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O que fazer para melhorar a educação? O educador José Pacheco dá pistas

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Marcelle Souza, UOL

O educador José Pacheco defende uma escola sem salas de aula, divisão de turmas ou disciplinas, ou seja, pensa que o modelo atual de ensino precisa de mudanças profundas para dar certo. “A velha escola há de parir uma nova educação, mas as dores do parto serão intensas, enquanto a tecnocracia e a burocracia continuarem a invadir domínios onde deveria prevalecer a pedagogia”, diz o pesquisador.

Apesar de português, Pacheco conhece bem o Brasil e já visitou experiências educacionais em várias cidades do país. Ele diz que o Brasil possui excelentes professores e teóricos, e que uma mudança depende de autonomia e da dignidade de um diálogo horizontal e respeitoso entre escolas e poder público.

Sobre algumas das bandeiras mais defendidas pelos candidatos na campanha deste ano, Pacheco diz que não adianta aumentar o tempo na escola se a estrutura continua a mesma, o que ele chama de dose “dupla de tédio”, e que usar tablets na sala de aula não resolve os problemas da escola, eles “apenas contribuem para reforçar a mesmice”. Leia a seguir a entrevista com o educador, que acaba de lançar o livro “Crônicas Educação”.

UOL Educação – Alguns candidatos à presidência da República listam em seus planos de governo o incentivo ao uso de tecnologias da informação e da comunicação em sala de aula. Na sua opinião, qual deve ser o peso dessas ferramentas no dia a dia dos alunos?

José Pacheco - Com ou sem novas tecnologias, a escola precisa ser reinventada. Mas do modo como as novas tecnologias estão a ser introduzidas nas escolas, temo que se transformem em panaceias, que sirvam para congelar aulas em computadores, aulas que os alunos, acostumados ao imediatismo e à velocidade dessas tecnologias, acriticamente consumam, sem resquícios de cooperação com o aluno vizinho, dependentes de vínculos afetivos precários, estabelecidos com identidades virtuais. É comum verificar que a utilização de quadros interativos e o recurso a tablets, por exemplo, são considerados indicadores de qualidade, quando apenas contribuem para reforçar a mesmice.

UOL – Em seus planos de governo, os presidenciáveis destacam a ampliação do ensino em tempo integral. Qual é o impacto do aumento da permanência da criança na escola?

Pacheco – Um bom exemplo de iniciativa ministerial é o “Mais Educação”. Porém, a interpretação prática de uma proposta de elevado potencial redundou, em muitas escolas, na criação de “contraturnos” feitos de atividades desconexas, transformando o turno integral numa dose dupla de tédio. O impacto poderá ser positivo, se não se tratar apenas de “tempo integral”, mas de desenvolver educação integral em tempo integral. Não se aprende apenas no restrito tempo escolar de quatro horas diárias, ou adicionando horas de “contra-turno”. A aprendizagem acontece vinte e quatro horas de cada dia, nos trezentos e sessenta e cinco dias de cada ano. Deveremos aproveitar a iniciativa do “Mais Escola” para recuperar a ideia de vizinhança, de solidariedade, de fraternidade, de responsabilidade social.

UOL – Acaba de entrar em vigor no Brasil o novo PNE (Plano Nacional de Educação), com metas para a educação brasileira os próximos dez anos. Quais são os seus pontos negativos e positivos?

Pacheco - A par do reconhecimento de muitos dos seus méritos, deverei denunciar o fato de em nenhuma das suas propostas e conclusões haver indícios de uma ruptura de paradigma. O PNE deixa pressupor que o sistema educativo se manterá cativo do velho modelo epistemológico do século 19. Celebro o PNE como documento de macro política. Mas a melhoria da educação depende mais de pequenos gestos quotidianos, no chão das escolas.

UOL – Uma das principais metas do PNE é a destinação de 10% do PIB para a educação. Na sua opinião, mais dinheiro para a educação está relacionado ao aumento da qualidade do ensino?

