educação

Professores não se interessam pela sala de aula, diz estudo

0

Só as vagas de graduação nas universidades públicas já seriam suficientes para atender à demanda, mas faltam profissionais interessados em carreira em escolas

Estudo: é necessário tornar a profissão mais atrativa e incentivar a permanência estudantil - Divulgação

Estudo: é necessário tornar a profissão mais atrativa e incentivar a permanência estudantil – Divulgação

Paulo Saldaña, na Exame

São Paulo – Apesar de haver escolas sem professores no Brasil, o número de licenciados entre 1990 e 2010 seria suficiente para atender à demanda atual por docentes.

É o que revela a pesquisa inédita do professor José Marcelino de Rezende Pinto, da Universidade de São Paulo (USP). Faltam, portanto, profissionais interessados em seguir carreira dentro da sala de aula.

O estudo aponta para a necessidade de tornar a profissão mais atrativa e de incentivar a permanência estudantil na área. Isso porque o número total de vagas na graduação é três vezes maior que a demanda por professores estimada nas disciplinas da educação básica.

Em todas as áreas, só as vagas de graduação nas universidades públicas já seriam suficientes para atender à demanda.

Para realizar a pesquisa, o autor cruzou a demanda atual por profissionais na educação básica com o número de formados nas diferentes disciplinas curriculares entre 1990 e 2010.

Assim, apenas em Física é possível afirmar de fato que o número de formandos não é suficiente para suprir a necessidade.

Segundo Marcelino, os titulados preferem ir para outras áreas a seguir a docência. “A grande atratividade de uma carreira é o salário. Mas, além da remuneração, o professor tem um grau de desgaste no exercício profissional muito grande. E isso espanta”, afirma o pesquisador, que é da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto.

Os cursos de formação de professores têm evasão maior que 30%, acima da média registrada por outras graduações. “Em vez de financiar novas vagas, muitas vezes em modalidade a distância sem qualidade, precisamos investir para que o aluno entre e conclua.”

Dados recentes mostram que há um déficit nas escolas brasileiras de 170 mil professores apenas nas áreas de Matemática, Física e Química. Só na rede estadual de São Paulo, 21% dos cargos necessários estavam vagos no ano passado, como revelou o Estado na ocasião.

A maior lacuna era em Matemática e Português, esse último com falta de 7,1 mil docentes – o governo do Estado afirma que os alunos não ficam sem aula, mesmo que acompanhados por professores de outras formações.

Em Língua Portuguesa, a pesquisa revela um dos maiores abismos. O número de concluintes entre 1990 e 2010, de 325 mil, é quase três vezes maior que a demanda calculada, em torno de 131 mil.

Só três disciplinas aparecem com razão negativa entre concluintes e demanda: Ciências, Língua Estrangeira e a já citada Física (veja o infográfico ao lado).

Nas duas primeiras, os dados não refletem algumas condições: a área de Língua Estrangeira é atendida por formados em Letras, que tem alto índice de estudantes, e muitos professores de Ciências têm formação em Biologia – que tem a maior proporção de concluintes.

Ganho

O salário de um professor é, em média, 40% menor que o de um profissional de formação superior. Foi essa diferença de renda que fez Simone Ricobom, de 40 anos, deixar a docência em 1998 – após cinco anos na área – para trabalhar na Previdência Social.

“Havia o pensamento de que o professor tinha de ser um pouco mãe e eu queria ser profissional. Também percebi que não havia projeção na carreira.” Ela voltou a atuar na educação infantil entre 2008 e 2012, dessa vez na rede particular, mas se decepcionou novamente.

O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, diz que o resultado da pesquisa desconstrói um falso consenso sobre um “apagão”.

“Os dados reforçam que a principal agenda na questão docente é a da valorização”, diz. “Valorização é garantia de boa formação inicial e continuada, salário inicial atraente, política de carreira motivadora e boas condições de trabalho.”

Para incentivar leitura, ação ‘espalha’ livros por locais inusitados de Manaus

0

Iniciativa teve início neste sábado (30) em shopping na Zona Centro-Sul.
Obras são deixadas com marca página do projeto ‘Leve este livro para você’.

livromarina

Jamile Alves, no G1

“Leve este livro para você”. Esta é a mensagem deixada dentro de obras espalhadas por diversos pontos da capital amazonense a partir deste sábado (30). Realizado por 15 jovens da Comunidade Global Shapers Manaus, o projeto consiste em deixar livros em locais diferentes, como em bancos de praça, restaurantes e ônibus, por exemplo, com um objetivo simples, mas de grande impacto: incentivar o hábito da leitura diária nos manauenses.

