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5 formas de incentivar a leitura (e a gentileza) sem gastar dinheiro

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 SolStock via Getty Images Você pode incentivar a leitura criando uma rotina diária com a criança

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Você pode incentivar a leitura criando uma rotina diária com a criança

 

Estratégias que favorecem a aproximação das crianças e dos livros

Heidi Moriyama, no HuffpostBrasil

A leitura é importantíssima para o desenvolvimento das crianças, mas com tantas ideias de brincadeiras, com tantos jogos online e com o apelo dos tablets, celulares e computadores, os livros podem ficar esquecidos em um canto escuro do quarto.

Ainda assim, há diversas estratégias para fazer com que a leitura seja vista como uma atividade tão atrativa quanto as outras opções a que as crianças têm tido cada vez mais acesso. A campanha Leia para uma criança, do programa Itaú Criança, já possibilitou a distribuição gratuita de mais de 45 milhões de livros por todo o Brasil desde 2010 e estendeu um convite a todos os pais para que sejam o elo entre as crianças e os livros.

O objetivo é criar situações favoráveis para que a criança veja a leitura como algo agradável, uma atividade que ela gosta de fazer, e associe esse hábito a situações gostosas e a momentos em que se sentiu feliz e bem acolhida. Apesar de parecer uma atividade 100% individual, durante a infância a leitura de adultos para crianças serve como um mecanismo para criação e fortalecimento de laços emocionais. Crianças que ouvem histórias desde cedo tendem a ser mais criativas, a ter melhor vocabulário e a desenvolver mais e melhor suas opiniões e ideias.

Por isso, tente colocar em prática na sua comunidade algumas dessas ideias para incentivar a leitura de uma forma que é acessível para todos:

1.Troca de livros

Uma das ideias mais simples é incentivar a troca de livros. Isso pode ser feito tanto com os amiguinhos da escola ou do bairro, com as famílias mais próximas ou aqueles coleguinhas que estão sempre passando uma tarde na sua casa. O ideal é que a própria criança aprenda a emprestar o seu livro e pegar o livro de alguém emprestado – essa dinâmica ensina sobre as relações interpessoais e o quanto é importante compartilhar informações e ideias que fazem bem aos outros. Ela pode demonstrar resistência em emprestar o seu livro preferido, mas quando entende que aquele livro também pode se tornar especial para outra pessoa, e fazê-la feliz, ela não sentirá um apego tão grande.

2.Biblioteca comunitária

Se você já tem muitos livros infantis em casa e conhece outras famílias que também têm obras paradas, pode incentivar a sua escola a criar uma pequena biblioteca comunitária, onde as crianças levam os seus livros, pegam os dos amigos emprestados e têm sempre disponíveis leituras novas para explorar. O ideal é que esse seja um ambiente livre para as crianças deixarem seus livros e levarem outros para casa, e tornarem esse um hábito comum: ler um livro da biblioteca, devolvê-lo, pegar outro e assim por diante. É uma maneira de ensinar também sobre a importância do compartilhar e de cuidar bem de algo que é bom para todos – por isso as crianças precisam também estarem envolvidas no cuidado e manutenção dessa biblioteca.

3.Clube do livro

Clubes do livro são uma forma muito tradicional de incentivar a leitura, até mesmo entre adultos! A ideia é unir um grupo de crianças e pais que vão ler um mesmo livro durante um período (um mês, por exemplo) e depois vão conversar a respeito. As crianças trocam experiências que tiveram com essa leitura, ficam em contato com os amigos e reforçam os laços com os pais, já que eles fazem parte desse momento de leitura e discussão em grupo.

4.Leituras em grupo

Existe uma diferença entre uma leitura em grupo e um clube do livro. A leitura em grupo é como um sarau: uma pessoa se propõe a ler uma história para as crianças de forma lúdica e descontraída e, assim, mostra como a leitura pode ser algo divertido e ensina uma maneira diferente de se relacionar com um livro. Crianças menores muitas vezes não ficam paradas, mas assim mesmo estão ouvindo e absorvendo as histórias, e aproveitando esse momento muito especial de aprendizado.

