Clássicos da literatura britânica alimentam trama de filmes em cartaz nos cinemas

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Filmes Sherlock Homes e O espião que sabia demais são inspirados em livros de de Arthur Conan Doyle e John le Carré.

Publicado no UAI

O mignon Robert Downey Jr. vive pela segunda vez o grande personagem das tramas de mistério, o detetive Sherlock Holmes

Os ingleses têm aquele ar aristocrático, até meio emperdigado. São sérios, porém cultivam a ironia e o sarcasmo. Ingredientes mais que suficientes para alimentar belas tramas policiais e de ação. Não por acaso, textos de espionagem e investigações mirabolantes são destaque na literatura britânica, que vem alimentando, há décadas, roteiros para cinema, teatro e TV. Caso de duas obras em cartaz na cidade: Sherlock Holmes 2 – O jogo de sombras, de Arthur Conan Doyle (1859-1930), e O espião que sabia demais, de John le Carré (1931). Como é comum nas transposições para o cinema, há erros e acertos, aplausos e vaias.

Aficionados pelo personagem da literatura britânica não costumam ser condescendentes com criações sobre Sherlock Holmes. Há quem torça o nariz até para escolhas de atores com tipos físicos diferentes do original. Criado pelo médico e escritor sir Arthur Conan Doyle (1859-1930), ele nasceu em 1854, morreu afogado com seu grande inimigo, professor Moriarty, em 1911, e ressuscitou em 1913. Doyle assina outras obras, mas Sherlock é o ponto alto de sua criação. São quatro romances: Um estudo em vermelho, O signo dos quatro, O cão dos Baskerville e O vale do terror. E cinco coletâneas de contos (com 65 no total). O verdadeiro Sherlock era alto, esguio, com nariz avantajado. Nada a ver, por exemplo, com seu mais novo intérprete no cinema, o mignon Robert Downey Jr., de 1,72m.

Não importam críticas e alfinetadas de sherlomaníacos na internet, o americano incorpora o mestre dos disfarces de tal maneira que o “disfarce” de Sherlock lhe cai superbem. No segundo filme, Sherlock Holmes – O jogo de sombras  (o primeiro, de 2009, também foi dirigido por Guy Ritchie), Downey está ainda mais à vontade, carregando no humor e cinismo. Se Sherlock 2 não tem a agilidade do filme anterior, estão no novo longa muitos dos bons elementos do primeiro, somados à atuação impecável de Downey e Jude Law (Watson) e à presença de Jared Harriz (Moriarty) e Stphen Fry (Mycroft Holmes).

Sherlock dividia o apartamento 221 B em Baker Street (onde há museu sobre ele), Londres, com John Watson, médico que se tornou narrador de suas aventuras. No primeiro livro, John lista características do amigo: tem conhecimentos de química, é bom pugilista, toca violino, conhece leis e anatomia prática e tem grande memória para fatos sensacionalistas. Para dar conta do tédio, além do violino, injeta-se com solução de cocaína. Não sabe nada de filosofia ou literatura. Sua capacidade dedutiva é espantosa.

A célebre frase “elementar, meu caro Watson”, nunca foi dita pelo Sherlock de Doyle. O ator e diretor William Gillette (1853-1937) a difundiu quando interpretou o detetive no teatro, em 1989. Mais: a relação do detetive com mulheres é tabu. A única que parece ter mexido com ele foi Irene Adler, cantora lírica do conto Um escândalo na Boêmia. Histórias dele foram adaptadas mais de 200 vezes no cinema, em séries de TV e desenhos – fez pontas em HQs, teve tira diária em jornal inglês na década de 1950 e edição de sua própria revista, em 1975 (DC Comics). No cinema, viveram o detetive Christopher Lee, Peter Cushing, Michael Caine e Rupert Everett, entre outros. O britânico Basil Rathbone foi dos primeiros a personificá-lo. Fez 14 filmes como o detetive, entre 1939 e 1946.

