Lavvi

Adeus, igreja?

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[…] Não há nada que o Pai deseje mais do que nos ver cair diretamente no colo do Seu amor e de lá nunca mais sair. O plano de Deus, desde a Criação, foi pensado para trazer as pessoas à relação de amor que o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm compartilhado ao longo da eternidade. Ele não deseja nada mais além disso! Você sabe que Deus não é um ser imponente e distante que enviou seu Filho com uma lista de regras a obedecer e rituais a praticar. A missão de Jesus era nos convidar para o amor, para a relação com Deus Pai descrita por ele. Mas o que fizemos? Transformamos a mensagem fundamental de amor em uma instituição, em poder, em trabalho, em culpa, em conformismo e manipulação. Tudo isso soterrou o verdadeiro amor. Em Éfeso, a Igreja estava formando falsos professores. Na Galácia, conseguiu que todos observassem práticas do Antigo Testamento. Atualmente vem convencendo as pessoas a cooperarem com seus programas, sem perceber quanto essas práticas as distanciam da vida com Deus. É mais fácil perceber o problema quando se trata da circuncisão em Éfeso do que quando se trata de ir á missa aos domingos. Mas ambas as práticas podem levar à mesma coisa: crentes entediados e desiludidos, repetindo gestos e rituais vazios da vida com o Pai. […]

[…] Quando você chega à conclusão de que a rotina que o consome não contribui substancialmente para o seu desejo de conhecer melhor a Deus, algumas coisas incríveis podem ocorrer. Aguentar o mesmo programa, semana após semana, é duro. Você não está cansado de se ver, ano após ano, caindo nas mesmas tentações, rezando as mesmas orações não atendidas e não vendo provas de que está reconhecendo a voz de Deus com uma clareza crescente?

– Estou cansado, sim. – Eu mesmo fiquei surpreso com a rapidez com que a resposta me saltou dos lábios e com a frustração que acompanhou as palavras. – Então por que todos nós fazemos isso?

– Essa resposta, Jake, vai fazer você se conhecer melhor. Por enquanto, seja honesto em relação ao seu tédio e à sua desilusão. E tenha a certeza de que o Pai nunca desistiu do desejo de compartilhar da amizade que você experimentou aos 13 anos.

Excerto de uma conversa travada entre Jake Colsen e João, no livro “Por que você não quer mais ir à igreja?” (negritados por minha conta)

Estou realmente me deliciando com a leitura. É profunda e sensível ao expor experiências eclesiais que muitas vezes reprimimos ou abafamos em nome de uma espiritualidade forçada, de uma comunidade forjada e de um sistema destrutivo.

Saibam mais sobre visitando o hotblog do livro; clique aqui!

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Adeus, igreja?

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[…] Não há nada que o Pai deseje mais do que nos ver cair diretamente no colo do Seu amor e de lá nunca mais sair. O plano de Deus, desde a Criação, foi pensado para trazer as pessoas à relação de amor que o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm compartilhado ao longo da eternidade. Ele não deseja nada mais além disso! Você sabe que Deus não é um ser imponente e distante que enviou seu Filho com uma lista de regras a obedecer e rituais a praticar. A missão de Jesus era nos convidar para o amor, para a relação com Deus Pai descrita por ele. Mas o que fizemos? Transformamos a mensagem fundamental de amor em uma instituição, em poder, em trabalho, em culpa, em conformismo e manipulação. Tudo isso soterrou o verdadeiro amor. Em Éfeso, a Igreja estava formando falsos professores. Na Galácia, conseguiu que todos observassem práticas do Antigo Testamento. Atualmente vem convencendo as pessoas a cooperarem com seus programas, sem perceber quanto essas práticas as distanciam da vida com Deus. É mais fácil perceber o problema quando se trata da circuncisão em Éfeso do que quando se trata de ir á missa aos domingos. Mas ambas as práticas podem levar à mesma coisa: crentes entediados e desiludidos, repetindo gestos e rituais vazios da vida com o Pai. […]

[…] Quando você chega à conclusão de que a rotina que o consome não contribui substancialmente para o seu desejo de conhecer melhor a Deus, algumas coisas incríveis podem ocorrer. Aguentar o mesmo programa, semana após semana, é duro. Você não está cansado de se ver, ano após ano, caindo nas mesmas tentações, rezando as mesmas orações não atendidas e não vendo provas de que está reconhecendo a voz de Deus com uma clareza crescente?

– Estou cansado, sim. – Eu mesmo fiquei surpreso com a rapidez com que a resposta me saltou dos lábios e com a frustração que acompanhou as palavras. – Então por que todos nós fazemos isso?

– Essa resposta, Jake, vai fazer você se conhecer melhor. Por enquanto, seja honesto em relação ao seu tédio e à sua desilusão. E tenha a certeza de que o Pai nunca desistiu do desejo de compartilhar da amizade que você experimentou aos 13 anos.

Excerto de uma conversa travada entre Jake Colsen e João, no livro “Por que você não quer mais ir à igreja?” (negritados por minha conta)

Estou realmente me deliciando com a leitura. É profunda e sensível ao expor experiências eclesiais que muitas vezes reprimimos ou abafamos em nome de uma espiritualidade forçada, de uma comunidade forjada e de um sistema destrutivo.

