Aulas de xadrez melhoram raciocínio, criatividade e até o boletim

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"Xadrez é mais legal que futebol, porque não cansa. Mas é bem difícil no começo, são muitos movimentos diferentes para decorar", diz Alex Oliveira, 8, que joga há dois anos (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

“Xadrez é mais legal que futebol, porque não cansa. Mas é bem difícil no começo, são muitos movimentos diferentes para decorar”, diz Alex Oliveira, 8, que joga há dois anos (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

Bruno Molinero, na Folha de S.Paulo

“Nunca mais tirei nota vermelha em matemática”, diz Camila Fernandes, 12. “Sinto que estou mais atento às aulas”, fala Guilherme Alves, 12. “Todas as minhas notas subiram”, conta Alex Oliveira, 8. Nos três casos, o motivo para a melhora no desempenho na escola é o mesmo: as aulas de xadrez.

Aposto que muita gente já torceu o nariz, por achar que o jogo é chato ou difícil. Na verdade, o xadrez é como se fosse uma guerra. Cada um dos jogadores tem à disposição um exército, simbolizado nas pecinhas do tabuleiro. O objetivo é usar seus “guerreiros” para matar o rei adversário. Parecido a muito videogame de luta e estratégia, não?

“Para vencer, é preciso usar a mente. Acho que é por isso que o boletim melhora. Você exercita a cabeça”, diz Alex, que joga há dois anos e participou da Final Municipal de Xadrez, que reuniu alunos de escolas públicas de São Paulo, em junho.

Segundo Antonio Carlos Duarte de Carvalho, coordenador do Núcleo de Xadrez da USP, Alex tem razão. “Pesquisas mostram que a prática desenvolve o raciocínio matemático e o pensamento crítico, além de melhorar a imaginação, criatividade e comunicação. Para crianças, é um bom apoio ao desenvolvimento na escola”.

Atualmente, o Brasil ocupa a 35ª posição no ranking da Federação Internacional de Xadrez, atrás dos vizinhos Argentina e Peru, por exemplo. E ainda há preconceito com a modalidade, muitas vezes relacionada a “nerds”. “Nada a ver. Eu e meus amigos jogamos futebol todos os dias na rua e gostamos de xadrez”, diz Guilherme. A não ser que “nerd” seja sinônimo de inteligente. Aí sim.

Ensino de xadrez deve ser obrigatório nas escolas?

A Armênia é um país bem pequeno que fica perto da Rússia e tem pouco mais de 3 milhões de habitantes, mas virou notícia no mundo inteiro ao determinar, em 2011, que todas as crianças tenham aulas de xadrez nas escolas públicas. De acordo com o governo, a prática estimula o desenvolvimento infantil. Não é à toa que o país está entre os cinco melhores do mundo na modalidade (a Rússia é o primeiro colocado).

“O xadrez é subaproveitado nas escolas do Brasil. Ele deveria ser usado nas salas de aula, mas não de maneira obrigatória, como na Armênia. Como não estamos acostumados com o esporte, isso poderia gerar uma resistência ainda maior das crianças”, diz Antônio Carlos Duarte de Carvalho, do Núcleo de Xadrez da USP. O segredo, para ele, é mostrar o jogo de uma maneira divertida.

Mas escolas públicas e particulares do país adotam cada vez mais o tabuleiro. Entre elas, está o Instituto Dom Barreto, no Piauí, que têm aulas de xadrez e até de latim (língua antiga que deu origem ao português). O colégio costuma aparecer entre as melhores notas do Enem (prova do governo) e tem um aluno entre os primeiros brasileiros a receber a medalha de ouro da olimpíada internacional de astronomia.

“É que os benefícios do xadrez são muitos, do desenvolvimento da lógica até o da criatividade”, diz Carvalho.

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Concurso Cultural Literário (94)

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capa taylor

LEIA UM TRECHO

Taylor Swift é considerada uma das artistas de maior sucesso dos últimos tempos, tendo vendido mais de 26 milhões de discos, ganhado diversas vezes os maiores prêmios da música mundial e conquistado uma enorme legião de fãs ao redor do globo, que também a seguem na internet. Cantora, atriz, compositora, instrumentista e produtora musical, tem em sua personalidade uma combinação irresistível de força e delicadeza, que, aliadas ao seu talento, carisma e beleza a transformaram em uma das estrelas mais inspiradoras da sua geração.

