Cada um na sua casa

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11 livros que todo mundo deveria ler aos 20 anos

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(Foto: Jens Schott Knudsen / flickr / creative commons)

(Foto: Jens Schott Knudsen / flickr / creative commons)

Publicado na Galileu

Já perguntamos que livros nossos leitores gostariam de ter lido na escola/na infância – e as respostas foram tão incríveis que fizemos uma matéria com a lista. Mas ficamos curiosos: qual leitura você recomenda para jovens que estão com cerca de 20 anos? Perguntamos tanto a quem já passou dessa idade quanto aos mais novos. Recebemos mais de 400 comentários – e listamos alguns dos melhores:

1. Revolução dos Bichos – George Orwell (por Nôni Simon)

2. 1984 – George Orwell (por Nôni Simon)

3. Uma Breve História do Tempo – Stephen Hawking (por Wéliton Rodrigues)

4. A Arte da Guerra – Sun Tzu (Amanda Araújo)

5. Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquez (Adair Paulo)

6. O senhor dos anéis – J.R.R Tolkien (Marcos Andersen)

7. Vidas Secas – Graciliano Ramos (Thalita Rocha)

8. A insustentável leveza do ser – Milan Kundera (Thamiris Figueiró)

9. Crime e Castigo – Fiódor Dostoiévski (Jéssica Amorim)

10. Clube da Luta – Chuck Palahniuk (Janine Cecilia)

11. Os trabalhadores do mar – Victor Hugo (Norio Kuwahara)

Editora Simonsen lança canal exclusivo de crowdpublishing

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Editora Simonsen lança canal exclusivo de crowdpublishing, ferramenta de divulgação e pré-venda de livros

Vilto Reis, no Homo Literatus

A aposta é em uma estratégia que procura antecipar o risco de um projeto conseguindo o financiamento e o público final antes mesmo da produção do livro

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“Será que a falta de interesse pela leitura é generalizada e irreversível, ou as editoras é que estão com dificuldade para conquistar seu público?”, com este questionamento, o editor Rodrigo Simonsen resolveu apostar em uma nova ferramenta de publicação, o crowdpublishing.

O conceito vem do exterior, uma estratégia que procura antecipar o risco de um projeto conseguindo o financiamento e o público final antes mesmo da produção do livro. Ao apresentar o produto para o leitor, este tem a possibilidade de contribuir e viabilizar a realização.

O sistema utilizado pela Simonsen é o da Kickante com um histórico de mais de 1000 campanhas implementadas e cerca de R$ 4 milhões em colaborações arrecadadas. Já são quatro campanhas de sucesso, duas delas finalizadas com mais de 120% da meta arrecadada, mas a editora vem com uma aposta mais ousada. Foram lançadas dez campanhas no mesmo dia, para dez livros diferentes.

A CEO da Kickante, Tahiana D’Edgmont, mostra-se empolgada diante do cenário:

“Com a arrecadação de mais de 100% das metas propostas em campanhas de livros, principalmente as da Simonsen, criamos um canal exclusivo para a divulgação dos livros da editora. Enxergamos um grande potencial nesse segmento que já mostrou em diversas campanhas que merece uma atenção especial do financiamento coletivo. Estamos chamando o conceito de ‘crowdpublishing’, que engloba editoras que estão recorrendo com sucesso ao crowdfunding para lançar uma série de publicações.”

Clique aqui para conhecer os projetos no canal exclusivo da Simonsen.

Quadrinho premiado com a temática do luto, Peixe é um dos primeiros projetos

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Entre os projetos do canal de crowdpublishing da Simonsen, o quadrinho Peixe se destaca por ser uma obra que possui inúmeras reflexões, sempre com beleza e sutileza. De autoria da italiana Bianca Bagnarelli, a obra foi premiada com a medalha de ouro da Associação dos Ilustradores de Nova York.

A sinopse é a seguinte:

“Milo perdeu os pais no último verão, num acidente de carro, e agora mora com os avós numa Riviera Francesa de cores marcantes, repleta de roxos, rosas, vermelhos e marrons. Não há felicidade nestas férias. Mesmo que o cenário seja familiar e cheio de boas memórias, a lembrança da morte está em todo canto. Ele a vê onde quer que vá, no que quer que faça, e a fragilidade da existência povoa cada um de seus pensamentos.”

