BK30 LARGO DO AROUCHE

Textos

5 Ideias que farão de você um leitor melhor

0

Karol Gomes, no Meio Norte

Os livros que podem transformar são aqueles que você lê e relê. Os livros que fazem você pensar. Os livros em que você destaca citações favoritas e sobre os quais você reflete extensivamente. Há um enorme valor em ler devagar. E também há outras formas de absorver o melhor conteúdo deles. Confira algumas dicas de como fazer isso:

1. Escreva suas 10 ideias favoritas sobre o livro

Uma forma muito boa de resumir um livro é escrever suas ideias favoritas sobre ele. Dessa forma, você poderá aproveitar o conteúdo escrevendo um artigo sobre o assunto, realizando uma palestra ou em qualquer outro empreendimento criativo.

2. Faça uma lista com suas citações favoritas

Quem tem um Kindle pode aproveitar o recurso nativo do aparelho que reúne todas citações em um só lugar – basta apenas continuar destacando suas passagens como sempre. Mas você pode fazer isso manualmente, seja copiando e colando as passagens ou reescrevendo-as – só não deixe de lê-las novamente. Além disso, sempre que você estiver procurando alguma inspiração, pesquise suas citações. Você ficará surpreso com quantas pepitas de sabedoria estão te esperando por lá.

3. Recorte o livro em cinco frases

Resuma o que você leu em apenas um parágrafo. Dessa forma, será possível se lembrar do conteúdo rapidamente.

4. Implemente uma ideia do livro hoje

A melhor forma de aproveitar o conteúdo de um livro é colocá-lo em prática. Você vai encontrar resistência interna e também terá que se esforçar para realizar algumas tarefas. Mas vai valer totalmente a pena. Caso você leia um livro esperando fazer o que ele sugere apenas um dia, não terá qualquer benefício. As ideias mais transformadoras são aquelas que você experimenta.

5. Recomende um livro a algué, explicando uma boa ideia dele

Aproveite seu resumo com as 10 ideias favoritas sobre o livro ou sua lista com as citações favoritas (itens 1 e 2 desta lista) e envie-os a um familiar, colega ou amigo. Dessa forma, você vai adicionar valor à vida da pessoa e uma boa recomendação de um livro.

Fonte: Mega Curiosos

A livraria e mais 12 filmes que revelam o potencial da literatura no cinema

0

Filme A livraria, premiado no Goya, tem direção de Isabel Coixet. Foto: Cine Art Cinema/Divulgação

Filme de Isabel Coixet retrata o mundo dos livros

Ricardo Daehn, no Diário de Pernambuco

Em cartaz na cidade, o premiado filme A livraria, além de investir na adaptação de romance escrito por Penelope Fitzgerald, mostra os bastidores do contato de leitores com uma das matérias primas do cinema: a literatura. No filme, uma viúva (Emily Mortimer) tenta implantar uma livraria em cidade conservadora da Inglaterra. No curso natural do comércio, entretanto, ela depara com muitos boicotes e portas fechadas. Dirigida por Isabel Coixet, a fita abre um leque de memórias para os cinéfilos que lembram de outros longas similiares. Confira outras produções que tiveram relação direta com o poder da literatura:

Um lugar chamado Notting Hill
Mais do que afirmada no filão das comédias românticas, a estrela Julia Roberts reproduziu a persona, na trama que traz o empedernido personagem de Hugh Grant, em altos dilemas, ao se envolver com uma estrela de cinema. William (Grant) é o dono de uma livraria especializada em roteiros de viagens, quando atende cliente especial: a estrela Anna (Roberts).

O despertar de Rita
Idas e vindas amorosas permeiam tanto a vida do alcoólico professor Frank Bryant (Micheal Caine) quanto da cabeleireira Rita (Julie Walters), interessada num empoderamento, por meio dos estudos, e um tanto desgostosa com a vida doméstica oferecida pelo marido Denny.

A culpa é das estrelas
De cara, a protagonista Hanzel (Shailene Woodley) tira o crédito de “romances açucarados”. Com câncer, a moça, para além do apoio do namorado Gus (Ansel Elgort), terá como motivação o apego à literatura, fato que a levará a Amsterdã, ao encontro do admirado escritor Van Houten e aos vestígios de Anne Frank.

