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Austera e falante, professora Marina dispensava lousa

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Ex-alunas de Marina Silva relembram perfil da atual candidata à Presidência na época em que foi docente de colégio particular de Rio Branco

Registro profissional de Marina Silva como professora de História do Colégio Meta (AC) (Foto: Evaristo de Lucca/Arquivo pessoal/VEJA)

Registro profissional de Marina Silva como professora de História do Colégio Meta (AC) (Foto: Evaristo de Lucca/Arquivo pessoal/VEJA)

Luís Lima, na Veja on-line

A professora Marina Silva chegava sempre no horário. Não costumava usar a lousa, já que se garantia no gogó: tinha muita propriedade sobre o que falava, e falava e falava – não muito diferente de hoje em dia. “Dava uma aula cheia”, afirmou uma aluna. No look, marcas registradas como as saias compridas e colares já se faziam presentes. Também já era “magrinha” e cheia de ideais que inspiravam os estudantes. De 1985 para cá, talvez a principal diferença seja o salário da ex-professora de história e atual candidata à Presidência pelo PSB. Se antes ela ganhava cerca de 1 milhão de cruzeiros por mês (cerca de 1.080 reais, corrigidos pela inflação), atualmente, só com palestras, esta cifra saltou para 41.000 reais mensais nos últimos três anos.

A postura séria e comprometida como professora é o que marcou a ex-aluna do Colégio Meta e analista judiciária Mauricília Rodrigues. “Ela tinha muita segurança no que falava e transmitia o saber com muita tranquilidade”, afirmou ao site de VEJA. “Desde essa época ela já tinha o poder de convencimento. A presença dela em sala de aula aspirava a muito respeito”, disse.

O dono da instituição de ensino particular de Rio Branco (AC) em que Marina lecionou por apenas um ano, Evaristo de Lucca, diz que ela era uma docente exemplar. Ele já havia sido professor dela na Universidade Federal do Acre (Ufac), onde Marina se formou em história, e foi o primeiro empregador dela após a conclusão do curso. Ele conta que Marina o procurou porque tinha dois filhos e precisava trabalhar. “Marina era do tipo de professora que falava mais do que escrevia na lousa, porque tinha boa oratória e empolgava os alunos por aí”, definiu. No ano seguinte, 1986, Marina deixou o colégio Meta para se dedicar à vida política. “Quando ela me perguntou o que achava de sair da instituição, respondi que o futuro dela era promissor e que as portas estariam sempre abertas”, disse.

A médica e também ex-aluna Sirleide Uchoa disse que se identificava com Marina porque sempre gostou de história. Segundo ela, Marina era uma excelente professora, “competente, segura e preparada”. “A grande lição que ela deixou foi a história de humildade e superação. Já sabíamos que ela era uma pessoa vinda da floresta, batalhadora. Nós, como alunos, já víamos nela a figura de uma vencedora”, complementou Mauricília.

A chance de ter tido como professora uma possível futura presidente do Brasil emociona as ex-alunas. “Eu fico lisonjeada e muito orgulhosa. O Acre é uma terra que só agora está aparecendo na mídia. Lá não tem só onça, e índio não”, exaltou Sirleide. “É um misto de orgulho e alegria”, disse Mauricília. “Foi a mão da providência divina que fez ela passar de coadjuvante a protagonista do cenário eleitoral. A vida dela deu uma volta muito grande de uma forma que ninguém esperava”, complementou.

Com redação sobre Anne Frank, aluno da periferia de BH viaja para Holanda

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Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou para a Holanda e conheceu a casa de Anne Frank (foto: Arquivo Pessoal)

Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou para a Holanda e conheceu a casa de Anne Frank (foto: Arquivo Pessoal)

Rayder Bragon, no UOL

A primeira vez em que o adolescente mineiro Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou de avião foi em grande estilo: ele embarcou para Amsterdã, na Holanda. O estudante venceu um concurso de redações com o texto “Anne Frank e a atualidade”, sobre a adolescente perseguida por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Filho de uma diarista, ele é aluno do 9º ano do ensino fundamental da escola municipal Anne Frank, situada no bairro Confisco, uma região pobre encravada entre as divisas de Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais.