5.Crie uma rotina

Aqui, a ideia é mostrar como a leitura é um hábito que se cultiva todos os dias e não só esporadicamente. Ensinar para a criança que a leitura é importante significa que os livros fazem parte da sua vida diária, e por isso é preciso criar uma rotina de leitura com elas: algumas noites por semana ou alguns minutos por dia, separe horários específicos para vocês lerem juntos e aproveitarem tudo o que esse universo tem a oferecer.

Quem precisa de crítica literária? Algoritmos já leem romances e conseguem analisar a estrutura de obras de ficção

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Marcelo de Araújo, no Estadão

Aristóteles escreveu na antiguidade um texto conhecido como Poética, ainda hoje um clássico da teoria literária. Na obra, Aristóteles trata de examinar a estrutura típica de grandes obras dramatúrgicas. Quais são os elementos constitutivos de uma boa tragédia? Qual é a estrutura típica de uma narrativa trágica bem sucedida? A resposta que Aristóteles dá a essas perguntas exerce ainda hoje influência sobre a estrutura narrativa de muitos romances e roteiros para o cinema. Não é por acaso, aliás, que a Poética se tornou leitura obrigatória entre roteiristas e é adotada em muitos cursos de escrita criativa.

Aristóteles só foi capaz de identificar a estrutura narrativa típica de grandes obras dramatúrgicas porque ele conhecia praticamente todas as tragédias da antiguidade. No entanto, face à enorme quantidade de obras de ficção publicadas em nossos dias, ninguém mais pode ter a expectativa de ler um vasto conjunto de obras literárias na tentativa de identificar algumas estruturas narrativas comuns.

Não seria então possível delegarmos a máquinas a tarefa de “ler” obras literárias em nosso lugar? Uma máquina não poderia talvez identificar os “arcos emocionais” comuns a diversas obras literárias com mais precisão do que qualquer ser humano? Na verdade, isso já vem ocorrendo.

Medindo arcos emocionais

Em 2016, Andrew Reagan e colegas publicaram um artigo intitulado “Os arcos emocionais das histórias são dominados por seis formas básicas” [1]. Um algoritmo desenvolvido pelos pesquisadores, batizado de “Hedonometer”, analisou 1.327 obras literárias disponíveis no site do Projeto Gutenberg. Cada obra foi dividida em segmentos ou “janelas” de 10 mil palavras. Cada janela foi submetida então a uma “análise de sentimentos.” A análise consiste na avaliação quantitativa dos sentimentos que algumas palavras, que ocorrem nas janelas, tendem a provocar no leitor. Palavras como, por exemplo, “estupro” e “terrorista” tendem a provocar nas pessoas uma reação negativa, por oposição a palavras como “sorriso” ou “amor”.

O Hedonometer contém um dicionário com as 10 mil palavras mais frequentes no conjunto de obras a serem analisadas. A cada palavra do dicionário foi atribuído um valor que varia entre 1 e 9. Palavras que têm uma conotação negativa receberam um valor baixo, por oposição às palavras que têm uma conotação positiva. (O valor 5, intermediário entre 1 e 9, indica que a palavra é emocionalmente neutra, não desperta nenhum sentimento especial no leitor). Os valores foram atribuídos graças ao trabalho de milhares de pessoas recrutadas especialmente para essa tarefa. As três palavras que receberam a maior pontuação média foram, respectivamente, “riso”, “felicidade”, e “amor”. As três últimas palavras no ranking foram “estupro”, “suicídio”, e “terrorista” [2].

A ocorrência dessas palavras, em cada segmento de 10 mil palavras, permite ao Hedonometer avaliar a carga emocional predominante em cada segmento da obra, e retraçar as flutuações emotivas ao longo da obra como um todo. São essas flutuações emotivas que Reagan e colegas denominam de “arco emocional” da narrativa [3]. A análise de sentimento realizada pelo Hedonometer consiste na representação gráfica das flutuações emotivas ao longo de cada obra analisada. Segundo Reagan e colegas, é possível detectar, no conjunto das 1.327 obras analisadas, seis tipos básicos de arcos emocionais.

Uma história com final feliz, por exemplo, é marcada por um arco ascendente na parte final, diferentemente de narrativas com finais trágicos, que são marcadas por um arco emocional descendente. O artigo de Reagan e colegas, porém, não é o único trabalho recente que descreve o modo como algoritmos podem ser utilizados para “ler” grandes quantidades de textos literários com o objetivo de analisar certas estruturas comuns, inerentes a praticamente qualquer obra de ficção.

