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Fiquei em estado de choque, diz Ana Maria Machado sobre polêmica com livro

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A escritora Ana Maria Machado (Bel Pedrosa/Claudia/Dedoc)

Livro da escritora e membro da Academia Brasileira de Letras escrito em 1983 foi acusado nas redes sociais de incitar o suicídio infantil

Fabiana Futema, na Veja

A escritora Ana Maria Machado, membro da Academia Brasileira de Letras, foi arrastada sem querer para uma polêmica criada em grupos de pais de WhatsApp. No fim da semana passada, pais começaram a compartilhar em suas redes alertas contra o livro O menino que espiava pra dentro, publicado em 1983.

A partir de uma leitura superficial de uma das páginas da publicação, alguns entenderam que o livro incitava o suicídio infantil. Foi o que bastou para a ameaça se espalhar, obrigando a editora do livro a publicar uma explicação sobre o livro.

O menino que espiava pra dentro, de Ana Maria Machado (//Divulgação)

“Fiquei meio em estado de choque, não podia acreditar que eu estava sendo alvo de tanta hostilidade, tanta raiva , do nada, sem ter feito nada para merecer”, disse ela ao blog.

O menino que espiava pra dentro, de Ana Maria Machado (//Divulgação)

Veja abaixo o que escritora disse ao blog sobre a polêmica:

Como você ficou sabendo que seu livro estava sendo alvo de protestos nas redes sociais?

Eu soube ainda no corredor de um avião, numa escala em Brasília, de um voo de horas, que vinha de Santarém via Manaus, voltando de um encontro com professores patrocinado pela universidade local. Entre saltar de um avião e correr para outro que estava encerrando o embarque, às oito da noite, recebi um telefonema de meu filho e um e-mail da editora, contando o que estava acontecendo com essas mensagens viralizando nas redes sociais. No primeiro momento, não pude avaliar a extensão, só fiquei incrédula. Tarde da noite, ao chegar em casa no Rio, verifiquei quanto aquilo tinha se espalhado.

Como você se sentiu ao ser arrastada para essa discussão?

Fiquei meio em estado de choque, não podia acreditar que eu estava sendo alvo de tanta hostilidade, tanta raiva, do nada, sem ter feito nada para merecer.

A que atribui essa interpretação equivocada do livro? Falta repertório e leitura às pessoas ou vivemos um tempo de excesso de patrulha?

Talvez seja um sintoma destes tempos de polarização exacerbada que estamos vivendo. Já escrevi todo um romance (para adultos) sobre isso, o premiado Infâmia. É uma época de denúncias levianas e de irresponsabilidade, que está fazendo muito mal ao país como um todo. Vivemos um momento em que há uma perigosa mistura de ódios, intolerância, fanatismo e superficialidade, em que falta diálogo e desacostumamos de ouvir os outros.

O que a sociedade pode fazer para evitar que obras literárias passem por esse tipo de patrulha?

Vários professores e críticos literários tentaram analisar isso, a partir deste episódio. Concordo muito com um que falou de um momento autoritário em que andam querendo controlar até a imaginação. Outro que fez uma ótima reflexão foi o escritor mineiro Leo Cunha, que diz que interpretações enviesadas geralmente não são fruto de má fé ou implicância, mas resultam, ‘quase sempre, da falta de traquejo coma leitura literária, com as metáforas, com o universo simbólico que é próprio da arte e da literatura. Falta ler mais, ler obras mais variadas, ampliar a bagagem cultural.’

Para entender Caio Fernando Abreu: confira livros, filmes e peças sobre o poeta gaúcho

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Obras de outros autores ajudam a entender a figura de um dos escritores mais populares do Brasil até hoje, data em que completaria 70 anos

Publicado na Gaúcha ZH

Extensa e muito rica, a obra de Caio Fernando Abreu, que completaria 70 anos nesta quarta-feira (12), reúne um vasto número de contos, romances, novelas e peças, que versam sobre temas tão diversos como sexo, relações amorosas, política, psicologia, movimentos contraculturais e a própria trivialidade da rotina. Porém, o tamanho do autor nascido em Santiago, no interior do Rio Grande do Sul, faz com que haja muito mais sobre Caio Fernando Abreu do que compõe seus livros.

A vida e a obra do autor gaúcho, um dos mais populares do Brasil até hoje, rende uma produção contínua e crescente de peças, discos, filmes, documentários, biografias, espetáculos, fotografias e livros que se relacionam à sua figura. Com a ajuda de quem estuda e consome Caio Fernando Abreu, reunimos uma série de obras que ajudam a entender o autor além de sua produção.

Literatura

O livro mais relevante sobre Caio Fernando Abreu é Para sempre teu, Caio F., lançado em 2009 por Paula Dip, escritora e amiga pessoal de Caio – na obra, a autora reúne cartas, bilhetes e particularidades que dividiu com o escritor, além de depoimentos de pessoas importantes na vida de Caio, como Cazuza, Ney Matogrosso, entre outros. Há ainda Caio Fernando Abreu: Inventário de um Escritor Irremediável, lançada no ano anterior por Jeanne Callegari, que usa técnicas de reportagem para cobrir a vida do escritor até sua morte.