O concurso que o levou ao exterior foi promovido pelo segundo ano consecutivo pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp). Participaram do certame as escolas que levam o nome de Anne Frank no Brasil. Em entrevista por e-mail ao UOL, Willian disse ter encontrado uma Anne Frank ainda atual.

Bullying, racismo, discriminação

O “Diário de Anne Frank”, em que a garota conta sobre sua vida no esconderijo, foi publicado por seu pai, Otto Frank, único sobrevivente da família, em 1947. A jovem morreu em um campo de concentração nazista, aos 16 anos.

“Bullying, racismo e desrespeito às diferenças fazem parte da vida de muitos jovens como eu”, explica o garoto. “A violência contra minorias de todos os tipos é uma questão que a humanidade ainda não resolveu. Anne Frank não é questão do passado. Muito pelo contrario, é bem atual”, declarou.

“Visitei  a Escola onde Anne Frank estudou e, lá, tive a oportunidade de ler minha redação para os estudantes. Eles me fizeram perguntas e eu também pude conhecer um pouco de seus costumes. Enfim, uma semana de muita aprendizagem”, contou, para emendar em seguida, “é muito bacana conhecer novas pessoas, crenças, costumes e culturas”.

Willian também conheceu a casa em que Anne Frank viveu com a família e o famoso anexo secreto em que a adolescente se escondeu dos nazistas com os familiares por mais de dois anos.

“Conheci os  Museu de Van Gogh e  Neno.  Diverti-me passeando  de bicicleta  e de  barco pelos canais da cidade. Andei de trem, ônibus, van” descreveu o jovem.

Souza disse ter sido instigado a buscar mais conhecimento após a viagem, feita entre os dias 24 e 31 de agosto deste ano. Quando questionado sobre o que mudou na sua vida, ele responde: “Tudo. Existe um mundo a ser descoberto”.

Divulgar o que viu

Willian disse ter se empolgado com as novas descobertas e afirmou querer repassá-las para os colegas da escola, que atende alunos do ensino fundamental.

“[Quero] passar minha experiência para meus colegas e outras pessoas. Quero  continuar a divulgar os ideais de Anne Frank através dos projetos da escola que participo. O power point [a apresentação] da viagem pretendo mostrar para meus colegas e, se tiver oportunidade, em outros espaços da cidade”, relatou.

O adolescente conta que a lição mais importante, na sua opinião, foi a de  nunca desistir dos seus sonhos e objetivos. “Não importa a dificuldade”, disse.

 

Leia o texto vencedor do concurso:

A história de Anne Frank na atualidade

Hoje, vejo a luta das pessoas por um mundo com igualdade, respeito e sem discriminação social. Vejo os negros lutando para conseguir seu espaço nas universidades, na política e nas empresas públicas; os indígenas lutando para preservar a sua cultura e até para não serem queimados em praça pública; as pessoas despertando e acordando para lutar pelos seus direitos.

No período da segunda guerra mundial, as pessoas não tinham nem direito de lutar ou de reivindicar. Acredito que isso é pior: não poder lutar, não ter voz e não ter vez.

Hoje, vejo que as pessoas têm mais oportunidades de lutar pelos seus direitos e liberdade de ir e vir.

Nisso, vejo que a luta de Anne Frank não foi em vão, pois devido ao seu exemplo, muitas pessoas entendem que reivindicar os seus direitos é uma ação e não o parar e esperar.

A história de Anne Frank foi e é importante para a humanidade saber como é o sofrimento das pessoas em uma guerra, a tristeza com a morte de amigos, a falta de água, comida e luz.

Além disso, é importante para nós valorizarmos mais a vida, aquilo que conquistamos, pois as pessoas que viveram durante a guerra, não tinham nada.

Anne Frank nunca deve ser esquecida, pois uma simples história muda vidas. Não vamos deixar que esta história de crueldade se repita por meio do bullying, do preconceito, da discriminação, do racismo e muito mais.

Todos querem mudar o mundo, o universo, mas ninguém dá o primeiro passo mudando a si mesmo.

Mas, apesar disso tudo, eu ainda acredito na bondade humana.

A Jornada da Heroína

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Douglas Pereira, no Cafeína Literária

Comentei outrora sobre o livro O herói de mil faces, de Joseph Campbell. Trata-se de um estudo que aponta um padrão estrutural em todo mito ou lenda da cultura humana possibilitando sempre identificar os mesmos arquétipos de personagens (herói, mentor, vilão, etc).