Este fascinante livro é recheado de detalhes surpreendentes e reveladores da verdadeira Taylor e contam a história completa: o que a motiva, suas influências, a verdade sobre seus relacionamentos com John Mayer, Harry Stiles e Jake Gyllenhaal, sua discografia e filmografia, fotos coloridas, intimidades, planos e muito mais sobre a vida da princesa do pop country que despontou aos 17 anos no interior dos Estados Unidos e conquistou o mundo.

Vamos sortear 3 exemplares de “Taylor Swift – A história completa“, superlançamento da Gutenberg.

Para participar, basta dizer qual é a sua música favorita da Taylor Swift.

Não esqueça de deixar seu e-mail se usar o Facebook.

O resultado será divulgado dia 9/10 neste post.

Boa sorte! ;-)

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Vlogs das obras de Jane Austen

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Patricia Aguiar Gazza, no Psychobooks

A adaptação de obras literárias para o cinema não é novidade – e ultimamente estamos sendo bombardeados por elas. Mas vocês sabiam que duas das obras de Jane Austen foram adaptadas para o formato de vlog no YouTube? Vem que eu conto tudo!

A ideia partiu de Hank Green, irmão do John Green. A primeira obra adaptada foi Orgulho e Preconceito e se chama The Lizzie Bennet Diaries. O episódio de estreia foi ao ar no dia 9 de abril de 2012 e o último, o 100º, em 28 de março de 2013.

O vlog é feito por Lizzie Bennet com a ajuda de sua melhor amiga, Charlotte, e ao longo dos 100 episódios ela nos conta sobre sua vida – e o que ela nos conta é a história de Orgulho e Preconceito, com algumas mudanças e modernizações. Frequentemente vemos suas duas irmãs, Jane e Lydia, e outros personagens, como Bing Lee (o Bingley do livro), sua irmã Caroline e, claro, Mr. Darcy.

lizzie-e-darcy

Mr. Darcy e Lizzie

A quantidade de episódios pode assustar, mas eles são curtos, com duração média de 5 minutos cada um. Quando eu descobri o vlog ele já estava concluído e assisti tudo em poucos dias, de tão gostosos que os episódios são!

Em certo ponto do vlog da Lizzie, sua irmã Lydia decide fazer um vlog também, que conta com 29 episódios. Tanto o vlog da Lizzie quanto o da Lydia possuem legendas para o português.

Lizzie e Lydia

Lizzie e Lydia

Além do vlog da Lydia, há outros spin-offs para o vlog da Lizzie: Maria of the Lu (7 episódios sobre a irmã da Charlotte, Maria), Collins & Collins (2 episódios produzidos pela empresa do Mr. Collins), Pemberley Digital (6 episódios apresentados pela irmã do Mr. Darcy, Gigi, que trabalha na empresa de mesmo nome) e Welcome to Sanditon (atualmente com 24 episódios sobre o verão de Gigi Darcy em Sanditon – obra inacabada de Jane Austen que se passa na cidade de mesmo nome).

The Lizzie Bennet Diaries fez tanto sucesso que ganhou um Emmy em 2013! Parece que tudo que os irmãos Green tocam vira ouro, não? E foi motivado pela ótima recepção do primeiro vlog que Hank decidiu fazer um segundo, dessa vez centrado em Emma – o Emma Approved. O primeiro episódio foi ao ar no dia 7 de outubro de 2013 e atualmente está no 72º episódio.

No vlog, Emma Woodhouse trabalha com estilo de vida e união de casais – ou, como ela mesma define, ela torna sua vida melhor e nunca falha nisso. Esse eu ainda não comecei a assistir, mesmo porque ainda não li o livro #shameonme, mas pretendo corrigir isso neste ano ainda. Como não está concluído, ele ainda não possui legendas em português.

E você acha que eles pararam nas adaptações? Não! Os vlogs possuem site (aqui o da Lizzie, aqui o da Emma) e todas as redes sociais possíveis – é como se os personagens realmente existissem e interagissem com a gente! Não é demais?

Enfim, para quem gosta das obras da Jane Austen é um prato cheio – é uma delícia assistir os personagens dela nos dias de hoje e reconhecer neles e nas histórias que contam os elementos e as características presentes nos livros. Se você não é fã da autora, dê uma chance aos vlogs! Quem sabe você não gosta e comece a se interessar pelas obras dela?