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Livro de Hitler deve voltar às bancas de jornal na Alemanha

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Trechos de ‘Mein Kampf’ serão publicados por editor britânico. Estado da Bavária prometeu barrar a publicação.

Publicado no G1

O livro de Adolf Hitler “Mein Kampf” (Minha Luta), banido das livrarias alemãs, em breve estará disponível em bancas de jornal. Um editor britânico anunciou que publicará trechos do texto na Alemanha.

O Estado da Bavária, que detém os direitos autorais da visão nazista sobre a supremacia racial ariana, disse que considera a possibilidade de entrar na Justiça para bloquear a publicação.

A republicação da autobiografia do ditador nazista, que expõe sua ambição de tomar vastas áreas de terra no leste da Europa para proporcionar espaço para a chamada raça superior, está proibida na Alemanha, a não ser para estudo acadêmico.

O primeiro dos três trechos de 16 páginas do livro, acompanhado por um comentário crítico, será publicado neste mês com uma tiragem de 100 mil cópias, disse à Reuters Peter McGee, chefe da editora Albertas Ltd, com sede em Londres.

“É um assunto delicado na Alemanha, mas o incrível é que a maioria dos alemães não tem acesso ao ‘Mein Kampf’ porque há um tabu, essa ‘magia negra’ que o cerca”, afirmou ele.

“Queremos que o ‘Mein Kampf’ seja acessível para que as pessoas o vejam pelo que ele é, e depois o descartem. Uma vez exposto, ele pode retornar à lata de lixo da literatura”, disse ele.

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Para reduzir pena, presos leem livros como ‘O Pequeno Príncipe’

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Publicado por Folha.com

Os presos mais perigosos do país terão à disposição, ainda no primeiro semestre, títulos como “O Pequeno Príncipe”, clássico de Saint Exupery, e “1001 Filmes para Ver Antes de Morrer”, de Steven Jay Schneider.

Poderão escolher, ainda, a trilogia “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, e “De Malas Prontas”, de Danuza Leão.

Um programa do Ministério da Justiça vai distribuir 816 livros para as quatro penitenciárias federais do país.

O projeto, orçado em R$ 34.170, permitirá que detentos como Fernandinho Beira-Mar, condenado a 120 anos, reduzam sua pena. Por enquanto, duas concedem benefícios de redução da pena aos detentos-leitores: Catanduvas (PR) e Campo Grande (MS).

No Paraná, o juiz concede até quatro dias para quem, em até 12 dias, ler um livro e apresentar uma resenha.

Uma comissão avalia a resenha e, se considerá-la de boa qualidade, concede ao detento mais um dia de redução.

Os livros “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, e “Incidente em Antares”, de Erico Veríssimo, foram obras trabalhadas na unidade, que tem 60 presos participando do projeto.

Em Campo Grande, são três dias de redução para cada 20 dias que o detento utilize para ler um livro e preparar uma resenha. A avaliação é feita por um juiz federal.

Segundo agentes penitenciários, Beira-Mar, que já passou pelas duas penitenciárias, é um “consumidor voraz” de livros. Já leu “O Caçador de Pipas”, de Khaled Housseini, além de “Arte da Guerra”, de Sun Tzu, e “Código da Vinci”, de Dan Brown.

Quando chegou a Mossoró (RN), logo se inscreveu em um projeto da penitenciária com a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, chamado de “Filosofarte”. Diminuía um dia de sua pena a cada três de leitura.

O programa foi suspenso em dezembro, mas poderá ser retomado após convênio com a Justiça federal.

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O Brasil precisa deste BBB

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Dica do Jarbas Aragão

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A amante de Machado de Assis?

