Cena de “O Jovem Frankenstein”, de 1974.

Publicado no Tudo Celular

Recentemente uma série de terror brasileira foi anunciada pela Netflix, o gênero de horror é um dos mais clássicos que há. A sensação de tensão, gerada pelo medo instigado por palavras ou gravuras é algo que atrai um grande público. E aqui veremos como pode ter começado uma das histórias de terror mais conhecidas, a de Frankenstein e o seu Monstro.

Tudo começou em janeiro de 1803, quando um jovem chamado George Forster foi enforcado, culpado de assassinato, na prisão de Newgate, em Londres. Depois de executado, seu corpo foi levado para a Faculdade Real de Cirurgiões da Inglaterra, onde seria dissecado publicamente, não só isso, como também seria eletrocutado.

Os experimentos seriam conduzidos por Giovanni Aldini, sobrinho de Luigi Galvani, quem descobriu a “eletricidade animal”. O jornal The Times acompanhou os ocorridos:

Na primeira aplicação do processo ao rosto, a mandíbula do criminoso falecido começou a tremer, os músculos adjacentes estavam terrivelmente contorcidos, e um dos olhos estava de fato aberto. Na parte subsequente do experimento, a mão direita se levantou e cerrou-se, e as pernas e coxas foram postas em ação.

O motivo dos experimentos era defender os estudos do seu tio, de pessoas como Alessandro Volta, que clamava que a eletricidade “animal” era produzida pelo contato de metais e não devido a uma propriedade de tecido vivo.

A ideia de eletricidade estar, de forma peculiar, ligada a força vital já existia há bastante tempo, como por exemplo com Isaac Newton foi um dos que especularam pelas entrelinhas do assunto, pois também era, assim como Aldini, um filósofo natural.

Portanto não é surpreendente que a ideia fosse no mínimo presente nos círculos que Mary Wollstonecraft Shelley frequentava. O amigo da família e poeta inglês, Samuel Taylor Coleridge, era fascinado pelas conexões entre eletricidade e vida. Seu marido, que casou-se com ela no mesmo ano que o livro começou a ser escrito, em 1816, era outro entusiasta de experimentos galvânicos.

A obra viria a ser considerada a primeira do gênero ficção científica da história e considerada por muitos um dos três grandes clássicos do gênero de terror, junto de Drácula e O Médico e o Monstro, um dos que defendem isso é o aclamado escritor Stephen King.

Meses após o lançamento do livro, em 1818, o químico escocês Andrew Ure realizou experimentos elétricos em outro condenado por assassinato. A respeito do processo, Ure escreveu:

Quando o falecido foi eletrocutado, todos os músculos de seu corpo entraram em ação assustadoramente; raiva, medo, desespero, angústia, e sorrisos fantasmagóricos, uniram suas expressões hediondas no rosto do assassino.

Os experimentos que haviam sido abertos ao público, resultaram em diversos espectadores fugindo do apartamento e um cavalheiro desmaiando, de acordo com relatos.

Apesar de hoje em dia parecer nada mais que uma história de fantasia, tanto para Mary Shelley quanto para seus leitores era completamente possível que fosse real, sendo uma teoria fortemente considerada e discutida no decorrer do século que precedeu o livro.

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