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Livro póstumo de Scliar traz crônicas inéditas sobre judaísmo

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Autor gaúcho, que completaria 80 anos, terá mais três obras lançadas esse ano

Publicado em O Globo

RIO — Escritor compulsivo, Moacyr Scliar publicou, até sua morte, em 2011, mais de 80 livros, entre romances, contos, crônicas e infantis. E o número não para de aumentar. O autor gaúcho, que completaria 80 anos hoje, acaba de ganhar mais uma obra póstuma. “A nossa frágil condição humana” traz uma série de crônicas inéditas em livro, originalmente publicadas no jornal “Zero Hora”, onde colaborou durante 34 anos e publicou cerca de 5 mil textos. Esse vasto arquivo vem sendo destrinchado aos poucos pela viúva do escritor, Judith Scliar, e pela escritora e professora Regina Zilberman, organizadora da publicação. Depois de “A poesia das coisas simples” (2012), dedicado à cultura, e “Território da emoção” (2013), que se concentrava no exercício da medicina, “A nossa frágil condição humana” tem como recorte as incursões em temas judaicos, com 68 reflexões que abrangem três eixos: literatura, antissemitismo e as tensões entre Israel e os países árabes.

—A identidade judaica era muito forte para o Moacyr. Mesmo ele não sendo um ser religioso, isso transparece nos seus textos — diz Judith. — Ele era filho de imigrantes e morava no Bom Fim (bairro de imigrantes judeus de Porto Alegre). Uma de suas lembranças de infância é ver as famílias colocando cadeiras na calçada e contando durante horas histórias dos lugares de onde vinham.

Scliar. Escritor gaúcho publicou 80 livros até sua morte, em 2011, além de cerca de 5 mil crônicas - Divulgação / Agência O GLOBO

Scliar. Escritor gaúcho publicou 80 livros até sua morte, em 2011, além de cerca de 5 mil crônicas – Divulgação / Agência O GLOBO

 

Para Regina Zilberman, que organizou todos os três livros de crônicas póstumas de Scliar, o autor soube tratar, ao longo das décadas (a coletânea cobre de 1977 a 2010) assuntos espinhosos com um notável equilíbrio, especialmente no que diz respeito às relações entre Israel e outros países árabes.

— Ele tem uma visão crítica, mas que não é fundamentalista sobre o conflito — diz a organizadora. — Seu posicionamento lúcido, que apontava problemas de ambos os lados, é uma lição para a era de extremos em que vivemos hoje. Escolhemos esse título do livro para reforçar a ideia dele de que não adianta radicalizarmos: vivemos na fragilidade e há problemas que não podemos controlar. A vida humana é um cristal.

As milhares de crônicas do “Zero Hora” ainda devem render novos livros, mas Judith teve acesso recentemente a textos que Scliar assinava na “Revista Shalom”, publicação judaica de circulação restrita em São Paulo — e que também devem virar livro no futuro. Para o segundo semestre, estão previstos ainda os relançamentos de três obras que se encontravam fora de catálogo. A reunião de anedotas judaicas “Do Éden ao divã” (1991) sairá pela Companhia das Letras. Já a L&PM vai tirar do limbo “Histórias que os jornais não contam” (com crônicas escritas para a “Folha de S. Paulo” entre 2004 e 2008) e o raro “Mistérios de Porto Alegre”, coletânea de lendas urbanas e histórias curiosas ambientadas na capital gaúcha.

Há, porém, obras que provavelmente nunca chegarão — ou voltarão — a circular. É o caso da coletânea de contos “Histórias de médico em formação” (1962), obra de estreia de Scliar, que ele renega e que nunca chegou a ser relançada. Esgotada desde seu lançamento, há mais de 50 anos, a primeira edição está custando até R$ 1400 nos sebos virtuais. Diversos originais nunca publicados também continuam guardados a quatro chaves por Judith, em respeito à vontade do autor.

Anotações em cartão de embarque

Por outro lado, os estudiosos de Scliar têm a possibilidade de descobrir quase mil manuscritos e datiloscritos de seu acervo, digitalizados e disponibilizados desde 2015 para consulta pública no site do Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS (delfosdigital.pucrs.br). Entre os documentos, há anotações de ideias e esboços de narrativas que nunca foram escritas, além de obras abandonadas logo no início.

Os documentos comprovam a compulsão de Scliar pela escrita (para Regina, só Machado de Assis foi mais prolífico). O autor, que escreveu sua primeira história aos seis anos em um papel de cobrir pão, nunca perdeu o hábito de rabiscar em tudo que surgia a seu alcance. Há anotações em recibo de posto de gasolina, cartão de embarque e até receituário.