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Publicado por Revista Época

 

 

Em cartas, o escritor maduro revela afeto incomum por uma jovem casada

LUÍS ANTÔNIO GIRON Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV (Foto: ÉPOCA)

Machado de Assis (1839-1908) teria tido uma amante?
É a questão que o diplomata e crítico literário Sergio Paulo Rouanet deixa entrever, com extrema discrição, no recém-lançado volume III da Correspondência de Machado de Assis, publicado pela Academia Brasileira de Letras, que abrange o período que vai de 1890 a 1900, dos 51 aos 61 anos do escritor. Na condição de jornalista abelhudo que não tem mais uma reputação a perder (se é que teve um dia), eu tomo a liberdade e cometo a indiscrição de levantar mais abertamente a suspeita – ou, como prefere denominar Rouanet, “bisbilhotice póstuma”. Trata-se de um sentimento indigno, porém próprio ao cético Bentinho sobre a fidelidade de Capitu em Dom Casmurro, romance que Machado escreveu ao longo de quatro anos e a editora Garnier fez imprimir em Paris no final de 1899 e só lançado no início do ano seguinte. É apenas um detalhe aparentemente sem importância, trazido à tona pelo trabalho monumental de Rouanet, que traz não só informações importantes sobre a trajetória de Machado, como corrige muitos erros e omissões.

As cartas, bilhetes e cartões a ser distribuídas em cinco volumes (a ser publicados até o fim de 2013, o quarto neste ano) ajudam a compreender o papel de Machado de Assis como fundador da Academia de Letras, correspondente ativo e passivo de ficcionistas como Magalhães de Azeredo e de críticos como José Veríssimo, cidadão discreto, avesso à política e afeito às questões estéticas. No entanto, sob a barba já branca do “Bruxo do Cosme Velho” (detesto esse apelido popularizado pelo poema “A um bruxo, com amor”, de Carlos Drummond de Andrade, mas vá lá), batia um coração quem sabe não raro inconstante, dado, talvez, a devaneios amorosos, e certamente atento à alma feminina, que retratou em várias personagens, como a intrigante Capitu, a doce Helena e a sorrateira Sofia, de Quincas Borba. Na juventude, convém lembrar, ele dedicou seu primeiro poema publicado à soprano italiana Anette Casaloni, por quem teria se apaixonado. Teve algumas aventuras quando jovem. Uma carta, de 30 de outubro de 1899, seu colega maranhense Graça Aranha cometia várias indiscrições que devem ter enfurecido Machado. Uma delas foi contar, por imagens canhestras, que havia lido Dom Casmurro em primeira mão em Paris, sem a devida permissão do autor (e tinha certeza de que Capitu era adúltera). Outra foi fazer a seguinte declaração meio como desculpa: “Se em alguma coisa alguma evocação de figura amada, em tocar em certas reminiscências lhe causei qualquer inquietação ou sobressalto perdoe-me porque, meu bom amigo, entre os homens ninguém o ama mais. Entre homens, por que entre as mulheres…”

Para alimentar a suspeita sobre o caso de Machado, inspiro-me nesse tipo de declaração de Graça Aranha e nas entrelinhas das duas cartas que Machado enviou à jovem aspirante a escritora paulistana Rafaelina de Barros (1878-1943) em 1896, quando Machado, no ápice da fama, funcionário público exemplar e casado havia 26 anos com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Morais, contava 56 anos e Rafaelina, apenas 18. Isso segundo as datas oficiais, sobre as quais Rouanet e suas duas escudeiras no projeto de organizar a correspondência completa do autor, as pesquisadoras-detetives Irene Moutinho e Sílvia Eleutério, lançam dúvidas. Afinal, a intrépida Rafaelina já era casada com um comerciante quando escreveu a Machado. Além disso, começava a iniciar uma relação com o poeta paranaense Emílio de Meneses (1866-1918), também casado, bem como excêntrico e conhecido boêmio do Rio de Janeiro.

