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Os 20 livros de ficção mais vendidos de 2018. Quantos você leu?

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(//Divulgação

Lista traz o último título do autor de ‘O Código Da Vinci’, romances que ganharam adaptações para o cinema e lançamentos de instapoetas

Meire Kusumoto. na Veja

A lista de livros de ficção mais vendidos em 2018 conta com a presença de velhos conhecidos dos leitores, como Dan Brown e Augusto Cury, e também de alguns fenômenos recentes, como os poetas que ganharam notoriedade publicando seu trabalho primeiro no Instagram antes de partir para as livrarias.

Quantos dos best-sellers do ano você leu?

Faça o teste arrastando as capas (dos livros que você já leu para a direita e dos que você não leu para a esquerda) ou usando os botões.

1. Textos Cruéis Demais para Serem Lidos Rapidamente (Globo Alt)

Representante brasileiro mais bem-sucedido em número de vendas do trabalho dos instapoetas – escritores que ganharam notoriedade ao publicar poesia nas redes sociais –, o livro chegou às livrarias em novembro de 2017 e teve 101.100 unidades comercializadas. Apesar de assinada pelo coletivo TCD, responsável pelas páginas no Facebook e no Instagram que tornaram o grupo conhecido, a coletânea foi escrita somente pelo paulista Igor Pires da Silva, 23 anos, e trata de temas como autoestima, saúde mental e amor. O jovem, junto com as amigas, prepara agora um segundo livro.

2. Origem (Arqueiro)

O romance, lançado em outubro de 2017, é mais uma prova do sucesso do americano Dan Brown no mercado editorial. Origem, que vendeu 98.292 exemplares durante este ano, traz de volta o professor de Harvard Robert Langdon, protagonista de outros títulos do escritor, entre eles O Código Da Vinci, tentando desvendar um mistério. Neste caso, o segredo que o especialista em simbologia precisa descobrir é nada menos do que uma das maiores dúvidas da humanidade: a origem do homem e seu destino.

3. Ainda Sou Eu (Intrínseca)

Terceiro romance da série best-seller iniciada por Como Eu Era Antes de Você, que ganhou adaptação para os cinemas em 2016, com Emilia Clarke e Sam Claflin nos papéis principais, Ainda Sou Eu foi lançado em janeiro e vendeu 90.980 cópias. No livro, a britânica Jojo Moyes dá continuidade à história de Louisa Clark, que chega em Nova York para tentar uma nova vida como assistente pessoal de um rico empresário americano.

4. Outros Jeitos de Usar a Boca (Planeta)

A indiana Rupi Kaur, considerada uma das pioneiras entre os instapoetas, tornou-se um fenômeno literário ao tratar de feminismo e abuso sexual, entre outros assuntos que vêm ganhando espaço nos últimos anos, em poemas curtos, simples e acessíveis. Outros Jeitos de Usar a Boca, seu primeiro trabalho, foi lançado em fevereiro do ano passado e, mais de um ano depois, continua firme e forte na lista de mais vendidos de VEJA. Só em 2018, a coletânea vendeu 81.241 exemplares.

5. O Conto da Aia (Rocco)

Alavancado pelo seriado que já ganhou diversos prêmios no Emmy e no Globo de Ouro, o romance da canadense Margaret Atwood, lançado na década de 80, voltou às listas de mais vendidos do mundo todo. No Brasil, a editora Rocco relançou o livro em junho do ano passado, com novo projeto gráfico. Segundo levantamento de VEJA, a obra que se passa em uma realidade distópica em que as mulheres férteis se tornam escravas sexuais nos Estados Unidos vendeu 72.318 unidades.


6. O Que o Sol Faz com as Flores (Planeta)

A segunda coletânea de poesias de Rupi Kaur foi lançada em março e vendeu 65.340 cópias no ano. No livro, dividido em cinco partes – murchar, cair, enraizar, crescer e florescer, as fases de uma flor –, a escritora retoma os assuntos de Outros Jeitos de Usar a Boca, tratando de relacionamentos abusivos, a relação com a mãe e questões de imigração.

