livros

Bispo invade o Olimpo

0

Livros religiosos em destaque na lista dessa semana e Companhia das Letras em segundo lugar no ranking das editoras

Cassia Carrenho, no PublishNews

Nada a perder v.3, do bispo Edir Macedo (Planeta) chega a lista prometendo o mesmo sucesso de vendas dos volumes anteriores. Em 2012, Nada a perder v2 foi o livro mais vendido na lista anual, com 849.600 exemplares. O terceiro volume vendeu 36.350 exemplares na estreia nessa semana, passando Sangue do Olimpo (Intrínseca), que vendeu 13.575. Pelo visto o livro do Bispo vai render números tão grande quanto os dízimos da sua igreja…

Falando em igreja, os livros religiosos, ou sobre o tema, fizeram sucesso nessa semana. Aparecida (Globo) pulou do sétimo para o quinto lugar na lista geral com 6.354 exemplares e dois livros apareceram na lista de autoajuda: O amigo Jesus (Intelítera) e O que sou sem Jesus? (Loyola).

No ranking das editoras, o destaque foi a Companhia das Letras, que passou de quarto para vice colocada, com 12. Apenas um livro a menos da primeira colocada, Intrínseca, com 13. Em terceiro, completando a trindade, Sextante, com 11.

Se a briga pelas primeiras posições está apertada, na quinta posição tivemos o empate de cinco editoras, cada uma com cinco títulos: Gente, Globo, Record, Santillana e Saraiva.

Livros didáticos são jogados em vala de lixão no distrito de Colina Verde, RO

0

Descarte aconteceu no último domingo, 19, e revoltou moradores.
Comissão de investigação do caso foi instaurada pela Seduc.

Livros didáticos foram descartados em lixão no distrito de Colina Verde (Foto: Fred Barbosa/ RO463)

Livros didáticos foram descartados em lixão no distrito de Colina Verde (Foto: Fred Barbosa/ RO463)

Eliete Marques e Franciele do Vale, no G1

Moradores do distrito de Colina Verde, do município de Governador Jorge Teixeira (RO), a 370 quilômetros de Porto Velho, denunciaram o descarte de centenas de livros didáticos no lixão da região. Conforme os denunciantes, os materiais foram despejados no último domingo (19) por um caminhão da prefeitura. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) nega que o material seja do município e a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) diz que está investigando se pertenciam a Escola Estadual Cláudio Manoel da Costa.

O roceiro Ivan de Souza, de 37 anos, conta que ficou indignado e resolveu denunciar o caso. Ele diz que descobriu os livros por acaso, quando passava pelo local e afirma que os livros foram jogados por um caminhão da prefeitura de Governador Jorge Teixeira. “É uma coisa que não dá para gente aceitar. Quantas pessoas estão precisando de um livro. Estão jogando o futuro de milhares de crianças no lixo. Espero que seja tomada uma providência rigorosa sobre isso”, enfatiza.

A secretária da Semed, Daniele Cupertino, afirma que o material didático não pertence à rede municipal de ensino. Alguns dos livros apresentam carimbo da Escola Estadual Cláudio Manoel da Costa, localizada em Colina Verde. O vice-diretor da escola, Deiverson Mendes de Paula, confirmou ao G1 que os livros jogados no lixão do distrito pertenciam a unidade de ensino e foram descartados após um mutirão de limpeza realizado na escola. Ele garante que todos os materiais descartados estavam ultrapassados e em desacordo com a nova ortografia da língua portuguesa.

Materiais foram descartados após multirão (Foto: Fred Barbosa/ RO463)

Materiais foram descartados após multirão
(Foto: Fred Barbosa/ RO463)

Apesar da confirmação do vice-diretor, a coordenadora pedagógica da Coordenadoria Regional de Educação da Seduc, em Jaru (RO), Dercília Antônia, informou que após o conhecimento do corrido, foi instaurado uma comissão para investigar se de fato os livros pertencem à escola Estadual Cláudio Manoel da Costa.

Segundo a coordenadora, com a confirmação serão tomadas as providências cabíveis sobre o caso. Dercília asseverou que o descarte foi incorreto, independente de quem tenha o feito. Ela informou que há uma portaria que define normas descartar livros em desuso, como catalogar os materiais, doar, incinerar, dentre outras.

