Paradas de ônibus viram biblioteca no centro de Campo Bom (RS)

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Projeto disponibiliza estantes com dezenas de livros em dois pontos centrais

A novidade na espera pela condução deixou os estudantes mais calmos antes de voltar para casa Foto: Charles Dias / Especial

A novidade na espera pela condução deixou os estudantes mais calmos antes de voltar para casa
Foto: Charles Dias / Especial

João Vitor Novoa, no Zero Hora

Uma ideia simples que pode mudar a vida de muitas pessoas sem acesso à cultura.
Em Campo Bom, as paradas de ônibus viraram centros de leitura de qualidade.

Ao lado do ponto, uma estante abastecida com diversos títulos oriundos de descartes da biblioteca municipal fazem os passageiros do município de 60 mil habitantes esquecerem, por instantes, as preocupações de mais um dia de trabalho ou aula.

Por enquanto, são duas estantes com 200 obras cada, nos dois pontos de maior circulação da cidade. Títulos como O Cortiço, de Aluísio Azevedo, Quincas Borba, de Machado de Assis, Risíveis Amores, do tcheco Milan Kundera, entre outros, entregam cultura aos acostumados com a monotonia da espera pelo ônibus.

Quem estiver caminhando pelos pontos da avenida Brasil ou da rua dos Andradas terá o direito de escolher um livro e levar para casa se quiser, com a obrigação de devolvê-lo no mesmo estado de conservação. Batizado como Cada Canto um Conto, o projeto não terá controle específico.

— Não há fiscalização, não há muros, grades. O objetivo é que as pessoas leiam. Campo Bom quer mostrar que a comunidade pode crescer junta — explica Juraci Reichert, coordenadora do projeto e supervisora administrativa do Complexo Cultural CEI, vinculado à prefeitura do município.

Para a estante permanecer o ano inteiro recheada de títulos, as doações poderão ser realizadas na hora, sem comprovante algum. Basta o cidadão levá-las para as estantes e permitir que pessoas como a auxiliar administrativa, Marisa Stein, aproveitem a chance de ler obras inéditas em suas vidas.

— É muito bacana. Pego o ônibus para ir ao supermercado e ele acaba demorando às vezes. É uma oportunidade de mantermos esse bom hábito que é a leitura — analisa.

Criançada se acalma ao folhear os títulos

O acervo das minibibliotecas atrai também as crianças que usam o transporte público para ir à escola. Antes, os pontos eram uma algazarra pela manhã, graças a ansiedade dos pequenos. Agora, o ambiente está silencioso. Mas seguem as brincadeiras.

— Eu peguei O Último Adeus de Sherlock Holmes (escrito por Sir Arthur Conan Doyle). Escolhi bem, né? Já ele ficou com um de menina — diverte-se Cauê de Oliveira, nove anos, aluno do quinto ano da Escola Municipal Dom Pedro II, apontando para o colega que colocou na mochila um exemplar de O Diário de Débora, de Liliane Prata.

Dependendo do volume de doações, a prefeitura irá levar o projeto para mais pontos. Segundo a organização, o extravio de obras não preocupa, pois 97% dos livros alugados na biblioteca municipal são devolvidos.

dica do Jarbas Aragão

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Filha de agricultor de Jequiá da Praia representa AL no quadro Soletrando

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Nathálya Regina venceu a seletiva regional e disputa etapa nacional no RJ.
Estudante se preparou para disputa com ajuda de professores.

Waldson Costa, no G1

No dia 2 julho a estudante do 6º ano do ensino médio, Nathálya Regina da Silva Passos, 11, da Escola Municipal José Cursino dos Santos, de Jequiá da Praia, município que fica a 66 km de Maceió, fará sua primeira viagem de avião. Vencedora da seletiva regional da competição Soletrando, ele representará Alagoas na etapa nacional, que acontecerá no Rio de Janeiro.

Nathálya Regina continua estudando para a etapa nacional do Soletrando (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Nathálya Regina continua estudando para a etapa nacional do Soletrando (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Filha de um agricultor, que trabalha no plantio e colheira da cana-de-açúcar, e de uma dona de casa, Nathálya Regina se preparou para a competição com ajuda de professores e de uma tia, que também é educadora; fazendo leitura de textos, palavras do dicionário e ditados.

“Estudei muito e me preparei bastante para competição. Como a classificação era algo que eu queria muito, fiquei nervosa, mas estava confiante”, conta Nathálya, ao lembrar que a mãe chorou de felicidade com a conquista, que foi comemorada por toda família.

Para a educadora e tia da estudante, Fernanda Passos, a classificação de Nathálya para etapa nacional representa o avanço da educação pública municipal e serve de incentivo para que outras crianças se empenhem no estudo.

