Tininha

Tininha

(6 comments, 2318 posts)

This user hasn't shared any profile information

Posts by Tininha

6 Dicas de livros para fãs de Super-Heróis

0

Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Vivemos em um momento de extrema empolgação por parte dos fãs de super-heróis. Quem aprecia o gênero, não esconde o estado de felicidade em ver a cultura dos quadrinhos, que já foi tão marginalizada no século passado, transportada para o cinema, resultando em diversos filmes de sucesso. É algo interessante de se conceber. Bem quando as vendas de HQs, e da mídia impressa em geral, começaram a cair em declínio, esses personagens resistem ao mercado e ressurgem mais poderosos do que nunca em seus uniformes extravagantes.

1

Então, o que fazer enquanto se espera pelo próximo lançamento de um novo filme de herói, ou já se esgotou o interesse pelas histórias dos quadrinhos? Ora, você sempre poderá encontrar uma abordagem mais profunda desse tipo de personagem, e conhecer outros moledos de mutantes e meta humanos, na literatura.
É claro que o estilo ainda está longe de alcançar em livros, o mesmo êxito que obteve nos cinemas. Mas, aos poucos, as editoras vão abrindo os olhos para essa possibilidade, e hoje já podemos encontrar alguns excelentes exemplares sobre heróis.
Abaixo você confere alguns desses ‘super’ livros, para acrescentar a sua lista de leitura:

✔ Wild Cards, editado por George RR Martin

*Livro já resenhado aqui no blog. Clique aqui para acessar a resenha.
1Depois de criar um mundo em As Crônicas de Gelo e Fogo com mais de 20 milhões de cópias vendidas, George R. R. Martin estabelece um novo conceito de Super Heróis.
Há uma história secreta do mundo, uma história em que um vírus alienígena atingiu a Terra no final da Segunda Guerra Mundial, fortalecendo um grupo de sobreviventes com poderes extraordinários. Alguns foram chamados Ases – aqueles com habilidades físicas e mentais sobre-humanas. Outros foram denominados Curingas – amaldiçoados com bizarra deficiência mental ou física. Alguns usaram seus talentos a serviço da humanidade. Outros para o mal. Wild Cards é a sua história.
Publicado originalmente em 1987, Wild Cards traz, além do próprio George R. R. Martin, poderosos contos de Roger Zelazny, Walter Jon Williams, Howard Waldrop e Lewis Shiner.
Compre ‘Wild Cards’ na Submarino

✔ O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs

1Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, um romance inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Um mutante que não fosse gabaritado para entrar no instituto Xavier para Jovens Superdotados, seria facilmente aceito para ficar sob a tutela de Miss Peregrine.
Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo – por mais impossível que pareça – ainda podem estar vivas. Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época, O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares vai deliciar adultos, adolescentes e qualquer um que goste de aventuras sombrias.
Compre ‘O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares’ na Submarino

✔ Wayne de Gotham, de Tracy Hickam

1Por trás de toda máscara existe um homem de verdade Ainda criança, Bruce Wayne testemunha o assassinato dos pais – e o mistério sobre o motivo o impulsiona a fazer uma busca pelo seu passado. É quando descobre um diário secreto de seu pai Thomas, um médico rebelde que parece finalmente revelar o seu lado obscuro. Sua identidade é seriamente abalada quando um convidado levanta, inesperadamente, questões sobre o evento que acabou com a vida de sua amada mãe e seu admirável pai – caso que provocou para sempre sua vontade insaciável de proteção e vingança.
Para descobrir a história real da família, Batman precisa confrontar o antigo inimigo, como o perverso Coringa, seu próprio mordomo Alfred, além do passado que assombra o asilo Arkham, para assumir o novo fardo de um legado sombrio. Muito mais próximo dos filmes de Burton e Christopher Nolan e das HQs de Frank Miller do que dos seriados de TV dos anos 1960 e dos outros quadrinhos. Um olhar imaginativo sobre o lado humano de um super-herói icônico.
Compre ‘Wayne de Gotham’ na Submarino

