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Saiba como fazer graduação fora do Brasil sem vestibular

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Conheça a seleção de faculdades na Alemanha, Nova Zelândia, China, Reino Unido e Rússia

Bárbara Ferreira Santos, no Estadão

Fazer a graduação em uma universidade fora do Brasil pode ser uma forma de evitar os temidos vestibulares tupiniquins. Muitos países querem atrair alunos estrangeiros e têm interesse nos estudantes brasileiros. É o caso de Alemanha, China, Nova Zelândia, Reino Unido e Rússia.

Helvio Romero/Estadão Depois de prestar os vestibulares brasileiros por dois anos, Anna decidiu cursar Medicina na Rússia

Helvio Romero/Estadão
Depois de prestar os vestibulares brasileiros por dois anos, Anna decidiu cursar Medicina na Rússia

Na Nova Zelândia, por exemplo, a política educacional do país inclui a internacionalização das universidades, que são financiadas pelo governo – diferentemente das públicas do Brasil, cujo ensino é gratuito, elas cobram 1/3 da mensalidade de neozelandeses e 100% dos alunos estrangeiros.

Segundo o embaixador da Nova Zelândia no Brasil, Jeffrey McAlister, um dos pilares da estratégia educacional do país é a atração de estudantes estrangeiros para ajudar os neozelandeses a se integrar no mercado de trabalho globalizado. “É importante que os nossos jovens tenham a capacidade de se comunicar fluentemente com pessoas de outros países, entre eles países significativos como o Brasil”, diz McAlister. “Estudantes que vão para lá acabam tendo uma afinidade permanente com a Nova Zelândia. Quando voltam para o Brasil, se tornam embaixadores do nosso país.”

Embora não tenham vestibulares para os estudantes estrangeiros, os processos de seleção podem ser ainda mais acirrados e demorados. Isso porque as universidades normalmente exigem alto desempenho em toda a vida acadêmica, histórico escolar e atestado de conclusão com tradução juramentada, cartas de recomendação e proficiência no mínimo em inglês (mais informações na página 14). Como nesses países cada universidade tem autonomia para criar seus critérios de seleção, o nível de proficiência no idioma e o número de documentos exigidos podem variar.

Na China, todos os alunos que cursaram o ensino médio no país têm de fazer um exame parecido com o Enem, o Gaokao. Já os alunos estrangeiros são dispensados dessa prova, mas têm de apresentar as notas da escola e os certificados de proficiência em mandarim (HSK ou HSKK). “O Gaokao é conhecido e temido por todas as famílias chinesas. Mas o aluno brasileiro não precisa fazer para entrar no bacharelado ou licenciatura”, afirma a professora de mandarim do Instituto Confúcio da Unesp, Rachel Nian Liu. “Há cursos de graduação em Letras, por exemplo, em que é possível fazer a graduação só com o inglês, mas é sempre melhor ter o certificado de mandarim.”

Complemento. Em alguns locais, como na Alemanha, na Nova Zelândia e no Reino Unido, como o ensino médio tem um ano a mais do que no Brasil, é preciso fazer um ano de complemento da educação básica antes da graduação. Geralmente, esse curso inicial já é focado na área em que o aluno vai seguir (Exatas, Humanas ou Biológicas), o chamado Foundation Year.

Na Rússia é preciso fazer de 3 a 15 meses do curso Faculdade Preparatória, que ensina russo e tradições do país. Lá há universidades que dão aulas em russo ou em inglês.

Mesmo com um inglês básico e sem falar russo, Anna Paula Machado, de 20 anos, embarcou na semana passada para cursar Medicina na Universidade Médica Estatal de Kursk. Antes de entrar na graduação, ela vai fazer três meses de aulas preparatórias de inglês (mais informações nesta página). “Vou estudar muito para conseguir acompanhar. Sei que não vai ser fácil, mas é meu sonho e lá é mais barato cursar Medicina do que em um curso particular no Brasil.”