Rafaelina e Emílio viveriam uma paixão arrebatadora em meados da década de 1890. O caso provocou escândalo na Capital Federal. Emílio levou uma surra do marido ultrajado, e Rafaelina abandonou o lar tornando-se companheira e musa para a vida inteira do escritor. Ela estreou na ficção como volume de contos Almanara (192) e, em 1923, publicou o livro de poemas Bíblicas. Quando enviuvou, tornou-se zeladora e organizadora da correspondência de Emílio (hoje desaparecida) e ajudou com dinheiro ao escritor Lima Barreto, que vivia praticamente como mendigo no fim da vida.

Rafaelina era apaixonada por amar escritores (se vivesse hoje, faria networking nas várias festas literárias espalhadas pelo país). Ela já morava com Emílio quando escreveu duas cartas a Machado. “O que é surpreendente nessas duas cartas de Machado é o tom misterioso, cheio de subentendidos”, afirma Rouanet. A primeira, datada de 6 de abril de 1896, solicitando que ele lhe enviasse uma cópia da tradução do poema “Corvo”, de Edgar Allan Poe, que Machado havia feito e ainda era inédita em livro. As cartas se perderam (ou teria sido eliminada pelo pudor do próprio destinatário?). Segundo Rouanet, é provável que Rafaelina atendesse a um pedido do companheiro Emílio, que também estava preparando uma tradução do poema. Em 20 de abril, Machado envia uma carta à “prezada Senhora Dona Rafaelina de Barros”. Ele cumpria uma das duas promessas que fizera a ela, enviando incluso o poema de Poe. Quanto à segunda, escreve Machado, “pesa-me confessá-lo, há razão que só à vista lhe poderei dizer, e que me impede de a cumprir, como deseja cordialmente. Creio que o meu pesar é maior que o seu, por mais amável que seja da sua parte sentir algum.”

A segunda carta, datada de 25 de maio de 1896, responde à de Rafaelina, que deve ter declarado que a leitura da tradução do poema de Poe a fez se alegrar, em uma espécie de alteração do efeito da ave, agora tropical e alegre. Traz comentários de Machado sobre a tradução: “Que o Corvo tivesse produzido nessas sertanias, o efeito da ave alegre e feliz, é notícia que me lisonjeia muito, mas não atribua só a mim este grande regalo. É principalmente do poeta americano. Sem a beleza original da concepção, é certo que eu não chegaria a fazer coisa que prestasse. Como, porém servi de intermediário à inspiração original, fico satisfeito pela parte que tive nas suas comoções.” Rafaelina parece ter se encontrado com Machado, e falado sobre lágrimas antigas. A isso, Machado respondeu, com alguma indiscrição: “Sobre as lágrimas de tempos idos não lhe digo mais nada, além do que falamos sábado. É memória que nunca perdi, e pode imaginar-se se me haverá penalizado tamanha dor sem culpas de uma por causa involuntária de outro”.

Rafaelina certamente havia trocado confidências com o escritor três dias antes, no sábado, 23 de maio de 1896. Onde teriam se encontrado? Certamente não no Cosme Velho nº 18, onde o escritor vivia aparentemente em harmonia com Carolina. Será lícito desconfiar de que Rafaelina seduziu definitivamente Machado de Assis naquela ocasião? Será que falaram de seus respectivos cônjuges – e talvez dessa palestra adúltera tenha surgido a inspiração para construir a personagem da adúltera (ou não) Capitu? Leram juntos “Corvo”? Ou juraram não se encontrar, feito o corvo, “nunca mais”, e assim potencializar a paixão? Pois, conforme escreveu Machado, “A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras.”

A suposição mais racional é de que houve simplesmente um encantamento, uma simpatia de Machado pela moça e vice-versa, e nada mais. Talvez uma paixonite que um e outro tratou de sarar. Daí a prudência dos organizadores do volume em não extrapolar os limites da pesquisa. Mas, para um reles jornalista – e que me perdoem Rouanet, Irene e Sílvia – , não deixa de ser tentador imaginar a queda do autor de meia-idade por uma jovem de 18 anos, no esplendor da curiosidade, inclusive literária. Toda esta fantasia já me inspira um conto…

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