Os Dois Mundos de Astrid Jones

Roberto Saviano cancela participação na Flip

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Jornalista italiano era a principal atração da feira

Publicado no Divirta-se

O jornalista italiano Roberto Saviano cancelou sua participação na Festa Literária Internacional de Paraty. Ele era a principal atração do evento e apareceria por lá no sábado, às 19h30.

Roberto é jurado de morte pela máfia pelo seu livro ‘Gomorra’, best-seller que narra fatos e detalhes obscuros do crime organizado. A justificativa para o cancelamento é que ele recebeu uma recomendação do governo italiano de não deixar a Europa. A organização do Flip confirmou sua ausência, mas ainda não definiu quem vai ocupar sua vaga na mesa de sábado à noite. Roberto Saviano vive sob constante vigilância policial desde que recebeu ameaças, morando em lugar indefinido e sob proteção o tempo todo.

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Felipe, 9 anos, 18 livros em um bimestre: “Não resisto nem a rótulo de comida”

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Nada de tablet; amante da leitura em papel, Felipe ganhou no ano passado o certificado de leitor ano da biblioteca da escola

felipe

Publicado em Último Segundo

O pequeno Felipe Ellero da Silva não se esquece do dia em que Claudia, sua mãe, lhe mostrou um livro e explicou: “As histórias todas que te conto estão aqui. Quando você começar a ler, vai poder fazer isso sozinho.”

Estava dada a autorização para que o menino, hoje com nove anos, se permitisse escolher o passeio favorito para os finais de semana: frequentar livrarias e bibliotecas. E não só a seção infantil. Leitor voraz desde os cinco anos, Felipe gosta de livros de arte, de música, biografias e o que mais lhe apetecer nos corredores.

Houve a época dos dinossauros, e então ele ganhou uma porção de enciclopédias sobre o assunto. Depois vieram os livros de mitologia. Nas aulas de música, quando começou a aprendeu sobre Luiz Gonzaga, ganhou uma sanfona antiga dos pais e aprender a tocar Asa Branca.

No ano passado, durante a Copa do Mundo, Felipe montou o álbum de figurinhas, como todos os amigos. Mas não parou por aí: ganhou dos pais um livro com os hinos de todos os países e um atlas para pesquisar as bandeiras. “Quando gosto de um tema, quero saber tudo sobre ele”, resume, com a frase curta e tímida típica da infância.

Tão tímido que responde apenas com um “ahã” quando a repórter pergunta se era mesmo verdade que ele ganhou, no fim do ano passado, o “certificado de leitor” da biblioteca do Colégio Santa Maria, onde cursa o 4º ano do fundamental. Neste ano, o certificado também deverá ir para sua coleção. Só no primeiro bimestre de 2015, Felipe emprestou 18 livros na biblioteca.

“Vou à biblioteca na hora do recreio e já começo ler o livro na fila, enquanto espero para fazer a retirada. Depois continuo no carro. Rapidinho termino”, conta ele, que também não resiste a um rótulo de alimento ou de xampu. “Quero ler tudo”

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Unesco: 34 milhões de crianças não vão à escola em países com conflitos

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Publicado em UOL

Trinta e quatro milhões de crianças e adolescentes não frequentam a escola em países afetados por conflitos, mostra hoje (29) a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), adiantando que são necessários 2,3 milhões de dólares (2 milhões de euros) para educação. Os dados integram um novo texto, divulgado hoje do relatório de acompanhamento da iniciativa Educação para Todos (EPT) da UNESCO.

O último relatório sobre a EPT, divulgado em abril, mostrava que apenas um terço dos 164 países que há 15 anos lançaram a iniciativa atingiram os objetivos fixados e identificava os conflitos como um dos maiores obstáculos ao progresso.

O novo texto indica que “as crianças em países afetados por conflitos têm mais probabilidades de estarem fora da escola que as dos países não afetados,” enquanto para os adolescentes a probabilidade é dois terços maior.

A organização das Nações Unidas refere que uma das “principais razões” para o problema “é a falta de financiamento”. “Em 2014, a educação recebeu apenas 2% de ajuda humanitária.”

Os 2,3 milhões de dólares que a UNESCO considera necessários para fazer regressar à escola as 34 milhões de crianças e adolescentes nos países em conflito correspondem a dez vezes o valor da ajuda disponibilizada para a educação atualmente.

