Confissões de uma depiladora brasileira nos Estados Unidos

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Publicado originalmente no Bagarai

Confissões de uma depiladora brasileira nos Estados Unidos (divulgação)

A depiladora paulista Reny Ryan, radicada em São Francisco, na Califórnia, há quase trinta anos, nunca imaginou a proporção que a técnica de depilação, conhecida como Brazilian Bikini Wax, teria nos Estados Unidos. Como boa observadora, Reny guardou diversos momentos e agora vai dividi-los no livro que acaba de ser lançado: “Confissões de Uma Depiladora Brasileira nos Estados Unidos” (Matrix Editora).

A obra relata situações hilariantes de pessoas que chegaram apenas para remover pelos e acabaram tirando também uma armadura de vergonha, insegurança e timidez. Apesar da dura resistência das americanas, Reny passou a difundir o estilo de depilação mais cavada em seu estúdio de estética.

Além de trazer histórias reais e inéditas, o livro aborda a maneira como Reny conseguiu enfrentar uma cultura totalmente diferente, mentes conservadoras e corpos muito mais cobertos de pelos do que um brasileiro está acostumado a ver. “O Brazilian não é apenas depilação em si, ele tem o poder de modificar o comportamento das pessoas e, principalmente, resgatar a autoestima”.

Segundo a autora, após algumas visitas, a relação que antes era apenas profissional, acaba se transformando em uma amizade duradoura.

Além disso, ela explica que é impossível trabalhar com depilação o dia todo e não se divertir com as situações curiosas que acontecem durante as sessões, muitas vezes embaraçosas, mas sempre engraçadas.

Sobre a autora

Reny Ryan nasceu em Salto (SP), cresceu em Paranaguá (PR) e mudou-se para o Rio de Janeiro, de onde saiu em 1984 para São Francisco, na Califórnia. Em 1997, tornou-se esteticista, especializando-se em depilação. Sua marca registrada são o seu bom humor e o seu jeitinho brasileiro, que encantam os gringos, atraindo uma média de 1.500 clientes anualmente ao seu estúdio, localizado em Pleasant Hill. Reny também ensina “A arte do Brazilian Bikini Wax” nos institutos de beleza e nos spas locais.

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Anne Hathaway estrela adaptação para cinema de ‘Um dia’

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Publicado originalmente no G1

História repete fórmula de ‘Harry e Sally’ e ‘Tudo bem no ano que vem’. Filme é baseado no romance homônimo de David Nicholls.

Anne Hathaway e Jim Sturgess em cena de 'Um dia' (Foto: Divulgação)

Baseado no romance homônimo de David Nicholls, “Um dia” tem um título um tanto enganador. Um dia? O filme parece durar uma eternidade, por conta da direção morosa da dinamarquesa Lone Scherfig. A história central repete “Harry e Sally” e “Tudo bem no ano que vem”, filmes em que, exatamente como aqui, um casal se encontra todos os anos na mesma data.
Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess, de “Caminho da liberdade”) se conhecem no dia de formatura. Na verdade, ela reparou nele há mais tempo, mas ele nunca prestou atenção nela. Naquela noite quase transam e acabam se vendo ao longo de vinte e poucos anos, todos os dias 15 de julho, também conhecido como Dia de São Swithin.

Ao longo de pouco mais de 100 minutos, o longa acompanha o dia específico na vida da dupla. Nessa data, às vezes se encontram, às vezes se falam por telefone, às vezes nem lembram da existência um do outro – na verdade, ela sempre se lembra, ele é que não.

Essa necessidade de se concentrar em um dia na vida dos personagens resulta numa narrativa bastante esquemática e um tanto previsível, mirando no poético e acertando no clichê.

Geralmente, “Um dia” é mais interessante no seu pano de fundo do que naquilo que acontece no primeiro plano da cena. Ou seja, a ambientação – cenários, figurinos, músicas – são eficientes para mostrar bastante a época em de cada um dos 15 de julho. De ombreiras a Robbie Williams, muita coisa que atravessou a cultura pop entre 1988 até 2011 fará uma pequena participação no filme.

