escrito pela norte-americana Laura Barcella, Lute Como uma Garota (Cultrix, 368 págs.) reúne 45 feministas de diversos ramos que abriram o caminho para outras mulheres. Organizados de forma didática e acessível, os perfis são compostos de biografia, legado, algumas das grandes realizações e frases famosas de cada uma das mulheres. O recorte é propositalmente amplo: os perfis selecionados vão desde nomes pouco conhecidos – a escritora feminista do século 18 Mary Wollstonecraft e a socióloga e professora Heleieth Saffioti são exemplos – a celebridades como Oprah Winfrey e Madonna. “Queria escrever um livro amplo, mostrando o valioso trabalho das pessoas que não são nada famosas ao lado de outras que são ícones de poder”, detalha a autora na introdução do volume.

Para a edição brasileira, a jornalista Fernanda Lopes foi responsável por incluir a seção “Brasileiras que foram à luta – 15 perfis biográficos para entender a história do feminismo no Brasil”. Figuras como a compositora Chiquinha Gonzaga, Bertha Lutz – uma das líderes do movimento sufragista no país – e a filósofa e colunista de ELLE, Djamila Ribeiro têm suas histórias registradas no livro.

Mulheres e Poder: Um Manifesto – Mary Beard

(Crítica/Divulgação)

A partir de duas palestras proferidas em 2014 e 2017, a professora da Universidade de Cambridge Mary Beard trata do silenciamento feminino, em especial em situações em que mulheres foram proibidas ou encontraram dificuldades em papéis de liderança. No livro, ela traça as raízes da misoginia, que vêm de Atenas e Roma – o primeiro exemplo de silenciamento feminino, de acordo com ela, estaria na Odisseia, de Homero – e mostra como esta é uma questão que ainda existe hoje e o que tem sido feito a respeito disso. A autora cita os obstáculos enfrentados por Margaret Thatcher, Hillary Clinton, Dilma Rousseff e Angela Merkel na vida política por serem mulheres – a primeira ministra inglesa, por exemplo, teve aulas de elocução para falar com um tom mais grave, característica associada à voz masculina.

“Eu queria descobrir até que que ponto estão profundamente incorporados à cultura ocidental os mecanismos que silenciam as mulheres, que se recusam a levá-las a sério e que as afasta, (às vezes literalmente) dos centros de poder. No que diz respeito a silenciar as mulheres, a cultura ocidental tem milhares de anos de prática”, a historiadora explica no prefácio.

Coragem – Rose McGowan

(Harper Collins/Divulgação)

O nome de Rose McGowan provavelmente é um que você deve ter visto algumas vezes neste ano. Ela foi uma das primeiras atrizes a denunciar o abuso sexual praticado pelo produtor de Hollywood Harvey Weinstein, que levou ao movimento de denúncias do assédio sistemático dentro da indústria do entretenimento. Em janeiro, a atriz publicou sua autobiografia – cuja escrita, inclusive, motivou Weinstein a contratar ex-agentes do serviço secreto de Israel para tentar impedir as revelações de Rose. Agora, o livro chega ao Brasil.

Coragem (Harper Collins, 288 págs.) traz uma narrativa sincera e brutal que vai da infância da atriz, que nasceu dentro de um culto religioso, até o que ela chama de “o maior culto de todos”, Hollywood. Nas páginas, ela detalha, pela primeira vez, o estupro praticado pelo produtor, a quem ela decide se referir como “monstro” e não pelo nome. Na última parte da biografia, Rose incentiva que mulheres tomem a frente de seus projetos e conta sobre os seus: ela deixou a carreira de atriz e agora se empenha em dirigir filmes e pretende lançar um disco. “Coragem é a história de como lutei para sair desses cultos e tomei as rédeas da minha vida. Eu quero ajudar você a fazer o mesmo”, ela declara.

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