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Bares e restaurantes literários que você pode conhecer!

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Diego Santos, no Literatortura

Imagine só, ter a oportunidade de poder viajar pelo mundo e provar a culinária de diversos países?!

Não, infelizmente não estamos oferecendo uma promoção pra isso.

A real intenção desse post é indicar alguns restaurantes bem interessantes que qualquer fã de literatura vai adorar visitar, caso esteja viajando por aí.

Tratam-se de restaurantes temáticos, inspirados em grandes clássicos literários ou artísticos.

Para conferir, basta clicar nas setas acima.

[Se não viu a parte 1, clique aqui.]

Onegin, em New York (EUA)

O design suntuoso desta fusão visual, foi baseado na obra de Pushkin, Eugene Onegin. O restaurante recria toda a opulência russa do século 19.

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Gogol, em São Petersburgo

Na São Petersburgo de Gogol, enfeitada como um apartamento do século 19, uma grande sobretudo preto dependurado na porta de entrada e os menus são salpicadas com a escrita de Gogol e também divide-se em capítulos como romances. É uma ironia cruel criar um restaurante baseado no nome de um escritor que morreu de fome.

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Alice in Magic World, em Toquio (Japão)

Tenha cuidado com as camadas de sua comida quando comer na Alice in Magic World, restaurante temático criado pela Fantastic Design Works Co. Cada ambiente recria uma cena diferente do livro.

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Les Éditeurs, em Paris (França)

Restaurante-biblioteca ou biblioteca-restaurante? Quem consulta o website da Les Éditeurs, é uma biblioteca -restaurante tomada por livros, situado no Quartier Latin. Mas não importa como a chamam, está sempre cheia de boa comida e bons livros doados pelas editoras que a frequentam.

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Club Verne, em Budapest (Hungria)

Você não precisa percorrer 20.000 léguas submarinas para encontrar o restaurante dedicado a Jules Verne. Mas terá que ir para a Hungria. Considere também conhecer a Le Jules Verne, a meio caminho da Torre Eiffel.[Photos via]

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Biblio, no Brooklyn (New York – EUA)

Onde é mais provável encontrar um restaurante literário do que em Brooklyn? O restaurante de Williamsburg, Biblio, encanta os visitantes com um menu anunciado como um “Sumário” e repleto de alusões literárias.

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Bookbar, em Denver

Além da obviedade do nome “Bookbar” , que já diz que é uma livraria e bar,servem café e muito mais. Se você o encontrar, provavelmente nunca irá sair (por que você precisa?). [Photos via]

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Café Kafka, em Barcelona (Espanha)

Este café boêmio e literário em Barcelona, tem o nome de um dos maiores escritores de todos os tempos. É preocupante, no entanto, ao ouvir os toaletes, de todas as coisas, descritos como kafkiano. [Photos via]

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Hugo Café, em Dubai

Com cadeiras e fachadas no estilo parisiense, juntamente com uma salpicos de referências visuais do próprio escritor Victor Hugo, faz desse restaurante único. Supostamente, há também alguns “materiais audiovisuais.” Literários.[Photos via]

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Café du Livre, em Marrakesh

Os proprietários deste restaurante-livraria dizem que foi com a intenção de criar um lugar onde os amigos internacionais poderiam se unir para o prazer, falar e troca de idéias. Café du Livre é abastecido com poltronas de pelúcia, comida deliciosa, e cerca de 2.000 volumes em vários idiomas para leitura ou compra. Nada melhor para estimular a conversa literária.[Photos via]

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The Winding Stair, em Dublin (Irlanda)

Este estabelecimento, livraria / café / restaurante, foi nomeado por causa da sua escada em caracol, e também devido ao famoso poema de Yeats. Enquanto leem os livros disponíveis, o restaurante serve o melhor combustível para enfrentar um romance complexo.

