Apaixonada por Histórias

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O homem que distribuía livros

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O homem que distribuía livros
Conheça a história de Binho, o criador da Bicicloteca

Robinson Padial, no Projeto Draft

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Binho. Do Bar do Binho. Do Sarau do Binho. Da Bicicloteca. Um poeta cuja maior poesia é distribuir livros.

“Nasci em Taboão da Serra e fui criado no Campo Limpo, bairro da zona sul de São Paulo, carente de centros culturais. Sempre gostei de literatura, mas quando era mais jovem tinha que me deslocar para outros lugares em busca de bibliotecas.

“Há quase vinte anos abri o Bar do Binho, que hoje não funciona mais. A coisa mais bacana que acontecia por lá era a Noite da Vela, evento em que nos reuníamos para ouvir boa música em discos de vinil, sob luz bem baixinha. Apareciam umas 30 pessoas, e vez ou outra alguém resolvia recitar poesias.”
“Acho que aquele ambiente acolhedor, repleto de amigos, inspirava potenciais poetas. E não é que surgiram alguns? Em 2013 até lançamos um livro, o Sarau do Binho, que reúne poesias de 179 autores da região.

“Em 2004, a Noite da vela deu lugar ao Sarau do Binho, evento que acontece toda semana em escolas, praças e até em unidades do Sesc de bairros distantes da zona sul. Também já inventamos outras atividades itinerantes, como a Bicicloteca, que começou em Mongaguá, no litoral paulista. Era assim: uma bike adaptada repleta de livros rodava divulgando o sarau e distribuindo exemplares. Também já fomos até Curitiba organizando saraus em várias cidades. E, detalhe, caminhando!

“Além do grupo de amigos poetas, minha mulher, a Suzi, sempre me apoiou. Ela me ajuda, e muito, na nossa nova empreitada: receber doações de livros e distribuí-los sem custo no Terminal Campo Limpo. O evento, que acontece em média a cada dois meses desde 2013, arrecada mais de 3 mil livros a cada vez que acontece. Os exemplares costumam acabar em menos de 5 horas.

“Meu sonho, atualmente, é morar fora de São Paulo, em um sítio, e fazer deste lugar um centro cultural. Se acho que o meu trabalho na capital vai acabar? Claro que não. A semente já está plantada!”

Robinson Padial, o Binho, 50, poeta, vive em São Paulo (SP).

Esta matéria, e muitas outras conversas de marca da Natura, podem ser encontradas na Sala de Bem-Estar, no Rede Natura. Seja bem-vindo!

Envie a sua história para a Sala de Bem-Estar da Natura. A Natura quer conhecê-la. A Natura quer publicá-la.

Conheça quatro serviços de assinaturas de livros

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Conheça quatro serviços de assinaturas de livros

Foto: Pedro Scott / Divulgação

Além da opção de leitura online das obras, há também os clubes de assinantes, nos quais são entregues, na casa do leitor, livros escolhidos por curadores especializados

Publicado no Terra

No meio do ano, a Amazon começou a oferecer aos leitores, de grande parte do mundo, o Kindle Unlimited – uma espécie de Netflix para livros. Por meio do aparelho e dos aplicativos de leitura da marca para as plataformas iOS e Android, é possível assinar um serviço mensal de livros, no qual o usuário paga US$ 10 para ter acesso a um acervo de 700 mil títulos e audiolivros. Há duas semanas, o serviço foi aberto, também, ao público brasileiro: o usuário pode experimentá-lo por um mês gratuitamente e ter acesso a mais de 10 mil títulos em português.

Para quem gosta de ter o livro físico, algumas empresas modernizaram o conceito de clube de livros e oferecem curadoria e entrega de títulos na porta de casa. Não é um serviço novo: quem não lembra do Círculo do Livro, que entregava best-sellers a mais de 800 mil associados no Brasil na década de 1980? A diferença hoje está no trabalho de escolha das obras que são enviadas aos leitores, dizem os empreendedores. “No nosso caso, por exemplo, todos os meses convidamos uma pessoa que admiramos, pode ser um escritor, filósofo, pensador ou psicólogo, enfim, alguém que tenha bagagem para indicar bons livros e que possa fazer uma boa curadoria das obras”, diz Tomas dos Santos sócio-fundador da Tag Experiências Literárias. Além da Tag, confira outras empreendimentos que oferecem o serviço de assinatura de livros, bem como seus planos de adesão e taxas.

