Uma vida com prioridades

MEC vai investir em projeto de resgate e registro da história do Brasil

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MEC vai financiar pelo menos 20 biografias de pessoas e grupos que influenciaram a história do Brasil e pesquisas sobre conflitos sociais Foto: Agência Brasil

MEC vai financiar pelo menos 20 biografias de pessoas e grupos que influenciaram a história do Brasil e pesquisas sobre conflitos sociais
Foto: Agência Brasil

Publicado no NE10

Ministério da Educação (MEC) vai financiar pelo menos 20 biografias de pessoas e grupos que influenciaram a história do Brasil e pesquisas sobre conflitos sociais. Em conjunto com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a pasta lançou nesta quarta-feira (29) dois editais que destinarão até R$ 300 mil por projeto, que poderão ser usados nas escolas.

Os editais são voltados para pesquisadores e grupos de pesquisa de instituições de educação superior e institutos de pesquisa brasileiros, públicos e particulares, que tenham mestrado ou doutorado recomendados pela Capes. As inscrições poderão ser feitas até o dia 28 de outubro.

“Essa é uma iniciativa que a Capes adota: induzir programas de pós-graduação a fazer pesquisas em áreas de ponta. Essas pesquisas já cobriram muitas áreas, áreas científicas, tecnológicas, de inovação, e continuarão cobrindo. Mas é importante que cubram também áreas que tem a ver com o desenvolvimento do Brasil”, disse o ministro da Educação, Renato Janine.

Segundo o ministro, os editais destinarão às pesquisas um total de R$ 5 milhões, que começarão a ser pagos no ano que vem. “Vivemos um momento difícil da economia brasileira, momento que temos que fazer o máximo com recursos que se tornaram menores do que desejávamos. Neste momento estamos dando um sinal, pela Capes e pelo MEC, de que é possível fazer propostas boas”, acrescentou.

O edital sobre biografias é voltado para pesquisas sobre pessoas ou grupos que tenham influenciado a história do Brasil republicano, a partir de 1889. Já o edital sobre conflitos históricos vai incentivar a produção de livros que enfoquem revoltas, rebeliões populares, lutas armadas, manifestações populares, entre outros conflitos, também a partir de 1889.

As pesquisas serão publicadas em livros, que poderão ser usados nas escolas.

“Os nossos livros para o ensino fundamental e médio têm que estar sempre alinhados com o que houver de melhor de pesquisa nas áreas. Estão se estamos fazendo história do Brasil, tudo que se descobre de história do Brasil agora tem que entrar no que uma criança um adolescente venha a saber”, disse Janine.

Os editais estão disponíveis na página da Capes.

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Exercitar o cérebro é tão importante quanto praticar atividade física

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Publicado em UOL

Estimular o cérebro com frequência é um ótimo hábito para desenvolver suas habilidades. Segundo neurologistas, o órgão melhora com a prática e exercitá-lo nos torna mais inteligentes.

“Estudos sugerem que a rede sináptica é dinâmica durante todo o curso da vida. As que são amplamente empregadas se hipertrofiam, ou seja, há novas conexões com outros neurônios e ligações mais robustas. Por isso, é importante usar o cérebro incansavelmente”, explica a neurocientista Alessandra Gorgulho.

Assim como é preciso praticar atividades físicas para manter a saúde, é necessário exercitar o cérebro para manter a saúde mental, defendem alguns especialistas. “Podemos entender que uma pessoa que tem saúde alimenta bem o corpo e o cérebro da mesma forma. [Entendemos] Que é importante praticar exercícios físicos e é importante manter o cérebro ativo até o final do nossa vida”, explica Leo Fraiman, psicoterapeuta e mestre em psicologia educacional e do desenvolvimento humano.

“Quando você desenvolve o raciocínio, existe uma série de áreas do cérebro que são ativadas [como memória, estruturação lógica, operações mentais]. Uma vez que você desenvolve essas regiões do cérebro ligadas às essas atividades, você precisa praticar se não fica enferrujado”, acrescenta Claudio Franco, engenheiro e diretor de inovações da Mind lab, empresa focada em tecnologias educacionais.

