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George R. R. Martin anuncia dois novos livro focados na história dos Targaryen

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João Abbade, no Jovem Nerd

Mesmo sem ter lançado Winds of Winter, George R. R. Martin anunciou um novíssimo livro de Game of Thrones. Mas fique tranquilo o livro da série principal não vai demorar mais por conta deste, afirma o autor.

O novo volume será chamado de Fire and Blood e será uma coletânea com diversas historias de Martin sobre os reis de Targaryen. O autor revelou que ele escreveu tantas histórias que este livro foi dividido em dois volumes por sua editora. A história contará especificamente sobre a parte da família Targaryen que vai de Aegon até Aegon III.

O primeiro volume de Fire and Blood não tem data de lançamento, mas ele espera que até o fim de 2018 já esteja nas lojas. A segunda parte deve chegar no começo de 2019.

Além disso a coletânea de contos The Book of Swords, organizada por Gardner Dozois e escrito por 16 autores — incluindo o próprio criador das crônicas de Gelo e Fogo, ganhou uma data de lançamento para outubro.

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Martin escreveu uma história completamente original para este livro chamada “The Sons of the Dragon”, Os filhos do Dragão em tradução livre. Apesar de ser canônico, Martin revela que ainda não leu nenhum dos outros quinze outros contos a serem publicados:

Ainda não li nenhuma outra história, mas olhando daqui parece uma lista e tanto de bons escritores.

George não esqueceu de Winds of Winter e pretende lançar dois livros em 2018. Ele diz que “um homem pode sonhar”.

The Book of Swords será lançado no dia 10 de outubro por US$ 19,49.

Ups: em gafe, parlamentar britânica diz que Jane Austen está viva

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A escritora Jane Austen (VEJA.com/Divulgação)

A escritora Jane Austen (VEJA.com/Divulgação)

Andrea Leadson ainda tentou consertar a situação, afirmando que ‘muitos de nós queríamos que ela ainda estivesse viva’

Publicado na Veja

Jane Austen morreu há 200 anos e é considerada uma dos maiores escritoras da história, mas uma parlamentar britânica parece desconhecer sua relevância — e seu status atual, por assim dizer. Andrea Leadson, líder da Câmara dos Comuns do Reino Unido, afirmou na última terça-feira que a criadora de Orgulho e Preconceito é “uma das maiores autoras vivas”, ao elogiar a decisão do Banco Central da Inglaterra de usar o rosto de Austen na cédula de 10 libras.

Logo depois de notar o seu erro, Andrea tentou consertar, dizendo que Jane era “uma das maiores autoras de todos os tempos”. Depois adicionou: “Acho que muitos de nós queríamos que ela ainda estivesse viva”.

A gafe vem depois de muitos questionarem a citação impressa na cédula pelo Banco Central com a frase “I declare after all there is no enjoyment like reading!” ou “Eu declaro que não há prazer maior do que a leitura!”, que no livro Orgulho e Preconceito é expressa pela personagem Caroline Bingley com ironia, pois a personagem não gosta de ler.

10 casas de escritores brasileiros abertas à visitação

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Coloque no seu roteiro de viagem uma pitada de literatura e história

Fernando Leite, no Viagem e Turismo

Poemas escritos nas paredes, a caneta usada para criar versos, a velha máquina de escrever, prêmios e mais prêmios. Esse são os ingredientes básicos encontrados nas antigas moradas de nossos mais renomados escritores. Geralmente, simplórias casinhas no centrinho das cidades. Com uma ou outra exceção, a visita a elas dura apenas poucos minutos.

Veja uma lista de casas pelo Brasil que já foram morada de grandes escritores nacionais (e que você pode visitar):

Poemas escritos nas paredes, a caneta usada para criar versos, a velha máquina de escrever, prêmios e mais prêmios. Esse são os ingredientes básicos encontrados nas antigas moradas de nossos mais renomados escritores. Geralmente, simplórias casinhas no centrinho das cidades. Com uma ou outra exceção, a visita a elas dura apenas poucos minutos.

