NÃO ERA VOCE QUE EU ESPERAVA

As confissões de Frei Abóbora

1

– Não há dúvida que Você fez as coisas muito bonitas…
Silêncio do lado de lá.
– Ontem foi horrível, não?
Novo silêncio. Parecia que Ele estava gozando o seu encabulamento. Tentou desculpar-se.
– Mas que foi duro, foi. Talvez eu tenha sido um pouco precipitado.
Uma rajada de vendo abateu-se sobre o rio, a canoa e o seu rosto. Parecia até que o vento perguntava:
– Um pouquinho?
– Bem. Mas no meu lugar o que é que Você faria? Diga!
Não veio resposta, mas aquele vento queria dizer que do outro lado as coisas estavam receptivas. Remou mais e olhou o encantamento da paisagem, reconhecidamente.
– Obrigado. Mas eu tinha que desabafar. Jurei na minha vida confessar tudo que fizesse, do mais triste, do mais escuso, do mais feio. Tudo não passou de um desabafo, uma confissão. Depois, se eu não brigar com Você, com quem vou brigar nesse abandono todo?
Ficou com os olhos molhados, como um bobo. Remava sem jeito e espiava para o alto.
– Juro que eu não tenho mais raiva de Você. Nem que O detesto. Sabe, Deusão, Você é um sujeito formidável! Formidável mesmo. A gente precisa ter muita paciência às vezes com Você. Mas, vá lá. Eu perdoo tudo. Não estou mais zangado. Eu perdoo Você de coração…
Aí veio uma alegria imensa. O vento desceu para afastar os mosquitos. O rio correu mais para que Hermenegilda não se tornasse tão obtusa. E tudo ficou mais lindo porque Deus, sentindo-se perdoado, estava contente da vida. E saíram rio abaixo muito amigos de novo. Frei Abóbora na sua canoa dura e Deus remando a solidão dos homens.

José Mauro de Vasconcelos, em As confissões de Frei Abóbora (Melhoramentos)

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As confissões de Frei Abóbora

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– Não há dúvida que Você fez as coisas muito bonitas…
Silêncio do lado de lá.
– Ontem foi horrível, não?
Novo silêncio. Parecia que Ele estava gozando o seu encabulamento. Tentou desculpar-se.
– Mas que foi duro, foi. Talvez eu tenha sido um pouco precipitado.
Uma rajada de vendo abateu-se sobre o rio, a canoa e o seu rosto. Parecia até que o vento perguntava:
– Um pouquinho?
– Bem. Mas no meu lugar o que é que Você faria? Diga!
Não veio resposta, mas aquele vento queria dizer que do outro lado as coisas estavam receptivas. Remou mais e olhou o encantamento da paisagem, reconhecidamente.
– Obrigado. Mas eu tinha que desabafar. Jurei na minha vida confessar tudo que fizesse, do mais triste, do mais escuso, do mais feio. Tudo não passou de um desabafo, uma confissão. Depois, se eu não brigar com Você, com quem vou brigar nesse abandono todo?
Ficou com os olhos molhados, como um bobo. Remava sem jeito e espiava para o alto.
– Juro que eu não tenho mais raiva de Você. Nem que O detesto. Sabe, Deusão, Você é um sujeito formidável! Formidável mesmo. A gente precisa ter muita paciência às vezes com Você. Mas, vá lá. Eu perdoo tudo. Não estou mais zangado. Eu perdoo Você de coração…
Aí veio uma alegria imensa. O vento desceu para afastar os mosquitos. O rio correu mais para que Hermenegilda não se tornasse tão obtusa. E tudo ficou mais lindo porque Deus, sentindo-se perdoado, estava contente da vida. E saíram rio abaixo muito amigos de novo. Frei Abóbora na sua canoa dura e Deus remando a solidão dos homens.

José Mauro de Vasconcelos, em As confissões de Frei Abóbora (Melhoramentos)

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A caverna (5)

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“São os velhos que em cada hora envelhecem um dia, é o trabalho que deixou de ser o que havia sido, e nós que só podemos ser o que fomos.”

“Enquanto houver vida, haverá esperança.”

“As demonstrações de afecto, para serem viris, têm de ser rápidas, instantâneas.”

“Há certas coisas que se chegam a dizer-se uma vez é para nunca mais.”

“Na vida tudo são fardas, o corpo só é civil verdadeiramente quando está despido.”

José Saramago, em A caverna (Companhia das Letras).

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A caverna (5)

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“São os velhos que em cada hora envelhecem um dia, é o trabalho que deixou de ser o que havia sido, e nós que só podemos ser o que fomos.”

“Enquanto houver vida, haverá esperança.”

“As demonstrações de afecto, para serem viris, têm de ser rápidas, instantâneas.”

“Há certas coisas que se chegam a dizer-se uma vez é para nunca mais.”

“Na vida tudo são fardas, o corpo só é civil verdadeiramente quando está despido.”

José Saramago, em A caverna (Companhia das Letras).

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Viciados em Mediocridade (1)

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“Nas Escrituras, Deus nos deixou a igreja como instituição para servir a um propósito digno e verdadeiro. No entanto, a ansiedade por programas e atividades da igreja de hoje mais parece uma combinação entre programação de clube de golfe, sociedade de boliche, campeonato de escola dominical, culto inspirativo, mensagem-comunhão-propaganda sobre Jesus e máquina de fazer crescer-tudo numa coisa só. Não lembra muito a instituição sobre a qual lemos no Novo Testamento. Na maioria das vezes, o nível de ensino é tão superficial, repetitivo e sem valor, que tende a ser mais destrutivo do que benéfico.”

Frank Schaeffer, em Viciados em Mediocridade (W4).

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