Pacheco - É louvável essa iniciativa. Porém, a manter-se a prevalência do modelo epistemológico do século 19, de que enferma a maioria das escolas brasileiras, a destinação de 10% do PIB apenas dará aso a um maior desperdício de recursos.

UOL – Qual é a sua avaliação sobre a definição de uma base curricular nacional?

Pacheco - Seria útil rever currículos. As ditas “grades” de língua portuguesa, por exemplo, são amontoados de conteúdos inúteis. Para que serve decorar termos como “dígrafo”, ou expressões como “sujeito nulo subentendido”? O leitor saberá o que são “plantas epífitas”, ou em que consiste um “ato elocutório diretivo”? Nem eu! Mas os alunos são receptáculos de uma acumulação cognitiva, que nem mil horas de “carga” poderiam contemplar. Quando aluno, fiz decoreba dos afluentes da margem esquerda de rios africanos e outras lengalengas que me ocupam a memória de longo prazo e que não me fizeram mais sábio nem mais feliz.

UOL – Um dos entraves da educação básica hoje é ensino médio, fase em que muitos jovens deixam a escola. Alguns candidatos à presidência defendem a reformulação do ensino médio. O que precisa mudar na sua opinião?

Pacheco - Na minha opinião, não é somente o ensino médio que precisa mudar. Predomina nas escolas uma cultura que assente no individualismo, na competição desenfreada, na ausência de trabalho em equipe, na ausência de verdadeiros projetos. Nas decisões de política educativa, prevalece o discurso de economistas, engenheiros, técnicos de informática, jornalistas, gestores, diretores de marketing, ex-ministros, empresários, tudo gente de boa vontade, mas desprovida de conhecimento pedagógico. Talvez devamos apelar ao bom senso dos candidatos e dos titulares do poder público, pedir-lhes que estejam atentos a excelentes práticas que muitos educadores brasileiros vêm produzindo, sem importação de modas pedagógicas, e que são o contraponto da construção social “escola”, que a modernidade nos deixou como herança. A velha escola há de parir uma nova educação, mas as dores do parto serão intensas, enquanto a tecnocracia e a burocracia continuarem a invadir domínios onde deveria prevalecer a pedagogia.

UOL – Você acha que dar um auxílio financeiro (bolsa) ou oferecer o ensino médio aliado à capacitação profissional são saídas para reduzir o abandono nessa fase?

Pacheco – Duvido que essas medidas logrem grandes mudanças. O meu conhecimento da educação é parco, mas suficiente para poder afirmar que há motivos para ser esperançoso. Não tanto pelos progressos na política educativa, que continua sendo desastrosa, mas pelos projetos que, por toda a parte, vejo surgir. O Brasil tem excelentes professores e os melhores teóricos do mundo. O drama educacional brasileiro poderá sintetizar-se numa frase: jovens do século 21 são ensinados por professores do século 20, com recurso a práticas do século 19, em práticas desprovidas de fundamentação científica. A lei brasileira permite ultrapassar esta situação. Estou a falar de autonomia, da dignidade de um diálogo horizontal, respeitoso entre escolas e poder público. Temos razões para acreditar que a educação do Brasil pode melhorar.

Balança, mas cai pouco: vivendo a maior crise da sua história USP ainda é a melhor do Brasil

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Apesar dos problemas, universidade mantém colocação mais alta em rankings internacionais
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Publicado no R7

Comemorando 80 anos de existência em 2014, a USP (Universidade de São Paulo) faz esforço para superar a maior crise de sua história.

A insituição correu contra o tempo para viabilizar a retomada das atividades acadêmicas no segundo semestre. As aulas ficaram paralisadas mais de 116 dias em decorrência de uma greve de funcionários.

No primeiro semestre, 105% do orçamento mensal da instituição foi comprometido com a folha de pagamento. De janeiro a junho deste ano, a USP gastou R$ 2,27 bilhões com salários, benefícios e provisão de 13º e férias a seus servidores.