✔ Incríveis Aventuras De Kavalier & Clay, de Michael Chabon

1Considerado um dos mais criativos e descompromissados livros dos últimos anos, a obra conquistou público e crítica com uma receita simples e rara: trama e estilo impecáveis. O livro conta a história de Joseph Kavalier, um fã judeu de Houdini, que usa suas habilidades para escapar de Praga. Kavalier se esconde no caixão que leva os restos do Golem, legendário monstro de barro feito por um rabino, para Nova York. Lá, nosso herói se une ao primo Sammy Clay na busca por dinheiro e liberdade. Do talento para desenhar de Kavalier e da habilidade de Sammy para contar histórias nasce um novo personagem de quadrinhos: o sensacional Escapista (numa clara alusão a Houdini).
O herói, e seu alter-ego – Tom Mayflower -, combate o crime e protege os oprimidos com a ajuda da bela Luna Moth, inspirada numa artista local chamada Rosa Luxemburgo, que desperta o interesse dos dois cartunistas. Tudo isso enquanto seus criadores se confrontam com seus próprios fantasmas. Kavalier e sua sede por poder e dinheiro, e Sammy e sua recém descoberta homossexualidade. O nome de Escapista tem aqui sua verdadeira razão. A religião, a sexualidade, o gênero e a raça podem ser potentes prisões e para escapar de suas barras é necessário, quase sempre, se expor.
Compre ‘Incríveis Aventuras De Kavalier & Clay’ na Submarino

✔ Os Últimos Dias de Krypton, de Kevin J. Anderson

1Antes do Apocalipse – que fez o bebê conhecido mais tarde como Clark Kent ser enviado à Terra – Krypton prosperava. Na cidade de Kandor, o cientista Jor-El e a historiadora Lara casaram-se e tiveram Kal-El, o único que sobreviveria ao fim do mundo. Tudo era harmonia e perfeição numa civilização com baixíssimo índice criminal, quando um alienígena invade o planeta e provoca uma tragédia irremediável para os kryptonianos.
É a grande chance do diabólico General Zod tomar o poder e implantar uma ditadura que usará da invenção tecnológica de Jor-El para subjugar a todos. E em meio a tudo isso, uma tragédia fatal se aproximava – um destino catastrófico profetizado por Jor-El que mudaria a história kryptoniana para sempre…
Compre ‘Os Últimos Dias de Krypton’ na Submarino

✔ Super-Heróis, de Gerson Lodi-ribeiro e Luiz Felipe Vasques

1Mais rápidos do que uma bala, mais poderosos que uma locomotiva, capazes de saltar por cima de arranha-céus. Do alto das nuvens ou à espreita nas sombras, enfrentando invasões cósmicas ou derrubando quadrilhas de traficantes, heróis com poderes incríveis chegaram para ajudar.
Super-Heróis é a coletânea da Editora Draco sobre estes seres capazes de nos inspirar por seus feitos assombrosos e sacrifícios em prol de um mundo melhor. Nessas 14 histórias a justiça não escolhe campo de batalha, sejam os becos sujos de uma metrópole, os rincões afastados do interior brasileiro, uma Lisboa prestes a ser invadida por Napoleão ou a arena política onde se decide o destino da sociedade.
Organizada e estrelada por Gerson Lodi-Ribeiro e Luiz Felipe Vasques, a coletânea apresenta, além da capa, os conto ilustrados com pinturas do artista Angelo de Capua.
Compre ‘Super-Heróis’ na Saraiva

Concurso Cultural Literário (72)

19

capa alegria

Você já se perguntou por que algumas pessoas parecem experimentar alegria profunda e autêntica em seu dia a dia, mesmo nos momentos mais difíceis, e outras parecem não conseguir encontrá-la, não importa quanto procurem?

Será que a alegria é um presente que Deus reservou para poucos? Kay Warren está convicta que não. E esta descoberta aconteceu quando ela se deu conta de que ser alegre nada tem a ver com os altos e baixos da vida. A alegria é algo muito mais profundo, rico, estável e não menos acessível a você.

Num relato marcado pela franqueza e pela doçura de alguém em busca da proximidade com Deus, Escolha a alegria permitirá que você olhe para dentro de si à medida em que conhece as lutas e dissabores de alguém exatamente como você: uma pessoa em construção. Alguém ciente de que a vida não é um conto de fadas, mas que pode ser temperada por um componente restaurador: a alegria que somente Deus pode dar.

