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Na Finlândia, escolas trocam letra de mão por digitação

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A partir de 2016, estudantes finlandeses só vão aprender a escrever em letra de forma (Thinkstock)

A partir de 2016, estudantes finlandeses só vão aprender a escrever em letra de forma (Thinkstock)

A partir de 2016, os alunos finlandeses deixarão de aprender a escrever com letra cursiva. A Finlândia é referência mundial em qualidade de ensino

Bianca Bibiano, na Veja

A Finlândia, referência mundial pela qualidade da educação básica, decidiu decretar o fim de uma era: a partir do ano letivo de 2016, as escolas não serão mais obrigadas a ensinar seus alunos a escrever com letra cursiva, mais conhecida como letra de mão. Em vez disso, crianças e adolescentes terão mais atividades de digitação.

Segundo Minna Harmanen, presidente do Conselho Nacional de Educação da Finlândia, a mudança não significa que o país vai deixar de ensinar as crianças a escrever à mão, mas sim que as escolas vão priorizar o ensino das letras de forma, também chamadas de letra bastão, presente nos textos digitais. “A escrita à mão está ligada ao desenvolvimento da coordenação motora e da memória, mas sabemos que a letra cursiva, muito pessoal de cada pessoa, dificulta a alfabetização”, explicou em entrevista ao site de VEJA.

Por anos, a Finlândia foi apontada como o país com a melhor educação do mundo. O currículo estruturado e a autonomia dada aos professores para inovar em metodologias de ensino são apontados como os principais responsáveis pelo sucesso dos alunos finlandeses. No último PISA, avaliação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mede o desempenho de estudantes em 63 nações e economias mundiais, o país ficou em 5º lugar em ciências e 6º em linguagem. As primeiras posições ficaram para economias asiáticas, com Xangai no topo da lista. O Brasil, por sua vez, ficou entre as últimas posições.

De acordo com a conselheira que atua junto ao Ministério da Educação da Finlândia para traçar as diretrizes curriculares do país, a mudança também prevê que os estudantes tenham mais aulas de digitação no tempo em que atualmente estudam letras cursivas. “A razão mais importante para a mudança é que a escrita cursiva não é mais tão utilizada, mesmo na escola. Os alunos usam cada vez menos o caderno e mais livros de exercícios, onde escrevem menos. No futuro, na vida profissional, a escrita cursiva dará lugar à digitação, por isso habilidades de digitação são tão importantes.” Ainda segundo Minna, as escolas que desejarem terão liberdade para manter aulas de caligrafia, mas que serão vistas como disciplinas optativas.

Impacto no cérebro — De acordo com a neurobióloga Marta Relvas, professora da Universidade Estácio de Sá e membro da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, abolir o ensino de letra cursiva na escola não impacta o desenvolvimento cerebral das crianças. “A letra cursiva é uma representação cultural. São símbolos que aprendemos a identificar como letras para formar palavras, da mesma forma que os japoneses utilizam os kanji e outros alfabetos para compor seu idioma”, explica.

Segundo Marta, o sistema cognitivo localizado no lado esquerdo do cérebro, onde estão concentradas a fala, a escrita e a coordenação motora fina, não tem relação direta com o tipo de letra usada na escrita. “Essa área do cérebro se desenvolve com a escrita à mão, mas não porque ela é feita com um tipo de letra específica, e sim pela atividade mental exercida nessa função”. O ideal, ela explica, é que os educadores considerem tanto a escrita à mão quanto a digitação nas aulas. “Os professores precisam ter flexibilidade. A única implicação da letra cursiva ser obrigatória é que antes a comunicação era feita por cartas, mas hoje os alunos não dependem apenas desse recurso para se comunicar.”

Nos Estados Unidos, o movimento para abolir a letra cursiva também está ganhando força. Em alguns estados americanos, os estudantes só aprendem letra de forma. “O importante é que os estudantes aprendam a se comunicar e a usar o idioma com clareza, mas o tipo de letra vai depender apenas da cultura em que ele está inserido”, completa.

“A escrita à mão é uma tradição, mas quais tradições não estão mudando?”, resume a finlandesa Minna Harmanen.