7. Mais Escuro (Intrínseca)

Resquício da onda de romances eróticos que explodiu com Cinquenta Tons de Cinza, de E.L. James, em 2011, Mais Escuro faz parte da segunda trilogia da escritora britânica, que conta a mesma história de primeira, mas pelos olhos do lado masculino do casal, Christian Grey. O livro, o segundo da série, que faz paralelo com Cinquenta Tons Mais Escuros, chegou às prateleiras das livrarias em janeiro e vendeu, durante o ano, 62.264 exemplares.

8. O Homem Mais Feliz da História (Sextante)

Um dos maiores best-sellers brasileiros, Augusto Cury não raro aparece mais de uma vez, com títulos diferentes, às vezes de gêneros diversos, nas listas de mais vendidos. Com O Homem Mais Feliz da História, lançado em novembro do ano passado, o escritor vendeu 54.465 unidades. O livro, da mesma série de O Homem Mais Inteligente da História, traz o psiquiatra Marco Polo tentando entender os códigos da felicidade presentes no Sermão da Montanha.

9. Mitologia Nórdica (Intrínseca)

Conhecido pela série de graphic novels Sandman, Neil Gaiman volta a tratar dos deuses nórdicos nessa coletânea de contos. As histórias originais de Odin, Thor, Loki e companhia são revisitadas a partir de livros de referência do autor britânico, mas ele também trata de dar seu toque pessoal aos mitos. Lançado em março do ano passado, Mitologia Nórdica continua entre os mais vendidos, tendo comercializado 46.532 cópias só em 2018.


10. Poesia que Transforma (Sextante)

Segundo livro de Bráulio Bessa, reúne poemas e bastidores da vida e da produção literária do cearense que se tornou conhecido após sucessivas aparições no programa Encontro com Fátima Bernardes, da Globo, onde falava sobre o orgulho de ser nordestino e declamava seus versos. Poesia que Transforma foi lançado em julho e desde então não deixou a lista de mais vendidos de VEJA, acumulando vendas de 43.983 exemplares.

11. O Homem Mais Inteligente da História (Sextante)

O romance, lançado em outubro de 2016, continua marcando presença nas listas de mais vendidos. Só em 2018, o primeiro volume da trilogia de Augusto Cury sobre a inteligência de Jesus vendeu 43.194 exemplares. É nesse título que o leitor conhece Marco Polo, um psiquiatra ateu que decide estudar a mente do filho de Deus a partir dos textos do Novo Testamento, mas aplicando conhecimentos das ciências humanas.

12. A Revolução dos Bichos (Companhia das Letras)

A fábula se mantém atual, apesar de ter sido concebida pelo britânico George Orwell como uma sátira à ditadura stalinista em 1945. Com o passar das décadas e as mudanças políticas e sociais que o mundo sofreu, a narrativa que mostra os bichos tomarem o controle de uma fazenda e depois sucumbirem à sede de poder ganhou diferentes interpretações e significados, indicando que é uma obra de relevância permanente. Em 2018, a edição brasileira vendeu 43.084 cópias.

13. O Livro dos Ressignificados (Paralela)

Outro representante do grupo dos instapoetas, o brasiliense João Dorderlein, conhecido na internet como @akapoeta, vendeu neste ano 41.938 unidades de sua primeira coletânea de poesia, lançada em agosto de 2017. O Livro dos Ressignificados, como sugere o nome, propõe novos sentidos a algumas palavras, como astronauta (“é quem chega aonde quer. ou quem foge do mundo rotineiro para se encontrar”), estrela (“é quem, feito catapora, se multiplicou no céu, diria Carpinejar”) e sonhar (“é um marinheiro em fuga da realidade”).

14. A Mulher na Janela (Arqueiro)

Best-seller do The New York Times, o thriller fez sucesso também no Brasil – lançado em março por aqui, vendeu 28.476 unidades no ano. Escrito pelo editor Dan Mallory sob o pseudônimo de A. J. Finn, A Mulher na Janela retrata uma psicóloga infantil que, afastada do trabalho e da família e isolada em casa, acredita ter testemunhado um crime ao olhar por sua janela. Elogiado por escritores como Stephen King e Gillian Flynn, o livro teve seus direitos de adaptação comprados pela Fox, que escalou nomes como Amy Adams e Gary Oldman para a produção.

