Tininha

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Posts by Tininha

Biblioteca pessoal

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Publicado por Pó dos Livros

A biblioteca pessoal é uma espécie de espelho do que somos, como uma segunda pele, impressão digital única que nos distingue dos outros. Não há duas bibliotecas iguais. Em geral uma biblioteca pessoal torna-se curta, à medida que o proprietário, curioso, sedento de conhecimento, aumenta a sensação de biblioteca incompleta.

A biblioteca pessoal pode ser tão pessoal como a roupa que vestimos, íntima, intransitiva, aparência do que desejamos ser, guardada só para nós como um erário precioso. A biblioteca pessoal não se constrói de um dia para o outro, a não ser que se herde uma, mas aí passa a ser impessoal e é forçoso que a leiamos para fazer dela a nossa biblioteca.

Leva anos a construir uma biblioteca, livros e mais livros, sempre poucos, escolhidos a dedo. Uma biblioteca não é uma biblioteca pela quantidade de livros que contém, mas pelo carácter dos livros escritos por quem os outros deixaram o seu nome assinalado e para que, necessariamente, faça jus ao nome de biblioteca.

Doutra forma é apenas um amontoado de papel, bibelots coloridos que servem de adorno a uma prateleira qualquer. E quem não entender isto, para quem não tiver sensibilidade nem espírito, basta apenas um mau livro para possuir uma biblioteca folgada.

Lena Bergstein aproxima pintura e palavra

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Artista carioca volta ao MAM depois de 20 anos para mostrar 15 obras inéditas, entre telas e ‘livros-pinturas’ em que frases de amor são aplicadas sobre a tinta azul

Artista conta que leu texto de Walter Benjamin sobre “um horizonte azul que nunca desaparece” e decidiu adotar tal cor para suas novas criações Monica Imbuzeiro

Artista conta que leu texto de Walter Benjamin sobre “um horizonte azul que nunca desaparece” e decidiu adotar tal cor para suas novas criações Monica Imbuzeiro

Audrey Furlaneto, em O Globo

Lena Bergstein, 67 anos, acumula pilhas de cadernos de notas. Ao longo da vida, registrou trechos de textos que leu, escreveu suas próprias histórias, anotou, desenhou e, muitas vezes, pintou aquilo que viu. Ao hábito de tomar notas e criar cadernetas, soma-se o gosto pela palavra, como forma gráfica, e pelo livro, como objeto.

Dos caderninhos, do apreço pela escrita e pela pintura, nasceram as 15 obras inéditas que ela expõe agora no MAM do Rio. A artista carioca, que fez sua última individual no museu há 20 anos, abre hoje, às 16h, a mostra que leva seu nome e reforça a marca de sua produção: a relação entre texto e imagem, escrita e pintura.

Lena expõe no térreo do museu. Passada a recepção, o visitante já entrevê as grandes telas azuis que a artista criou desde 2010 especialmente para a mostra. Além das oito pinturas (em telas sem chassi, presas, nos cantos, por delicados preguinhos), há sete “livros-pinturas”, dispostos sob suportes na altura do quadril do espectador. Isso porque ele pode folhear cada um dos livros, cujas páginas são feitas de telas, quase sempre azuis e com palavras e frases em outras cores, por cima da massa azulada.

A técnica de Lena lembra a que se faz com papel carbono: ela aplica um pedaço de jornal na tela já pintada e, sobre o papel, escreve o que deseja. Em seguida, retira o papel. Trata-se de um processo de transferência, como ela define. O que resta é a tela com a palavra.

— Essa forma de trabalhar, com transferência para a tela, é também herança do meu passado gráfico — explica a artista que, nos anos 1970, estudou gravura no MAM e, diz, decidiu então seguir carreira profissional como artista plástica.

De lá para cá, fez várias mostras no exterior, como em 1986, na Galeria Segno Gráfico, em Veneza, ou em 1998 na Galeria Debret e no Salão do Livro, em Paris. Participou da Europalia em 2011, quando o festival na Bélgica foi dedicado ao Brasil.