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Os livros infantis são realmente inocentes?

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Os livros infantis são realmente inocentes?

Quando eu era criança, muitos dos meus livros favoritos tinham como tema a comida. Um deles contava a história de um menino que ajudou a salvar uma pequena lanchonete ao se tornar um detetive gourmet que conseguiu recuperar um ingrediente secreto perdido.

, na BBC Brasil
Muito tempo depois de ter esquecido do livro e seu título, estive em Edimburgo para entrevistar Alexander McCall Smith. Ele já era o autor campeão de vendas por trás da série Agência No 1 de Mulheres Detetives, mas, anos antes, tinha escrito alguns livros infantis. E em uma prateleira de sua estante lá estava The Perfect Hamburger (O Hambúrguer Perfeito, em tradução livre).

Era o meu livro. Só que não exatamente. Sim, os hambúrgueres ainda eram descritos com detalhes de lamber os beiços, mas dessa vez ficou claro para mim que, na realidade, The Perfect Hamburger é um conto sobre a ganância corporativa e o destino de pequenas empresas obrigadas a competir com as grandes redes.

Reler livros infantis na idade adulta pode gerar todo o tipo de mensagens subentendidas, algumas mais evidentes do que outras. O clássico Como o Grinch Roubou o Natal, de Dr. Seuss, é uma parábola sobre o consumismo. E por que não parece óbvio que a série As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis, é uma fantástica reinvenção da teologia cristã?

Da mesma maneira, uma leitura mais atenta transformou os livros do urso Paddington em fábulas sobre a imigração, e as histórias do elefante Babar em um endosso do colonialismo francês.

As aventuras de Alice no País das Maravilhas já foram interpretadas de várias formas – de uma ode à lógica matemática a uma sátira à Guerra das Duas Rosas, ou ainda a uma viagem psicodélica à base de drogas. Quanto a O Mágico de Oz: ora, evidentemente, trata-se de uma representação alegórica do debate em torno da política monetária americana no fim do século 19.

“Nunca é demais tentar buscar um significado mais profundo”, afirma Alison Waller, professora de Literatura Infantil da Universidade de Roehampton, na Grã-Bretanha.

Sua aula favorita é dedicada à análise psicológica do clássico infantil britânico The Tiger Who Came to Tea, sobre um tigre que aparece na casa de uma menina para jantar com ela e sua mãe.

Os alunos de Waller costumam enxergar algo edipiano na relação do felino com a família. “Só porque não captamos essas mensagens na infância não significa que não estejamos absorvendo-as”, alerta a professora.

É claro que, muitas vezes, os duplos sentidos parecem estar escondidos porque estamos muito ligados na trama ou porque somos jovens demais. Só depois de adulta, Waller entendeu o motivo pelo qual a mãe de Max o mandou para a cama sem jantar em Onde Vivem os Monstros, de Maurice Sendak.

Essas camadas de significados são fundamentais para a longevidade de histórias que se tornam clássicas. Os contos de fadas são o melhor exemplo disso.

O teórico da psicanálise austro-americano Bruno Bettelheim costumava dizer que João e Maria é muito mais do que o relato de pais que abandonam seus filhos e de uma bruxa malvada que quer matar os pequenos. Para ele, trata-se de um estudo da regressão infantil e da gula, assim como da ansiedade de separação e do medo da fome.

No livro A Psicanálise dos Contos de Fadas, de 1976, Bettelheim explica a importância terapêutica desse tipo de história na educação infantil. Aplicando análises neo-freudianas a histórias como Cinderela e Branca de Neve, ele mostra como essas narrativas falam ao subconsciente em uma linguagem semelhante à dos sonhos, ajudando as crianças a lidar com uma gama de medos e desejos não verbalizados, como a rivalidade com irmãos e a ambivalência que sentem em relação aos pais.

A chamada literatura infantil tem muito a oferecer aos adultos, segundo Sheldon Cashdan, professor de psicologia da Universidade de Massachusetts em Amherst, nos Estados Unidos. Em seu livro Os 7 Pecados Capitais nos Contos de Fadas, Cashdan explica que essas histórias ajudam as crianças a reconhecer a luta entre o bem e o mal – uma luta que elas vivenciam internamente –, com o bem vencendo o mal invariavelmente encontrando um final assustador.

