Um Sorriso ou Dois

A cabana

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Livro badalado, A cabana tem seu grande mérito na maneira como apresenta relação interna da Trindade cristã. O mérito de William P. Young neste texto é mostrar como Deus quer se relacionar com o homem, uma relação de amor e confiança. Há uma forte tendência do autor em se alinhar ao pensamento de que você não precisa da Igreja para se relacionar com Deus. Sem entrar em análises teológicas e eclesiológicas profundas, esta tendência do autor não lhe tira o mérito de conseguir apresentar a Trindade e sua relação interna e com a humanidade. Em resumo? Vale a leitura.
• A cabana. William P. Young. Sextante. (240p.)

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Adeus, igreja?

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[…] Não há nada que o Pai deseje mais do que nos ver cair diretamente no colo do Seu amor e de lá nunca mais sair. O plano de Deus, desde a Criação, foi pensado para trazer as pessoas à relação de amor que o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm compartilhado ao longo da eternidade. Ele não deseja nada mais além disso! Você sabe que Deus não é um ser imponente e distante que enviou seu Filho com uma lista de regras a obedecer e rituais a praticar. A missão de Jesus era nos convidar para o amor, para a relação com Deus Pai descrita por ele. Mas o que fizemos? Transformamos a mensagem fundamental de amor em uma instituição, em poder, em trabalho, em culpa, em conformismo e manipulação. Tudo isso soterrou o verdadeiro amor. Em Éfeso, a Igreja estava formando falsos professores. Na Galácia, conseguiu que todos observassem práticas do Antigo Testamento. Atualmente vem convencendo as pessoas a cooperarem com seus programas, sem perceber quanto essas práticas as distanciam da vida com Deus. É mais fácil perceber o problema quando se trata da circuncisão em Éfeso do que quando se trata de ir á missa aos domingos. Mas ambas as práticas podem levar à mesma coisa: crentes entediados e desiludidos, repetindo gestos e rituais vazios da vida com o Pai. […]

[…] Quando você chega à conclusão de que a rotina que o consome não contribui substancialmente para o seu desejo de conhecer melhor a Deus, algumas coisas incríveis podem ocorrer. Aguentar o mesmo programa, semana após semana, é duro. Você não está cansado de se ver, ano após ano, caindo nas mesmas tentações, rezando as mesmas orações não atendidas e não vendo provas de que está reconhecendo a voz de Deus com uma clareza crescente?

– Estou cansado, sim. – Eu mesmo fiquei surpreso com a rapidez com que a resposta me saltou dos lábios e com a frustração que acompanhou as palavras. – Então por que todos nós fazemos isso?

– Essa resposta, Jake, vai fazer você se conhecer melhor. Por enquanto, seja honesto em relação ao seu tédio e à sua desilusão. E tenha a certeza de que o Pai nunca desistiu do desejo de compartilhar da amizade que você experimentou aos 13 anos.

Excerto de uma conversa travada entre Jake Colsen e João, no livro “Por que você não quer mais ir à igreja?” (negritados por minha conta)

Estou realmente me deliciando com a leitura. É profunda e sensível ao expor experiências eclesiais que muitas vezes reprimimos ou abafamos em nome de uma espiritualidade forçada, de uma comunidade forjada e de um sistema destrutivo.

Saibam mais sobre visitando o hotblog do livro; clique aqui!

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Adeus, igreja?

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[…] Não há nada que o Pai deseje mais do que nos ver cair diretamente no colo do Seu amor e de lá nunca mais sair. O plano de Deus, desde a Criação, foi pensado para trazer as pessoas à relação de amor que o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm compartilhado ao longo da eternidade. Ele não deseja nada mais além disso! Você sabe que Deus não é um ser imponente e distante que enviou seu Filho com uma lista de regras a obedecer e rituais a praticar. A missão de Jesus era nos convidar para o amor, para a relação com Deus Pai descrita por ele. Mas o que fizemos? Transformamos a mensagem fundamental de amor em uma instituição, em poder, em trabalho, em culpa, em conformismo e manipulação. Tudo isso soterrou o verdadeiro amor. Em Éfeso, a Igreja estava formando falsos professores. Na Galácia, conseguiu que todos observassem práticas do Antigo Testamento. Atualmente vem convencendo as pessoas a cooperarem com seus programas, sem perceber quanto essas práticas as distanciam da vida com Deus. É mais fácil perceber o problema quando se trata da circuncisão em Éfeso do que quando se trata de ir á missa aos domingos. Mas ambas as práticas podem levar à mesma coisa: crentes entediados e desiludidos, repetindo gestos e rituais vazios da vida com o Pai. […]

