Cada um na sua casa

Relembre a trajetória e a obra de Jorge Amado no centenário do autor

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O escritor Jorge Amado no Rio de Janeiro (1984)

O escritor Jorge Amado no Rio de Janeiro (1984)

Guilherme Solari, na UOL.com

O escritor Jorge Amado completaria 100 anos na última sexta-feira (10). A data também lembra a colossal obra do baiano, que se mantém viva e atual até hoje.

Jorge Amado escreveu mais de 30 romances, traduzidos para 49 idiomas. Foi militante comunista até se afastar da ideologia devido às atrocidades stalinistas, porém manteve em sua obra a crítica a desigualdades sociais. Seus livros foram censurados, banidos e até queimados nas ruas e depois aclamados nas salas de aula e na Academia Brasileira de Letras, onde Amado ingressou em 1961.

O escritor colocou em primeiro plano personagens femininas fortes, sensuais e contestadoras. Trouxe uma literatura sensorial – repleta de cheiros e sabores – aliada a um olhar afiado para os costumes regionais. A força de sua obra extrapolou a literatura para se tornarem alguns dos maiores sucessos da cinema e teledramaturgia nacional.

Ele exacerbou em sua obra a miscigenação e o sincretismo religioso, o que ajudou para que em 1959 recebesse um dos mais altos títulos do candomblé. Apesar das inúmeras premiações que recebeu, Jorge Amado dizia que se orgulhava mais das do candomblé.

A Companhia das Letras começou a publicar as obras de Jorge Amado em 2009 e já lançou quase 40 títulos do autor. “Capitães de Areia” acabou se tornando um dos cinco livros mais vendidos da editora, ultrapassando a marca dos 600 mil exemplares.

A editora planeja mais dois lançamentos ainda para agosto deste ano. “Bahia de Todos os Santos” é uma espécie de guia de Salvador pelos olhos de Amado. Escrito originalmente em 1944, ele foi sendo atualizado ao longo dos anos conforme a cidade se modificava até uma última versão em 1986. Já “Toda a Saudade do Mundo” reúne correspondências entre Amado e sua esposa, a escritora Zélia Gattai.

“Humilde e humano”

Se o escritor deixa saudade em milhões impactados por sua obra, quem mais sente falta são os amigos, como o ator e amigo de Jorge Amado Cláudio Cavalcanti, que viveu João Magalhães na adaptação de 1981 de “Terras do Sem-Fim”.

“Como todo homem da minha geração, a paixão com Jorge Amado começou com ‘Capitães da Areia’. Depois li quase todos os livros dele”, disse Cavalcanti ao UOL. “Depois tive o prazer de me tornar amigo dele. Ele era ao mesmo tempo de uma enorme humildade e de uma enorme humanidade”, completou Cavalcanti.

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‘Seu Barriga’ lança livro de Chaves em Bienal

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Imagem Google


Publicado originalmente no Correio do Estado

De longe, ninguém diria que Édgar Vivar é o mesmo homem que interpretou o rabugento Senhor Barriga do seriado Chaves, veiculada em vários países da América Latina a partir da década de 70. Ao menos 60 kgs mais magro, o ator, no entanto, ainda guarda a feição – e os óculos – do personagem. Nesta sexta-feira (10), ele esteve na Bienal de São Paulo para autografar o livro “Chaves – a história oficial ilustrada” (ed. Universo dos Livros) e disse que se surpreende por ainda ser conhecido entre pessoas com menos de 30 anos.

“O Brasil foi o último país a estrear o programa e o que tem mais adeptos. Acredito que seja pela cultura similar, um menino que não é muito inteligente pela falta de nutrição, é uma coisa comum nos países latino-americanos”, disse Édgar.

Os fãs fizeram fila para ver o ator, e alguns vieram de longe. O professor de espanhol Rodrigo Ceribelli, de 23 anos, é de São Joaquim da Barra, no interior paulista, e viajou seis horas de ônibus para ver o Senhor Barriga. “Amo. Chaves é a minha vida”, disse o jovem, mostrando fotos do quarto decorado com motivos da série.

Muito emocionado, Daniel Simioni abraçou Édgar por um bom tempo. “Assisto [Chaves] desde os três anos. Comecei a me apaixonar, imitava os personagens. Essa humildade que tenho hoje, me sinto uma pessoa melhor porque vejo Chaves”, disse o jovem.

O livro traz uma compilação de entrevistas com o criador da série, Roberto Bolaños, o Chavez, fotografias e depoimentos dos personagens.

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Revelando a história de páginas, capas e lombadas

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Publicado no Observatório da Imprensa

Todos os anos, durante cinco semanas no verão, a Escola de Livros Raros da Universidade da Virgínia atrai 400 bibliotecários, conservadores, acadêmicos, vendedores, colecionadores e bibliófilos para cursos intensivos, de uma semana de duração, ministrados num ambiente que une a intensidade de um seminário, o caráter nerd de uma convenção de fãs de Jornada nas Estrelas e o clima de camaradagem de um acampamento de férias.

Vic Zoschak, de Alameda, na Califórnia, é piloto aposentado da Guarda Costeira e hoje dono de uma livraria de obras antigas. Ele fez seu primeiro curso na escola em 1998; desde então, já retornou para outros 14. “Pilotar missões de busca e resgate era um trabalho que me realizava”, disse. “Mas aqui eu encontrei pessoas do meu tipo.”

