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George R.R. Martin escreve carta emocionante em homenagem a Stan Lee

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Quadrinista faleceu aos 95 anos, na última segunda-feira

Mariana Canhisares, Omelete

O autor George R.R. Martin usou o seu blog pessoal para escrever uma carta emocionante em homenagem a Stan Lee, lenda dos quadrinhos que faleceu na última segunda-feira (12). No texto, Martin lembra do impacto que o trabalho de Lee teve na sua vida, citando-o como uma das primeiras e grandes influências. O escritor ainda destaca a importância dele no universo dos quadrinhos, tratando-o como uma figura revolucionária nesta mídia.

Confira um trecho a seguir:

“Devo tanto a Stan Lee. Ele foi, em certo sentido, meu primeiro editor. ‘Caros Stan e Jack’. Essas foram as minhas primeiras palavras impressas. Na coluna de cartas de Quarteto Fantástico #20. Meu primeiro texto publicado, um comentário sobre a edição 17, comparando Stan a… hum… Shakespeare. Um exagero, você diria? Bem, ok. Eu tinha 13 anos…

Mas, ainda assim, se você pensar na comparação, ela tem algum mérito. Existiam peças antes de Shakespeare, mas o trabalho do Bardo revolucionou o teatro, deixando-o profundamente diferente do que fora até então. E Stan Lee fez o mesmo para os quadrinhos. Li HQs durante toda a minha infância, mas no final dos anos 1950 comecei a me afastar delas. Estava comprando cada vez menos ‘livros engraçados’ (como os chamávamos, na época) e mais livros de ficção científica e fantasia. Os quadrinhos da DC Comics que dominavam as prateleiras tornaram-se estereotipados e cansados, não mantinham mais meu interesse como quando eu era menor. Estava ‘superando’ os quadrinhos.

E então Stan Lee apareceu e me trouxe de volta. A primeira edição de Quarteto Fantástico que por acaso peguei (foi a #4, em que o quarteto encontra Namor) prendeu minha atenção de um jeito que não acontecia há anos. Pouco depois, veio o Homem-Aranha. E, então, o resto, um por um, em um período surpreendemente curto. O Hulk. Thor. Homem de Ferro. Homem-Formiga (e a incrível Vespa). Os X-Men. Os Vingadores. Wonder Man (que morreu na mesma edição que foi introduzido). Pantera Negra. Os Inumanos. Galactus e o Surfista Prateado. E os vilões… Dr. Destino, Dr. Octupus, Abutre, Homem-Areia, Mysterio, Loki… e a lista só continua. (Não falaremos do Ardiloso, isso é uma homenagem).

Esses personagens tinham personalidade. Peculiaridades, falhas, temperamentos. Os heróis não eram inteiramente bons, os vilões não eram completamente ruins. Os personagens cresciam e mudavam… Lá na DC, Superman e Lois Lane estavam presos no mesmo relacionamento há décadas, mas Peter Parker trocava de namoradas como um verdadeiro adolescente, ele se formou no Ensino Médop e foi para a faculdade, as pessoas podiam e de fato morriam.

Você tinha que estar lá para compreender o quão revolucionário foi isso. Os quadrinhos como conhecemos hoje não existiriam não fosse por Stan Lee. Eles poderiam nem sequer existir, verdade seja dita.

Não, claro, ele não fez tudo sozinho. Os artistas geniais da Marvel, especialmente Jack Kirby e Steve Ditko, nunca devem ser minimizados. Eles foram uma parte enorme da Marvel também. Mas Lee estava no centro de tudo.

[…] Você fez um bom trabalho. Enquanto as pessoas ainda lerem quadrinhos e acreditarem em heróis, seus personagens serão lembrados. Muito obrigado”.