O livro de cabeceira
A fusão máxima entre corpo e literatura resulta na expressão deste peculiar título assinado pelo criador de pomposas imagens de cinema: o inglês Peter Greenaway. Amparado pelos escritos da japonesa Sei Shonagon, que viveu no século 10, ele discorre sobre a tentativa de uma moça encontrar o amante ideal, que, literalmente, crave na pele a poesia das letras.

O clube de leitura de Jane Austen
A novelista inglesa morta em 1817 é dissecada por um grupo de mulheres sem muita estabilidade emocional e que decide pelo aprofundamento, em conjunto, dos escritos da autora de Emma e Orgulho e preconceito.

Mensagem para você
A partir de uma peça de teatro, de 1937, Nora Ephron colocou, pela terceira vez nas telas, o casal Tom Hanks e Meg Ryan. Na comédia romântica, a internet e os mistérios das relações virtuais atingem a dona de tradicional livraria e uma potencial ameça ao empreendimento dela: o dono de uma mega store de publicações.

Nunca te vi… Sempre te amei
O Bafta de melhor atriz foi para Anne Bancroft, a mola para que o romance de Helene Hanff ganhasse adaptação para o cinema. Ela impulsionou o marido a produzir a fita sobre o romance epistolar, pontilhando a relação sentimental entre uma escritora e o livreiro de edições raras interpretado por Anthony Hopkins.

As horas
Foram nove indicações ao Oscar e uma vitória. Nicole Kidman foi eleita a melhor atriz, ao retratar a autora Virginia Woolf. Recriação da obra de Michael Cunningham, o longa mostra mulheres afetadas pelo enredo de A senhora Dalloway. Em pauta, literatura, Aids, amor e solidão.

O leitor
Adaptado de livro assinado por Bernard Schlink, o filme rendeu o Oscar de melhor atriz para Kate Winslet. Na trama, que examina profundamente aspectos de colaboração durante a Segunda Guerra, o rapaz Michael (David Kross) se dedica à espécie de instrução para Hanna (Winslet), numa rotina em que fazem sexo e se deleitam com cada parágrafo de clássico literário.

Desconstruindo Harry
Uma viagem a contragosto, a companhia de uma prostituta e até sequestro estão na trilha do professor Harry (Woody Allen) que será celebrado pelos feitos literários justo na escola que, no passado, o havia expulsado. Além de todos os contratempos, ele a fúria dos conhecidos que lhe serviram de fonte de inspiração para livros.

Para sempre Alice
Pleno domínio de discurso e da gramática inglesa, uma vida pessoal bem resolvida vida e reconhecimento profissional desmoronam quando a professora acadêmica Alice Howland (Julianne Moore, primorosa) confrontará o mal de Alzheimer.

Walt nos bastidores de Mary Poppins
Uma virtual vitória para a adaptação do clássico livro de Pamela Travers (Mary Poppins) deixa o maior executivo e criador da Disney em estado de êxtase, depois de anos de tentativa. Estrelado por Tom Hanks e Emma Thompson, o filme revela caprichos e o controle da autora em cima da obra de cinema, além de fundamentar a origem de algumas de suas criações.

A nova moda da autoajuda é ligar o F…, mandar à M… e abraçar o fracasso…

0

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

“Pesquisas indicam que, tendo nossas necessidades físicas básicas (comida, abrigo etc.) supridas, a correlação entre felicidade e sucesso material a partir desse ponto se aproxima rapidamente do zero. Isto é: se você passa fome e mora na sarjeta, dez mil dólares a mais por ano teria um grande impacto no seu nível de felicidade; para a classe média de um país bem estruturado, dez mil dólares a mais por ano quase não teria impacto na sua vida — o que significa que você está se matando de trabalhar por basicamente nada”.

*

“Estamos sendo enganados quando se omite que a sabedoria é um caminho, e não um objetivo. Um caminho difícil… que evitamos enfrentar na era da facilidade. O desânimo prevalece. Apesar dos conselhos ‘fáceis’ que nos oferecem em toda parte, continuamos com raiva, impacientes, frágeis, vulneráveis. Alimentamos uma profunda culpa por isso, sinal de nosso fracasso em estar à altura desse ideal absurdo que nos impõem… Uma confusão incrível nos impede de compreender o que é um verdadeiro sábio”.

