educação

Universidade de Columbia oferece pela primeira vez curso de pós-graduação no Brasil: mestrado executivo em Gestão Pública

0
Universidade de Columbia é uma das mais conceituadas dos EUA e do mundo | Getty Images

Universidade de Columbia é uma das mais conceituadas dos EUA e do mundo | Getty Images

Gabriela Bazzo, no Brasil Post

A Universidade de Columbia vai oferecer, a partir de janeiro do ano que vem, um programa de pós-graduação no Brasil.

O curso, com duração de 18 meses, tem foco em Gestão Pública e será ministrado em formato híbrido, mesclando videoconferências e aulas presenciais.

O programa também inclui dois meses intensivos de aula no campus da Universidade, em Nova York, em julho de 2015 e 2016 – os estudantes cursarão seis disciplinas nos EUA. O trabalho final também será apresentado presencialmente na universidade.

No total, os alunos vão cursar 18 matérias.

A estrutura do curso, que foi criado em 1977 nos EUA, foi adaptada ao Brasil e inclui aulas de reforço – no Global Center Columbia, no Rio de Janeiro e via internet também.

Futuramente, o programa deve ser oferecido na China e na Índia.

De acordo com a Columbia, o curso é voltado para “profissionais competentes e dedicados à administração pública”. Entre os documentos exigidos para a inscrição no curso estão diploma em um curso superior com tradução juramentada para o inglês, prova de proficiência em inglês, e o exame GRE ou GMAT, além de cartas de recomendação e intenção.

As inscrições são feitas até o dia 30 de novembro no site da Columbia. O resultado será divulgado no dia 15 de dezembro.

A turma de 2015 vai contar com 30 alunos, e a de 2016 – e de anos futuros – 35 pessoas. Serão oferecidas entre 20 a 30 bolsas parciais e integrais. Segundo a Columbia, os detalhes das bolsas serão divulgados posteriormente.

O curso custa US$ 68 mil por aluno, incluindo as viagens aos EUA e a acomodação durante os dois meses de residência em Nova York.

Nesta semana, serão promovidas palestras no Rio, em São Paulo e em Brasília sobre o curso. As inscrições para as sessões informativas podem ser feitas no site do programa.

SÃO PAULO
22 de outubro – 12h às 14h
Fundação iFHC – Instituto Fernando Henrique Cardoso
Rua Formosa, 367 – 6º andar, Centro

BRASÍLIA
23 de outubro – 12h às 14h
CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica
SEPN 515 Conjunto D, Lote 4 – Edifício Carlos Taurisano

RIO DE JANEIRO
24 de outubro – 12h às 14h
Global Center Rio de Janeiro
Rua Candelária, 9 – 3º andar, Centro

Com histórico até a 7ª série, interno da Fundação Casa aprende a ler aos 17

0
Quando chegou à Fundação Casa, Jonas disse que o seu sonho era aprender a ler

Quando chegou à Fundação Casa, Jonas disse que o seu sonho era aprender a ler

Marcelle Souza, no UOL

O pedido do jovem infrator ao chegar na Fundação Casa foi incomum: “senhora, eu queria aprender a ler”. Era seu “sonho”, contam as professoras. Sua apreensão também foi pouco usual: ao achar que havia cometido um erro muito grave, Jonas*, 17, resolveu se entregar e cumprir sua pena.

Ele perdeu a liberdade, mas realizou o sonho: prestes a completar 18 anos, após quase um ano de internação, ele começa a ler e a escrever. Até chegar à fundação, Jonas havia estudado até a 7ª série em uma escola pública de São Paulo. Anos na sala de aula, no entanto, não lhe garantiram sequer a leitura e a escrita.

Sem conseguir acompanhar às aulas, ouviu de uma professora que deveria “sentar e apenas copiar”. “Os professores não tinham tempo”, diz. Passava de ano com a aprovação do conselho de classe. Passava, mas não aprendia. “Pegava ônibus só pelo número, não pela letra”.

O histórico escolar registra ainda duas reprovações. Sem aprender e prestes a terminar o ensino fundamental, decidiu abandonar a escola. Cometeu um ato infracional e procurou o fórum da cidade para se entregar. Perdeu a companhia dos amigos, da namorada e o abrigo na casa da mãe.
Na 8ª série sem saber ler

Quando as grades se fecharam, ele ‘adotou’ um novo corte de cabelo (igual para todos os internos), passou a usar o uniforme e percebeu uma chance de realizar o seu maior sonho. Seu histórico escolar lhe garantiu matrícula na 8ª série, atual 9º ano, do ensino fundamental.