Detectando best-sellers

Em 2016, Jodie Archer e Matthew Jockers lançaram um livro chamado The Bestseller Code: Anatomy of the Blockbuster Novel, publicado no Brasil como O Segredo do Best-Seller (Astral Cultural, 2017). A dupla desenvolveu um programa, chamado “Bestseller-ometer”, na expectativa de poder identificar potenciais best-sellers. O programa “leu” mais de 20 mil romances buscando identificar características típicas dos títulos que entram para a lista de best-sellers do New York Times. A descrição técnica do programa aparece no último capítulo do livro. Mas o que me interessa aqui não é a descrição técnica do algoritmo, mas sim examinar algumas implicações que a difusão de programas como o “Hedonometer” e o “Bestseller-ometer” poderia ter para o mercado editorial e para a nossa compreensão acerca do conceito de “leitor.”

O número de manuscritos que editoras e agências literárias recebem todos os dias costuma ultrapassar bastante a capacidade que seus funcionários têm de ler. Histórias de livros que se tornaram sucessos literários, mas que foram inicialmente ignorados por várias editoras, se tornaram famosas. Mas isso geralmente ocorre, não porque os autores rejeitados sejam gênios incompreendidos, mas porque os profissionais do mercado simplesmente não conseguem dar conta do volume de leitura que recebem. Muitas editoras e agências literárias contratam leitores externos, que decidem quais manuscritos merecem ser avaliados para possível publicação.

Segundo Archer e Jockers, o Bestseller-ometer teria 80% de chance de detectar um manuscrito que tem o potencial para se tornar um bestseller. Se algoritmos desse tipo se tornarem correntes no mercado editorial, então, no futuro, os primeiros “leitores” de muitas obras de ficção não serão mais pessoas, mas máquinas que, para todos os efeitos, estarão realizando o mesmo tipo de atividade que os leitores contratados por editoras e agências literárias realizam.

Novos escritores, ávidos para publicar seu primeiro romance, talvez prefiram então buscar o aval de algoritmos ao invés de consultar escritores experientes ou críticos literários. Por outro lado, é possível também que muitos romances, que têm o potencial para se tornar um sucesso literário, sejam rejeitados com menos frequência, pois haverá um novo “leitor”, mais rápido e eficiente, atuando no mercado.

Lendo e aprendendo

Essa ampliação do conceito de “leitor” tem implicações jurídicas. Em setembro de 2016, pesquisadores da Google publicaram um artigo no qual descrevem o funcionamento de um algoritmo desenvolvido para gerar frases em linguagem natural [4]. O algoritmo “leu” mais de 11 mil obras de ficção para que as frases geradas pelo algoritmo fossem estilisticamente melhores do que as frases geradas por outros algoritmos para geração de linguagem natural.

Empresas como Google e Facebook vêm investindo bastante na geração de “assistentes virtuais”, capazes de responder perguntas e manter uma conversa coerente sob a forma de chats online. Programas desse tipo, na verdade, não são nenhuma novidade. Em 1966, por exemplo, Joseph Weizenbaum criou um programa de chat chamado Eliza, em homenagem à personagem de mesmo nome da peça Pigmalião (1913) de Bernard Shaw. O problema é que programas como Eliza contam com um número limitado de frases prontas, que são reutilizadas com alguns ajustes gramaticais conforme o input do interlocutor. Isso torna a interação com o programa repetitiva e pouco natural. Para evitar esse problema a Google e outras empresas pretendem desenvolver agora assistentes virtuais inteligentes, capazes de gerar frases novas e que soem naturais. Para isso, é necessário que o assistente virtual “leia” milhares de obras a fim de identificar uma diversidade de padrões e estilos de conversação, mas sem repetir literalmente as frases que lê.

O artigo publicado pelos pesquisadores da Google, no entanto, gerou um problema jurídico. As obras de ficção “lidas” pelo algoritmo não estavam em domínio público. No momento em que foram disponibilizadas online, não havia ainda sido considerada a possibilidade de que, entre os seus “leitores”, estariam também algoritmos, capazes de “ler” milhares de obras e de reutilizá-las para fins comerciais. Muitos escritores e escritoras se sentiram lesados ao saberem que suas obras haviam sido “lidas” por algoritmos, e não por pessoas.