*

A primeira citação é de “A Sutil Arte de Ligar o F*da-se” (Intrínseca), de Mark Manson. A segunda, de “A Arte Francesa de Mandar Tudo à Merda” (Planeta), de Fabrice Midal. Ambos são representantes de uma vertente da autoajuda que vem conquistando um considerável público de leitores. Além dos títulos muitas vezes agressivos, o cerne dessas obras é semelhante: com uma linguagem acessível e por vezes humorada, mostrar que devemos nos preocupar menos com o que o mundo teoricamente espera de nós e assumir que somos seres falhos. Menos otimista do que o comum para obras do tipo, esse seria um caminho primordial para que descobríssemos o que realmente nos realiza e consequentemente pudéssemos ter bons momentos da sempre efêmera felicidade – de certa forma, é a mesma mensagem que passa o livro infantil “A Parte que Falta” (Companhia das Letrinhas), de Shel Silverstein, que virou hit após a youtuber Jout Jout lê-lo em seu canal.

 

Os números de “A Sutil Arte de Ligar o F*da-se” confirmam a força dessa espécie de autoajuda para as novas gerações. No Brasil, a obra já vendeu mais 130 mil exemplares. Desde a segunda metade de dezembro do ano passado que ela aparece de maneira ininterrupta na lista semanal dos mais vendidos do Publishnews, ranking que atualmente lidera. Além disso, está há 11 semanas consecutivas na listagem da revista Veja, onde puxa a fila da autoajuda, e também aparece com destaque na relação do jornal O Globo. Nos Estados Unidos, onde foi lançado originalmente, figurou durante algumas semanas entre os best-sellers do New York Times.

“‘A Sutil Arte de Ligar o F*da-se’ parte do princípio de que vivemos em uma cultura que nutre expectativas pouco realistas para as nossas vidas. Queremos ser mais saudáveis, mais ricos, mais populares, mais produtivos e mais admirados. Todos os dias somos levados a acreditar que a felicidade está em ter mais, fazer mais, ser mais. Frustração e fracasso não são permitidos. A inovação desse livro é justamente ir na contramão disso tudo, atuar como uma espécie de anti-autoajuda”, argumenta Christiane Ruiz, editora da Intrínseca, ao comentar o sucesso do título.

Mark Manson.

Delicadeza francesa

“A Arte Francesa de Mandar Tudo à Merda” também foi bem em seu país natal (a França, evidentemente), onde ficou por mais de cinco meses em listas dos mais vendidos. Midal, o autor, é doutor em filosofia pela Universidade de Paris, fundador da The Western School of Meditation e uma autoridade quando o assunto é meditação. Juntando essas duas frentes, dedica-se no texto a derrubar crenças a respeito da vida e do próprio ato de meditar.

Diretor Editorial da Planeta, Cassiano Elek Machado encara esses títulos como uma renovação da autoajuda. “Desde que o gênero moderno de autoajuda se estabeleceu como um fenômeno de vendas ele sempre conviveu com o desdém de grupos muito significativos que o tratavam como um gênero cafona, para pessoas mais velhas ou sem cultura geral. Mas a autoajuda também é totalmente aplicável, e ‘ajudável’, para jovens cools. E é aí que entram estes títulos como o ‘Arte Francesa’, o ‘Sutil Arte’ e também os livros de Jen Sincero [autora de ‘Você é Fera’], entre outros. O interesse vem, de alguma forma, da mesma fonte que abastece os leitores de autoajuda tradicional: desacertos com a vida cotidiana, inseguranças, frustrações, sentimentos universais que podem, eventualmente, serem apaziguados com leitura”.

 

Linha próxima segue Charles Pépin, outro filósofo francês, autor de “As Virtudes do Fracasso”, que já vendeu 65 mil exemplares na França, onde saiu há dois anos, teve os direitos negociados para 14 países e chega ao Brasil pela Estação Liberdade. Na obra, Pépin explora a biografia de celebridades como o político Abrahan Lincoln, o empresário Steve Jobs, o tenista Rafael Nadal e a escritora J. K. Rowling para mostrar como adversidades podem ser transformadas em aprendizados ou até mesmo oportunidades para grandes realizações.