Tag Experiências Literárias
Os três sócios eram colegas no curso de Administração, sempre nutriram o gosto pela leitura e tinham grande vontade de empreender. Eles uniram as duas paixões e lançaram a Tag. A cada mês, um novo título é indicado por personalidades do mundo cultural ou acadêmico. Além do livro, os associados recebem uma revista literária com mais detalhes sobre a obra enviada e, às vezes, um brinde que remeta o leitor a história lida. Segundo Santos, o objetivo da iniciativa é fazer com que as pessoas leiam novos livros e conheçam novos horizontes literários. A obra enviada é sempre um segredo, mas são divulgados no site e na revista do mês precedente informações a seu respeito para que o assinante peça a troca, se for necessário. Há duas opções de planos: o mensal e o trimestral. No primeiro, paga-se o valor de R$ 69,90. No último, é cobrado o valor de R$ 79,90 somente nos meses em que o associado receber os kits.

A Taba
Todos os meses a equipe d’ A Taba seleciona e envia para seu clube de assinantes livros voltados para o público infantil e juvenil. São oferecidos quatro tipos de planos: no trimestral e no contínuo, o associado paga R$ 60,00 por mês. A diferença é que, no segundo, ele pode interromper a adesão quando quiser. No semestral, o valor investido é de R$ 50,00 por mês. Já no anual, paga-se R$ 45,00 por mês pelo serviço.

Leiturinha
Nos kits de livros da Leiturinha, é possível encontrar exemplares das principais editoras de livros infantis do Brasil. O público-alvo do serviço são crianças de 0 a 7 anos que estão sendo introduzidas no universo literário. A empresa oferece dois planos de adesão de acordo com o ritmo de leitura dos pequenos. Na opção Uni, é enviado um livro infantil, mensalmente, pelo valor de R$ 29,00. Na alternativa Duni, são enviados dois livros pelo investimento mensal de R$ 49,00. Ainda há a possibilidade de enviar um kit de presente, nesse caso, será entregue uma única vez o pacote com duas obras pelo valor de R$ 79,00.

Booxs
Idealizado por profissionais com mais de 15 anos de experiência no mercado editorial, a iniciativa reuniu pessoas das mais diversas áreas. Juntos pedagogos, escritores, psicólogos, contadores de história e professores especialistas em educação infantil escolhem os livros que serão enviados aos pequenos. A opção oferecida pela Boxxs é o plano de R$ 59,00 por dois livros mensais. Além disso, é possível enviar um kit presente, com duas obras, por R$ 69,00.

Em livro, pai revela luta comovente de filho contra o câncer: “ele se preparou para partir”

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Em livro, pai revela luta comovente de filho contra o câncer: “ele se preparou para partir”

Foto: Arquivo pessoal

Ricardo Gonzalez perdeu filho em 2010; jornalista critica estrutura para tratamento no Brasil

Publicado no R7

Foram dez meses de tratamentos médicos, idas e vindas a hospitais, momentos de desespero, mas, acima de tudo, de muita esperança e alegria. Assim foram os últimos momentos de Rafael, filho do jornalista Ricardo Gonzalez, que morreu em decorrência de câncer linfático no dia 19 de novembro de 2010, aos 21 anos.

Apesar da grande dor de perder um filho, Gonzalez decidiu que os últimos momentos vividos ao lado do seu filho não deviam ficar guardados. Por isso, decidiu escrever o livro Nem a Morte nos Separa, obra que relata a história de luta e valentia de Rafael. O lançamento da publicação aconteceu nesta semana, em São Paulo.

 

R7 — Como foi receber a notícia de que Rafael estava com câncer?

Ricardo Gonzalez ― Imagino que seja a mesma de quando estamos em queda livre. Em um dia, eu estava no paraíso com ele: jovem, saudável, fazendo duas faculdades (história e jornalismo), a dez dias de começar a estagiar numa das maiores empresas do País. E em 24 horas, passamos a um inferno do qual não tínhamos ideia de como sair e se sairíamos

 

R7 — E o Rafael? Ele reagiu como ao receber a notícia?

Ricardo Gonzalez — O Rafael já estava com uns pequenos nódulos, que achávamos que eram sequelas de uma mononucleose [doença transmitida pelo beijo]. Um desses nódulos surgiu ao lado da coluna, pressionando-a. Tivemos de interná-lo porque as dores nas costas estavam o impedindo de andar. Ele ficou na UTI, porque era a única vaga que havia. Assim, ele ficou sabendo pelo médico.