Ao contrário de seu longa “Educação”, aqui a diretora Scherfig (também de “Italiano para principiantes”) tem mais dificuldade em conduzir a narrativa, preocupa-se mais em retratar a data específica do encontro na vida do casal do que compor o caminho entre um ano e outro organicamente. Descobrem-se os desdobramentos meio sem vê-los propriamente.
Mesmo não sendo uma ideia tão original assim, poderia funcionar melhor com personagens mais bem delineados e também se a história fugisse do clímax previsível. Não faz muito sentido como a bela e luminosa Emma se apaixona tão platonicamente e por tanto tempo pelo egocêntrico e pedante Dexter.

Ao final, apenas um dia pode ser pouco demais para Emma e Dexter. Mas vinte vezes o mesmo dia, uma situação que pode assentar bem ao longo de um livro, nesta adaptação para o cinema falha pela falta de atenção às sutilezas que deveriam cobrir as lacunas entre um ano e outro.

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Laurentino Gomes e Gullar levam os principais jabutis

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Publicado originalmente no Veja meus livros

O jornalista Laurentino Gomes, autor de '1808' e '1822'

Não foi de surpresas a noite da 53ª edição do Prêmio Jabuti, a mais prestigiada disputa literária do país. Além da entrega dos troféus aos 87 ganhadores já previamente anunciados – os três primeiros colocados nas 29 categorias da competição -, a cerimônia de premiação contou com o anúncio dos grandes vencedores do ano: os livros de ficção e não-ficção de 2011, cujos autores voltaram para casa 30.000 reais mais ricos. Ainda que se pudesse pensar por exemplo no nome da escritora Ruth Rocha, primeira colocada na categoria Didáticos e Paradidáticos com a coleção Pessoinhas, não causou espanto ver Ferreira Gullar, vencedor de Poesia com o seu Em Alguma Parte Alguma (José Olympio), levar o prêmio de Livro de Ficção do Ano. Nem ver Laurentino Gomes, primeiro em Reportagem, sair da festa como autor de não-ficção com o histórico 1822 (Nova Fronteira).

No mais, o evento pareceu seguir um script delineado. Boa parte do público, que chegou a partir das 19h à Sala São Paulo, no centro da capital paulista, e se apertou especialmente junto às poucas mesas de comes e bebes, conversou durante boa parte da corrida entrega dos troféus. E, à medida que eram anunciadas os ganhadores das categorias, dos quais só o primeiro lugar levava prêmio em dinheiro, de 3.000 reais, o local se esvaziava. Discursos, foram poucos, com destaque para os iniciais — do curador José Luiz Goldfarb e de Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que realiza a premiação — e para os finais, dos principais laureados da noite.

Ao agradecer seu troféu, Laurentino Gomes lembrou a importância da história para a construção de um país. Já Ferreira Gullar soltou um de seus próprios clichês. “A poesia existe porque a vida não basta”, disse, repetindo uma frase que adora usar. Até o apresentador da festa, o global Pedro Bial, seguiu direitinho o roteiro e represou sua veia lírica, negando à plateia as brincadeiras com que costuma brindar o público do Big Brother Brasil. Uma pena. Poderia ser mais divertido.

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25 verdades se Harry Potter fosse brasileiro

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1 – Os filmes seriam chamados assim: A Pedra do Crack, À Câmara de Gás, O Prisioneiro do Carandiru, Ou Cálice Ou Eu te Mato.

2 – Banda preferida de Lord Voldemort seria INIMIGOS DO HP.

3 – Ele subiria na vassoura e gritaria: – É Nóis que voa Bruxão!

4 – A cicatriz de Harry seria de bala perdida.

5 – A sua capa de invisibilidade já teria sido pirateada.