Apoie este projeto para vê-lo traduzido e publicado no Brasil.

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Para incentivar leitura, projeto registra pessoas e seus livros no metrô de São Paulo

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Publicado em EBC

Em tempos de tecnologia à palma da mão, quem ainda prefere os bons e velhos livros de papel chama a atenção por onde anda. E foi prestando atenção em quem aproveita o tempo de trajeto do metrô para ler que quatro amigos criaram o projeto “Tem mais gente lendo”, no qual mostram pessoas e seus livros para festejar, cultuar e apoiar o gesto da leitura nos espaços públicos.

A ideia sugiu há cerca de dois anos, quando o jornalista Sérgio Miguez criou a hashtag #temmaisgentelendo. E no início de 2014, o também jornalista Hamilton dos Santos passou a fotografar as pessoas que observava nos vagões do metrô de São Paulo. “Comecei a ver naquilo um fenômeno que ia na contramão das previsões de que o livro físico estava condenado e dando seus últimos suspiros”, lembra.

Hamilton conta que costuma ler alguns capítulos e fragmentos digitais pelo smartphone, no entanto, com o tempo está passando a se dedicar a fotografar as pessoas em seus momentos de leitura. Ele tem a preocupação de buscar não identificar as pessoas em suas fotos, devido aos direitos de imagem de cada um. “Avisamos no blog que se a pessoa não quiser, retiramos a foto. Com o crescimento do projeto, passaremos a andar com um formulário de autorização de uso de imagem”, planeja.

A ideia é que o “Tem mais gente lendo” se torne cada vez mais colaborativo; com imagens enviadas por pessoas que usam o transporte público. “As pessoas estão mandando fotos e essa era mesmo a ideia. Mandam fotos muito boas. Já publciamos algumas e vamos continaur publciando na timeline da página”, celebra Santos.

O projeto é semelhante ao Underground New York Public Library, que também registra leitores no transporte público de Nova York. A iniciativa criada por Ourit Ben-Haim existe desde 2008 e já teve mais de 56 mil curtidas em sua página do Facebook. No blog, Hamilton também publicou uma entrevista com o fotógrafo holandês Reinier Gerritsen, autor da série intitulada “The Last Book” (O Último Livro), na qual ele reuniu retratos de passageiros lendo livros no metrô da cidade norte-americana.

O vídeo abaixo mostra algumas das imagens já captadas pelo “Tem mais gente lendo”. Assista:

Imagem de Amostra do You Tube

‘Game of thrones’ volta com surpresas até para os fãs dos livros

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Sansa Stark (Sophie Turner) e Mindinho (Aidan Gillen) em cena da quinta temporada de 'Game of thrones' - Divulgação

Sansa Stark (Sophie Turner) e Mindinho (Aidan Gillen) em cena da quinta temporada de ‘Game of thrones’ – Divulgação

Quinta temporada da série é exibida mundialmente a partir de 12 de abril

Eduardo Rodrigues, em O Globo

LONDRES — A guerra de spoilers vai recomeçar, desta vez envolvendo o mundo todo ao mesmo tempo. Em duas semanas a quinta temporada de “Game of thrones” vai estrear simultaneamente em mais de 170 países (a ONU tem 192 estados-membros). No Brasil os dez episódios vão ao ar aos domingos, às 22h, a partir de 12 de abril, na HBO. Os ingleses precisarão segurar o sono para assistir ao programa às 2h, enquanto na Austrália as sangrentas batalhas serão acompanhadas pelo desjejum, às 11h da manhã.

Imagem de Amostra do You Tube

A premiada saga estreou em 2011 e desde então vem batendo seguidos recordes de popularidade. Já se tornou a série mais vista da HBO, desbancando “Família Soprano” e “True Blood” e, desde 2012, é também a mais pirateada na internet. Esses altos números de pirataria — localizados em países onde a exibição acontecia com atraso de um dia ou mais — serviram de incentivo para a emissora acionar sua ampla rede de subsidiárias e parceiros ao redor do mundo para oferecer o programa de forma legal ao maior número possível de espectadores.