Veja uma lista de casas pelo Brasil que já foram morada de grandes escritores nacionais (e que você pode visitar):

1. Casa de Cultura Mario Quintana – Porto Alegre

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Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre

O imponente Hotel Majestic virou a Casa de Cultura Mario Quintana, que foi seu hóspede mais longevo (Tetraktys / Creative Commons)

Mario Quintana nasceu em Alegrete, mas sua moradia mais famosa foi o quarto 217 do Hotel Majestic, onde viveu entre 1968 e 1980. Construção mais imponente de Porto Alegre da primeira metade do século 20, o então hotel foi construído com concreto armado, em dois blocos ligados por passarelas.

Com a chegada de hotéis mais modernos, o Majestic foi perdendo prestígio até cerrar suas portas. Adquirido pelo governo estadual e transformado em Patrimônio Histórico, o local recebeu o nome de seu hóspede mais famosos e virou um centro cultural.

O quarto do escritor foi deixado do jeito que era, para os visitantes vivenciarem o local onde Quintana escrevia suas poesias e fazia suas traduções. Faltam melhores explicações sobre a vida e obra do poeta.

No local ainda há, entre outros, um espaço dedicado a cantora Elis Regina, um museu de arte contemporânea, dois teatros e, no último andar, uma cafeteria com vista para o Rio Guaíba.

Onde fica: Rua dos Andradas, 736 (Centro)

Horário: de terça a sexta-feira, das 9h às 21h, sábado e domingo, das 12h às 21h

Preço: grátis

Telefone: 51/3221-7147

2. Oficina Cultural Casa Mário de Andrade – São Paulo

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Vida e obra de Mario de Andrade em sua antiga residência (Yasmine Luna/Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

O sobrado em que Mário de Andrade morou em sua fase adulta, ao mesmo tempo em que recebia a trupe modernista para festas e saraus, também era o cantinho silencioso que o escritor encontrava para mandar ver nos belos versos e dar aulas de piano.

Apaixonado por São Paulo, nada mais natural que vivesse em um dos bairros mais tradicionais, a Barra Funda.

Transformado em oficina cultural, o local promove apresentações teatrais, saraus literários, contação de histórias e oficinas artísticas. Mas quem deseja conhecer um pouco mais sobre Mário de Andrade, conta com uma exposição permanente apresentando escritos, objetos pessoais e cartões-postais.

Onde fica: Rua Lopes Chaves, 546 (Barra Funda)

Horário: de terça-feira a sábado, das 10h às 18h

Preço: grátis

Telefone: 11/3666-5803

3. Museu Casa de Cora Coralina – Goiás

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Museu Casa de Cora Coralina, Goiás (GO)

Cozinheira de mão cheia, Cora Coralina passou suas receitas para amigas e vizinhas em Goiás (GO). A visita guiada pelo museu começa justamente pela cozinha, onde a poetisa utilizava os tachos de cobre para preparar seus quitutes (Divulgação/Divulgação)

Eis uma casa inspiradora e produtiva. Diferente de outros endereços em que os escritores viveram apenas uma época de suas vidas, aqui, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, ou simplesmente Cora Coralina residiu do nascimento à morte.

Também chamada de Casa Velha da Ponte, foi nessa construção colada ao Rio Vermelho que Cora escreveu seus poemas. Entre um verso e outro ainda arrumava tempo para a atividade de doceira – Cora mandava muito bem nos doces de frutas cristalizadas.

Natural que a visita guiada comece pela cozinha, com todos os apetrechos para preparar os doces. A seguir, passa-se por todos os cômodos da casa, o quarto com as vestimentas, a sala com os livros, o jardim com a bica de água potável.

Em 2016, o museu deu uma modernizada e ficou mais interativo. Um poema multimídia, por exemplo, é exibido em uma parede acima de uma máquina de escrever.

Onde fica: Rua Dom Cândido, 20 (Centro)

Horário: de terça-feira a sábado, das 9h às 16h45, domingo, das 9h às 13h

Preço: R$ 8

Telefone: 62/3371-1990

4. Casa de Guimarães Rosa – Cordisburgo

Casa de Guimaraes Rosa obs.: Cromo original no Dedoc

 

Fãs de literatura não podem deixar de ver casa onde viveu o escritor Guimarães Rosa, que foi transformada em um pequeno museu (Celio Apolinario)

É batata: quem visita Cordisburgo por causa da Gruta de Maquiné, sempre dá uma paradinha na casa do autor de Grande Sertão, Veredas. Afinal, a cidade tem basicamente essas duas atrações, facilmente conciliáveis.

