Marcelo Nova - o Galope do Tempo

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A leitura faz você feliz: 10 boas razões para ler mais

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Gisella Meneguelli, no Green Me

Ler não é apenas fundamental: é necessário! Um livro nos coloca em contato com o outro, nos tira de nós mesmos, nos faz lançar um novo olhar para o mundo. Além de ser uma ótima companhia!

Quando lemos, ficamos sabendo sobre assuntos que não conhecíamos ou dos quais sabíamos muito pouco. O nosso repertório cultural se amplia quando entramos em narrativas imaginárias.

A nossa capacidade imaginativa fica mais elástica e menos formatada, sobretudo, quando é tão fácil termos a mão um smartphone com conteúdos selecionados de acordo com o nosso perfil. A leitura de um livro nos dá uma liberdade de trânsito por outros universos culturais com muito mais solidez do que as fórmulas prontas das redes sociais.

Por isso, aqui estão as 10 razões pelas quais vale a pena você ler mais:

1. Os protagonistas das histórias que preferimos estão de alguma forma relacionados com a nossa vida. Alguns estudos sugerem que muitas pessoas se lembram de ter lido pelo menos uma história que tenha mudado suas vidas e que isso leva a mudanças reais no cérebro. Em suma, alguns personagens podem “influenciar” nosso modo de pensar e nosso comportamento. Também por esta razão é importante escolher não casualmente o que se lê ou o que se lê para uma criança.

2. Estreitamente ligado ao ponto anterior, a leitura gera empatia. A leitura, de fato, leva a uma espécie de simulação de experiências sociais e, portanto, a uma maior empatia com os outros, a uma maior criatividade e a um comportamento cooperativo.

3. Regularmente a leitura de romances aumenta a conectividade de diferentes áreas do cérebro, incluindo as associadas ao processamento linguístico e à resposta sensorial primária, o que ajuda a compreender e visualizar o movimento. E, de acordo com o estudo publicado na revista Brain Connectivity, isso permanece mesmo depois de terminar o livro.

4. Ler um livro estende sua vida. De acordo com a pesquisa da Universidade de Yale em New Haven, de fato, os leitores, independentemente do sexo e estilos de vida, vivem dois anos mais do que aqueles que não tocam em uma folha.

5. A leitura ajuda no desenvolvimento das crianças: a leitura em voz alta para os filhos é um hábito precioso porque estimula o cérebro e melhora o desenvolvimento da linguagem.

6. A leitura combina o sono: ler antes de ir dormir é um bom hábito por vários motivos, sendo um deles adormecer mais sereno.

7. Reduz o estresse e previne ansiedade e depressão: estudos epidemiológicos descobriram que muitos pacientes que sofrem de ansiedade e depressão tiveram um declínio nos sintomas ao ler constantemente romances. Por outro lado, também foi demonstrado que a leitura relaxa os sentidos.

8. Ler em voz alta para cães ajuda as crianças. Parece estranho, mas não é. De fato, uma pesquisa mostrou que ler em voz alta para um cachorro pode ajudar as crianças em idade escolar a melhorar suas habilidades de leitura e construir relacionamentos positivos com os livros e a escola.

9. A leitura abre a mente e cura as feridas da alma porque uma história se conecta com o mundo, fornece incentivos para sair de uma dificuldade ou inconveniente, ajuda a enfrentar o medo de falhas e dores e a entender que elas fazem parte da vida.
10. A leitura estimula toda a atividade cerebral e aumenta a conectividade do cérebro, é um remédio para a memória e, em geral, para todas as funções cognitivas.

Ficou convencido de que ler faz bem para o corpo e para a alma? Vale ler romance, poesia, biografia, enfim, qualquer livro que lhe dê prazer, felicidade ou que o faça sair do eixo!

“Ler mais” é uma das suas resoluções de ano novo? Veja essas dicas

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“A Quiet Half Hour”, quadro de 1876 feito pelo britânico Lionel Charles Henley.

