As mulheres brasileiras e sua literatura gostosa… de ler!

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William Okubo, no Bibliotecários sem Fronteiras

Desculpem o trocadilho, mas o assunto é sério: a literatura produzida pelas mulheres brasileiras atualmente é muito gostosa de ler! Ela é tão, tão, tão gostosa que não queria parar de ler, situação que motivou o atraso desta postagem que deveria ter sido feita no Dia Internacional da Mulher.

Ficou para os últimos minutos do mês da mulher.

A ideia de escrever sobre o tema estava em mente desde o ano passado, mas como havia lido um número pequeno de romances ou livros de contos de “novas” autoras nacionais, nada aconteceu, mas o fato que deu início à saga foi a leitura de um artigo no blog de literatura Posfácio, onde o colunista falou da campanha mundial traduzida aqui com o horroroso #LeiaMulheres2014.

Não estou menosprezando autoras consagradas como Clarice Lispector, Hilda Hilst, Raquel de Queiroz, Maria José Dupré, Ana Maria Machado, Lygia Fagundes Telles, Maria Carolina de Jesus ou autoras com obras já consolidadas e amadas como Martha Medeiros, Cíntia Moscovich e Lya Luft ou mesmo a multimidiática Thalita Rebouças e a Paula Pimenta, estas últimas best-sellers infantojuvenis.

Meu objetivo é tornar mais conhecidas entre os profissionais (torço para que conheçam!) e leitores do blog algumas boas escritoras que podem ser indicadas e lidas, ampliando o leque de leituras para além das autoras internacionais que infestam o mercado literário nacional.

Antes de começar, eu admito, eu sou muito influenciado por aquele maldito discurso do Ortega y Gasset a respeito da Missão do Bibliotecário….

De antemão, informo que as escolhidas escrevem de forma um tanto diferente uma das outras, com estilos bem diferentes e humores idem. Mas vamos a quem interessa: elas e suas obras!

Começo com uma escritora que conheci pessoalmente em meados de 2005, mas cujo primeiro foi lido somente agora.

Ana Paula Maia, nascida no Rio de Janeiro, é autora dos romances O habitante das falhas subterrâneas (7 letras, 2003) e A guerra dos bastardos (Língua geral, 2007). Em 2006 publicou o primeiro folhetim pulp da Internet brasileira em 12 capítulos. Tem contos publicados em diversas antologias, entre elas 25 Mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record, 2004) e Sex´n´Bossa (Mondadori, Itália, 2005).

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De gados e homens (Record, 2013), é seu último romance (é uma novela, pois tem apenas 124 páginas) e é simplesmente devastador. Ana Paula conta o dia-a-dia de trabalhadores em um abatedouro em algum canto do país (o local me lembra muito o interior de Mato Grosso do Sul, lugar onde tenho um primo que trabalha em um abatedouro) sem fazer concessões. É um livro para os fortes e depois de lê-lo você vir a desistir de comer um bom hambúrguer!

[Pô, tive de comprar]

 

Tatiana Salem Levy, é escritora, tradutora e doutora em Estudos de Literatura. Publicou o livro A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze (Relume Dumará) e contos na revista Ficções 11 (7Letras) e nas antologias Paralelos (Agir) e 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record). A chave de casa, seu romance de estréia, foi publicado primeiramente em Portugal, pela editora Cotovia.

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A chave da casa (Record, 2007) foi seu romance de estréia e já chegou provocando. Composto de pequenos capítulos (moda na literatura brasileira atual) em narrativa não linear, este livro de tom autobiográfico consegue ser terno, histórico e radical, pois cada em capítulo um momento da vida da personagem é contado, e ela passeia por Portugal, Turquia, Rio de Janeiro, Estados Unidos e por sua cama…. e por falar em cama há trechos quentes, que podem interessar àqueles que curtem uma pegada mais sensual. Mas também há um trecho de tortura (sim, a mãe da personagem viveu a Ditadura brasileira).