A alegria é uma escolha. O nível de alegria que você experimenta depende por completo de você. Não depende de mais ninguém – o que os outros fazem ou não, como se comportam ou não. A alegria não pode ser manipulada pelas ações de seres humanos frágeis. Não depende do nível de tristeza, sofrimento ou dificuldade que você suporta.

A alegria não pode ficar refém do medo, da dor, da raiva, da decepção, da tristeza ou do pesar. No final do dia, qualquer dia que seja, a dose de alegria que você experimenta é a dose exata de alegria que escolhe experimentar. É você, minha amiga, quem está no comando. Quanto mais cedo abraçar essa realidade básica, mais cedo será capaz de viver uma vida de maior alegria. Kay Warren

Kay Warren é cofundadora da Igreja Saddleback junto com seu marido, Rick Warren. Além de ser uma apaixonada professora de Bíblia, ela possui grande envolvimento com um projeto de assistência a pessoas infectadas pelo vírus HIV.

Vamos sortear 3 exemplares de “Escolha a alegria“, lançamento da Mundo Cristão.

Para participar, compartilhe na área de comentários a sua receita para encontrar alegria nas pequenas coisas da vida. Use no máximo 3 linhas.

Se utilizar o Facebook, por gentileza deixe um e-mail de contato.

O resultado será divulgado no dia 30/6 neste post.

***

Parabéns aos ganhadores: Vanda DiasKarol NogueiraChrystian Rodrigues. \o/

Por gentileza enviar seus dados completos para livrosepessoas@gmail.com em até 48 horas.

Doido por livros

0

1

André Luiz Aguiar, no Caçadores

Desde cedo, quando trabalhava na roça no interior do Estado, Gilson Pereira já demonstrava amor pela literatura. Atualmente, aos 54 anos, ele possui uma biblioteca com aproximadamente 4 mil livros em casa e tem como hobby escrever sua própria obra. Por falta de apoio, condições e tempo, o entusiasmo hoje é menor, mas o sonho de publicar o que escreve segue vivo dentro dele.

Gilson Pereira ganha a vida como fiscal de transportes da Urbs, mas já realizou diversas atividades como professor, trabalhou em rádio, atualmente ensaia um grupo de teatro, entre outras coisas. Residente do Jardim Aliança, no bairro Santa Cândida, ele guarda em um quarto do apartamento cerca de 4 mil livros. A biblioteca é toda organizada e dividida por estilos.

A grande maioria do material ele ganhou ou achou e uma boa parte deles veio da irmã. “Ela encontra livros no lixo e pergunta se eu quero. Eu escolhi o que prestava e fiz uma homenagem pra ela. Um quadro pela participação de quase 1.500 livros daqui”.

Mas o diferencial do local é a minibiblioteca. “Acho que é inédito. As miniaturas são livros conseguidos há aproximadamente 40 anos”. Alguns minilivros são de autoria própria.

1

Quem sugeriu a história à Tribuna foi o leitor José Vieira, que conheceu Gilson Pereira através de um amigo em comum. José conta que já contribuiu com a biblioteca, realizando doações de livros, e que também já usufruiu. “Eu emprestei alguns dele e também já li outros que ele escreveu”.

A biblioteca, porém, é de uso particular. Apesar do desejo de contribuir para a leitura de outras pessoas, alguns fatores impedem o empréstimo dos livros. “Eu gostaria de emprestar, mas como é apartamento, não pode ter muito movimento, pode gerar multa. Eu levo para alguns conhecidos, as pessoas de mais confiança. São livros de diversos assuntos, até para crianças, mas precisaria de alguém para atender”. Questionado se já leu todos os livros que possui, ele diz que por falta de tempo não conseguiu. “Só de bíblia aqui são 50”.

1Adepto de escrever, Gilson conta que já escreveu, entre pequenos livros e artigos, 205 obras, que guarda em um pendrive. “O problema é a divulgação, que é cara e é difícil”.

Todos os livros foram editados de maneira artesanal. Ele conta que aprendeu a editar na feira do poeta, em 1995 e pegou gosto. Alguns chegaram a ficar a venda em uma livraria de Curitiba, mas o preço cobrado dificultava. “Entre um livro meu e um livro de um autor famoso, no mesmo preço, qual você acha que vai vender?”.

