Pavarini
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Apostilas da rede municipal do Rio erram capitais de PE e PB
0Publicado no UOL
Qual a capital de Pernambuco? Belém ou Recife? Para quem tem o mínimo conhecimento da geografia brasileira, a resposta é fácil, afinal de contas a primeira opção se refere à capital do Pará, na região Norte do país. No entanto, o caderno pedagógico de matemática distribuído pela Prefeitura do Rio de Janeiro aos alunos do 5º ano da rede municipal de ensino redesenhou a geografia do Nordeste ao designar Belém como capital de Pernambuco e Manaus, capital da Amazonas, como a principal cidade da Paraíba.
Segundo a SME (Secretaria Municipal de Educação), a confusão na confecção do material didático foi corrigida por um errata encaminhada para todas as escolas da rede. Mas este não é o único erro.
Na apostila de história utilizada no 1º bimestre letivo de 2013 pelos alunos do 7º ano da rede municipal, um texto que explica o fim do Império Romano do Ocidente apresenta outra inverdade. A cidade de Milão aparece como sede do império em vez de Roma.
A SME afirmou que este erro também foi identificado e corrigido nas salas de aula.
Erros de geografia no caderno de matemática
De acordo com a SME, os erros, encontrados na página 11 caderno pedagógico de matemática que está sendo utilizado no 2° bimestre letivo de 2013 – de maio a julho -, foram identificados e retificados por um comunicado divulgado no último dia 11.
“A utilização dos cadernos pedagógicos relativos ao 2° bimestre estava prevista para a segunda semana de maio e os mesmos foram distribuídos no início do mês”, informou a secretaria. “Quando erros são identificados, a determinação dada aos professores é para que eles façam as correções tão logo o material começar a ser utilizado”, completou a SME, via nota oficial.
Os cadernos pedagógicos utilizados pelos 56.420 estudantes que cursam o 5º ano na rede municipal foram elaborados pelos professores da SME.
No caso dos cadernos de matemática, as apostilas foram supervisionadas pela professora doutora Sueli Druck, do Instituto de Matemática da UFF (Universidade Federal Fluminense). A reportagem tentou entrar em contato com a docente, por meio da assessoria de comunicação da UFF, mas foi informada de que a professora é aposentada da universidade. Tentamos conseguir o seu contato, mas infelizmente foi em vão”, explicou a assessoria.
Os erros com relação às capitais do Nordeste estão em uma tabela que subsidia quatro questões e apresenta as medidas em quilômetros quadrados das capitais dos nove estados que integram a região. Além de trocar as capitais de Pernambuco e Paraíba pelas capitais de Pará e Amazonas, respectivamente, a relação ainda credita incorretamente a sigla da Paraíba: “PA” em vez de “PB”. A abreviação que está na apostila se refere ao estado do Pará.
Secretaria tirou caderno do site
No site da SME, o caderno de matemática para o 5º ano é o único que não está disponível para consulta. A secretaria explicou que a ausência se deve às retificações feitas, segundo a assessoria, na semana passada, que ainda não foram atualizadas na página.
Segundo Regina Célia Pimenta, diretora da Escola Municipal Alberto Barth, localizada no Flamengo, zona sul do Rio, a errata foi recebida pela escola e repassada aos alunos antes da utilização do material com problemas. A professora disse, no entanto, não ter autorização para mostrar o documento e a apostila.
A reportagem procurou ouvir pais e responsáveis de alunos da escola no fim da tarde desta sexta, mas alguns deles informaram que hoje não é dia de aula de matemática. Outros até reclamaram dos erros, mas não informaram seus nomes.
Reação
Em reação à veiculação dos erros nas apostilas na imprensa, nesta sexta-feira, o Sepe (Sindicato dos Profissionais de Educação) informou, por meio de nota oficial, que vai pedir esclarecimentos à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.
