Tininha

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12 sinais de quem está amando um livro

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Augusto Assis, no Cabine Literária

Quando a gente gosta de um livro é claro que a gente recomenda pra qualquer coisa que se mova e acaba ignorando toda e qualquer pessoa ao redor só pra terminar mais um capítulo. Hoje trouxemos uma dúzia de sinais comuns de um leitor que está completamente apaixonado por uma história.

The Reader

1 – Você ainda nem terminou o livro, mas já tem uma lista de pessoas que você quer muito que leia.

2 – Você posta nas redes sociais o quanto você está gostando do livro, mas não arrisca olhar a resposta. A internet é sombria e cheia de spoilers.

3 – Seus compromissos podem esperar mais um pouco. Você precisa terminar aquele capítulo.

4 – Você já leu essa história antes. Mas qual o problema de ler de novo? Nunca se sabe quando o final vai ser diferente.

5 – Nos intervalos entre a leitura você acaba pensando “Cara, que sorte a minha encontrar esse livro!” ou “Por que enrolei tanto pra começar a lê-lo?”

6 – As pessoas perguntam quais os seus planos para o fim de semana e você acaba respondendo: “Então, eu tô lendo um livro, e ele é tão incrivelmente legal…”

7 – Você quase perde o seu ponto do ônibus porque está completamente imerso na história. (Tudo bem, às vezes, você realmente perde. Não vou contar pra ninguém).

8 – Mesmo estando na metade do primeiro volume de uma série, você já perde o segundo e o terceiro volume. O quarto também. Só pra garantir.

9 – Você começa a economizar leitura. Um capítulo por noite, mais do que o suficiente. Talvez dois. Não mais que isso.

10 – Você acha que está lendo muito rápido e uma hora ou outra acaba voltando um pouco para saborear o trecho melhor.

11 – Você segue o autor ou a autora no Twitter e não há um único tweet que você não veja. Nunca se sabe quando o autor estará por perto.

12 – Quando você vê alguém lendo o mesmo livro que você na rua, é muito difícil não perguntar o que a pessoa está achando, onde ela está, qual o seu personagem favorito e tudo mais. (No meu caso, algumas vezes eu não resisto mesmo.)

Vai ter Copa na lista?

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Intrinseca e Sextante empatam e o tema futebol não emplaca na lista

Cassia Carrenho, no PublishNews

A uma semana da abertura da Copa do Mundo no Brasil, na lista dos mais vendidos o tema futebol deu W.O, apesar dos vários lançamentos sobre futebol e principalmente sobre o craque Neymar. Na lista de não ficção dessa semana, aparece Guia politicamente incorreto do futebol (LeYa), que já estava há algumas semanas, e a novidade que, numa grande ironia, passa longe dos estádios e perto dos tribunais, Indefensável, o goleiro Bruno e a morte de Eliza Samudio (Record), alcançou a quinta posição. Prá ele não vai ter Copa!

O grupo Record colocou outro lançamento, Princesa adormecida (Galera Record), da queridinha das meninas Paula Pimenta, que alcançou a oitava posição na lista infantojuvenil, com 2.344 exemplares vendidos.

Em autoajuda o destaque foi o livro Mapa da felicidade (Gente) que ficou em quinto com 1.547 exemplares. A culpa é das estrelas (Intrínseca) alcançou o espaço com o número de 19.197 exemplares, culpa da capa (não da Copa) nova, mantendo o primeiro lugar e favoritismo para fechar o primeiro semestre como líder isolado!

No ranking das editoras, Intrínseca e Sextante continuam o fairplay e empataram com 14 livros cada. Santillana caiu para segundo com 10, e Companhia e Record em terceiro com nove.

Ciência sem Fronteiras: aluno é pouco orientado e não tem disciplinas validadas

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Falta de chancela de coordenadores de cursos antes da viagem, livre escolha de matérias por parte do bolsista e resistência de universidades do País na validação de disciplinas cursadas no exterior impedem reconhecimento do que é aprendido lá fora

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Arquivo pessoal De volta do Canadá, a ex-bolsista do CsF Maria Clara não conseguiu validar todas as matérias

Davi Lira e Ocimara Balmant, no Último Segundo

A estudante universitária Maria Clara Pestana, de 22 anos, teve uma das melhores experiências de sua vida durante o intercâmbio realizado pelo programa Ciência Sem Fronteiras (CsF) do Governo Federal. Aluna do curso de Ciência da Computação na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ela estudou de setembro de 2012 a dezembro de 2013 como bolsista no Canadá. No entanto, a felicidade da experiência só não foi completa porque, quando voltou ao Brasil, teve dificuldades com a UFPB no reconhecimento das disciplinas cursadas lá fora.

