Uma Sombra na Escuridão

Ortodoxia (2)

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“A inteligência é um bom exemplo daquela inteligência moderna que destrói a si mesma, se é que destrói a alguma coisa. A evolução ou é uma descrição científica inocente de como certas coisas terrenas aconteceram; ou então, se for algo mais que isso, é um ataque contra o próprio pensamento. Se há uma coisa que a evolução destrói, essa coisa não é a religião, mas sim o racionalismo. Se evolução simplesmente significa que algo positivo chamado macaco transformou-se lentamente em algo positivo chamado homem, então ela é inofensiva para o mais ortodoxo; pois um Deus pessoal poderia muito bem criar coisas de modo lento ou rápido, especialmente se, como no caso do Deus cristão, ele estivesse situado fora do tempo.
Mas se evolução significa algo mais que isso, então quer dizer que não existe algo como o macaco para mudar, e formar. Significa que não existe algo como uma coisa. Na melhor das hipóteses, só existe uma coisa, que é um fluxo de tudo e qualquer coisa. Isso constitui um ataque não contra a fé, mas contra a mente humana; você não pode pensar se não existem coisas sobre as quais pensar. Você não pode pensar se não está separado do assunto do pensamento. Descartes disse: “Penso; logo, existo”. O filósofo evolucionista inverte e negativiza o epigrama e diz: “Não existo; porntanto, não posso pensar”.

G.K. Chesterton, em “Ortodoxia”.

Em ano de Darwin, Chesterton.

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Estante virtual

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Um meio interessante para compartilhar as leituras e obter informações a respeito das obras é o cadastro do Skoob, onde é possível montar uma estante virtual (com o que leu, o que está lendo e o que pretende ler), fazer resenhas e dar opiniões. Já montei a minha.

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A caverna (6)

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“Nas circum-navegações da vida uma brisa amena para uns pode ser para outros uma tempestade mortal, tudo depende do calado do barco e do estado das velas.”

“Nunca devemos nos sentir seguros daquilo que pensamos ser porque, nesse momento, poderá muito bem suceder que já estejamos a ser coisa diferente.”

“Se é que ainda há inocência nesse lugar do mundo a que chamamos cama.”

“As coisas, às vezes, correm mal, mas depois vem um dia que só traz notícias boas.”

“Cavalo coxo não leva recados, ou, se os leva, arrisca-se a deixá-los pelo caminho.”

José Saramago, em A caverna (Companhia das Letras).

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Livro sobre nada (2)

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“Meu irmão veio correndo mostrar um brinquedo que inventara com as palavras.Era assim:
Besouros não trepam no abstrato.

“Quem ama exerce Deus – a mãe disse.Uma açucena me ama.Uma açucena exerce Deus?”

“A voz do meu avô arfa.Estava com um livro debaixo dos olhos.Vô! o livro está de cabeça pra baixo.Estou deslendo.”

“Hoje completei dez anos.Fabriquei um brinquedo com palavras.Minha mãe gostou.É assim:
De noite o silêncio estica os lírios.

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A caverna (6)

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“Nas circum-navegações da vida uma brisa amena para uns pode ser para outros uma tempestade mortal, tudo depende do calado do barco e do estado das velas.”

“Nunca devemos nos sentir seguros daquilo que pensamos ser porque, nesse momento, poderá muito bem suceder que já estejamos a ser coisa diferente.”

“Se é que ainda há inocência nesse lugar do mundo a que chamamos cama.”

“As coisas, às vezes, correm mal, mas depois vem um dia que só traz notícias boas.”

“Cavalo coxo não leva recados, ou, se os leva, arrisca-se a deixá-los pelo caminho.”

José Saramago, em A caverna (Companhia das Letras).

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