O uso de algoritmos para a análise de obras de ficção não se limita à “leitura” de romances de maior apelo comercial. O uso se estende também à análise de clássicos da literatura. Pesquisadores poloneses desenvolveram em 2016 um algoritmo para analisar textos de autores como, por exemplo, James Joyce, Virginia Woolf, e Roberto Bolaño. Os pesquisadores constataram que muitos clássicos da literatura, diferentemente de best-sellers, têm uma estrutura fractal. Isso significa dizer que o tamanho das frases, contado em número de palavras, vai se alternando segundo padrões específicos. Esses padrões conferem à narrativa um ritmo próprio, do qual os leitores (e talvez até mesmo os autores) nem sempre são inteiramente conscientes [5].

No contexto da antiguidade, Aristóteles ainda estava em condição de conhecer praticamente todas as obras dramáticas relevantes e de examinar certas estruturas comuns a todas elas. Nos dias de hoje, porém, nenhum ser humano consegue ter sozinho essa visão de todo.

Algoritmos, eu acredito, não substituirão o trabalho de filósofos ou críticos literários. Mas algoritmos, ainda assim, podem muito bem, no futuro, vir a se tornar ferramentas indispensáveis para a análise da estrutura narrativa de obras literárias.

Marcelo de Araújo é professor de Ética e Filosofia do Direito da UFRJ e da UERJ.

Dicas para recuperar o hábito da leitura

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(YakobchukOlena/ThinkStock)

(YakobchukOlena/ThinkStock)

 

Adora livros, mas não tem conseguido mais se concentrar em nenhuma história? Esses truques podem lhe ajudar

Anna Laura Moura, na Claudia

A leitura certamente está entre as práticas mais queridas – e terapêuticas! – da sociedade. Não tem erro: todo mundo tem aquele livro que marcou alguma época da vida, mesmo que aquele costume fervoroso de devorar livros não seja frequente. Das bibliografias às HQs, o que vale é a leitura e o bem-estar que tal prática propicia.

Os benefícios de ler regularmente são muitos. Um deles é o conhecimento. Ler sobre diversos assuntos, além de aprimorar a fala e a escrita (quanto mais palavras você conhece, mais amplo se torna seu vocabulário), pode rechear seu repertório cultural!

Ser mais informada implica abrir novas oportunidades tanto no meio social e pessoal quanto na carreira, pois uma pessoa culta que está sempre aberta a aprendizados se torna mais interessante, querida entre os amigos e cobiçada no mercado de trabalho. Abra seu leque de conhecimento através dos livros e veja a diferença!

Além de tudo isso, ler também estimula a sua memória. Quanto mais livros você ler, maior será seu entendimento e capacidade de interpretação. Ao entender a importância de um assunto e as razões pelo qual ele é importante, você conseguirá fixar as ideias, fazendo com que sua memória seja aprimorada.

Outro benefício importante: ler é extremamente terapêutico, pois brinca com a imaginação do leitor, fazendo-o se desconectar da realidade por alguns instantes.

Ficou empolgada? Confira nossas dicas para recuperar o hábito da leitura:

1. Descubra sobre o que você mais gosta de ler

Terror, suspense, romance, bibliografia, livros acadêmicos… as opções são infinitas. Leia livros de diversos tipos até achar o seu preferido. Quando descobrir, mergulhe de cabeça!

2. Desenvolva uma rotina

É impossível retomar uma rotina sem desenvolver uma e isso requer certa organização. É importante que você determine um local ou um horário para ler. Antes de dormir? No metrô durante o trajeto para o trabalho/faculdade/escola? Você escolhe! Torne esse horário o seu momento de conexão.

3. Sempre tenha um livro consigo

A vontade de ler só aumenta quando você sabe que tem um livro na bolsa, pois em um momento oportuno, ele estará lá para te distrair. Não adianta deixar o livro esquecido na estante! Pra desenvolver o hábito, ele precisa ser seu melhor amigo.

4. Faça uma lista de opções

Pesquise bastante em blogs de leitura, siga páginas sobre o assunto nas redes sociais… nesses locais sempre existem ótimas opções para todos os gostos, basta escolher. Se você está começando a criar o hábito agora, comece com livros menores. Se está retomando, até as sagas estão liberadas.