Nas universidades de fora há opções para todos os bolsos: de graduações que custam R$ 300 por semestre, como na Alemanha, a outras cujos gastos ultrapassam R$ 10 mil por mês, como no Reino Unido.

Gratuidade. Como há subsídio do governo, em algumas universidades alemãs o aluno não paga nada para estudar, explica a orientadora educacional do currículo bilíngue do Colégio Porto Seguro, Sabrina Steyer. “Na maioria das universidades, o aluno tem de falar alemão. O estudante que fez o ensino médio no Brasil fora do currículo alemão tem de fazer um curso de preparação de um ou dois anos na universidade em que pretende ingressar.”

Gustavo Mattos, gerente de promoção da educação britânica no Brasil, afirma que no Reino Unido os cursos que usam apenas as salas de aulas custam, em média, R$ 59 mil anuais, mas os que dependem de laboratórios podem chegar a R$ 130 mil por ano.

Mattos alerta que os alunos que se graduam no Reino Unido precisam revalidar o diploma no Brasil em áreas como Medicina e Engenharia antes de ingressar no mercado do País – processo que pode ser demorado e caro. Quem se gradua no Reino Unido, porém, tem certificado válido em toda a Europa. “O estudante precisa pensar onde quer começar a carreira.”

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DEPOIMENTO: Anna Paula Machado vai estudar Medicina na Rússia

“Nasci em São Paulo e, com 9 anos, fui para a Bahia. Sempre estudei em escola pública. Voltei sozinha com 17 anos, para trabalhar e estudar. Tentei por dois anos os vestibulares do Brasil, em São Paulo, Mato Grosso, Bahia e Paraná, mas não tive êxito. Depois do colégio, cheguei a fazer cursinhos gratuitos, mas, por causa do trabalho, nunca tive tempo para estudar muito.

Até dois meses atrás, eu trabalhava em uma farmácia. Gosto de conversar com os clientes. Acho que precisamos tratar as pessoas bem, da mesma maneira como queremos ser tratados.

No fim de 2013, quando tinha acabado de ser promovida e atendia no balcão, um cliente que sempre vai à farmácia foi comprar remédios. Brinquei com ele que um dia seria eu quem prescreveria aquelas receitas. O cliente, um japonês chamado José, arregalou os olhos e ficou surpreso quando disse que queria ser médica.

Quinze dias depois, o José chegou com folhas da Aliança Russa, que mostravam a possibilidade de estudar na Rússia. Pesquisei na internet e minha mãe veio para São Paulo checar se não havia nada contra a Aliança na Justiça. Vimos que a instituição era séria.

Um dos meus medos e da minha mãe era o Revalida (processo de revalidação de diploma de Medicina no Brasil). Mas achei o ensino rígido: são 12 alunos por sala.

Todo o processo de aplicação durou um mês e meio. Conversamos com a diretora da Aliança Russa, que mandou a documentação necessária, porque não há vestibular. Fiz tradução juramentada em russo de comprovante de residência e histórico escolar. Entreguei exames de HIV, sorologia e antidrogas, fiz laudo psiquiátrico e médico comprovando boa saúde. Deixei todas as vacinas em dia.

Minha aprovação foi fácil porque minha mãe mora no interior da Bahia, e eles querem estudantes que queiram voltar ao seu país e trabalhar onde não há médico.

Antes, eu nunca tinha cogitado sair do Brasil. Mas chegou a minha hora. Vou fazer a Universidade Estatal Médica de Kursk. Isso vai me custar por volta de R$ 600 ou R$ 700 por mês, incluindo moradia, os estudos e plano de saúde. O que vou pagar em seis meses lá daria para custear apenas um mês de mensalidade aqui.

Na Rússia, vou fazer três meses de cursinho de inglês, idioma das aulas. Como sempre estudei em escola pública, sei o básico do básico. Mas, como não me vejo sendo outra coisa que não seja médica, eu iria para qualquer lugar do mundo”.

