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Mais de 20% dos municípios não tinham bibliotecas públicas em 2009

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Censo sobre as bibliotecas públicas municipais foi feito pela FGV. Ministério diz que em algumas cidades já houve implementação.

Eduardo Bresciani
Do G1, em Brasília

Bibliotecas Públicas (Foto: Renato Araujo/ABr)

O Ministério da Cultura divulgou nesta sexta-feira (30) um censo sobre as bibliotecas públicas municipais em todo o Brasil. O estudo foi realizado no ano de 2009 e constatou que 21% dos municípios não têm o serviço.

O Ministério da Cultura esclarece que em alguns casos pode ter havido a implantação após a realização do censo. A pesquisa foi realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido do ministério. O levantamento aconteceu entre setembro e novembro do ano passado. Foram 4905 municípios visitados e outros 660 monitorados por telefone.

Segundo os dados do estudo, existem 4.763 bibliotecas públicas em 4.413 municípios e 1.152 cidades estavam sem este serviço no ano passado. O censo aponta que em 13% dos municípios brasileiros haviam espaços em implementação ou em processo de reabertura. Em 8% das cidades, no entanto, as bibliotecas estavam fechadas ou nunca existiram e não havia previsão de abertura.

De acordo com o levantamento, o estado do Tocantins é o que tem a maior proporção de bibliotecas por habitantes. São 100 bibliotecas públicas no estado que tem população estimada em cerca de 1,29 milhão. Na sequência aparecem os estados de Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

A pior proporção acontece no Amazonas, onde há apenas 24 bibliotecas públicas em um estado com mais de 3,3 milhões de habitantes. Também tem uma proporção baixa o Distrito Federal e os estados de Rio de Janeiro e Acre.

Em relação aos municípios, a cidade de Barueri (SP), é a que tem mais bibliotecas em proporção a população. São 11 espaços na cidade de 270 mil habitantes. Na segunda colocação aparece Curitiba, que tem 55 bibliotecas públicas e uma população de cerca de 1,8 milhão.

Pode parecer incrível, mas alguns gestores se recusam a receber uma biblioteca pública. Então é preciso fazer um trabalho de conscientização”Fabiano Piúba

O diretor de livro, leitura e literatura do Ministério, Fabiano Piúba, destaca que a responsabilidade pela implementação de bibliotecas não é apenas da União, mas também dos municípios. Ele destaca que é necessário criar uma lei municipal e disponibilizar recursos para a manutenção para que a cidade receba uma biblioteca. Piúba afirma que o ministério já recebeu respostas negativas de pelo menos cinco prefeitos em relação a criação destes espaços. “Pode parecer incrível, mas alguns gestores se recusam a receber uma biblioteca pública. Então é preciso fazer um trabalho de conscientização”. Piúba não revelou que prefeitos se recusaram a receber o espaço.

O censo mostra que as bibliotecas públicas emprestam, em média, 296 livros por mês. Quase a metade das bibliotecas existentes (45%) tem computador com acesso a internet, mas somente 29% oferecem este serviço para a população. O levantamento mostra que 65% dos usuários utilizam as bibliotecas públicas para pesquisas escolares.

Segundo a pesquisa, somente 12% das bibliotecas existentes estão abertas aos sábados e somente 1% está à disposição também no domingo. Somente 24% delas ficam abertas no período noturno no meio da semana. A pesquisa mostrou ainda que 84% dos dirigentes destas bibliotecas são mulheres e 57% dos dirigentes têm ensino superior.

O censo afirma que 91% das bibliotecas não possuem condições de acessibilidade para pessoas com deficiência visual e 94% não tem serviços para permitir o acesso de pessoas com demais necessidades especiais.

O levantamento mostra ainda que 83% do acervo das bibliotecas é proveniente de doações. Em 13% das bibliotecas o acervo é inferior a 2 mil volumes e em 35% das bibliotecas o acervo está entre 2 e 5 mil volumes. Em 25% das bibliotecas os usuários podem ter acesso a mais de 10 mil volumes.

O Ministério da Cultura lançou nesta sexta-feira um edital para dar apoio às bibliotecas públicas municipais. Segundo a pasta, serão investidos R$ 30,6 milhões em 300 bibliotecas para a modernização de equipamentos, construção de espaços e adequação dos locais a portadores de deficiência.

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Um agradável e polêmico incentivo à leitura

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Em duas palestras em Pernambuco, o blogueiro Sérgio Pavarini despertou o interesse de centenas de jovens a começar a ler. Seja lá por onde for!