Os recursos repassados pelo Estado à universidade no mesmo período atingiram apenas R$ 2,15 bilhões.

Como a conta não fecha, ações para diminuir os gastos estão sendo anunciadas. Entre elas a transferência do HU (Hospital Universitário)e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho, de Bauru, para a Secretaria Estadual de Saúde, o que o governador Geraldo Alckmin disse não aceitar.

O Conselho Universitário da USP — órgão máximo da instituição — aprovou a criação de um PDV (plano de demissão voluntária), que prevê a aposentadoria antecipada de cerca de 1.800 funcionários. Mesmo assim, o reajuste de 5,2% para professores e funcionários, eleva a previsão da reitoria para os gostos para R$ 1,15 bilhão além do que ela recebe de verbas até dezembro deste ano.

Outro problema sério são os gastos com benefícios, que aumentaram 305% nos últimos cinco anos segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo. Em 2009, o auxílio–alimentação oferecido aos 23 mil servidores da universidade equivalia a R$ 400 mensais; cinco anos depois, o valor chega a R$ 690. Já o vale-alimentação era de R$ 15 diários e hoje equivale a R$ 29 ao dia (aumento de 93%).

Outra medida para superar a crise financeira é a venda imóveis. O reitor disse que pretende arrecadar R$ 50 milhões com a venda de terrenos e salas comerciais adquiridas na gestão anterior.

Rankings

Os sérios problemas de gestão não desbancaram a instituição dos postos de melhor do Brasil e da América Latina, segundo o ranking da publicação britânica QS (Quacquarelli Symonds), que elenca as melhores universidades do mundo, divulgado no último dia 15.

Na sua última edição do QS, a USP ficou entre as 150 melhores universidades do mundo, assumindo a 132º posição — a universidade chegou a ocupar o 127º lugar em 2013. A USP caiu, mas é a única brasileira no ranking das melhores universidades do mundo.

A liderança da insituição se mantém em outras listas. Ela é a única brasileira no top 100 do ranking THE (Times Higher Education). Tem cinco estrelas em 96 de 119 de seus cursos avaliados pelo Guia do Estudante e ficou em primeiro lugar no RUF (Ranking Universitário Folha), elaborado e divulgado pelo jornal Folha de São Paulo no início do mês de setembro.

O que explica?

O R7 procurou especialistas para explicar como são feitas as considerações para a elaboração dos rankings e os motivos pelos quais a USP se continua entre as melhores instituições.

Segundo o professor de didática da Faculdade Ciências e Letras da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Edson do Carmo Inforsato, os rankings universitários internacionais e nacionais fazem considerações diferentes.

— Nos rankings internacionais, as instituições de ensino superior são basicamente classificadas em termos da produção de pesquisas científicas e do seu nível de internacionalização pensando no número de alunos que fazem intercâmbio, explica.

As listas estrangeiras também levam em conta o número de pesquisas de impacto realizadas pelas universidades e publicadas em revistas científicas. Além disso, o número de citações dos nomes dos pesquisadores da instituição em outros estudos também é relevante.

— Já as listas brasileiras envolvem parâmetros relacionados ao número de cursos da universidade, ao número de pessoas que ela forma todos os anos e à relação desse número com os ingressos no mercado de trabalho, explica o professor da Unesp.

Segundo Inforsato, por ser a primeira e maior universidade criada no Brasil e a primeira instituição a oferecer cursos de pós-graduação no País, a USP “sempre foi a campeão em captar recursos provenientes da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo] e do ICMS (Imposto sobre Operações de Circulação de Mercadorias, Prestações de Serviços de Transporte de Comunicação)”.

Ao todo, a USP registra 26, 7 mil pesquisas e 1,4 mil prêmios nacionais e internacionais ganhos por professores.

— O Brasil hoje produz cerca de 15% das publicações científicas mundiais. Desses 15%, os estudos da USP abrangem mais da metade.

— Vale destacar que a Universidade de São Paulo arrecada quase 5% do total de quase 10% Do ICMS repassados às três estaduais paulistas [USP, Unesp e Unicamp], completa o professor.