Naquele momento, a ideia da morte não passava na cabeça de ninguém, nem na dele. O Rafa sempre foi muito centrado, muito ponderado. Naquele momento, o foco dele era se recuperar da cirurgia para voltar a andar. Quando encontrou comigo e com a mãe, já sabendo da notícia, ele estava muito tranquilo e brincando

 

R7— Como foi o tratamento do Rafael?

Ricardo Gonzalez ― Como ele tinha câncer no sistema linfático, três ações foram necessárias: quimioterapia, para conter o avanço da doença, depois uma quimioterapia diferente para reduzir a doença a zero e após uma pausa de 20 a 25 dias para recuperar o organismo ele poderia fazer transplante de medula. A primeira parte ele reagiu muito bem, tivemos forte esperança de que ele se curaria. Na segunda não tão bem porque, quando houve a parada no medicamento, a doença voltou, era um câncer muito agressivo. O hospital no Rio, então, encerrou o tratamento e fomos a São Paulo, numa tentativa de resgate. Ele tomou outra dose violenta de quimioterapia mas, de novo, a doença zerou mas enquanto se esperava para o organismo recuperar ela voltou

 

R7 — Como o Rafael lidou com esses dias difíceis de tratamento e aceitação da doença?

Ricardo Gonzalez ― Com valentia, ponderação e, principalmente, com o humor que o marcou a vida inteira. Eu e ele nunca tivemos medo de brincar e rir das mazelas do mundo e de nós mesmo. Não dá pra dizer que não houve períodos difíceis e de incerteza, mas a partir da segunda etapa do tratamento, que começou a não ir tão bem, ele foi se preparando com muita sabedoria para partir

 

R7— Como era sua relação com Rafael durante o tratamento?

Ricardo Gonzalez ― Nossa relação sempre foi intensa, um era a referência do outro, e sempre falávamos de coisas boas, como futebol cinema, música, tocávamos violão, víamos shows e fazíamos planos. Na fase mais crítica da doença, conversamos menos profundamente, porque não sabíamos bem o que dizer sobre algo tão triste, algo que cortava a perspectiva de futuro. A ponderação dele era tamanha que um dia, sentindo que eu não estava num dos meus melhores dias, ele disse: “Pai, fica tranquilo que a educação que vocês me deram e a nossa relação me prepararam para qualquer situação, inclusive para essa. Fica tranquilo porque eu estou legal”

 

R7— Qual foi o momento mais difícil nestes dez meses?

Ricardo Gonzalez ― Não sei dizer se houve um. Sei que houve vários. Quando o médico me disse que depois da cirurgia na coluna quem assumia o caso era um oncologista; quando o primeiro hospital desistiu do tratamento; quando, na reta final em São Paulo, eu o via com a boca toda arrebentada pela químio no hospital, sem forças; quando o médico de São Paulo disse que os nódulos haviam voltado e não havia como fazer novas tentativas; quando, na reta final, o médico que o assistia disse a mim e à mãe dele que se ele continuasse indefinidamente com a quimioterapia paliativa, via oral, poderia começar a perder a visão, a fala, a audição, e que nós tínhamos de decidir se continuaríamos ou se a medicação seria interrompida e, com isso, o fim seria mais rápido; quando eu saí do hospital e fui ao camelódromo comprar uma bandeira do Flamengo, que eu sabia que muito em breve cobriria o caixão dele; e quando eu peguei no pulso dele e não senti mais nada

 

R7 — Você acha que o sistema de saúde brasileiro está apto para tratar pacientes com câncer?

Ricardo Gonzalez ― Na capacidade dos profissionais e no nível do tratamento sim. O Brasil evoluiu muito no tratamento, e hoje, o câncer não é a sentença de morte que era. Em termos de quantidade de centros de atendimento, aí não, aí o País está muito mal. O Rio tem apenas um centro de referência, e vem gente de todas as partes do Estados, do Brasil e do exterior. Não há como dar conta de todos. São Paulo tem três ou quatro, mas também não dá vazão. É inacreditável a quantidade de vítimas dessa doença maldita, e cada vez aumenta

 

R7 Como veio a ideia de escrever o livro?