[Disponível em várias Bibliotecas Municipais de São Paulo e Biblioteca de Niterói]

 

Carola Saavedra nasceu em Santiago do Chile, em 1973, e veio com a família para o Brasil três anos depois. Morou na Alemanha, onde concluiu um mestrado em comunicação, e também na Espanha e na França. Hoje vive no Rio de Janeiro e é escritora e tradutora. Em 2005, publicou o livro de contos Do lado de fora (7Letras, 2005). Recebeu o prêmio APCA de melhor romance pelo livro Flores azuis (2009). Está entre os vinte melhores jovens escritores brasileiros escolhidos pela revista Granta.

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Toda terça (Companhia das Letras) é um livro escrito a partir de um Divã, local onde dois personagens, uma mulher e um homem, contam seus encontros e desencontros amorosos. Ou seja, aparentemente um livro simples e tradicional mas muito bem escrito.

[Disponível em várias Bibliotecas Municipais de São Paulo e Biblioteca Parque de Manguinhos]

 

Adriana Lisboa começou oficialmente sua carreira em 1999, com a publicação do romance Os fios da memória, ao qual se seguiram outros quatro: Sinfonia em branco (2001), que a levou a ser apontada pela crítica como uma das mais importantes revelações da nova literatura brasileira, Um beijo de colombina (2003), Rakushisha (2007) e Azul-corvo (2010). Em 2004 lançou uma coletânea de contos curtos e poemas em prosa, Caligrafias, com desenhos originais de Gianguido Bonfanti. Em 2007 publicou a novela O coração às vezes para de bater, adaptada para o cinema por Maria Camargo. Sua obra se completa com três livros infanto-juvenis: Língua de trapos (2005), A sereia e o caçador de borboletas (2009), ambos ilustrados por Rui de Oliveira, e Contos populares japoneses (2008), ilustrado por Janaína Tokitaka.

Capa Sinfonia em branco alta.indd

Sinfonia em branco (Alfaguara, 2011) se encontra entre os livros mais belos e trágicos que já li. Do ponto de vista de beleza ele me lembrou muito alguns trechos de “Reparação” do Ian McEwan um dos livros que indiquei outro dia como um dos dez melhores que já li. Alguns silêncios parece que gritavam mil palavras enquanto lia. Já o trágico lembrou-me “Os sofrimentos do jovem Werther” do Goethe. Me recuso revelar a história, mas apesar da leveza da escrita o livro é tão pesado quanto o da Ana Paula Maia.

[Disponível na Mário de Andrade e Biblioteca de Niterói]

 

Luisa Geisler nasceu em Canoas (RS), mas passa dois terços de seu tempo em Porto Alegre, estudando Relações Internacionais. Contos de mentira é seu livro de estreia, mas conquistou o prêmio Sesc de literatura. Para alguém que nasceu em 1991, não é pouco o que já fez: ganhou prêmios literários, publicou contos em antologias, revistas e na internet, traduziu, lecionou inglês, arrancou os sisos, tentou fugir de casa, estudou cinco idiomas estrangeiros e somou outros tantos feitos afins.

Quica

Quiçá (Record, 2013) é o segundo livro da jovem autora e nele ela demonstra muita habilidade para misturar vários momentos em um único capítulo do livro, ou seja, ela utiliza a narrativa não linear que cai muito bem nos dois jovens personagens principais, os primos Clarissa, de 11 anos, e Arthur de 18 anos, onde o segundo, após uma tentativa de suicídio, vai morar com a família da garota. Mas o grande problema de convivência não será entre os dois jovens tão diferentes entre si, mas sim com seus pais, família e porque não com a sociedade. Vale muito a pena ser lido!

[Disponível na Mário de Andrade - Circulante, Biblioteca de São Paulo e Biblioteca de Niterói]

 

Vanessa Bárbara nasceu em 1982, é jornalista e escritora. É colunista do International New York Times e da Folha de S.Paulo. Publicou o romance Noites de alface (Alfaguara, 2013), a graphic novel A máquina de Goldberg (Quadrinhos na Cia., 2012, em parceria com Fido Nesti), o livro-reportagem O livro amarelo do terminal (Cosac Naify, 2008, Prêmio Jabuti de Reportagem), o romance O verão do Chibo (Alfaguara, 2008, em parceria com Emilio Fraia) e o infantil Endrigo, o escavador de umbigo (Ed. 34, 2011). É também tradutora e preparadora da Companhia das Letras. Ela contribui para o blog com uma coluna mensal.