6 – Não haveria pedra filosofal. Alguém já teria fumado…

7 – Ele compraria a vassoura Nimbus 2000 nas Casas Bahia em 24 vezes s/juros

8 – O feitiço Expelliarmus seria Perdeu Playboy

9 – O Serra teria sido atingido por uma bolinha de quadribol.

10 – Ele não seria bruxo seria macumbeiro.

11- O ‘Chapéu Seletor Falante’ seria um boné de aba reta.

12 – Hermione estaria grávida no segundo filme.

13 – Grifinória, Sonserina, Lufa-Lufa e Corvinal seriam escolas de samba.

14 – Os N.I.E.M’s iam ser cancelados por erros no pergaminho-resposta.

15 – A escola Hogwarts estaria em greve.

16 – Draco Malfoy iria de revólver calibre 38 para Hogwarts.

17 – O Torneio Tribruxo iria virar uma micareta de 3 dias com bebida liberada.

18 – Dolores Umbridge seria Dilma Rousseff.

19 – A tia dos doces no trem a caminho de Hogwarts estaria sempre dizendo ‘eu podia estar matando, roubando… ’.

20 – Em vez de Corujas, seriam Urubus!

21 – O ministro da magia seria acusado de participar de esquemas de desvio de dinheiro e mensalão.

22 – O beco diagonal seria a 25 de março.

23 – O Hagrid não ia ter um dedinho da mão e ia se chamar Lula.

24 – Snape se chamaria Severino Cobra Souza.

25 – O Paulo Coelho seria o ministro da magia.

vi no LikeNerd

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Editor Wellington Srbek analisa bom momento do mercado literário

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Publicado originalmente no Divirta-se

Do outro lado do balcão, ele fala sobre seu trabalho à frente do selo Nemo, dedicado às histórias em quadrinhos

O quadrinista Wellington Srbek estuda a fundo sua arte, tendo defendido mestrado e doutorado sobre trabalhos de Ziraldo e Henfil

“Ser editor de histórias em quadrinhos é minha vocação”, afirma Wellington Srbek, mineiro de Belo Horizonte, de 37 anos, premiado autor de histórias em quadrinhos, com mais de 30 títulos publicados desde 1996. A afirmação é resposta a uma provocação: como é estar do outro lado do balcão, já que desde 2010 ele é o editor da Nemo, o primeiro selo de BH dedicado exclusivamente aos quadrinhos. “Não é outro lado, o momento é de outras possibilidades e responsabilidades. Sempre sonhei editar no Brasil artistas que admiro, como Moebius e Hugo Pratt. São clássicos”, afirma, lembrando de artistas conhecidos internacionalmente que ganharam edição de obras inéditas no país. “E continuo a favor dos quadrinhos brasileiros. Vamos apresentar ao público autores brasileiros até agora independentes, de grande talento, que não tinham o espaço que merecem”, avisa. Caminho já iniciado com sete títulos.

Wellington Srbek, um ano depois de assumir a função na Nemo, sem euforia, saboreia a boa repercussão do que já foi realizado – a edição dos autores internacionais chamou a atenção nacional para a editora. “A boa receptividade abre caminhos”, observa. Ele explica que o perfil posto em prática até agora continua em 2012. Não dá números sobre vendas, mas conta que os álbuns de Moebius foram os mais bem recebidos – ele anuncia mais três álbuns do artista inéditos no Brasil, dois no ano que vem e um em 2013. Será mantido também o namoro com a literatura (já foi lançado Dom Casmurro, adaptação do romance de Machado de Assis) e o investimento em coleções. São elas: Shakespeare (já lançados Romeu e Julieta, Sonho de uma noite de verão, Otelo e, em breve, sai Hamlet) e Mitos recriados em quadrinhos (Ciranda Coraci e O senhor das histórias). Várias delas com roteiros de Srbek em parceria com diversos desenhistas.