“Para os educadores é o reconhecimento do nosso trabalho, da qualidade do ensino. Para os estudantes, uma motivação a mais para os estudos. Tanto, que ela se espelhou em um outro aluno do município que foi finalista no ano anterior”, expôs.

Ao enfatizar que Nathálya Regina é bastante estudiosa e curiosa, Fernanda Passos, que já acompanhou outro aluno na competição, diz que além do conhecimento, o equilíbrio psicológico conta muito neste tipo de competição. “Ela está preparada e já é um orgulho para a família. A preparação com leitura e jogos de palavras devem continuar, e esperamos que ela consiga controlar o nervosismo na próxima etapa para se sair bem”, completa a professora.

Feliz com a conquista, Nathalya Regina, que tem como objetivo futuro se formar em Direito, e sonho em ganhar um computador, diz que vem estudando todos os dias para vencer a etapa nacional do Soletrando 2013, que acontecerá durante as gravações do programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo.

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Etapa Regional
Nathálya Regina da Silva Passos, da Escola Municipal José Cursino dos Santos, de Jequiá da Praia, disputou a final da etapa regional do Soletrando, em Alagoas, com outros cinco estudantes.

Na final regional, participaram da disputa os estudantes: Aleksandro Vicente Da Silva Junior, da Escola Municipal de Educação Básica Benedito Coutinho (Jequiá da Praia), Gabrielle Ramalho Leite de Sousa, da Escola Municipal de Educação Básica Messias João Coelho (Jequiá da Praia), Mariana Bispo da Silva, da Escola Municipal de Educação Básica Maria Lopes Bertoldo (Jequiá da Praia), Rosângela de Lima da Silva, da Escola Municipal de Educação Básica Eutíquio Quintela Cavalcante (Jequiá da Praia) e Sabrina Rodrigues, do município de Canapi, cidade do Sertão alagoano.

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Inspiração etílica para escrever livros é mais antiga que a Bíblia

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Foto: Freepik

Foto: Freepik

Iara Biderman e Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

O álcool é ligado à inspiração para escrever desde que o mundo é mundo.

Ou, pelos menos, desde que a história cultural do Ocidente começou a ser escrita, segundo o historiador Henrique Soares Carneiro, da USP, autor de “Bebida, Abstinência e Temperança na História Antiga e Moderna” (Senac).

“Essa relação está presente desde os antigos gregos. Você encontra isso em Platão, quando ele fala no [diálogo] ‘Fedro’ que há quatro formas de loucuras boas, inspiradas pelos deuses”, diz Carneiro.

As loucuras platônicas são a inspiração poética (dada pelas musas), a profética (por Apolo), a erótica (por Afrodite) e a dionísica -a inspiração da embriaguez.

“O tema da inspiração dionísica será encontrado em toda a história do pensamento ocidental. É a ideia da criação como arrebatamento, de que é preciso sair do controle estrito da razão, perder o juízo, dar vazão a uma dimensão pouco acessível do ego”, explica o historiador.

Em suas pesquisas para “O Último Copo”, Daniel Lins diz ter se surpreendido com o papel do rei Salomão, destacado personagem da Bíblia, como um verdadeiro sábio em assuntos etílicos.

“Há nos textos dele indícios importantíssimos para compreender o que é um alcoólatra, alguém que entra em parafuso quando começa a não ter mais o álcool. Ele era adicto e já entendia tudo, inclusive usava o ‘amanhã vou parar de beber’.”

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Livro de Neil Gaiman, “O Oceano no Fim do Caminho” celebra as mulheres

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Reinaldo José Lopes, na Folha de S.Paulo

Neil Gaiman, o criador da aclamada série de quadrinhos “Sandman”, está de volta à seara dos romances para adultos com uma trama que reúne alguns dos elementos centrais de suas obras anteriores: um garoto normal que é arrastado para um mundo mágico e perigoso e um trio de mulheres misteriosas que guiam o menino nesse universo sobrenatural.

As três personagens –uma menina, sua mãe e sua avó– moram numa fazenda de Sussex, na Inglaterra, cenário inspirado na infância de Gaiman, e cozinham todo tipo de guloseima para o jovem protagonista, mas estão longe de ser pessoas normais.

A garota diz que é dona de um oceano (embora ele pareça só um laguinho de chácara) –daí o nome do novo livro, “O Oceano no Fim do Caminho”. Já a avó diz se lembrar de como era o Cosmos antes do Big Bang, e nenhuma delas parece envelhecer.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

Elas são, no fundo, encarnações da chamada Deusa Tripla –figura identificada por estudiosos em várias mitologias europeias, que representaria o poder da mulher nas principais fases de seu ciclo de vida (virgindade, maternidade e velhice).

O escritor diz que esse é seu livro mais pessoal –”o narrador de sete anos de idade é mais ou menos eu”, afirma–, mas recusa o rótulo de autobiografia, a começar pelas cenas violentas envolvendo o protagonista e seu pai. Leia trechos de sua entrevista.