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Emagrecer. Melhorar a alimentação. Beber menos. Estas com certeza estão entre as principais resoluções para qualquer ano novo – e há décadas me acompanham a cada virada. Outra que costuma figurar na lista de muita gente é “ler mais”. Impressiona a quantidade de pessoas que reconhecem o valor da leitura, mas não dedicam tempo algum de seu dia – ou semana – à prática. Pensando nesse povo que listei as cinco dicas abaixo (que poderiam ser resumidas a “coloque a bunda no sofá e leia” e “seja senhor das suas escolhas”):

Crie o hábito: ler exige algum esforço e concentração, então é preciso que se crie o hábito da leitura (não tem jeito, de algum modo a atividade terá que estar entre suas prioridades, se não sempre haverá alguma desculpa para não ler). Recomendo reservar uma parte do dia para estar a sós com um livro. Comece com metas modestas: que tal 20 minutos? Se falhar em um dia, compense lendo um pouco mais no outro (30 minutos, talvez).

E reserve um momento à atividade – de preferência um momento em que esteja bem desperto, não só na cama, antes de dormir, lutando para que os olhos não fechem. Claro que é possível ler um pouco também no metrô, parado no trânsito ou enquanto está no banheiro, mas a leitura não deve ser encarada apenas como mera distração para os minutos modorrentos.

 

Um livro por mês: ainda com relação às metas para que se desenvolva o hábito, estipule a quantidade de títulos que você deseja ler em determinado período – e, mais uma vez, vá com calma. Que tal começar lendo um livro por mês? Se todo dia você dedicar 20 minutos à leitura, provavelmente lerá cerca de 10 páginas por dia, o suficiente para dar conta de um volume de 300 páginas entre o dia 1º e o dia 30. Se for bem-sucedido aqui, devorará ao menos 12 livros ao longo do ano, mais do que o dobro da pífia média de leitura nacional (que não chega a 5 livros por ano).

Ah, Rodrigo, mas agora mesmo eu quero ler muito mais do que 12 livros. Eu sei, eu também. Aliás, quero ler muito mais do que mil livros, mas não tem como. Mesmo que você leia um livro por dia, ainda morrerá sem ter lido tudo o que gostaria, pode ter certeza. Então, aprenda a ser preciso nas escolhas.

Um ou vários? Isso que dizer que você deve ler apenas um livro por vez? Não necessariamente. Há quem se sinta entediado ao ficar muito tempo imerso em uma mesma história. Há também quem se confunda ao encarar várias narrativas simultaneamente. O que recomendo? O que acha de alternar um livro de ficção – um romance ou um volume de contos, por exemplo – com um de não ficção, como uma boa biografia?

O que ler: esqueça os tempos de escola, você não é obrigado a ler “Macunaíma” ou “Vidas Secas”, ainda que sejam livros ótimos. O importante é que identifique o que lhe agrada e vá em frente com as leituras. Gosta de ficção histórica? Beleza. Gosta de romances melosos? Sem problemas. Gosta de livros apimentados – seja com pimenta biquinho ou Carolina Reaper, a mais ardida do mundo? Beleza também. Saiba o que aprecia, isso ajudará a fomentar o hábito da leitura, que é o mais importante para esta resolução de ano novo.

Não faz nem ideia do que curte? Vá à livraria e dedique algum tempo à leitura breve de alguns livros ou baixe amostras de e-books (costumo fazer isso quando quero dar uma olhada no estilo de determinado autor). Também vale caçar dicas por aí – está cheio delas aqui no blog – e pegar livros emprestados com amigos.

 

Dessacralize a leitura: ler não pode ser um martírio. Claro que muitos livros se revelam aos poucos, exigem certa determinação do leitor, mas ninguém tem a obrigação de amar “Crime e Castigo” ou se identificar com as maluquices de “Dom Quixote” – ainda que eu recomende fortemente ambos. Começou a ler e não está gostando do livro? Pode largá-lo, sem dramas, mesmo que seja uma obra elogiada pelo mundo inteiro. Vá para a próxima história, amadureça enquanto leitor e, se você deixou clássicos pelo caminho, dê uma nova chance para eles em outro momento da vida. De minha parte, “Ulisses”, de James Joyce, terá outra oportunidade no futuro; na primeira tentativa, não rolou.

Qualquer hora dou algumas dicas de como um leitor frequente pode incrementar suas leituras.

Por que a loja de livros usados se chama sebo?