Alessandro Garcia resenha seu conto predileto: ‘O perseguidor’, de Julio Cortázar

0

Sérgio Tavares, no Homo Literatus

-Alessandro-PB

1.
Em matéria do O Globo, por ocasião do centenário de Julio Cortázar, o editor catalão Carles Álvarez Garriga relembra o que diz Holden Caulfield em O apanhador no campo de centeio. Há dois tipos de escritores preferidos: os clássicos, que se lê com grande atenção, mas com um pouco de distância; e aqueles com os quais se gostaria de conversar por telefone. Tal qual Garriga, Cortázar é aquele com quem eu gostaria de conversar por telefone.

2.
Em primeira instância, a literatura de Cortázar tende a ser classificada como fantástica. No entanto, como a própria declaração do autor, no livro Conversas com Cortázar, de Ernesto Gonzáles Bermejo, definir o fantástico encobre em si uma gama demasiada de possibilidades. Mas, se for inevitável rotular sua obra, a melhor definição provavelmente esteja como narrativas de estranhamento. Estranhamento, este, presente desde a vertigem que se abate sobre o leitor de Casa Tomada, obra-prima de seu livro em que estreia na prosa, Bestiário: neste, e no melhor de sua obra, é o sentimento de estranhamento que, aos esbarrões, vai se ajeitando onde menos se espera e surgem, então, os encontros fora de hora ou de lugar, as brechas e os interstícios mais insuspeitos no cotidiano mais banal.

3.
Um trecho, de Reunião com um círculo vermelho, do livro Alguém que Anda por Aí, é perfeito para ilustrar este estranhamento, ajeitando-se aos esbarrões: “Você, como acontece tantas vezes, não teria podido precisar o momento em que acreditou entender; também no xadrez e no amor há esses instantes em que a névoa se levanta e então se realizam os lances ou os atos que um segundo antes teriam sido inconcebíveis.”

4.
Como o vampirismo, tema do conto acima, Cortázar nutria algumas obsessões, elementos constantes em seus textos: estruturas e meios de passagem, tais como metrôs, bondes, barcos e pontes; o jogo — como um instrumento revelador de potencialidades que desviam da normalidade repetitiva; e as possibilidades/impossibilidades espaço-temporais.

5.
Em suas tramas, todos estes elementos remetem a outra coisa. São como válvulas para instantes epifânicos. E um destes temas, as possibilidades/impossibilidades espaço-temporais, é centro do meu conto preferido: O perseguidor, do livro As Armas Secretas. Um conto cuja conclusão pode ser: existem dois tipos de tempo — o do relógio e aquele que vivemos de verdade. O segundo é o que está em nossa cabeça, sem obedecer às regras da física.

6.
Dedicado a Charlie Parker, este conto é considerado o divisor de águas da carreira de Cortázar. O próprio autor considera que, a partir daí, o personagem deixa de ser um joguete a serviço da trama e passa a ser o centro da narrativa. Ele se realiza, e se concretiza, pela busca do que Cortázar chamou de “fato humano essencial”. Publicado em 1959, tem como personagem principal Johnny Carter, saxofonista virtuose inspirado na figura daquele a quem o conto é dedicado. A partir do narrador, Bruno, um crítico musical, Cortázar nos faz acompanhar o desespero de Johnny, angustiado não só pelo abuso de drogas, mas por um desejo de romper barreiras, de fazer o tempo — do relógio — trabalhar a seu favor, estendê-lo de tal modo como o tempo de sua cabeça, de forma que pudesse viver “mil vezes mais do que estamos vivendo por culpa dos relógios.”

7.
Mesmo que a angústia em relação ao tempo fosse o único cerne deste conto — nos jogando na fronteira de compreender o que é delírio e o que é genialidade naquele músico —, já teríamos a melhor realização de Cortázar para uma de suas obsessões. Além disso, no entanto, O perseguidor faz do jazz (paixão e outro elemento recorrente do autor) a forma perfeita de questionar a problemática da linguagem artística, questão fundamental em sua obra. Cortázar ambicionava na literatura a liberdade criativa do jazz. E se temos uma história onde este ecossistema é perfeita e fascinantemente apresentado — com o universo noturno cool de bares e de ensaios, o cotidiano repleto de mulheres e colegas de banda igualmente envolvidos com drogas, e mesmo o crítico musical, um branco que pretende compreender a obra de Johnny, traduzindo para outros brancos o universo genial e indescritível do jazz —, também temos um conto que reúne as características fundamentais da prosa cortazariana, em sua visão da arte como busca constante e como rebelião. Com a criação de Johnny e seus delírios cotidianos — com sua mente que percorre dias e meses entre duas estações de metrô separadas por minutos — , Cortázar reflete em seu personagem o artista que era, buscando extravasar os limites e escrever com invenção constante, improvisando através de trajetos labirínticos. Uma busca que podia levar à destruição, mas que tal qual Johnny, fez de Cortázar um constante perseguidor.
 

