Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

O mundo de Sofia (2)

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“Depois de pensar um pouco sobre o fato de existir, Sofia não pôde deixar de pensar também que um dia desapareceria.
Estou vivendo no mundo agora, pensou. Mas um dia terei desaparecido.
Será que havia via após a morte? Também sobre esta questão o gato não fazia a menor idéia.
Há pouco tempo a avó de Sofia tinha morrido. Por mais de meio ano, Sofia sentia todos os dias a falta que sua avó lhe fazia. Não era injusto que um dia a vida tivesse um fim?”

Jostein Gaarder, em O mundo de Sofia (Cia. das Letras)

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O mundo de Sofia (2)

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“Depois de pensar um pouco sobre o fato de existir, Sofia não pôde deixar de pensar também que um dia desapareceria.
Estou vivendo no mundo agora, pensou. Mas um dia terei desaparecido.
Será que havia via após a morte? Também sobre esta questão o gato não fazia a menor idéia.
Há pouco tempo a avó de Sofia tinha morrido. Por mais de meio ano, Sofia sentia todos os dias a falta que sua avó lhe fazia. Não era injusto que um dia a vida tivesse um fim?”

Jostein Gaarder, em O mundo de Sofia (Cia. das Letras)

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Personagens à margem do trabalho

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Por Carlos Serapião Jr.

Eu sempre quis romances sobre o mundo do trabalho, por isso me apaixonei por “business novels”

Estou lendo um romance de negócios russo chamado “Bolshaia Payka“, que em português seria “A grande tacada”. Publicado em 2004, é considerado, conforme atesta o subtítulo, “O primeiro verdadeiro romance de negócios russo”. Yuly Dubov, o autor, diz no prefácio ter se baseado largamente em fatos reais, embora com nomes de pessoas, instituições e lugares alterados.

O gênero “romance de negócios” me atrai há anos, desde quando li “O desafio do primeiro negócio” (“The venture“), de Jeff Cox. Em seguida li “A meta” (“The goal”), de Eliyahu Goldratt e Jeff Cox; “Selling the wheel” (ainda não publicado no Brasil), de Jeff Cox e Howard Stevens; “Corrente crítica” (“Critical Chain”), de E. Goldratt; e “How I gave my heart to the restaurant business” (tampouco publicado no Brasil), de Karen Hubert Allison.

No Brasil, li o maravilhoso “O segredo de Luísa“, de Fernando Dolabela, sobre empreendedorismo. Há também três excelentes romances brasileiros sobre o mercado de capitais, de Ivan Sant´anna: “Rapina“, “Plano de ataque” e “Os mercadores da noite“.

O gênero “business novel” nasceu no Japão pós-Segunda Guerra, com propósito didático e de entretenimento, ambientado no mundo corporativo local. Há, hoje em dia, dois tipos de romance de negócios. De um lado, os de caráter didático, sem deixar de ser entretenimento. De outro, os de entretenimento ambientado no mundo dos negócios. A rigor, nos EUA, como no Japão, a “business novel” refere-se sobretudo ao primeiro tipo.

Em 2005, aventurei-me, como amador no gênero, com “Dinheiro rápido” (RG Editores). Não abordei um tema específico de Administração, e sim desenvolvi uma aventura internacional em que os personagens são empresários precisando desesperadamente de dinheiro. “A grande tacada” tampouco tem fim didático e é também um “thriller” de negócios, da família de “bestsellers” de autores como Christopher Reich, Morris West, Michael Crichton e John Grisham.

Sempre me impressionou, na literatura brasileira, seu distanciamento do mundo do trabalho, dos negócios, da produção numa sociedade capitalista. É como se trabalho e dinheiro não fossem temas à altura da literatura. Creio ser isso herança de uma sociedade que se formou com base no trabalho escravo, em que o acesso à educação restringia-se aos filhos e apaniguados da aristocracia. Repassemos alguns de nossos autores clássicos e seus personagens: Machado de Assis (Bentinho e Capitu, Brás Cubas, Conselheiro Aires), Guimarães Rosa (sertanejos e cangaceiros), Clarice Lispector (mulheres com dramas interiores), Graciliano Ramos (exluídos e miseráveis), Jorge Amado (a Bahia exótica e sensual), Rubem Fonseca (criminosos simpáticos) e assim por diante. Ninguém trabalha, é como se um sistema econômico invisível estivesse sustentando esses personagens, enquanto eles vivem suas respectivas histórias individuais.

No fundo, esse problema é bem mais complexo, e sugiro, a propósito, o maravilhoso “Ao vencedor as batatas“, de Roberto Schwarz. E concluo modestamente dizendo que, como empresário e leitor de romances, sempre senti falta de romances brasileiros ambientados no mundo da produção e sobre questões a este relacionadas. Por isso, me apaixonei pela “business novel”, devido ao cruzamento ali dos dois mundos a que pertenço: literatura e negócios, não necessariamente nessa ordem.