Stanley Martin Lieber nasceu em 28 de dezembro de 1922 em Nova York. Mais conhecido pelo apelido Stan Lee, o roteirista e empresário foi um dos mais notáveis criadores de histórias em quadrinhos do mercado, sendo corresponsável por grandes super-heróis e vilões da Marvel Comics, como o Homem-Aranha, X-Men, Quarteto Fantástico, Os Vingadores, Incrível Hulk, Demolidor e O Poderoso Thor

A pista mais falsa de Agatha Christie

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INVENTIVA A escritora britânica Agatha Christie em 1949: ela se inspirou em romances de mistério de Charles Dickens para criar os detetives Hercule Poirot e Miss Marple (Crédito: Popperfoto/Getty Images)

Biografia da rainha do crime explica de onde uma dona de casa tirou a imaginação macabra para se tornar a escritora mais vendida da história — e decifra o enigma de sua desaparição

Luis Antonio Giron, na IstoÉ

É raro decifrar o segredo de um gênio. Para explicá-lo, especialistas revolvem as origens familiares e a formação do indivíduo especial. No caso da escritora inglesa Agatha Christie (1890-1976), nada parece indicar que se tornaria a senhora do romance de detetive e a maior vendedora de livros da história, ao lado do dramaturgo William Shakespeare. Agatha, como Shakespeare vendeu 2 bilhões de exemplares desde que publicou o primeiro romance policial, “O Misterioso Caso de Styles”, em 1920, protagonizado por seu herói mais célebre, o detetive Hercule Poirot, com sua cabeça de ovo, bigodes encerados e alta capacidade cognitiva. A criadora de mistérios saborosos não passava de uma dona de casa conservadora amante da vida serena, especialmente da jardinagem e da gastronomia. Descobrir de onde ela tirou a imaginação a um só tempo macabra, complexa e irônica, é a meta do livro “Agatha Christie – Uma Biografia”, de Janet Morgan, lançamento da editora BestSeller.

Charada

Trata-se de um título clássico, publicado em 1986 e só agora no Brasil. A escritora Janet Morgan trabalha em gestão de novas tecnologias na Escócia. Em meados dos anos 1980, foi convidada pelos herdeiros de Agatha para escrever uma “biografia autorizada”: teve acesso exclusivo aos documentos pessoais da escritora e de seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan. Ao mesmo tempo, Morgan foi persuadida a abordar a biografada de forma gentil. Mas o fator politicamente correto não a impediu de avançar sobre um dos enigmas dentro do enigma que foi Agatha Christie: por que e como ela desapareceu entre 3 e 13 de dezembro de 1926, quando já era celebridade, causando um dos casos mais ruidosos cobertos pela imprensa da época. Agatha nunca se pronunciou sobre o assunto.

Parte da resolução da charada repousa em sua formação vitoriana. Agatha Miller nasceu em Torquay, Devon, em uma família abastada. O pai, Frederick, era um americano investidor da bolsa. A mãe, Clara, e sua irmã mais velha, Madge, escreviam e publicavam contos e poemas. Sem ter frequentado escolas, Agatha aprendeu a ler e escrever com elas. Trabalhou em hospitais como voluntária e em uma farmácia, onde aprendeu os segredos dos venenos que iria usar em suas narrativa. Em 1914, casou-se com o coronel da marinha Archie Christie. O casal viveu seis anos em aparente harmonia. Em 1919, Agatha deu à luz sua única filha, Rosalind. Começou a publicar romances policiais, e se tornou popular. Ele se empregou na City. Os dois se mudaram para Londres. Lá, Archie começou a ter um caso amoroso com uma amiga de Madge, Nancy Neele, que trabalhava como secretária na City. Quando Archie confessou o affair e pediu divórcio, Agatha entrou em pânico.