Na sala, sentou na primeira fila e começou a fazer reforços de alfabetização. Os outros meninos zombaram dele, mas ele não ligou. Aos poucos, quem só sabia desenhar umas letras passou também a juntar sílabas: pato, vaca, faca, coelho, foram algumas das primeiras palavras que leu sozinho.

“Eu não sabia nada quando entrei aqui. Minha mãe até chorou quando eu ganhei diploma de melhor aluno”, conta o interno. Fez também cursos de corte de cabelo, artes cênicas, artes plásticas, biojóias e aprendeu a fazer sabonetes e salgados. Também é destaque no time de basquete na unidade.

Mario Volpi, representante da Unicef, afirma que as medidas com mais êxito estão relacionadas a estruturas que não necessitam da internação, mas dependem da articulação entre a escola, a comunidade e o sistema de atendimento socioeducativo. “O ideal é que a instituição não precise prender para ele descobrir suas habilidades”, diz.

Logo que entrou na Fundação Casa, Jonas descobriu que seria pai. Perdeu os nove meses de gravidez, o nascimento do bebê e só conheceu a filha quando ela completou três meses. “Agora eu quero trabalhar e cuidar da minha filha. Quero estudar, fazer supletivo e depois fazer uma faculdade, quero ser professor de educação física”, diz.

Jonas ainda não sabe quando sairá da Fundação Casa.

*Nome fictício

perfil do interno da Fundação Casa

A hora e a vez do ensino fundamental

0

'ensino_fundamental2

José Goldemberg, Estadão

As universidades públicas do Estado de São Paulo – USP, Unicamp e Unesp – passaram nos últimos meses por uma greve e uma crise que se pode chamar de “conjuntural”, mas não pode ser considerada um problema permanente ou “estrutural”. Apesar dos problemas, elas são universidades de Primeiro Mundo, por qualquer critério que se use para medir o seu desempenho: são comparáveis às universidades da Europa e da América do Norte e se encontram entre as 200 melhores universidades do mundo, onde existem 10 mil universidades.

No entretanto, elas custam ao Estado de São Paulo cerca de 10% dos impostos estaduais. O custo por aluno é próximo de R$ 50 mil por ano, que é o custo típico da anuidade dos estudantes nas universidades pagas no exterior. Os salários dos professores das universidades do Estado são também comparáveis aos de seus colegas em muitos países desenvolvidos.

Esses números são extraordinários para um país em desenvolvimento e um testemunho claro da mentalidade esclarecida do governo do nosso Estado desde 1934, quando foi criada a Universidade de São Paulo (USP). São poucos os países onde a elite dirigente decidiu conscientemente investir tão pesadamente no ensino superior.

Apesar desse esforço, só há lugar nas universidades públicas para cerca de 20% dos alunos que completam o ensino médio. Universidades privadas suprem as demais vagas, cobrando anuidades dos estudantes. Apesar de existirem mecanismos de financiamento governamental, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), para atenuar esse problema, há ainda muito a fazer. Na França, que é um país rico, os estudantes que concluem o curso secundário têm acesso automático a uma universidade pública.

Em contraste, no ensino fundamental em São Paulo gastam-se cerca de R$ 5 mil por ano por aluno, os salários dos professores são inferiores aos de várias profissões da mesma escolaridade e aproximadamente a metade dos salários correspondentes nas escolas europeias.

Não é de surpreender, portanto, que haja enormes carências em prédios escolares, bibliotecas e laboratórios. Simplesmente não há recursos para atender a todas as demandas, apesar de o Estado gastar cerca de 20% de todo seu orçamento no ensino fundamental e médio.

Existe uma falta de clareza sobre a verdadeira natureza dos problemas da educação no Brasil. A abundância de “reformas do ensino”, de leis e regulamentos baixados teve historicamente muito menos impacto do que o aumento gradativo dos recursos orçamentários aplicados na área – um exemplo foi a criação da Universidade de São Paulo em 1934.

O Brasil gasta hoje cerca de 5% do seu produto interno bruto (PIB) em educação, que é aproximadamente o mesmo nível de dispêndio da maioria dos países industrializados da Europa e também dos Estados Unidos. Uma das razões pelas quais o ensino fundamental é bom nesses países é que neles o produto bruto nacional é muito maior que o do Brasil, de modo que os mesmos 5% representam muito mais recursos. Só para dar um exemplo, enquanto o Brasil gasta cerca de R$ 5 mil por aluno por ano em educação fundamental, países da Europa gastam cerca de R$ 20 mil, isto é, quatro vezes mais.

