Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Alunos de escolas públicas do Recife apresentam primeiro robô humanóide

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Publicado em Mundo Bit.

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O primeiro protótipo de robô humanoide produzido por alunos e professores da rede municipal de ensino do Recife foi apresentado nessa segunda (21). Os estudantes, que há mais de um ano e meio têm contato com os robôs humanoides usados no Programa Robótica na Escola, tiveram a oportunidade de confeccionar o próprio robô, em parceria com as universidades e instituições como o Porto Digital.

O protótipo foi apresentado ao público durante a Mostra Humanoide Recife e o Seminário de Estudos em Novas Tecnologias na Educação (Semente). “Se este projeto der certo, futuramente não precisaremos mais comprar os robôs humanoides que utilizamos no Programa Robótica na Escola, os NAOs. Nossos próprios alunos de Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) terão condições de montar e programar seus próprios robôs. As aulas de robótica são uma prova do quanto os alunos aprendem muito mais na prática, quando aplicam, e não só lendo teorias”, disse o secretário de Educação do Recife, Jorge Vieira, em comunicado por e-mail.

A pesquisa que antecedeu a montagem do protótipo começou em abril e envolveu mais de cem alunos, além da parceria com as universidades de Pernambuco (UPE), Federal (UFPE), Federal Rural (UFRPE) e Católica (Unicap), além do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Porto Digital, Cesar, FabLab e CRC Marista. “É um projeto feito a várias mãos, que nos permitiu fazer peças nas impressoras 3D do Porto Digital, por exemplo. Hoje o robô está estruturado. O próximo passo é começar a desenvolver o sistema operacional para dar vida ao robô. A inteligência e a criatividade da garotada é que vão fazer esse robô se mexer, através da programação”, explica o professor Jadson Amorim, um dos coordenadores do Programa Robótica na Escola.

A ideia é que o robô desempenhe funções já realizadas pelo NAO, um dos mais populares dessa categoria no mundo, como andar, dançar e falar. A primeira etapa do desenvolvido será a estabilização. Em seguida os alunos irão programá-lo para realizar outras atividades.

Em sua 17ª edição, Bienal dá mais espaço para os adolescentes

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 Thalita Rebouças vai falar amanhã na Bienal Foto:  Divulgação

Thalita Rebouças vai falar amanhã na Bienal. Foto: Divulgação

Jovens dominam o mercado dos livros

Publicado em O Dia

Rio -Em grupos, com sacolas cheias de livros, promovendo encontros e lotando as filas de autógrafos, os jovens são a cara da Bienal do Livro. Em sua 17ª edição e homenageando os autores argentinos, o maior evento literário do país não para de crescer, fisicamente e em conteúdo. Com mais espaço — os pavilhões cresceram em 25 mil m² — e mais de 200 escritores convidados, sendo 27 deles estrangeiros, as novidades foram direcionadas, em sua maioria, para os adolescentes.

De acordo com Tatiana Zaccara, diretora da Bienal, os jovens leitores foram o próprio motor da expansão da feira. “O movimento do mercado editorial é em torno do segmento de literatura para jovens. Tínhamos várias programações desse gênero acontecendo no mesmo dia e simultaneamente, e com isso vimos a necessidade de crescer”, diz Tatiana. Para preencher os novos ambientes, o evento espera um público de 600 mil pessoas, mas esse número pode inflar com o feriado de segunda-feira. “A ideia é que a Bienal seja um programa para passar o dia, que tenha mais áreas livres para as pessoas aproveitarem, como as esteiras no jardim.”

Foi com isso em mente que o público adolescente ganhou mais um centro de atividades, além da tradicional Conexão Jovem. Projetada para ser uma grande estrutura quadrada, a Cubovoxes teve curadoria de João Alegria, historiador e diretor do Canal Futura. “O Cubovoxes foi pensado entendendo o jovem leitor como um sujeito ativo na sociedade. Além de consumidor de cultura e narrativas, ele as produz”, diz o curador. Assim, temas como violência, família e participação política serão abordados por convidados que não necessariamente atuam na literatura. “O símbolo do cubo é o de uma caixa de som. Ela reúne as ideias em um lugar para propagar mais alto”, explica João, que também é curador do Bamboleio, espaço infantil da Bienal.