Mas o sonho de ter um livro publicado permanece vivo na memória de Gilson. “Eu escrevo em várias linhas e quem sabe um dia alguma editora se interesse ou alguém queira me ajudar”.

dica do Chicco Sal

Santiago Nazarian: ‘Muita gente me considera um babaca’

0

Em bate-papo com a escritora Simone Campos, autor fala sobre seu novo romance, ‘Biofobia’

Publicado em O Globo

1RIO — Depois de um tempo afastado do romance “adulto”, o paulistano Santiago Nazarian volta com “Biofobia” (Editora Record), um thriller sobre um roqueiro decadente que se refugia na casa de campo de sua mãe, uma escritora de sucesso que acabou de se matar. Durante a temporada de reclusão, enfrenta seus fantasmas, questiona o futuro e estabelece uma complicada relação com a natureza.

Pedimos para a autora Simone Campos (que lança, em julho, seu novo romance, “A vez de morrer”), preparar oito perguntas para Nazarian. O entrevistado fala sobre o processo de escrita, a opção pelo pop e o deboche, e a dificuldade de reconhecimento entre determinados círculos literários.

“Biofobia” é seu primeiro livro que leio em que sinto uma impressão de inteireza. No seu segundo romance “A morte sem nome” (2004), por exemplo, tudo é muito fragmentado Em ambos, conflitos e temas são suscitados aqui, retomados ali e arrematados acolá, mas o timing do “Biofobia” para fazer isso é diferente. Você se sente mais maduro? O que mudou?

Em questão de estrutura, “Biofobia” se beneficiou muito da minha experiência como roteirista. No roteiro tudo tem de ser muito bem estruturado, discutido, os pontos de conflito, a curva do personagem. Aproveitei isso para a construção da trama literária. Apesar de ser um romance linear, foi escrito de forma bem fragmentada — surgiam ideias, imagens, conceitos e eu procurava distribuí-los de maneira equilibrada pelo texto. O prólogo, por exemplo, foi das últimas coisas a serem escritas — porque ecoava com o epílogo. A última coisa que coloquei no livro foi uma rápida cena em que o personagem encontra os prêmios da mãe — Jabuti, Prêmio São Paulo — dentro de uma gaveta. Estava lendo a prova e pensei: “Se ela é uma escritora premiada, onde foram parar os prêmios?” Daí pensei no melhor momento de eles aparecerem. Ele foi construído dessa forma, mas a história como um todo já havia sido rascunhada na minha mente quando comecei. Eu já sabia aonde queria chegar, como terminava, isso ajuda a ter um romance mais estruturado.

O protagonista do livro, André, é um roqueiro alternativo de meia-idade que se estragou nas drogas sintéticas (nada de maconha, ele é antinatureza), e agora mal consegue cantar em festa de casamento. Mas ele acha que o artista não pode prescindir da experiência, que só pode ser obtida fora de um esquema nove-às-seis. Em que grau você compartilha da visão do André sobre a arte?

Acho que ele tem uma visão mais… romântica do que a minha. Ou iludida, porque ele é um artista sem arte, um cantor que não canta. Eu não tenho problemas em pegar outros trabalhos para pagar as contas — embora todos sejam relacionados à literatura. E já tive meu período de trabalhar das nove às seis. Mas ele é daqueles que acha que o artista tem de viver só da arte, e o mundo tem de pagar por isso. Vejo essa visão em muitas pessoas próximas de mim. Faz parte da minha formação, inclusive, porque meu pai é um artista plástico cheio de altos e baixos na carreira, mas que nunca teve de abrir mão de sua parte para sustentar os filhos, por exemplo. Minha mãe é que tinha de ralar para pagar a escola dos filhos. Estava lendo outro dia um depoimento do Ferrez, de como a literatura para ele foi uma salvação, abriu novos horizontes e novas possibilidades de vida. No meu caso, talvez seja o contrário. Porque tanto minha mãe quanto meu pai vieram de famílias ricas, mas que diminuíram o padrão de vida por se meter com a arte.

“Biofobia” se passa em dois ou três dias. A identidade do André no livro é definida em contraste com os outros, que aparecem um após o outro para assolá-lo na casa de campo — sendo que ele está lá por obrigação. Esses agentes externos atrapalham ou ajudam as buscas dele — às vezes, fazem os dois. Seria como um ecossistema de personalidades? Foi intencional?