5. Frequente sebos/livrarias/bibliotecas

Os apaixonados por leitura irão concordar: não existe ambiente mais aconchegante que livrarias e afins. Basta entrar em uma e você já sentirá vontade de ler todos os livros disponíveis para vender. Ler um livro apreciando o silêncio de uma biblioteca pode ser mágico, experimente!

Seguindo essas dicas com disciplina, o amor pelos livros surgirá sem dificuldades. Boa leitura!

Como organizar sua estante de livros

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(imamember/iStock)

(imamember/iStock)

Pâmela Carbonari, na Superinteressante

Se existe uma coisa no mundo digna de pena são os programas de organização. Essas produções em que um guru da ordem chega em uma casa que parece ter sido atingida por algum desastre natural, mas que na verdade é só o lugar onde pessoas sem controle despejam suas posses. Aí o sacerdote metódico sai em busca de classificações, colocando etiquetas, cestas, ganchos e pinos para salvar o lar dos desordeiros. Os donos da casa não têm pudores em mostrar a zona dos próprios lares, mas mesmo assim o messias da organização transforma o caos em posts vivos do Pinterest. Final feliz? Não mesmo.

Condolências aos organizadores profissionais da TV pelo belo trabalho, mas as chances de os donos dessas casas voltarem ao cenário pós-apocalíptico são grandes. Dê um lugar organizado para um bagunceiro e você verá a tragédia da multiplicação da desordem acontecer. Pobres arrumadores.

Cresci em uma casa em que a biblioteca sempre foi o buraco negro, o reduto mais difícil de manter em ordem. Estou longe de ser a Marie Kondo, mas comparada ao restante da minha família, este é o lugar que me cabe. Meu pai começou a vida vendendo livros e, além dos livros que comprou nas décadas seguintes, conserva seus preferidos do primeiro emprego até hoje. Minha mãe é formada em letras e uma leitora, digamos, bastante eclética. Gramáticas e clássicos da literatura hispânica? Ela tem. Livros espíritas? Também. Guias sobre inteligência emocional ou como cultivar plantas medicinais? Vários. Meu irmão é um acumulador nato, guardar coisas desimportantes (e livros que ele nunca mais vai ler) é com ele mesmo. Todas as vezes em que tentei colocar alguma lógica nas prateleiras deles, me senti a organizadora frustrada dos programas de TV. Um antes e depois lindo de dar inveja nos apresentadores do Discovery Channel, mas insustentável.

Perdi a conta de quantas vezes tirei tudo da estante e quebrei a cabeça para fazer aquela montanha de livros fazer sentido em conjunto. Chegou a tal ponto que decidi montar prateleiras só minhas, me abster daquele caos. Mas me afastar também não deu certo, afinal, eu morava naquela casa. Sentia dor física ao ver a biblioteca revirada como se um urso tivesse procurado comida atrás dos livros. Voltei a tentar e, de tentativa em tentativa, entendi o que deixava os ursos da minha família famintos: a lógica da organização.

Quando você está em uma livraria, os livros estão ordenados por seções “negócios”, “história”, “psicologia”, “romance brasileiro” e várias outras. A prova de que organizar uma grande quantidade de livros dessa maneira é eficaz é que a maioria das bibliotecas e livrarias dispõem suas obras assim. Mas essa regra de classificação esbarrou nas estantes da minha família durante muito tempo. Não adiantou enfileirar os títulos em ordem alfabética, por assunto, período literário, cores ou autores – os livros só se mantiveram no lugar quando consegui entender como meus pais os buscavam. A pergunta “o que você quer ler?” pode ser respondida de várias formas e eu estava respondendo da maneira errada.

Se eles procuram o que ler com critérios emocionais, não fazia o menor sentido eu engessar os livros deles com critérios cartesianos.

Eis aqui um passo a passo de como organizei a biblioteca de livros deles e como mantenho a minha desde então:

(antes de tudo, uma piadinha de tiazona)

É pavê ou pacomê?