Como eu disse, assisti ao vlog todo da Lizzie em poucos dias e me apaixonei. Para minha alegria, em julho foi lançado um livro intitulado The Secret Diary of Lizzie Bennet, escrito por Bernie Su e Kate Rorick, dois dos roteiristas da série, e é uma espécie de behind the scenes da série – nele temos mais detalhes da vida dos personagens. Em breve ele será lançado aqui no Brasil sob o título O Diário Secreto de Lizzie Bennet pela Verus! \o/

Para finalizar, deixo abaixo o primeiro episódio do The Lizzie Bennet Diaries, com mil recomendações de que vocês assistam!

o diario secreto de lizzie bennetEm tempo:

A Editora Verus anunciou hoje por meio de sua página do Facebook que lançará o livro aqui no Brasil em novembro! <3

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Cartunista islandês lança no Brasil livro com piadas sobre temas polêmicos, de zoofilia ao nazismo

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Em ‘Como você pode rir de uma coisa dessas?’, cartunista islandês faz humor com temas macabros

Cartum de Dagsson, desenhista islandês, autor de "Como você pode rir de uma coisa dessas?" - Reprodução /

Cartum de Dagsson, desenhista islandês, autor de “Como você pode rir de uma coisa dessas?” – Reprodução /

Bolívar Torres em O Globo

RIO – Pode-se rir de tudo — mas não com todo mundo. A clássica frase do francês Pierre Desproges se aplica com perfeição ao trabalho do cartunista Dagsson. Nem todos vão rir dos seus desenhos, por mais que ele tente fazer graça com tudo. Publicados pela primeira vez no Brasil no recém-lançado “Como você pode rir de uma coisa dessas?” (Editora Veneta), que reúne em um só volume três livros do autor islandês, os despudorados cartuns trazem piadas sobre zoofilia, nazismo, vômito, esquartejamento, bullying, miséria, solidão… Um pacote insólito que faz jus ao seu título brasileiro.

— Se todo mundo gostasse do meu trabalho, eu estaria fazendo algo errado — diz o desenhista, em entrevista por e-mail. — As pessoas devem discordar sobre arte. Se alguns se sentem ofendidos por meus cartuns, isso é bom. Não há nada errado em ser ofendido. Eu, por exemplo estou sempre ofendendo a mim mesmo, buscando meus próprios limites.

Para o bem ou para o mal, é impossível ficar indiferente ao livro de Dagsson. Os próprios editores reuniram, na contracapa, algumas das reações iradas na imprensa internacional. Entre os xingamentos dos críticos, “lixo” é talvez o mais suave. “Proíbam esse livro”, suplica um jornalista do “Irish sun”. Já o resenhista do “Gateway Sun” afirma que o autor tem menos talento que o seu cachorro: “Não quero tal livro na minha casa, vou colocá-lo no lixo reciclável na esperança de que seu papel possa ser aproveitado em um título mais merecedor”, resume.

O traço singelo e tosco do cartunista islandês dá um toque infantil aos desenhos (que, de fato, poderiam ter sido feitos por qualquer criança) e que contrasta com a violência dos temas. Buscando constantemente quebrar todos os tabus, Dagsson nos leva a refletir sobre a linha tênue que separa provocação e mau gosto.

— É difícil dizer o que é provocação e o que é mau gosto — avalia o autor. — Acho que esses cartuns são como uma terapia para mim. Tenho consciência da feiura do ser humano e uso o humor para lidar com isso.

Traço infantil e provocação - / Reprodução

Traço infantil e provocação – / Reprodução

A origem dessa visão macabra é um mistério. Dagsson afirma que teve uma infância banal — nenhum trauma, nenhum episódio envolvendo facas ou picadinho de crianças (sim, há um cartum sobre isso). Quando criança, ele gostava de ler quadrinhos como “Calvin & Haroldo”. Só mais tarde, descobrindo Monthy Python na adolescência, percebeu que “assassinatos e vômitos podiam ser divertidos”. Além dos conflitos entre provocação e mau gosto, o cartunista aprecia outra linha tênue: aquela que separa o horror e o humor.

— Minha infância foi normal e entediante — conta. — Quando criança, sempre gostei da fantasia. Tinha uma vívida imaginação. Sou extramente tímido, porém. E ainda o sou. Tinha medo de tudo e usei minha imaginação para escapar da realidade. Agora uso a imaginação para ridicularizar a realidade.