Com mais de 1,5 milhão de livros vendidos, a escritora Thalita Rebouças é líder de vendas no segmento de literatura jovem. Na Bienal deste ano, ela comemora 15 anos de carreira com o lançamento de dois títulos: ‘Fala Sério Irmão/Irmã’ e ‘Um Ano Inesquecível’, volume de contos escrito a quatro mãos, junto a Paula Pimenta, Bruna Vieira e Babi Dewet. Apesar de ter transitado na escrita adulta e infantil, Thalita não abre mão do público que a consagrou: “Os jovens estão lendo cada vez mais e isso é muito evidente. É um público muito fiel.” As redes sociais, supostamente os vilões da concentração, são aliados de Thalita. “Essas ferramentas só facilitaram a aproximação com os leitores. Não tem essa. Quando o livro é bom, eles param para ler”, afirma a autora.

O homenageado do ano também irá atrair o público juvenil. Mauricio de Sousa, que completa 80 anos em outubro, vai se reunir com fãs na segunda-feira. ‘’Estou orgulhoso dessa homenagem, ainda mais na Bienal, onde posso estar perto dos meus leitores. E vem mais por aí. Pretendo lançar a Turma da Mônica adulta. Os personagens envelheceriam junto com os leitores’’, adianta Mauricio.

Em época de crise econômica, a Bienal respira tranquila. “Acreditamos muito na Bienal e decidimos que ela não precisaria perder nada, só crescer”, declara a diretora Tatiana.

PROGRAME-SE

SEXTA-FEIRA
PEDRO BANDEIRA — O premiado autor da série ‘Os Karas’ fala sobre a psicologia em seus livros. Fórum de Educação, 10h15.

LEANDRO NARLOCH,JOSÉ ANDARILLO, ZOARA FAILLA E VIVIANE SALES — A discussão debate o papel do jovem como consumidor e produtor de literatura. Fórum de Educação, 11h30.

YASMIN THAINÁ, SILVANA BAHIA E BRUNO DUARTE — Três jovens criadores falam sobre suas narrativas engajadas. Cubovoxes, 15h.

SÁBADO
THALITA REBOUÇAS — Comemorando 15 anos de carreira, a autora conversa com os fãs. Conexão Jovem, 11h.

JULIA QUINN — Mesa com a americana que criou a série best-seller ‘Os Bridgertons’. Conexão Jovem, 13h.

MARIANA ENRÍQUEZ E LUIZ EDUARDO MATTA — Conversa com dois jovens escritores, um brasileiro e uma argentina. Cubovoxes, 15h.

WILL CONRAD — Um dos mais consagrados cartunistas brasileiros fala sobre a sua trajetória. Cubovoxes, 17h.

DAVID NICHOLS — O autor do best-seller ‘Um Dia’ divulga o lançamento ‘Nós’. Conexão Jovem, 18h.

DOMINGO
EDUARDO SPOHR — O criador da trilogia ‘Filhos do Eden’ fala sobre o sucesso na internet. Conexão Jovem, 14h.

MARCUS FAUSTINI E RAFAEL DRAGAUD — A mesa discute a relação dos jovens com as novas tecnologias. Cubovoxes, 15h.

Confira a programação completa no site oficial: http://www.bienaldolivro.com.br/

BIENAL DO LIVRO. Riocentro. Av. Salvador Allende 6.555, Barra da Tijuca (3035-9348). Funcionamento: Seg, dia 7 de setembro, das 10h às 22h. De ter a sex, das 9h às 22h. Sáb e dom, das 10h às 22h. R$ 16. Até dia 13.

Começa amanhã o maior evento literário do país, a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro 2015

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Publicado no Meu Guru

Em uma época em que tudo o que se fala e se faz gira em torno da tecnologia, internet e games, há quem diga que livro é considerado ultrapassado. Mas as inscrições já feitas por escolas da rede pública só provam o contrário, pois em apenas uma hora, 145 mil alunos do ensino fundamental preencheram as vagas de inscrições da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro 2015.

A maior feira literária do Brasil está marcada para começar amanhã (3) e segue até o dia 13 (domingo), no Riocentro. Para preencher a programação desses 10 dias de evento, estão confirmados cerca de 200 autores de diversos estilos literários e de diferentes partes do mundo.

Entre os destaques internacionais da 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro está David Nicholls, autor de Um dia, esse livro teve grande repercussão no Brasil, chegando a marca de 450 mil exemplares vendidos somente aqui, essa edição também contará com a presença de Jeff Kinney, autor da saga Diário de um banana.