O projeto para o selo Nemo, que é um braço da Editora Autêntica, são edições de autores e obras artísticas, buscando excelência gráfica. “Edições bonitas, boas de ler e a preços acessíveis, o que também é proposta nossa”, sintetiza. Fazendo balanço de um ano de atividade, considera que o trabalho de edição de quadrinhos no Brasil vive momento de aprendizado. É há aspectos que precisam ser aprimorados. Autores precisam atuar de modo mais profissional, já que é trabalho que tem estrutura industrial, o que cobra prazos e diretrizes. Com relação às editoras, cobra mais atenção ao que ocorre no circuito independente, “que tem muitos talentos”. A Nemo ainda não tem mecanismo para que os interessados enviem trabalhos para a editora. “Em breve começa a funcionar”, avisa Srbek.

Independente premiado 

“Tenho mais de 1 mil páginas de histórias em quadrinhos publicadas”, contabiliza Wellington Srbek, com justa vaidade. Ele atuou de forma independente entre 1996 e 2009, período que lançou 25 trabalhos. Ganhou em 2001, com Estórias gerais, inspirado no sertão mineiro, trabalho em parceria com Flavio Colin – “o mais importante artista dos quadrinhos brasileiros”, garante – o troféu HQ Mix de melhor graphic novel nacional e melhor roteirista; e o Angelo Agostini de melhor roteirista e melhor desenhista.

Característica do trabalho dele, explica, é a presença da cultura brasileira. Em Solar, uma de suas primeiras histórias, fez super-herói andar por BH. Na origem dos poderes do personagem estava força vinda de deuses indígenas. “Acho as coisas do Brasil ricas e é a realidade com a qual estou mais familiarizado. Não consigo ir a Ouro Preto sem voltar pensando numa história em quadrinhos nova”, conta.

O melhor da atividade de autor de HQ, para Wellington Srbek nem é a publicação da história, “mas o momento de criação”. Há aspectos, na atividade, que geram angústias: “Você ter uma boa história e não conseguir editora é frustrante”, conta, lembrando que Estórias Gerais, seu álbum mais premiado, que ganhou edição espanhola, levou três anos até conseguir uma editora no Brasil. Srbek tem mestrado e doutorado, feitos na Faculdade de Educação da UFMG, com dissertação e tese sobre quadrinhos. No mestrado analisou a revista Pererê, de Ziraldo; no doutorado, a obra de Henfil. Autores favoritos do artista e editor: Moebius, Hugo Pratt e Henfil. “São pessoas que inovaram, trouxeram nova estética que enriqueceu os quadrinhos”, justifica.

Como você avalia a situação dos quadrinhos no Brasil?

Até os anos 1960, tínhamos muitos quadrinhos brasileiros sendo editados. Com a ditadura militar, a produção diminuiu muito. A situação chegou aos anos 90 sem praticamente nenhuma edição de quadrinhos nacionais – com exceção da Turma da Mônica e das tirinhas de jornais. Atualmente, por outro lado, temos várias editoras investindo na produção brasileira. Mas ainda há muito o que fazer para diversificar e ampliar o mercado. Existe um público ávido por trabalhos novos e de qualidade.

A qualidade das adaptações para quadrinhos de obras literárias no Brasil é satisfatória? 

A adaptação de clássicos da literatura para os quadrinhos é uma tendência forte no mercado hoje. O mérito neste caso é trazer para a linguagem dos quadrinhos textos de alta qualidade. Além disso, as boas adaptações podem quebrar a resistência dos jovens em relação a autores sobre os quais existe o mito de serem difíceis ou chatos. Boas adaptações podem mostrar que esses clássicos são textos gostosos e interessantes de ler.

História em quadrinhos é só para crianças e jovens?

Temos duas imagens equivocadas sobre as histórias em quadrinhos. A primeira é a de que os quadrinhos se restringem aos trabalhos meramente comerciais. A outra é que eles são apenas para crianças, no máximo para jovens. Se observarmos as principais histórias em quadrinhos publicadas no mundo, veremos que não são nem para crianças nem só para jovens. Um álbum de um autor como Moebius, por exemplo, é para estar na sua estante ao lado de seus grandes clássicos da literatura.

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