Os motivos do sucesso da série já foram amplamente debatidos nos quatro primeiros anos e reiterados por atores do programa numa série de entrevistas em Londres: a qualidade do texto, a complexidade da história e dos personagens, a forma realista como retrata um mundo medieval, mesmo com elementos de fantasia, e, claro, muito sexo e muita violência sem nenhuma censura.

— Eu gosto de programas de fantasia, mas acho que não alcançam o público por serem muito irreais — sugere Sophie Turner, a Sansa Stark. — Nós temos dragões, zumbis, monstros, mas também relacionamentos como o de Jon (Snow) e Sam (Tarly). Todos têm um amigo como aquele. E a política é a mesma de hoje, apesar dos elementos fantásticos.

E a violência?

— Não acho que em “Game of thrones” haja limite para qualquer coisa. Isso é ótimo, pois extrapolamos os limites. Então acho que quanto mais violento, melhor — arremata Sophie.

Liam Cunningham, o ex-contrabandista Davos, inverte o jogo, questionando aqueles que criticam a brutalidade do programa:

— A série é sobre paranoia, vingança, legado e controle. Então, o fato de acontecimentos dos últimos anos, especialmente no Oriente Médio e na Ucrânia, terem similaridades com a série, isso sim me deixa assustado. Os paralelos que temos em um mundo no qual o homem comum não tem importância para as pessoas no poder reflete o que acontece hoje. Na maior parte do tempo esses caras estão falando sobre política.

Maisie Williams como Arya Stark - Divulgação

Maisie Williams como Arya Stark – Divulgação

Essa brutalidade promete ser ainda maior na quinta temporada, que também deve superar todas as outras em imprevisibilidade. “Game of thrones” já ficou famosa por matar protagonistas sem nenhuma cerimônia — seguindo a história da “Saga de gelo e fogo”, escrita por George R.R. Martin com inspiração na Guerra das Rosas, que sacudiu a Grã-Bretanha no século XV. E Martin já avisou que “personagens que não morrem nos livros vão morrer na série, então até os leitores ficarão tristes”. Um dos ditados do mundo ficcional é “valar morghulis”, ou “todos os homens devem morrer”. Com isso, mesmo os principais atores da trama têm motivos para se preocupar.

— Se a morte servir bem ao programa e eu sentir que foi justo com meu personagem, sinceramente já tive uma grande passagem — fala Kit Harington, ao ser perguntado sobre a possibilidade (inaceitável para a maioria dos fãs) de Jon Snow deixar a história.

A imprevisibilidade é tanta que ele decidiu ler apenas suas partes do roteiro, para experimentar a série como um espectador comum:

— Nesta temporada eu li apenas as minhas partes, então não sei nada. Eu li até o livro quatro e queria ver o programa e ser conquistado por ele, entender o que o público vê nele.

Enquanto o terceiro livro (“Tormenta de espadas”) foi dividido entre a terceira e a quarta temporadas, a quinta segue as histórias contadas paralelamente entre o quarto e o quinto volumes (“O festim de corvos” e “A dança dos dragões”). Com as mortes recentes de personagens importantes (“reis estão morrendo como moscas”, já disse o anão Tyrion Lannister, que deu um Globo de Ouro a Peter Dinklage) um vácuo de poder surgiu e muitos personagens vão em busca de vingança e novas alianças.

Peter Dinklage como Tyrion Lannister - Divulgação

Peter Dinklage como Tyrion Lannister – Divulgação

Tyrion termina a quarta temporada fugindo para o exílio, após escapar de uma condenação à morte, numa sentença proferida pelo próprio pai. Esse exílio trará encontros inesperados ao personagem. Jon Snow já viveu um encontro desse tipo, quando negociava com os selvagens ao norte da Muralha e foi surpreendido pelos exércitos de Stannis Baratheon, um dos pretendentes ao trono, e sua conselheira, Melisandre.