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Para além dos livros: a literatura infantojuvenil do século XXI

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O adolescente do século XXI é preguiçoso, viciado em smartphones, redes sociais, aplicativos e sem grandes ambições. Será? Novas observações sobre o mercado literário direcionado a tal público mostram uma alta gritante nos números de venda de livros infantojuvenis, desconstruindo a dissociação entre a literatura e os jovens.

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Sofia Alves, no Homo Literatus

A maioria dos livros que fazem parte de listas que selecionam os livros mais vendidos da semana ou do mês são de autores infantojuvenis. John Green e Cassandra Clare são dois nomes muito poderosos entre a garotada, arrastando legiões de fãs pelo mundo que se identificam e criam vínculos afetivos com seus personagens.

Os livros têm se difundido entre essa faixa de idade com tal força graças a um conjunto de fatores interessantes e observáveis no cotidiano. A internet torna-se meio de conhecimento e troca de informações sobre os exemplares por abranger uma grande quantidade de pessoas interessadas em determinados assuntos, o que agiliza a busca por novos títulos e apimenta a discussão sobre os enredos, etc. Com isso, o número de blogs que postam resenhas dos últimos lançamentos literários para o público jovem tem crescido exponencialmente e se difundido com uma velocidade impressionante, caracterizando assim uma geração de leitores extremamente ativos e informados sobre seus livros favoritos.

A grande pergunta é: se essa geração utiliza tanto da tecnologia para se informar sobre novos títulos e buscar mais informações sobre aqueles que já tem simpatia, por que o consumo de e-books ainda não é tão alto quanto se estima? Simples: porque nessa faixa de idade há a necessidade da autopromoção. O processo de leitura vai para além da assimilação das palavras. O leitor infantojuvenil precisa mostrar aos seus colegas o que está lendo e o progresso que está tendo, preferindo então a compra de livros físicos. Essa exibição gera uma identificação e, consequentemente, uma aproximação entre pessoas com gostos afins, formando-se então as famosas “tribos”.

Cada um desses grandes escritores queridos pelos adolescentes assume um papel social de grande importância e que acaba por aproximar sua imagem da personalidade dos fãs. O norte-americano John Green, por exemplo, é uma das personalidades mais influentes nas redes sociais da atualidade. Dono de vlogs no Youtube, contas no Twitter e de grandes doações, o autor ganhou o carinho da molecada por seu perfil simples e deslocado, típico dos adolescentes que leem suas obras.

Alguns estudiosos no ramo gostam de atribuir o começo dessa era de fanatismo literário com a explosão do fenômeno Harry Potter, onde milhões de crianças e adolescentes ao redor do mundo devoravam exemplares de 300 a 500 páginas em dias.

O grande questionamento que fica é sobre a qualidade dos livros. Há alguns anos atrás essa mesma faixa de idade lia títulos recomendados por professores e pais, o que trazia às histórias uma moral educacional. No século XXI a leitura está mais associada à diversão, com personagens leves e histórias com uma proximidade emocional de seu público.

A leitura deve ser um processo de crescimento tal como o desenvolvimento biológico de um ser humano. Primeiro deve-se deleitar de histórias mais simples para depois então partir para enredos mais densos e complexos. A fixação nos dois extremos é prejudicial visto que limita as possibilidades de leitura da vida, um dos grandes objetivos da leitura. O ser humano (quase) perfeito é aquele que encontra equilibro entre o que ama e o que detesta.

90 livros para ler antes de morrer

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Publicado por Catraca Livre

1Até o último dia em que você viver, haverá uma lista imensa de livros que podem ser lidos. No site Universia Brasil existem mais de 90 clássicos da literatura mundial. Tudo de graça, prontos para o download.