O Brasil estará muito bem representado pelos grandes nomes da literatura contemporânea, marcarão presença os autores: Ferreira Gullar, Antônio Prata, Pedro Gabriel, Ruy Castro, Gregório Duvivier e Ignácio Loyola Brandão.

Já para o público teen, o Encontro com Autores e o Conexão Jovem abrem espaço para nomes celebrados pelos adolescentes. Os participantes nacionais confirmados são: Thalita Rebouças, Eduardo Spohr, Carina Rissi, Carolina Munhóz, Sophia Abraão, Bruna Vieira, Paula Pimenta e Babi Dewet.

Além dos muitos autores consagrados, a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro prestará homenagem ao pai da Mônica, o desenhista Mauricio de Sousa que receberá merecidamente o prêmio José Olympio, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros.

Para completar a vasta programação da 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, a Argentina foi o país escolhido para ser homenageado e vem sendo grande destaque nas feiras literárias do mundo. Entre os 14 autores argentinos convidados, está Eduardo Sacheri, autor do romance A Pergunta dos Seus Olhos (2005) deu origem a O Segredo dos Seus Olhos, Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010, e Noé Jitrik, um dos críticos literários mais importantes do mundo.

“A Argentina tem o maior número de leitores da América Latina e Buenos Aires é a cidade com maior quantidade de livrarias no mundo. O Brasil é um dos principais destinos das obras que têm tradução apoiada pelo governo”, ressalta o diplomata Gonzalo Entenza, encarregado da programação de seu país na Bienal.

Além das sessões com os autores, a programação oficial da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro 2015 continua com o Café Literário, palco de debates sobre aspectos culturais. O espaço terá uma área especial para autógrafos. Também estão na programação os grupos de saraus, atividades dinâmicas, como o Cubovoxes e o Bamboleio.

A Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro é resultado de uma parceria de mais de três décadas entre o SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e a Fagga | GL events Exhibitions.

A feira conta ainda com a realização do Ministério da Cultura através da Lei Federal de Incentivo à Cultura e com o patrocínio do Governo do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura, pela Lei estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro.

Para mais informações e programação completa, acesse  www.bienaldolivro.com.br
Serviço:

17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro

Data: 09 a 13 de setembro de 2015
Local: Riocentro
Horário: Dias de semana: 9h00 às 22h00 e aos Fins de semana: 10h00 às 22h00

17ª Bienal do Livro Rio anuncia a programação cultural

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Bienal

Publicado no Jornal do Brasil

A 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que acontece entre 3 e 13 de setembro de 2015, no Riocentro, anunciou nesta terça, 4 de agosto, sua programação cultural. O encontro aconteceu no Consulado da Argentina, país homenageado, e revelou um recorde duplo no que diz respeito aos convidados: são mais de 200 autores de diversos estilos, entre eles 27 estrangeiros. Como maior evento literário do país, a Bienal vai promover uma festa do livro – aproximando escritores, editores, livreiros, professores, estudantes e leitores de todas as idades e perfis.

O cônsul-geral da Argentina, Marcelo Bertoldi, abriu a apresentação destacando a importância de receber esta homenagem no ano em que o Rio completa 450 anos. “A Argentina é um país de variedades e contrastes, com uma cultura rica e apaixonada, que vem tendo um reconhecimento sem precedentes no Brasil. A Bienal é uma oportunidade para estreitarmos ainda mais essa relação”, disse.

Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), que promove a Bienal ao lado da Fagga l GL events Exhibitions, falou em seguida. Ele ressaltou a missão da Bienal em se renovar ano a ano sem perder a essência, lembrando ainda a importância do evento para a cidade. “O Rio de Janeiro literalmente se enfeita de Bienal do Livro a cada dois anos”, disse.

Gonzalo Entenza, do Ministério das Relações Exteriores argentino, anunciou as atrações do país na Bienal. “Procuramos encontrar a maior diversidade possível entre os escritores selecionados”, afirmou. São eles: Martín Kohan (Segundos fora), Tamara Kamenszain (O gueto/ O eco da minha mãe), Eduardo Sacheri (O segredo dos seus olhos), Claudia Piñeiro (As viúvas das quintas-feiras), Mariana Enríquez (As coisas que perdemos no fogo), Mempo Giardinelli (O décimo inferno), María Moreno (Teoría de la noche), Sergio Olguín (La fragilidad de los cuerpos), o cartunista Tute (Batu 1), Diana Bellessi (Pasos de baile), Noé Jitrik (Historia critica de la literatura argentina), Inés Garland (Una reina perfecta), Silvia Schujer (Hugo tiene hambre) e Luciano Saracino (a graphic novel Jim Morrison: o Rei Lagarto).