Guimarães Rosa viveu até os nove anos de idade em uma modesta construção térrea, no Centro de Cordisburgo. O razoável acervo guarda trechos literários do escritor e suas obras, além de destacar as outras funções de Guimarães Rosa: médico e diplomata.

Durante à tarde, a visita fica mais enriquecedora. Entram em cena os Miguelins, guias adolescentes que nos apresentam o universo do Guimarães Rosa com riqueza de detalhes.

Onde fica: Avenida Padre João, 744 (Centro)

Horário: de terça-feira a domingo, das 9h às 17h

Preço: R$ 3

Telefone: 31/3715-1425

5. Casa de Carlos Drummond de Andrade – Itabira

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Casa de Carlos Drummond de Andrade em Itabira, Minas Gerais

(Divulgação/Divulgação)

Ao contrário do que ocorreu com outros escritores, a casa de nosso maior poeta não virou museu. Hoje, funciona como o Centro de Inclusão Cultural, onde são ministradas aulas de artes para os itabiranos.

O que não torna infrutífera sua visita à simpática Itabira. Ainda mais porque, em suas poesias, Drummond sempre mostrou seu afeto pela cidade natal e pelo belo solar do século 19 que viveu até os 16 anos de idade.

Sem contar que a visita à Itabira drummondiana é ao ar livre, percorrendo os locais citados em seus poemas – há 44 placas espalhadas pelas ruas, repleta de versos.

Onde fica: Praça do Centenário, 137 (Penha)

Telefone: 31/3835-3894


6. Casa de Cultura Jorge Amado – Ilhéus

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O escritor Jorge Amado passou sua infância nessa casa (Bahiatursa/Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Tão bem retratado pelas palavras de Jorge Amado, o importante Centro Histórico de Ilhéus acabou ganhando um aditivo extra. Quem visita a cidade quer percorrer as ruas que abrigam o Bar Vesúvio e o Bataclan, presentes no romance Gabriela Cravo e Canela e entrar no universo do escritor.

A poucos metros dali fica o palacete em que Jorge Amado passou parte da infância e juventude – foi lá que escreveu O País do Carnaval. Palacete que na verdade começou como uma casa modesta, mas João Amado, pai do escritor, ganhou o primeiro prêmio da loteria federal e pode fazer uma bem-sucedida ampliação.

Guias auxiliam na visita pelos cômodos da casa, onde estão expostas roupas, fotos, documentos

Onde fica: Rua Jorge Amado, 21 (Centro)

Horário: de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h, sábado, das 9h às 13h

Preço: R$ 5

Telefone: 73/3231-7531

7. A Casa do Rio Vermelho (Jorge Amado e Zélia Gattai) – Salvador

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A casa nº 33 da Rua Alagoinhas, no bairro do Rio Vermelho, deve ser colocada em qualquer roteiro daqueles “O essencial de Salvador”, junto com o Pelourinho, o Farol da Barra, a Igreja do Bonfim. Por quase 40 anos, a residência foi a morada do casal 20 da literatura brasileira, Jorge Amado e Zélia Gattai.

Retratada por Zélia Gattai em seu livro de memórias, A Casa do Rio Vermelho, ficou por anos fechada desde a morte da escritora. Em 2014, o público começou a ter acesso a bela residência de 2000 m², parte dela ocupada pelo jardim onde estão as cinzas do casal.

Os cômodos da casa foram adaptados para virar um fantástico memorial interativo, com várias instalações, como a que fala sobre as viagens do casal, com muitos vídeos e objetos e a Cozinha de Dona Flor, uma autêntica aula sobre a culinária baiana.

Dica: estacionar por lá não é nada fácil e a rua é um pouquinho íngreme. Vale a pena gastar bala em um táxi ou Uber.