Daenerys Targaryen, a herdeira ao trono exilada desde a primeira temporada, passa por momentos difíceis com os dragões que deveriam ser a sua maior arma. Um deles matou uma criança e desapareceu, forçando-a a acorrentar os outros dois. Ela ainda precisa aprender a se virar sem seu principal conselheiro, Jorah Mormont, expulso depois da descoberta de uma traição.

— Sir Jorah sempre foi seu confidente e conselheiro desde a primeira temporada. Como esse relacionamento deteriorou, foi preciso procurar outra pessoa e ela respeita a visão clara de Missandei. Antes ela sempre teve conselhos de homens mais velhos, agora tem uma visão mais contemporânea — fala a atriz Emilia Clarke.

Em meio a tudo isso, os espectadores ainda serão apresentados à família Martell, que entrará no jogo para vingar o príncipe Oberyn, morto em um combate eletrizante na temporada anterior. Com os Martell, o público será apresentado também ao reino de Dorne, com cenas filmadas no castelo Alcázar e arredores de Sevilha, na Espanha.

Todas essas tramas — e mais algumas — precisam encontrar solução até a sétima temporada, se for feito o desejo dos produtores David Benioff e D.B. Weiss. Mas Michael Lombardo, diretor da HBO, já deixou claro que por ele a série pode chegar a dez temporadas. Não é fácil abandonar uma galinha dos ovos de ouro.

*O repórter viajou a convite da HBO

40 anos após produção do livro brasileiro “A Ilha”, veja o que mudou em Cuba

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Armando Pereira Filho, no UOL

Faz 40 anos que o jornalista e escritor Fernando Morais realizou sua primeira viagem a Cuba. Ele foi lá no começo de 1975 atrás de informações para escrever um livro que se tornou clássico e referência da esquerda: “A Ilha – Um Repórter Brasileiro no País de Fidel Castro”, publicado no ano seguinte, 1976.

Ganhador de três prêmios Esso (distinção máxima do jornalismo) e autor de best-sellers como “Olga” e “Chatô, o Rei do Brasil”, Morais fez um relato sobre a situação do país, mostrando aspectos como embargo econômico dos EUA, sistema de saúde e educação, mortalidade infantil, alimentação, educação, prostituição e drogas.

Muita coisa mudou nessas quatro décadas no mundo. Cuba esteve no noticiário recente com o anúncio de reaproximação diplomática com os EUA.

Lembrando os 40 anos da viagem que deu origem ao livro, o UOL esteve na ilha e fez uma comparação entre o relato de Fernando Morais e os dias atuais. Veja a seguir os principais pontos:

Salários

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Em 1975, a média salarial em Cuba era de 180 pesos mensais, o que equivalia a US$ 219, segundo “A Ilha”, de Fernando Morais. Hoje o salário médio é de 471 pesos cubanos (CUP), o que dá só US$ 18. Em pesos, o salário subiu 162%. Mas, em dólares, a perda foi de 92%. Trabalhadores em turismo (como táxi e hotéis) ganham mais, incluindo gorjetas, mas não há estimativas oficiais.

Cuba tem duas moedas: o peso cubano (CUP), usado para pagar os salários dos habitantes do país e comprar os produtos subsidiados pelo Estado, e o peso conversível (CUC), usado por estrangeiros e cubanos para comprar produtos no mercado livre. O CUC é a moeda forte. 1 CUP vale US$ 0,04, enquanto 1 CUC vale US$ 1.

Racionamento

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Cuba tem uma “caderneta de abastecimento”, como chama o governo, ou de “racionamento”, como dizem os críticos. Garante comida subsidiada a preços simbólicos a todos os 11,2 milhões de cubanos (1 kg de arroz custa R$ 0,05). Tem itens como arroz, feijão, leite, café e papinha para crianças, em quantidades limitadas.

Quando Fernando Morais visitou Cuba, em 1975, esperava-se o fim breve da caderneta. “Acredito que, em um ano, o racionamento tenha acabado”, dizia a cubana Eliana, citada no livro.

Em outro ponto, Morais registra: “O racionamento, segundo dizem os cubanos, já está chegando ao fim”. A previsão não se confirmou. A caderneta já dura mais de 50 anos. Foi implantada em 1963.