Para viver Florbela Espanca, Dalila Carmo mergulhou na vida e obra da poeta

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Atriz portuguesa é a protagonista do longa ‘Florbela’, de Vicente Alves do Ó
Filme português de maior sucesso em Portugal em 2012 é lançado no Brasil

Imagem de Amostra do You Tube

Márcia Abos em O Globo

SÃO PAULO — Dar vida no cinema a uma personagem como a poeta Florbela Espanca (1894-1930) exigiu da atriz Dalila Carmo, de 39 anos, um ano e meio de intensa pesquisa. A intérprete mergulhou na obra da escritora, em seus diários, cartas e manuscritos. Leu três biografias e uma fotobiografia em busca da essência de uma mulher de talento e inteligência extraordinários, de vida atormentada e à frente de seu tempo. O resultado pode ser visto nos cinemas, no filme “Florbela”, o segundo longa-metragem do cineasta português Vicente Alves do Ó, de 42 anos.

Dalila foi convidada para protagonizar o filme em 2010, quando Vicente lhe disse que escrevia o roteiro pensando nela como intérprete da poeta. Lançado em 2012 em Portugal, “Florbela” ficou quatro meses em cartaz, uma marca considerada fora do comum para filmes portugueses.

— Eu sabia que Vicente Alves do Ó estava a me escrever aquele projeto. Mas não criei expectativas em relação a isso até porque em Portugal há quatro ou cinco filmes subsidiados por ano. Por isso, disse, “olha, não quero ouvir falar disso até saber se vai para a frente ou não”. Não queria entusiasmar-me — lembra a atriz, lamentando a crise pela qual passa o cinema e o teatro português, o que tem levado atores como ela a buscar trabalho na TV, em telenovelas.

Ao saber que o filme seria realizado, Dalila sentiu medo e insegurança porque interpretaria “uma pessoa que toda a gente pensa que conhece”.

— Para uns, Florbela era aquela que andava sempre muito triste, que dizia poemas muito tristes. Outros acham que ela era completamente contestatória. Existem muitas leituras fechadas e muitos preconceitos. Eu não tinha sobre ela uma opinião formada. Estudei-a na escola, fazia parte do programa obrigatório. Mas nunca tinha me debruçado sobre ela. Adolescentes se apegam muito a ela, era um bocadinho moda, mas eu, por ser do contra, não — conta Dalila.

Além de mergulhar na leitura da obra da poeta, Dalila procurou pessoas de sua família ou que conviveram com ela. Uma das sobrinhas de Florbela lhe emprestou manuscritos. A atriz também tomou um chá com Aurélia Borges, na época com 98 anos. Ela fora aluna de português de Florbela quando criança.

— Foi Aurélia Borges quem forneceu seis poemas inéditos lançados em Portugal em novembro. Essa conversa foi muito importante para mim. Eu perguntava como era a voz dela. Tinha a necessidade de me agarrar a qualquer coisa mais palpável. Ela descrevia-me certas coisas, mas não me explicava como era a realidade física da Florbela. Era uma descrição mais emocional. Portanto, numa certa altura decidi centrar-me nisso — explica.

Aurélia Borges contou a Dalila que um dia Florbela chegou para dar aula com um chapéu roxo ou lilás, a cor preferida da escritora. O chapéu lhe caia mal e as alunas, com a sinceridade típica da infância, disseram isso a ela. A escritora ficou muito triste, começou a chorar e ficou amuada até o fim da aula.
— Ela não queria chocar. Estava convencida de que as pessoas iam aceita-la. Não havia em Florbela a contestação, a ideia de contrariar conscientemente as regras. Havia o desejo de liberdade. Essa é minha leitura. Apreciava um chapéu ou um vestido não pela vaidade, mas pela porção de beleza que aquele objeto tinha. Numa altura em que isso não era permitido. Seria uma pessoa normal nos dias de hoje. Só que nasceu no tempo errado _ constata Dalila, citando os três casamentos e a excomunhão da poeta e lembrando de quando ela foi apedrejada em Lisboa porque vestia calças.