A agência da ONU explica que “mais de metade da ajuda humanitária disponível para educação foi atribuída a apenas 15 dos 342 pedidos feitos entre 2000 e 2014″.

Em 2013, foram identificados nos países em conflitos necessidades de apoio na área de educação as 21 milhões de pessoas. No entanto, apenas 8 milhões foram incluídas nos apelos e destes só 3 milhões receberam ajuda.

“Voltar à escola pode ser a única centelha de esperança e de normalidade para muitas crianças e jovens em países mergulhados em crises”, acrescenta a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, citada no comunicado.

Cerca de 58 milhões de menores estão fora da escola em todo o mundo e 100 milhões não conseguem completar o ensino primário.

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Ubook, aplicativo de audiolivros, faz lançamento de audiolivro durante a Flip

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Em parceria, Ubook estará em uma inovadora Casa Coworking, onde estão previstas inúmeras ações voltadas ao mundo literário

Publicado no Sopa Cultural

O Ubook, aplicativo de audiolivros, não poderia faltar em um dos principais festivais literários do mundo, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece de 01 a 05 de julho, na cidade de Paraty, no Rio de Janeiro. Para a estreia, o Ubook optou por uma parceria na inédita e inovadora Casa Coworking PublishNews. “Participar desse evento vai além de conquistar novas parcerias, é uma forma de ficar sabendo o que de melhor acontece no segmento e seus possíveis desdobramentos”, afirma Flavio Osso, CEO e sócio do Ubook. “Servirá, também, para promover e evidenciar o audiolivro e mostrar a importância para a literatura desse mercado em franco crescimento aqui no Brasil”, completa.

A casa, aberta ao público, terá diferentes atividades, todas com a cultura em comum. A ideia é que se torne ponto de encontro do mercado editorial, onde as pessoas possam relaxar e interagir. Assim, acontecerão happy hours na quinta (2), sexta (3) e sábado (4).

Entre as ações, na sexta-feira, dia 03/07, o Ubook fará o lançamento da versão em audiolivro de “Partículas Subatômicas – Microcontos Brasileiros”, em parceria com a editora O Fiel Carteiro, que também lançara a versão em ebook. Organizada por Luiz Ruffato e José Santos, a obra conta com textos de cerca de 140 caracteres, de diversos autores como Rodrigo Ciríaco, Ivana Arruda Leite, Fernando Bonassi, Cidinha da Silva, Andrea del Fuego, Rogério Pereira e Sidney Rocha. Na ocasião haverá um bate papo com Ruffato sobre o audiolivro e também abordará o tema “as novas formas de consumir cultura”.

Para os visitantes do espaço, com entrada gratuita, diariamente promotoras do Ubook mostrarão o funcionamento do aplicativo de audiolivros. Com o preenchimento de um minicadastro a pessoa ganhará um voucher de 1 (um) mês para experimentar o Ubook, a ser enviado depois por e-mail. Além disso, automaticamente, o cadastro dará direito a sorteios de brindes como camisas, mochilas e fones de ouvido, na casa.

Localizada em ponto estratégico – na rua do Comércio, 26, no centro histórico de Paraty – a casa funcionará no dia 01, das 18h às 22h e de 02 a 05/07 das 10h às 22h. Será compartilhada entre o PublishNews, o aplicativo de audiolivros Ubook, a plataforma de financiamento coletivo BookStart, a produtora de vídeos Casa de Histórias e as editoras DarkSide, Edições SESC SP e O Fiel Carteiro.

Dia 04/07 – Debate sobre “Produção e Consumo Literário na Era do Mundo Digital” com sócio do Ubook
À convite do Clube de Autores, o Diretor de Relacionamento com Editoras e Autores e sócio do Ubook, Eduardo Albano, irá participar de um debate sobre “Produção e Consumo Literário na Era do Mundo Digital”, juntamente com André Palme, da Editora O Fiel Carteiro. A proposta é discutir como o universo de novas plataformas digitais afetam a formação do mercado literário, a disseminação de conteúdo, bem como a própria produção literária como arte. O encontro, gratuito, será dia 04/07, sábado, às 16h30, na Casa do Clube de Autores, localizada na rua Santa Rita, S/N, em Paraty

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A obra e vida de Mário de Andrade ajudaram a moldar a cultura brasileira – entre os frutos indiretos de sua atuação estão, por exemplo, a preservação da cidade de Paraty e da Flip. Nada mais justo que a 13 edição, a homenagem da Flip seja para o autor paulista, morto prematuramente em 1945, cuja vida e obra ainda iluminam o Brasil do século 21.