15. O Homem de Giz (Intrínseca)

Romance de estreia da britânica C.J. Tudor, vendeu 27.752 cópias desde o lançamento, em março. A história, inspirada na obra de Stephen King, se desenrola no presente e no passado: em 1986, Eddie e seus amigos se divertem usando desenhos feitos de giz como código para se comunicar; em 2016, já crescidos, eles recebem um desenho feito com giz de um homem enforcado – e pouco depois, um dos amigos aparece morto. Eddie, então, decide investigar o que aconteceu.

16. Depois de Você (Intrínseca)

Sequência de Como Eu Era Antes de Você, o livro de Jojo Moyes vendeu cerca 23.548 exemplares em 2018, o que mostra sua força – já que foi lançado em fevereiro de 2016. Nesta continuação, Louisa Clark precisa tentar aceitar e superar os tristes acontecimentos mostrados ao final do primeiro livro, e se torna garçonete de um pub em um aeroporto de Londres.

17. Me Chame pelo Seu Nome (Intrínseca)

O filme de Luca Guadagnino que concorreu a quatro troféus no Oscar deste ano – desses, ganhou um, o de melhor roteiro adaptado – impulsionou as vendas do romance que o inspirou. Lançado no Brasil em janeiro, o livro de André Aciman que se passa na Itália dos anos 1980 e mostra o tórrido relacionamento entre um estudante de pós-graduação e um adolescente de 17 anos vendeu 22.818 unidades.


18. 1984 (Companhia das Letras)

Provavelmente o trabalho mais conhecido de George Orwell, a distopia escrita pelo britânico em 1948 já se tornou clássica, ganhando sempre novos leitores, como A Revolução dos Bichos. O romance que retrata uma sociedade comandada por um governo totalitário, que não permite a seus habitantes viver em liberdade e está constantemente em vigilância, vendeu 18.190 exemplares durante o ano.

19. It – A Coisa (Suma)

Outro livro que entrou em evidência por causa de sua adaptação para os cinemas, que estreou em setembro de 2017, o terror de Stephen King It – A Coisa, publicado originalmente na década de 80, vendeu 17.651 cópias em 2018. O enredo tem como protagonistas sete amigos de uma pequena cidade americana que enfrentaram um ser sobrenatural quando eram crianças e, quase trinta anos depois, voltam a se deparar com o rastro de destruição da Coisa.

20. O Segredo de Helena (Arqueiro)

Lançado em abril, o novo livro da best-seller irlandesa Lucinda Riley vendeu 16.254 unidades. O romance é protagonizado por Helena, uma mulher que, já casada e com filhos, decide voltar à casa do padrinho no Chipre onde passou férias inesquecíveis quando era adolescente. O lugar, porém, traz de volta não apenas lembranças, mas também segredos que ela esconde da família, em especial de Alex, seu filho mais velho.

Conheça o livro que deu origem a série “Você” da Netflix

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Publicado em Os Geeks

Qual é o limite entre amor e obsessão? “Você“, suspense que marca a estreia de Caroline Kepnes na literatura e publicado pela Editora Rocco, conta a história de Joe Goldberg, funcionário de uma livraria em Nova York que se apaixona por Guinevere Beck, uma jovem aspirante a escritora. Para ter a amada ao seu lado, Joe não medirá esforços e afastará qualquer um que atravessar seu caminho. Invasão de privacidade, violência e manipulação fazem parte da trama, que mistura momentos de ternura com trechos assustadores.

Era um dia comum na Mooney Books, livraria no Lower East Side, em Nova York, quando Joe Goldberg viu entrar a cliente que mudaria sua vida: baixinha, sorriso tímido, sem esmalte nas unhas e usando jeans e um suéter, ela disse “olá” e foi direto para as prateleiras onde estavam os livros de ficção. Mais tarde, no caixa, Joe descobriria que ela se chamava Guinevere Beck, mas preferia ser chamada de Beck. Depois de uma rápida conversa, ela se despediu e deixou a loja, sem dar margem a um segundo encontro. Mas Joe estava convencido de que o destino deles era formar um casal.

Sem conseguir tirar Beck da cabeça, Joe pesquisa sobre ela na internet até chegar a seus perfis em redes sociais. A partir daí, a perseguição se intensifica: ele descobre o endereço da jovem, os nomes das suas melhores amigas e os lugares que o grupo frequenta, passando a acompanhá-las de perto. Enquanto se diverte estudando Beck e examinando seus gostos, Joe encontra um concorrente na figura de Benji, rapaz rico e mimado com quem ela mantém um relacionamento sem compromisso. É o suficiente para Benji entrar no radar de Joe e ser colocado na lista de pessoas que precisam sair da vida de Beck.

