Vitor Martins em seu espaço dentro do estande da Globo Alt

O fim do preconceito com os nacionais está obtendo resultados positivos

Victor Tadeu, no Desencaixados

Já faz alguns anos que os autores nacionais andam lutando para acabar com todo preconceito existente dentro da literatura. Apesar de não aparentar, existem inúmeros leitores que deixam de consumir uma história pelo simples fato de ter sido escrita por um brasileiro, pode aparentar uma situação inacreditável, mas, infelizmente é real e até hoje esse preconceito literário consegue ser fluente na decisão de leitura dentre algumas pessoas, só que, os índices demonstram que cada vez mais essa questão está sendo resolvida.

Muitas das vezes, os autores nacionais só tinham chance de publicar suas histórias dentro de uma casa editorial iniciante no mercado, ou, de modo independente — o caso de muitos —, aqueles que conseguiram publicar por uma grande editora foi devido à sua fluência no mercado editorial e/ou ao título bem interessante, capaz de quebrar o preconceito de qualquer leitor com teor preconceituoso com os nacionais.

Já saiu uma nota em eventos de editoras explicando a visão que elas têm diante dos autores nacionais. Como responsáveis literário, todos que trabalham em equipes editoriais sabem que os títulos mais vendidos são os estrangeiros, e muitas editoras estavam publicando autores internacionais para conseguirem cacife ao ponto de dar oportunidade aos nacionais com a mesma atenção e visibilidade de qualquer outra obra escrita por um best seller de outro país. Assim, eles teriam o simples mecanismo que balancear o catálogo literário e demonstrar para o público que uma história bem desenvolvida não é influenciada pela nacionalidade.

Fernanda Nia em bate-papo no sábado (04) antes da sua sessão de autógrafo e lançamento

Apesar de algumas pessoas insistirem em reclamar que as casas editoriais não estão dando oportunidades para autores nacionais, mesmo com um curriculum bem estendido ou não dentro da literatura, a 25a edição da Bienal Internacional do Livro que esse ano está sendo sediada em São Paulo, anda demonstrando todo o resultado de forma nua e crua, pois a quantidade de escritores nacionais que estão se destacando em 2018 está sendo incrível. O evento literário começou dia 03 e durará até o dia 12 de agosto, realizado no pavilhão de exposição da Anhembi, na Marginal Tietê.

Editora lança o seu primeiro título nacional durante a Bienal do Livro

A Plataforma21 é um selo da Editora V&R, ela é muito bem conhecida e deseja pelo público que gosta de fantasia, principalmente aqueles que estão sempre buscando inovação dentro do gênero. Desde a FLIPOP, um evento literário organizado pela Editora Seguinte, um selo editorial participante do Grupo Companhia das Letras, já estava sendo feito a divulgação do primeiro lançamento de um nacional do catálogo da casa editora.

A carioca Fernanda Nia foi a estreante brasileiro na Plataforma21, ela lançou durante a Bienal do Livro o seu título Mensageira da Sorte. O livro conta a história de Sam, uma garota que torna ser uma mensageira temporária no Departamento de Correção de Sorte — uma organização secreta para nivelar o azar das pessoas—, justamente durante o carnaval carioca durante um protesto conta AlCorp.

A autora consegue fazer um grande questionamento social dentro da sua história, fora confirmado por ela mesmo em uma entrevista com a Veja, que a AlCorp está integrado no enredo do título para nos fazer questionar como uma falta de atenção — social, política ou de qualquer outro setor importante — pode trazer mudanças drásticas, já que a AlCorp é uma empresa capaz de controlar o preço das necessidades básicas do país, refletindo muito em nosso quadro histórico em 2013.

Fernanda Nia vendeu uma média de 400 exemplares em quatro dias de Bienal, isso é um número muito relevante e considerável para uma escritora iniciante no mercado literário. Ela diz que deseja vê em outros lançamentos de distopias que também refletem nos problemas políticos e sociais do Brasil fazendo sucesso como a sua obra, já que ela é passada durante o carnaval carioca. O seu lançamento foi realizado sábado (4) no estande da Plataforma21 (048), onde reuniu dezenas de leitores para ouvir suas palestras e ganhar um autógrafo.

Livro com temática LGBT chama a atenção no estande da Globo Alt

O escritor também carioca, da parte serrana do Rio de Janeiro, Vitor Martins publicou em 2017 a sua primeira obra pela Globo Alt. Titulada como Quinze Dias, o livro teve um grande índice de vendas e comentários positivos em seu ano de lançamento, porém o autor publicou também pela Globo Alt o seu segundo título chamado Um Milhão de Finais Feliz que felizmente está sendo extremamente bem recepcionado pelo público da Bienal.

Todas as duas obras do autor tratam da temática LGBT, especificadamente sobre as fases de reconhecimento da sua orientação sexual. Seu público foco são os adolescentes, já que os mesmos estão sempre buscando formas de serem retratados em meio de entretenimento, principalmente na literatura que anda quebrando e abordando vários tabus que envolvem orientação sexual, cultural, racional e várias outras que precisam ser tratadas com atenção.