“Todas as cinco matérias que eu fiz eram da minha área de formação. Mas até agora apenas duas foram aceitas como créditos na minha universidade. Outra eu consegui, ao menos, transformá-la em atividade complementar, porque ela não foi validada. É uma pena, queria ter aproveitado as cinco”, diz Pestana.

O problema de reconhecimento de créditos não é um caso isolado. Existem situações ainda mais graves. É o caso do estudante pernambucano Victor Lira, de 22 anos. “Para mim, pela oportunidade que tive, já me sinto um privilegiado. No entanto, mesmo tendo aproveitado ao máximo a experiência, das seis disciplinas que eu fiz no exterior, eu não consegui dispensar nenhuma no Brasil”, conta Lira, que é estudante de Medicina em Pernambuco.

Pelo fato de o Brasil possuir um padrão distinto de carga horária das disciplinas, teor diferente dos programas dos cursos e até diferenças simples na nomenclatura da matéria, parte considerável da experiência e do conhecimento que o aluno adquiriu no exterior acaba, simplesmente, sendo desconsiderada pelas universidades brasileiras.

Assim, mesmo os alunos estando vinculados a um programa oficial do governo e estudando em instituições no exterior conveniadas pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), os estudos lá fora não são validados em sua totalidade no Brasil. A situação não é uma exceção. O número de queixas de ex-bolsistas é cada vez maior, conforme o iG Educação apurou.

Divulgação/UniBH Para Castro, ex-diretor da Capes, universidades brasileiras deveriam flexibilizar exigências

Divulgação/UniBH
Para Castro, ex-diretor da Capes, universidades brasileiras deveriam flexibilizar exigências

Problemas como esse, dizem os especialistas, poderiam ser evitados se as instituições fossem mais flexíveis. “Isso é um absurdo. Olhar certas ´miudezas´ é bobagem. É um erro da universidade”, afirma o especialista em educação Claudio de Moura Castro, ex-diretor da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência do MEC que coordena o programa.

Gestores universitários admitem, contudo, que a situação poderia ser evitada caso houvesse um acompanhamento e planejamento prévio das atividades a serem realizadas pelos bolsistas de forma antecipada.

Tal orientação deveria ser dada pelos coordenadores de cursos das universidades de origem, por parceiros internacionais que têm a fundação de intermediar a relação com o bolsista e pela própria instituição brasileira, por meio de seu coordenador de cooperação internacional, que dá o aval para o aluno viajar para o exterior. Dessa forma, o estudante já sairia do Brasil sabendo que a disciplina que vai cursar lá fora será reconhecida quando ele retornar às atividades regulares em sua universidade de origem.

Atualmente, contudo, existem alunos que acabam decidindo, por si só, o que vão estudar. Há situações em que o estudante viaja sem que seu plano de estudos – exigência definida pelo programa – tenha passado pelo crivo do coordenador do curso no País.

“Só quando cheguei no Reino Unido foi que eu decidi quais seriam as matérias que eu iria cursar. Eu nem cheguei a conversar com o meu coordenador no Brasil. No intercâmbio de um ano, eu fiz quatro matérias. Elas foram escolhidas meio que no chute. Levei mais em conta os meus próprios interesses”, afirma o mineiro Breno Barcellos, de 21 anos, que voltou ao Brasil no início de 2014.

Descompasso

Outra situação comum reportada por estudantes é o descompasso entre o plano de estudos que eles definem antes da viagem e a disponibilidade da oferta de disciplinas que eles encontram quando chegam nas universidade no exterior. Por ausência de vagas, desconhecimento das regras de matrícula, falta de orientação adequada é até pouca fluência na língua estrangeira, há alunos que preferem, simplesmente, optar por disciplinas menos complexas e que, de antemão, já sabem que não serão aceitas no Brasil.

Divulgação/UFAL Segundo Josilan, programa precisa aprimorar sistemas de acompanhamento do bolsista

Divulgação/UFAL
Segundo Josilan, programa precisa aprimorar sistemas de acompanhamento do bolsista

“Uma aluna nossa do curso de Bilogia [disciplina dentro da área prioritária do programa, mais voltado às áreas de Exatas e Saúde], por algum motivo resolveu se matricular em Dança Africana. Outros, em vez de cursarem disciplinas relativas aos seus cursos, optam por italiano, por exemplo, mesmo não estando na Itália. Isso é um problema que é comentado entre todas as universidades, por meio de suas assessorias de cooperação internacional”, diz Josilan Barbosa, da coordenação do CsF da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Segundo ele, as universidades não têm um controle fidedigno de quais disciplinas foram escolhidas pelos estudantes após a matrícula no exterior e se elas estão sendo efetivamente cursadas. “Não conseguimos acompanhar os estudantes, nem temos acessos às notas deles durante a realização do intercâmbio”, completa Barbosa.