Quem ainda não conhece o trabalho do escritor ou quer apreciá-lo de uma forma moderna – por meio do audiolivro –, no Ubook está disponível o grande clássico “Macunaíma – O Herói sem Nenhum Caráter”. Mário de Andrade publicou esta obra em 1938. Por falta de editora, a tiragem do romance foi de apenas 800 exemplares, mas o livro foi festejado pela crítica modernista por sua inovação narrativa e de linguagem. Macunaíma é o herói sem caráter, símbolo de um povo que não descobriu sua identidade. Uma releitura do folclore, das lendas, dos mitos do Brasil, numa linguagem popular e oral.

Sobre o Ubook
Lançado no início de outubro de 2014, o Ubook é o primeiro serviço de assinatura de audiolivros por streaming do Brasil. Ele funciona como o Netflix para vídeos ou o Spotify ou Rdio para música: por um valor mensal, ou semanal, é possível ter acesso ilimitado a todo o catálogo através de um aplicativo. A plataforma está disponível para Web, iOs e Android. (mais…)

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Encontros com Susan – Fragmentos de uma entrevista de 1978

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FRANCESCA ANGIOLILLO na Folha de S.Paulo

RESUMO A escritora norte-americana Susan Sontag (1933-2004) foi entrevistada duas vezes em 1978 pelo jornalista Jonathan Cott para a revista “Rolling Stone”, que, em 1979, publicou parte do diálogo. A íntegra, editada em inglês em 2013, sai no mês que vem no Brasil; uma seleta das respostas é apresentada, em tópicos, aqui.

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Um escritor é alguém que presta atenção ao mundo. A famosa definição de Susan Sontag para seu ofício é, quase certamente, a melhor definição dela própria.

Ficcionista, dramaturga, crítica e sobretudo ensaísta –mas também cineasta e, notavelmente, ativista–, Sontag foi autora de um livro inteiro sobre fotografia no qual, ultrapassada a capa, não há uma só fotografia; e de um ensaio de história cultural sobre a doença escrito praticamente num leito de hospital, ao longo de um tratamento contra o primeiro de seus dois cânceres –o segundo a mataria aos 71 anos, em 2004.

Foi em 1978, aproximando-se a confluência desses lançamentos –”Sobre Fotografia” saíra no ano anterior; “Doença como Metáfora” estava para sair, bem como o livro de contos “I, Etcetera”– que o jornalista Jonathan Cott entrevistou a escritora. Ele conhecera Sontag quando era aluno na Universidade Columbia, em Nova York, onde ela lecionava, e viria a ter com ela algumas vezes ao longo dos anos 1960. Até o fim da década seguinte, porém, Cott não tinha achado oportunidade para um almejado encontro mediado pelo gravador.

Quando Sontag aceitou a proposta de ser entrevistada para a revista “Rolling Stone”, eles se viram em Paris, onde a ensaísta estava morando, no mês de junho. Conversaram por três horas, ao fim das quais a entrevistada –para surpresa do entrevistador, que ia se dando por satisfeito– propôs um segundo encontro, em Nova York, para onde estava voltando.

Esse novo encontro se daria só em novembro; a entrevista foi publicada quase um ano depois, em outubro de 1979 –um terço dela. A íntegra da conversa em dois tempos dormiu nos arquivos de Cott até 2013, quando foi publicada em livro pela Yale University Press. No mês que vem, sai no Brasil como “Susan Sontag: Entrevista Completa para a Revista ‘Rolling Stone'” [trad. Rogério Bettoni, Autêntica, R$ 34, 128 págs.].

Na segunda resposta a Cott, Sontag expressa sua noção de estar no mundo –e atenta.

“Olha, o que quero é estar presente por inteiro na minha vida –ser quem você é de verdade, contemporânea de si mesma na sua vida, dando plena atenção ao mundo, que inclui você. Você não é o mundo, o mundo não é idêntico a você, mas você está nele e presta atenção nele. O escritor faz isso –presta atenção no mundo. Sou contra essa ideia solipsista de que está tudo na nossa cabeça.”