Franco lembra que por muitos anos acreditou-se que as conexões cerebrais não podiam ser ampliadas depois da vida adulta. Porém, neurocientistas foram desconstruindo essa afirmação com o passar do tempo. “Mais importante do que a prática [de exercícios que mantenham o cérebro ativo], é fundamental explorar a capacidade de ampliar as conexões cerebrais.”

Para isso, os entrevistados acreditam que o uso de recursos digitais podem ser benéficos dentro do processo. “Sem dúvida as tecnologias e aplicativos que hoje existem podem ajudar”, diz Fraiman. “Tem alguns tipos de jogos [digitais] e atividades eletrônicas que promovem reflexão, estimulam a tomada de decisão e permitem desenvolver habilidades diversas. Por isso são importantes”, acrescenta Franco.

Apesar das vantagens, o psicoterapeuta faz um alerta: “A tecnologia deve ser usada com parcimônia. O uso exacerbado pode justamente impedir o ser humano de desenvolver outras habilidades, como o carisma, entusiasmo.”

Inteligências múltiplas

Fraiman reforça que não há neurologicamente uma área do cérebro mais importante. Todas têm o seu devido valor. “É importante desenvolver o cérebro como um todo. O mais importante é deixar claro que não há uma fórmula, uma receita, um único modo para estimular o cérebro. Cada um tem que achar o quanto de exercício, alimentação, estímulos são necessários para si”, afirma o especialista.

Franco destaca ainda que estimular o cérebro não é apenas treiná-lo em operações quantitativas, como ficar exercitando cálculos de matemática ou a memória. Aprender novas línguas, conhecer outras culturas, estudar história, por exemplo, também são boas práticas para mantê-lo bem estimulado.

“Debater, discutir pontos de vistas e defender argumentos também são boas maneiras para exercitar o cérebro, pois você avalia o cenário, as consequências e toma uma decisão. É bem parecido com os jogos de estratégia”, conclui.

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Brasil vence olimpíada de matemática dos países de língua portuguesa

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Dois integrantes da delegação brasileira levaram a medalha de ouro.
No ranking geral, Brasil ficou em primeiro lugar, seguido por Portugal.

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Publicado no G1

Quatro jovens brasileiros conquistaram duas medalhas de ouro e duas de prata na 5ª Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). No ranking geral, o Brasil ficou em primeiro lugar, seguido por Portugal. A competição aconteceu entre os dias 19 e 25 de julho, em Cabo Verde, e os estudantes retornaram nesta terça (28) ao Brasil.

Pedro Lucas Lanaro Sponchiado e Mateus Siqueira Thimóteo, de 15 anos, ambos do estado de São Paulo, foram os únicos premiados com as duas medalhas de ouro da competição. Os dois jovens marcaram 42 pontos cada no torneio.

A equipe brasileira também foi premiada com medalha de prata para Andrey Jhen Shan Chen, de São Paulo, e para Bruno Brasil Meinhart, do Ceará, ambos com 15 anos de idade.

Participaram da olímpiada 24 jovens de seis países lusófonos e cada um levou à competição uma equipe composta por quatro estudantes e dois professores.

Na classificação geral por países, o Brasil ficou em primeiro lugar com 154 pontos num total de 168, à frente de Portugal, com 108 pontos e de Cabo Verde, com 68 pontos.

A competição foi composta por duas provas aplicadas em dois dias consecutivos, na qual os estudantes deveriam solucionar três problemas matemáticos que envolviam álgebra, teoria dos números, geometria e combinatória.

Competições internacionais

Os quatro estudantes foram selecionados para representar o Brasil através da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). A competição acontece todos os anos nas escolas públicas e privadas de todo o país.

Para participar da OBM, a insititução de ensino deve realizar um cadastro no site da competição. Os alunos interessados em fazer a olímpiada devem se inscrever na própria escola.