A culpa não é minha!

Mas cursar uma disciplina sem afinidade com a área de estudo nem sempre é resultado de falta de orientação ou de um “desvio proposital” de rota do estudante. Há casos em que essa adaptação é tudo o que se tem. Um bolsista consultado pela reportagem (ele preferiu não se identificar), é estudante de Cinema no Brasil [curso ligado à área do programa chamada Indústria Criativa]. Ao ser selecionado pelo programa, foi alocado em uma faculdade de Radialismo. “Tive de me adaptar porque o curso nem tem tanto a ver com o que eu realmente desejava”, diz ele, que estuda nos Estados Unidos.

Conheça algumas universidades que já receberam alunos brasileiros pelo CsF

Outro universitário consultado pelo iG Educação passou pelo mesmo problema de alocação em uma faculdade que não se relaciona com seu curso. Mas esse aluno, que também preferiu o anonimato, não está preocupado com a validação dos créditos. “Sabe que não tenho certeza [se as disciplinas serão aceitas pela universidade de origem]? Vou procurar saber depois. Mais do que minha formação acadêmica, essa experiência está sendo fundamental do ponto de vista cultural, antropológico e político. É a primeira vez que moro fora do Brasil.”

Divulgação/Unicamp Para Schwartzman, problemas são frutos da má concepção do programa "desde o início"

Divulgação/Unicamp
Para Schwartzman, problemas são frutos da má concepção do programa “desde o início”

Efeito dominó

Todo esse quadro, que compromente a missão principal do programa – a iniciativa busca fomentar o intercâmbio científico e o fomento à inovação tecnológica do Brasil -, é visto pelo sociólogo Simon Schwartzman, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como consequência direta da forma como a ação vem sendo “mal concebida desde o início”. Como o programa tem uma meta audaciosa de enviar 101 mil estudantes até 2015, critérios de qualidade na seleção, planejamento e acompanhamento dos estudantes não veem sendo respeitados de forma absoluta, diz o especialista. Atualmente, inclusive, o Governo Federal planeja lançar em breve a próxima versão do programa, o “Ciência sem Fronteiras 2.0″, com vistas a atingir a meta mais rapidamente.

“Simon: para as universidades [estrangeiras], muitas delas em crise, acabou sendo um bom negócio [receber o bolsista brasileiro]

“O governo inventa um número total [de meta], aciona o Itamaraty para pressionar os países. Esses, querendo agradar o Brasil, aderem ao programa. Para as universidades, muitas delas em crise, acabou sendo um bom negócio. É o Brasil quem paga a conta”, fala Schwartzman, referindo-se aos recursos repassados pelo governo a instituições estrangeiras e órgãos de intermediação de bolsistas brasileiros. Para ele, falta indicadores de qualidade ao programa. A questão foi o ponto central de uma das reportagens da série.

O professor brasileiro Marcus Smolka, que atua na Universidade de Cornell, nos EUA, acredita que o sucesso de um programa de intercâmbio científico vai depender do trabalho conjunto da universidade de origem e da instituição para a qual o aluno seguirá.

Ele conta como exemplo, uma parceria dos Estados Unidos (EUA) com o Vietnã. Antes do envio, o governo do Vietnã chamou 40 pesquisadores das principais universidades americanas para irem ao país e entrevistarem os alunos interessados. Lá, chegaram a um consenso sobre os alunos com mais qualificação para um programa de pesquisa. “É claro que, dessa forma, as chances de aproveitamento são muito maiores.”

Thinkstock/Getty Images Consultado, o MEC informou que cabe às universidades dos País a validação de disciplinas

Thinkstock/Getty Images
Consultado, o MEC informou que cabe às universidades dos País a validação de disciplinas

Posição do governo

Coube ao MEC a centralização do posicionamento do Governo Federal. Sobre o reconhecimento das disciplinas cursadas no exterior, o órgão afirma que a questão é de responsabilidade das universidades brasileiras.

“Elas possuem autonomia para reconhecer o que foi cursado no exterior. Cabe destacar, que as instituições de origem dos candidatos assinam termo de compromisso com a Capes no qual se comprometem a fazer o reconhecimento das disciplinas cursadas. Para evitar problemas, a Capes orienta os bolsistas a montarem planos de estudos no exterior sob a orientação do coordenador institucional da universidade de origem no Brasil”.

