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Cristina Danuta

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Por que ler os clássicos

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1. Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: “Estou relendo… ” e nunca “Estou lendo… “
2. Dizem-se clássicos aqueles livros que constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado; mas constituem uma riqueza não menor para quem se reserva a sorte de lê-los pela primeira vez nas melhores condições para apreciá-los.
3. Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como
inconsciente coletivo ou individual.
4. Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira.
5. Toda primeira leitura de um clássico é na realidade uma releitura.
6. Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.
7. Os clássicos são aqueles livros que chegam até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram (ou mais simplesmente na linguagem ou nos costumes.)
8. Um clássico é uma obra que provoca incessantemente uma nuvem de discursos criticos sobre si, mas continuamente as repele para longe.
9. Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos.
10. Chama-se de clássico um livro que se configura como equivalente do universo, à semelhança dos antigos talismãs.
11. O “seu” clássico é aquele que não pode ser-lhe indiferente e que serve para definir a você próprio em relação e talvez em contraste com ele.
12. Um clássico é um livro que vem antes de outros clássicos; mas quem leu antes os outros e depois lê aquele, reconhece logo o seu lugar na genealogia.
13. É clássico aquilo que tende a relegar as atualidades à posição de barulho defundo, mas ao mesmo tempo não pode prescindir desse barulho de fundo.
14. É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível.

Italo Calvino, em Por que ler os clássicos – Companhia das Letras.

Cristianismo Criativo?

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“A “arte cristã” não é discerinida por uma perspectiva regenerada sobre a vida como um todo, mas por um ponto de vista limitado sobre histórias bíblicas, santos, mártires e o relacionamento pessoal com Deus.”

Steve Turner, em Cristianismo Criativo?

Martins

Ponto de vista

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O ponto de vista
é seguido de um Apêndice muito importante, constituído por Duas notas sobre “O Indivíduo”. Trata-se de uma categoria eminentemente kierkegaardiana que constitui, para Kierkegaard, a categoria cristã por excelência, a qual designa ao mesmo tempo o Único e cada um de nós. A atualidade destas análises não passará despercebida a ninguém; remetem naturalmente para a noção de Deus pessoal, mas inserem-se igualmente num contexto cultural e histórico. Com Comte, Feuerbach, Marx, um novo conceito surgia: o de Homem genérico; perante ele, a pessoa humana não passava de uma abstração e a generalidade convertia-se naquilo em que cada indivíduo devia dissolver e transformar. Kierkegaard opõe-se a todas as escamoteação da pessoa humana, visando fazer acreditar que a massa encarna a voz de Deus, esta massa que gritou para Pôncio Pilatos: “Crucifica-o!”. Para Kierkegaard, o homem não é um animal precisamente porque o indivíduo é mais do que a espécie. A verdadeira abstração é a Multidão.

Trecho da introdução de
O ponto de vista explicativo da minha obra de escritor
, de Sören Kierkegaard.

O Dia do Curinga

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Obra intrigante e interessantíssima do autor de “O Mundo de Sofia”, Jostein Garder.

Nesta obra ele introduz o pequeno Hans-Thomas ao mundo mágico da filosofia através de uma trama que envolve mitos antigos, maldições e um antigo livrinho que sugere ao pequeno menino norueguês que, todos nós, humanos ou não, seríamos cartas de um grande baralho e os homens de sua familia seriam os curingas.

“Neste mundo onde a vida e a verdade estão ocultas, apenas umas poucas cartas conseguem ver com clareza. “Apenas o curinga do jogo não se deixa iludir.” Curingas são raros em qualquer baralho, mas sempre existe um para manter viva a esperança e a verdade não deixar morrer.”

“Os curingas estão espalhados pelo mundo, disfarçados em pessoas alienadas e comuns. Não fazem tanto alarde, até chegar a hora de despertar outro curinga para seguir o jogo. Estão sempre presentes, e sempre estarão. E o nosso desejo, nosso mais íntimo anseio, é de ser, ao menos um dia, um curinga.”

A Cabana (2)

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“Vocês, humanos, são verdadeiramente cegos em relação ao seu lugar na Criação. Escolheram o caminho devastado da independência e não compreendem que estão arrastando toda a Criação com vocês.”

William P. Young, em A Cabana.

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