Nas telas que criou para o MAM, há frases como “Quando dizemos eu te amo, dizemos tudo”, extraídas do livro “O amor — como é e como se faz”, do filósofo Jean-Luc Nancy.

— Queria que fosse uma exposição também sobre o amor — diz ela. — Achei esse pequeno livro do Nancy, e tinha visto um texto de Benjamin, em que ele falava de um horizonte azul que nunca desaparece. Comecei a mergulhar nesse universo azul e trabalhei como se ele fosse um universo amoroso.

A arte de fazer livro

Abertos, os “livros-pinturas” chegam a um metro de largura. As páginas ficam pesadas pela tinta carregada de pigmentos (ela gosta da ideia de muita matéria sobre a página), e o ato de folhear é um ritual lento.

— Fazer livro é algo que convive comigo há muito tempo — diz ela, que ilustrou e organizou “Enlouquecer o subjétil” (Ateliê Editorial), com texto de Jacques Derrida (1930-2004). O título ganhou o Jabuti de Produção Editorial em 1998. — Para quem gosta de escrever, era um caminho natural escrever na tela. É o lugar para relacionar a pintura e a palavra.

Crítica: Livro de historiador expõe contradições de Malcolm X

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Eleonora de Lucena, na Folha de S.Paulo

Capitalismo e racismo andam juntos na história. Discriminações servem para dividir e oprimir grupos. Poucos personagens sorveram dessa realidade de forma tão radical quanto Malcolm X.

De pregador do ódio racial, ele se transformou em liderança pelos direitos humanos, afrontando o poder do governo norte-americano.

Era o período da Guerra Fria, e Malcolm passara a defender os países do Terceiro Mundo e a flertar com as ideias socialistas. Percorrera a África e o Oriente Médio, enterrando o sectarismo cego que o marcara até então. Já não satanizava os brancos nem advogava a criação de um Estado negro separado.

O ativista Malcolm X fala à imprensa em Washington, em 1963, dois anos antes de ser assassinado (Associated Press)

O ativista Malcolm X fala à imprensa em Washington, em 1963, dois anos antes de ser assassinado (Associated Press)

Os meandros dessa transformação são dissecados pelo historiador norte-americano Manning Marable em “Malcolm X, uma Vida de Reinvenções”, obra vencedora do prêmio Pulitzer de 2012.

Diferentemente de Martin Luther King, fruto da pequena burguesia instruída e endinheirada de Atlanta, Malcolm X veio do gueto urbano moderno: vivenciou a pobreza, a falta de emprego, a violência, a segregação.

Na juventude, meteu-se em arrombamentos, roubos, furtos, prostituição. Lavou pratos e vendeu maconha. Preso, virou muçulmano. “O crescimento econômico do pós-guerra tinha deixado muitos afrodescendentes para trás”, escreve Marable.

Malcolm incorporou a cadência do jazz ao seu estilo de oratória e levou multidões a aderir ao islã e a protestar contra a violência policial.

Leitor voraz a partir do tempo de cadeia, fazia discursos sobre o legado da escravidão, atacando o cristianismo e o governo dos EUA.

Seguindo a trajetória do líder, o historiador aponta também suas escorregadelas em entrevistas e seus erros estratégicos. Malcolm chegou a ter encontro com a Ku Klux Klan.

O autoritarismo do seu grupo islâmico e a seita de supremacia branca eram lados de uma mesma moeda: racismo e segregação. O pensamento de Malcolm deu um giro quando se aproximou dos embates de seus seguidores e conheceu outras experiências de luta pelo mundo.

Marable observa que o líder percebeu que só teria êxito “se se juntasse ao movimento de direitos civis e outros grupos religiosos para uma ação conjunta. Não se podia simplesmente deixar tudo por conta de Alá”.

