Força para Vencer

Um mundo na palma da mão

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Rodney Eloy, no Pesquisa Mundi

“E-books’ têm um longo caminho a percorrer no país, mas podem se tornar uma ponte entre pessoas que ainda não leem e o universo dos livros

Cora Rónai | O Globo

No último fim de semana foi lançado no Píer Mauá um novo salão do livro carioca, a LER. Fui para lá sem ter ideia do que ia encontrar e fui agradavelmente surpreendida por um evento bonito, arejado, cheio de boas ideias e com um jeito de feirinha artesanal. As grandes editoras ficaram restritas aos estandes das livrarias, e com isso as pequenas, que, em geral, somem na Bienal, ganharam destaque; a cenografia aproveitou a locação ao máximo e contribuiu com detalhes curiosos, como uma chuva de flores aqui, um teto de guarda-chuvas virados ali, quadros com perguntas provocadoras que eram respondidas pelos visitantes em papeizinhos coloridos autocolantes. Havia até uma exposição de encantadores vestidos de livros da Analu Prestes, que cria as coisas mais lindas em papel.

Perto de uma das entradas, duas divisórias formavam um recanto que lembrava uma biblioteca, com a imagem de estantes cheias de livros — mas ali havia mais do que folhas ilustradas coladas nas paredes. É que as lombadas exibiam QR codes que, capturados por smartphones, levavam a links de onde se podiam baixar as obras para um leitor Kobo, gratuitamente. Aquele espaço despretensioso, que à primeira vista parecia apenas decorativo, oferecia um verdadeiro tesouro para os visitantes.

Para mim, oferecia também um retrato, difícil de capturar, da convivência entre as duas espécies de livros com que convivemos. Depois de muita polêmica e até do temor de que, um dia, substituiriam os seus irmãos de papel, os e-books começam a se firmar não como ameaça a um universo estabelecido, mas como uma alternativa a mais para quem gosta de ler.

Na noite anterior à minha ida à LER, eu havia, por acaso, jantado com uma amiga editora. A certa altura, a conversa se desviou para os livros eletrônicos, que ela relutantemente confessou ler, mais ou menos como quem confessa uma traição. Hoje já não encontro mais quem não leia e-books — até minha mãe, que nos seus 92 anos nunca quis saber de computadores ou smartphones, é fã do Kindle, onde consegue aumentar o tamanho das letras.

Há alguns anos, quando os e-books apareceram, imaginava-se que eles tomariam todo o mercado, num fenômeno não muito diferente do que aconteceu quando a televisão surgiu, e os catastrofistas previram que ela ia acabar com o cinema. Este ano, pela primeira vez, as vendas de e-books caíram, mas o seu mercado continua forte: prevê-se que, em 2018, eles responderão por um quarto dos livros vendidos no mundo. Nos Estados Unidos, 13% dos leitores já leem mais e-books do que livros em papel, e 15% dizem ler mais ou menos a mesma coisa nos dois formatos. No Brasil, onde 30% dos entrevistados numa pesquisa realizada em meados do ano confessaram que jamais compraram um livro na vida, os e-books ainda têm um longo caminho a percorrer, sobretudo do ponto de vista da tecnologia: a maioria das pessoas sequer ouviu falar em leitores como o Kindle ou o Kobo.

Ainda assim, os e-books têm tudo para fazer uma boa ponte entre as pessoas que (ainda) não leem, e o mundo fabuloso dos livros. Cada smartphone ou tablet espalhado pelo mundo tem o potencial de virar uma biblioteca mágica, que acompanha o dono aonde for. Na LER, vi alguns adolescentes escaneando os QR codes das lombadas de mentirinha, e fiquei muito feliz — eles estão no bom caminho.

