Praças da Cidade

A caverna (9)

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“Ah, que difícil é separarmo-nos daquilo que fizemos, seja coisa ou sonho, mesmo quando por nossas próprias mãos já o destruímos.”

“Um dono, bem viastas as coisas, é a modos como o sol e a lua, devemos ser pacientes quando desaparece, esperar que o tempo passe.”

“Para um animal destes não há mais que presença e ausência.”

“A alegria da vitória nem sempre é boa conselheira.”

“Diz-se que cada pessoa é uma ilha, e não é certo, cada pessoa é um silêncio. Cada uma com seu silêncio, cada uma com o silêncio que é.”

José Saramago, em A caverna (Companhia das Letras).

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O menino do pijama listrado

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O Menino do Pijama Listrado foi, dos livros que li recentemente, o que devorei com mais avidez. É verdade que não é uma obra extensa. Entretanto, meu desejo de acabar logo com o livro deveu-se à incrível associação que há entre essa obra e o evangelho de Cristo.
John Boyne narra a história de Bruno, um menino de 8 anos, filho de um alto oficial nazista, que vê sua vida virar de pernas para o ar quando, subitamente, sua mãe lhe informa que eles teriam de deixar a tão estimada Berlim. Sem entender o porquê da trágica mudança – e incapaz de fazer alguma coisa para reverter a situação – Bruno se vê forçado a construir uma nova vida longe dos amigos, em um lugar que, em nada, parecia sua antiga cidade, tendo como única companhia (ainda que por ele totalmente dispensável) sua irmã mais velha.
Não tendo nada para fazer na pacata região para onde se mudara, Bruno resolveu começar a explorar o que, ao observar pela janela do seu quarto, estava ao alcance de seus olhos. Inicialmente ele ficou intrigado, pois não conseguia discernir o que todas as pessoas “do outro lado da cerca” faziam – de tão longe que estavam. Além disso, era um mistério a razão que as levava passar o dia inteiro vestindo o mesmo pijama listrado.
Movido pela inquietação e ingenuidade tipicamente infantis, Bruno resolveu seguir, secretamente, a cerca que separava sua casa do terreno das pessoas de pijamas listrados. Em uma de suas andanças, ele conheceu aquele que viria a ser seu grande amigo: Shmuel. Por causa de algumas semelhanças, aqueles garotos estabelecem uma amizade e começam a perceber as significativas diferenças entre suas histórias – ainda que, para eles, tais diferenças fossem insignificantes. Maior do que elas eram as pequenas coincidências entre suas histórias, capazes de fortalecer, a cada encontro, o sincero amor entre dois amigos.
Há, a meu ver, consideráveis semelhanças entre este livro e o reino dos céus. O desfecho desta obra, digno de ser descoberto por conta própria, revela como uma verdadeira amizade pode nos expor às piores situações imagináveis, e ainda assim continuar valendo a pena. Além disso, Bruno e Shmuel nos ensinam que, como disse Jesus, é necessário sermos como criança. A prudência e a maturidade da vida adulta não devem tirar de nós a inocente e despreocupada disposição de amar de um infante!
Das personagens com as quais “convivi” em minhas recentes leituras, Bruno e Shmuel foram as que mais me ensinaram a praticar o simples, porém desafiador, mandamento de Cristo: amar o próximo como a mim mesmo. Vale a pena conferir esta obra!