Trecho do conto ‘O perseguidor’, de Julio Cortázar

Nesse momento tenho certeza de que Johnny diz alguma coisa que não nasce somente do fato de estar meio louco, tenho certeza de que a realidade escapa dele e deixa nele uma espécie de paródia que Johnny transforma em esperança. Tudo que Johnny me diz em momentos assim (e faz mais de cinco anos que Johnny me diz e diz a todo mundo coisas parecidas) não se pode escutar prometendo a si mesmo que depois pensará de novo no assunto. Assim que voltamos para a rua, assim que é a lembrança e não Johnny quem repete as palavras, tudo se torna uma invenção da maconha, um monótono agitar de mãos (porque há outros que dizem coisas parecidas, toda hora encontramos depoimentos parecidos) e depois da maravilha nasce a irritação, e pelo menos comigo acontece de sentir como se Johnny tivesse estado me gozando. Mas isso acontece sempre no dia seguinte, e não enquanto Johnny está falando, porque então sinto que existe alguma coisa que quer ceder em algum lugar, uma luz que procura se acender, ou ainda como se fosse necessário quebrar alguma coisa, quebrá-la de cima para baixo como um tronco enfiando-lhe uma cunha e martelando até o fim.
 

Trecho do conto ‘As nuances mais opacas’, de Alessandro Garcia

Se durante todo esse tempo, daqui para adiante, eu sentir-me não apodrecido, não-envolvido em pesada e já ressequida lama, se eu conseguir olhá-la com olhos que não sejam mentirosos, se eu já não disser frases com a face voltada em outra direção; se eu não me sentir compelido a confissões, a rasgares de alma para crenças nas quais não creio, se eu não sentir uma culpa infinita e um peso desesperado em cima dos meus ombros – é porque a sujeira terá começado a dissipar-se. E Pablo, assim como eu, começará a sentir-se outro, após longo tempo, depois de passadas as quedas e os retornos para os erros, eu poderei começar a sentir-me limpo.
 

Alessandro Garcia (Porto Alegre, 1979) é escritor e editor da revista Flaubert. Autor de A sordidez das pequenas coisas, finalista do Prêmio Jabuti e do Fundação Biblioteca Nacional, prepara o romance A zona da invisibilidade. Site: alessandrogarcia.com

T.S. Eliot e Roberto Piva: considerações acerca da Tradição e a poética de Paranóia e Piazzas

0

A concepção de que clássico é proporcional ao moderno é enunciada por T. S. Eliot, bem como Borges.

Bande à Part, de Godard (1964)

Bande à Part, de Godard (1964)

Larissa Paes, no Homo Literatus

A concepção de que clássico é proporcional ao moderno é enunciada por T. S. Eliot no ensaio intitulado Tradição e Talento individual (1917), onde a conceituação em torno do termo Tradição é subvertida, superando o senso comum deste, fazendo emergir problemáticas de caráter teórico-literário. Esta é amplamente investigada no ensaio de J. L. Borges, Kafka e seus precursores (1952). O escrito argentino também parte da prerrogativa de Eliot.

T. S. Eliot

T. S. Eliot

A citação exposta sutilmente no filme de Godard, quando Odile (Anna Karina) reproduz Eliot e fala: “Tudo o que é novo é, portanto, automaticamente tradicional’’, emerge indagações ante a tal esbravejo. Como é possível uma obra ser inovadora e concomitantemente tradicional? E parafraseando Bergman: a tradição e o novo estão dolorosamente ligados?

O escritor inglês desconstrói a estruturação em torno da contradição equivocada que impõem um isolamento massacrante dos termos, pois para se aproximar de uma obra é imprescindível adotar a dialética que abarque a complexidade do fazer literário. A tradição não está situada na permanência cristalizada de uma época por geração em geração, quebrando o paradigma através de algum gênio original que oferece novo fôlego à arte, mas na eterna transformação de perspectivas pela inserção da novidade e invocação dos mortos na literariedade sucessora. Ou seja: consiste na atualidade do passado. Tomando a literatura em sua totalidade, a existência dela é simultânea. Assim, diz Eliot:

‘’Um homem a escrever não somente com a própria geração a que pertence em seus ossos, mas com um sentimento de que toda literatura européia desde Homero e, nela incluída, toda a literatura de seu próprio país têm uma existência e constituem uma ordem simultânea. Esse sentido histórico, que é o sentido tanto do atemporal quanto do temporal e do atemporal e do temporal reunidos, é que torna um escritor tradicional’’.