Não é de surpreender, portanto, que tenhamos problemas sérios no País nessa área e, do ponto de vista financeiro, só existem duas soluções para eles: ou aumentar o produto bruto nacional ou a fração dedicada à educação acima de 5%. Para fazer isso seria necessário retirar recursos de outras áreas que são tão ou mais carentes do que a educação, como saúde e segurança pública.

É bem verdade, contudo, que não são apenas considerações econômicas que definem a qualidade do ensino. Tradições culturais arraigadas, como as que existem em certos países ou grupos sociais, levam a uma valorização da educação muito maior do que em outros. Este é o caso da Finlândia, onde os gastos com a educação não são muito elevados, mas o desempenho escolar é um dos melhores do mundo.

Já no nosso país, apesar de as escolas públicas serem gratuitas, muitos jovens precisam abandoná-las para trabalhar e ajudar sua família. No Brasil como um todo, a taxa de evasão do ensino fundamental é de 25%, isto é, um de cada quatro alunos que iniciam o ensino fundamental não chega ao fim desse ciclo.

É por essa razão que apenas cerca de 50% da população do País tem ensino médio completo. Na Alemanha, por exemplo, a taxa de evasão é baixa e 96% da população completa o ensino fundamental. A escolaridade média dos brasileiros é de aproximadamente 7,2 anos, quando idealmente seriam 15. O Chile e a Argentina têm mais de 9 anos de escolaridade.

É difícil imaginar a quantidade de talento e de esperanças que se perde todos os anos quando milhões de jovens abandonam a escola e nem chegam às portas da universidade, que lhes daria oportunidades para um futuro melhor. Essa evasão é muito mais perversa que os vestibulares das universidades públicas, que simplesmente selecionam os mais preparados que batem às suas portas dando a todos igual oportunidade.

A inexistência de cotas que garantam o acesso dos menos privilegiados economicamente à universidade não se compara com os milhões de estudantes que são eliminados antes disso por questões socioeconômicas. Não há sistema de cotas que possa corrigir a discriminação econômica que é a causa básica da evasão no ensino fundamental. O que as universidades estaduais de São Paulo têm feito é introduzir bônus para os candidatos mais carentes que concorrem aos vestibulares, tentando corrigir em parte esses problemas.

É por essa razão que esta seria uma boa hora para dedicar ao ensino fundamental a atenção que as elites dirigentes do Estado de São Paulo deram 80 anos atrás à criação das universidades públicas.

Gandalf em “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”, Ian McKellen dá conselho para estudantes

0
Imagem de Amostra do You Tube

Cleber Facchi, no Brasil Post

Já imaginou ir à biblioteca da escola e dar de cara com Ian McKellen?

Conhecido pelo papel do mago Gandalf, em O Senhor dos Anéis e O Hobbit, recentemente o ator deixou malucos os alunos da Chew Valley School, localizada em Bristol, Inglaterra.

Durante o passeio pela instituição, McKellen, também marcado pelo personagem Magneto na franquia X-Men, deu um divertido conselho aos estudantes que se aglomeravam em uma das janelas da biblioteca:

Durante a preparação para os exames, se vocês não revisarem [os conteúdos] corretamente, sabem o que vai acontecer?

“O que vai acontecer?”, perguntaram as crianças entusiasmadas. E a resposta veio como uma divertida referência ao personagem mágico de McKellen:

VOCÊS NÃO PASSARÃO!

1

Promessa de Aécio e Dilma, educação integral não é garantia de ensino melhor

0

Especialistas estimam ainda que investimento do governo federal no ciclo fundamental teria de crescer 50% para a ampliação do modelo

20140902-educacao-vinhedo-hf-0106-size-598

Bianca Bibiano, Veja

A educação em tempo integral, modalidade em que o estudante fica ao menos sete horas na escola, é uma das bandeiras dos candidatos à Presidência na corrida eleitoral. O tema ganhou mais força na semana passada quando Marina Silva (PSB), terceira colocada no primeiro turno, apresentou uma lista de exigências para declarar apoio a Aécio Neves (PSDB). A proposta estava lá. Apresentada como estratégia central para o aprimoramento da educação básica no país, a educação integral merece mais reflexão do que permitem as respostas, réplicas e tréplicas dos debates de TV.

Para especialistas ouvidos por VEJA.com, a promessa de expansão da jornada escolar não leva em conta o aumento de investimentos necessário para que as escolas não se tornem meros depósitos de crianças em tempo integral. Isso teria impacto nas contas da União e também de governos locais. Hoje, o governo federal complementa o custeio da educação repassando a Estados e municípios recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), um bolo que este ano gira em torno de 2,05 bilhões de reais.