Após observar Beck passar horas em um bar com as amigas, Joe a segue até o metrô. Bêbada, a jovem cai nos trilhos e ele tem a chance de ser o herói da noite. Ao deixá-la em casa, outro golpe de sorte para um perseguidor – a aspirante a escritora esquece o celular no táxi. Com livre acesso ao e-mail e a outras contas de Beck, Joe tem a chance de se tornar o namorado perfeito, desde que o alvo de seu amor não descubra como ele a conhece tão bem.

Ao longo das páginas, Caroline Kepnes percorre a linha tênue que separa um comportamento apaixonado de uma postura obsessiva, fazendo com que os leitores mergulhem na mente de Joe e acompanhem a lógica por trás das atitudes dele. Mas será que o vendedor de livros é o único a se aproveitar das situações para atingir seus objetivos? O que pode acontecer com quem representar uma ameaça? Embarque nessa história de tirar o fôlego e descubra se Joe e Beck viverão um grande amor ou um pesadelo.

A Série da Netflix

Inspirada no best-seller “You” (“Você“), escrito por Caroline Kepnes, o drama homônimo que está no catálogo da Netflix é considerado melhor que o livro por muitos críticos.

Bem ao estilo de “Narcos” e “Mr. Robot“, a narração em off de “Você” feita pelo personagem principal consegue ser muito mais intrigante e envolvente, chegando até mesmo a enganar quem assiste sobre as reais intenções do protagonista.

Joe Goldberg é vivido pelo ator Penn Badgley e quem interpreta a bela aspirante a escritora, e universitária falida e desleixada, Guinevere Beck é a atriz Elizabeth Lail.

A série, que foi lançada nos Estados Unidos pelo canal Lifetime, possui 10 episódios na primeira temporada com cerca de 40 a 50 minutos cada um e uma segunda temporada já foi garantida pela Netflix, já que o canal Lifetime desistiu de produzir a série.

Os novos episódios, sem ainda data para serem lançados, seguiram a trama de “Hidden Books“, sequência de “You“.

Jorge Amado: biografia revela perfil inédito do escritor brasileiro

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(Foto: Reprodução)

 

Em seu livro ‘Romântico, Sedutor e Anarquista – Como e Por Que Ler Jorge Amado Hoje’ (Objetiva), Ana Maria Machado percebeu que autor fez uma fusão amorosa

Ubiratan Brasil, no Bem Paraná

Joselia Aguiar observa, em Jorge Amado – Uma Biografia que, quando se afasta do Partido Comunista, no final da década de 1950, o sucesso do escritor baiano só aumentava. Jorge Amado foi muito lido no Brasil e no exterior até o fim da vida, o que comprova ser falsa a acusação de que sua bem-sucedida carreira se deveu à ação direta do partido.

De fato, os lançamentos de livros de Amado chegaram a alcançar a astronômica tiragem de 100 mil exemplares, o que ganhava ainda mais força com as adaptações para cinema, teatro e novela de TV de obras como Gabriela Cravo e Canela (de 1958), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966) e Tieta do Agreste (1977). O que poderia explicar tamanho sucesso? Em seu livro Romântico, Sedutor e Anarquista – Como e Por Que Ler Jorge Amado Hoje (Objetiva), Ana Maria Machado percebeu que Amado fez a fusão amorosa entre o erudito e o popular, erotizou a narrativa, trouxe à tona questões sobre o não sectarismo, a miscigenação, a luta contra o preconceito e contra a pseudoerudição europeia.

Joselia também acredita que as narrativas centradas na afro-baianidade, portanto, distantes do tradicional olhar europeu, ajudam a explicar o êxito de Amado no exterior. “O entendimento que ele tem do candomblé aos 23 anos, quando escreve Jubiabá, é ainda muito contaminado pela sua opção comunista”, comenta. “Somente quando está com 57 anos, ele dá o salto que é Tenda dos Milagres, em que o candomblé é visto como resistência cultural e política, um contraponto à sociedade burguesa e a certa visão eurocêntrica. Dentro dos limites, claro, de um homem branco que nasce na primeira metade do século 20, quando certas categorias e discussões ainda não existiam. O que se pode afirmar é que, conforme se torna mais maduro e também se afasta do partido, sua apreensão do que é fazer romance se torna algo mais complexo, como é a própria vida.”