Na lista, obras como “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert; “Fausto”, de Goethe; “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri e muito mais. Veja a lista completa no site da Universia

1. Baixe o livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (em Inglês) 

2. Baixe o livro Recordações da Casa dos Mortos, de Fiódor Dostoievski (em Inglês)

3. Baixe o livro Os Irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoievski (em Inglês)

4. Baixe o livro Guerra e Paz, de Leon Tolstoi (em Inglês)

5. Baixe o livro A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo

6. Baixe o livro Assim Falava Zaratustra, de Nietzsche (em Inglês)

7. Baixe o livro Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

8. Baixe o livro Os Miseráveis, de Victor Hugo

9. Baixe o livro Hamlet, de William Shakespeare

10. Baixe o livro Coração das Trevas, de Joseph Conrad

11. Baixe o livro Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski

12. Baixe o livro O Processo, de Franz Kafka

13. Baixe o livro Moby Dick, de Herman Melville

14. Baixe o livro Robinson Crusoé, de Daniel Defoe

15. Baixe o livro Dom Quixote – (Volume II), de Miguel de Cervantes

16. Baixe o livro Dom Quixote – (Volume I), de Miguel de Cervantes

17. Baixe o livro As Viagens de Guliver, de Jonathan Swift 

18. Baixe o livro O Príncipe, de Maquiavel

19. Baixe o livro Os Sertões, de Euclides da Cunha

20. Baixe o livro Madame Bovary, de Gustave Flaubert

21. Baixe o livro Fausto, de Goethe

22. Baixe o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

23. Baixe o livro A Divina Comédia, de Dante Alighieri

25. Baixe o livro Do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa

26. Baixe o livro Os Maias, de Eça de Queirós

27. Baixe o livro Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida

28. Baixe o livro o livro Utopia, de Thomas More

29. Baixe o livro Senhora, de José de Alencar 

30. Baixe o livro Poesias Inéditas, de Fernando Pessoa

31. Baixe o livro Poemas Traduzidos, de Fernando Pessoa

32.  Baixe o livro Poemas de Álvaro de Campos, de Fernando Pessoa

33. Baixe o livro Pai Contra Mãe, de Machado de Assis

34. Baixe o livro O Pastor Amoroso, de Fernando Pessoa

35. Baixe o livro O Mercador de Veneza, de William Shakespeare

36. Baixe o livro O Guardador de Rebanhos, de Fernando Pessoa

37. Baixe o livro O Guarani, de José de Alencar

38. Baixe o livro O Eu Profundo e os Outros Eus, de Fernando Pessoa

39. Baixe o livro O Espelho, de Machado de Assis

40. Baixe o livro O Cortiço, de Aluísio Azevedo

41. Baixe o livro O Alienista, de Machado de Assis

42. Baixe o livro Iracema, de José de Alencar

43. Baixe o livro Este Mundo da Injustiça Globalizada, de José Saramago

44. Baixe o livro Édipo-Rei, de Sófocles

45. Baixe o livro Dom Casmurro, de Machado de Assis

46. Baixe o livro Cancioneiro, de Fernando Pessoa

47. Baixe o livro Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente

48. Baixe o livro Arte Poética, de Aristóteles

49. Baixe o livro A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Julio Verne

50. Baixe o livro A Igreja do Diabo, de Machado de Assis

51. Baixe o livro A Esfinge sem Segredo, de Oscar Wilde

52. Baixe o livro A Carta, de Pero Vaz Caminha

53. Baixe o livro A Cartomante, Machado de Assis

54. Baixe o livro A Alma Encantadora das Ruas, de João do Rio

55.Baixe o livro Reliquiae, de Florbela Espanca 

56. Baixe o livro Poemas Selecionados, de Florbela Espanca 

57. Baixe O Livro d’Ele, de Florbela Espanca 

58. Baixe o Livro de Sóror Saudade, de Florbela Espanca

59. Baixe o Livro de Mágoas, de Florbela Espanca

60. Baixe o livro Charneca em Flor, de Florbela Espanca 

62. Baixe o livro A Mensageira das Violetas, de Florbela Espanca 

63. Baixe grátis o livro Grimm’s Fairy Stories, Irmãos Grimm

64. Baixe o livro The Happy Prince and Other Tales, Oscar Wilde 

65. Faça o download grátis do livro Three Sermons, Three Prayer, de Jonathan Swift

66. Faça o download grátis do livro A Tale of a Tub, de Jonathan Swift

67. Baixe grátis o livro Til, de José de Alencar

68. Baixe o livro Viagens na minha terra, de Almeida Garrett

69. Baixe o livro Projeto Comédia Popular Brasileira da Fraternal Campanha de Artes e Malas-Artes (1993-2008), de Roberta Cristina Ninin