Já o estande da Argentina fará referência ao conto “A biblioteca de Babel”, de Jorge Luis Borges, montado em forma de labirinto e com o chão coberto de hexágonos. Haverá ainda uma mostra de manuscritos de grandes autores argentinos.

Nomes confirmados para a programação cultural

O melhor da produção brasileira contemporânea estará representado em toda a sua variedade: ficção, poesia, ensaios, biografias, fantasia, história, política, negócios, comportamento, moda, música, sociedade, humor, quadrinhos, clássicos infantis, educação e muito mais. Entre os nomes estão Alberto Mussa, Antonio Prata, Ferreira Gullar, Gregório Duvivier, Gustavo Cerbasi, Ignácio Loyola Brandão, Laurentino Gomes, Marcelo Rubens Paiva, Mary del Priore, Paula Pimenta, Pedro Gabriel, Ruy Castro, Thalita Rebouças e muitos outros.

No que diz respeito aos internacionais, no sábado, 5, a Bienal recebe David Nicholls (Um Dia), Julia Quinn (Os Bridgertons) e Leigh Bardugo (Grisha). Raymond E. Feist (O Mago), Colleen Hoover (Hopeless) e Jeff Kinney (Diário de um banana) se apresentam no domingo (6). Já Joseph Delaney (As Aventuras do Caça-Feitiço) conversa com o público na segunda (7). Três escritoras vão se revezar entre as sessões do dia 12 – Anna Todd (After), Colleen Houck (A Maldição do Tigre) e Sophie Kinsella (Becky Bloom) –, enquanto o Café Literário recebe Jacques Leenhardt, organizador de uma edição especial de Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, de Debret. Em 13 de setembro, Josh Malerman fala sobre seu Caixa de Pássaros. Completa o time Pedro Chagas Freitas, fenômeno de vendas em Portugal, que lança Prometo falhar.

Café Literário

Entre os espaços da programação oficial, o sempre concorrido Café Literário permanece com seus debates dedicados a todos os aspectos da cultura. Rodrigo Lacerda, escritor e editor, estreia como curador e, entre muitos outros temas, vai colocar em pauta as relações do Rio de Janeiro com as letras – será uma das homenagens da Bienal aos 450 anos da cidade.

Os assuntos abordados serão os mais variados. “O mundo literário gira em torno da nossa realidade”, disse Rodrigo. O espaço, que nessa edição terá uma área especial para autógrafos, vai celebrar grandes autores – de Mario de Andrade a João Ubaldo Ribeiro – e colocar em pauta temas atuais como a polêmica das biografias e a crise econômica, entre outros.

Bamboleio

No inédito Bamboleio, as crianças vão participar com suas famílias de jogos literários e brincadeiras que envolvem as culturas de todos os países – aprendendo, assim, a importância de conviver com as diferenças. Nesse sentido, os Jogos Olímpicos funcionam como inspiração: os aros coloridos se transformam em bambolês que, além de movimentar corpo e mente, servem de pontes para o imaginário e o universo mágico das primeiras leituras. As atividades, sempre interativas, incluem biblioteca, cabines de leitura, trava-línguas e outras surpresas multimídia.

A concepção e a curadoria do espaço são do escritor e historiador João Alegria, diretor do Canal Futura, que define o Bamboleio como “um espaço lúdico das ideias”. “O nome vem de ‘bambolê’, que remete ao aro olímpico e é a representação ideal para o espaço: precisamos de jogo de cintura para conviver com a diversidade”, completou.