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Como ser um escritor de ‘literatura séria’

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Tenha barba. Use óculos. Organize antologias. Assine orelhas. Ganhe prêmios. Se foi traduzido, ponto extra

Texto de Raphael Montes

Antes de tudo, seja homem, branco, heterossexual, acima dos quarenta, professor universitário ou jornalista. Caso seja mulher, escreva sobre a questão da mulher. Caso seja negro, sobre a questão do negro. Caso seja gay, sobre a questão do gay. Enfim, você entendeu a ideia.

Quando perguntarem “por que você virou escritor?”, tenha um bom passado. Passados medíocres são brochantes. Há somente duas opções: (i) você veio de uma família muito culta, cresceu lendo Balzac, Pessoa e Proust; expressar suas ideias e aflições foi uma necessidade de toda sua bagagem cultural ou (ii) você tem origem humilde, pais analfabetos; a literatura era seu refúgio em uma infância difícil e solitária. Esta segunda funciona melhor.

Quando perguntarem suas referências, esqueça nomes como Agatha Christie, Stephen King, Sidney Sheldon e qualquer outro escritor que tenha feito sucesso ou que esteja na lista de mais vendidos do momento. Diga o que tem que ser dito: seu trabalho dialoga com Lispector, tem tons de Cortázar e nuances de Saramago, mas, no fim das contas, você acredita ter voz própria — então, lance o desafio: “Espero que a crítica consiga compreender meu trabalho melhor do que eu”.

Não basta fazer literatura, meu amigo. É preciso dançar conforme a música, corresponder às expectativas, preencher o modelo, ser cool,intelectual. Quando perguntarem seu livro de cabeceira, nem pense em citar qualquer exemplar que seja encontrado com facilidade nas livrarias. Opte por livros raros, com autores de nomes impronunciáveis. Decore uns trechos desses escritores e trate de citá-los em qualquer texto. Tenha um poema na manga. E duas frases de efeito. É o que diz Vladimir Maiakóvski: “A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo”.

É importante que algum ou todos os aspectos do seu trabalho tenham a ver com sociologia, filosofia, mitologia ou matemática, e é imprescindível falar sobre isso. Todos adoram quando você mistura literatura com matemática, mesmo que ninguém nesse ramo se importe muito com matemática. Sua proposta deve ser explorar os movimentos e os limites da linguagem. Repita “linguagem” ao menos quatro vezes em qualquer de suas entrevistas. E repita “retrato social” ao menos cinco vezes.

Conceitos como “arquitetura da trama”, “plot-twist” e “ganchos de capítulos” estão absolutamente vetados. O verdadeiro escritor de literatura séria não se preocupa em contar boas histórias. Esta arte menor e confortável deve ser deixada para os novelistas, para os dramaturgos e para os autores de “literatura” de entretenimento — sabe aqueles que escrevem livros de vampiros com câncer que curtem sexo sadomasoquista para colorir? Então.

Evite falar em gêneros literários. Sua literatura não se define. É desafiadora, incômoda e incompreensível. Publique um livro — curto — a cada três ou quatro anos. Publicar um livro por ano quebra a magia, mostra que você não é aquele escritor recluso em sua choupana, vitimado por intensas reflexões, que joga toneladas de páginas no lixo e sangra ao escrever cada palavra.

Quando perguntarem sobre os temas de sua obra, deixe fluir toda a sua complexidade. Os menos capazes o acusarão de vagueza pelos cantos, mas é só por não conseguirem enxergar o valor do seu trabalho. Leitores e críticos competentes não terão problemas.