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As confissões de Frei Abóbora (4)

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– Agora, Zéfa, cante comigo, para festejarmos o meu aniversário. Faz de conta que estamos no seu lindo palácio, num salão enorme, cheio de armaduras reluzentes e que os círios iluminados circundam o vasto salão. Faz de conta que você e eu estamos caminhando de braços dados a distribuir sorrisos pelo ambiente superlotado de gente fina. Veja bem, minha rainha: de um lado estão todos os pederastas, putos, homossexuais, putas, rameiras, velhas cafonas, velhas ninfomaníacas, e toda uma corte de lama e podridão que lamberam a goiabada do meu corpo. E do outro, um bando de gente pobre sem rosto, sem significado, a quem pensei ter feito algum bem, em vez de ser bom… Façamos um leve inclinar respeitoso de cabeça a eles, pois que todos foram feitos à imagem do nosso bom Deus. Não somos nós quem iremos julgá-los, visto porque existem, porque saíram do genocídio de cromossomos que o próprio Deus permitiu que a natureza o fizesse.(…) Não cairá um só cabelo de sua cabeça sem que seja essa a vontade de Deus. Que mania de botar a culpa de tudo em Deus. Imaginem então que trabalheira Deus não deveria ter tido com os carecas. Maior parte do seu tempo passaria nisso e castigando os fabricantes de produtos de nascer cabelo… Bom, vamos soprar a vela e acabar com a festa. Assim que eu dizer flut-flupt, você canta comigo.

“Parabéns para mim
Nessa data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida…”

– Obrigado, obrigado, minha querida e linda amiguinha.

Ficou com os olhos cheios d’água contemplando o salão que se metamorfoseara de novo nas paredes esburacadas de um rancho e nos círios gigantescos que se fundiram no brilho minúsculo de dois olhos redondos de uma simples lagartixinha coscorenta. Baixou o rosto sobre as mãos e ficou sem vontade de mais nada.

José Mauro de Vasconcelos, em As confissões de Frei Abóbora (Melhoramentos)

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Religião e Repressão (1)

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“Os grupos “evangélicos” de hoje, ao contrário, não se preocupam com o destino da alma depois da morte. As pessoas não são convertidas para serem “salvas”. Elas se convertem para viver melhor esta vida. O que interessa é a vida antes da morte, neste mundo. O que se busca é a “benção”. Deus é o poder mágico que, se corretamente manipulado, conserta os estragos que o Diabo faz na vida de cada um.”

“Deus dá a nostalgia pelo voo.
As religiões constroem gaiolas.
Quando o voo se transforma em gaiolas, isso é idolatria.”

Rubem Alves, em Religião e Repressão (Teológica).

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C. S. Lewis, sobre a “bondade divina”

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O Amor, por sua natureza, exige o aperfeiçoamento do ser amado e […] a mera “bondade”, que a tudo tolera, exceto o sofrimento no objeto de sua bondade, é nesse aspecto o antípoda do Amor. […] O Amor pode perdoar todas as fraquezas e assim mesmo amar, a despeito delas, mas não pode deixar de querer que elas sejam eliminadas. O Amor é mais sensível que o próprio ódio a cada imperfeição no ser amado. […] De todos os poderes, ele é o que perdoa mais, porém o que menos fecha os olhos: ele se satisfaz com pouco, mas exige tudo.

Quando o Cristianismo afirma que Deus ama o ser humano, está querendo dizer que Deus ama o homem: não que Ele tenha alguma preocupação “desinteressada”— por ser indiferente — com respeito ao nosso bem-estar; mas que, de maneira assustadora e surpreendente, somos os objetos de seu amor. Você pediu um Deus amoroso: agora tem um. O grande ser que você invocou com alegria, o “senhor de temível aspecto”, está presente: não uma benevolência senil que preguiçosamente deseja que você seja feliz à sua maneira; não a fria filantropia de um juiz escrupuloso; tampouco os cuidados de um anfitrião que se sente responsável pela comodidade de seus convidados, mas Ele próprio o fogo a consumir-se, o Amor que criou os mundos; pertinaz como o amor do artista por sua obra e despótico como o amor de um homem por seu cão; providente e venerável como o amor de um pai por seu filho; ciumento e exigente como o amor entre os amantes. Como isso realmente se passa, ignoro. Está além da razão explicar isso por que alguma criatura, para não dizer criaturas como nós, deveria ter um valor tão prodigioso aos olhos de seu Criador. É decerto um fardo de glória não só além de nossos méritos, mas também, exceto raros momentos de graça, além de nossos desejos.

[…]

O problema de reconciliar o sofrimento humano com a existência de um Deus que ama só permanecerá insolúvel se atribuirmos um sentido corriqueiro à palavra “amor” e encararmos as coisas como se o homem fosse o centro delas. O homem não é o centro. Deus não existe para o bem do homem. O homem não existe para o próprio bem. “Criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas” [Ap 4.11]. Não fomos feitos em primeiro lugar para que possamos amar a Deus (embora tenhamos sido criados para isso também), mas para que Deus nos possa amar, para que possamos nos tornar algo em que o amor Divino possa repousar “plenamente satisfeito”. Pedir que o amor de Deus fique satisfeito conosco como somos é pedir que Deus deixe de ser Deus. Pelo fato de Ele ser o que é, Seu amor deverá, na natureza das coisas, ser impedido e repelido por certas nódoas em nosso caráter atual. E, pelo fato de já nos amar, Ele deverá trabalhar para nos tornar amáveis.

C. S. Lewis. O problema do sofrimento. São Paulo: Vida, 2006, p. 55,56,57,58.

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