Capa Noites de alface.indd

Noites de alface (Alfaguara, 2013) é delicioso. A história dos dois velhinhos do bairro do bairro do Mandaqui em São Paulo (não, o livro não se passa no Mandaqui, mas tudo leva a crer que sim, pois é o bairro onde a autora mora e idolatra) me fez rir à toa em vários momentos. Em seguida, com um deles sozinho após a partida de um deles, certa melancolia toma conta da obra, mas mesmo assim o humor (mesmo que negro) é visível a cada momento até o desfecho inesperado. Recomendo, e dou meu exemplar de presente para quem lembrar de algo que ligue ela aos bibliotecários e bibliotecas…. (risos sarcásticos).

[Pô, tive que comprar] 

 

Beatriz Bracher nasceu em São Paulo, em 1961. Formada em Letras, foi editora da revista 34 Letras, de literatura e filosofia, e uma das fundadoras da Editora 34, onde trabalhou por oito anos. Sua experiência com cinema inclui o argumento do filme Cronicamente inviável (1994), co-autora do roteiro premiado do longa-metragem Os inquilinos (2009), pelo o qual ganhou o prêmio de “Melhor Roteiro do Festival do Rio”, ambos em parceria com Sérgio Bianchi e co-autora do roteiro de O abismo prateado (2011), longa-metragem de Karim Aïnouz, selecionado para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Sua estréia como escritora de livros foi em 2002, com o romance Azul e dura. Em 2009, lançou seu primeiro livro de contos, Meu amor, vencedor do Prêmio Clarice Lispector, da Biblioteca Nacional.

meuamor

Meu amor (34, 2009) é a obra da autora mais experiente da lista, mas não a considero tão conhecida, por isso, entrou na lista. Também a conheço, pois fiz uma visita monitorada especial para ela na Biblioteca Mário de Andrade quando trabalhava lá, e admito que parecia que andava com uma nobre de alguma corte inglesa ao mesmo tempo que ela ria de alguns comentários deste bobo. Mas deixemos minha paixão platônica de lado: a obra traz alguns contos de alguém com severo olhar crítico e ao mesmo tempo amoroso sobre o viver no Brasil hoje. Do ponto de vista privilegiado de alguém ligado a famosa classe média brasileira é incrível a sensibilidade para escrever algo como o trecho abaixo:

Estava parada em um engarrafamento, no final de um dia poluído. O homem surgiu e bateu na janela com uma arma preta. O movimento de sua boca berrava e a voz chegava baixa. Passa o dinheiro, passa o dinheiro ou vai morrer. Agora, abre a janela, agora, agora, ou vai morrer, ou vai morrer. Olhava louco para mim, olhava louco para mim. Ou vai morrer, ou vai morrer. Olhava sua boca, seus olhos, a arma preta, a aflição e a raiva e me convencia que era cinema. Não tentei explicar-lhe, ele entenderia. O vidro blindado transformava sua ação, eu podia olhar, observar os detalhes de sua roupa, a língua escura e o tamanho pequeno das mãos agarrando a arma preta. A arma preta apontada contra meus olhos, o canal oco da arma preta tremendo, argumento claro, abre, sua vaca, eu vou atirar. Minha curiosidade apática minava sua decisão, o argumento oscilava.
O rapaz entendeu sua impossibilidade, titubeou, apoiou as mãos no vidro, uma fechada na arma, aproximou o rosto e cuspiu minha morte mais uma vez. Eram de um animal os olhos, a palma da mão suada e a saliva. Furioso, enjaulado, um fila brasileiro latindo e pulando atrás das grades enquanto caminhamos na calçada. Ele segurou a arma com as duas mãos e mirou meu rosto. Eu mirava calma e hipnotizada, intrigada com o fim.
Um frio monstruoso me sobe do estômago e para meu coração. Hoje é dia de rodízio, eu não estou no blindado. Meus olhos pulam de horror, as mãos crispadas na boca aberta e hirta, sem qualquer possibilidade de voz, pedi piedade. Ele entendeu e riu. Num só golpe, quebrou o vidro com a mão da arma, esmurrou meu rosto e sumiu deixando o revólver de brinquedo no meu colo manchado com o nosso sangue.

