Lavvi

Venenos de Deus, remédios do Diabo (1)

0

“-Cure-me de sonhar, Doutor.
– Sonhar é uma cura.
– Um sonhadeiro anda por aí, por lonjuras e aventuras, sei lá fazendo o quê e com quem…Não haverá um remédio que me anule o sonho?
O médico ri-se, sacudindo a cabeça. Retira da sacola o estetoscópio, mas o doente, mal pressente a intenção, ergue-se, esquivo. Sidónio deixa escapar o aparelho que tomba entre chaves de fenda, alicates e apetrechos do ex-mecânico. Bartolomeu espreita de lado, com desconfiança de bicho:
– Todos elogiam o sonho, que é o compensar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa viver para descansar dos sonhos.
– Sonhar só o faz ficar mais vivo.
– Para quê? Estou cansado de ficar vivo. Ficar vivo não é viver, Doutor.”

Mia Couto, em Venenos de Deus, remédios do Diabo (Companhia das Letras).

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Ler e esquecer

0
“Montaigne queixava-se a toda hora (queixava-se ou gabava-se) da sua falta de memória. Quanto a mim, acho isso uma ótima vantagem, por motivos óbvios. E, ao reler um livro, espanta-me e diverte-me o que relembro na hora, às vezes uma simples frase, um gesto, um acidente mínimo.
Mas por que exatamente essas e não outras coisas?
Seria o caso de fazer uma auto-análise, pesquisando a natureza dessas fixações. E, como além da desmemória, a minha outra qualidade é a preguiça, deixo aqui a sugestão aos especialistas.
E continuarei sempre a ler, com a alegria de um descobrimento, o velho Machado, Tchekov, Dostoiévski e outros rapazes eternamente jovens.”

Mário Quintana, Porta Giratória, Ed. Globo

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Ler e esquecer

0
“Montaigne queixava-se a toda hora (queixava-se ou gabava-se) da sua falta de memória. Quanto a mim, acho isso uma ótima vantagem, por motivos óbvios. E, ao reler um livro, espanta-me e diverte-me o que relembro na hora, às vezes uma simples frase, um gesto, um acidente mínimo.
Mas por que exatamente essas e não outras coisas?
Seria o caso de fazer uma auto-análise, pesquisando a natureza dessas fixações. E, como além da desmemória, a minha outra qualidade é a preguiça, deixo aqui a sugestão aos especialistas.
E continuarei sempre a ler, com a alegria de um descobrimento, o velho Machado, Tchekov, Dostoiévski e outros rapazes eternamente jovens.”

Mário Quintana, Porta Giratória, Ed. Globo

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Decepcionado com Deus

0

“Os santos tornam-se santos por, de alguma forma, apegarem-se à indômita convicção de que as coisas não são como parecem, e que o mundo invisível é tão sólido e confiável quanto o mundo visível ao seu redor. “Homens dos quais o mundo não era digno”, conclui Hebreus 11 acerca do surpreendente grupo de pessoas que reuniu, acrescentando este intrigante comentário: “Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus.” Para mim, aquela frase dá um giro de 180 graus no comentário de Dorothy Sayer quanto às três grandes humilhações de Deus – a Igreja, em especial, tem causado vergonha para Deus, mas também tem lhe trazido momentos de orgulho, e os desolados santos de Hebreus 11 mostram como.”

Philip Yancey, em Decepcionado com Deus.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Decepcionado com Deus

0

“Os santos tornam-se santos por, de alguma forma, apegarem-se à indômita convicção de que as coisas não são como parecem, e que o mundo invisível é tão sólido e confiável quanto o mundo visível ao seu redor. “Homens dos quais o mundo não era digno”, conclui Hebreus 11 acerca do surpreendente grupo de pessoas que reuniu, acrescentando este intrigante comentário: “Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus.” Para mim, aquela frase dá um giro de 180 graus no comentário de Dorothy Sayer quanto às três grandes humilhações de Deus – a Igreja, em especial, tem causado vergonha para Deus, mas também tem lhe trazido momentos de orgulho, e os desolados santos de Hebreus 11 mostram como.”

Philip Yancey, em Decepcionado com Deus.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Go to Top