Essa afirmação é reforçada, de certa forma, por Borges quando fala, em seu ensaio, do escritor inglês R. Browning (meados do século XIX) e de Kafka. Ao colocar em voga o poema Fears and Scruples (Browning) afirma ser este a antevisão do sustentáculo de Kafka. Todavia, o escritor tcheco não é simplesmente seu sucessor, mas a luz que enaltece e altera a compreensão do seu precursor. Cai por terra a sistematização hierárquica das obras. A tradição, portanto, é impulsionada, é fundamentada.

Aparece então Roberto Piva e seu Paranoia (1963). Com o recurso da intertextualidade, intensifica-se a clareza ante a conjugação entre tradição e modernidade, já que Piva, ao reverenciar, por exemplo, o poeta Jorge de Lima, modifica a apreensão deste, relendo-o pela criação do poema Jorge de Lima, panfletário do Caos:

Foi no dia 31 de dezembro de 1961 que te compreendi Jorge de Lima
enquanto eu caminhava pelas praças agitadas pela melancolia presente
na minha memória devorada pelo azul
eu soube decifrar os teus jogos noturnos
indisfarçável entre as flores
uníssonos em tua cabeça de prata e plantas ampliadas
como teus olhos crescem na paisagem Jorge de Lima e como tua boca
palpita nos bulevares oxidados pela névoa
uma constelação de cinza esboroa-se na contemplação inconsútil
de tua túnica
e um milhão de vaga-lumes trazendo estranhas tatuagens no ventre
se despedaçam contra os ninhos da Eternidade
é neste momento de fermento e agonia que te invoco grande alucinado
querido e estranho professor do Caos sabendo que teu nome deve
estar com um talismã nos lábios de todos os meninos

R. Piva

R. Piva

Jorge de Lima foi um estrangeiro da poesia nordestina, no sentido da não contemplação de traços regionais ou afins, e filho esquecido das letras brasileiras. A mediação de Piva retira de uma espécie de ostracismo o poeta que não sustenta classificação e o recoloca no tempo, resgatando e readaptando a poesia à turbulência da pauliceia dos anos 60. Piva evoca principalmente as obras A Túnica Inconsútil (1938) e Tempo e Eternidade (1935), tendo como fio condutor a estruturação do poema-mor do poeta alagoano Invenção de Orfeu (1952). Nesta obra, Jorge de Lima buscou n’A Divina Comédia sua mola propulsora de constituição e constituinte.

Por Roberto Piva ter sido um leitor faminto, devorando dos canônicos aos ”subalternos” da literatura, cuspiu na cara da sociedade a marginalidade de todo poeta e alucinou as palavras como seu mestre Rimbaud. Sendo um rebelde enveredando pelo lado negro da força, foi um dos mais tradicionais poetas de sua geração. A retroalimentação foi o estandarte. É pela brasilidade de Mário de Andrade que também inventa um país, uma cidade, um microcosmo, ao ser inventado, tornando um itinerante à la Andrande. Como no poema No Parque Ibirapuera:

Nos gramados regulares do Parque Ibirapuera [...]
A noite traz a lua cheia e teus poemas, Mário de Andrade, regam
[minha
imaginação [...]
o vento traz-me o teu rosto [...].
É noite. E tudo é noite. [...]
É noite nos teus poemas, Mário!
Onde anda agora a tua voz?
[...] devo
seguir contigo de mãos dadas noite adiante [...]
Não pares nunca meu querido capitão-loucura
Quero que a Paulicéia voe por cima das árvores
suspensa em teu ritmo

A escolha das obras Paranóia e Piazzas é pertinente porque a intertextualidade é transversal. Seja sutilmente, seja taxativamente, a riqueza de criações que fortifica e iluminado o passado ilumina-se é hiperbólica, presenteando a década de 60 com espelhos ferozes. Em Piazzas, Piva constitui um ritual xamânico em torno do Marquês de Sade, no poemaHomenagem ao Marquês de Sade:

O Marquês de Sade vai serpenteando menstruado por
máquinas & outras vísceras
imperador sobre-humano pedalando a Ursa maior no
tórax do Oceano
onde o crocodilo vira o pescoço & acorda a flor louca
cruzando a mente num suspiro
é aéreo o intestino acústico onde ele deita com o vasto
peixe da tristeza violentando os muros de sacarina
ele se ajoelha na laje cor do Tempo com o grito das
Minervas em seus olhos
o grande cu de fogo de artifício incha este espelho de
adolescentes com uma duna em casa mão
as feridas vegetais libertam os rochedos de carne
empilhadas na Catástrofe
um menino que passava comprimiu o dorso descabelado
da mãe uivando na janela
a fragata engraxada nos caminhos da sombrancelha
calcina
o chicote de ar do Marquês de Sade
no queixo das chaminés
falta ao mundo uma partitura ardente como o hímen
dos pesadelos
os edifícios crescem para que eu possa praticar amor
nos pavimentos
o Marquês de Sade pôs fogo nos ossos dos pianistas que
rachavam como batatas
ele avança com tesouras afiadas tomando as nuvens de
assalto
ele sopra um planador na direção de um corvo agonizante
ele me dilacera & me protege contra o surdo século de
quedas abstratas

Por fim, a obra na concepção da tradição literária é amplificadora. Eliot estabelece que:

”O presente consciente corresponde a um entediamento do passado de uma maneira e numa escala que a consciência que esse passado tem de si mesmo não pode mostrar”

E Borges:

”O fato é que cada escritor cria seus precursores. Seu trabalho modifica nossa concepção de passado {…}”

‘Game of thrones': Fotos revelam diferenças entre livros e série

0

George R.R. Martin odeia seus leitores

1

Eduardo Rodrigues em O Globo

Quando ele lançou seu primeiro livro de grande repercussão (“Guerra dos Tronos”, o primeiro volume da “Saga de gelo e fogo”, lá em 1996), surpreendeu a todos matando alguns dos personagens mais queridos do público e até mesmo o principal protagonista.

No terceiro livro, destruiu nossos corações com o “Casamento Vermelho”, mas os leitores passaram por aquele teste de fogo e seguiram querendo mais. Aí ele mudou a estratégia: para nos matar de curiosidade e ansiedade, aumentou para cinco ou seis anos o intervalo entre as obras.

Em 2011 o número de fãs cresceu exponencialmente com o lançamento da aclamada série da HBO e agora o que os fãs antigos mais temiam está acontecendo: a delonga fez com que a história contada na série comece a ultrapassar os livros. Essa preocupação ganhou força no início do ano, quando foi ao ar a quarta temporada e a aventura de Bran Stark ao norte do Norte foi muito além do que poderíamos imaginar.

* * * E A PARTIR DAQUI TEM SPOILERS * * *

A série atualmente está sendo filmada na Espanha, onde são gravadas as cenas de Dorne, terra natal do finado Oberyn Martell. A imagem mais marcante a surgir até agora mostra Daenerys Targaryen assistindo a um combate, sentada ao lado de Hizdahr zo Loraq e… Tyrion Lannister! Loraq é um nobre local com quem ela se casa para tentar controlar a cidade.

1

A foto é um spoiler não só para espectadores da série, mas também os leitores. No quinto livro, Daenerys luta para controlar a cidade de Meereen, enfrentando a aristocracia local. Tyrion, por outro lado, está perdido em meio a sua fuga de King’s Lading, após matar o pai. Todos esperam que o encontro vá acontecer — mas ele ainda não aconteceu, pelo menos não nos livros.

As surpresas não terminam aí. No duelo que Dany e Tyrion assistem, um dos combatentes é Jorah Mormont, o conselheiro que perdeu as graças da Mãe dos Dragões. Ele sim encontra com Tyrion no quinto livro, mas agora precisamos saber como essa história será resumida na série (o que é uma boa notícia, pois a parte do Anão no quinto livro é uma das mais chatas da saga).

1

Outro encontro inesperado que deve acontecer já na quinta temporada será entre Jaime Lannister e as Serpentes de Areia, como são conhecidas as filhas de Oberyn Martell. O ator Nikolaj Coster-Waldau foi visto entrando no Palácio de Alcázar, em Sevilha, que está sendo usado para gravar cenas do palácio de Dorne.

A questão é que nos livros Jaime não vai a Dorne em nenhum momento. Então o que vai acontecer por lá é uma completa surpresa. Ele tem motivos para a viagem, pois sua filha Myrcella foi enviada para lá por Tyrion, há duas temporadas (lembram?). Mas a interação com a família Martell certamente não será amigável. As primeiras imagens das Serpentes de Areia também apareceram nesta semana pela primeira vez.

1

Go to Top