Em qualquer entrevista, responda com três ou quatro dos conceitos destacados a seguir: você busca tratar da “realidade do indizível”, enxerga sua voz numa “zona cinzenta” entre a “reflexão do ser em si mesmo” e a “representação da experiência humana”. Com sua obra, você pretende “desnudar os limites da autoanálise” e a “prática formal da arte”, enquanto explora as “instâncias sociais” e a “barbárie em fragmentos”. Sua “fruição artística” é “difusa e dolorosa”, com “pensamentos que dissecam a alma” e enfrentam o “objeto estético”. Por fim, use aleatoriamente palavras como “hibridez”, “estilo”, “autoficção”, “ausência”, “dialética” e “fronteiriça”.

Imagem pessoal é indispensável. Tenha barba. Use óculos. Organize antologias. Assine orelhas. Ganhe prêmios. Se tiver sido traduzido, ponto extra. Se for do Sul, ponto extra. Se for judeu, ponto extra. Se for jovem e fizer sucesso, ponto extra. Se for da periferia, ponto extra. Colunista de jornal também costuma pegar bem.

A etiqueta exige falsa modéstia. Mas seja sério. Evite sorrir em fotos. Evite selfies. Evite entrevistas. Evite autopublicação. Evite elogiar entusiasticamente o livro do colega — elogie autores mortos, sempre de maneira vaga, digo, complexa: “A obra traz uma hibridez de estilo que demonstra que a dialética da ausência é fronteiriça à autoficção”. Evite redes sociais. Evite eventos populares. Evite vender mais do que dez mil exemplares. Evite leitores. Apenas evite.

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Os 10 livros que todo estudante de jornalismo deve ler

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Jonatan Silva, na Contracapa

O jornalismo – assim como a maioria dos trabalhos com a escrita – se aprende lendo. Por isso, selecionei 10 livros que considero indispensáveis para qualquer estudante de jornalismo – e também para os jornalistas que já deixaram passar essas pequenas pérolas.

Hiroshima – John Hershey (1946)

Vencedor do Prêmio Pulitzer, Hiroshima foi um dos primeiros trabalhos a explorar o Japão pós-guerra. O material foi coletado por Hershey na cidade que dá nome ao livro e conta o dia a dia de sobreviventes à bomba, retratando o antes e o depois do incidente. Hiroshima fou publicado pela primeira vez na edição de 31 de agosto de 1946 da revista New Yorker. Posteriormente, o autor voltou à cidade para conversar com os personagens.

A Sangue frio – Truman Capote (1954)

A Sangue frio, assim como Hiroshima, nasceu para ser uma reportagem, mas acabou por se tornar um dos pilares do jornalismo literário. Quando Capote foi convidado para escrever uma matéria sobre o assassinado da família Clutter, no Kansas, em 1959, ele já era um romancista renomado. Aos poucos, o escritor foi se envolvendo mais e mais no caso e suas “investigações” duraram 5 anos.

A Mulher do próximo – Gay Talese (1981)

Após mais de oito anos de pesquisa e um casamento quase arruinado, A Mulher do próximo se revela uma das empreitadas mais ambiciosas do jornalista norte-americano Gay Talese. O mote principal da outra é remontar a história da literatura erótica e das publicações como a revista Playboy por meio dos seus antessentes históricos.

A Feijoada que derrubou o governo – Joel Silveira (2004)

O texto que dá nome à coletânea de relatos de Joel Silveira mostra as articulações em um jantar para derrubar o governo de João Goulart. Mas o livro vai além e é um reflexo da política brasileira visto por um dos jornalistas mais brilhantes. O olha de Joel é lúcido, capaz de perceber os nuances da cena política como poucos fizeram.

Abusado – Caco Barcellos (2003)

Pérola do jornalismo literário contemporâneo, Abusado remonta o cotidiano do tráfico de drogas no morro Santa Marta, no Rio de Janeiro. A percepção de Barcellos vai além da situação que vê pela ótica jornalística, mas percebe também o poder que o Comando Vermelho tem sobre os moradores e a criação de um nova geração de criminosos.

Os Sertões – Euclides da Cunha (1902)

Muito antes de existir o termo “jornalismo literário”, o escritor Euclides da Cunha já transformava a Guerra de Canudos em um exemplo do gênero. (mais…)

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