Onde fica: Rua Alagoinhas, 33 (Rio Vermelho)

Horário: de terça-feira a domingo, das 10h às 17h

Preço: R$ 20 (grátis às quartas-feiras)

Telefone: 71/3333-1919

8. Hotel Mar Brasil (Vinícius de Morais) – Salvador

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Foi nessa casa que Vinícius de Morais compôs Tarde em Itapuã (Divulgação/Divulgação)

Você deve estar se perguntando o que cazzo um hotel está fazendo nessa lista? Pois bem, ele ocupa a área da casa em que o poetinha Vinícius de Morais morou em Salvador na década de 70 e onde compôs a inesquecível Tarde em Itapuã. Você pode conhecê-la de duas formas. A primeira, claro, se hospedando. Apesar de ser um hotel executivo, há alguns quartos na parte histórica da casa, onde Vinícius vivia. Inclusive, você pode ficar na suíte do poetinha, desfrutando da rede em que ele escrevia poesias e compunha canções. Sem contar que só os hóspedes têm acesso à piscina em forma de bumbum e ao memorial onde estão expostos objetos e fotos da época.

A sala em que Vinícius e sua esposa Gessy Gesse recebiam seus convidados hoje virou um restaurante especializado na culinária mediterrânea. Uma opção saborosa para conhecer a casa.

Onde fica: Rua Flamengo, 44 (Itapuã)

Horário (restaurante): de segunda a sexta-feira das 18h até as 23h30, sábados das 12h ás 23h30, domingo das 12h às 22h

Telefone: (71) 3285-7339

9. Casa de Graciliano Ramos – Palmeira dos Índios

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A primeira residência de Graciliano Ramos (Alécio Cezar/Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Ok, vamos admitir que visitar Palmeira dos Índios, a 140 km de Maceió, para conhecer apenas uma casa é um pouco demais. Mas pode ter certeza que os fãs de Fabiano e Sinhá Vitória se esforçarão para conhecer a humilde casa em que o escritor alagoano passou boa parte de sua vida – Graciliano foi, inclusive, prefeito da cidade.

Entre o acervo de fotos, manuscritos, objetos, chama atenção a carta escrita ao então presidente Getúlio Vargas, relatando os motivos políticos de sua prisão. Que acabaram culminando no livro Memória do Cárcere.

Onde fica: Rua José Pinto de Barros, 90 (Centro)

Horário: diariamente, das 9h às 17h

Preço: grátis

10. Casa de José de Alencar – Fortaleza

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José de Alencar viveu entre árvores e aves (Tom Junior/Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Foi num sitio na saída de Fortaleza, a caminho do litoral leste cearense que José de Alencar passou os primeiros anos de sua vida. Cercado de árvores e aves que certamente contribuíram para a presença da natureza em suas obras, como Iracema e O Guarani.

Antes ou depois de passar o dia no Beach Park, parar no sítio localizado na Avenida Washington Soares pode ser uma boa. Não há nada referente a José de Alencar, lá atualmente funciona um museu indígena e as ruínas de um engenho. Porém, dá para sentir a vibe das obras do escritor em meio a um tranquilo sítio em meio a área urbana de Fortaleza.

Em um anexo ao lado funciona um restaurante com bufê de comidas regionais.

Onde fica: Avenida Washington Soares, 6055 (Messejana)

Horário: de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, sábado, das 9h às 12h

Preço: grátis

Telefone: 85/3229-1898

Amazon vai distribuir série baseada em Punição para a Inocência, de Agatha Christie

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João Abbade, no Jovem Nerd

Depois do primeiro trailer do Expresso do Oriente, a Amazon fechou um grande acordo com a Agatha Christie Limited — empresa que cuida dos direitos da autora — para distribuir diversas séries originais baseadas nos livros de mistério da britânica. A primeira série desta parceria já começou a ser produzida no início de julho e será uma adaptação episódica de Punição para a Inocência.

As sete sete séries encomendadas estão sendo produzidas pela Mammoth Screen junto com a BBC One — que também exibirá o título no Reino Unido. As adaptações de ‘Não Sobrou Nenhum’ e ‘The Witness for the Prosecution’ já foram exibidas na BBC em 2015 e 2016 respectivamente e também serão distribuídos no serviço da Amazon.

O formato da minissérie será semelhante ao de Sherlock, com três capítulos de maior duração fechando uma história da autora.