— Uma vez Moacyr teve uma ideia no banho e saiu do chuveiro às pressas para anotar — lembra Gabriel Oliven, cunhado do autor. — Foi obrigado a escrever em um papel higiênico.

Amigo de Scliar, o escritor Luiz Antonio Assis Brasil diz que aprendeu uma lição importante sobre pesquisa e escrita com o autor. Um dia, quando ambos conversavam sobre literatura, Scliar perguntou a Assis o que ele estava escrevendo.

— Por pura timidez, dei uma resposta breve, mas me lembro que eu disse que ainda estava na fase “das pesquisas” — conta o escritor. — Ele pensou um pouco, escolhendo as palavras, e de maneira indireta, me deu um conselho: “Pois sabe? Eu também pesquiso, quando não tenho muita familiaridade com o assunto. Mas vou até 10%” (posso estar equivocado quanto à porcentagem, mas era baixa) “e o resto eu deixo para a imaginação preencher”. Sem querer, aquilo foi uma aula, que eu imediatamente assimilei. Depois disso, a pesquisa, para mim, tornou-se mais leve e, digo ainda, perdeu o rigor de antes. E a imaginação, enfim, achou o seu lugar.

Diversos encontros lembrarão os 80 anos de Scliar. Dia 30 de março, em São Paulo, a USP organiza um Simpósio literário sobre o escritor. No dia 26 de maio, os escritores Ignácio de Loyola Brandão, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura e Antônio Torres se reúnem para um bate-papo no Centro Cultural da Santa Casa de Porto Alegre.

Inéditos de Dostoiévski chegam ao país em abril

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O escritor russo Fiódor Dostoiévski (Foto: Reprodução/Arte Revista CULT)

O escritor russo Fiódor Dostoiévski (Foto: Reprodução/Arte Revista CULT)

 

Entre eles está ‘Domovoi’, conto inacabado jamais publicado no Brasil; escritos foram encontrados em meio aos papéis do autor após a sua morte

Publicado na Revista Cult

Na segunda quinzena de abril, a Editora 34 lança uma reunião de contos de Fiódor Dostoiévski, cinco deles totalmente inéditos no Brasil: Como é perigoso entregar-se a sonhos de vaidade (1846), Pequenos quadros (durante uma viagem) (1874), Plano para uma novela de acusação da vida contemporânea (1877), O tritão (1878) e Domovoi.

São 28 contos escritos entre 1846 a 1880, muitos dos quais serão publicados com tradução direta do russo pela primeira vez no país. Entre eles estão títulos como Romance em nove cartas (1847), Um menino na festa de Natal de Cristo (1876), Dois suicídios (1876) e Uma história da vida infantil (1876).

Entram como “anexo” o inacabado Domovoi, encontrado em meio aos papéis do autor após a sua morte, em 1881, e jamais publicado no Brasil; além de outros três contos inéditos no país enquanto narrativas separadas: A mulher do outro (1848) e O marido ciumento (1848) – originalmente publicados como A mulher do outro e o marido debaixo da cama (1860) –, e Histórias de um homem vivido, que veio a público também em 1848 como um conto em duas partes.

Um dos autores russos mais lidos e estudados no mundo, o autor de Crime e castigo (1866) e Os irmãos Karamazov (1880) iniciou sua carreira literária em meados dos anos 1840 e viveu em uma época de grandes transformações sociais. Teve grande influência no processo de evolução da literatura russa e mundial no século 20.

‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, de Machado de Assis, é um dos 5 livros preferidos de Woody Allen

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Publicado em Todo Dia

“Memórias Póstumas de Brás Cubas”, obra de Machado de Assis, aparece em lista que o cineasta Woody Allen escreveu para o jornal britânico “The Guardian” sobre os seus cinco livros prediletos.

Segundo o cineasta, ele recebeu o livro em sua correspondência. “Algum brasileiro desconhecido me mandou por correio e escreveu ‘você vai gostar disso’. Como é um livro pequeno, eu li. Se tivesse sido um livro grosso, eu teria descartado”, afirmou.

Allen disse que ficou surpreso como o livro é encantador e divertido. “Eu não pude acreditar que ele [Machado de Assis] viveu há tanto tempo. Você pode pensar que ele escreveu o livro ontem. É tão moderno e tão divertido. É uma obra de trabalho muito, muito original. Tocou um sino em mim assim como ‘O Apanhador no Campo de Centeio’. Foi tratado com grande inteligência, originalidade e sem sentimentalismo.”