70. Baixe o livro Lira Dissonante, de Fabiano Rodrigo da Silva Santos

71. Circos e Palhaços Brasileiros, de Mário Fernando Bolognesi

72. Baixe o livro Tarde, de Olavo Bilac 

73. Baixe o livro O Caçador de Esmeraldas, de Olavo Bilac 

74. Baixe o livro As Viagens, de Olavo Bilac

75. Baixe o livro Alma Inquieta, de Olavo Bilac 

76.  Baixe o livro O triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto

77. Faça o download grátis do livro Ilíada, de Homero

78. Baixe grátis o livro Esaú e Jacó, de Machado de Assis

79. Baixe o livro O Navio Negreiro, de Castro Alves

80. Baixe o livro Macbeth, de William Shakespeare

81. Baixe o livro Drácula, de Bram Stoker

82. Baixe o livro A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães

83. Baixe o livro Brás, Bexiga e Barra Funda, de Antônio de Alcântara Machado

84. Baixe o livro Um coração simples, de Gustave Flaubert

85. Baixe o livro Lucíola, de José de Alencar

86. Baixe o livro Anna Karenina, de Liev Tolstoi

87. Baixe o livro O Anticristo, de Friederich Nietzsche

88. Baixe o livro A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas

89. Baixe o livro Mágico de Oz, de L. Frank Baum

90. Baixe o livro Os Lusíadas, de Luis de Camões

dica da Marjory Albuquerque e João Marcos

Semana literária: Livro Infantil não é qualquer coisa!

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Publicado por Eu li, e agora?

Tenho mais ou menos 4 anos como livreira, 3 livrarias diferentes e com enfoques e públicos diferentes. Todas elas tinham coisas em comum:

* o setor infantil é o carro-chefe de vendas
* o infantojuvenil é o setor com atendimentos mais demorados
* o setor infantil é o que os livreiros mais precisam conhecer os livros a fundo
* os livreiros do infantil são os que mais têm a paciência colocada à prova pelos clientes
* os livreiros do setor infantil são os que mais têm paciência e mais dores de cabeça – literalmente (teve uma época em que eu era habitué da farmácia)

Legal, né? MAS…

* o setor infantil é o mais subestimado pelos outros setores das livrarias
* fora os livreiros do infantil, ninguém gosta de atender lá
* fora os livreiros do infantil, ninguém sabe atender lá (e não se importa em aprender)
* fora os livreiros do infantil, praticamente ninguém dos outros setores lê literatura infantil ou juvenil
* livreiros do setor infantil que lêem muito infantil e juvenil têm o gosto literário constantemente questionado
* livreiros do setor infantil distribuem mais coices que cavalos por causa de tudo isso

Eu sou um setor infantil e só fico assim antes da livraria abrir!

Eu sou um setor infantil e só fico assim antes da livraria abrir!

Querem um exemplo? Sabem por que A culpa é das estrelas é classificado aqui no Brasil como literatura estrangeira, e não como juvenil ou jovem adulto? Porque vende muito e é considerado “bom demais” pra ser “só” juvenil. E não é exagero meu. Ouvi isso de pessoas que definitivamente não deveriam ter dito isso, principalmente considerando que o próprio John Green já disse que nunca vai escrever um livro para adultos porque adultos são chatos.