A força da miscigenação em sua obra sempre foi coroada de elogios. “A generalizada e estereotipada visão de que o Brasil seria reduzível à soma mecânica das populações brancas, negras, mulatas e índias, perspectiva essa que, em todo caso, já vinha sendo progressivamente corrigida, ainda que de maneira desigual, pelas dinâmicas do desenvolvimento nos múltiplos setores e atividades sociais do País, recebeu, com a obra de Jorge Amado, o mais solene e ao mesmo tempo aprazível desmentido”, comenta José Saramago, de quem o autor baiano foi amigo afetuoso – ambos tinham uma combinação de que fariam uma bela comemoração ao primeiro deles que vencesse o Prêmio Nobel de Literatura, o que acabou acontecendo em 1998, com a escolha do português. Saramago gostava de contar que foi surpresa para muita gente descobrir nos livros do escritor baiano a complexa heterogeneidade, não só racial, mas cultural da sociedade brasileira.

Mesmo assim, a obra de Jorge Amado nunca foi unânime, especialmente entre os críticos, apesar da legião de leitores fiéis. “Geração após geração, há sempre críticos mais conservadores que não aprovam as escolhas feitas por ele – personagens, encaminhamentos, palavras. Quando foi lançado Gabriela, um resenhista reclamou que Amado tinha transformado uma doméstica em heroína”, explica Joselia, lembrando que a aposta no humor e no erotismo, mais presentes depois da década de 1960, também era alvo de reclamações. “Como sua obra tratava de muitos dos problemas do Brasil, é impossível que não atingisse grupos ou certas concepções. Mas o fato é que Amado passa a escrever melhor conforme o tempo passa, e nem todos os críticos se dedicam a acompanhar isso.” E arremata: “Era um autor popular, mas não se pode dizer que era um autor comercial ou superficial”.

Joselia desmente ainda que Amado teria uma tendência ao ócio, reforçada pelo estereótipo da baianidade (na verdade, o escritor levantava-se às 4 horas da manhã, seja para escrever ou para responder a cartas), e ainda descobriu o original de um romance inédito, Rui Barbosa Nº 2, escrito em 1930, portanto, seria seu segundo romance se não fosse descartado pelo autor, desgostoso por não acreditar que dali se apresentaria algo novo.

Ele conhecia como poucos os desejos do leitor. “Quando começou a escrever ficção, Amado já sabia que havia romances de autores burgueses feitos para a burguesia. Por isso, mirava outro leitorado, buscando, como dizia, os jovens trabalhadores. Isso na década de 1930”, observa. “É um tipo de livro que tem um sentido de formação de leitor, ótimo para um país de maioria analfabeta. Desde cedo, Amado não quis escrever para o grupo de literatos a que podia ter pertencido. Queria ser lido por todos, o que significava fazer certas escolhas literárias.”

Em biografia sobre escritor, Josélia Aguiar traça perfil inédito do baiano
Foram sete anos de pesquisa, mas, graças à riqueza de detalhes que marca a trajetória de seu biografado, Joselia Aguiar garante que poderiam ter sido mais. “É um trabalho que podia ter o dobro do tamanho, e ainda assim ficaria coisa de fora”, assegura ela sobre Jorge Amado – Uma Biografia (Todavia), cujo lançamento acontece às 19h desta quinta-feira, 13, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista.

Trata-se de um recorte generoso, bem apurado e pleno de novidades sobre o homem que, durante muitos anos, foi o escritor mais popular do Brasil e o primeiro a derrubar barreiras em todos os continentes do planeta – só foi superado, anos depois, por Paulo Coelho. “De fato, a vida de Jorge foi vasta. Estreou cedo e produziu muito, e esses livros circularam em 49 idiomas e se tornaram novelas e filmes.”

Ao longo de seu trabalho – que conciliou com a função de curadora por dois bem-sucedidos anos da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip -, Joselia mostra como a trajetória literária e também política de Jorge Amado (1912-2001) se confunde com muitos momentos históricos do Brasil Como sua relação com a política ideológica comunista, iniciada nos anos 1930.