Baseado nisso, o roteirista Christopher Vogler escreveu o teorema “A jornada do herói”, utilizando a forma do mito proposto por Campbell no contexto da elaboração do roteiro de cinema, indicando uma estrutura cognata às lendas e mitos, concluindo que toda história a ser contada enquadra-se neste formato.

o heroi de mil faces - a jornada do escritor

Este tipo de padrão já havia sido estudado em diversas oportunidades, como o fez Vladmir Propp, numa esperança de esquematizar o gênero ‘conto’. Sua análise aproxima-se muito do que Campbell propôs e, caso ele tivesse expandido seus horizontes para o universo mitológico humano, não apenas no núcleo do conto, teria logrado êxito muito maior.

Todo este padrão foi se moldando, subdividindo, ganhando variações de silhueta. Hoje podemos identificar um sem fim de filamentos, cada qual com seu mote específico.

Recentemente, tenho observado este fenômeno dentro do que o mercado chama de chic-lit, ou no coloquial, literatura para meninas. Apelidei este de “padrão crepúsculo”, epíteto que dispensa explicações. Visualize o seguinte:

  1. A protagonista é sempre uma adolescente ou mulher jovem e bonita; inteligente de forma peculiar ou com um dom especial.
  2. Por sua beleza e inteligência ou dom especial, a moça sempre é uma espécie de pária em seu meio. Ou é a menina perseguida na escola, ou pela família, ou órfã, ou que está passando por um processo de luto ou perda – nota-se que inclusive as(os) amigas(os), quando existem na narrativa, são explicitamente inferiores em inteligência e, quase sempre, em beleza, além de comumente superficiais, deixando a intelectualidade da protagonista ainda mais evidente.
  3. Ela se envolve ou já está envolvida num problema. Eis o drama ou ponto de conflito. Quando se trata de uma história de realismo fantástico, o problema é o risco de morte ou aprisionamento. Quando é apenas uma novela do estilo romântico, o problema é uma relação amorosa proibida ou o processo de luto pelo fim da relação anterior.
  4. Aparecerá um salvador misterioso. Sempre — SEMPRE — um homem fisicamente atraente, dentro do estereótipo padrão de beleza: “tórax definido e braços volumosos”. Não raro ele entra na vida da protagonista de modo abrupto, por um acidente do acaso.
    colecao crepusculo
  5. Ele será sempre admirado por todos à sua volta. Despertará a paixão de todas as outras mulheres da narrativa. Porém só se interessará por ela. Mesmo que esteja num outro relacionamento, este perderá toda a importância ou se tornará ilegítimo.
  6. Ele tem um mistério a esconder que causará um conflito secundário em dado momento da história. Pode estar diretamente ligado ao conflito principal ou não, mas invariavelmente servirá para estremecer a relação da protagonista com seu salvador.
  7. O vilão, quando há, tem pouca relevância. Visto que o núcleo do conflito é a relação do casal.
  8. Haverá uma entidade de sabedoria (um pai, uma mãe, uma avó, uma amiga, uma criatura mágica – fada madrinha) que servirá para ajudar a resolver os conflitos entre a protagonista e seu salvador.
  9. A heroína invariavelmente ficará com o salvador no final. Mesmo que este morra, terá marcado a protagonista de forma tão indelével que qualquer relação que ela venha a ter depois será apenas de caráter perfunctório.

Notem, por favor, que isso não é uma crítica ao gênero ou à estrutura. É apenas uma identificação. Cabe dizer, entretanto, que quanto mais evidente a estrutura está na história, mais inverossímil e fraco é o enredo da narrativa.

O motivo de identificar estas formas nas narrativas é justamente para que seja possível recriá-la, sem, todavia, transparecer que é “mais do mesmo”.

O próprio Vogler sugere que, em caráter de exercício, o escritor utilize fichas para escrever cada fase da narrativa e depois embaralhe-as, desenvolvendo os encaixes. O que é apenas uma das formas modelar a narrativa de forma não óbvia.