Proporção e excelência

Dados de 2012 (os últimos divulgados pela reitoria) mostram que a universidade conta hoje com 92 mil alunos matriculados em cursos de graduação, mestrado e doutorado; 16, 8 mil funcionários técnico-administrativos e quase 6 mil docentes. A média é de um funcionário técnico para cada cinco alunos — proporção mantida em universidade de países desenvolvidos, segundo especialistas.

Para Carmem Lúcia Bragança, sócia da Diálogo Consultoria em Educação, o tamanho da universidade e a proporção de seu corpo docente com relação ao número de alunos são fatores fundamentais para a qualidade do ensino medida pelos rankings.

— Acho que a USP já esteve melhor com relação a isso. Hoje, existem na universidade salas com 100 alunos. É óbvio que essa proporção interfere no processo de ensino aprendizagem, pontua.

Carmem analisa ainda que “apesar de todas as interferências de políticas, a USP consegue manter uma histórica tradição de pesquisa que é uma referência para o Brasil”.

Ela ressalta como produção científica de ponta da universidade as áreas de biomedicina e ciências naturais.

— A USP se destaca em estudos sobre o genoma, por exemplo. Além disso, observo uma postura da universidade em prol da ampliação de recursos de comunicação digital, o que ajuda a manter boas iniciativas, finaliza a consultora.

Estudantes recebem presentes do “casamento” das prefeituras

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Estudantes recebem presentes do "casamento" das prefeituras

(foto: Jaelson Lucas/SMCS)

Publicado no Bem Paraná

Um dos primeiros presentes do “casamento” das prefeituras de Curitiba e do Rio de Janeiro foi entregue na tarde desta sexta-feira (26) e quem o recebeu foram professores e estudantes da Escola Municipal CEI Heitor de Alencar Furtado, no bairro Cidade Industrial. O grupo recebeu como presente 100 livros de educação no trânsito e curso de capacitação para os professores, ofertados pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR-PR).

Oferecer o material à escola foi a forma encontrada pela ABCR para participar da brincadeira da união das duas administrações, que começou no Facebook, no perfil das prefeituras, e se espalhou por diferentes cidades, com a participação de empresas e instituições oferecendo presentes para Curitiba.

Além de presentear a cidade, por meio da escola, a associação ofereceu mais 500 livros para prefeituras do interior do estado que serão “madrinhas do casamento”. “Aderimos a essa ação muito bem humorada que além de promover a integração das cidades mostrou-se uma boa oportunidade para divulgarmos as ações que realizamos pelo Bem na Estrada, o espaço onde divulgamos as ações sociais desenvolvidas pelas concessionárias”, disse o diretor regional da ABCR, João Chiminazzo.

Na escola o material foi recebido com festa, em especial pelas crianças que adoraram os livros que transformam o conteúdo da educação para o trânsito em uma atividade dinâmica e prazerosa. “São histórias importantes que nos ajudam a ter o comportamento necessário como pedestre e futuros motoristas”, disse Gabriel Luanh Cabral Matias, de 11 anos e aluno do 5º ano do ensino fundamental.

Os livros entregues às crianças pertencem a uma coleção didática produzida pela editora Tecnodata que orienta e conscientiza os futuros motoristas. A diretora da escola, Luciane Gogola Kmiecik, comemorou o presente recebido e que permitirá ampliar as ações já realizadas de educação para o trânsito, dentro das diretrizes curriculares, com os 542 estudantes da escola. “A brincadeira do casamento já estava interessante, com o presente oferecido aos nossos alunos professores ficou ainda melhor”, disse Luciane.

Outros presentes de casamento oferecidos a Curitiba também privilegiaram a educação. O Shopping Estação e o Teatro Dr. Botica ofereceram 60 ingressos de teatro para crianças da rede e o teatro Regina Vogue outros 50 ingresso. O Shopping São José deu de presente outros 50 ingressos de cinema para crianças.

