Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

Por que você não quer mais ir à igreja? (3)

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Atravessei o saguão e fui ao encontro de João. Lá estava ele, diante do mural da nossa escola dominical, os olhos cravados nas letras garrafais que diziam, lá no alto: EU ME ALEGREI QUANDO ME DISSERAM: ENTREMOS NA CASA DO SENHOR.

– O que isso quer dizer? – ele perguntou, apontando as palavras com o indicador.

– Que devemos ficar felizes de estar na presença de Deus. – Sem querer, minha voz se elevou um pouco no fim da frase, fazendo com que minha resposta soasse mais como uma pergunta.

– Boa resposta. Por que essa frase está aqui?

– Para mostrar o compromisso missionário com a educação cristã – respondi, tentando demonstrar indiferença, mas sabendo que ele estava querendo chegar a algum lugar. Continuei: – Estamos procurando criar uma atmosfera em que as crianças gostem relamente de assistir às aulas.

– E “a casa do Senhor” é este prédio aqui? – Ele apontou para a construção.

Opa! Eu não estava gostando nada do rumno que a coisa estava tomando. Após uma pausa, respondi:

– Bom, é claro que todos nós sabemos que “casa do Senhor” é algo bem maior do que isso. – Estava desesperado para dar uma resposta correta, mas tive a desagradável sensação de não possuir nenhuma no meu arsenal.

– Mas o que pensam as pessoas que lêem isso?

– Provavelmente entendem que significa freqüentar a nossa igreja.

– E é isso que vocês desejam que elas pensem?

De novo ele deixou que o silêncio permanecesse por mais tempo do que eu era capaz de suportar.

– Imagino que sim.

– Vocês não percebem que o que há de mais precioso no Evangelho é que ele nos liberta da idéia de que Deus reside em um local determinado? Para os seguidores de Jesus essa notícia foi excelente. Não precisariam pensar num Deus que estaria encerrado no recesso do templo e apenas disponível para pessoas especiais em ocasiões especiais.

Havia um pouco de tristeza em sua voz, e ficamos calados durante algum tempo.

– E então, Jake, onde é a casa do Senhor?

– Somos nós. – De repente aquela inscrição me pareceu abosolutamente estúpida. Eu me perguntava se João sabia que ela havia sido idéia minha. Eu certamente não iria contar-lhe.

João suspirou.

– Você se lembra do que Estêvão disse pouco antes de o matarem a pedradas? “O Mais Alto não mora em casas feitas por mãos humanas.” Foi aí que o atacaram, porque os fazia lembar o desafio de Jesus de destruir o templo e reconstruí-lo em três dias. As pessoas são muito sensíveis em relação aos seus prédios, principalmente quando acham que Deus habita neles.

Não falei nada. Só balancei a cabeça concordando.

Passagem do livro “Por que você não quer mais ir à igreja?” – Editora Sextante.

Daniel de Lima Vieira, no Dliver Blog

Já li e estou recomendando pra todo mundo (rs)! Já conhece o hotblog do livro? Clique aqui

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Cartas entre amigos

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Restituir sonhos é uma pretensão que carrego comigo. Ela nutre o meu desejo de ser casto, de ser do outro, não como objeto a ser usado, mas como um sentido a ser proposto. Carrego em mim um ofício que reconheço santo. Estabelecer as pontas da corda. Ser homem religioso, no mais profundo do termo. Viver para unir, para religar, congregar, para restaurar o que está danificado. Nestes tempos líquidos, ousar ser um lugar de segurança. Por meio de um gesto solidário, uma palavra bendita, uma celebração restauradora.

Fábio de Melo, em Cartas entre amigos: sobre medos contemporâneos (livro em parceria com Gabriel Chalita, publicado pela Ediouro)

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Cartas entre amigos

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Restituir sonhos é uma pretensão que carrego comigo. Ela nutre o meu desejo de ser casto, de ser do outro, não como objeto a ser usado, mas como um sentido a ser proposto. Carrego em mim um ofício que reconheço santo. Estabelecer as pontas da corda. Ser homem religioso, no mais profundo do termo. Viver para unir, para religar, congregar, para restaurar o que está danificado. Nestes tempos líquidos, ousar ser um lugar de segurança. Por meio de um gesto solidário, uma palavra bendita, uma celebração restauradora.

Fábio de Melo, em Cartas entre amigos: sobre medos contemporâneos (livro em parceria com Gabriel Chalita, publicado pela Ediouro)

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A cidade do sol

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Em cidade do sol., Khaled Hosseini, tenta traçar um panorama histórico do Afeganistão. Parece-me mais uma apresentação do país sob a perspectiva de quem viveu lá. Deixando de lado as questões históricas e políticas, os dramas vividos por Mariam e Laila refletem o contexto social e religioso e revelam como a visão da cultura afegã não pode ser levada em conta somente pelos últimos trinta anos. O livro vale a leitura, e tal qual em O caçador de pipas (que li ano passado), Hosseini não deixa a desejar na descrição do Afeganistão e das mazelas sofridas pelas crianças e mulheres.
Mais tarde, depois que Rashid as deixou em casa e pegou o ônibus para ir trabalhar, Laila viu a filha acenando e se arrastando junto ao muro do orfanato. Lembrou da gagueira de Aziza,e do que ela tinha dito a respeito de fraturas e colisões fortíssimas que aconteciam bem lá no fundo, mas que, às vezes, nós só percebíamos como um ligeiro tremor na superfície.

• A cidade do sol. Khaled Hosseini Editora Nova Fronteira (368p.)

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A cidade do sol

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Em cidade do sol., Khaled Hosseini, tenta traçar um panorama histórico do Afeganistão. Parece-me mais uma apresentação do país sob a perspectiva de quem viveu lá. Deixando de lado as questões históricas e políticas, os dramas vividos por Mariam e Laila refletem o contexto social e religioso e revelam como a visão da cultura afegã não pode ser levada em conta somente pelos últimos trinta anos. O livro vale a leitura, e tal qual em O caçador de pipas (que li ano passado), Hosseini não deixa a desejar na descrição do Afeganistão e das mazelas sofridas pelas crianças e mulheres.
Mais tarde, depois que Rashid as deixou em casa e pegou o ônibus para ir trabalhar, Laila viu a filha acenando e se arrastando junto ao muro do orfanato. Lembrou da gagueira de Aziza,e do que ela tinha dito a respeito de fraturas e colisões fortíssimas que aconteciam bem lá no fundo, mas que, às vezes, nós só percebíamos como um ligeiro tremor na superfície.

• A cidade do sol. Khaled Hosseini Editora Nova Fronteira (368p.)

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