Na noite de 3 de dezembro de 1926, ela saiu de carro de sua casa, sem avisar a criadagem. Bateu o carro no meio do caminho e o abandonou. Isso aguçou as suspeitas da polícia e a sede de novidades da imprensa. Os jornais passaram a publicar manchetes e especulações. O escritor de mistério Edgar Wallace declarou que não acreditava que Agatha tivesse se suicidado. “Ela quer chamar atenção do marido”, arriscou. A polícia convocou batalhões de cidadãos para vasculhar a região onde ela sumiu. Enquanto isso, Agatha hospedou-se em um hotel balneário, sob pseudônimo, Teresa Neele, usando curiosamente o sobrenome da rival. Lá se manteve discreta, mas chegou a discutir o seu próprio desaparecimento com os hóspedes. Quando a política finalmente a descobriu, em 14 de dezembro, parecia não reconhecer o marido e a filha.

Estudiosos acham que o episódio ensina sobre o método de narração de Agatha, seu tesouro mais bem guardado. Ela teria usado seu conhecimento de manipular personagens e pistas falsas para testar um enredo na vida real – e obter publicidade. Morgan discorda: “Ela prezava a privacidade, jamais faria isso. Também não teria usado o recurso moderno de viver dentro da trama. Seu método de escritura era puramente intelectual.” A solução pode ser mais simples. “Ela parece ter sido vítima de uma espécie de amnésia”, diz Morgan. “Mas ainda hoje restam dúvidas.” Ela cometeu não um crime, mas um sumiço perfeito.

Chave da escrita

Após o episódio, Agatha recompôs a vida, casou-se com um arqueólogo, viajou ao oriente e a lugares exóticos e seguiu a escrever histórias até os últimos dias de vida. Em suas excursões, nunca deixou de levar um caderno de anotações, onde registrava personagens, histórias e situações impensáveis. Também usava ditafone. Em seguida, estruturava as histórias em cadernos maiores, a caneta ou a lápis. Depois, de forma perfeita, datilografava seus livros. “Nunca escreveu sobre o que não sabia”, diz Morgan. Ela atribuiu o sucesso e a permanência de sua obra à arte narrativa. “Os livros de Agatha duram porque são boas histórias, ainda que, algumas vezes, irremediavelmente improváveis. Uma vez fisgado, o leitor quer saber o que vai acontecer. Elas abordam mitos, fantasias e obsessões compartilhados por pessoas de todo tipo: jornadas, disputas, morte, sexo, dinheiro, assassinatos, conspirações, transformações, poder, o triunfo do simples sobre o complexo, a importância do mundano e também do cósmico.” Segundo a escritora P.D. James, ela alimentava uma obsessão pela pureza. “Os crimes de Agatha são desprovidos de sangue”, afirmou. “A resolução dos mistérios visava ao restabelecimento da ordem, que ela amava acima de tudo.” Foi essa fórmula simples que lhe deu a glória literária.

Livro de Philip Roth sobre presidente fascista nos EUA vai ganhar série

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O escritor Philip Roth em retrato feito em Nova York em setembro de 2010 (Eric Thayer/Reuters)

Obra de realidade alternativa narra a ascensão de um populista fã da Alemanha nazista ao poder

Publicado na Veja

O canal HBO anunciou que vai adaptar o livro Complô Contra a América, de Philip Roth, para a televisão. A série, que será produzida por David Simon (The Wire), ainda não possui data de lançamento.

O enredo mostra a ascensão de Charles Lindbergh, um líder populista e xenófobo, ao poder nos Estados Unidos da década de 40. Os fatos são mostrados a partir da perspectiva de uma família operária judia, que vê seu país ser transformado em uma nação fascista – Lindbergh é um fervoroso defensor da Alemanha nazista.

Roth morreu em maio em Nova York. O romancista, que escreveu mais de 30 livros e conquistou o Prêmio Pulitzer de ficção em 1998, era conhecido por retratar a comunidade judaica em seus trabalhos.

David Simon possui um longo histórico de produções em parceria com a HBO, entre elas Treme, The Deuce e Generation Kill.