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Game of Thrones | Autor tirará férias em 2017 para completar novo livro da saga

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Caio Coletti, no Observatório do Cinema

George R.R. Martin avisou os fãs em seu blog pessoal que não vai fazer muitas aparições públicas ou encontro com os fãs em 2017 – tudo porque ele deseja se concentrar na finalização do novo livro da saga As Crônicas de Gelo e Fogo, de onde saiu a série Game of Thrones.

O volume intitulado Winds of Winter é aguardado há anos, mas Martin garantiu que de 2017 não passa: “Vou aparecer na Feira de Livros de Guadalajara e será minha última aparição em 2016. Minha agenda em 2017 será muito limitada até que eu complete Winds”, escreveu o ator.

Game of Thrones volta para sua sétima e penúltima temporada em meados de 2017.

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Harvard exige mil páginas de leitura por semana, diz aluna

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Universidade de Harvard: muita leitura (Robert Spencer/ Getty Images)

Universidade de Harvard: muita leitura (Robert Spencer/ Getty Images)

 

Tábata Amaral, que acabou de se formar em Harvard, compara sua rotina de estudos lá com a da USP

Publicado na Exame

Segundo a paulista Tábata Amaral, que se graduou em Ciências Políticas e Astronomia pela Universidade de Harvard, a instituição se diferencia de todas as outras em três pontos principais: o foco no pensar, e não no conteúdo; o contato com pessoas que são as melhores do mundo em suas áreas; e a formação de pessoas englobando seus mais diferentes interesses.

“Lá, o objeto de estudo importa muito pouco; como você aprende a pensar importa muito”, explica ela. No vídeo abaixo, gravado durante um encontro de Bolsistas da Fundação Estudar, a jovem explica como uma formação tão diversa (as pessoas sempre a questionam o porquê da escolha por Astrofísica) contribuiu para o seu desenvolvimento.

Na ocasião, ela também comentou sobre a sua rotina na melhor universidade do mundo – comparando com o período em que estudou Física na Universidade de São Paulo, considerada a melhor universidade do Brasil. “Em Harvard, a gente passa muito pouco tempo em aula e muito tempo na biblioteca”, explica. “Em ciências políticas, tem aula que tem mais de mil páginas de leitura por semana. Normal”, completa.

Por fim, Tábata argumenta que lá ela aprendeu a ser uma pessoa completa, que podia, sim, se interessar ao mesmo tempo por matemática, política e – por que não? – danças latino-americanas.

Quer saber o que Harvard tem de tão diferente? Confira no vídeo abaixo:

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Pesquisadores desvendam a história de livros roubados por nazistas

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Publicado em O Povo

Durante o Terceiro Reich, nazistas confiscaram obras de arte e também livros de judeus. Muitos deles foram parar nas estantes de bibliotecas alemães. Pesquisadores vasculham acervos para devolvê-los aos legítimos donos.Em meio aos cerca de 8,5 milhões de livros do acervo das bibliotecas da Universidade Livre de Berlim, Ringo Narewski e sua equipe têm uma nobre missão: encontrar livros que foram confiscados de judeus por autoridades nazistas durante o Terceiro Reich (1933-1945). O objetivo dos pesquisadores é devolvê-los ao legítimos donos.

O caminho até devolução, porém, é longo e exige um minucioso trabalho de investigação. O ponto de partida é a identificação de todos os livros impressos antes de 1945. A universidade estima que cerca de 1,5 milhão de livros se encaixem nesta categoria.

“A maior dificuldade neste trabalho é o volume de livros para serem avaliados sem termos qualquer estimativa sobre o resultado final. Além disso, se há a suspeita sobre determinada obra, é preciso muito tempo para desvendar 70 anos de história de uma pessoa”, afirma Narewski, diretor do grupo de trabalho responsável por identificar obras saqueadas por nazistas que fazem parte do acervo de bibliotecas da universidade.

Nesse trabalho de detetive, a Universidade Livre de Berlim ganhou reforço extra há um ano. Além dela, três instituições – a Fundação Nova Sinagoga, a Universidade de Potsdam e a Biblioteca Estadual de Berlim – reuniram as informações sobre pesquisas realizadas nesta área num banco de dados online, o “Looted Cultural Assets” (bens culturais roubados).