Existe uma enorme resistência dentro das próprias livrarias com o setor infantil, e o motivo principal é o seguinte: a maioria esmagadora considera literatura infantil algo menor. Algo qualquer coisa, que não vale muito a pena porque é pra criança mesmo. Geralmente quem diz isso esquece que nunca chegaria nos Vargas Llosa se não fosse a Eva Furnari. Inclusive, muita gente considera gostar de literatura infantil quando não se é mais criança como um retrocesso. Como se leitura fosse uma linha reta de “evolução”, sendo que a tal evolução é sempre – SEMPRE – conforme o gosto pessoal de quem fala a besteira. E não acontece isso só nas livrarias. Muitos pais, por não conhecerem ou por serem imbecis mesmo, dão chiliques homéricos quando percebem que livro infantil custa o mesmo que um “livro de verdade” (costumam ser os mesmos pais que não vêem problema em gastar 700 reais num tablet pro filho de 4 anos ou já levam as filhas de 9 anos pra maravilhosas tardes de comprinhas. Não vou julgar o que os outros fazem com o próprio dinheiro, mas um pouco de coerência nunca é demais).

Então agora senta que lá vem bronca.

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Livro infantil é um troço caro e não tem muito o que discutir. O papel é caro, a tinta da impressão é cara, e quando se trata de livro infantil, a qualidade do texto, em muitos casos, influencia sim no preço final. Preço de livro infantil não é muito diferente do preço de livros juvenis e adultos: a maioria fica na faixa de R$26 a R$38, um pouco mais ou um pouco menos, tem uns mais baratos, uns bem mais caros, e tem editoras que costumam ser mais caras, como a Martins Fontes e a Cosac Naify. Só a Cosac, por exemplo, teve coragem de trazer pro Brasil o Edward Gorey, que não é um escritor de livros infantis fácil de indicar por causa do humor ácido, sarcasmo e temas com um tom mais sombrio que agrada as crianças, mas assusta os pais. A Cosac investe tanto na inovação e na originalidade e na qualidade dos livros infantis que às vezes alguns deles acabam não sendo comerciais – são tão incríveis e tão cara de obra de arte e design e com um texto tão diferente… que são um porre pras crianças. Porque no final das contas, o livro precisa entreter e encantar A CRIANÇA, e não o adulto que vai abrir a carteira.

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Outra coisa que encarece livro infantil é o livro como objeto. Enquanto os livros juvenis e adultos são aquilo de sempre (capa e papel inteiros e normais, no máximo uma ou outra coisa diferente na capa como um verniz, ou textura emborrachada, ou metálico), livro infantil inventa moda: Abra com cuidado! da Brinque Book, trata de um crocodilo que invade uma história, mas invade mesmo: corre pela página, bagunça as frases, come algumas letras e, no final, foge do livro pela contracapa – e a contracapa tem um buraco bem no meio, por onde o crocodilo fugiu. O incrível menino devorador de livros da Salamandra tem um pedaço da contra-capa faltando, em forma de dentada. Pedaços faltando, rasgos, livros redondos, compridos, finos, largos, inclinados, recortados, páginas menores e maiores misturadas, dobraduras, fechos, buracos, texturas, espaços pra criança completar, formato de sanfona… se quando a gente entra na adolescência começa aquela chatice de endeusar o livro e deixar só na estante e não emprestar pra ninguém, livro infantil foi feito pra ser lido, relido, puxado, dobrado, marcado, vincado, recortado, jogado, às vezes degustado (atire a primeira pedra quem, quando criança, não tentou enfiar um livro na boca – alguns são bem sucedidos). O livro infantil PRECISA de tudo isso pra poder estimular a criança e ajudá-la a criar intimidade com o livro e o ato de ler e, principalmente, entender que livro é objeto, é coisa, é troço e não foi feito pra ficar imaculado na estante. Criança entende isso muito mais rápido e mais fácil, tanto que já vi vários adultos torcendo o nariz pro Destrua este diário da Intrínseca, mas nunca vi uma criança que não ficasse doida pelo livro.