Um convite à leitura bem tentador. Foi esta a opinião da maioria das pessoas que acompanharam as palestras do jornalista e blogueiro Sérgio Pavarini em Pernambuco. Em dois dias, ele falou para cerca de 350 pessoas em duas igrejas Presbiterianas no Recife e em Jaboatão dos Guararapes, atiçando o interesse dos jovens pela descoberta dos livros.

A expectativa pelas palestras foi grande. Na semana que antecedeu o Megafone – evento direcionado para jovens e adolescentes na Igreja Presbiteriana da Madalena, no Recife, e o Plano B, realizado pela Igreja Presbiteriana de Candeias, em Jaboatão, houve mais de 200 citações sobre a participação do jornalista somente no microblog Twitter. A divulgação estimulou o público, que se mostrou ansioso para ouvir e questionar o polêmico Pavarini.

E ele não decepcionou. Descontraído e bem à vontade, o blogueiro começou a palestra apresentando sua profissão, o que logo despertou a curiosidade dos jovens internautas: “Como é que se ganha dinheiro com blog?” – foi uma das perguntas já esperadas por Pavarini. “Construindo relacionamentos”, respondeu.

Mas o objetivo ali era mesmo estimular a leitura, independentemente do contexto da igreja. Sérgio Pavarini comentou sobre o mercado literário brasileiro, mostrando exemplos religiosos e seculares, e falou da sua paixão sobre a literatura. “Meu pai me incentivava a ler, e acho que isso foi fundamental para formar o meu gosto pela leitura. Quando era adolescente viajava até 500 km para conseguir chegar a uma boa livraria evangélica. Me sentia limitado pelas opções, mas não me acomodei. Continuei buscando. Muitas vezes a comida está ao alcance das pessoas, e mesmo assim ainda existe gente desnutrida. É assim com o conhecimento. É questão de prioridade. A leitura é capaz de vencer a ignorância”, garantiu.

Na ocasião, Pavarini também falou sobre a criação do Mob de Leitura. Um movimento, criado por ele, dedicado a incentivar as pessoas a lerem mais. A cada mês, os participantes enviam o nome dos livros e a quantidade de páginas lidas e concorrem a outros livros. Segundo Pavarini, já foram sorteados mais de 130 livros, beneficiando todos os participantes. “Corro atrás de livros com as editoras para fazer os sorteios, mas se não conseguir, mando algum do meu próprio acervo”, afirmou.

A apresentação do jornalista despertou várias dúvidas entre os participantes e o debate teve as mais diversas perguntas. Pavarini foi questionado desde como despertar o interesse pela leitura até o “risco” de ler livros escritos por autores não cristãos. “Comece a ler por algo que você goste, que lhe interesse. Senão, não vai funcionar. Aos poucos você vai começar a perceber a diferença entre um livro bom e um livro ruim. Essa, sim, é a principal questão, pois se a sua fé é abalada por um livro, isso pode significar que ela não é tão firme. Não é um livro que pode desviá-la”, argumentou o jornalista.

As duas horas de apresentação e debates fizeram com que os jovens mudassem o conceito que tinham sobre a leitura, e muitos deles aceitaram o desafio de mudar, proposto por Sérgio Pavarini. “Deus usou um livro como principal fonte de comunicação conosco. Que prova maior para saber que ele quer o nosso interesse pelo conhecimento?”, finalizou. Leia +.

Isly Viana, no Portal Cristianismo Criativo

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Um agradável e polêmico incentivo à leitura

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Em duas palestras em Pernambuco, o blogueiro Sérgio Pavarini despertou o interesse de centenas de jovens a começar a ler. Seja lá por onde for!

Um convite à leitura bem tentador. Foi esta a opinião da maioria das pessoas que acompanharam as palestras do jornalista e blogueiro Sérgio Pavarini em Pernambuco. Em dois dias, ele falou para cerca de 350 pessoas em duas igrejas Presbiterianas no Recife e em Jaboatão dos Guararapes, atiçando o interesse dos jovens pela descoberta dos livros.

A expectativa pelas palestras foi grande. Na semana que antecedeu o Megafone – evento direcionado para jovens e adolescentes na Igreja Presbiteriana da Madalena, no Recife, e o Plano B, realizado pela Igreja Presbiteriana de Candeias, em Jaboatão, houve mais de 200 citações sobre a participação do jornalista somente no microblog Twitter. A divulgação estimulou o público, que se mostrou ansioso para ouvir e questionar o polêmico Pavarini.