O diretor compartilhou a interpretação de Dalila sobre a personagem, retratando-a como uma mulher com fome de vida e de liberdade. Optou por centrar a atenção do filme em quatro dias decisivos na vida de Florbela, quando ela se casa, pela terceira vez, com o médico Mário Lage (interpretado por Albano Jerónimo) e encontra seu irmão mais novo, o aeronauta Apeles (Ivo Canelas), em Lisboa numa licença de quatro dias do trabalho.

— Vicente me disse “quero que faça a tua interpretação sobre o universo pessoal dela. Quero que a câmera apanhe o que te vai dentro da cabeça”. Tentei, portanto, fazer um retrato psicológico dela. Uma das imagens muito presente de Florbela que me chegou naturalmente é sempre aquela ambivalência. De estar fisicamente num lugar e ter a cabeça em outro. Aquela eterna inquietação. Aquela ausência. Essa permanente inquietação foi minha grande prioridade —revela a intérprete, que mesmo depois de concluídas as filmagens leu uma quarta biografia da escritora, lançada em novembro em Portugal, para saber “o que acrescentaria” em sua composição.

Apesar de haver muitos escritos e fotos de Florbela, não há registros filmados da autora. Tampouco foram feitos filmes sobre ela. “Florbela” é o primeiro.

— Ninguém sabe na realidade quem ela foi. As pessoas quando vão ver um filme sobre uma personagem da vida real estão à espera de uma versão fechada. Esperam que o filme responda se suicidou ou não. Se teve ou não uma relação incestuosa com o irmão. Vicente preferiu deixar o caminho aberto para o público interpretar como quiser. Quis revelar a mulher, sua essência. Eu como atriz trabalho assim. Ao me escolher, ele esperava que eu fizesse isso. Essencialmente, foi uma aproximação ao espírito, à alma, à inquietação da poeta. Procurei a Florbela dentro de mim e encontrei a minha Florbela. E no fundo é um filme sobre muitas mulheres. Porque há muitas Florbelas, há muitas mulheres que se veem nessa literatura, nessa personagem — conclui Dalila.

Fernanda Torres confirma participação na Flip

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Publicado por Folha de S.Paulo

A atriz e escritora Fernanda Torres é a primeira brasileira a ser confirmada na programação da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), evento que ocorre de 30 de julho a 3 de agosto.

Fernanda, que também é colunista da Folha, divulgou a notícia em entrevista ao jornal “El País”. Durante a feira literária, ele irá lançar uma coletânea de crônicas publicadas na imprensa.

A atriz Fernanda Torres, autora do romance 'Fim' - Bob Wolfenson/Divulgação

A atriz Fernanda Torres, autora do romance ‘Fim’ – Bob Wolfenson/Divulgação

A atriz estreou na literatura no final do ano passado, com o romance “Fim” (Companhia das Letras). O livro recebeu elogios da crítica e atingiu a marca de 100 mil exemplares vendidos, bastante elevada para o mercado brasileiro.

A Flip 2014 homenageará o escritor e cartunista Millôr Fernandes. Até agora foram confirmados os escritores Etgar Keret, Michael Pollan, Joël Dicker, Daniel Alarcón, Jorge Edwards, Graciela Mochkofsky e Juan Villoro.

John Green revela quais são seus livros e casais preferidos da literatura YA

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Emanuelle Najjar, no Cabine Literária

Em entrevista para o The Wired, John Green revelou ao público quais são os seus livros young adults preferidos.

Durante a conversa, Green se declarou fã dos livros do gênero: “nós somos muito sortudos por termos um acervo muito grande de literatura Young adult – muitos e ótimos livros YA.”. Ao ser perguntado se haveria casais adolescentes nos filmes e na literatura que pudessem tê-lo inspirado o autor listou seus interesses:

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“Todos os casais das novelas de Maureen Johnson e Sarah Dessen. E. Lockhart escreve grandes histórias de amor, simplesmente deliciosas. Essas são as inspirações para mim, eu acho. Gosto também de alguns romances adolescentes em filmes, realmente gosto do casal em “Meninas Malvadas” (Cady – Lindsay Lohan – e Aaron – Johnattan Bennet)” declarou o autor.