Sarah Phelps, que escreveu a adaptação de “Não Sobrou Nenhum”, assina o roteiro da série que conta com Bill Nighy (Simplesmente Amor), Alice Eve (Star Trek: Além da Escuridão), Ella Purnell (O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares), Matthew Goode (The Good Wife), Catherine Keener (Corra!), entre outros.

Em comunicado oficial, o CEO da Agatha Christie Limited disse que a parceria com a Amazon já era forte por conta dos livros, então este era o passo natural:

Nós estamos felizes de trabalhar com a Amazon na TV também. Obviamente eles foram de enorme importante no nosso negócio de livros nos últimos anos, então estamos animados em levar este conteúdo ao Prime Video.

Atração da Flip, Paul Beatty ouviu ‘não’ de 18 editoras antes de publicar romance premiado

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‘O vendido’, ácido romance do americano, venceu o Man Booker Prize

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO — “Eu”, o protagonista do romance “O vendido” (Todavia), do escritor americano Paul Beatty, assim se apresenta no início da história: “sendo otimista, sou um agricultor de subsistência, mas, três ou quatro vezes por ano, engato um cavalo numa carroça e troto por Dickens, vendendo minhas mercadorias”. As mercadorias a que ele se refere são melancias quadradas e maconha. Dickens é um imaginário subúrbio pobre e meio rural de Los Angeles, na Califórnia.

SC O escritor americano Paul Beatty, um dos convidados da Flip 2017 - Hannah Assouline / Divulgação / HANNAH ASSOULINE

SC O escritor americano Paul Beatty, um dos convidados da Flip 2017 – Hannah Assouline / Divulgação / HANNAH ASSOULINE

Já Eu é um jovem negro que escolheu estudar zoologia com o sonho de “transformar a fazenda do pai em um viveiro para vender avestruzes aos rappers que tocavam loucamente nas rádios do início dos anos 1990, aos estreantes mais disputados da NBA e a coadjuvantes de filmes de grande bilheteria”. O personagem, que teve o pai assassinado por policiais, vai parar na Suprema Corte americana por reintroduzir a escravidão e a segregação racial na sua cidade.

— Minha esposa falou uma frase muito boa quando eu estava escrevendo o livro: “o inimaginável acontece o tempo todo” — afirma Beatty, em entrevista ao GLOBO por telefone, de Nova York, onde vive, dando uma pista para decifrar a obra que venceu o Man Booker Prize no ano passado. “O vendido” é o primeiro romance lançado no Brasil do escritor, que é um dos convidados da 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Beatty participa da mesa “O grande romance americano” ao lado do jamaicano Marlon James, no dia 29.

Na história que criou, o real e o absurdo se retroalimentam. Eu, por exemplo, teve uma infância atormentada pelo pai, um psicólogo que utilizou o filho como cobaia dos mais diversos — e perversos — experimentos cognitivos e criou o círculo de intelectuais negros de Dickens, que se reunia numa loja de donuts nas tardes de domingo. Hominy Jenkins, que voluntariamente se torna o primeiro escravo de Eu, é um ator idoso e decadente cuja maior glória foi ser o primeiro reserva do elenco do seriado de TV “Os batutinhas”, entre as décadas de 1950 e 1960, sem nunca ter tido a chance de fazer o papel principal.

HUMANOS E SURREAIS

Esses personagens, ao mesmo tempo muito humanos e um tanto absurdos, materializam o questionamento de Beatty sobre a percepção e a maneira como vemos o mundo. Em “O vendido”, situações grotescas, comentários preconceituosos e gestos violentos são narrados no mesmo tom de absoluta normalidade e com um humor que deixa o leitor desconfortável: “Talvez seja a iluminação discreta, ou a decoração brilhante, cujo esquema de cores é projetado para ser um emblema de um donut granulado multicolorido. Seja como for, meu pai reconheceu que a loja era o único lugar de Dickens onde os negros sabiam como agir”, narra Eu. Formado em Psicologia, o escritor reconhece a influência da disciplina no romance.