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(MaxPixel/Reprodução)

(MaxPixel/Reprodução)

Publicado no Mundo Estranho

Existem duas versões para a história. A primeira diz que, antigamente, as pessoas liam à luz de velas, que, quando derretidas, engorduravam os livros. Mas é uma explicação romanceada e anacrônica, já que a palavra “sebo” se popularizou na década de 1960, quando a luz elétrica já era difundida no país.

egundo Sérgio Rodrigues, escritor e etimologista, e Eurico Brandão Jr., herdeiro do Sebo Brandão, criado no Recife há mais de 60 anos, a teoria mais simples é também a mais provável. O termo teria surgido como uma brincadeira a partir da ideia de que livros muito manuseados ficam cheios de gordura, sujos. Brandão ainda afirma que o primeiro livreiro no Brasil a usar a palavra foi seu pai e que os estrangeiros o chamavam de “Mr. Sebo“, pois achavam que esse era seu nome.

FONTES Jornal Livros, Sobre Palavras, Estante Virtual Blog, Sebo Brandão, Recanto das Letras e Priberam

O brasileiro lê muito

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A reflexão necessária é de que há uma espécie de preconceito aberto e declarado

A reflexão necessária é de que há uma espécie de preconceito aberto e declarado

Paulo Tedesco, no Correio do Brasil

A reflexão necessária é de que há uma espécie de preconceito aberto e declarado, como se chamar o povo de burro fosse regra, ou que as pessoas não compram livros nem leem aquilo que certa elite gostaria porque são ignorantes. Também há a hipótese de que a desinformação sobre o mercado do livro e os índices de leitura seja gigantesca, e que mesmo bons jornalistas e profissionais da comunicação têm dificuldade em encontrar dados que derrubem esse conceito, ou preconceito, sobre os índices de leitura.

População

Não podemos, porém, deixar de observar que para o tamanho do país e da população; se comparados a vizinhos como Argentina, nossa leitura per capta é de fato tímida.

E que a leitura poderia ser melhor, visto, por exemplo, a ausência de leitores com seus livros abertos em lugares públicos como em metrôs e ônibus. Mas, para isso, é bom não esquecer que nas universidades muito ainda se usa; infelizmente, as tais cópias “xerox”, como substituição ao livro, e que essas cópias não entram nos números, tampouco cálculos estatísticos; ou sequer passam nos olhos ávidos de quem procura um leitor de livro aberto numa estação de metrô.

Lemos mal

Em verdade, e aqui uma opinião mais do que honesta, é de que embora leiamos muito a realidade é de que lemos mal, e muito mal. O fato de encontrarmos livros infanto-juvenis adotados em escolas com erros de pontuação e histórias frouxas; ruins, é um comprovador.

Também é comum encontrar autor que se autopublica dizendo vender bem a cada nova tiragem ou novo título; e depois descobrirmos que seus leitores; e eles existem como se comprova na gráfica ou nas vendas pelo KDP da Amazon; não percebem como fracas são suas histórias e como confusos são seus pensamentos ou mesmo a organização do seu texto.

Livros

Há, também, nesse deserto do texto ruim, livros impressos fora do país mas vendidos a preços impressionantemente baixos, livros estes muitas vezes com histórias sofríveis e ilustrações deprimentes.

E ainda há os títulos traduzidos às pressas ou por maus tradutores; e aqui entra a literatura adulta de qualquer área; como outro sinal da má qualidade do que chega ao leitor; que, por sua vez toma aquilo como uma média do que pode ser escrito e do que deve ser lido. Em outras palavras, o referencial do que é bom em escrita e leitura, no Brasil, é um desespero de tão ruim.

Em outros artigos defendi e sigo defendendo a importância da escrita criativa e suas oficinas, pois; como referência, nos EUA pós-guerra; esse foi um dos instrumentos para não só movimentar o mercado norte-americano como por outro reforçar a educação fora das escolas.

Brasil

Enquanto isso, neste Brasil continental de história tão amiga à elites que preferem a escravidão à liberdade; talvez não devesse soar estranho afirmar que o povo brasileiro simplesmente não lê porque é ignorante.

Mas não sou da elite, sou do povo, do estudante da escola pública, e dos otimistas; pois gosto de pensar que apesar das elites e de nossa história de golpes e massacres, o povo ainda lê, e ainda quer ler mais e melhor. E, quem sabe, talvez aí esteja a tarefa dos editores; autores e agentes do mercado: superar o preconceito e fazer mais e melhor pelo leitor brasileiro.

Paulo Tedesco, é escritor, consultor e professor de produção escrita editorial.

Por que as crianças precisam da fantasia

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 Divulgação/Disney Contos de fada e histórias fantásticas são fundamentais para construir o mundo interno da criança.

Divulgação/Disney
Contos de fada e histórias fantásticas são fundamentais para construir o mundo interno da criança.