“Um caso como esse demostra a falta de autonomia dada aos professores, que não têm liberdade de escolher o material didático mais adequado para exercer seu trabalho pedagógico. Agora, a Secretaria informa que os professores das escolas municipais terão que revisar os erros da apostila, quando existe toda uma equipe técnica, paga pela prefeitura, para a elaboração do material, contando inclusive com quatro revisores”, reclamou o sindicato, que prometeu ainda pedir à SME que informe o valor da confecção do material.
O UOL tentou, sem sucesso, falar com representantes do Sepe no final da tarde desta sexta.
Em Belo Horizonte, ex-faxineira vira “celebridade” por falar quatro línguas
0Carlos Eduardo Cherem, no UOL
Não restou outra alternativa nesta sexta-feira (17) à administração do Mercado Central de Belo Horizonte: arrumar um uniforme novo para as imagens e organizar as entrevistas da ex-faxineira Maria da Conceição da Silva, após a súbita fama da pernambucana, quando os colegas descobriram que ela fala inglês, holandês, italiano e espanhol, além de “arranhar” alemão, árabe e hebraico, e contaram para a diretoria do mercado.
Com isso, em pouco mais de 15 minutos de conversa, com o superintendente do mercado Luiz Carlos Braga, informado no início de maio, que, além de poliglota, a faxineira tem formação superior em contabilidade, Maria da Conceição foi promovida a atendente turística do Mercado Central. Seu salário passou de R$ 674 (salário mínimo) para R$ 1.100, com a promoção.
“Estamos organizando. É para ficar mais ajeitado”, afirma o superintendente, que pede que os jornalistas formem uma fila para falar com a empregada do mercado.
Maria da Conceição atendeu a reportagem do UOL, entre os desfiles que fez nos corredores do mercado para as imagens e as entrevistas individuais que concedeu aos repórteres. A agora atendente turística disse que há exageros na repercussão do caso e que não se sente celebridade.
“Senhor, estão exagerando. Eu só falo quatro línguas. O alemão, árabe e hebraico, eu só arranho o alemão, árabe e hebraico. Não tem nada disso não”, diz Maria da Conceição.
“O hebraico estava aprendendo com um amigo marroquino. Eu só arranho, não falo”.
O mundo sem fronteiras

Ex-faxineira do Mercado Central Maria da Conceição da Silva fala inglês, holandês, italiano e espanhol, além de “arranhar” alemão, árabe e hebraico (foto: Carlos Eduardo Cherem/UOL)
“Sou filha de pais separados. Meus irmãos mais velhos foram criados pela minha avó materna. Um outro foi criado por parentes. Minha mãe me doou ainda bebê. Mas arrependeu-se e me buscou mais tarde.
Aos 11 anos, Maria da Conceição trabalhava como recepcionista e, a mãe, como doméstica. “Estudava em colégio de freiras. No escritório, fazia serviços gerais e datilografia”. Mudou-se com a mãe para Fortaleza e lá fez o ensino fundamental num colégio militar.
Após o período na capital cearense, transferiu-se novamente com a mãe para Elesbão Veloso (PI), onde morou na casa de uma irmã. De lá, foi para Teresina e concluiu o ensino médio no Colégio Salesiano. Mudou-se com a mãe para Campina Grande (PB), onde trabalhou em diversas profissões.
“Comecei no levantamento de estoque em uma loja de autopeças, depois fui para o balcão. Aprendi muito. Fiz serviços hidráulicos e de servente de pedreiro também. Fui doméstica e até em oficina mecânica trabalhei”. Nessa cidade paraibana, em 1991, a mãe morreu.
Em 2005, Maria da Conceição trabalhava numa oficina de informática quando conheceu um alemão, um espanhol e uma holandesa. Eles faziam intercâmbio no país e foram embora. Mas a amizade foi mantida por meio de contatos pela internet. “Numa dessas conversas, entrou uma mineira, dez anos mais nova, que se tornou minha companheira. Sou homossexual”.
As duas foram convidadas pela amiga holandesa para se mudarem para lá. Toparam e, em Amsterdam, fizeram faxina e reforma de residências para sobreviver. Foi aí, que Maria da Conceição começou a aprender, “com uma certa facilidade”, as línguas que hoje domina.