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O menino do pijama listrado

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O Menino do Pijama Listrado foi, dos livros que li recentemente, o que devorei com mais avidez. É verdade que não é uma obra extensa. Entretanto, meu desejo de acabar logo com o livro deveu-se à incrível associação que há entre essa obra e o evangelho de Cristo.
John Boyne narra a história de Bruno, um menino de 8 anos, filho de um alto oficial nazista, que vê sua vida virar de pernas para o ar quando, subitamente, sua mãe lhe informa que eles teriam de deixar a tão estimada Berlim. Sem entender o porquê da trágica mudança – e incapaz de fazer alguma coisa para reverter a situação – Bruno se vê forçado a construir uma nova vida longe dos amigos, em um lugar que, em nada, parecia sua antiga cidade, tendo como única companhia (ainda que por ele totalmente dispensável) sua irmã mais velha.
Não tendo nada para fazer na pacata região para onde se mudara, Bruno resolveu começar a explorar o que, ao observar pela janela do seu quarto, estava ao alcance de seus olhos. Inicialmente ele ficou intrigado, pois não conseguia discernir o que todas as pessoas “do outro lado da cerca” faziam – de tão longe que estavam. Além disso, era um mistério a razão que as levava passar o dia inteiro vestindo o mesmo pijama listrado.
Movido pela inquietação e ingenuidade tipicamente infantis, Bruno resolveu seguir, secretamente, a cerca que separava sua casa do terreno das pessoas de pijamas listrados. Em uma de suas andanças, ele conheceu aquele que viria a ser seu grande amigo: Shmuel. Por causa de algumas semelhanças, aqueles garotos estabelecem uma amizade e começam a perceber as significativas diferenças entre suas histórias – ainda que, para eles, tais diferenças fossem insignificantes. Maior do que elas eram as pequenas coincidências entre suas histórias, capazes de fortalecer, a cada encontro, o sincero amor entre dois amigos.
Há, a meu ver, consideráveis semelhanças entre este livro e o reino dos céus. O desfecho desta obra, digno de ser descoberto por conta própria, revela como uma verdadeira amizade pode nos expor às piores situações imagináveis, e ainda assim continuar valendo a pena. Além disso, Bruno e Shmuel nos ensinam que, como disse Jesus, é necessário sermos como criança. A prudência e a maturidade da vida adulta não devem tirar de nós a inocente e despreocupada disposição de amar de um infante!
Das personagens com as quais “convivi” em minhas recentes leituras, Bruno e Shmuel foram as que mais me ensinaram a praticar o simples, porém desafiador, mandamento de Cristo: amar o próximo como a mim mesmo. Vale a pena conferir esta obra!

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Sermão da Sexagégima

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“Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento.”

“O pregar que é falar faz-se com a boca; o pregar que é semear, faz-se com a mão. Para falar ao vento bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras.”

“O que sai só da boca pára nos ouvidos; o que nasce em juízo, penetra e convence o entendimento.”

“Dizei-me, pregadores (aqueles com quem eu falo indignos verdadeiramente de tão sagrado nome), dizei-me: esses assunts inúteis que tantas vezes levantais, essas empresas ao vosso parecer agudas que prosseguis, achaste-las alguma vez nos Profetas do Testamento Velho ou nos Apóstolos do Testamento Novo ou no autor de ambos os Testamentos, Cristo? […] Pois se não é esse o sentido das palavras de Deus, segue-se que não são palavras de Deus. E se não são palavras de Deus, que nos queixamos que não façam fruto as nossas pregações?”

“Grande miséria por certo, que se achem maiores documentos para a vida nos versos de um poeta profano e gentio, que nas pregações dum orador cristão, e muitas vezes, sobre cristão, religioso!”

“Pregar o pregador para ser afamado, isso é mundo; mas infamado, e pregar o que convém, ainda que seja com descrédito de sua fama, isso é ser pregador de Jesus Cristo.”

– Padre Antônio Vieira

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Sermão da Sexagégima

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“Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento.”

“O pregar que é falar faz-se com a boca; o pregar que é semear, faz-se com a mão. Para falar ao vento bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras.”

“O que sai só da boca pára nos ouvidos; o que nasce em juízo, penetra e convence o entendimento.”

“Dizei-me, pregadores (aqueles com quem eu falo indignos verdadeiramente de tão sagrado nome), dizei-me: esses assunts inúteis que tantas vezes levantais, essas empresas ao vosso parecer agudas que prosseguis, achaste-las alguma vez nos Profetas do Testamento Velho ou nos Apóstolos do Testamento Novo ou no autor de ambos os Testamentos, Cristo? […] Pois se não é esse o sentido das palavras de Deus, segue-se que não são palavras de Deus. E se não são palavras de Deus, que nos queixamos que não façam fruto as nossas pregações?”

“Grande miséria por certo, que se achem maiores documentos para a vida nos versos de um poeta profano e gentio, que nas pregações dum orador cristão, e muitas vezes, sobre cristão, religioso!”

“Pregar o pregador para ser afamado, isso é mundo; mas infamado, e pregar o que convém, ainda que seja com descrédito de sua fama, isso é ser pregador de Jesus Cristo.”

– Padre Antônio Vieira

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