Vitor Martins está recebendo um sucesso muito incrível desde a FLIPOP, porém na Bienal do Livro a busca pelo autor está sendo maior, assim, criando uma enorme fila para autógrafo em dias mais movimentados do evento. Ele está no estande da Globo Alt, que também contá com a presença de outros escritores incríveis, como a dupla do TCD com a obra Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente.

Foi confirmado recentemente nas redes sociais da equipe literária da Globo, que Vitor Martins está com seus dois títulos no pódio de mais vendidos durante o evento, sendo que Um Milhão de Finais Felizes está em 2a lugar e Quinze Dias lidera a 4a posição. Por outro lado, os desenvolvedores da TCD lideram em primeiro lugar com Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente.

Sessão de palestra e autógrafos de Ana Beatriz Brandão no espaço da BIC.

Em mais uma edição da Bienal do Livro os nacionais dominam em atrações

A 25a edição da Bienal do Livro de São Paulo está contando com 197 estandes e 14 arenas espalhadas pelo pavilhão, além disso, somente 22 escritores estrangeiros estarão participando de palestras e sessões de autógrafos, enquanto isso, 291 nacionais estarão presentes. Pode não parecer, mas esses números são incríveis, já que a diversidade de autores é muito fluente para a quebra do preconceito literário com os brasileiros.

Ana Beatriz Brandão mais uma vez conseguiu ser uma das autoras mais almejadas no evento, esse ano ela deu uma palestra no espaço da BIC no domingo (5), na qual, também comentou sobre os seus projetos literário. Como foco, ela divulgou seu lançamento Sob a Luz da Escuridão, onde uma aglomeração de fãs reuniram para pegar o autógrafo da menina e tirar uma foto.

Não só ela, mas também como muitos autores do Grupo Companhia das Letras também tiveram seus momentos incríveis na Bienal. Raphael Montes, mais uma vez foi bem recebido pelo público, porém Iris Figueiredo (Céu sem Estrelas), Djamila Ribeiro (Quem Tem Medo do Femismo Negro?) Roberta Spindler (Heróis de Novigrath) estão liderando o pódio de títulos com exemplares mais vendidos do grupo editorial, sem falar, que alguns outros nacionais e estrangeiros também estão presente, como A Parte Que Falta, de Shel Silverstein.

Outros autores de diversas editoras também estão sendo atrações bem desejadas dessa edição do evento, portanto, muitos deles já afirmaram retornar em no pavilhão de exposição para rever seus leitores. Esse é o caso de Ana Beatriz Brandão que já afirmou em suas redes sociais retornar para a Bienal ao sábado (11) com o intuito de reencontrar seus leitores.

Agatha Christie, Marcos DeBrito, Luiz Machanoscki, Raul Dias e Rafaela Villela na Bienal do Livro. (imagem do Lar da Aghata)

Alguns títulos acabaram sendo esgotados devido ao grande número de vendas

Um dos estandes mais desejados dessa edição do evento, está sendo aquelas que os livros estão sendo vendidos por R$ 10,00, porém algumas editoras também adotaram a ideia e estão conseguindo esgotar os exemplares devido a promoção. A Editora Selo Jovem teve alguns títulos esgotados devido o preço e a apresentação das obras, entre elas estão: Lázaro – A Maldição dos Mortos (A. Wood), o 1° volume de Angellore (Gabrielle Venâncio Ruas), os livros Sozinhos no Escuro e Condenados (série de Jessé Diniz), O Portal de Oriun (Aldemir Alves) e Enviadas, da série Eternos (Sérgio Pereira).

A Editora Coerência também obteve seus momentos de puro destaque, já que, a escritora Jadna Alana conseguiu esgotar todos os seus exemplares de A Princesa de Ônix durante o evento. Foi confirmado pela editora-chefe que uma nova tiragem provavelmente sairá somente com a continuação e conclusão da duologia. Por outro lado, a autora Daiane Galelo passou pela mesma situação, mas seus exemplares foram abastecidos no mesmo dia.

Já tratando de antologias, foi esgotado no mesmo dia de lançamento (4) os exemplares de Deamomum Sigillum – As Crônicas da Goécia, uma antologia classificada como terror organizada pelo autor Raul Dias, publicado pela Editorial Hope. Uma 2a edição já vai ser organizada, e no evento de lançamento eles tiveram a presença da youtuber drag queen Agatha Christie e o Jesus da DarkSide Books. Ainda navegando pelo lado obscuro da literatura, Robson Gundim também teve os exemplares esgotados.

Até o momento não sabe se todos os exemplares esgotados vão ter reposição no evento, já que, alguns títulos acabaram até na sede das editoras. Porém, todo esse sucesso colabora para enxergamos como o fim do preconceito literário está indo embora, assim, resultando em diversos escritores conseguindo ter espaço na literatura, seja ele com qual gênero literário for.

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