Essas batalhas perduram por toda a vida. “Noções de ganância, de querer mais do que se precisa… Você pode ver isso nos bônus dos executivos do mercado financeiro e nas pessoas que têm casas com cinco banheiros. Ou ainda na maneira sutil com que as pessoas contam mentiras, omitem fatos ou cometem pequenas malandragens.

Só quando somos adultos cometemos o erro de pensar que os livros infantis, assim como os contos de fadas, são essencialmente escapistas. Ao nos depararmos com eles décadas mais tarde, ficamos surpresos ao perceber algo que pressentíamos quando crianças, mesmo que não tivéssemos vocabulário suficiente para verbalizar: que essas histórias abordam a força e a fragilidade humanas, falam de como existir no mundo.

A natureza oculta de suas mensagens são essenciais para sua magia. Como Bettelheim escreveu, explicar para uma criança o que torna uma história tão cativante significa estragá-la. Seu poder de encantar “depende consideravelmente do fato de a criança não saber muito bem por que a adora”.

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“Chiquinha” vai lançar livro sobre bastidores de “Chaves” e ‘lado B’ de Bolaños

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María Antonieta de las Nieves está preparando material que promete causar polêmica, segundo o jornal colombiano ‘El Universal’
chilindrina620

Publicado na Revista Quem

María Antonieta de las Nieves, atriz que ficou famosa pela personagem Chiquinha do seriado humorístico Chaves, está preparando, há dois anos e meio, um livro que promtee botar ainda mais lenha na fogueira do programa, criado e estrelado por Roberto Gómez Bolaños, morto no final de novembro. As informações saõ do jornal mexicano El Universal, em coluna publicada no domingo (14).

A obra deve mostrar, além de segredos dos atores e bastidores, o “lado B’ de Bolaños, e já teria um título definido: O Outro Roberto. Ainda não há editora definida e Antonieta estaria disposta a uma quantia milionária pelos direitos do livro.

O livro começa narrando a vida da atriz até sua entrada no elenco de Chaves e deixa mais do que claro o conflito entre ela e Florinda Meza, viúva de Bolaños e intérprete da personagem Dona Florinda no programa. Isso teria causado problemas a Antonieta por ser preterida em produções de Bolanõs diante de Meza, que era noiva de do diretor e produtor o produtor e diretor Enrique Segoviano, braço-direito de Bolaños nas gravações de Chaves. Antonieta ainda abriria o jogo sobre seus problemas por conta do álcool e maus tratos nos bastidores do seriado.

Não é a primeira vez que Antonieta causa polêmica diante de Bolanõs. No último dia 6, ela deu uma entrevista a um programa de TV peruano, falando sobre a relação de Bolaños e Meza, que foram casados por 37 anos. Ela teria tido um caso com Bolanõs e Carlos Villagrán, O Quico, quando ambos eram casados.”Para mim, foi muito difícil a relação deles. Cada um faz o que quer da sua vida, o que mais lhe agrada, mas quando machucam uma pessoa que você adora, aí sim, dói, e me doeu muito”, disse Maria Antonieta de las Nieves. “Ele não merecia uma mulher maravilhosa, íntegra, supercatólica, amante do marido e dos filhos, uma mulher como ela havia muito poucas”, emendou, referindo-se à primeira mulher de Bolaños, Graciela Fernández, primeira mulher dele, morta em agosto de 2013.

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Concurso Cultural Literário (113)

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VEJA UM TRECHO

Objetos cotidianos ganham vida e personalidade em Nova York nas mãos de artista francês

Um Batman feito de dobradiça enfrenta um ralador de queijo criminoso que atira pregos. Um Homem-Aranha de espátula de cozinha anda pelo metrô. Um Super-Homem de fole sobrevoa a cidade, enquanto King Kong com braços de chave de boca luta contra um pulverizador de inseticida que sobrevoa um arranha-céu, como ocorre no clássico do cinema. Essas e muitas outras cenas inusitadas acontecem nas ruas de Nova York em As pequenas coisas em Nova York.