[…] Quando você chega à conclusão de que a rotina que o consome não contribui substancialmente para o seu desejo de conhecer melhor a Deus, algumas coisas incríveis podem ocorrer. Aguentar o mesmo programa, semana após semana, é duro. Você não está cansado de se ver, ano após ano, caindo nas mesmas tentações, rezando as mesmas orações não atendidas e não vendo provas de que está reconhecendo a voz de Deus com uma clareza crescente?

– Estou cansado, sim. – Eu mesmo fiquei surpreso com a rapidez com que a resposta me saltou dos lábios e com a frustração que acompanhou as palavras. – Então por que todos nós fazemos isso?

– Essa resposta, Jake, vai fazer você se conhecer melhor. Por enquanto, seja honesto em relação ao seu tédio e à sua desilusão. E tenha a certeza de que o Pai nunca desistiu do desejo de compartilhar da amizade que você experimentou aos 13 anos.

Excerto de uma conversa travada entre Jake Colsen e João, no livro “Por que você não quer mais ir à igreja?” (negritados por minha conta)

Estou realmente me deliciando com a leitura. É profunda e sensível ao expor experiências eclesiais que muitas vezes reprimimos ou abafamos em nome de uma espiritualidade forçada, de uma comunidade forjada e de um sistema destrutivo.

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As confissões de Frei Abóbora (4)

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– Agora, Zéfa, cante comigo, para festejarmos o meu aniversário. Faz de conta que estamos no seu lindo palácio, num salão enorme, cheio de armaduras reluzentes e que os círios iluminados circundam o vasto salão. Faz de conta que você e eu estamos caminhando de braços dados a distribuir sorrisos pelo ambiente superlotado de gente fina. Veja bem, minha rainha: de um lado estão todos os pederastas, putos, homossexuais, putas, rameiras, velhas cafonas, velhas ninfomaníacas, e toda uma corte de lama e podridão que lamberam a goiabada do meu corpo. E do outro, um bando de gente pobre sem rosto, sem significado, a quem pensei ter feito algum bem, em vez de ser bom… Façamos um leve inclinar respeitoso de cabeça a eles, pois que todos foram feitos à imagem do nosso bom Deus. Não somos nós quem iremos julgá-los, visto porque existem, porque saíram do genocídio de cromossomos que o próprio Deus permitiu que a natureza o fizesse.(…) Não cairá um só cabelo de sua cabeça sem que seja essa a vontade de Deus. Que mania de botar a culpa de tudo em Deus. Imaginem então que trabalheira Deus não deveria ter tido com os carecas. Maior parte do seu tempo passaria nisso e castigando os fabricantes de produtos de nascer cabelo… Bom, vamos soprar a vela e acabar com a festa. Assim que eu dizer flut-flupt, você canta comigo.

“Parabéns para mim
Nessa data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida…”

– Obrigado, obrigado, minha querida e linda amiguinha.

Ficou com os olhos cheios d’água contemplando o salão que se metamorfoseara de novo nas paredes esburacadas de um rancho e nos círios gigantescos que se fundiram no brilho minúsculo de dois olhos redondos de uma simples lagartixinha coscorenta. Baixou o rosto sobre as mãos e ficou sem vontade de mais nada.

José Mauro de Vasconcelos, em As confissões de Frei Abóbora (Melhoramentos)

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Religião e Repressão (1)

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“Os grupos “evangélicos” de hoje, ao contrário, não se preocupam com o destino da alma depois da morte. As pessoas não são convertidas para serem “salvas”. Elas se convertem para viver melhor esta vida. O que interessa é a vida antes da morte, neste mundo. O que se busca é a “benção”. Deus é o poder mágico que, se corretamente manipulado, conserta os estragos que o Diabo faz na vida de cada um.”

“Deus dá a nostalgia pelo voo.
As religiões constroem gaiolas.
Quando o voo se transforma em gaiolas, isso é idolatria.”

Rubem Alves, em Religião e Repressão (Teológica).

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