Machado de Assis

Machado de Assis

 

No livro, é o próprio protagonista, morto, quem conta sua história. Os outros livros que compõem a lista são “O Apanhador no Campo de Centeio” de JD Salinger, “Really the Blues”, de Mezz Mezzrow e Bernard Wolfe, “O Mundo de S. J. Perelman”, de S. J. Perelman, e “Elia Kazan: A Biografia” de Richard Schickel.

| FOLHAPRESS

Fenômeno de autor romeno, “O livro dos espelhos” chega ao Brasil

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Publicado na Sopa Cultural

E.O. Chirovici nasceu na Transilvânia, numa família de origem romena, húngara e alemã. Escreveu seus primeiros livros em romeno, e as obras foram best-sellers no país do leste europeu, vendendo milhares de exemplares. Ao escrever seu primeiro livro em inglês, o autor se surpreendeu com a recepção entusiasmada: o título foi a sensação da Feira de Frankfurt de 2015, dois anos antes de chegar às livrarias, e foi vendido a peso de ouro para editoras em 38 países. Embora Chirovici seja, por si só, um personagem fascinante, é a trama habilmente construída de “O livro dos espelhos” que causou todo esse impacto e promete fisgar os leitores. A obra chega às livrarias brasileiras pela Record em março, num lançamento simultâneo com os outros 37 países.

Narrada por quatro personagens diferentes, a trama começa na voz de Peter Katz, um agente literário que recebe por email o trecho de um manuscrito intitulado “O livro dos espelhos”. O autor se chama Richard Flynn e, no texto, relembra um período de seus dias na faculdade, no fim dos anos 1980. Na segunda parte, lemos o manuscrito de Flynn, que narra a relação entre ele, uma amiga da faculdade e Joseph Wieder, um renomado psicólogo. Wieder foi brutalmente assassinado naquela época; um crime que ficou famoso mas jamais foi solucionado. O trecho enviado para Katz termina exatamente nas horas anteriores ao assassinato.

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Curioso e convencido de que o manuscrito vai enfim revelar o assassino – e garantir um contrato milionário com uma editora – Katz vai atrás de Flynn, mas ele está em coma, à beira da morte, num hospital. E ninguém sabe onde está o restante do original. O agente então contrata John Keller, um repórter investigativo, para desenterrar o caso e reconstituir o crime.

Na terceira parte, acompanhamos a investigação de Keller, cujas entrevistas e pesquisas revelam um verdadeiro jogo de espelhos, uma trama complicada em que verdades e mentiras nem sempre são absolutas. No fim, um quarto personagem consolida o desfecho da história. Mais do que escrever um suspense ou uma simples trama policial para descobrir um assassino, Chirovici constrói uma narrativa intricada, literária e elegante, onde fala sobre como as memórias, a realidade e a verdade podem ser relativas.

TRECHO:

“Eu falei para Laura que, para mim, era difícil concordar com aquela teoria, mas ela me desafiou.

– Você nunca teve a sensação de que já viveu algo ou esteve em determinado lugar, e depois descobriu que jamais esteve ali, que apenas ouviu histórias sobre o local quando era criança, por exemplo? Sua memória simplesmente apagou a lembrança da história que lhe foi contada e a substituiu por uma vivência.

Lembrei que, por um bom tempo, achei que tinha visto o Super Bowl de 1970 na televisão, que tinha visto os Kansas City Chiefs derrotarem os Minnesota Vikings. Mas, na verdade, eu tinha apenas quatro anos na época e só achei que tinha visto porque ouvi meu pai contar histórias sobre aquele jogo várias vezes.”

E.O. Chirovici nasceu na Transilvânia. Possui doutorado em Economia, Comunicação e História, e é membro da Academia de Ciências Romena. Trabalhou como jornalista por muitos anos e recebeu vários prêmios e honras importantes, incluindo a Medalha Kent, em 2009, pelas mãos do Príncipe Edward, Duque de Kent. Ele já escreveu 10 romances em romeno, todos sucessos de venda na Romênia. Tem se dedicado apenas à literatura desde 2013, e atualmente vive em Bruxelas com a esposa.

A Torre Negra | Stephen King divulga o primeiro pôster do filme

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João Abbade, no Jovem Nerd

Stephen King divulgou no seu Twitter o primeiro pôster oficial da adaptação cinematográfica de A Torre Negra. A imagem mostra uma realidade invertida enquanto Idris Elba e Nicholas Hamilton olham para o horizonte. O pôster ainda contém os dizeres: “Existem outros mundos além deste.”

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Nikolaj Arcel vai dirigir o filme, que é o primeiro de uma trilogia. Ainda não se sabe exatamente como será o desenvolvimento da história, mas a expectativa é que eles não sigam 100% os livros. Stephen King, entretanto, já deu sua benção para a produção.

A Torre Negra chega aos cinemas em 28 de julho.

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