Com muita criatividade, o ilustrador e escultor francês Gilbert Legrand dá vida e personalidade a objetos do cotidiano, como torneiras, trinchas, pincéis, utensílios de jardinagem e muito mais, transformando-os em simpáticos personagens, ambientados em diferentes situações e cenários desenhados a lápis que revelam a cultura e arquitetura da cidade.

Vamos sortear 2 exemplares de “As pequenas coisas em Nova York“, lançamento da Autêntica. #luxosó

Para concorrer, crie uma frase com as palavras Arte + Nova York. Se participar via Facebook, por gentileza deixe seu e-mail de contato.

Aproveite a oportunidade para curtir as páginas dos envolvidos nesta edição:

O resultado será divulgado dia 15/1 neste post.

Boa sorte! :-)

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Quebra-cabeça leva aluno da periferia de SP para Stanford

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Gustavo aprendeu inglês aos 12 anos lendo alguns livros que pertenciam ao seu pai

Publicado na Tribuna Hoje

No ano passado, Gustavo ganhou outra bolsa de estudos e foi fazer um curso de verão na universidade de Yale Divulgação| Ismart

No ano passado, Gustavo ganhou outra bolsa de estudos e foi fazer um curso de verão na universidade de Yale Divulgação| Ismart

A ideia de que a vida é um quebra-cabeça e as experiências são as peças usadas para completar este jogo foi o argumento central da apresentação de Gustavo Torres, de 17 anos, no processo de aplicação para entrar na universidade de Stanford (Estados Unidos).

Filho de um eletricista e de uma cuidadora de idosos, o jovem do Capão Redondo, periferia de São Paulo, foi aprovado e conseguiu uma bolsa de US$ 56 mil (R$ 148 mil).

Em entrevista ao R7, ele relembra os argumentos que usou para explicar porque merecia a vaga e a bolsa dizendo que as primeiras peças do quebra-cabeça que compõe sua vida foram conquistadas na Escola Estadual Miguel Munhoz Filho, onde aprendeu a ser mais “extrovertido”.

— Dava aula de matemática para o pessoal do fundão. Antes de conhecê-los era muito fechado. Aprendi a me relacionar melhor com as pessoas interagindo com eles.

Experiências

A inteligência acima da média o ajudou a aprender inglês sozinho, aos 12 anos de idade.

— Estava cansado de jogar viodegame, aí encontrei alguns livros do meu pai e começei a estudar. Eles foram minha base no inglês.

O bom desempenho acadêmico lhe rendeu recomendações dos professores. Com esse apoio, Gustavo ganhou uma bolsa do Instituto Smart para estudar no colégio particular Santo Américo.

— Foi meu primeiro choque de realidade. Percebi que havia um mundo totalmente diferente daquele que eu estava acostumado. No colégio Santo Américo tive aula em inglês pela primeira vez na minha vida. Também descobri que a diferença de infraestrutura de uma escola pública e de uma escola particular é muito grande.

No ano passado, ele recebeu outra bolsa de estudos e foi fazer um curso de verão na universidade de Yale. Essa experiência fomentou seu sonho de estudar numa faculdade americana.

— Já tinha vontade de fazer um curso de graduação fora do Brasil, em Yale esse desejo ficou maior.

Falando sobre a última “peça” que encaixou no quebra-cabeça de sua vida, a aprovação em Stanford, o jovem faz questão de agradecer o Alumni Education USA, órgão ligado ao governo dos Estados Unidos que promove o sistema de ensino daquele país, ao Instituto Smart e a Fundação Estudar.

— Estas três instituições oferecem ajuda para alunos com potencial acadêmico e poucos recursos como eu. Eles me ajudaram em todo processo de aplicação. Já consegui a aprovação em Stanford, mas ainda espero respostas do MIT (Massachussets Institute of Technology), da Universidade de Duke e de Harvard. Só vou decidir meu futuro depois que receber todas as respostas.

Projeto social

Além de se dedicar aos estudos, Gustavo também mantém um projeto social com um colega chamado João Araújo. Os estudantes criaram o programa Descobrindo o Sonho Jovem, para ajudar adolescentes a construir projetos de vida. A iniciativa foi levada a escolas públicas.

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