Veja alguns itens que a caderneta permite a cada cubano comprar por mês, a preços subsidiados:

2,4 kg de arroz
280 gramas de feijão
5 ovos
1 kg de frango
30 pães (1 por dia)
3 kg de leite em pó (só para crianças até 7 anos)
13 potes de papinha para bebês (até 3 anos de idade),
1 pacote de café
1,8 kg de açúcar
230 gramas de óleo

A quantidade é pequena e os itens não dão para um mês inteiro, duram de 12 a 15 dias, reclamam os críticos do regime. O governo de Cuba argumenta que não se trata de racionamento, mas de garantia de um mínimo básico a toda a população.

Opções à caderneta

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Os cubanos podem comprar mais do que é definido na caderneta de abastecimento ou racionamento, mas aí pagam o preço de mercado, muito mais alto (de 70 a 150 vezes mais).

1 kg de leite em pó subsidiado: 2,50 pesos cubanos (US$ 0,09)
1 kg de leite em pó no mercado livre: 6,60 pesos conversíveis (US$ 6,60, 70 vezes mais).
1 kg de arroz subsidiado: 0,5 peso cubano (US$ 0,02)
1 kg de arroz no mercado livre: 2,50 a 3 pesos conversíveis, 150 vezes mais (US$ 2,50 a US$ 3 o quilo)

A caderneta de abastecimento ou racionamento já teve mais itens, como ervilhas, batatas, sabonetes, pasta de dentes e até cigarros, mas Raúl Castro, irmão de Fidel, vem cortando a oferta desde 2010. O governo gasta mais US$ 1 bilhão por ano com o subsídio. O Estado paga 88% dos custos, e as pessoas arcam com 12%.

Comida para estudantes e trabalhadores

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Fernando Morais observou em seu livro que havia um atenuante ao racionamento: locais de trabalho serviam almoço e jantar subsidiados, e as escolas, em todos os níveis, davam café da manhã, almoço e jantar grátis aos alunos. Isso ajudava a complementar a caderneta de abastecimento ou racionamento.

Hoje parte dos estudante paga pela alimentação ou leva comida de casa.

As crianças de 1 ano a 5 anos ficam nas creches das 8h às 17h, e isso custa 40 pesos cubanos mensais (US$ 1,50, 8,5% do salário médio cubano). Café da manhã e almoço estão incluídos.
No ensino fundamental, de 5 anos a 12 anos, também em horário integral, alunos ganham lanche e almoço grátis.
No ensino médio, de 13 a 15 anos, em período integral, é servido um lanche. Muitos alunos levam comida de casa.
No ensino pré-universitário ou universitário, há cafeterias com lanches que custam de 1,5 a 3 pesos cubanos (de US$ 0,06 a US$ 0,12). Também é comum levar comida de casa.

Em 2012, houve corte de refeições nos locais de trabalho. Almoços continuam sendo servidos em áreas estratégicas, como hospitais, escolas e instalações no campo (onde não há restaurantes). Para compensar o corte de comida, os funcionários tiveram aumento de 300 pesos cubanos por mês.

Desnutrição infantil

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Em 1975, crianças de até 7 anos e idosos de mais de 65 anos ganhavam 1 litro de leite por dia em Cuba, relatou Fernando Morais. Hoje o leite não é mais distribuído a idosos e também não é grátis para crianças.

Tem um valor muito subsidiado no esquema da “caderneta de abastecimento” ou de “racionamento”, em que cada cubano pode comprar uma quantidade limitada por mês. Nessas condições, o quilo custa 2,50 pesos cubanos (US$ 0,09 ou R$ 0,27). O limite é 3 kg de leite em pó por mês para cada criança de até 7 anos.

O governo de Cuba diz que a FAO (órgão da ONU para agricultura) reconhece que o país é o que tem mais avanços na América Latina contra a desnutrição.

Segundo os dados mais recentes disponíveis, de 2006, do Unicef, Cuba é um dos três melhores países da América Latina e Caribe em relação à desnutrição infantil, com 4% das crianças de até 5 anos abaixo do peso. O Chile liderava a região com 1%. O Brasil tinha 6%, e a Etiópia (África), 47%.