Fonte: Amanhã
Imagem: Jeff Cox

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Personagens à margem do trabalho

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Por Carlos Serapião Jr.

Eu sempre quis romances sobre o mundo do trabalho, por isso me apaixonei por “business novels”

Estou lendo um romance de negócios russo chamado “Bolshaia Payka“, que em português seria “A grande tacada”. Publicado em 2004, é considerado, conforme atesta o subtítulo, “O primeiro verdadeiro romance de negócios russo”. Yuly Dubov, o autor, diz no prefácio ter se baseado largamente em fatos reais, embora com nomes de pessoas, instituições e lugares alterados.

O gênero “romance de negócios” me atrai há anos, desde quando li “O desafio do primeiro negócio” (“The venture“), de Jeff Cox. Em seguida li “A meta” (“The goal”), de Eliyahu Goldratt e Jeff Cox; “Selling the wheel” (ainda não publicado no Brasil), de Jeff Cox e Howard Stevens; “Corrente crítica” (“Critical Chain”), de E. Goldratt; e “How I gave my heart to the restaurant business” (tampouco publicado no Brasil), de Karen Hubert Allison.

No Brasil, li o maravilhoso “O segredo de Luísa“, de Fernando Dolabela, sobre empreendedorismo. Há também três excelentes romances brasileiros sobre o mercado de capitais, de Ivan Sant´anna: “Rapina“, “Plano de ataque” e “Os mercadores da noite“.

O gênero “business novel” nasceu no Japão pós-Segunda Guerra, com propósito didático e de entretenimento, ambientado no mundo corporativo local. Há, hoje em dia, dois tipos de romance de negócios. De um lado, os de caráter didático, sem deixar de ser entretenimento. De outro, os de entretenimento ambientado no mundo dos negócios. A rigor, nos EUA, como no Japão, a “business novel” refere-se sobretudo ao primeiro tipo.

Em 2005, aventurei-me, como amador no gênero, com “Dinheiro rápido” (RG Editores). Não abordei um tema específico de Administração, e sim desenvolvi uma aventura internacional em que os personagens são empresários precisando desesperadamente de dinheiro. “A grande tacada” tampouco tem fim didático e é também um “thriller” de negócios, da família de “bestsellers” de autores como Christopher Reich, Morris West, Michael Crichton e John Grisham.

Sempre me impressionou, na literatura brasileira, seu distanciamento do mundo do trabalho, dos negócios, da produção numa sociedade capitalista. É como se trabalho e dinheiro não fossem temas à altura da literatura. Creio ser isso herança de uma sociedade que se formou com base no trabalho escravo, em que o acesso à educação restringia-se aos filhos e apaniguados da aristocracia. Repassemos alguns de nossos autores clássicos e seus personagens: Machado de Assis (Bentinho e Capitu, Brás Cubas, Conselheiro Aires), Guimarães Rosa (sertanejos e cangaceiros), Clarice Lispector (mulheres com dramas interiores), Graciliano Ramos (exluídos e miseráveis), Jorge Amado (a Bahia exótica e sensual), Rubem Fonseca (criminosos simpáticos) e assim por diante. Ninguém trabalha, é como se um sistema econômico invisível estivesse sustentando esses personagens, enquanto eles vivem suas respectivas histórias individuais.

No fundo, esse problema é bem mais complexo, e sugiro, a propósito, o maravilhoso “Ao vencedor as batatas“, de Roberto Schwarz. E concluo modestamente dizendo que, como empresário e leitor de romances, sempre senti falta de romances brasileiros ambientados no mundo da produção e sobre questões a este relacionadas. Por isso, me apaixonei pela “business novel”, devido ao cruzamento ali dos dois mundos a que pertenço: literatura e negócios, não necessariamente nessa ordem.

Fonte: Amanhã
Imagem: Jeff Cox

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Ostra feliz não faz pérola (13)

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“De Camus, o livro que mais amo – e por isso mesmo releio sempre – são os seus cadernos da juventude. Nietzsche também colecionava conchinhas que ele transformava em aforismos. O que torna a conchinha importante não é o seu tamanho, mas o fato de que alguém a cata da areia e mostra para quem não a viu. Literatura é mostrar conchinhas.”

“Há explicações que são piores que uma ofensa…”

“Se convivemos bem com nossos rostos diferentes, por que haveríamos de querer que nossas ideias fossem iguais? Experimentar a diferença de ideias mansamente é uma das evidências da amizade.”

“Uma das alegrias da literatura está em que ela cria a possibilidade de estabelecer conversas mansas com pessoas ausentes e mesmo mortas.”

“Atenção: Kierkgaard, a origem dos nossos males está na comparação” (Camus).

Rubem Alves, em Ostra feliz não faz pérola (Planeta).

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