De uma ou outra forma, as cerca de cem páginas que se seguem podem ser lidas como uma glosa dessa ideia –e de outra, complementar, que é a de que esse “estar no mundo” é sempre mutável.

Cott recorda que, em determinado momento entre os dois encontros, Sontag lhe dissera: “Precisamos nos ver logo porque eu posso mudar demais”. “Isso me surpreendeu”, confessa ele. Rindo, a escritora responde: “Por quê? Parece tão natural”.

DESLOCAMENTOS

Sontag teve uma biografia incomum e marcada por mudanças e deslocamentos, nem sempre voluntários. Não conheceu o pai, um comerciante de peles que morreu na China quando ela tinha quatro anos. Sua mãe, alcoólatra, decidiu sair de Nova York para o Arizona em busca de clima mais quente para a irmã de Susan, que era asmática.

Ter aprendido a ler sozinha aos três anos, quando a maioria das crianças está ainda estruturando a linguagem verbal, fez dela uma devoradora de livros. Mais ainda, fez com que ela questionasse a validade mesma do conceito de infância, como se vê na entrevista.

Diante da conturbada vida familiar, afirma-se sem origens, o que pode ter a ver com a perseguição da autonomia em sua trajetória.

ilustração LEDA CATUNDA

ilustração LEDA CATUNDA. Foto Adriano Vizoni/Folhapress

Precoce em tudo, casou-se aos 17 com Philip Rieff, seu professor na Universidade de Chicago –a segunda que frequentava, depois de um período em Berkeley. Aos 25, abandonaria casamento e vida acadêmica de uma tacada, após um período na Europa. Seguiu vida independente, ao lado do filho, David, e de amantes –a última foi a fotógrafa Annie Leibovitz.

A maneira como saltou de tema a tema e se aventurou em diferentes formas de expressão, semelhante à forma errática como escolhia leituras na infância, é notável e, às vezes, vista como ligeireza.

“Não se pode interpretar a obra a partir da vida. Mas pode-se, a partir da obra, interpretar a vida”, escreveu em um de seus ensaios mais famosos, “Sob o Signo de Saturno”. O que diz sobre o filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940), vale em boa extensão para ela mesma, e os fulcros entre as instâncias surgem na entrevista com Cott, ao final da qual fica a impressão de que Sontag está mais em seus livros do que considerava.

Embora seu pensamento seja límpido –a maneira articulada como falava, em “parágrafos extensos e bem cuidados”, é frisada por Cott no prefácio– a figura que fica desse livro é mais errática, humana e acessível do que a imagem de séria Minerva, mecha branca sobre a fronte, que se tem dela.

É essa a Sontag que, na íntegra, nos convida a ler sua obra e nos faz pensar sobre o que, no mundo de hoje, captaria sua atenção.

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ESTAR NO MUNDO

O que quero é estar totalmente presente na minha vida -ser quem você realmente é, contemporânea de si mesma na sua vida, dando plena atenção ao mundo, que inclui você. Você não é o mundo, o mundo não é idêntico a você, mas você está nele e presta atenção nele. O escritor faz isso -presta atenção no mundo. Sou contra essa ideia solipsista de que está tudo na nossa cabeça. Mentira, há um mundo lá fora quer você esteja nele ou não.

ESCREVER SOBRE A DOENÇA

Escrever não costuma ser agradável para mim. Geralmente é muito cansativo e entediante, porque passo por muitos rascunhos quando escrevo. E, apesar do fato de que tive
de esperar um ano para começar a escrever, “A Doença como Metáfora” foi uma das poucas coisas que escrevi bem rápido e com prazer, pois podia me conectar com tudo que estava acontecendo diariamente na minha vida.

ENVELHECER
Você não pode se irritar com a natureza. Não pode se irritar com a biologia. Todos nós vamos morrer -é algo muito difícil de aceitar- e todos vivenciamos esse processo. A sensação é de que existe uma pessoa -na sua cabeça, basicamente- presa nesse repertório fisiológico que vai sobreviver pelo menos uns 70 ou 80 anos, normalmente, em (mais…)

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