“As escolas que oferecem período integral recebem, do Fundeb, recursos entre 10% e 30% superiores às demais. Contudo, os valores repassados só são suficientes porque a maior parte das atividades do contraturno são realizadas em parceira com ONGs e voluntários, não com professores”, diz Marcelino de Rezende Pinto, professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em financiamento da educação. “Para fazer a ampliação da jornada com qualidade, o repasse deveria ser 50% maior.”

O aumento de 50% nos repasses cobriria despesas com professores, alimentação, compra de material, água e luz. A construção de novos prédios, necessária para atender ao eventual aumento da demanda por ensino integral, não entra no levantamento. “Ainda que o governo aumente o repasse do Fundeb, a fonte continua sendo a mesma: os impostos. Para cumprir as promessas, portanto, será preciso criar novas fontes de recursos e convencer Estados e municípios a aumentar seus investimentos próprios”, afirma o pesquisador.

O economista Marcelo Neri, ministro-interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, aponta outra questão sensível sobre a ampliação da escola em tempo integral: a qualidade. Neri é autor de um dos principais estudos sobre ensino integral no Brasil, no qual relaciona o tempo em que os estudantes ficam na escola e as notas que eles obtêm no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que reúne aferições sobre a qualidade do ensino público no país, como a Prova Brasil.

Cruzando dados de questionários da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2006 e do Saeb de 2005, ele constatou que mais tempo na escola não é sinônimo de melhor aprendizado. Um exemplo: alunos do ensino médio que tinham entre quatro e seis horas de aula por dia obtiveram, em média, 34,67 pontos a mais no Saeb do que seus pares que estudavam no máximo quatro horas (o conceito mais alto obtido no país naquele ano foi 282,5). Contudo, aqueles que tinham mais de seis horas de aula por dia obtiveram apenas 3,25 pontos adicionais em relação às turmas de quatro horas. Ou seja, a melhoria é quase imperceptível quando se expande o ensino para além de seis horas, como propõem os candidatos — e também como prevê o Plano Nacional de Educação como objetivo para 2024.

“A expansão da jornada pode ser prejudicial quando não é pautada por uma política pública que zele pela qualidade do ensino. Apenas aumentar o tempo de aula sem previsão do que deverá ser ensinado pode prejudicar o desempenho do estudante”, diz Neri. “Além de mostrar que mais tempo na escola não necessariamente significa melhor desempenho, a pesquisa revelou que à medida que o estudante fica mais velho cresce sua resistência ao ensino integral, e suas notas caem.”

Segundo a proposta da candidata-presidente Dilma Rousseff (PT), 20% da rede pública de ensino deverá funcionar na modalidade integral até 2018. Atualmente, essa taxa é de 13,2% das matrículas, de acordo com Censo Escolar 2013. Para cumprir a meta, Dilma promete expandir o programa Mais Educação, tido pelo MEC como o principal responsável pelo crescimento de 45,2% das matrículas em tempo integral entre 2011 e 2013. O programa repassa verbas para 58.293 escolas de ensino fundamental estaduais e municipais, que oferecem cursos de artes, esportes e reforço escolar no contraturno. Quem dá os cursos, contudo, não são professores, mas sim monitores contratados em regime de voluntariado. Cada escola recebe entre 20.000 e 22.000 reais ao ano para pagar os custos da expansão da jornada, o que inclui alimentação, material, transporte e pagamento dos monitores.

Já a proposta de Aécio prevê a expansão do tempo integral de acordo com as metas definidas pelo Plano Nacional de Educação. De acordo com o projeto de governo do tucano, o tempo extra na escola seria usado para “atividades de áreas mais técnicas e científicas, ou ciências sociais e humanidades, ou ainda o aprendizado prático para as profissões em parceria com o setor produtivo”. Como governador de Minas Gerais (2003-2010), Aécio criou um programa estadual de educação integral em parceria com municípios. Em 2013, 10% dos alunos eram atendidos em jornada ampliada.

Para a educadora Isabel Cristina Santana, superintendente da Fundação Itaú Social, um dos desafios que o eleito(a) terá pela frente será adequar a infraestrutura das escolas. “A proposta de deixar crianças o dia inteiro na escola cai bem entre eleitores e famílias. Mas a maioria das escolas brasileiras oferece aulas em três turnos de aula. Para suprir a demanda por mais espaço, uma alternativa é utilizar espaços comunitários como clubes, museus e bibliotecas. Essa dinâmica está dando certo fora do Brasil e certamente reduziria os custos de implantação de um programa em escala federal.”

Go to Top