Assim, o MEC ratifica que as universidades brasileiras são co-responsáveis pelo o acompanhamento do desempenho acadêmico dos bolsistas no exterior.

Ainda de acordo com a pasta, “o controle também é realizado pelos parceiros internacionais do programa que verificam a assiduidade do bolsista, seu desempenho, auxiliam na obtenção de vagas de estágio e atuam, ainda, da resolução de problemas de ordem acadêmica e administrativa em relação às instituições de destino”.

iG Educação (Especial) - 2ª dia de reportagem: "TURISMO SEM FRONTEIRAS"

iG Educação (Especial) – 2ª dia de reportagem: “TURISMO SEM FRONTEIRAS”

Série analisa os principais entraves à internacionalização, com eficiência, da graduação do País

Flupp Brasil, no Rio, terá autores da Alemanha, Costa do Marfim, Argentina e Itália

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Trevo Trevo, na Flupp Brasil

A etapa Rio de Janeiro, da Flupp Brasil, que acontece nos dias 6 e 7 de junho, na Maré, terá entre os autores convidados Lucas Bernd Vogelsang, da Alemanha; Muriel Diallo, da Costa do Marfim; Alessandra Vannucci, da Itália, e Fabián Casas, da Argentina. Entre os brasileiros estão confirmadas as participações de Chacal, Tatiana Salem Levy, Marcus Vinicius Faustini e Francisco Bosco. As palestras sobre Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, Sérgio Buarque de Holanda e Mário de Andrade serão ministradas, respectivamente, por Marcos Alvito, Paulo Ribeiro, Bernardo Buarque de Holanda e Eduardo Jardim.

Lucas Vogelsang- o escritor nasceu em Berlim, em 1985, e formou-se como repórter na escola Zeitenspiegel Reportageschule Günter Dahl, em 2007. Atualmente, Vogelsang escreve para publicações como o jornal Tagesspiegel, a revista Playboy e o jornal ZEIT. Em 2010, recebeu o prêmio Henri Nannen, pelo liveticker 11FREUNDE e, em 2013, conquistou o prêmio alemão de repórter pela sua reportagem “Sie nannten sie Titten-Gitty”, no Tagesspiegel.

Muriel Diallo é um dos maiores nomes da literatura africana para o público infantil e juvenil. Pintora, ilustradora, autora de livros para crianças, romancista e contadora de histórias, desde os anos 1990, Muriel escreve e ilustra livros de diversos autores de seu país e internacionais. Sua obra já foi publicada por oito editoras africanas e francesas. A escritora recebeu, em 2012, o prêmio Saint-Exupéry-Valeurs Jeunesse.

Alessandra Vannucci é formada em Dramaturgia pela Universidade de Bolonha (Itália), doutora em Letras pela PUC-Rio e professora adjunta de Teoria Teatral da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Desde 1996 dá oficinas de Teatro do Oprimido em universidades (Genova, Imperia, Bolonha, Roma), redes de solidariedade (Lilliput, Arci, Giolli, COOP) e escolas de formação profissional em Artes Cênicas como a Accademia d’Arte Drammatica (Roma), FormArt (Salerno) e Muvita (Arenzano).

Fabián Casas é poeta, romancista, ensaísta, jornalista e uma das principais figuras da chamada “Geração de 1990” na Argentina, movimento literário que refletia sobre o contexto político do período através de versos e alegorias de que participavam também José Villa , Daniel Durand e Dario Rojo. Fabian publicou ” Tuca “, seu primeiro livro, designado como o emblema de um fluxo de objetivista. Em 2007, ele recebeu, na Alemanha, o Prêmio Anna Seghers. Uma antologia de seus poemas foi publicada na Alemanha em 2009.

As livrarias pedem socorro

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Dez medidas para salvar os derradeiros espaços espontâneos de convívio cultural

Luís Antônio Giron, na Época

As livrarias estão desaparecendo no mundo inteiro. Livrarias de bairro, antiquários e sebos vão fechando um depois dos outros, inapelavelmente. Até as grandes cadeias sucumbem à voragem da internet e do livro e digital. Também as bibliotecas. Muitos governos não estão mais investindo em bibliotecas físicas (inclusive o brasileiro) porque são caras e as bibliotecárias repreendem a poeira e conversam com os mosquitos. Os usuários foram embora. Mesmo assim, as bibliotecas contêm documentos raros e manuscritos, e ainda vão continuar a existir, embora em pequeno número. As livrarias, porém, correm um sério risco de se desintegrar pelo simples fato de que não serão mais viáveis economicamente.