 

As histórias fantásticas, com representações definidas do bem e do mal, mantêm as crianças atentas e facilitam a aprendizagem de novos conceitos.

Michele Muller, no HuffpostBrasil

Quando fadas com suas varinhas mágicas, monstros e heróis invencíveis decidem invadir as escolas, eles provam que de fato têm superpoderes: ajudam na aprendizagem. O papel das histórias fantásticas na infância não se limita ao entretenimento. Elas trabalham a linguagem de forma mais eficaz que narrativas realísticas, aumentando a possibilidade de a criança fixar o novo vocabulário.

Pode parecer contraditório, mas justamente por conta da violação das expectativas, são também fundamentais para a compreensão das inúmeras possibilidades que a realidade apresenta.

Os efeitos do mundo do faz de conta sobre a cognição infantil vêm sendo investigados pela neurociência com resultados reveladores. No ano passado, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, constataram que as crianças assimilam melhor um vocabulário novo quando as palavras são introduzidas em meio a histórias fantásticas.

O estudo, liderado pela professora Deena Weisberg, do Instituto de Pesquisa em Ciências Cognitivas, avaliou dois programas educativos aplicados em 154 crianças em idade pré-escolar. Aquelas que tinham contato com os novos conceitos por meio de contos realísticos mostraram desempenho mais fraco na hora de explicar os significados dos vocábulos aprendidos.

Essa fascinação das crianças por acontecimentos extraordinários é evidente já nos primeiros meses de vida. Em 2015, pesquisadores da Universidade de John Hopkings, em Baltimore, testaram o efeito de eventos mágicos sobre a atenção e as brincadeiras de 110 bebês de 11 meses. Perceberam que tendem a olhar mais atentamente e por muito mais tempo para um objeto quando ele desafia as leis da física. A chance de ocorrer algo inesperado, que fere suas expectativas, naturalmente mantém as crianças mais atentas – o que explica, em parte, o sucesso das histórias fantásticas na aprendizagem.

Mas a experiência com bebês revelou que a ação da fantasia no imaginário infantil vai além do aspecto da atenção. Depois de assistirem a uma cena em que algo desaparece repentinamente ou flutua, os bebês tendem a investigar a realidade – deixando um objeto cair para testar a gravidade, por exemplo. Para Weisberg, pensar sobre possibilidades irrealistas pode também ajudar na criação de contrastes informativos que levam à compreensão das estruturas do mundo real.

A partir dessa perspectiva, as histórias ganham função fundamental na construção do senso de realidade – que pode começar com a certificação de que objetos não flutuam e bichos não falam e seguir por questionamentos bem mais sofisticados que necessitam de contrapontos para serem formados e esclarecidos.

Partindo da simples constatação da necessidade do contato com o absurdo para se reconhecer o real, podemos transferir para os heróis e vilões dos contos de fada uma nova responsabilidade: a de ensinar às crianças a administrar seus próprios medos.

Talvez isso explique a popularidade milenar das histórias universais carregadas de tragédias, bruxas malvadas e figuras assustadoras. Podem ter cumprido um importante papel no desenvolvimento das habilidades linguísticas das crianças, mas dificilmente tenha sido essa a intenção dos Andersen, irmãos Grimm e tantos outros que evitaram poupar seus leitores do contato com desgraças fantásticas.

A fascinação inata das crianças pelos horrores e aventuras que o mundo imaginário oferece pode nascer de uma necessidade de dar forma ao impossível para saber reconhecê-lo antes que ele se torne medo.

Ainda bem que a força das histórias populares é grande a ponto de sobreviver a uma época em que as crianças são protegidas de tudo: das brincadeiras que trazem um mínimo risco, dos objetos cortantes, das professoras bravas e de qualquer frustração e tristeza.

Muitos contos clássicos já ganharam versões suavizadas e muitos desenhos perderam seu humor negro para garantir que a infância aconteça toda no mundo cor-de-rosa. Mas se as crianças continuam buscando representações extremas do bem e do mal nas histórias fantásticas, não estranhem: instintivamente, elas buscam referências.

E muitas vezes encontram nas histórias mais extraordinárias e sombrias, que as mantêm atentas, que lhes ensinam as maravilhas da linguagem e lhes mostram o que muitos pais e professores ignoram: que é preciso conhecer para distinguir. É preciso descobrir o irreal para ter segurança no mundo real da mesma forma como o contato com a frustração é essencial para o reconhecimento da satisfação.

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