Cada tipo de leitor exige um tipo diferente de organização. Você tem TOC por cores e quer que os livros verdes fiquem de um lado e os azuis de outro? Que os grandes de capa dura estejam na prateleira de cima e que os de bolso fiquem espremidos no cantinho? Ou que sua biblioteca seja prática e funcional? Apesar de babar em várias edições e já ter julgado muito livro pela capa, acho bastante problemático vê-los como objetos de decoração. Na minha estante, livro é “pacomê”.

O método que dá certo pra mim não rende um clique lindo pro Instagram, não segue nenhuma tendência de decoração nem pede que você arranje uma prateleira em formato de árvore ou favo de mel – se os livros ficarem visíveis, fáceis de manusear, condensados, mas não amassados, arejados, longe do sol, da chuva, da infiltração (vai que…), da churrasqueira (alô, Rio Grande do Sul) e dos cachorros, é o que conta. Aqui a palavra de ordem é praticidade.

(agora sim, a estante que funciona pra mim)

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1- Fundamentais, mas não tanto

A primeira coisa de qualquer arrumação é o desapego. Se você não tem a menor intenção de reler, por que manter um livro morto em casa? Doe, troque, venda. Não é porque metade da população brasileira não tem hábito de leitura que você precisa estocar livros na sua casa. E se o desapego é a primeira etapa, a higiene é a segunda – ou o contrário, como preferir. Retire tudo do lugar, limpe as prateleiras, abra livro por livro para tirar a poeira. Espanador e flanela são ótimos aliados para impedir que sua biblioteca vire um criadouro de traças.

Feito isso, selecione as obras que você já leu e não quer se desfazer. Clássicos que me marcaram, mas não pretendo ler em breve e livros muito específicos fazem parte desse grupo. Tenho uma estante vertical, e eles estão na parte mais alta, longe o bastante para não tombarem quando pego os dicionários do dia a dia e organizados o suficiente para lembrar que estão lá quando precisar.

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2- Queridinhos da biblioteca

Ainda no alto, mas não tão alto estão os queridinhos. Os meus livros preferidos, as edições e as dedicatórias mais especiais merecem um lugar de destaque e cuidado. Foram esses que encaixotei com papel bolha nas vezes em que mudei de casa, porque quero ler várias vezes e mantê-los o mais conservado possível. Por isso, estão longe das interferências mundanas da terra. Mãozinhas fofas de crianças, xixi de cachorro, bebida que caiu e respingou? Not today.

Nesta prateleira que tem como telhado os “fundamentais, mas não tanto”, sugiro que fiquem os livros que você correria para buscar se sua casa pegasse fogo.

(Que isso nunca aconteça. E se acontecer, por favor, não volte buscar. Apegos à parte, a verdade é que são só coisas)

3- Para ter sempre à mão

O ideal é que os livros que você mais consulta fiquem na altura dos olhos e ao alcance das mãos. Se você está estudando gramática, porque deixá-la escondida em um extremo do móvel? Tem um livro de culinária e cada vez que quer preparar uma receita precisa tirar as coisas que empilha sobre ele? Isso é o mesmo que deixar uma mala de rodinhas no meio dos guarda roupas e guardar as meias no maleiro.

A prateleira do meio é o lugar onde guardo os dicionários, guias, manuais, gramáticas e todos os livros que recorro com frequência. É o Poupatempo da biblioteca.

4- Vitrine dos pretendentes

Há algum tempo, recebi uma imagem que dizia o seguinte: “Nunca vou parar de comprar livros. Nunca vou ler todos os livros que tenho para ler. Nunca terei dinheiro, mas sempre terei livros”. Isso foi antes das correntes de grupos de WhatsApp, da crise econômica e, aparentemente, das discussões sobre consumo consciente e economia compartilhada. As editoras batem palmas e as traças também. Concordo que enquanto eu tiver dinheiro comprarei livros. Mas que tal ler o que já tem antes de comprar outros que talvez também fiquem pegando poeira nessa fila de leitura infinita em que é permitido furar?

Gosto de reunir tudo o que ainda não li e que faço questão de ler para visualizar o tamanho da responsabilidade. Quando vou a uma livraria e começo a andar pra lá e pra cá com um livro debaixo do braço, é a imagem dessa prateleira que me barra. Os flashes dela são minha consciência com o alerta vermelho aceso: “guarda esse livro lá, você tem uma pilha de não lidos em casa”.