“Na obra de memórias Navegação de Cabotagem, ele se refere aos livros de seu período mais comunista como ‘tarefas partidárias’”, observa Josélia.
“Muito cedo, Amado se identifica e lê autores de esquerda, envolvendo-se em muitas atividades políticas. Os livros nascem dele mesmo, é um autor propositivo, mas é claro que nascem de alguém envolvido totalmente com a causa comunista. Por que ‘tarefas partidárias’? Creio que para diminuir um pouco aqueles livros, pelos quais tinha carinho porque foram feitos na juventude, mas que considerava como ‘cadernos de aprendiz’.”

Joselia ressalta que, naquela época, década de 1930, Jorge Amado ainda não era importante aos olhos dos comunistas brasileiros ou estrangeiros. A situação só vai mudar quando ele decide escrever a biografia de Luís Carlos Prestes, então o grande líder comunista nacional. “O Cavaleiro da Esperança, de 1942, lhe abre portas e lhe dá um determinado prestígio. Mas a obra de Amado já circulava na França e nos Estados Unidos, e era publicada por editoras de gabarito, como Gallimard e Knopf. Depois de sua cassação como deputado, em 1948, ele vai para o exílio e conhece os países da cortina de ferro, onde é muito lido.”

5 livros que vão virar filmes no primeiro semestre de 2019

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Publicado em Os Geeks

Muitos serão os livros que serão adaptados para as telonas do cinema neste ano de 2019. Selecionamos aqui cinco títulos para ficarmos ligados nas estreias neste primeiro semestre do ano. Confira:

“Boy Erased: Uma Verdade Anulada”

Dirigido e adaptado por Joel Edgerton (“O Presente“), o filme é baseado no livro “Boy Erased: A Memoir“, de Garrard Conley, que será lançado no Brasil pela editora Intrínseca. O livro conta a história de um garoto que foi obrigado a passar por um método de “cura gay” de uma igreja.

O filme traz dois veteranos atores: Nicole Kidman, vencedora do Oscar pelo filme “As horas” e Russell Crowe, vencedor do Oscar pela atuação em “Gladiador“; ambos viverão os pais do menino que será interpretado pelo talentoso Lucas Hedges, que já foi indicado ao Oscar por ator coadjuvante em “Manchester à Beira-Mar“.

A adaptação chega aos cinemas brasileiros em 31 de janeiro de 2019 e já conta com duas indicações ao Globo de Ouro: Melhor ator (Lucas Hedges) e Melhor Música para filmes (“Revelation“).

“Cinderela Pop”

Da obra da autora Paula Pimenta, chega aos cinemas a adaptação do livro “Cinderela Pop“, da editora Galera Record. Quem protagoniza o filme é a Maisa que faz uma releitura mais moderna do clássico da Cinderela com uma garota que quer ser DJ e acaba conquistando Freddy Prince (Filipe Bragança). Dois atores com nomes já famosos entre o público adolescente.

Maisa já é conhecida do público televisivo por passagens em “Carrossel“, “Carinha de Anjo” e “Patrulha Salvadora“, além da atuação em “Tudo por um Pop Star“, adaptação de um livro da Thalita Rebouças.

Já Filipe Bragança que faz a versão moderna do príncipe encantado interpretou o youtuber Christian Figueiredo no filme “Eu Fico Loko“, além de atuar na novela “Chiquititas” e ter vencido o prêmio Bibi Ferreira de Teatro com Melhor Ator Revelação pelo seu personagem Marius, do aclamado musical “Les Misérables“.

O filme tem a direção de Bruno Garotti (“Eu fico Loko“) e chega aos cinemas no dia 28 de fevereiro de 2019.

“Cadê você, Bernadette?”

O livro, que é escrito por Maria Semple e publicado aqui no Brasil pela Companhia das letras, vai contar a história de uma mulher que sempre foi odiada pela vizinhança, porém essa mesma vizinhança terá que conviver com o sumiço dela.

O filme tem no elenco grandes astros do cinema como Cate Blanchett (“O Aviador“) Kristen Wiig (“Missão Madrinha de Casamento“) e Laurence Fishburne (“Matrix“) e é dirigido por Richard Linklater, que já foi indicado ao Oscar pela direção em “Boyhood: Da Infância à Juventude“.