Ricardo Gonzalez ― Na primeira fase do tratamento, mesmo indo bem, foram tantas experiências em hospitais, tantas conversas, tantos pensamentos, tantas reflexões sobre vida e morte, relação pai e filho, envolvimento da família com essa tragédia, que eu, com o olhar do jornalista, achava que não podia guardar aquilo tudo comigo. Comecei a pensar no livro, e minha ideia inicial era fazer um com o título “Meu filho não tem mais câncer”. As coisas evoluíram por outro caminho, mas esse caldo de experiências e reflexões só aumentou. Depois que ele morreu, o projeto foi um dos três que estabeleci para me fazer seguir em frente

 

R7— Qual o objetivo do livro e que mensagem você quer transmitir aos leitores?

Ricardo Gonzalez ― O livro tem vários objetivos, mas dois são básicos: homenagear o Rafa, sua valentia e dignidade e fazer os leitores conhecerem esse legado dele. O outro é provocar todos os pais a pensarem e fazerem o que eu fiz: desde que um filho nasce, ele deve ser a prioridade absoluta em nossa vida. Temos de cuidar deles, orientá-los, dar-lhes suporte, dar-lhes a confiança de que sempre estaremos a seu lado, de que estamos ali pra resolver qualquer problema. O que me desesperava é que eu sempre disse isso a ele, e a vida colocava uma situação que eu não podia resolver. Fazer os pais entenderem que a tragédia é democrática, não escolhe credo, cor, idade ou profissão. E sempre tendemos a achar que nunca acontecerá com a gente

 

R7— O que mudou em sua vida após a perda do Rafael?

Ricardo Gonzalez ― Ninguém perde um filho e fica incólume [ileso] a isso. Mas a essência não muda, exatamente porque sempre tive como baliza o fato de que não somos nada nesta vida. Nunca me aborreci por bobagens, sempre procurei aproveitar cada minuto da vida, incluindo a companhia dele, porque passa rápido. E como Rafael sempre me viu como exemplo, sempre fui referência, ele verbalizava o quanto gostava do meu jeito e de minha postura, até por respeito a isso e por saber que ele está por perto, não tenho por que mudar

 

R7— Quais são as lembranças que você tem do Rafael? O que quer levar com você para o resto da sua vida?

Ricardo Gonzalez ― Não há um único dia desde 19 de novembro de 2010 em que eu não pense nele. Muitas pessoas próximas, da família, a mãe dele, não gostam muito de falar nele, ou se emocionam ao lembrar e evitam as lembranças. Eu me alimento delas. Não passa mais de uma semana sem que eu não coloque algum DVD caseiro em que estou com ele e meu primo Paulo. Rio como se estivesse vivendo tudo de novo, realmente me divirto. Rafa está no meu coração e na minha mente, e portanto é ele o que vou levar sempre comigo

 

R7 — Recentemente você teve uma filha. Qual foi o seu sentimento em voltar a ser pai?

Ricardo Gonzalez
― Eu nunca deixei de ser pai. Eu nasci pai. Ser pai é o que de melhor sei fazer na vida. Além do livro, ter um outro filho foi um projeto que me impulsionou à frente, após a morte do Rafa. Não foi fácil, por minha idade (hoje 49), pela idade de minha segunda mulher [hoje 45 anos]. Mas não sossegamos enquanto Maria Luísa não chegou, há sete meses. Ela não substitui o Rafa, cada um tem sua história. Mas ela, de certo modo, ressuscitou uma parte do que havia morrido em mim. Todo o meu empenho e dedicação será para torna-la um ser humano tão especial como foi o irmão, e para ser um pai tão exemplar quanto o irmão achava que eu era.

* Colaborou: Luiz Guilherme Sanfins, estagiário do R7

 

‘Gosto de livros’, diz garota que pediu ida à biblioteca de presente de Natal

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Maria Eduarda fez pedido em campanha feita em escolas de Rio Claro (SP).Nesta quinta-feira, ela visitou pela 1ª vez um acervo literário em Piracicaba.
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Alessandro Meirelles, no G1

Maria Eduarda Caldeira dos Santos, de 5 anos, viajou 40 quilômetros nesta quinta-feira (18) para ganhar seu presente de Natal. Moradora de Rio Claro (SP), a menina que ainda não sabe ler foi a Piracicaba (SP) acompanhada do pai para entrar pela primeira vez em uma biblioteca. Recentemente, ela ganhou a viagem em uma campanha realizada por um shopping. “Gosto muito de livros”, disse ao explicar a escolha.