“Outro filme que vem à mente é “Easy A” (No Brasil como “A Mentira”), um filme muito inteligente e interessante sobre a adolescência.”, respondeu também, sem se lembrar do nome dos personagens.

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Quando perguntado sobre o que o atrai em um romance, John foi categórico: “Tem que haver um obstáculo em um romance, certo? Eu gosto quando o obstáculo é autêntico. Eu amo o casal Eleanor e Park (“Eleanor & Park” de Rainbow Rowell) e o que eu adoro na história é que o obstáculo não é como oh, ela tem um namorado ou qualquer coisa assim. O obstáculo é o mundo. O obstáculo é a vida.”

John Green usou também os livros The Disreputable History of Frankie Landau-Banks (“O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks”, de E. Lockhart) e “Two Boys Kisssing” (de David Levithan) como exemplos de temáticas que o atraem.

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“Acho que o amor de verdade está ligado a temas maiores. Acho que quando você se apaixona por alguém, está em um determinado ponto da sua vida e certas coisas estão acontecendo no mundo e é uma grande interação. Acho que é particularmente importante agora. Temos um monte de histórias de amor, não necessariamente nos livros, mas na vida real, que não teriam sequer sido possíveis há 50 anos porque as pessoas não podiam ser elas mesmas. Esse é um momento de o amor moldar a história e também a história moldar o amor.”

Família de SP tem mãe que deu aulas para o filho e avó professora do neto

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Em Socorro, Maria Regina Sartori Dutra leciona geografia há 40 anos.
Hoje ela dá aulas para o neto, mas os três filhos também foram seus alunos.

Cristiane e o filho caçula Gustavo; ela foi sua professora no ano passado (Foto: Henrique Picarelli/ G1)

Cristiane e o filho caçula Gustavo; ela foi sua professora no ano passado (Foto: Henrique Picarelli/ G1)

Vanessa Fajardo, no G1

Maria Regina Sartori Dutra tem 66 anos e leciona geografia há 40. Passaram por sua sala de aula, em Socorro (SP), os três filhos, e os dois netos, um deles, Gabriel, de 12 anos, ainda é seu aluno. A primogênita de Regina, Cristiane Sartori Dutra Rissato, 40 anos, também seguiu a profissão de lecionar e repetiu a tradição na família: no ano passado foi professora do filho Gustavo, 6 anos, na educação infantil. Tanto a mãe quanto a avó garantem que a experiência é emocionante e é que possível separar os papéis em casa e na escola.

Sempre fui boa aluna e eu admirava minha mãe como professora, fiquei com um sentimento positivo”
Cristiane Rissato,
que foi aluna da mãe, Regina

Depois de lecionar por quatro décadas, poucos moradores de Socorro, cidade de 40 mil habitantes no Circuito das Águas, não tiveram aula com Regina. Cristiane sabia que, inevitavelmente, trombaria com a mãe no papel de professora na Escola Estadual Narciso Pieroni.

Ela começou na 8ª série e foi até o término do ensino médio. Dessa época, Cristiane guarda as melhores lembranças. “Minha turma era muito amiga, todo mundo se conhecia e ninguém estranhou. O tratamento era igual, recebia recadinho nas provas, assim como os outros. Sempre fui boa aluna e eu admirava minha mãe como professora, fiquei com um sentimento positivo”, diz Cristiane.

Cristiane quando criança teve aulas com a mãe, Regina, e já foi professora do filho (Foto: Henrique Picarelli/G1)

Cristiane quando criança teve aulas com a mãe,
Regina, e já foi professora do filho (Foto:
Henrique Picarelli/G1)

Para Regina, ensinar a filha também foi natural. Ela não lembra de ter tido problemas na função de professora dos filhos, exceto quando Cristiane encabeçou uma batalha para fundar o grêmio na escola a contragosto da direção. “Fiquei apavorada com a situação.”