J.K. Rowling pode ambientar novo ‘Animais Fantásticos’ no Rio de Janeiro

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Jude Law, Ezra Miller, Claudia Kim, Zoë Kravitz, Callum Turner, Katherine Wasterson, Eddie Redmayne, Dan Fogler, Alison Sudol e Johnny Depp fazem parte do elenco de ‘Animais fantásticos: Os crimes de Grindelwald’ — Foto: Divulgação/Warner Bros.

Autora revelou que escreveu muitas vezes o nome da cidade brasileira nos últimos meses.

Publicado no G1

J.K. Rowling, autora das sagas “Harry Potter”, revelou que está escrevendo bastante sobre o Rio de Janeiro e deixou os fãs intrigados: a sequência de “Animais Fantásticos” pode ser ambientada no Brasil.

Nesta quinta, Rowling trocou a foto de capa no Twitter por uma imagem histórica do Rio nos anos 1930. A escritora costuma usar o recurso para dar pistas aos seguidores sobre o que ela escreve no momento.

J.K. Rowling posta foto do Rio de Janeiro em rede social. — Foto: Reprodução

Questionada sobre a possível ambientação da história na cidade carioca, ela respondeu: “Vamos dizer que eu realmente deveria saber escrever a palavra “Rio de Janeiro” depois da quantidade de vezes que eu a digitei nos últimos meses”. Antes disso, ela havia cometido um pequeno erro e chamado a cidade de “Rio da Janeiro”.

O segundo filme da sequência, “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”, estreia em 15 de novembro. A série terá cinco filmes.

A história real de ostentação do autor de ‘Asiáticos Podres de Ricos’

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Rachel (Constance Wu) em ‘Podres de Ricos’ (//Divulgação)

Livro que deu origem ao filme em cartaz nos cinemas foi inspirado na idílica realidade das famílias milionárias de Singapura

Mabi Barros, na Veja

Mansões de cair o queixo, jatinhos particulares e festas de casamentos orçadas em dezenas de milhões de dólares. É assim, banhada no luxo, que a trama de Asiáticos Podres de Ricos (Editora Record) envolve o leitor no universo daquele 1% da população que detém boa parte das riquezas do mundo, com a ajuda de um apurado humor e um quê de contos de fadas. O livro, primeiro de uma trilogia, inspirou a comédia romântica Podres de Ricos, em cartaz no Brasil, se passa em Singapura e acompanha o deslumbre de uma jovem americana de origem chinesa ao descobrir que seu namorado é, como diz o título, podre de rico. Por trás da ostentação da história fictícia está a história real da família do autor, Kevin Kwan.

O escritor singapurano Kevin Kwan (Vincent Yu/AP)

“Eu venho de uma família singapurana bastante tradicional”, escreveu ele em ensaio para a revista Town and Country. “Nossa árvore genealógica remonta ao ano 946, com a união de três famílias, criando o extenso clã que inspirou meus romances e o filme derivado.”

(Tradução: Ana Carolina Mesquita; editora Record; 490 páginas) (//Divulgação)

Segundo o escritor de 45 anos, a avó Egan Oh era uma mulher independente, que não tinha planos de se casar. Até que sua vizinha a fez mudar de ideia ao lhe apresentar o irmão mais novo Arthur P.C. Kwan. Egan vinha de uma família de classe alta. Seu pai foi um dos fundadores o OCBC Bank, um dos bancos mais antigos de Singapura. Enquanto Arthur era um famoso oftalmologista que, por seus trabalhos filantrópicos, chegou a ganhar o título de cavaleiro pela rainha Elizabeth II.

A vizinha e irmã de Arthur que uniu o casal era Margaret Kwan Fu Shing, que, ao lado do marido, criou um império na indústria de cosméticos iniciada com a Tiger Balm — pomada multiuso chinesa, que continua no mercado até hoje. “Eles viviam em uma propriedade que pertenceu ao sultão Johor e era uma das maiores casas de Singapura”, conta o autor sobre a residência de sua tia-avó.

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