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5- Porão da insignificância

Sabe aquelas coisas que acumulam perto dos seus livros? Assuma que é natural que isso aconteça e agrupe-as o quanto conseguir. Coloco revistas, CDs, cabos e outros eletrônicos dentro de caixas ou cestos para que não se misturem aos livros.

Acabei de dizer que o primeiro passo da arrumação é o desapego, e isso não precisa acontecer apenas quando a biblioteca estiver pedindo socorro. No térreo da estante, costumo dar um respiro para que a bagunça aconteça. Todo mundo tem um livro água com açúcar que ganhou de amigo secreto e não quer ler ou um guia de viagem de um lugar que não vai voltar. Enquanto não decido se vou doar, vender ou repassar no próximo amigo secreto, deixo que o limbo da insignificância exista – com a ressalva, é claro, de um leitor mais interessado que eu ser o destino final.

5 passos para adquirir o hábito da leitura

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Bruna Lopes Valente, no Administradores

Não é todo mundo que tem o hábito de ler um pouco todos os dias, seja um livro impresso ou digital, jornal ou revista, tirar um tempo todos os dias para ler, só traz benefícios. Mas os brasileiros ainda precisam melhorar muito seus hábitos de leitura.

Segundo matéria do Estadão realizada em maio de 2016, cerca de 44% da população brasileira não lê e mesmo com o crescimento no percentual de leitores de 50% em 2011, para 56% em 2015 (pesquisa do Instituto Pró-Livro divulgada em maio de 2016), ainda é baixo o número de leitores no Brasil, comparado a outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Associated Press revelou em 2006, que o número de não leitores era de apenas 27%. Já na França, uma pesquisa de 2005 realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública (IFOP), revelou que somente 19% da população não tinha o hábito de ler.

Mesmo com dados de 10 anos atrás, podemos perceber que países como Estados Unidos e França, leem muito mais que nós brasileiros. Então o que fazer para mudar essa realidade?

Vejamos 5 passos para criar o hábito de ler.

1 – Descubra sobre o que você gosta: Descobrir sobre o que você gosta de ler sem ter esse hábito, pode soar meio estranho, mas não se você analisar o que você gosta na vida, em geral. Por exemplo, se você é daqueles que gosta de assistir um bom filme, escolha um livro que tenha sido adaptado para o cinema, existem diversos livros como ‘O Hobbit’, ‘O Regresso’, ‘O iluminado’ entre outros.

2 – Reserve um tempo para a leitura: É certo que é cada vez mais difícil arrumar tempo para novas tarefas, pois já temos os estudos, trabalho, família e ainda o merecido descanso. Então como fazer isso? Procure ler ao menos 15 minutos todos os dias, nos fins de semana, um pouco antes de dormir mas leia, tente conciliar as suas atividades diárias com aqueles minutinhos para o seu livro.

3 – Tenha sempre um livro com você: Mas se você é daqueles que não tem tempo para nada, que o dia precisaria ter mais de 24 horas pra conseguir fazer tudo, calma, você também pode ter um tempo para ler. Sabe àquela hora em que você está no transporte público indo para casa ou para o trabalho, ou chegou mais cedo em um compromisso, pois é, aí está o seu tempo! O bom de carregar um livro com você é que enquanto você espera por alguma coisa, você pode ler. Garanto que a sua espera ou a sua viagem, vai ser bem mais rápida se você estiver na companhia de um livro.

4 – Visite feiras de livros ou bibliotecas: Visitar locais como feiras e bibliotecas, além de te apresentar a diversas obras e gêneros literários, te conecta a pessoas que também gostam de livros ou que estão buscando essa paixão ou hábito.

5 – Não desista e tenha paciência: No início vai parecer chato, difícil mas logo você verá como é maravilhoso ler. Seja paciente com a sua leitura independente do tamanho do livro ou daquela matéria no jornal ou revista que te chamou a atenção, leia com calma. Todo começo é difícil eu sei, mas não desista!

Viu só como é possível começar a ler. Além de dar asas a imaginação, saber sobre o passado, imaginar outros universos e ficar antenado com o que está acontecendo no mundo, a leitura só traz benefícios! Então leia, você verá como é bom!

E você, já leu um pouquinho hoje? Escolha um livro, jornal ou revista e divirta-se!

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