No entanto, para Regina, a experiência mais emocionante foi quando teve o neto Lucas, hoje com 14 anos, entre os alunos do 6º ano na aula de geografia do Colégio Objetivo de Socorro. “Quando o vi entrando na sala foi uma sensação melhor do que senti quando a minha filha mais velha foi para a escola pela primeira vez. Nunca imaginei, foi incrível. Na classe a gente não tem diferença e meus netos são excelentes alunos”, diz Regina. Lucas, 14 anos, passou dois anos tendo aulas com a avó, e agora é a vez de Gabriel, que ao contrário do irmão não se intimida em chamá-la de ‘vó’ na sala de aula.

“Eu acho muito legal ter minha avó como professora, meus amigos já acostumaram, mas brincam falando que eu já tenho as respostas da prova. Eu falo que minha vó não conta nada para mim, quando estou com ela o assunto não é escola”, diz Gabriel, 12 anos. Para o garoto, o único lado ruim do grau de parentesco é a cobrança dele mesmo para tirar boas notas. “A responsabilidade aumenta.”

Filho chamava a mãe professora de ‘tia’

Cristiane com a mãe Regina e os três filhos: Gustavo, Gabriel e Lucas (Foto: Henrique Picarelli/ G1)

Cristiane com a mãe Regina e os três filhos: Gustavo, Gabriel e Lucas (Foto: Henrique Picarelli/ G1)

Para Cristiane, a ideia de ser professora do filho caçula a preocupou no começo, principalmente porque ele era muito novo (tinha 5 anos na ocasião) e havia o temor de que não tivesse maturidade para diferenciar as diferentes funções da mãe. Antes de aceitar, Cristiane conversou com a psicóloga da escola que a orientou a não levar nada da escola para casa e vice e versa, para que os papéis fossem bem definidos. No início teve de lidar com o dengo de Gustavo e os pedidos de colo durante a aula.

Do meio do ano para frente, ele começou a me chamar de ‘tia’, como as outras crianças, era engraçadíssimo”
Cristiane Rissato,
que foi professora do filho

“Respondia da mesma forma que para outras crianças e dizia que na escola ele era meu aluno. Ficava apreensiva, mas depois foi muito normal. Do meio do ano para frente, ele começou a me chamar de ‘tia’, como as outras crianças, era engraçadíssimo”, lembra Cristiane. “No começo estava preocupada, mas ele entendeu de forma muito suave. Foi uma experiência maravilhosa e na formatura foi emocionante”, diz.

Cristiane diz que se policiou para seguir a recomendação da psicóloga e não ser severa demais e cobrar o filho como mãe na classe. “Às vezes ele não produzia como eu queria, mas tinha de entender que era uma criança diante de uma professora, não de uma mãe. Fiquei atenta o tempo todo. Em casa, fazia as lições com ele, como mãe e não deixei a rotina mudar.”

Mãe e filha se dedicam ao ofício de lecionar (Foto: Henrique Picarelli/G1)

Mãe e filha se dedicam ao ofício de lecionar
(Foto: Henrique Picarelli/G1)

Mesmo apreensiva, Cristiane conta que levava para a escola a sensação boa de quando era aluna e tinha a mãe como professora. “Eu levei esse sentimento, sabia que ia ser bom. Tinha satisfação de ter minha mãe como professora, levo isso para dentro da minha sala. Quero que meus alunos estejam cada vez mais felizes perto de mim.” A professora diz que se sente privilegiada por ter ido esta oportunidade. “Foi uma grande lição, eu estava angustiada, e não tive problema nenhum. Não podemos criar problemas antes de ele existir. Tudo dá certo se é feito com amor.”

Gustavo, 6 anos, que deixou a educação infantil para seguir no 1º ano do fundamental longe da mãe, chorou nos primeiros dias de aula. Da experiência de ter a mãe na sala de aula, não ficou nenhuma trauma, pelo contrário. “Gostei muito, porque foi muito legal ter a mamãe na escola. Meus amigos gostavam dela e ela me ensinou muita coisa, a ler, escrever, fazer letra cursiva. Ela não era nem um pouquinho brava, e agora está chato sem ela.”

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