[Disponível em várias Bibliotecas Municipais de São Paulo, Biblioteca de São Paulo e Bibliotecas Parque de Manguinhos e Niterói]

 

Natércia Pontes é uma escritora nascida em Fortaleza, filha de Augusto Pontes, ex-secretário da Cultura do Ceará. Estudou Radialismo no Rio de Janeiro. Mudou-se em 2007 para São Paulo. (mais…)

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Pais incentivam paixão dos filhos pela leitura: ‘Livraria é parada obrigatória’

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Enzo gosta de ler livros e histórias em quadrinhos (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)

Enzo gosta de ler livros e histórias em quadrinhos (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)

Adolescente começou a ler e-books, mas irmão não aprova a escolha.
Pais acreditam que exemplo fortaleceu a paixão pelos livros.

Jéssica Bittencourt, no G1

Os livros físicos ainda são os favoritos da maioria dos brasileiros, que desde cedo são incentivados a ler nas escolas, e em alguns casos, dentro de casa. No Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado nesta sexta-feira (18), uma família de São Vicente, no litoral de São Paulo, mostra que a paixão pela leitura foi passada de uma geração para outra.

Para os professores e coordenadores regionais Gerson Novais Silva e Luciene de Souza, ler faz parte da profissão. Ele coordena a área de Química e ela, de Língua Portuguesa. Desde pequenos, os filhos do casal observam os pais com livros nas mãos. “É a questão do exemplo. Nós sempre lemos muito, tanto pela profissão quanto pelo prazer, e eles se interessavam”, explica Gerson.

Ainda que fosse uma forma de aprendizado, os pais transformaram o hobby em um momento de aproximação com os filhos Letícia, de 14 anos, e Enzo, de 9. “Eu comprei livros de banheira para os dois, aqueles de plástico, e contava histórias durante o banho. Quando a Letícia cresceu um pouco, ela começou a contar as histórias sozinha, e eu ouvia”, conta a mãe, Luciene.

Letícia prefere os meios digitais quando se trata de leitura (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)

Letícia prefere os meios digitais quando se trata de
leitura (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)

Aluna do Centro Federal de Educação Tecnológica de Cubatão (SP), Letícia começou a ler bem cedo, aos 4 anos. A adolescente é adiantada nos estudos, e já chegou a terminar 30 livros em um ano. “Gosto de ler de tudo, não tenho gênero preferido”, diz a jovem, que tem trocado os livros físicos pelos e-books, os livros digitais. Ela é a única da casa que fez a opção, mas teve um bom motivo. “Vários livros são lançados antes na internet, e quando não aguento a curiosidade, eu baixo e leio no celular”, comenta a estudante.

Gerson e Luciene apoiam a escolha da filha, mas o irmão é contra. Enzo se recusa a ler os livros digitais. “Eu gosto de fazer o ritual do livro novo. Cheirar o papel, ler a contracapa e as orelhas, virar as páginas. Não troco os meus livros nem pela curiosidade de ler a história antes”, declara o menino, que também lê gibis e até arrisca desenhar alguns personagens das HQs.

Os pais da dupla sempre optaram por brinquedos educativos na criação dos filhos, e segundo eles, isso também ajudou a construir o amor pelos livros. “Os dois têm videogame, mas se controlam na hora de jogar. Os presentes preferidos eram lápis de cor, massinha e os livros também. Eles pediam para a gente comprar. A livraria sempre foi parada obrigatória para nós”, brinca Luciene.