A intenção foi usar os outros para definir a personalidade do protagonista, como eu já havia feito em “Olívio” (2003). Por isso os personagens não têm nome, apenas funções diante dele: a irmã, a ex-namorada, o amigo, etc. Tem a ver com a personalidade narcisista e quase psicótica dele, como ele enxerga (ou não enxerga) o outro.

Outra coisa sobre o André: ele é um pouco Brás Cubas que ainda não morreu. Não quer deixar descendência, só quer fazer bastante sexo com alternativas novinhas. Mas ele sente que a natureza, como força-fêmea, exige filhos dele – sob a forma do sentimento de falta de sentido na vida – e meio que a odeia por isso. O pica-pau (ou a garra da árvore) está sempre cutucando ele, e ele precisa buscar mais – não importa o quê. Durante a leitura, hesitei entre considerar a natureza um personagem que interage com o André e considerar tudo uma viagem solipsista do André (que teria usado a natureza, inclusive a que o compõe, como desculpa). Você escreveu pensando em uma dessas visões? E favorece alguma das interpretações ou prefere a ambiguidade mesmo?

Eu prefiro a ambiguidade. Ele vê a natureza como um personagem, claro, um inimigo, e pode ser tudo uma viagem da cabeça dele, que vai se intensificando pelos aditivos, a bebida, as drogas. Mas também deixo algumas perguntas em aberto, no final, para favorecer essa ambiguidade. A natureza é um conceito abstrato, materializado no livro pelo mato, que tudo consome. Não há animais nesse mato. Repare que o personagem ouve canto de pássaros, de grilos, zumbidos, mas nunca avista animal vivo nenhum. É como se o mato consumisse tudo o que se mistura a ele.

Ainda na mesma toada: tem uma questão básica da epistemologia ocidental de considerar que a natureza é um ente externo ao homem, que pode e deve ser domado, utilizado, enfrentado. Senti que você quis, em “Biofobia”, reduzir ao absurdo esse modo de encarar a coisa – o André nem sequer “usa” a natureza de forma positiva, digamos, achando um pôr do sol bonito: ele apenas consome e destrói. Mas há uma crítica a esse pensamento implícita no livro ou sou eu que estou enxergando demais?

Hum… Não sei. Talvez haja uma crítica no subtexto, porque pessoalmente sou um cara que adora natureza, mato, praia, mas no livro quis explorar a visão oposta. Eu meio que criei um personagem odioso. Nesse conflito dele com a natureza, eu torceria pela natureza. Tive um certo receio de que essa antipatia pelo personagem prejudicasse a leitura, que os leitores abandonassem o livro por isso. Mas fico feliz que os leitores têm apreciado o livro, mesmo detestando o personagem, e que alguns até conseguem ter simpatia ou atração por ele.

Fale um pouco da edição: como foi o grau de interferência do editor no seu livro (se maior ou menor comparado a outros)? O que entrou no livro depois de entregue à editora?

Como era minha volta ao romance adulto, tinha muitas dúvidas. Estou num momento complicado da carreira, meio afastado da cena, então a opinião externa sobre o livro pesou mais do que de costume no processo de escrita. Nesse sentido, a orientação do Lucas Bandeira de Melo, meu editor na Record, foi fundamental. A primeira versão que entreguei era bem mais suave na questão do suspense e do terror, e eu receava que a editora poderia querer um texto mais leve, mais focado no drama existencialista do que no thriller. Felizmente ele sugeriu o contrário, incentivou que eu carregasse mais no lado “bizarro” do meu existencialismo. Também deu outras sugestões que poderiam funcionar, mas que rejeitei. Uma delas é que o “fracasso” do personagem não ficasse tão evidente, que o leitor fosse percebendo aos poucos que ele não era o rockstar que acreditava ser. Isso para mim foi inviável, porque daí seria outro livro. Para mim era importante que esse personagem fosse a personificação do fracasso, da frustração e da crise. Mas enfim, é meu quinto livro com a Record, e sempre tive uma ótima relação por lá. Eles sempre entendem o que quero e sei fazer, me dão carta branca para trazer as opções de capa, sugestões de divulgação. Para mim isso é fundamental, porque sou um cara bem centralizador. Eu acho que o livro precisa não só ter meu texto, mas minha cara, minha pegada. Afinal estou nesse meio já há um tempo, não só como autor, mas como tradutor, resenhista… Tenho mais experiência do que muitos editores, por exemplo.