Momento do país

Em que pese o sucesso desses livros em outros países (como os já citados França e Estados Unidos), impossível não pensarmos que a boa aceitação no Brasil tenha a ver com o péssimo momento político, econômico e social que atravessamos – ou alguém não tem vontade de ligar o foda-se, mandar tudo à merda ou abraçar o fracasso ao olhar para as notícias cotidianas? Nas entrevistas ao blog, os editores também falaram sobre isso:

“É natural que em países que vivam cenários conturbadíssimos como os nossos, onde a incerteza e o desânimo com a política convivem com crises de todas as espécies (que culminam mesmo em assassinatos políticos), exista mais propensão a angústias, e portanto mais abertura para livros que tentem tratar destas feridas, mesmo que em nenhum dos livros que citei haja qualquer menção aos tipos de crises concretas que vivemos em nosso país”, diz Cassiano.

“Mark Manson afirma que só podemos nos importar com uma quantidade limitada de coisas, e ligar o foda-se é saber separar o que importa do que não importa e aprender a deixar de lado o que é dispensável. Ao ressaltar, com muito humor e irreverência, que precisamos reorientar nossas expectativas, tornando-as mais realistas, o livro oferece aos leitores um tipo de conforto – especialmente num momento como esse pelo qual o país está passando. Dominar essa arte sutil de ligar o foda-se é transformar a nossa visão das coisas e isso é libertador”, pontua Christiane.

Os livros do Oscar

0

Texto de Anna Ramalho

Neste domingo, tem premiação em Hollywood, e, como todo ano, entre os concorrentes, há diversas – quase vinte!!! – adaptações cinematográficas de livros – sem falar nas onipresentes produções baseadas em quadrinhos. Há livros e filmes para todos os gostos e idades, começando pelo simpático O touro Ferdinando (Intrínseca, R$ 39,90), de Munro Leaf e Robert Lawson, que se tornou popular pelo curta da Disney de 1938 e agora virou animação assinada pelo brasileiro Carlos Saldanha, e a mais recente montagem de A Bela e a Fera (Zahar, R$ 32,90), que na caprichada edição da coleção Clássicos Zahar traz duas das mais antigas versões da lenda, de 1740 e 1756.

Histórias românticas continuam encantando o público, entre elas A forma da água (Intrínseca, R$ 39,90), de Guillermo Del Toro, e Me chame pelo seu nome (Intrínseca, R$ 39,90), de André Aciman, ambas falando sobre paixões que desafiam as convenções. Del Toro traz o confronto do amor com a insensibilidade política ao contar o romance de uma faxineira e um homem-peixe aprisionado por norte-americanos em plena Guerra Fria. Já Aciman mostra a doçura amarga do primeiro amor entre dois rapazes, um italiano e um americano, durante um verão na Itália, no início dos anos 1980.

Abrir mão de um pouco de Todo o dinheiro do mundo (Harper Collins, R$ 39,90) era dramático para o bilionário americano John Paul Getty, que levou meses até pagar o resgate pelo neto de 16 anos, sequestrado na Itália, em 1973. Getty capitulou quando os sequestradores lhe enviaram uma mecha dos cabelos e uma orelha do rapaz como “prova de vida”. Mesmo assim, conseguiu regatear valores, como conta John Pearson no livro que rendeu a indicação do veteraníssimo Christopher Plummer ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Dinheiro também é a mola mestra de A grande jogada (Intrínseca, 39,90), autobiografia de Molly Bloom, a “Princesa do Pôquer”, que ganhou fortuna e prestígio montando mesas de jogo ilegal para celebridades de Hollywood.

A Segunda Guerra Mundial continua inspirando o cinema. Na safra deste ano estão O destino de uma nação (Crítica, R$ 49,90), de Anthony McCarten, e Dunkirk, a história real por trás do filme (Harper Collins, R$ 29,90), de Joshua Levine. O primeiro mostra as decisões estratégicas do primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, tomando a dianteira da resistência aos nazistas. O segundo tem subtítulo explicativo. O diretor Christopher Nolan contou com a consultoria do historiador Levine para montar seu filme sobre a retirada de 300 mil homens das tropas aliadas da praia de Dunquerque, na costa da França, ao longo de dois meses, em 1940.

Ainda entre os concorrentes o novo Blade Runner, que continua a lidar com os dramas existenciais do primeiro filme, baseado em Androides sonham com ovelhas elétricas? (Aleph, R$ 29,90), de Phillip Dick, que conta a busca do caçador de recompensas Rick Deckard por seis androides fugitivos. Fora do Oscar, já chegou ao mercado brasileiro a nova edição de A Livraria (Bertrand Brasil, R$ 32,90), de Penelope Fitzgerald, finalista do Booker Prize, quando lançado em 1978. O filme de Isabel Coixet, com elenco todo britânico, acaba de conquistar o Goya, o maior prêmio do cinema espanhol, ao mostrar a luta do arcaico contra o novo na batalha da protagonista para abrir uma livraria numa cidadezinha na costa da Inglaterra.