O projeto foi posto em prática pela primeira vez na tarde deste sábado (30), em um shopping da Zona Centro-Sul da cidade. Ao mesmo tempo em que passeava pelo centro de compras, o grupo deixou livros espalhados por diferentes locais. Quem visitar o banheiro, lojas ou decidir descansar em um banco, por exemplo, poderá ‘ganhar’ um livro. Ao todo, 30 obras da literatura nacional e estrangeira foram colocadas a disposição, de forma gratuita, para quem os quisesse ler.

O curador do Global Shapers Manaus, iniciativa do Fórum Econômico Mundial, Glauber Gomes, de 27 anos, explica o propósito da ação. “Nós queremos transformar a cidade, tornando os manauenses um pouco mais fãs de livros. Tudo começa pelo compartilhamento. Uma pessoa deixa um livro em qualquer lugar com um ‘marca páginas’ explicando o projeto, como se fosse uma dedicatória. A ideia é que essa pessoa também use o marca páginas para doar outro livro seu, se tornando um grande movimento”, contou.

espal

O marca página deixado dentro das obras convida o leitor a prosseguir com a corrente. “Este livro foi muito importante para alguém, que decidiu compartilhar com você, deixando-o aqui. Leve-o para casa, leia e assim que acabar, compartilhe-o também!”, diz trecho da dedicatória. No verso, cada ‘dono’ do livro anota seu nome e a data em que deixou a obra em um lugar público.

Os idealizadores pensam agora em “viralizar” a brincadeira. “O bacana é encontrar lugares divertidos de compartilhar, como dentro de um táxi. Vai da criatividade de cada um”, acrescentou Glauber. Para espalhar a ideia, o grupo sugere que os “presenteados” tirem fotos das obras deixadas em um local e as publiquem nas redes sociais com a hashtag “#leveestelivro”. Quem quiser fazer parte do projeto poderá imprimir o marca páginas oficial da iniciativa disponível no Facebook do grupo.

grupo

Plataforma de ensino adaptativo Knewton prepara chegada ao Brasil

0

 Knewton

Empresa americana usa recursos de big data para propiciar a alunos e professores ferramentas de ensino mais avançadas

Thiago Jansen, em O Globo

RIO — Em casa, em seu computador, o estudante faz o dever de casa referente ao conteúdo que lhe foi passado pelo professor mais cedo, na escola. A partir das respostas que registra, recebe digitalmente uma orientação para estudar melhor um determinado aspecto da disciplina. Essas informações são repassadas automaticamente ao seu professor, que, no dia seguinte, pode auxiliá-lo de forma mais atenta. Apesar de parecer parte da ficção, essa integração entre tecnologia e ensino já é realidade graças à empresas como a Knewton, representante do chamado ensino adaptativo, e que se prepara para chegar ao país esse ano.

Criada em 2008 pelo empreendedor americano Jose Ferreira, a Knewton trata-se de uma plataforma digital que faz uso das tecnologias de análise e processamento de dados em volume massivo, e velocidade exorbitante, — o celebrado big data — para oferecer a estudantes e professores a possibilidade de um ensino focado nas fragilidades individuais de cada aluno.

— Para os estudantes, isso significa ter acesso a ferramentas de aprendizado customizadas às suas necessidades, aos seus pontos fortes e fragilidades. Nossa plataforma consegue, em tempo real, perceber exatamente o que o estudante já sabe bem, e o que ele precisa aprender melhor, sugerindo conteúdos específicos para isso — afirmou Ferreira, em passagem pelo Brasil nesta semana. — Já para os professores, isso representa a possibilidade de preparar melhor as suas aulas, encontrando conteúdos mais adequados para as suas turmas, além de acompanhar mais atentamento o desempenho de cada aluno.

Em associação com tradicionais editoras de materiais didáticos no exterior, como MacMillan Education e a Pearson, tem expandido a sua presença para além dos EUA, com escritórios na Europa, e, até o final do ano, no Brasil:

— Temos conversado com algumas instituições de ensino e editoras por aqui. Até o final do ano estaremos com um escritório em São Paulo. Em alguns locais, o Brasil tem iniciativas educacionais bastante inovadoras, mais do que em diversos outros países. Achamos que é um mercado com potencial interessante.

Para ele, a Knewton faz parte de uma revolução muito mais ampla na educação, e que inclui também plataformas digitais como a Khan Academy, que focam seus recursos em ampliar o alcance de aulas e do acesso ao conhecimento.