MUDANÇA DE POSTURA

Arrependido de ter ridicularizado King em discursos no passado, Malcolm o cumprimentou. O aperto de mãos traduziu a mudança: o líder rebelde trocava a violência pela batalha do direito ao voto.

“União é a religião certa”, declarou. E se autodefiniu: “Não sou antibranco, sou antiexploração e antiopressão”. O historiador afirma que Malcolm tornou-se “uma ameaça ainda maior” para o governo dos EUA após o seu rompimento com a Nação –o grupo islâmico de características xiitas que abraçara na cadeia.

O historiado Manning Marable, autor de "Malcolm X" (Associated Press)

O historiado Manning Marable, autor de “Malcolm X” (Associated Press)

O livro, rico em análises, faz uma descrição minuciosa do até hoje não esclarecido assassinato de Malcolm, em 1965. Quatro horas após o crime, o palco onde ocorrera o delito estava lavado para um baile de aniversário.

Marable compara Malcolm a Che Guevara e cita as influências do líder no movimento Black Power e em músicos como John Coltrane. O autor conta que começou a trabalhar na biografia no final dos anos 1980. Desconstruindo a “Autobiografia” de Malcolm, percebeu exageros. Marable concluiu o livro pouco antes de morrer, em 2011.

Paradas de ônibus viram biblioteca no centro de Campo Bom (RS)

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Projeto disponibiliza estantes com dezenas de livros em dois pontos centrais

A novidade na espera pela condução deixou os estudantes mais calmos antes de voltar para casa Foto: Charles Dias / Especial

A novidade na espera pela condução deixou os estudantes mais calmos antes de voltar para casa
Foto: Charles Dias / Especial

João Vitor Novoa, no Zero Hora

Uma ideia simples que pode mudar a vida de muitas pessoas sem acesso à cultura.
Em Campo Bom, as paradas de ônibus viraram centros de leitura de qualidade.

Ao lado do ponto, uma estante abastecida com diversos títulos oriundos de descartes da biblioteca municipal fazem os passageiros do município de 60 mil habitantes esquecerem, por instantes, as preocupações de mais um dia de trabalho ou aula.

Por enquanto, são duas estantes com 200 obras cada, nos dois pontos de maior circulação da cidade. Títulos como O Cortiço, de Aluísio Azevedo, Quincas Borba, de Machado de Assis, Risíveis Amores, do tcheco Milan Kundera, entre outros, entregam cultura aos acostumados com a monotonia da espera pelo ônibus.

Quem estiver caminhando pelos pontos da avenida Brasil ou da rua dos Andradas terá o direito de escolher um livro e levar para casa se quiser, com a obrigação de devolvê-lo no mesmo estado de conservação. Batizado como Cada Canto um Conto, o projeto não terá controle específico.

— Não há fiscalização, não há muros, grades. O objetivo é que as pessoas leiam. Campo Bom quer mostrar que a comunidade pode crescer junta — explica Juraci Reichert, coordenadora do projeto e supervisora administrativa do Complexo Cultural CEI, vinculado à prefeitura do município.

Para a estante permanecer o ano inteiro recheada de títulos, as doações poderão ser realizadas na hora, sem comprovante algum. Basta o cidadão levá-las para as estantes e permitir que pessoas como a auxiliar administrativa, Marisa Stein, aproveitem a chance de ler obras inéditas em suas vidas.

— É muito bacana. Pego o ônibus para ir ao supermercado e ele acaba demorando às vezes. É uma oportunidade de mantermos esse bom hábito que é a leitura — analisa.

Criançada se acalma ao folhear os títulos

O acervo das minibibliotecas atrai também as crianças que usam o transporte público para ir à escola. Antes, os pontos eram uma algazarra pela manhã, graças a ansiedade dos pequenos. Agora, o ambiente está silencioso. Mas seguem as brincadeiras.