A função do escritor é ludibriar o leitor para imergi-lo na ficção, fazê-lo comprar a ideia e se divertir ao se surpreender com o que lê. Quando o esqueleto da obra se destaca e torna fácil enquadrá-la num padrão, sua leitura será monótona e previsível.

mao de escritor

Maconha diminui chances de jovem conseguir diploma

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Segundo novo estudo, adolescentes que consomem a droga diariamente são 60% menos propensos a concluir estudos na escola ou em ensino superior

Maconha: Droga prejudica desempenho escolar e favorece uso de outras substâncias ilícitas, segundo estudo (Foto: David Bebber/Reuters/VEJA)

Maconha: Droga prejudica desempenho escolar e favorece uso de outras substâncias ilícitas, segundo estudo (Foto: David Bebber/Reuters/VEJA)

Publicado na Veja on-line

Adolescentes que fumam maconha com frequência têm menos chances de concluir os estudos na escola e de conseguir um diploma no ensino superior do que jovens que não são usuários da droga. É o que descobriram pesquisadores após analisarem os resultados de pesquisas feitas anteriormente sobre o assunto. O trabalho ainda indicou que o uso da maconha aumenta em até oito vezes as chances de os adolescentes consumirem outras drogas ilícitas nos anos seguintes.

A nova pesquisa, feita por especialistas da Austrália e Nova Zelândia, se baseou nos dados de 3 765 pessoas que fumavam maconha e que fizeram parte de três estudos científicos sobre os impactos da droga na adolescência. Segundo a análise, publicada nesta terça-feira no The Lancet Psychiatry, fumar maconha todos os dias antes dos 17 anos diminui em até 60% as chances de o adolescente concluir os estudos em comparação com nunca ter usado a droga.

“Nosso estudo fornece uma evidência consistente de que prevenir ou postergar o uso de maconha pode promover amplos benefícios sociais e de saúde”, diz o coordenador da pesquisa, Richard Mattick, professor do Centro Nacional de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade de New South Wales, na Austrália. “Iniciativas para reformular leis sobre o uso de maconha devem ser avaliadas cuidadosamente para garantir que o uso da droga entre adolescentes diminua.”

Professor põe acervo de livros e documentos para doação em Ribeirão Preto (SP)

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Publicado na Folha de S.Paulo

Um azulejo português pintado à mão do século 19. Uma revista francesa de 1912 que trouxe a notícia da tragédia com o Titanic e o livro “Thesouro da Língua Italiana”, do professor Antonio Michele, impresso em 1807.

Estas e outras relíquias fazem parte do acerto do professor Jorge de Azevedo Pires, 84, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que decidiu doá-lo. Porém, ainda não há interessados.

Ele afirmou que entrou em contato com instituições, como universidades, mas que, até o momento, ninguém manifestou interesse pelo acervo do professor.

“Acho triste o país que não tem memória”, afirmou.

“Acho que é obrigação manter tudo isso, para que se tenha um futuro documentado”, completou.

Pires tem uma biblioteca que conta com cerca de 6.000 títulos, como um Atlas do Brasil de 1909, por Francisco Homem de Mello.

Além de livros, há edições de revistas e jornais antigos –como “O Novo Mundo”, de 1876, impresso na França e escrito em português.

Numa das edições, há a cobertura da ida de Dom Pedro 2º para a Exposição Universal de Filadélfia, nos EUA.

O evento, primeira feira internacional daquele país, inaugurou a era das grandes exposições americanas, segundo o professor.

“Fico impressionado com as imagens, ricas em detalhes. Foram feitas em bico de pena”, afirmou.

CARTA

Mas a peça considerada mais rara por Pires é um mapa, de 1882, que remonta à história da humanidade.

Chamada de “Carta Sincronológica da História Universal”, de Francisco Zavala, o documento mostra a história a partir de 4.000 a.C. até o ano em que foi publicado.

“Provavelmente, é a única peça desta no Brasil”, disse.

De material impresso, o acervo é grande. Por ele, é possível conhecer 318 primeiras capas de revistas brasileiras e estrangeiras.

Também é possível conhecer um pouco sobre a história de Ribeirão e as transformações sociais da cidade.

Numa coluna escrita à uma revista local em 1939, o escritor Menotti del Pichia criticou que mulheres andassem de bicicleta à época.

Disse que “não há nada mais feio que uma mulher andando de bycicleta (sic)”, e lamentou que uma bela avenida da cidade estava “infestada” por este transporte.

O gosto de Pires pela história começou quando era garoto. Ele disse que começou a comprar livros aos 11 anos, enquanto morava em Santos.

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