Pegadas no Brasil

Nos últimos anos, a instituição verificou cerca de 44 mil livros. Atualmente, eles investigam a origem de 2 mil assinaturas em livros. E uma dessas histórias tem passagem pelo Brasil.

Um dos livros roubados encontrados no acervo pertenceu ao jornalista Ernst Feder, que fugiu de Berlim para Paris em 1933. Com a marcha nazista em direção à França, Feder emigrou para o Brasil em 1941, onde viveu, em Petrópolis, até 1957, quando retornou para Berlim.

Sua biblioteca, com quase 10 mil títulos, foi saqueada pelo regime nazista, e um destes exemplares foi parar na Universidade Livre de Berlim. No momento, os pesquisadores tentam entrar em contato com os herdeiros do jornalista para devolver a obra.

Saques durante o Terceiro Reich

De acordo com o historiador Götz Aly, a prática do confisco foi instrumentalizada pelos nazistas para garantir a lealdade da população alemã ao regime. Segundo ele, o roubo e redistribuição de bens e economias dos judeus, na Alemanha e, posteriormente, em países ocupados, favoreciam economicamente o povo alemão.

As coleções roubadas foram distribuídas entres bibliotecas públicas, centros culturais nazistas e funcionários do regime. Depois da Segunda Guerra Mundial, muitas destas peças foram vendidas a antiquários ou doadas para instituições.

Desta maneira, livros saqueados foram parar também em estantes de bibliotecas criadas depois de 1945, como é o caso das da Universidade Livre de Berlim, fundada em 1948. Segundo Narewski, além das doações privadas, as bibliotecas da instituição receberam livros confiscados de funcionários do regime nazista pelo exército americano no fim da guerra.

Longa investigação

O atual projeto da equipe de Narewski se concentra na análise de cerca de 70 mil livros que foram adquiridos pela universidade entre 1952 e 1968. Com os títulos suspeitos em mãos, a próxima fase é buscar nos livros pistas sobre suas origens, que podem ser um carimbo, um nome escrito a caneta, um ex libris (selo personalizado que identifica as obras de bibliotecas particulares ou públicas) ou algum número de referência. Descoberta alguma identificação, começa o trabalho para decifrar a história e o percurso percorrido por esse livro até chegar às estantes da biblioteca.

A investigação mais longa da universidade já dura três anos e é referente a um livro que pertenceu à família Frohmann-Holländer, de Frankfurt, que, perseguida durante o regime nazista, fugiu para os Estados Unidos.

“Não sabemos o que aconteceu com essa biblioteca durante três anos na década de 1930, antes da emigração da família. Como há a possibilidade de que alguns destes livros tenham sido vendidos na época, não podemos afirmar com certeza se a obra foi confiscada, por isso, ainda não podemos devolvê-la, e a pesquisa continua”, explica Narewski.

Após reconstruir a história dos livros, o grupo precisa desvendar a história dos proprietários legítimos dos títulos e de suas famílias para poder restituí-los. E aqui há outra dificuldade, entrar em contato com estas pessoas. Muitas vezes, pesquisadores sabem quem são os herdeiros, mas não conseguem ter acesso a eles, e, em alguns casos, e-mails ou cartas enviados são ignorados pelos destinatários.

Trabalho que compensa

Nos últimos dois anos, a Universidade Livre de Berlim devolveu 160 livros que foram saqueados pelos nazistas aos seus legítimos donos. As devoluções a 75 herdeiros e instituições ocorreram na Alemanha, Áustria, Polônia, Letônia, Holanda, Estados Unidos, Israel, República Checa, Reino Unidos e Ucrânia.

“Essa restituição tem uma dimensão moral. Não é uma tentativa de reparação, pois é impossível reparar os crimes cometidos pelos nazistas, mas se trata de devolver às vítimas um pedaço da sua história”, diz Narewski.