Cubovoxes

Já o Cubovoxes será uma atividade dinâmica que vai conectar, incluir e compartilhar tendências de pensamento e as manifestações culturais do momento em uma arena na qual adolescentes e jovens adultos serão convidados a bate-papos com personalidades do (mais…)

Mário de Andrade, muito além do debate sobre a homossexualidade

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Sessão de abertura da Flip, Beatriz Sarlo (à esq.), Eliane Moraes (centro) e Eduardo Jardim (à dir.) / Tânia Rêgo (Agência Brasil)

Sessão de abertura da Flip, Beatriz Sarlo (à esq.), Eliane Moraes (centro) e Eduardo Jardim (à dir.) / Tânia Rêgo (Agência Brasil)

Flip teve início nesta quarta com um debate dedicado ao intelectual brasileiro. Segundo a ensaísta Eliane Moraes, ele “não pode ser reduzido à sua sexualidade”

Camila Moraes, no El País

“Não estou interessado em ser conhecido em 1985”, disse certa vez Mário de Andrade, conforme recordou seu biógrafo, Eduardo Jardim, durante a mesa de abertura da 13ª Festa Literária de Paraty. Ao lado da crítica literária argentina Beatriz Sarlo e da ensaísta Eliane Robert Moraes no encontro titulado As margens de Mario, Jardim perfilou o escritor, homenageado desta Flip, como um dos grandes intelectuais brasileiros – também músico, pesquisador, agitador cultural –, que expressava publicamente a ansiedade de que suas ações e criações impactassem em seu próprio tempo.

Mario viveu sua idade adulta e mais ativa entre os anos 1917 e 1937, período em que liderou o modernismo brasileiro, cujo auge foi a Semana de 22, e realizou diversos feitos de toda ordem artística e cultural. No entanto, morreu em 1945 sem ver concretizada a maioria de seus projetos de vida, que tinham a ver com a valorização da cultura popular brasileira e a criação de uma identidade nacional própria. Somente nos dias atuais – muito depois do que ele mesmo temia – é que Mário de Andrade passa por um resgate.

Mário de Andrade em sua casa, em 1938. / Acervo IEB-USP

Mário de Andrade em sua casa, em 1938. / Acervo IEB-USP

Segundo Eliane Robert Moraes, que é professora da USP e examinou a obra de Mário a partir do erotismo, esse reconhecimento tardio perpassa a homossexualidade do autor – centro de uma polêmica de décadas envolvendo desde cartas pessoais censuradas até uma desvalorização do traço erótico presente transversalmente em sua literatura. “Chegou o momento de poder liberar em Mário de Andrade o que é de ordem pessoal para reconhecer o que é de ordem estética. Eros foi muitas vezes silenciado [em sua produção]. Cabe a nós ouvi-lo”, disse Eliane, que também é escritora. “Sim, nosso escritor era homossexual, era gay. Há resquícios disso em sua obra, ainda que não possamos falar de uma obra homoerótica. Nosso desafio é não reduzi-lo à sua sexualidade”, acrescentou, num esforço de superar a banalidade da polêmica.

Filósofo que lecionou por anos na PUC-Rio, Eduardo Jardim examinou, à luz de sua trajetória pessoal, a diversidade característica do escritor, que ele atribui a uma “permanente dualidade”. “É uma espécie de bivitalidade, que marca todos os escritos e iniciativas de Mario de Andrade. Uma tensão da qual ele nunca escapou. Ao contrário, fez que ele continuasse produzindo”, disse o especialista, se referindo a embates de Mário entre suas facetas nacional e universal, intelectual e popular, exigente e sensual.

Já Beatriz Sarlo discorreu sobre as distâncias culturais entre a Argentina e o Brasil nos anos 1920, comparando Mário de Andrade em São Paulo a escritores que foram seus contemporâneos em Buenos Aires, como Jorge Luis Borges. “As diferenças entre eles começam com as pesquisas de Mário em música popular, que nunca teriam ocorrido a um escritor portenho da década de 20. Passam pelas viagens, como as que ele fez à Amazônia, e chegam ao caráter carnavalesco de sua obra, que continua uma profunda celebração da festa, do ritual”, declarou Sarlo. A ensaísta, que participa de outra mesa no sábado pela manhã, elogiou a multiculturalidade brasileira, que ela relaciona com uma personalidade mais aberta e cordial do que a argentina.

Deve ter se espantado quando, no meio da plateia, o ator Pascoal da Conceição surgiu declamando versos de Mário de Andrade citados inicialmente por Eduardo Jardim. Vestido a caráter, como costuma fazer em eventos relacionados ao intelectual, ele subiu ao palco para finalizar sua intervenção, bastante emotiva e tão pouco convencional de acordo com os moldes do evento. Ao contrário do que pensaram os presentes por alguns instantes, nada tinha sido programado. “Foi uma surpresa, mas até as surpresas podem fazer parte da Flip de vez em quando”, finalizou o curador da festa, Paulo Werneck.

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