— Eu aprendi muito estudando psicologia, aprendi sobre a maneira como eu vejo o mundo, como eu vejo as pessoas e, nesse sentido, a psicologia ajuda muito a minha escrita. No caso da percepção, a psicologia se debruça sobre o que você acha que está acontecendo quando algo está acontecendo, sobre o que você acha que sente quando você sente. Há muita liberdade para interpretação ali — afirma.

A Dickens de Beatty não é um cenário pós-apocalíptico tão em voga em certa literatura recente. A ideia para um subúrbio rural californiano surgiu durante uma visita do escritor à cidade de Compton, no sul de Los Angeles. Beatty, que nasceu na região, se surpreendeu ao ver pessoas andando a cavalo e, em conversas, descobriu que há estudantes da região que compram leite não nos mercados, mas dos seus vizinhos. Ele chama a atenção para um passado ainda presente, mas esquecido.

— É estranho, na Califórnia ainda permanece uma certa iconografia western nos arredores de cidades como Los Angeles. Daí comecei a pensar sobre isso e me deixei levar para esse legado cultural da agricultura na região. Não há fazendas lá, mas há todo esse antigo contexto histórico que fica perdido e você nem sempre percebe.

ENTREVISTADO ARREDIO

Antes de vencer o prestigiado Man Booker Prize com o romance, no ano passado, Beatty enfrentou muitas dificuldades para publicar “O vendido” no Reino Unido. Ele foi recusado por nada menos do que 18 editoras diferentes até fechar com a independente Oneworld — curiosamente, a mesma casa que publicou “Uma breve história de sete assassinatos”, de Marlon James, vencedor do mesmo prêmio em 2015 e seu companheiro de mesa na Flip.

O enorme assédio da imprensa após o prêmio britânico rendeu a fama de entrevistado difícil para Beatty. Ao tratar de temas candentes na sociedade americana — racismo, desigualdade, violência policial e justiça —, não raro seu romance foi lido como um manifesto sobre o momento presente dos Estados Unidos, ainda antes da eleição de Donald Trump. O escritor fica incomodado com essa interpretação e não vê o livro como uma crítica à sociedade americana. Na sua opinião, se há alguma crítica no romance, a crítica é à maneira como nós lemos e pensamos sobre nós mesmos.

— É muito louco como as pessoas leem hoje em dia — aponta Beatty, que com “O vendido” só pretendia fazer uma ficção que fosse, nas suas palavras, “única”. — Ao falar com todos esses jornalistas, eu percebi que, muitas vezes, eles têm uma estranha agenda política na qual querem encaixar o livro e me encaixar também. Isso apenas para afirmar a maneira como eles acham que eu vejo o mundo, eu vejo o Brasil, esse tipo de coisa. Isso é tão cansativo e falso, ao menos vindo de mim. Não tenho nenhum interesse em fazer isso.

Essa confusão entre narrador e autor não é à toa. A obra é recheada de comentários políticos. Em certa passagem do romance, o protagonista Eu afirma: “Como no caso do presidente negro, você acha que, depois de dois mandatos vendo um camarada de terno fazer o discurso do Estado da União, vai se acostumar com uma melancia quadrada, mas por alguma razão isso não acontece nunca”. Perguntado se ele concordava com o seu protagonista, Beatty criticou a maneira como os dois mandatos de Barack Obama foram encarados por muitos americanos.

— Nós agimos como se tudo fosse tão novo o tempo todo. No caso de um presidente negro, agimos como se fosse uma supernova. Uma supernova leva bilhões e bilhões de anos. Novamente, estamos falando de percepção. Em literatura, é a mesma coisa. Estava lendo uma peça antiga de Aristófanes, de 2,5 mil anos atrás, e ele já questionava o que era literatura. Essa passagem no livro é sobre isso — afirma ele.

Contudo, ligar a televisão e ver Donald Trump como presidente dos Estados Unidos tampouco tem sido uma experiência banal:

— A cada vez que eu vejo Trump na televisão eu penso: não acredito que esse cara virou presidente. Não sei se daqui a alguns anos vou continuar chocado. Ele não é o primeiro idiota a ser presidente, mas é um tipo único de idiota. A questão que se coloca é quando e como nós nos acostumamos com certas coisas. E por que nos recusamos a nos acostumar com outras.

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