— Eu peguei O Último Adeus de Sherlock Holmes (escrito por Sir Arthur Conan Doyle). Escolhi bem, né? Já ele ficou com um de menina — diverte-se Cauê de Oliveira, nove anos, aluno do quinto ano da Escola Municipal Dom Pedro II, apontando para o colega que colocou na mochila um exemplar de O Diário de Débora, de Liliane Prata.

Dependendo do volume de doações, a prefeitura irá levar o projeto para mais pontos. Segundo a organização, o extravio de obras não preocupa, pois 97% dos livros alugados na biblioteca municipal são devolvidos.

dica do Jarbas Aragão

Filha de agricultor de Jequiá da Praia representa AL no quadro Soletrando

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Nathálya Regina venceu a seletiva regional e disputa etapa nacional no RJ.
Estudante se preparou para disputa com ajuda de professores.

Waldson Costa, no G1

No dia 2 julho a estudante do 6º ano do ensino médio, Nathálya Regina da Silva Passos, 11, da Escola Municipal José Cursino dos Santos, de Jequiá da Praia, município que fica a 66 km de Maceió, fará sua primeira viagem de avião. Vencedora da seletiva regional da competição Soletrando, ele representará Alagoas na etapa nacional, que acontecerá no Rio de Janeiro.

Nathálya Regina continua estudando para a etapa nacional do Soletrando (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Nathálya Regina continua estudando para a etapa nacional do Soletrando (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Filha de um agricultor, que trabalha no plantio e colheira da cana-de-açúcar, e de uma dona de casa, Nathálya Regina se preparou para a competição com ajuda de professores e de uma tia, que também é educadora; fazendo leitura de textos, palavras do dicionário e ditados.

“Estudei muito e me preparei bastante para competição. Como a classificação era algo que eu queria muito, fiquei nervosa, mas estava confiante”, conta Nathálya, ao lembrar que a mãe chorou de felicidade com a conquista, que foi comemorada por toda família.

Para a educadora e tia da estudante, Fernanda Passos, a classificação de Nathálya para etapa nacional representa o avanço da educação pública municipal e serve de incentivo para que outras crianças se empenhem no estudo.

“Para os educadores é o reconhecimento do nosso trabalho, da qualidade do ensino. Para os estudantes, uma motivação a mais para os estudos. Tanto, que ela se espelhou em um outro aluno do município que foi finalista no ano anterior”, expôs.

Ao enfatizar que Nathálya Regina é bastante estudiosa e curiosa, Fernanda Passos, que já acompanhou outro aluno na competição, diz que além do conhecimento, o equilíbrio psicológico conta muito neste tipo de competição. “Ela está preparada e já é um orgulho para a família. A preparação com leitura e jogos de palavras devem continuar, e esperamos que ela consiga controlar o nervosismo na próxima etapa para se sair bem”, completa a professora.

Feliz com a conquista, Nathalya Regina, que tem como objetivo futuro se formar em Direito, e sonho em ganhar um computador, diz que vem estudando todos os dias para vencer a etapa nacional do Soletrando 2013, que acontecerá durante as gravações do programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo.

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Etapa Regional
Nathálya Regina da Silva Passos, da Escola Municipal José Cursino dos Santos, de Jequiá da Praia, disputou a final da etapa regional do Soletrando, em Alagoas, com outros cinco estudantes.

Na final regional, participaram da disputa os estudantes: Aleksandro Vicente Da Silva Junior, da Escola Municipal de Educação Básica Benedito Coutinho (Jequiá da Praia), Gabrielle Ramalho Leite de Sousa, da Escola Municipal de Educação Básica Messias João Coelho (Jequiá da Praia), Mariana Bispo da Silva, da Escola Municipal de Educação Básica Maria Lopes Bertoldo (Jequiá da Praia), Rosângela de Lima da Silva, da Escola Municipal de Educação Básica Eutíquio Quintela Cavalcante (Jequiá da Praia) e Sabrina Rodrigues, do município de Canapi, cidade do Sertão alagoano.

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