E se o livro infantil estimula pelo objeto, se tiver um texto e ilustração bons, ajuda mais ainda. Ilustração toda certinha e redondinha “não vou pintar fora das bordas” com texto cheio de mensagens entregues mastigadas só agrada adulto que subestima a capacidade da criança de entender as coisas e que acha que criança deve viver dentro de uma bolha de superproteção. Livros como Quero meu chapéu de volta (Martins Fontes), Uma chapeuzinho vermelho (Companhia das Letrinhas), Aperte aqui (Ática), A vaca que botou um ovo (Salamandra), O pato, a morte e a tulipa (Cosac Naify) são só alguns exemplos de livros que saem do lugar comum e que podem sim trazer alguma mensagem – mas a criança vai ter que procurar qual é, e os responsáveis por ela também, porque se o adulto quer que a criança tire alguma coisa daquela história, ele vai ter que colocar a mão na massa e conversar com ela. Ou não vai tirar mensagem nenhuma – livro pode sim ser divertido e só isso. Ter um texto bem-feito e engraçado sem moral por trás, ou ilustrações divertidas sem texto escrito nenhum. Livros-imagem (ou livro sem texto) não só estimulam a criatividade como também a capacidade de interpretação de imagem. Picturebooks, que são livros em que texto e imagem não são dissociados – se tirar um dos dois, falta informações na interpretação da história ou ela perde o sentido, estimulam a interpretação de imagem, de texto e de texto associado a imagem. Jodos de palavras, trocadilhos, diagramação diferente, frases espalhadas pela página…

Livro infantil é um troço difícil de fazer, pelo menos os realmente bons.

Não é qualquer um que escreve um livro infantil bom.

Não é qualquer um que ilustra um livro infantil bom.

Autores tentando escrever pra criança porque "é fácil"

Autores tentando escrever pra criança porque “é fácil”

E nem todo autor tá necessariamente apto a escrever livro infantil. Pessoalmente, acho os livros infantis do Erico Verissimo um saco. Nunca, em quase 4 anos como livreira, vi uma criança gostar de algum livro infantil do Saramago. Esse é um problema, aliás – adulto não costuma saber ler livro infantil. Não saca a graça das coisas, não pega a piada, não entende aquele furo ali na página, ou acaba achando o máximo coisas que crianças não lêem nem se forem pagas em pelúcia da Peppa Pig. Porque livro infantil pode sim ser praticamente uma obra de arte, mas é, antes de tudo, livro pra ser lido por crianças. Quem tem que gostar são elas.

Livro infantil é a porta de entrada da criança – é o primeiro livro que ela vai pegar NA VIDA. É nele que ela vai olhar aquele monte de rabisco emaranhado e descobrir que aquilo significa que o macaco tá brincando com a mola. É um passo importante na noção de independência da criança – ela não precisa mais de um adulto pra ler pra ela ou pra escolher o que ela vai ler. Criança não é “mini leitor”: é leitor e ponto, sem mini, sem inho, e subestimar aquilo que ela tá lendo é subestimar a própria criança.

Aí você pega tudo isso que eu falei e vê adulto tendo dó de gastar R$30 num livro infantil. Vê adulto considerando literatura infantil como algo menor, como “não literatura de verdade”. Diferenciando livro infantil de “livro normal”.

Você só chega nos autores cults com o aval da Ruth Rocha, então baixa a bola aí.

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Ensaio premiado de Gustavo Lacerda com albinos é lançado em livro

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Daigo Oliva, na Folha de S.Paulo

No livro que o fotógrafo Gustavo Lacerda lança no próximo dia 31, a pele, os cabelos e os cílios dos retratados são quase invisíveis.

No ensaio “Albinos”, selecionado pela Coleção Pirelli/Masp em 2010 e vencedor dos principais prêmios de fotografia do país, o cenário das imagens e as roupas, em tons claros e delicados, funcionam como transparências.

Durante cinco anos, o mineiro fotografou cerca de 50 adultos e crianças brasileiros com albinismo, distúrbio genético que causa falta de pigmentação na pele.

“Por causa da fotofobia e dos cuidados com a pele, os albinos tendem a se preservar e a se esconder”, diz Lacerda, 44. “Queria fotografar quem não é fotografado.”

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Os irmãos Marcus, Andreza e André em foto tirada por Gustavo Lacerda em 2011

Em diferentes regiões do Brasil, os personagens posaram com figurinos propostos pelo fotógrafo, que abandonou o viés documental do início do projeto.