E ele não decepcionou. Descontraído e bem à vontade, o blogueiro começou a palestra apresentando sua profissão, o que logo despertou a curiosidade dos jovens internautas: “Como é que se ganha dinheiro com blog?” – foi uma das perguntas já esperadas por Pavarini. “Construindo relacionamentos”, respondeu.

Mas o objetivo ali era mesmo estimular a leitura, independentemente do contexto da igreja. Sérgio Pavarini comentou sobre o mercado literário brasileiro, mostrando exemplos religiosos e seculares, e falou da sua paixão sobre a literatura. “Meu pai me incentivava a ler, e acho que isso foi fundamental para formar o meu gosto pela leitura. Quando era adolescente viajava até 500 km para conseguir chegar a uma boa livraria evangélica. Me sentia limitado pelas opções, mas não me acomodei. Continuei buscando. Muitas vezes a comida está ao alcance das pessoas, e mesmo assim ainda existe gente desnutrida. É assim com o conhecimento. É questão de prioridade. A leitura é capaz de vencer a ignorância”, garantiu.

Na ocasião, Pavarini também falou sobre a criação do Mob de Leitura. Um movimento, criado por ele, dedicado a incentivar as pessoas a lerem mais. A cada mês, os participantes enviam o nome dos livros e a quantidade de páginas lidas e concorrem a outros livros. Segundo Pavarini, já foram sorteados mais de 130 livros, beneficiando todos os participantes. “Corro atrás de livros com as editoras para fazer os sorteios, mas se não conseguir, mando algum do meu próprio acervo”, afirmou.

A apresentação do jornalista despertou várias dúvidas entre os participantes e o debate teve as mais diversas perguntas. Pavarini foi questionado desde como despertar o interesse pela leitura até o “risco” de ler livros escritos por autores não cristãos. “Comece a ler por algo que você goste, que lhe interesse. Senão, não vai funcionar. Aos poucos você vai começar a perceber a diferença entre um livro bom e um livro ruim. Essa, sim, é a principal questão, pois se a sua fé é abalada por um livro, isso pode significar que ela não é tão firme. Não é um livro que pode desviá-la”, argumentou o jornalista.

As duas horas de apresentação e debates fizeram com que os jovens mudassem o conceito que tinham sobre a leitura, e muitos deles aceitaram o desafio de mudar, proposto por Sérgio Pavarini. “Deus usou um livro como principal fonte de comunicação conosco. Que prova maior para saber que ele quer o nosso interesse pelo conhecimento?”, finalizou. Leia +.

Isly Viana, no Portal Cristianismo Criativo

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Um mundo num grão de areia (2)

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“Quem não sofre, quando há razões para isso, está doente. Se uma pessoa querida morre e o coração não sangra, se um golpe duro da vida atinge a quem se ama e os olhos não choram, se uma desgraça cai sobre o povo e a alma não fica triste, se o fogo consome as florestas e o corpo não queima também, é porque algo está errado com a gente.”

“Quem é feliz sempre, e nunca sofre, padece de uma grave enfermidade e precisa ser tratada a fim de aprender a sofrer. Sofrer pelas razões certas significa que estamos em contato com a realidade, que o corpo e a alma sentem a tristeza das perdas e que existe em nós o poder do amor. Só não sofrem, quando para isso há razões, aqueles que perderam a capacidade de amar. Toda experiência de amor traz, encolhida no seu ventre, à espera, a possibilidade de sofrer. Assim, a receita para não sofrer é muito simples: basta matar o amor.”

Rubem Alves, em Um mundo num grão de areia (Verus Editora).

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Uma Breve História do Mundo (6)

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“Jesus demonstrava um profundo sentimento pelos oprimidos: pelos que eram pobres, pelos que eram doentes e pelos que sofriam. Ele parecia defender os antigos valores judeus e a autoridade do Antigo Testamento, mas também tinha uma veia revolucionária. Anunciava que chegaria o dia em que “os últimos serão os primeiros” e os humildes seriam os mais poderosos. Essas não eram notícias tranquilizadoras para os que ocupavam posições de poder religioso e civil em Jerusalém.
As principais seitas e sinagogas judias não tinham certeza de como julgar esse profeta. Alguns se sentiam ameaçados por sua influência cada vez maior sobre as multidões; outros estavam compreensivelmente alarmados porque ele contestava a rigidez dos ensinamentos e o forte apego que tinham às centenas de antigas regras e rituais judeus. Havia ainda uma ameaça adicional: a de que ele levasse essa luta para dentro das sinagogas e desafiasse a credibilidade moral deles. Ele não temia críticas e era visto pelos governadores romanos como um subversor em potencial.”
Geoffrey Blainey, em Uma Breve História do Mundo (Fundamento)

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