O projeto ouviu estudantes entre 4 e 5 anos da rede pública de Rio Claro para saber o que eles gostariam de ganhar do Papai Noel. Um funcionário conversou com as crianças e escreveu as cartas ao Bom Velhinho. Maria Eduarda surpreendeu ao pedir uma ida a um lugar “grande”, que “tivesse muitos livros”.

O local escolhido foi a Biblioteca Municipal Ricardo Ferraz de Arruda Pinto, referência na região por contar com um acervo de mais de 80 mil títulos. Ao chegar ao local, a menina disse ter a Branca de Neve como personagem preferida, mas também gostou das histórias da Cinderela e de João e o Pé de Feijão.

Incentivo em casa
Maria cursa a pré-escola e tem o gosto pela literatura incentivado em casa. O pai Marcelo Fernando dos Santos disse que ele e a esposa contam estórias para a filha desde cedo. “Somos evangélicos e quando vamos a livrarias com materiais da nossa religião, ela fica encantada. Ficamos muito felizes e, por isso, a incentivamos”, conta.

A pequena visitante foi recebida pela contadora de história Graziela Angelocci e ouviu da artista os detalhes de “Velhinho entalado na chaminé”, de Pedro Bandeira. Ao final do encontro, ela ganhou presentes como uma coleção de títulos de Monteiro Lobato, livros do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, camiseta, cadernos e lápis.

“Geralmente as crianças nessa faixa etária querem presentes materiais. Esperamos que ela continue com esse gosto (pela literatura) com o passar dos anos e sirva de exemplo para outras crianças”, comentou a secretária de Ação Cultural de Piracicaba, Rosângela Camolese.

Pesquisador é primeiro índio com título de doutor em linguística pela UnB

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Publicado por UOL Educação

Nascido no município acriano de Tarauacá, na Terra Indígena Praia do Carapanã, Joaquim Paulo de Lima Kaxinawá se tornou o primeiro índio no Brasil a receber o título de doutor em linguística pela UnB (Universidade de Brasília). Mais conhecido como Joaquim Maná, ele defendeu hoje (19) a tese “Para uma gramática da Língua Hãtxa Kuin”.

Alfabetizado na língua portuguesa aos 20 anos em, um programa alternativo coordenado pela Comissão Pró-Índio do Acre, ele fez o magistério indígena no Estado e a graduação em um curso intercultural indígena na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. O mestrado e o doutorado foram feitos na UnB.

Para ele, um dos maiores desafios durante o doutorado foi a indisponibilidade de pesquisas sobre a língua de seu povo, sobretudo em português. “Muitas pesquisas foram escritas em inglês, alemão, francês e espanhol e não foram apresentadas ao povo, ficaram guardadas”, ressalta.

Agora “doutor”, Joaquim Kaxinawá acredita que a tese não deve provocar muitas mudanças, mas espera que sirva de exemplo para a formulação de um programa de ensino da língua nativa aos diferentes povos do país.

“Das 12 terras que nós temos, seis já estão com problemas. Os mais velhos falam na nossa língua e os jovens já não falam mais. Falam em português. Agora é preciso se aliar às secretarias municipais, estaduais e ONGs [organizações não governamentais] que trabalham com os povos indígenas para criar um programa e manter um curso de ensino de língua oral, língua escrita e produção de material didático”, defende Kaxinawá.

A coordenadora do Laboratório de Literatura e Línguas Indígenas da UnB, Ana Suelly Cabral, destaca a importância do estudo sobre os povos originais. “Se eu sou professora, ou fui, do Joaquim, ele foi meu professor também. Trabalhar com eles é uma grande aprendizagem. Ao mesmo tempo em que eu passo esse conhecimento, eu estou aprendendo com eles, a língua deles, e também, mais importante, eu aprendo uma riqueza cultural incrível que eles me passam.”

A professora adianta que mais dois pesquisadores indígenas devem conquistar o título de doutor pela UnB em fevereiro e em maio do ano que vem. Ela espera que os estudantes se espelhem em Joaquim, que pretende voltar à Terra Indígena Praia do Carapãnã, para reforçar o ensino da língua Hãtxa Kuin, do povo Huni Kuín, entre crianças e adultos.

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