O presente da Tintas Coral será uma ação de grafitagem no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Servidores enquanto a empresa SOLS fará o despiche dos CMEIs Arnaldo Carnacialli e Itacolomi. O Grupo de Escoteiro do Mar, Amigo Velho 16 PR também ofereceu uma ação de despiche que será realizada em cinco unidades de ensino da rede.

A trincheira que liga a Travessa Nestor de Castro e a Alameda Augusto Stellfeld, na região central da cidade, também receberá ação de grafitagem em homenagem ao “casamento”.

Acompanharam a entrega dos kits na escola o gerente da Ecovia, Marcelo Belão e o diretor da Tecnodata Educacional, Celso Alves Mariano.

Sangue

O “casamento” também terá um dia de incentivo à doação de sangue. Será neste sábado (27), com doações em Curitiba e também no Rio de Janeiro. Estimativas de organizações de saúde apontam que, no Brasil, a cada dois minutos uma pessoa necessita receber sangue. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 1,7 % da população brasileira é doadora, enquanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que o índice de doadores de sangue em um país deve ser de pelo menos 5% de sua população. Devido ao alcance da campanha, foram ampliados os locais para doação em Curitiba.

Onde doar sangue:

Curitiba

Hemobanco, na Rua Capitão Souza Franco, 290 – Bigorrilho – das 8h às 16h

Biobanco (Banco de Sangue do Hospital de Clínicas da UFPR) – Av. Agostinho Leão Júnior, 108 – das 7h30 às 12h

Instituto de Hematologia e Hemoterapia de Curitiba (Banco de Sangue do Hospital Santa Casa) – Praça Rui Barbosa, 694 – das 8h às 12h

Hemepar – Travessa João Prosdócimo, 145 – das 8h às 18h

Rio de Janeiro

Hemorio – Rua Frei Caneca, 8 – das 7h às 18h

‘Precisamos interferir no processo de alfabetização’, diz ministro

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Alfabetização
FLÁVIA FOREQUE, Folha de S.Paulo

Para o ministro Henrique Paim (Educação), o resultado da ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização) indica a necessidade de o governo federal “interferir no processo de alfabetização”.

Aplicada pela primeira vez no ano passado, a prova mediu o nível de conhecimento de 2,3 milhões de alunos do 3º ano da rede pública. Foi a primeira vez que um exame nacional foi aplicado às crianças nessa etapa do ensino.

Até então, dados sobre essa fase eram analisados por meio da Prova ABC, exame do movimento Todos pela Educação cuja aplicação era amostral. Além disso, o IBGE coleta dados sobre o tema: segundo o Censo 2010, 15,2% das crianças não estão alfabetizadas aos 8 anos.

“A partir dos dados da ANA as escolas, as secretarias estaduais e municipais de educação vão aperfeiçoar esse trabalho, junto às redes, fazendo com que tenhamos melhores resultados”, disse o ministro em entrevista à Folha, nesta quinta-feira (25).

Desde a semana passada, cerca de 55,8 mil escolas já podem visualizar os resultados em sistema online, ao qual a reportagem teve acesso.

Paim destacou que ações para aperfeiçoar o ensino vêm sendo adotadas por meio do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, lançado pela presidente Dilma Rousseff em 2012. Por meio dele, 314,4 mil professores alfabetizadores estão em formação, com participação de 38 universidades públicas.

“O MEC tem que apoiar os estados e municípios, as escolas, os alfabetizadores, para que eles possam melhorar esses resultados ao longo dos próximos anos”, disse o ministro.

“Agora eu consigo identificar a escola e consigo identificar quais os sistemas que estão mais frágeis, que precisam de mais apoio. vamos fazer com que esses Estados que tenham mais dificuldade recebam atenção especial do MEC”, completou.

DIAGNÓSTICO

Para Chico Soares, presidente do Inep (órgão do MEC responsável pela realização da prova), uma qualidade da ANA é permitir identificar que unidades têm experiências bem-sucedidas.