Ela e o marido têm orgulho da escolha que os filhos fizeram. “Nunca foi obrigação para eles. Foi sempre uma coisa natural, e nos orgulhamos disso”, comemora o casal.

Pais aprovam e incentivam paixão dos filhos pela leitura (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)Pais aprovam e incentivam paixão dos filhos pela leitura (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)

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São Paulo será cidade convidada da Feira do Livro de Buenos Aires, neste mês

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Publicado no Yahoo

Buenos Aires, 19 abr (EFE).- A Argentina está concluindo os últimos detalhes para receber escritores de peso como o Nobel sul-africano J. M. Coetzee e o campeão de vendas americano Paul Auster, que se reunirão a partir desta quinta-feira na 40ª edição da Feira do Livro de Buenos Aires, que terá São Paulo como cidade convidada.

A capital paulista levará, sob coordenação da Secretaria Municipal de Cultura, a produção literária e cultural de sua periferia, apresentada em saraus.

A literatura, o teatro e a música paulistanos ultrapassarão os limites da feira, na Avenida Sarmiento, em Palermo, e tomarão os bairros vizinhos, confraternizando com os portenhos nas ruas.

“São Paulo não vem para nos contar o que é o Brasil: é uma cultura que conhecemos bem. O que interessa à cidade é apresentar a si mesma, nos mostrar sua cultura em primeira pessoa e sem intermediários”, explicou Gabriela Adamo, diretora da Fundación El Libro, que organiza a feira, à agência oficial “Télam”.

De 24 de abril a 12 de maio, a capital argentina se transformará no epicentro da literatura do continente que na quinta-feira ficou órfão de um de seus patriarcas, o colombiano Gabriel García Márquez.

O “Capítulo 40″ da Feira será inaugurado por Joaquín Salvador Lavado, o nome que se esconde atrpas da assinatura “Quino”, o célebre criador das tirinhas da Mafalda.

“Há mais de uma década, a Feira do Livro de Buenos Aires é inaugurada por um autor argentino de destaque”, explica a organização em seu site. “Para comemorar nossos 40 anos, convidamos uma das pessoas mais talentosas, admiradas e internacionalmente reconhecidas da Argentina: Quino”.

O quadrinista protagonizará o ato de abertura de um evento que ele mesmo descreveu como “um momento cultural importantíssimo para a vida de Buenos Aires” e da Argentina em geral.

Outro destaque da feira, a mais importante do continente, será o contador de histórias do Brooklyn (Nova York) Paul Auster e do romancista e ensaísta sul-africano John Maxwell Coetzee.

Auster e Coetzee se encontrarão tête-à-tête no dia 27 de abril em Buenos Aires para continuar uma conversa que vêm mantendo há anos em várias cidades do mundo e que começou por correio para terminar materializando-se em um livro intitulado “Here and Now” (“Aqui e agora”, 2005).

A amizade que mantêm os permite falar “de temas tão variados como viagens, esportes, família, política, trabalho e, certamente, literatura”, declarou a organização do evento.

O prêmio Nobel de 2003 foi uma das presenças mais destacadas na feira do ano passado, enquanto Paul Auster não visita a Argentina há mais de 10 anos.

Cerca de 1.500 expositores de mais de 40 países transformarão Buenos Aires na “cidade dos livros”, com propostas culturais destinadas aos sedentos leitores portenhos e aos profissionais do meio, além de aos visitantes.

Do vizinho Chile, participarão os escritores Roberto Ampuero, Pilar Sordo, Claudio Naranjo e Pedro Lembel.

O México será representado por Julio Trujillo, Ricardo Cayuela, Christopher Dominguez e Michael Antonio Deltoro; e a literatura espanhola contará com nomes como Julia Navarro, Almudena Grandes, Arturo Pérez- Reverte e Enric Corbera.

Outros autores presentes serão o palestino Izzeldin Abuelaish; James Dashner e William Gordon (Estados Unidos), Esther Gerritsen (Holanda), David Held (Inglaterra), Nina Jäckle (Alemanha), Eduardo Lalo (Porto Rico) e Laurent Mauvignier (França).