O pesquisador destaca que, além de ser uma revisão da história da universidade, esse trabalho preserva a memória daquele período, para evitar que crimes como os cometidos pelo regime nazista voltem a acontecer.

Autor: Clarissa Neher

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Os novos livros de Gilmore Girls

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Lorelai lê Wild, livro com papel importante no revival de Gilmore Girls

Lorelai lê Wild, livro com papel importante no revival de Gilmore Girls

 

Os 4 novos episódios exibidos pela Netflix trazem mais referências literárias.

Gabriela Morandini, no Blasting News

Quem é fã da série #Gilmore Girls (exibido no Brasil como “Tal mãe, tal filha”) sabe que o revival feito pela #Netflix já está no ar. E com ele, aqueles que encararam o Rory Gilmore Reading Challenge (Desafio de Leitura de Rory Gilmore) podem ficar felizes em saber que os novos episódios fazem referência a mais títulos que podem ser adicionados ao desafio.
Os novos livros de Gilmore Girls

Nos episódios de Gilmore Girls – A Year in the Life, lançados pela Netflix no último dia 25/11, acompanhamos 4 dias na vida das garotas Gilmore, um em cada estação do ano. Cada parte dura cerca de 90 minutos, e ao longo desse tempo, não vemos Rory lendo tantos #Livros quanto antigamente – apenas no episódio Summer (Verão) ela está com um livro em mãos, mas não foi possível identificá-lo.

Mas, mesmo assim, são citados – por Rory, Lorelai e outras personagens – diversos livros e autores, demonstrando que o universo literário ainda é uma grande referência da série. Com isso, a lista com 339 títulos compilados pelo escritor australiano Patrick Lenton – que deu origem ao desafio de leitura da série – agora soma pelo menos 6 títulos não citados anteriormente (alguns livros do revival já haviam aparecido nas temporadas televisivas).

Vamos aos novos livros:

1. Trainspotting (Irvine Welsh)

No episódio inicial (Inverno) Lorelai usa como referência esse livro (também poderia ser o filme) para explicar como era o apartamento que Rory tinha alugado no Brooklyn (Nova Iorque).

2. The Life-Changing Magic of Tidying Up (Marie Konde)

Essa indicação de leitura foi feita a Emily para que ela tentasse arrumar sua vida após a morte de Richard, e ela decidiu que a pergunta principal do livro (“isso me traz felicidade?”) realmente devia ser sua guia.

3. “Consider the Lobster” (David Foster Wallace)

Quando Rory finalmente consegue um horário para conversar com o pessoal da revista de viagens Condé Nast, o editor menciona o ensaio “Consider the Lobster”, de David Wallace.

4. Wild (Cheryl Strand)

O livro mais importante mencionado no revival e um dos poucos que aparecem fisicamente talvez seja Wild. Seu impacto é tanto que Lorelai resolve fazer a viagem relatada na obra.

5. Tevya the Dairyman and the Railroad Stories (Sholem Aleichem)

Quando estão avaliando o musical sobre a história de Stars Hollow, Babette cita uma fala da peça teatral americana Tevya the Dairyman and the Railroad Stories.

5. I Feel Bad About My Neck and Other Thoughts in Being a Woman (Nora Ephron)

Na redação da Gazeta de Stars Hollow, enquanto conversa com a colega de trabalho Esther – que repete sempre o mesmo movimento ao arquivar papéis – Rory faz referência ao livro de Nora Ephron, no qual a autora conta como é ser uma mulher que está envelhecendo, incluindo as dores físicas do processo.

6. My Struggle (Karl Ove Knausgard)

No episódio final (Outono), Jess passa na casa de Lorelai e Luke para falar com o tio antes do grande dia e podemos vê-lo lendo um exemplar de My Struggle, do autor norueguês Karl Ove Knausgard.

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