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Folha – Até que ponto o sr. diria que seu novo livro é autobiográfico?
Neil Gaiman – Ele é, de longe, o livro mais pessoal que eu já escrevi, mas não significa que os fatos ali sejam verdadeiros, mesmo no caso dos fatos que eu roubei da vida real.

Perdi as contas de quantas vezes figuras parecidas com a chamada Deusa Tripla já figuraram na sua obra. E elas são muito importantes nesse novo livro. O sr. consegue explicar o porquê disso?
Não, na verdade não consigo. É algo que parecia totalmente a coisa certa a fazer quando comecei a escrever “Sandman”, quando me deram carta branca para usar uma série de personagens antigos da DC [a editora de HQs que publica "Batman" e "Superman", por exemplo].

Eu achei uma delícia transformar as três bruxas que apareciam nos quadrinhos de terror da DC na Deusa Tripla, a donzela, a mãe e a velha. Depois de fazer isso, acabei me dando conta de que esse era um jeito muito interessante de falar com o leitor e de criar personagens, e elas continuaram a morar dentro da minha cabeça.

O sr. acha que isso é um tema comum na sua obra, essa visão quase reverencial das mulheres como seres poderosos e sábios?
É engraçado, nesta manhã mesmo eu estava conversando com minha mulher [a cantora americana Amanda Palmer], e ela disse: “Sabe, querido, a grande mensagem que fica de todos os seus livros é que você venera as mulheres” (risos). E acho que isso é verdade. As mulheres são incríveis, maravilhosas, dão-nos a vida, afinal de contas.

Levando em conta esses personagens recorrentes, o sr. já sentiu a tentação de amarrar todas as suas histórias num único universo, criando a sua “Terra-média” ou a sua “Nárnia”, digamos?
Muitas delas são amarradas pela parte dos fundos, digamos, mas nunca senti esse impulso de juntar todas as coisas, acho que há o perigo de tudo ficar menos interessante.

A literatura de fantasia ainda sofre preconceito. Do ponto de vista literário, o que a fantasia é capaz de realizar e que outros gêneros não?
Fantasia é um termo tão amplo… Para mim, cobre tudo, inclusive a ficção realista. O que estamos tentando fazer é sempre a mesma coisa: falar de coisas grandes e verdadeiras contando mentiras.

E, se você conseguir fazer com que aquilo pareça mítico, com o sabor de uma história verdadeira que você sente que sempre soube, mas tinha esquecido, então terá sucesso.

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Livro ‘O Último Copo’ levanta o debate sobre a relação entre embriaguez e atividade literária

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alcool

Iara Biderman e Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Entre a época em que F. Scott Fitzgerald via graça em ser “um dos mais notórios bêbados” de sua geração e o pungente relato pessoal que publicou na “Esquire”, em 1936, com o autoexplicativo título “The Crack-Up” (o colapso), não foram nem dez anos.

No primeiro momento, o autor surfava na fama com obras como “O Grande Gatsby” (1925), cuja quinta adaptação para as telas estreou no Brasil neste mês. No segundo, já nem podia concluir um livro, vencido pelo alcoolismo.

A fama de bêbado grudou nele como praga. Fitzgerald figura em qualquer lista de autores alcoólatras, de obras leves, como o “Guia de Drinques” (Zahar, 2009), que dá a receita do gim com limão de que era adepto, a estudos alentados, caso do recente “O Último Copo” (Civilização Brasileira), de Daniel Lins.

Lins, brasileiro que passou boa parte da vida na França, conviveu por dez anos com o filósofo Gilles Deleuze (1925-1995), de quem foi aluno. Herdou do mestre, alcoólatra recuperado, o interesse por uma “teoria do álcool”.

“Queria saber o que o autor que bebe pensa sobre a constituição do pensamento.” Bebedor moderado, segundo diz, dedicou cinco anos a obras etílicas, como a de Fitzgerald e a da francesa Marguerite Duras (1914-1996).

A fama de bêbado grudou nele como praga. Fitzgerald figura em qualquer lista de autores alcoólatras, de obras leves, como o “Guia de Drinques” (Zahar, 2009), que dá a receita do gim com limão de que era adepto, a estudos alentados, caso do recente “O Último Copo” (Civilização Brasileira), de Daniel Lins.

Lins, brasileiro que passou boa parte da vida na França, conviveu por dez anos com o filósofo Gilles Deleuze (1925-1995), de quem foi aluno. Herdou do mestre, alcoólatra recuperado, o interesse por uma “teoria do álcool”.

“Queria saber o que o autor que bebe pensa sobre a constituição do pensamento.” Bebedor moderado, segundo diz, dedicou cinco anos a obras etílicas, como a de Fitzgerald e a da francesa Marguerite Duras (1914-1996).

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