George W. Bush White House/Reprodução)

Pâmela Carbonari, na Superinteressante

A cada nove minutos, uma pessoa morre na cidade de Nova York. São 404 mortes por dia, e doenças cardíacas são a principal causa de óbito. Nesta semana, Thomas Kennerly Wolfe entrou para as estatísticas: morreu aos 88 anos em um hospital de Manhattan. Ao contrário da maioria da população da Big Apple, este nova-iorquino nascido em uma cidade no estado da Virgínia, que hoje tem tantos habitantes quanto os bairros de Upper West Side e Upper East Side juntos, faleceu de uma infecção. O cronista da vida americana, que respirava Nova York e sofria de pneumonia, deixa a esposa e dois filhos.

De terno bem cortado, olhar minucioso e sempre disposto a ironias, Tom Wolfe foi um dos fundadores do Novo Jornalismo, corrente jornalística da década de 1960 que inovou ao narrar a realidade com técnicas literárias, até então características da ficção. Radical Chique (1970) e A Palavra Pintada (1975) são alguns de seus principais livros jornalísticos.

Sem deixar o sarcasmo, as descrições ácidas e as críticas ao american way of life de lado, o escritor também se aventurou na ficção, com destaque para A Fogueira das Vaidades (1987) e Um Homem por Inteiro (1998) – o primeiro, considerado a grande novela de Nova York, virou filme com Tom Hanks, Morgan Freeman e Melanie Griffith.

Wolfe era doutor em estudos americanos pela Universidade de Yale. Para tornar seus escritos mais vívidos e realistas, ele acreditava que era necessário organizar o texto cena por cena como uma novela, usar a maior quantidade possível de diálogos, se concentrar nos detalhes para construir os personagens e escolher um ponto de vista para contar a história.

Pergunte a um jornalista quem são suas referências de boa reportagem: é muito provável que, além de Tom, surjam nomes como Truman Capote, Gay Talese, Norman Mailer (notório desafeto de Wolfe), Joel Silveira, Joan Didion ou Hunter Thompson. Eles foram os repórteres mais inovadores do século 20, criaram, cresceram com o Novo Jornalismo (que é velho mas não envelheceu) e a obra deles segue viva, irreverente e necessária.

Aqui, cinco livros para conhecer o trabalho de Wolfe e outras leituras fundamentais do jornalismo literário:

O Teste do Ácido do Refresco Elétrico, Tom Wolfe (1968)
Radical Chique, Tom Wolfe (1970)
O Novo Jornalismo, Tom Wolfe (1973)
A Palavra Pintada, Tom Wolfe (1975)
Os eleitos, Tom Wolfe (1979)
Fama e Anonimato, Gay Talese (1970)
A Sangue Frio, Truman Capote(1966)
Os Exércitos da Noite, Norman Mailer (1968)
Medo e Delírio em Las Vegas, Hunter S. Thompson (1971)
O Álbum Branco, Joan Didion (1979)
O segredo de Joe Gould, Joseph Mitchell (1965)
A Milésima Segunda Noite na Avenida Paulista, Joel Silveira (2003)
O Jornalista e o Assassino, Janet Malcom (1990)
O Gosto da Guerra, José Hamilton Ribeiro (1969)
O Traidor, Jimmy Breslin (2008)
Operação Massacre, Rodolfo Walsh (1957)
Hiroshima, John Hersey (1946)
Filme, Lilian Ross (1952)
O Imperador, Ryszard Kapuściński (1978)
Esqueleto na Lagoa Verde, Antônio Callado (1953)

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