Voltou o ano passado, após ter conhecido boa parte da Europa, e veio morar com uma irmã em Belo Horizonte e, óbvio, teve de procurar emprego.
Acabou arrumando o de faxineira do mercado e, agora, a promoção, quando foram descobertas suas qualificações.
15 minutos de fama
Dá um sorriso largo e avisa à reportagem, quando se prepara para atender outro jornalista, já impaciente na fila: “Eu sei disso tudo. São os 15 minutos de fama…”
“Você acha que eu sou boba? Isso tudo passa rápido”. Entretanto, não esconde uma leve expectativa com a súbita fama: “Emprego? É. Isso pode ser que melhore um pouco”, afirma Maria da Conceição, antes de partir para outra entrevista.
Em Belo Horizonte, desde setembro do ano passado, procurou trabalhar em escritórios mas não conseguiu. “As pessoas criavam dificuldades: veio da Europa? O que fazia lá? Já passou dos 40? Tem curso superior, precisamos de pessoas com formação até o ensino médio”, diz.
“Fiquei sabendo que havia vaga na faxina do mercado e fui ao escritório. Mas não apresentei currículo e omiti a formação superior e o fato de falar outras línguas”, afirma.
Ela afirma teve dificuldades para arrumar emprego em Belo Horizonte, mesmo com a boa formação educacional. Por isso, foi para a faxina do mercado e, agora, o atendimento aos turistas.
Mais pop que “50 Tons de Cinza”, livro apresenta Leminski complexo à geração do Facebook
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O escritor Paulo Leminski posa para foto em bar de São Paulo, em 1984 (Foto: Avani Stein/Folhapress)
Carlos Minuano, no UOL
Feito raro num país que dá pouca bola à literatura, Paulo Leminski é pop. Morto em junho de 1989, aos 44 anos, os versos do escritor e jornalista paranaense circulam há décadas em agendas e cadernos de estudantes e, hoje, encontram terreno fértil também na internet, sobretudo em redes sociais como o Facebook. Um dos poemas mais populares na rede diz o seguinte: “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”.
E é para além do universo de citações fáceis – e muitas vezes descontextualizadas ou incorretas – que uma série de lançamentos e projetos futuros, incluindo livros, filmes, discos e site, pretende levar a obra do autor descrito por Caetano Veloso como “concretista beatnik”, por Haroldo de Campos como “polilíngue paroquiano cósmico” ou simplesmente como “samurai malandro”, por Leyla Perrone-Moisés.
50 TONS DE LARANJA
Recém-publicado pela Companhia das Letras, “Toda Poesia” reúne os seus mais de 600 poemas, de diferentes fases e estilos, e procura decifrar o complexo universo de Leminski, que transitou com desenvoltura pelos territórios distintos, e eventualmente opostos, do erudito e do popular.
Prova de que o poeta é mesmo pop, o livro está há semanas no topo da lista dos mais vendidos nas livrarias brasileiras na categoria ficção e já desbancou até mesmo o best-seller pornô soft “50 Tons de Cinza”.
No conjunto, a criação poética de Leminski apresentada em “Toda Poesia” mostra como ele circulava livremente por diferentes estilos. Do concretismo ao coloquialismo, em haicais ou poemas-piadas, o caboclo polaco-paranaense (descendente de negro e polonês), exibe uma linguagem, que resiste ao tempo.
Apesar de não trazer nenhum texto inédito, o lançamento republica material de livros raros, quase todos já fora de catálogos. A maior parte organizada em livros pelo próprio Leminski, segundo a poeta Alice Ruiz, viúva do autor, e responsável pela seleção dos poemas reunidos na nova publicação.
“O que ficou de fora foi porque ele assim quis, e respeito isso”, diz. “O que ele não considerou pronto não será publicado”, completa.
Múltiplo Leminski
Os holofotes que se voltam sobre Leminski nesse momento, além de recolocar em destaque um nome de relevo da poesia brasileira, também devem jogar luz sobre facetas do autor mais desconhecidas do grande público.