A razão da transformação é um aparente avanço tecnológico: a digitalização dos arquivos de texto. Nunca houve um momento da história como o presente, em que todos os textos pudessem ser consultados ou comprados em qualquer lugar do planeta por meio de um computador. No entanto, tamanho progresso também tem afastado o leitor do contato físico e lúdico com o livro.

É preciso entender que livrarias jamais foram apenas depósitos de livros. Elas costumavam servir como espaços espontâneos de convívio entre pessoas que amavam cultura, arte e diversão. O livreiro – o empresário que investia em vendas de livros – era uma espécie de Dom Quixote que gostava de empatar o dinheiro investido pelo prazer de estar próximo dos livros e dos compradores de livros. Os escritores encontravam nas livrarias o local para suas noites de autógrafo, onde podiam se encontrar com seus leitores. Que é feito das noites de autógrafo de antanho? Ninguém mais quer nem mesmo assinar livros para os leitores. As redes sociais substituíram a presença e a interação entre autor e leitor.

Escrevo no pretérito, mas penso que as livrarias ainda têm uma função a exercer no mundo, assim como as locadoras de vídeo. E talvez ainda seja possível salvar algumas livrarias, pois as locadoras se foram de vez – elas eram também polos de encontro e troca de ideias. Atualmente ninguém quer trocar ideias. Cada um prefere ficar com as suas por considerá-las mais valiosas. E as redes sociais fortaleceram essa crença no isolamento e na estupidez.

As livrarias pedem socorro. Que fazer para evitar que elas sejam extintas? Vou sugerir a seguir aos livreiros e antiquários dez medidas emergenciais. Talvez eu repita o que já se faz por aí, pois algumas livrarias já fazem isso. No entanto, tais procedimentos podem ser imitados por negócios menores, como as livrarias de bairro e em cidades pequenas, e podem retardar o processo de desaparição, embora não creia que elas irão se manter por muito tempo.

Promoções – É preciso que as livrarias façam liquidações mais avassaladoras que as dos sites da internet. Isso atrairia os compradores. É o que as feiras de livro de rua fazem há séculos.

Espaços de convivência – Elas precisam parecer tanto salas VIP de aeroportos como claustros de bibliotecas antigas. Dispor de mais sofás e mesas e dar mais liberdade para as pessoas permanecerem no local. Mas também têm que destinar um espaço de silêncio e reflexão para os leitores compulsivos.
Cafés – Um café com petiscos, de preferência gratuitos, ajudam a segurar, senão atenção do leitor, pelo menos o leitor.

Internet livre – Serviços potentes de W-Fi e 4G e computadores para que os jovens se divirtam com literatura e aplicativos de literatura no espaço das livrarias.

Orientação – As livrarias perderam a noção de que quem as
frequenta precisa de atendimento personalizado e especializado. Hoje a pressa converteu os atendentes de livrarias em meros balconistas mal-humorados.

Salas de vídeo, games, revistas e discos – Reservar um espaço para a oferta de produtos multimídia que enriqueçam a experiência literária. Não produtos soltos e descontextualizados.

Eventos – Ocasiões que associem a experiência da leitura, como shows, peças, recitais, encontros de fãs, palestras de escritores e leituras enriquecem o ambiente. Um pequeno auditório pode ser instalado se o espaço permitir. Livrarias funcionam bem como parques de diversões de adultos e crianças.
Curadoria – Contratar um profissional que, mais que um gerente banal, tome conta de todas as atividades culturais e educacionais do negócio e que seja ouvido pela administração.

Entrega – Prestar serviços de encomenda em domicílio na região, pela internet. e por telefone. Para isso, um bom serviço de loja virtual e uma boa presença nas redes sociais não podem faltar
Acervo visível – Não adianta oferecer todas essas atrações se a livraria não expuser em belas estantes um acervo importante e portentoso, sujeito à constante renovação. Isso sem deixar de manter os títulos disponíveis ao alcance da mão do leitor.

Hoje poucas livrarias remanescentes no Brasil adotam essas medidas e preenchem esses requisitos. Só mesmo algumas grandes cadeias, que foram as primeiras devoradoras das livrarias de esquina. Quem sabe se as pequenas livrarias e sebos não conseguem manter vivo o sonho da presença dos leitores e dos autores, cada vez mais distantes uns dos outros? Talvez eu esteja sendo ingênuo demais. Mas nada me irá substituir um passeio distraído pelas estantes de uma livraria.

dica do Rodrigo Cavalcanti

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