— A educação nunca passou por uma grande revolução tecnológica como, por exemplo, a medicina. Agora, no entanto, o setor educacional está tendo a oportunidade disso, graças às possibilidades do big data. Toda essa tecnologia vai eventualmente ser integrada às estruturas tradicionais de ensino, o que fará com que elas se tornem mais modernas e poderosas. Desafios existem, mas é um caminho sem volta — acredita o executivo.

O quanto os brasileiros sabem de Ciências?

0

blog_eja_ciencias
Felipe Bandoni de Oliveira, revista Nova Escola

Uma pesquisa inédita acaba de ser divulgada com dados muito interessantes para todos que trabalham com Educação, especialmente na área de Ciências.

O resultado dessa investigação é o Indicador de Letramento Científico (ILC), um parâmetro que tem o objetivo de aferir o quanto os brasileiros dominam conhecimentos e habilidades relacionados às Ciências Naturais. O levantamento, que ouviu mais de 2 mil pessoas nas nove principais regiões metropolitanas do país, foi realizado pela Abramundo, em parceira com o Ibope, o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa.

O aspecto mais interessante do ILC é que ele buscou abordar conhecimentos científicos em um contexto cotidiano. Nesse sentido, ele difere do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e de outras avaliações, pois não aborda estritamente conhecimentos escolares. Além disso, ao contrário desses exames que se destinam apenas aos estudantes, o ILC incluiu pessoas de 15 até 40 anos na amostra.

Em linhas gerais, o objetivo do ILC é descobrir se os respondentes dominam a linguagem científica, se possuem saberes práticos relacionados a ciências e em que medida esses saberes contribuem para a visão de mundo que possuem.

A análise das respostas classificou os respondentes em quatro grupos:

- 16% deles possui letramento não-científico. Conseguiram localizar informações em textos breves e que tenham relações com o cotidiano (ex.: contas de luz, bulas de remédio simplificadas), mas não demonstraram habilidades científicas.

- O segundo e maior grupo é o de letramento científico rudimentar, com 48% dos entrevistados. São pessoas capazes de ler e comparar textos com informações científicas básicas, também relacionadas a temáticas do cotidiano.

- O terceiro grupo é o de letramento científico básico, que abarca 31% da amostra. Conseguiram resolver problemas de maior complexidade usando procedimentos científicos e informações presentes em textos técnicos, manuais, infográficos e tabelas.

- O último grupo é o de letramento científico proficiente, que engloba apenas 5% da amostra. Esse pequeno contingente é formado por pessoas que resolvem problemas que exigem saberes científicos em contextos não necessariamente cotidianos (ex.: genética ou astronomia). Além de possuírem domínio de procedimentos, operam com conceitos científicos.

Chama a atenção o fato de que 64% de todos os entrevistados estão nos dois primeiros grupos. Veja, por exemplo, a questão a seguir, indicativa do nível rudimentar:

eja-letramento-cientifico-questao

Se analisarmos com cuidado, essa questão exige apenas uma leitura atenta do texto. Se o entrevistado respondesse que “as estrias aumentam a aderência”, “permitem o escoamento de água” ou “aumentam o atrito”, ele acertaria. Mas 50% de todos que responderam erraram essa questão.

Portanto, 64% dos respondentes dominam apenas leitura e, no máximo, conhecimentos muito básicos de Ciências. Ou seja: segundo a pesquisa, a maioria dos brasileiros possui um conhecimento muito incipiente de Ciências Naturais e não o utiliza para resolver problemas em suas vidas.

Isso nos leva a uma reflexão. Todas as duas mil pessoas entrevistadas frequentaram a escola por pelo menos quatro anos. O que aprenderam de Ciências? O que supostamente foi ensinado sobre Ciências? O que deveríamos mudar em nossas escolas para que isso não se repetisse?

Essa discussão não se encerra aqui. O ILC traz muitos outros dados, que pretendo abordar melhor em outros posts.

Gabriel Pensador: ‘Professor é herói do dia a dia’

0
Imagem: Google

Imagem: Google

Renata Mendonça, no UOL

“Eu tô aqui pra quê? / Será que é pra aprender? / Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?”

O rapper Gabriel o Pensador causou polêmica em 1995 com a música Estudo Errado, em que questiona o formato e o conteúdo das aulas, que via como distantes da realidade fora das salas de aula. O rap, à época, foi bastante criticado por professores e educadores.

“Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci.Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi.Decoreba: esse é o método de ensino.Eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino”, diz a música.