Ao receber seu boletim, uma determinada escola pode ver o desempenho de unidades similares, que atendem alunos de perfil socioeconômico semelhante.

“O mais importante para nós é descobrir escolas que atendem esses alunos [de menor nível socioeconômico] e que estão dando certo. (…) Essa informação é a que vamos utilizar: vamos dar escala para iniciativas que estão dando certo”, afirmou.

Estudantes são barradas em baile da escola por vestido ‘mostrar demais’

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Alunas de escola de Utah (EUA) dizem terem passado constrangimento.
Roupa não pode mostrar coxas nem as costas, segundo código do colégio.

Tayler Gillespie, de 17 anos, não pode entrar no baile com seu vestido azul porque ele deixava metade das coxas à mostra (Foto: Veronica Pehrson/AP)

Tayler Gillespie, de 17 anos, não pode entrar no baile com seu vestido azul porque ele deixava metade das coxas à mostra (Foto: Veronica Pehrson/AP)

Publicado por G1

Alunas de uma escola do ensino médio de South Jordan, no estado de Utah, nos Estados Unidos, dizem terem sofrido constragimento ao serem barradas em um baile da instituição por causa do vestido que usavam. Estudantes fizeram greve e vários pais mandaram cartas para o distrito escolar reclamando da decisão do colégio.

As alunas iriam dançar no baile da escola no último sábado (20). Chad Pehrson disse que sua filha de 17 anos foi uma das dezenas de alunas da Bingham High School que foram chamadas de lado e impedidas de entrar sob a alegação de que seu vestido era muito curto.

Estudantes com vestidos sem alças puderam entrar, mas alunas que usavam roupas com decotes nas costas, mesmo que cobrissem todo o corpo até o pescoço na parte da frente, foram barradas.

“Minha filha levou quatro horas se arrumando para o baile. Depois foi impedida de entrar, foi decepcionante”, disse o pai de Taylor Gillespie, que colocou um vestido com babado azul.

Abbey Johnson, de 15 anos, teve de usar uma camiseta regata por baixo do vestido porque a peça deixava à mostra as suas costas (Foto: Shannon Johnson/AP)

Abbey Johnson, de 15 anos, teve de usar uma camiseta regata por baixo do vestido porque a peça deixava à mostra as suas costas (Foto: Shannon Johnson/AP)

O diretor da escola, Chris Richards-Khong, disse ao jornal The Salt Lake Tribune que os alunos foram avisados ​​sobre as políticas de vestimenta com antecedência. Segundo ele, o código de vestimenta da escola diz que nas festas a bainha das saias ou vestido não podem deixar metade da coxa à mostra quando a estudante está sentada. Além disso, a roupa deve cobrir o peito e as costas.

Abbey Johnson, estudante de 15 anos, usava um vestido preto que batia um pouco acima dos joelhos e apresentava um decote alto, mangas de renda que iam até os cotovelos e as costas estavam parciamelmente cobertas por renda. Também foi barrada.

Para entrar, Abbey precisou colocar uma camiseta regata por baixo do vestido. “Me senti muito envergonhada, eu e outras meninas”, reclamou a adolescente.

Para permitir que as alunas pudessem entrar na festa, outros estudantes e até funcionários da escola emprestaram paletós, echarpes e outros panos que pudessem cobrir o que era impróprio, segundo as regras da escola. Vários alunos receberam um bilhete de advertência por terem violado o “código de vestimenta” da instituição.

A polêmica do Photoshop

No início do ano, outra escola do estado de Utah se envolveu em uma polêmica sobre as roupas das alunas ao cobrir com photoshop as fotos do anuário onde as estudantes apareciam com os ombros à mostra. A escola teve de pedir desculpas.

Escola criou polêmica ao esconder decotes de alunas em anuário (Foto: Reprodução/YouTube/NewsBreaker)

Escola criou polêmica ao esconder decotes de alunas em anuário (Foto: Reprodução/YouTube/NewsBreaker)

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