Mortalidade infantil

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Fernando Morais relata que, na Cuba de 1975, a taxa de mortalidade infantil havia sido reduzida a 27,4 por mil nascimentos (a mais baixa da América Latina e inferior à de algumas regiões dos EUA, segundo a ONU). O número mais recente (2013) é melhor ainda, e o país está à frente de EUA e Brasil: 5,4 crianças mortas por mil nascidos vivos, segundo o Unicef. No Brasil, é mais que o dobro disso (12,1 por mil nascidos). Nos EUA, são 6,2 mortos por mil nascidos.

Saúde e educação grátis

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A saúde e educação são dois orgulhos de Cuba. Fernando Morais relatava em 1975: “São gratuitos quase todos os serviços básicos: educação, alimentação escolar, roupas de estudantes, livros e cadernos, assistência médica e remédios. Não pagam impostos e sofrem desconto de 6% no salário (pagamento de aluguel para quem não tinha casa antes da revolução)”. “Em Havana ou em qualquer outro ponto do interior do país”, assegurou [um médico], “o tempo gasto por um paciente para ser atendido é o que ele leva de sua casa a um posto médico ou hospital”.

Hoje os serviços sociais continuam gratuitos, entre eles educação e saúde. Mas moradores reclamam que as farmácias populares, onde se distribuem remédios, faltam muitos itens. Já nas farmácias em hotéis para turistas (com preços em dólares) não falta nada, diz um morador de Havana Vieja. Ele também afirma que operações que não sejam de emergência têm muita espera.

O governo cubano admite “deficiências organizacionais e de gestão nos serviços farmacêuticos”, mas diz que faltam apenas 5% dos remédios (41 de um total de 888).

Médicos

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Segundo Morais, Cuba tinha, em 1975, 7.200 médicos (7,69 médicos por 10 mil habitantes). Agora saltou quase nove vezes: são 67,2 médicos por 10 mil habitantes. É mais que o triplo da média nas Américas (20,8) e bem maior que nos EUA (24,5) e no Brasil (18,9 médicos por 10 mil habitantes). Os dados são da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Casas e terras

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Em 1975, Fernando Morais descreveu que Cuba era o único país da América Latina que não tinha favelas. Hoje o país continua sem favelas, mas há cortiços e prédios em más condições. No centro de Havana, é fácil encontrar problemas. Uma senhora reclamou do elevador de um prédio quebrado há meses em Havana Vieja. O governo cubano já reconheceu deficit habitacional. Em 2005, era estimado em mais de 500 mil moradias.

O governo cubano vem ampliando o direito à propriedade – primeiro permitindo a permuta de imóveis e depois a compra e a venda. O Estado também transferiu boa parte de suas terras para pequenos agricultores, permitindo a venda do excedente da produção pelas cooperativas por preços livres (em pesos nacionais), depois de uma longa crise de desabastecimento.

Prostituição e drogas

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Fernando Morais relata que procurou testar a informação de que prostituição e drogas haviam sido eliminadas pela revolução. Falou com taxistas, universitários e frequentadores de clubes noturnos. “Manifestei minha incredulidade… [e] resolvi tirar a limpo a questão… procurando drogas e prostitutas como se estivesse pessoalmente interessado. Uma noite tomei um táxi e fui direto no assunto com o motorista. Ele respondeu: ‘Não, compañero. Aqui não temos mais essas coisas'”, descreve o autor em “A Ilha”. Todos os entrevistados por ele no livro confirmaram a ausência desses delitos.

Hoje há prostituição e drogas no Malecón (passeio na orla de Havana) e em clubes noturnos. Em resorts de Varadero, é possível encontrar turistas mais velhos acompanhados por uma ou mais cubanas jovens. O aumento de estrangeiros esperado com a retomada das relações com os EUA pode estimular o turismo sexual.

Cuba afirma que ampliou as penas em caso de proxenetismo [exploração de prostituição], chegando a 30 anos de prisão.