Outra obra importante para conhecer mais sobre a personalidade do escritor gaúcho foi lançada em 2016, também por Paula Dip: Numa hora assim escura, a paixão literária de Caio F. e Hilda Hilst reúne correspondências inéditas trocadas entre a poeta paulista – uma das grandes influências literárias de Caio – e o autor gaúcho entre 1971 e 1991.

Há obras, no entanto, que revelam outras facetas de Caio: 360 Graus – Inventário Astrológico de Caio Fernando Abreu, lançado em 2011 pela astróloga Amanda Costa, traça um paralelo entre o campo astrológico e as tramas do autor, um apaixonado pelo misticismo. Já em Caio Fernando Abreu e o Cinema: O Eterno Inquilino da Sala Escura, o cineasta gaúcho Fabiano de Souza traça as relações entre o escritor e a sétima arte, área que também era de sua adoração.

– Nas aulas de literatura que dava, Caio sempre sugeria que seus alunos imaginassem como queriam que as cenas que estavam escrevendo fossem filmadas: em qual enquadramento, com qual movimento, sob que ponto de vista. Apesar de nunca ter feito filmes, ele achava que a imagem da câmera sobre os personagens ajudava a montar uma cena – conta a escritora Paula Dip.

Cinema

O cinema era não só uma paixão de Caio, mas uma influência. Não à toa, muitas de suas obras geraram produções audiovisuais. Em 2016, um evento intitulado Semana Caio Mon Amour, com curadoria de Paula Dip, reuniu uma série de obras relacionadas ao escritor – entre os filmes, uma série de curtas foram exibidos: Dama da Noite (1999), de Mario Diamante; Pela Passagem de Uma Grande Dor (2006), de Bruno Polidoro; Linda, Uma História Horrível (2013), de Bruno Gularte Barreto e Bruno Polidoro; Para Sempre Teu, Caio F. (2014), de Candé Salles e Onde Andará Dulce Veiga (2008), de Guilherme de Almeida Prado.

Outro curta baseado em obra de Caio bastante respeitado é A Visita, com direção de Gilberto Perin, que foi exibido como atração do programa Curtas Gaúchos, da RBS TV.

Mas uma das obras cinematográficas mais relevantes relacionadas a Caio Fernando Abreu, no entanto, é Sobre Sete Ondas Espumantes (2013), documentário de Bruno Polidoro que usa trechos de obras e depoimentos de pessoas relacionadas ao escritor para mostrar lugares que fizeram parte de sua produção literária.


Teatro

Para comemorar os 70 anos de nascimento do autor, uma das peças mais conhecidas entre as baseadas na obra de Caio terá montagem no prédio 40 da PUCRS: Caio do Céu, montagem da Cia. de Solos & Bem Acompanhados, estrelada por Deborah Finocchiaro, parte de textos, cartas e entrevistas do autor para reconstruir dramaticamente o seu universo criativo.

Há outras peças, baseadas ou inspiradas em textos do autor, que se tornaram referência entre os fãs do gaúcho de Santiago: a performance Dama da Noite, de Gilberto Gawronski; o espetáculo de dança Graxa, com Diogo Granato e Henrique Lima; e a peça O Homem e a Mancha: Releitura Drama Multimídia, de Marcos Breda e Luis Artur Nunes, foram exemplos recentes de homenagens a Caio Fernando Abreu que ganharam montagens.


Música

Não é raro encontrar referências a músicas, discos e cantores (normalmente, cantoras) nos textos de Caio Fernando Abreu. Adorador da MPB, citou Angela Rô-Rô como trilha sonora obrigatória para o conto Os Sobreviventes, por exemplo. Com base em trechos de suas obras e em passagens de cartas ou de biografias, o fã Elder Ferreira criou uma playlist de músicas relacionadas a Caio Fernando Abreu, com direito a Cazuza, Marina, Cida Moreira e Caetano Veloso.

ABL frustra expectativas de campanha por Conceição Evaristo e elege Cacá Diegues como novo imortal

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A escritora Conceição Evaristo. Joyce Fonseca Divulgação

Escritora de Belo Horizonte recebeu apenas um voto, apesar da campanha feita por movimentos negros e feministas. Cineasta vai ocupar a cadeira de número 7, vaga desde abril deste ano

Felipe Betim, no El País

A Academia Brasileira de Letras (ABL) escolheu na tarde desta quinta-feira o cineasta Cacá Diegues, de 78 anos, para ocupar a cadeira de número 7 da instituição, vaga desde abril deste ano com a morte do também cineasta Nelson Pereira dos Santos. A entidade literária, fundada em 1897 no Rio de Janeiro com o objetivo de cultivar a língua portuguesa e a literatura brasileira, frustrou a expectativa daqueles que esperavam que a escolhida fosse a escritora Conceição Evaristo. Negra e nascida em uma comunidade de Belo Horizonte há 71 anos, sua candidatura foi impulsionada por movimentos negros e feministas que buscam uma maior representatividade dentro da ABL, composta por 40 membros efetivos e perpétuos que são, em sua maioria, homens e brancos.