Um leitor que estava no seu lançamento carioca mais pelo livro do Marcelino Freire veio me dizer (espontaneamente) que “surpreendentemente” estava achando seu livro bom. Você acha que as pessoas desconfiam da sua capacidade? Acha que há implicância por conta de aparência, idade, filiação a instituições, ideias…?

Acho. Meus temas e meu universo não são convencionais no meio literário. Minha aparência também não. Por um lado, essa desconfiança vem diminuindo, porque já tenho mais de dez anos de carreira, oito livros, não sou mais um garotinho. Mas também me sinto mais confortável para ousar, tanto no discurso, na aparência, quanto no texto. No começo de carreira, meus três primeiros livros, eu arriscava menos, tateava com mais cuidado. Eu posava de jovem escritor sério, queria ser levado a sério, e funcionou. Mas quando resolvi escancarar o pop e o deboche, com “Mastigando humanos” (2006), também deu muito certo. Então segui nessa linha, que se tornou a minha linha, e as desconfianças aumentaram. De toda forma, eu só posso criar uma carreira sustentável se fizer como eu acredito, criar minha própria marca. E aos poucos isso vai sendo assimilado.

Gosto das suas referências “descabidas”. Não conheço outro autor que terminaria uma enumeração sobre o que existe no esgoto com “as tartarugas ninja”. Isso é um introito para falar da Granta. Autores mais anárquicos ficaram de fora. Quando saiu o resultado, você protestou bastante no seu blog. Em “Biofobia”, você também externa essa decepção de forma veemente, e isso, por incrível que pareça, faz o leitor sorrir. Como protestar e soar simpático em vez de ressentido?

Eu SOU o ressentimento. Não esqueço, fico remoendo. E tenho consciência de como isso é patético. Não consigo deixar de usar o humor, acho que o humor é a saída. E também me considero justo. Acho que há grandes autores na Granta, admiro muitos deles, mas também acho que privilegiaram apenas um perfil de autor, e o processo de seleção foi duvidoso, quando pediram para autores selecionados trocarem seus textos, por exemplo. Mas… ei, é você quem está dizendo que sôo simpático, talvez seja bondade de sua parte. Acredito que muita gente me considera mesmo um babaca.

App inovador traduz textos em tempo real usando apenas a câmera do smartphone

0

1

Publicado por Hypeness

Imagine que você está em Moscou, não entende nada de russo e precisa saber o que está escrito em uma placa na rua. Desesperar-se não é uma opção, então você calmamente saca o smartphone do bolso, aponta a câmera para o texto e ele é traduzido para você, instantaneamente. Mágica? Não, essa é a proposta do aplicativo Word Lens, que recentemente foi comprado pela Google.

O app funciona como um poderoso tradutor em tempo real e é especialmente útil para quem viaja pelo mundo. Ao acionar a câmera, o Word Lens identifica o texto na imagem e busca a tradução em um banco de dados próprio. Voilà! O texto em russo que parecia impossível de ser compreendido é instantaneamente traduzido na tela do seu smartphone.

Outra característica que o torna perfeito para viajantes é que ele dispensa o uso de internet. Isso porque os dicionários são baixados no celular, sem que você precise recorrer a um banco de dados externo – diferente do que acontece com a maioria dos apps de tradução. O Word Lens conta com diversos pacotes de idiomas, incluindo Inglês, Espanhol, Francês, Italiano, Alemão, Russo e Português.

Dá uma olhada no funcionamento desse app milagroso:

Imagem de Amostra do You Tube

1

2

3

4

5

6

7

Embora possa ser muito útil para ler placas, por exemplo, o Word Lens traz algumas limitações. Sua capacidade de identificar o texto não é muito boa quando se depara com fontes estilizadas ou letra cursiva, por exemplo. Mesmo assim, o app é uma boa carta na manga para quem quer visitar outro país e não domina completamente o idioma local. O Word Lens está disponível no iOS e no Android.

E então, já sabe qual será seu próximo destino de viagem? O Hypeness indica 10 destinos incríveis que mais parecem fazer parte de contos de fada e onde o World Lens pode vir a ser útil.

Tininha's RSS Feed
Go to Top