Por trás de tudo isso, o esforço da família, Alice e as filhas Estrela e Áurea, que há anos trabalham na organização e difusão da extensa produção de Leminski nas mais diferentes áreas. Parte desse trabalho resultou na exposição “Múltiplo Leminski”. A mostra, que fica até outubro em Curitiba e depois segue para Goiânia e Recife, além da obra poética, destaca os trabalhos do artista na música, no cinema, grafite e quadrinhos.
Áurea também está à frente da digitalização do acervo de Leminski. “Trabalho muito extenso”, desabafa. “Já são quase três anos debruçada sobre esse material”, conta. O motivo de tanta labuta é lançar em agosto deste ano o acervo digital do autor, a ser distribuído em bibliotecas e universidades.
Outra parte deve se tornar um site oficial gerido pela família. Embora familiarizada com a obra do pai, Áurea diz ter se surpreendido com a multiplicidade de suas criações. “Ele era profundamente interessado em todas as formas de conhecimento, sobretudo as ligadas às áreas humanas”. (mais…)
Com Bolsa Família, alunos do Norte e NE têm aprovação maior que média
0Mariana Tokarnia, no UOL
Estudantes beneficiados pelo programa governamental Bolsa Família nas regiões Norte e Nordeste têm rendimento melhor do que a média brasileira no ensino médio das escolas públicas. A taxa de aprovação desses alunos é de 82,3% no Norte e de 82,7% no Nordeste, enquanto a taxa brasileira é 75,2%.
Os números foram feitos com o cruzamento de dados de 2011 do MEC (Ministério da Educação) e do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e apresentados hoje (16) pela ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, no 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).
“Os mais pobres tiveram um desempenho melhor do que a média”, constata Tereza Campello. “Não só conseguimos garantir que essas crianças não saiam mais da escola, mas conseguimos garantir que elas consigam ir melhor na escola”.
Ela atribui o rendimento ao fato de que os estudantes beneficiados pelo programa não podem ter uma taxa de frequência inferior a 85%. Para os demais alunos, a taxa é 75%.
“Além disso, esses estudantes são superestimulados, as famílias entendem que é um ganho muito grande”, diz a ministra.
No Brasil, esses estudantes também se destacam. A taxa de abandono escolar brasileira no ensino médio era de 10,8% em 2011, mas entre os alunos beneficiados pelo Bolsa Família, a taxa foi de 7,1%. A taxa de aprovação entre os beneficiados foi de 79,9% em comparação à taxa nacional de 75,2%.
Ensino fundamental pior
No ensino fundamental, estudantes beneficiados do Norte e Nordeste tiveram taxa de rendimento um pouco inferior à taxa nacional. No Norte, a taxa de aprovação dos beneficiados foi 84,4% em 2011 e 82% no Norte, em comparação à taxa nacional de 86,3%.
No Brasil, a taxa geral de aprovação dos beneficiados foi 83,9%. O abandono nacional nessa etapa do ensino foi 3,2%. Entre os beneficiados, também foi inferior, 2,9%.
A ministra também apresentou dados que mostram a maior presença dos 20% mais pobres da população brasileira no sistema de ensino. Em 2001, 17,3% dos jovens com 16 anos, que fazem parte desse grupo, tinham ensino fundamental completo. O número passou para 42,7%, em 2011. No Brasil, em 2001, 43,8% dos jovens nessa faixa etária tinham o ensino fundamental completo, e em 2011, 62,6%.
Entre os 20% mais pobres do país, os jovens de 15 a 17 anos na escola passaram de 71,1%, em 2001, para 81,1%. No Brasil, a porcentagem de jovens nessa faixa etária na escola passou de 81% para 83,7%. Entre os 20% mais pobres de 15 a 17 anos no ensino médio, – a idade adequada a essa etapa de ensino – a taxa passou de 13,6% para 35,9%. A variação nacional foi 37,4% para 51,7%.
“Houve uma melhora no fluxo escolar e são os mais pobres que estão puxando esses indicadores para cima”, constata Tereza.