A mobilização em torno de Evaristo começou quando a jornalista Flávia Oliveira lançou a ideia na coluna de Anselmo Gois, no jornal O Globo. “Eu voto em Nei Lopes ou Martinho da Vila. Sem falar na Conceição Evaristo. ‘Tá’ faltando preto na Casa de Machado de Assis”, disse em abril. Uma petição na Internet chegou a reunir mais de 25.000 assinaturas e a hashtag #ConceiçãoEvaristoNaABL foi criada, fazendo com que a escritora finalmente formalizasse a sua candidatura, no dia 18 de junho. “Assinalo o meu desejo e minha disposição de diálogo e espero por essa oportunidade”, dizia um trecho do documento entregue. Apesar de toda essa campanha, ela recebeu apenas um dos 35 votos. Diegues recebeu 22, enquanto que o editor e colecionador carioca Pedro Aranha Corrêa do Lago, de 60 anos, ficou com 11. A eleição é secreta. Ao todo, havia 11 candidatos.

Diegues é um cineasta reconhecido internacionalmente e um dos fundadores, junto com Glauber Rocha, do Cinema Novo, movimento que nasceu nos anos 60 com o objetivo de discutir as questões brasileiras consideradas urgentes, como a desigualdade social.

Já Evaristo tem dois romances publicados, sendo o principal deles Ponciá Vicêncio (2003), um livro de poema e três de contos, além de ter tido sua obra publicada em dezenas de antologias. Olhos D’Água” recebeu o Prêmio Jabuti em 2015 como melhor obra de contos. A autora é conhecida por abordar sobretudo temas relacionados ao racismo, gênero e classe. Ela é também mestra em literatura brasileira pela PUC-Rio e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Sua eleição, ainda que improvável (Diegues e Corrêa do Lago sempre foram considerados os favoritos), despertava expectativas, segundo disse nesta quinta Cristina Warth, diretora da Pallas Editora, que publica as obras de Evaristo. “Sem dúvida ela é o melhor nome entre os que estão concorrendo. Com uma obra literária consistente, é reconhecida nacional e internacionalmente como uma grande escritora da literatura contemporânea”, explicou ao EL PAÍS. “Está mais do que na hora de uma autora negra e mulher fazer parte do grupo de acadêmicos da ABL, especialmente para ocupar a cadeira que tem como patrono Castro Alves, autor de fundamentais textos sobre a condição do negro escravizado no Brasil. Este é o momento de se reconhecer Conceição Evaristo como um dos cânones da literatura de língua portuguesa, para além da sua condição de autora negra”, completou. A escritora ainda não se manifestou.

Netflix fecha acordo para adaptar catorze livros de Harlan Coben

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O escritor Harlan Coben participa de evento em Cannes, na França – 07/04/2018 (Pascal Le Segretain/Getty Images)

 

Contrato prevê que futuros projetos do escritor também poderão virar produções da plataforma

Publicado na Veja

A Netflix fechou um grande acordo com o escritor americano Harlan Coben, autor de livros policiais como Refúgio e Fique Comigo. Segundo o site da revista The Hollywood Reporter, o serviço de streaming vai adaptar catorze de seus romances para séries e filmes, que serão distribuídos no mundo todo. O acordo também prevê que futuros projetos do escritor também poderão virar produções da plataforma.

Coben atuará como produtor executivo de todos os projetos. A parceria entre a Netflix e o autor se dá poucos meses depois que o serviço de streaming lançou Safe, série criada e produzida pelo americano, estrelada por Michael C. Hall, de Dexter.

Coben é autor de trinta livros, publicados em 43 idiomas, com tiragem de mais de 70 milhões de exemplares pelo mundo. No Brasil, a obra do escritor é publicada pela editora Arqueiro.

Livros inéditos de C. S. Lewis, autor de ‘As crônicas de Nárnia’, serão lançados no Brasil

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Anselmo Goes em O Globo

Três livros inéditos por aqui do britânico C. S. Lewis (1898-1963), o autor do best-seller “As crônicas de Nárnia”, serão lançados pela Thomas Nelson Brasil até outubro.

‘Sobe histórias’, de C. S. Lewis | Reprodução

Em “Sobre histórias”, ele faz uma análise das duas principais obras de J. R. R. Tolkien (1892-1973), “O Hobbit” e “O senhor dos anéis”. Já em “A última noite do mundo”, o autor lida com a questão da volta de Cristo e propõe uma nova perspectiva para elucidar o debate.

Em “Deus no banco dos réus”, Lewis se volta tanto para questões teológicas quanto para questões éticas.

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