Duas décadas depois do lançamento de Estudo Errado, em meio à campanha para as eleições presidenciais de 2014 e no momento em que graves problemas da educação como a violência contra professores e a desvalorização do ensino voltam à tona, a BBC Brasil procurou Gabriel o Pensador para saber o que ele mudaria nessa letra se fosse fazer uma versão hoje. Veja o seu depoimento:

‘Escola ideal’

“Mais do que imaginar uma escola ideal, seria ideal a gente transformar a escola a partir das dúvidas, das curiosidades dos alunos em relação à realidade fora da sala de aula. Tanta informação que uma criança hoje recebe na internet, na televisão…tudo isso gera milhões de questões que já não se enquadram dentro do que é passado pelo MEC, dentro das disciplinas. Acho que o que os alunos precisam é entender um pouco mais sobre ética, sobre violência, sobre política, como funciona a sociedade, por que certas coisas acontecem, por que certas coisas permanecem acontecendo depois de tantos anos…

É um desafio para os professores adaptar o conteúdo das suas aulas para coisas cada vez mais próximas do dia a dia, das coisas da atualidade. Isso dá resultado sempre, quando é feito nas aulas de redação, por exemplo, nas aulas de história, de geografia, muitos professores já fazem isso. Minha crítica na letra ‘Estudo Errado’ era justamente em relação a essa distância do conteúdo do que era passado nas matérias para a vida real.

Outro problema crônico que a gente tem na escola brasileira é a evasão escolar, então mais um desafio é tornar cada vez mais interessante para os alunos esse conteúdo. Isso também faz parte do que eu abordei na letra da música. E eu acho que é um dos problemas da escola de hoje em dia. Além da falta de resultado efetivo, porque mesmo para aqueles que frequentam a escola, às vezes o nível de aprendizado é muito baixo, principalmente na questão da interpretação de texto, da alfabetização, da compreensão de certas matérias. A gente tem muito a evoluir, mas também tem muitos trabalhos bonitos sendo feitos, com grandes educadores, e eu confio que isso já esteja sendo trabalhado pelos professores.

‘O valor que o professor merecia’

Na frase da letra de ’175 Nada Especial’, o professor reclamava ‘esse não é o valor que um professor merecia’. Ali eu estava falando do salário, mas hoje eu poderia lembrar da polícia batendo nos professores em manifestações, da falta de respeito dos alunos que agridem e ofendem professores e os desrespeitam verbalmente. Isso também faz partedesse lamento do professor, que não vê seu valor reconhecido. Não é só uma questão de salário. Para mim, o professor é o herói do dia a dia, essa é a palavra que cabe perfeitamente. O professor é herói pelo amor com que ele se dedica a profissão, pela superação que ele demonstra, que deve inspirar os alunos, e na sua dedicação ao acolhimento, que é uma das coisas mais generosas e importantes que os professores dão para os alunos, não só os alunos das classes mais baixas, mas todos que tem às vezes pouco tempo com seus pais, com suas famílias, e sentem esse acolhimento, esse carinho, essa amizade do professor.

Violência

O aumento da violência não é um problema só das escolas ou das salas de aula, é um reflexo de um aumento da violência na sociedade e da falta de valores, da diminuição da ética, da amizade, do respeito, do amor à vida. E da própria falta de esperança, que leva uma grande massa de jovens e adolescentes para um caminho da violência, do ‘nada a perder’. Esse é um problema muito complexo, que só os professores não vão conseguir resolver. Mas acho que deve haver uma medida de emergência para proteger a integridade física dos professores, e também uma medida educativa, que extrapola a sala de aula, que possa tentar recuperar um pouco esses valores na nossa sociedade, em todas as idades, nos pais e nos filhos.

Solução

A solução da educação no Brasil é uma questão bem complexa, que precisa de muitas pessoas trabalhando sério, fazendo um programa abrangente de medidas para melhorar. Mas acho que um ponto fundamental é a destinação de mais verba para a educação, para a construção de escolas, para equipar as escolas, para pagar os professores e os funcionários. O Brasil tem muito dinheiro só que o dinheiro é desviado para outros caminhos, para falcatruas variadas, superfaturamento de obras, muitas outras coisas que dão mais dinheiro, mais margem para lucro dos políticos corruptos do que a educação. E na área da educação, a gente vê muitos escândalos absurdos também, até com a merenda escolar, entre outros. Então uma primeira medida seria corrigir esse absurdo e destinar muito mais recursos pra educação.

Go to Top