Ao folhear as páginas de “Como você pode rir de uma coisa dessas?”, o leitor poderá achar que atingiu o cume da miséria humana. Dagsson, porém, jura que pode ir mais longe. Por incrível que pareça, ele revela que pratica a autocensura. Chega até a largar a caneta sempre que uma ideia “particularmente horrível” está para ganhar vida. Perguntado sobre qual de seus desenhos considera mais chocante, o cartunista dá a entender que o pior ainda está para vir.

— Acho que esse desenho ainda não foi feito — garante.

Cartunista jura que já praticou autocensura - / Reprodução

Cartunista jura que já praticou autocensura – / Reprodução

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Há diferença de compreensão quando se lê livros e e-books? Pesquisa responde

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livros físicos x e-books

Publicado no Canal Tech

No Brasil, a utilização de dispositivos digitais como os e-readers para a prática da leitura ainda não é pouco difundida e apenas 5% dos livros vendidos no país são digitais – nos Estados Unidos este número já chega a 25%. Mas com um aumento deste tipo de leitura, estudos estão sendo realizados para avaliar se é melhor ou pior para o entendimento a leitura de livros digitais ou tradicionais.

Segundo a Folha de S.Paulo, os resultados apresentam um empate técnico. Duas pesquisas foram realizadas, uma onde os pesquisadores apontam que quem lê em e-readers possui mais dificuldade em relembrar a cronologia dos fatos do que quem lê em livros. Uma segunda pesquisa, no entanto, mostrou que a possibilidade de personalização dos e-books pode ajudar pessoas com dificuldade de atenção.

No primeiro estudo, desenvolvido pela pesquisadora Anne Mangen, da Universidade de Stavanger, na Noruega, 50 estudantes foram divididos em dois grupos: um para ler em um e-book e o outro para ler um livro. Após lerem o mesmo conto nas diferentes plataformas, os estudantes foram questionados pelos pesquisadores sobre alguns aspectos da história.

Na hora de responder perguntas sobre ambientação, personagens e objetos da obra as respostas dos dois grupos foram muito próximas, sendo difícil afirmar que nestes quesitos realmente haja uma diferença relevante entre os meios. No entanto, quando questionados sobre a ordem dos eventos da história, os que leram e-books apresentaram muito mais dificuldade em lembrar a ordem cronológica dos acontecimentos.

Para a realizadora do estudo, Anne Mangen, essa dificuldade pode ser reflexo de um retorno tátil que não acontece no Kindle. Isso porque o formato do aparelho não permite a percepção de progresso como acorre no livro que, conforme você lê, vai sentindo que um lado vai diminuindo enquanto o outro aumenta. A reconstrução mental da história pode ter este processo como um dos fatores que auxiliam a memória.

O outro estudo foi realizado pelo pesquisador Matthew Scheneps, do departamento de estudo científico do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, nos Estados Unidos. Para realizar a pesquisa, 100 estudantes com dislexia (dificuldade de leitura e escrita) tiveram que ler conteúdos em um livro e em iPods Touch que permitiam aumentar a letra de forma que cada linha tivesse duas ou três palavras numa fonte grande.

Neste caso, estudantes com dificuldades de captar o som das palavras e aqueles com menos capacidade de atenção visual tiveram uma significativa melhora na velocidade de leitura e compreensão.

Neste sentido, a capacidade dos e-readers de serem personalizados e se adequarem às necessidades dos estudantes com dificuldades permitem que os dispositivos possam ser usados para auxiliar estes alunos na aprendizagem e incentivo à leitura. No entanto, para leitores que não apresentam dificuldades, a plataforma escolhida terá menos influência nas percepções da leitura.

Realizar tarefas ao mesmo tempo, como ler um livro ou e-book e ouvir música não afetará tanto uma vez que o cérebro irá se concentrar em uma das atividades. A possibilidade que o e-reader oferece é que o leitor possa interagir durante a leitura, por exemplo, com um dicionário ou vendo um vídeo sobre determinado tema, fazendo com que a experiência se torne não necessariamente mais dispersa, mas mais diferenciada e rica.

Matéria completa: http://canaltech.com.br/noticia/geek/Ha-diferenca-de-compreensao-quando-se-le-livros-e-e-books-Pesquisa-responde/#ixzz3DlgHlZaM
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