Patricia Visconti, em O Barquinho Cultural

A pequena ilha de Guernsey, situado no Canal da Macha, vivia assolada pela Segunda Guerra Mundial, isolada e quase sem comida, a população se via obrigada a se virar com o que tinha em mãos, mas o que os inimigos não contava era com a união e compaixão que um tinha pelo outro, foi então que para despistar o encontro deles, criaram a “Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”, para debaterem sobre literatura e compartilharem o pouco da alegria que restava. Até que uma jovem jornalista, Juliete Ashton, sem ideias sobre o que escrever no próximo livro, conhece esta sociedade e se identifica com ela, e o que era para ser apenas uma história a ser publicada, acaba se tornando parte dela, num elo pleno de amor e amizade.

A escritora sabia quão significante seria este grupo, pois assim como eles, ela também sabe o que é sofrer e perder quase tudo em sua vida, tendo apenas suas ideias e sua coragem para encarar o mundo de frente, e vendo nos livros uma relação ímpar e relevante para uma sociedade mais igual, podendo expressar e ampliar seus conhecimentos com outras pessoas, por isso, que além de leitora fervorosa, ela começou a escrever, para dividir tamanha experiência com os outros. E foi essa curiosidade, fez com que ela adentrasse à esta sociedade, pois foi por causa da literatura que ela construiu sua vida e conquistou tudo que um jovem autor almeja, e isso que a escritora havia acabado de ficar noiva quando descobriu mais do que um sociedade literária, mas uma família, que compreendia e interpretava muito bem os seus anseios.

A história traz a beleza e a poesia de estar em paz com aqueles que você ama e se sente bem, mas ao fundo o drama de uma guerra árdua e cruel, que desgraça os inocentes e o faz os malfeitores dominarem a sociedade. Mas, com a diferença de que àqueles que amam de coração puro e verdadeiro, permanecem unidos para sempre. Um drama de época, porém com valores que podem ser adequados aos tempos atuais, mostrando que você pode ter poder, dinheiro e status, mas se você não tiver sensibilidade e comunhão com seu semelhante, todos acabam sendo iludidos por uma falsa esperança, dominada por quem só prega o próprio bem. Com personagens sensíveis e cativantes, que conduz a trama numa história extraordinária, humana e marcada por uma protagonista mulher até o fim.

O longa chegou ao catálogo da Netflix no último dia 10 de Agosto, baseado no livro homônimo ao filme, escrito por Annie Barrows e Mary Ann Shaffer (esta última, falecida em 2008). Estrelado por Lily James (Cinderela), Michiel Huisman (Game of Thrones), Penelope Wilton (Downton Abbey), entre outros, e dirigido por Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo).

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