Ao perceber como os albinos reagiam à preparação para os retratos, ele diz ter encontrado a tensão necessária para construir sua estética.

“Eles jamais tinham sido escolhidos para nada que não fosse serem zoados. De repente, alguém os seleciona para uma foto, em um estúdio, com roupas à disposição, com aquele ritual de se olhar no espelho antes”, conta.

Além da mise-en-scène, Lacerda também se preocupou com os flashes. Para evitar irritação, ele usou uma fonte de luz muito grande e recriou a luminosidade de um dia nublado.

“Percebi que quando o clima está assim, eles ficam incomodados no início, mas depois se acostumam. É menos irritante do que dia de sol.”

Um dos fotografados no ensaio, o professor de inglês e literatura Roberto Biscaro foi o primeiro contato de Lacerda com o mundo albino, para encontrar modelos. Autor do blog “Albino Incoerente”, Biscaro se tornou referência em notícias sobre o tema.

Para o paulistano Biscaro, 47, o mérito do trabalho do artista é “olhar o diferente como portador de beleza, sem estigmatizá-lo”. Ele acrescenta, brincando:”Ainda mais em um país tropical que preza tanto pelo bronzeado”.

Tanto ele quanto a economista carioca Ana Beatriz Vassimon, mãe das gêmeas Helena e Mariana, retratadas, percebem distância entre o ensaio de Lacerda e trabalhos que exploram a condição dos retratados como exotismo.

“Pessoas querem fotografar as meninas e colocar elementos coloridos nelas. O Gustavo é o contrário, não tem nada de espetacularização, é uma forma sensível e lírica”, defende a mãe das gêmeas.

O fotógrafo conta que, por medo da exposição, algumas pessoas se recusaram a participar, no início. Mas, depois que o ensaio se tornou mais conhecido, voltaram atrás. “Muitos vão achar um trabalho poético, outros vão achar que é uma forma de explorar os albinos. Ainda que tenha esse risco, eles estão sendo mostrados”, afirma.

Desde o nascimento das filhas, Vassimon escreve textos relatando sua experiência com a descoberta do albinismo. Um deles está reproduzido em formato de carta dentro do livro (leia ao lado).

O projeto gráfico do volume incluiu folhas de papel-manteiga entre as fotos para remeter à textura da pele e revelar e esconder as imagens.

O próprio Lacerda financiou grande parte da produção. Para reduzir os custos, pretende vender 50 livros-objeto com impressão especial, embalados em caixa e oferecidos a R$ 650 cada um.

“As pessoas perguntam qual será meu próximo trabalho como se fosse pecado continuar este projeto. Quero seguir fotografando alguns albinos, talvez não como faço hoje, mas acompanhando o crescimento de irmãos.”

TRECHO

“Quando peguei as meninas no colo, quentinhas, na sala de parto, vi os cílios claros e na hora pensei que não poderiam ser loiras a ponto de terem cílios quase brancos…

Saquei ali que eram albinas. Elas estavam berrando, eu chorando, derretida de emoção.

No quarto, elas demoraram a vir e eu fiquei muito preocupada… Só falavam sobre a falta de pigmento nos olhos e que deveríamos rastrear o passado e saber se nossas famílias tinham histórico de albinismo.

Eu só lembrava do Hermeto Pascoal, que adoro! Quando começaram a andar, eu sempre avisava quando elas se aproximavam de degraus, imaginando que elas não veriam o desnível do chão.

Realmente, elas não veem tão bem a mudança de nível no piso, mas aprenderam a arrastar sorrateiramente o pé e descobrir, antes mesmo de eu gritar: ‘Olha o degrau!’.

(…) A gente vê que a vida pode realmente surpreender.”

Carta escrita pela economista carioca Ana Beatriz Vassimon, mãe das gêmeas Helena e Mariana, e publicada no livro “Albinos”, de Gustavo Lacerda

Veja + fotos aqui.

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