Propaganda

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Fernando Morais viu em 1975 muitos cartazes e outdoors de propaganda política, como era comum em países socialistas. “Os outdoors onde antigamente eram colados cartazes de publicidade foram multiplicados no país e transformados em veículos só de propaganda política e estímulo à produção agrícola e industrial… Viajando pela carretera central, que atravessa o país de ponta a ponta, pode-se ver, de um lado e de outro, os cartazes coloridos: ‘Os homens morrem, o Partido é imortal'”.

Hoje em dia há pouca propaganda política, com alguns cartazes dos líderes revolucionários Che Guevara e Camilo Cienfuegos. E são encontradas propagandas de multinacionais como a Puma, no estatal Palácio de Artesania (centro de artesanato), em Havana.

Discursos políticos nos feriados nacionais também não são mais comuns, como nos tempos de Fidel. A Praça da Revolução e a Tribuna Anti-imperialista estavam vazias durante 1º de janeiro, dia do “Triunfo da Revolução”. Não houve discursos ou manifestações durante o dia, apenas festas com shows à noite.

Segundo uma vendedora de uma loja no Palácio de Artesania, nos últimos anos o 1º de janeiro tem sido apenas um “feriado, um dia tranquilo”, sem discursos.

Coca-Cola e McDonald’s

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A indústria de refrigerante e cerveja era modesta na visita de Morais. “A cerveja Atuey e os refrigerantes Som, de cinco sabores, produzidos no país, não têm rótulo nem chapinha impressa: são identificados pelo formato da garrafa ou pela cor do líquido”, escreveu o autor.

Hoje a cervejaria Bucanero produz bebidas com rótulo comercial normal (Cristal, Bucanero, Mayabe). Depois do anúncio de reaproximação entre EUA e Cuba, em 17 de dezembro de 2014, um dos filhos de Fidel, Alex Castro, disse que Coca-Cola e McDonald’s são bem-vindos em Cuba, se quiserem se instalar lá.

Cassinos

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Nos primeiros tempos da revolução, foram fechados os cassinos, eliminando-se os jogos de azar, relata Morais.

Mas hoje sobrevive uma loteria clandestina, chamada de “bolita” ou “charada”. Moradores trabalham como anotadores das apostas, numa função parecida com a do pessoal que opera no jogo do bicho no Brasil. David, de Havana Vieja, é um desses “funcionários”. Também há rinhas de galo, igualmente proibidas.

Turismo

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A presença de turistas causava desconfiança em 1975, relata Fernando Morais. “O governo fazia sérias restrições à entrada de ianques no país mesmo antes do bloqueio: afirmava-se que os grupos de turistas poderiam ocultar ‘contrarrevolucionários e agentes da CIA’.”

A cidade praiana de Varadero tinha colônia de férias exclusivamente para cosmonautas russos e suas famílias e um edifício para filhos de operários do mundo inteiro.

Hoje, embora americanos sejam raros, há turistas de vários pontos do mundo. Varadero concentra resorts internacionais no esquema “all inclusive”. O filho de Che Guevara oferece a turistas viagens de motocicleta por Cuba. O restabelecimento das relações diplomáticas com os EUA promete incrementar o turismo. A empresa aérea norte-americana Jet Blue já anunciou que fará aumento de voos entre os dois países.

Gorjetas

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No livro, Morais relata a ausência de gorjetas no país e diz que o carregador do hotel Nacional, o mais famoso no país, não aceitou nenhuma recompensa.

Hoje trabalhadores de todas as áreas, como garçons, carregadores de malas, barmen em hotéis e restaurantes e faxineiras de banheiro esperam por gorjetas.

Esporte

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Em 1975, na visita de Fernando Morais, o esporte nacional era o beisebol, e o país se destacava, sendo campeão mundial por anos sucessivos.

O beisebol está perdendo espaço hoje em dia, trocado pelo futebol. A transmissão pela TV de jogos do Campeonato Espanhol atrai os mais jovens. Cristiano Ronaldo e Messi são ídolos. Pelas ruas, encontram-se cubanos vestindo camisas de futebol e crianças jogando bola na rua. Cuba não é mais a campeã de beisebol há vários anos.

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