A adaptação têm previsão de chegar aos cinemas brasileiros no dia 25 de abril de 2019.

“A Cinco Passos de Você”

O livro “A Cinco Passos de você” (“Five Feet Apart“), escrito por Mikki Daughtry e Tobias Iaconis será lançado em fevereiro aqui no Brasil pela editora Globo Alt. A história é de um jovem casal que acaba se conhecendo no tratamento de suas respectivas doenças e acabam se apaixonando.

Dirigido pelo estreante Justin Baldoni, o filme conta com Claire Forlani que esteve ao lado de Brad Pitt em “Encontro Marcado“, Cole Sprouse que é conhecido pelo seu trabalho na série “Riverdale” e Haley Lu Richardson que fez o papel de uma das jovens sequestradas em “Fragmentado” ao lado de Anya Taylor-Joy.

A previsão para chegar aqui no Brasil é 21 de março de 2019.

“O Motivo”

O livro “O Motivo“, da série “Mundo em Caos” do autor Patrick Ness foi lançado pela editora Pandorga em 2008 e só agora ganha uma adaptação para os cinemas.

“Chaos Walking: The Knife of Never Letting Go” acompanha a história de um futuro pós-apocalíptico aonde uma infecção matou todas as mulheres e tornou audíveis os pensamentos de todos os homens.

O filme tem a direção de Doug Liman, que esteve a frente de filmes como “Jumper” e “No Limite do Amanhã” e conta com dois grandes astros em ascensão no elenco: Tom Holland (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar“) e Daisy Ridley (“Star Wars: Os Últimos Jedi“).

A adaptação deve chegar aos cinemas dos Estados Unidos no dia 1º de março de 2019, porém sem data ainda confirmada para desembarcar por aqui no Brasil.

9 clássicos da literatura que foram rejeitados

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A saga Harry Potter, de J.K. Rowling, é uma das obras que foi rejeitada várias vezes antes de ser publicada e conquistar o público

Publicado no El País

Às vezes, o sucesso leva tempo. A história da literatura também traz uma série de obras essenciais que foram inicialmente rejeitadas, títulos que causaram muitos desgostos até que seus autores conseguissem vê-los publicados. Confira nossa lista com livros que foram recusados (em alguns casos, muitas vezes) para depois conseguirem conquistar os corações de milhões de leitores que os transformaram em best-sellers.

Quando Vladimir Nabokov escreveu Lolita, o livro foi rejeitado por várias editoras que consideravam seu argumento indecoroso. Alguns viram nas páginas da obra-prima de Nabokov uma ode à pedofilia, em vez de uma ode à literatura, e foi apenas em 1955 que a editora parisiense The Olympia Press ousou publicá-la. O que aconteceu posteriormente já faz parte da história da literatura.

Stephen King colecionava cartas de rejeição recebidas de várias editoras às quais havia enviado o manuscrito de seu primeiro romance, Carrie a Estranha. Agatha Christie também demorou muito para ver sua primeira obra publicada; muitas portas foram fechadas até a publicação de O Misterioso Caso de Styles. John Kennedy Toole cometeu suicídio sem ver publicada a obra Uma Confraria de Tolos, mas o empenho de sua mãe conseguiu que o romance póstumo ganhasse o Prêmio Pulitzer e se tornasse um dos pináculos da literatura norte-americana do século XX.

André Gide rejeitou o primeiro volume de Em Busca do Tempo Perdido, o clássico de Marcel Proust. James Joyce se tornou especialista em receber nãos. Foi rejeitado várias vezes antes de ver a publicação de Dublinenses, mas também não foi nada fácil com Ulisses. Foi Sylvia Beach, proprietária da lendária livraria Shakespeare & Co., que com bom faro apostou na obra que, ao longo dos anos, tornou-se um clássico da história da literatura.

A trajetória de William Golding foi de sangue, suor e lágrimas para ver publicado O Senhor das Moscas. Embora talvez a rejeição mais cara da história tenha sido a de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Mais de uma dezena de editoras recusaram a obra de J.K. Rowling, sem intuir o sucesso que se escondia por trás da história do menino bruxo.

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