Por que você deve cercar-se de mais livros do que conseguirá ler em vida

1

Publicado no Awebic

Texto de Jessica Stillman

Uma prateleira (ou um leitor de livros digitais) cheia de livros revela boas coisas sobre a sua mente.

A aprendizagem ao longo da vida ajudará você a ser mais feliz, ganhar mais e até mesmo manter-se saudável, dizem os especialistas.

Mais do que isso, muitos dos empresários mais inteligentes do mundo, de Bill Gates a Elon Musk, insistem que a melhor maneira de ser mais inteligente é lendo. Então, o que você faz?

Você compra livros, muitos livros.

Mas a vida é corrida e intenções são uma coisa, ações são outra. Logo você encontra sua prateleira (ou leitor digital) com títulos que você pretende ler um dia, ou livros que você folheou e depois abandonou.

Seria isso é um desastre para o seu projeto de se tornar uma pessoa mais sábia e inteligente?

Se você nunca lê nenhum livro, então sim. Talvez você queira aprender alguns truques para arrumar um tempo para ler em sua vida agitada e por que vale a pena dedicar algumas horas por semana ao aprendizado.

Mas se é apenas porque o seu ritmo de leitura não acompanha nem de perto seu ritmo de compra de livros, eu tenho boas notícias para você (e para mim, que definitivamente me encaixo nesta categoria): sua biblioteca lotada não é um sinal de fracasso ou ignorância, é um emblema de honra.

Por que você precisa de uma “antibiblioteca”

Este é o argumento que o autor e estatístico Nassim Nicholas Taleb explica em seu bestseller “O Cisne Negro”. O sempre fascinante blog “Brain Pickings” fuçou e destacou esta parte em um post muito legal.

Taleb inicia suas reflexões com uma piada sobre a incrível biblioteca do escritor Umberto Eco, que contém uma quantidade de livros de cair o queixo: 30 mil volumes.

Eco leu mesmo todos esses livros?

É claro que não, mas esse não era o ponto de cercar-se de tanto potencial de conhecimento ainda não realizado. Ao fornecer um lembrete constante de tudo que ele não sabia, a biblioteca de Eco o manteve intelectualmente faminto e continuamente curioso.

Uma coleção de livros que você não leu e que cresce constantemente pode fazer o mesmo por você. Taleb escreve:

“Uma biblioteca particular não é um apêndice estimulante do ego, mas uma ferramenta de pesquisa. Livros lidos são bem menos valiosos que os não lidos.

A biblioteca deve conter o tanto quanto você não sabe sobre seus recursos financeiros, taxas de hipoteca e o atual mercado imobiliário que caiba nela.

Você vai acumular mais conhecimento e mais livros a medida que fica mais velho e o crescente número de livros não lidos nas prateleiras vão olhar para você ameaçadoramente.

Na verdade, quanto mais você sabe, maior é a prateleira de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros não lidos de antibiblioteca.”

Uma antibiblioteca é um lembrete poderoso de suas limitações – a vasta quantidade de coisas que você não sabe, sabe pela metade, ou que um dia perceberá que estava errado.

Ao conviver diariamente com esse lembrete, você pode levar a si mesmo em direção ao tipo de humildade intelectual que aprimora as tomadas de decisões e conduz o aprendizado.

“Pessoas não andam por aí com anticurrículos dizendo a você o que elas não estudaram ou vivenciaram (esse é o trabalho dos concorrentes), mas seria legal se elas fizessem isso”, afirma Taleb.

Por quê? Talvez porque um fato psicológico bem conhecido é de que o mais incompetente é quem é mais confiante de suas habilidades e o mais inteligente é quem é cheio de dúvidas (sério, isso é chamado de efeito Dunning-Kruger).

É igualmente bem estabelecido que quanto mais prontamente você admite que não conhece as coisas, mais rápido você aprende.

Então pare de se culpar por comprar muitos livros ou por ter uma lista de livros para ler que você nunca vai terminar nem em três vidas. Na verdade, todos os livros que você não leu são um sinal de sua ignorância.

Mas se você sabe o quanto é ignorante, você está muito a frente da maioria das outras pessoas.

Go to Top