Para muitos, a Escola de Livros Raros representa uma oportunidade importante para fazer contatos úteis. Mas ela também preenche um nicho intelectual valioso, ensinando habilidades e conhecimentos que vêm sendo deixados de lado por escolas de biblioteconomia cada vez mais voltadas à tecnologia e departamentos de literatura cada vez mais imersos na teoria.

Trazer de volta aos estudos literários uma compreensão dos aspectos físicos do livro é algo do qual o padre jesuíta Michael Suarez, especialista formado em Oxford em literatura britânica do século 18 e, desde 2009, diretor da escola, fala com fervor quase missionário.

“Um livro é o fruto de uma coalizão de intenções humanas”, disse, usando uma frase repetida com frequência na escola. “Achamos que sabemos ler o livro porque sabemos ler a língua. Mas a leitura implica em muito mais que simplesmente a linguagem do livro.” O ambiente na Escola de Livros Raros é casual e igualitário, não obstante a presença entre o corpo docente de alguns dos maiores especialistas mundiais na história dos livros.

(mais…)

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Site permite que escritores publiquem seus próprios e-books

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livro aberto e e-reader Kindle

Site edoAutor ajuda escritores na publicação de suas obras em formato eletrônico

Gabriela Ruic, na Exame.com

São Paulo – Entusiastas da literatura agora podem publicar seus próprios livros através de uma plataforma virtual e gratuita chamada edoAutor. Lançado hoje pela HUB Editorial, o site tem como objetivo ajudar não apenas na publicação da obra em formato e-book, mas também na sua divulgação e a venda

O edoAutor também conta com serviços pagos, cujos valores são fornecidos sob consulta, e que podem ajudar o autor em outros passos importantes na publicação de um livro. Estes serviços abrangem desde designs para a capa até o auxílio em etapas burocráticas como o registro do livro na Biblioteca Nacional, por exemplo.

O site vai além de ser apenas um canal de publicação. Oferece também espaços para que os autores interajam com o seu público. Há a sessão “Blog do Autor” e também a possibilidade de compartilhamento no Facebook e Twitter. Funcionalidades que podem ajudar o escritor a trocar ideias sobre a obra com seus amigos e também divulgá-la para futuros leitores.

A plataforma ainda conta com seu próprio programa para a visualização dos livros eletrônicos publicados no site. Ele permite aos leitores que façam marcações ou anotações em sua leitura, além do compartilhamento com outras pessoas. Este serviço também é gratuito e pode ser instalado em computadores, tablets Android, iPhone e iPad.

Mas o plano da empresa não é ficar apenas nos e-books. Em breve será oferecido um recurso de impressão sob demanda. Ficará então por conta do autor determinar a quantidade de livros a serem impressos e outros detalhes da sua publicação física como cores e formato.

Já em relação às vendas, estas ficam por conta da própria empresa. Os livros eletrônicos serão disponibilizados na loja virtual da HUB Internacional e outros sites ligados ao Grupo SBS. De acordo com a editora, em média 50% do valor das vendas são repassados ao autor.

Dica do Emmanoel Messias

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Ler muito para escrever bem

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Thaís Naldoni, no Portal da Imprensa

Todos os dias, observo atentamente a pilha de jornais que, às vezes, se forma na mesinha que fica no meio da redação. É incômodo perceber que, mesmo com os veículos ali, à disposição, muita gente não se preocupa em ler. Não estou discutindo as questões editoriais e possíveis posicionamentos desta ou daquela publicação. Mas é primordial para um jornalista – ou pretenso jornalista – não só saber o que está acontecendo no mundo, mas ler, ler, ler, ler muito. Só assim é possível perceber com clareza quando seu texto não está “lá essas coisas” ou conseguir pegar aqueles errinhos que passam pela digitação rápida, pela distração.

Sempre ouço grandes jornalistas, em entrevistas, palestras e apresentações, sobretudo para estudantes, afirmarem ser uma contradição um “jornalista que não gosta de ler”. E eu concordo, é claro. Não só pelo cara não gostar de ler, mas, para mim, contradição é um jornalista se prestar a escrever errado, tropeçar no português, não perceber que um texto raso não informa ninguém. E, o mais preocupante nessa história toda, é que quando em uma plateia lotada de estudantes de comunicação pergunta-se sobre a frequência de leitura, o resultado chega a ser desesperador.

Talvez por isso, tantos textos com erros – até mesmo de informação – têm sido publicados, seja em veículos impressos, seja na dinâmica internet ou mesmo nos textos de TV. “Houveram conseqüências graves”, “menas coisas”, “perca total” foram algumas das expressões que ouvi recentemente em passagens de televisão.

Quanto mais uma pessoa lê, mais bagagem ela guarda de ortografia, gramática e vocabulário – sem contar o conhecimento – e, no caso de um estudante de Comunicação ou jornalista, menos lugares comuns vão aparecer em seus textos, repetições de palavras, falta de referências.

Além disso, um profissional de comunicação que não lê jornal, não acompanha a mídia, nunca vai saber o que, nem ter argumentos para criticar alguma coisa. Não vai poder nem mesmo ser a referência da família em informação, afinal, quem dos colegas nunca ouviu uma pergunta de algum parente nos termos: “você que é jornalista, que raios é o mensalão?”

Como diria a “Tia Alcione”, minha professora na primeira série, “tem que ler muito para escrever bem”. É, ela tem razão.

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