A 40ª Feira do livro de Buenos Aires espera receber, como nas duas últimas edições, mais de 1 milhão de visitantes. EFE

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Sucesso no Facebook, criadora do Diário de Classe escreve livro

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Publicado no Midiacom News

Em fevereiro, Isadora Faber, 13, recebeu uma ameaça de morte pelo Facebook. Mesmo assim, a estudante voltou às aulas na segunda-feira (18) após a mensagem

Em fevereiro, Isadora Faber, 13, recebeu uma ameaça de morte pelo Facebook. Mesmo assim, a estudante voltou às aulas na segunda-feira (18) após a mensagem

Aos 13 anos, a estudante catarinense Isadora Faber se tornou uma celebridade instantânea com seu “Diário de Classe”, publicado no Facebook. Ela só queria soluções para os problemas de infraestrutura da escola pública onde estudava, em Florianópolis, a Maria Tomázia Coelho.

Prestes a fazer 15, ela quer agora a história de sua luta eternizada. Para isto, mudou de mídia: escreveu um livro. Livro, sacou? Aquele de papel, com textos espalhados nas folhas – um objeto que a gente lê sem precisar ligar na tomada.

“O livro é para sempre”, diz, com um sorriso meigo, do jeito delicado com que fala quando está fora dos holofotes.

Ela não tem medo de dar um tiro no pé dizendo isto – afinal, foi na internet que fez 626 mil pessoas curtirem sua história de vida. Mas, aconselha: “O Facebook pode acabar, como acabaram o Orkut e o MSN. Com um livro isso nunca vai acontecer”.

Isadora conta que botou “um ponto final no livro na semana passada”. Sentiu-se aliviada, sem a pressão do mundo dos adultos: “Eu tenho um contrato com a editora (Gutenberg, de São Paulo). Vamos começar uma maratona de viagens para lançamentos”.

Não parece difícil para a menina que passou o último ano viajando pra cima e pra baixo pelo Brasil, dando palestras sobre como fazer/pensar/bolar/ajudar educadores a melhorar a qualidade do ensino público – tarefa prioritária do Ministério da Educação.

Nas suas andanças, Isadora sentiu a necessidade de uma estrutura pra garantir o trabalho. Com a ajuda dos pais, ela criou então a ONG com seu nome – sede na casa da família na praia do Santinho, a 40 km do centro de Floripa.

A ONG faz uma interação entre o mundo cibernético e o real. Isadora conta que copiou “uma boa ideia da Bahia” e lançou o projeto Aluno Nota 10: a fundação recebe doações de notebooks, tablets, smartphones, bicicletas e repassa para estudantes com bom desempenho. “Estamos começando, é uma boa forma de incentivo”.

E como ela está vivendo?

“Atarefada”, diz, balançando a cabeleira loira que está deixando crescer –era curtinha no ano passado. Vaidade? “Não. Depois que crescer bastante vou doar para as crianças com câncer” – bem Isadora, sempre preocupada com os outros.

O dia dela começa cinco em ponto. Logo está na hora de pegar o ônibus para o Colégio Solução, onde este ano começou o primeiro ano do segundo grau. Viaja uma hora e meia, sonolenta, até chegar ao destino, no centro de Floripa.

“As aulas são puxadas, é uma escola particular”, diz, sem ironia. Os pais pagam mensalidade de R$ 420. Ela conta que volta para almoçar em casa – mais hora e pouco no busão. Divide suas tardes entre aulas de reforço, inglês na academia Kumon e ajudando a mãe nas tarefas da casa, nos cuidados com a avó com necessidades especiais.

Mudando a plataforma
E a fama? “Aquele assédio dos primeiros meses está passando”, diz, como se estivesse aliviada. Os acessos ao seu Diário “estagnaram um pouco” depois dos 600 mil, agora eles pingam mais devagar, aos atuais 626, contados até o final de semana.

A editora e a autora mirim esperam que destes milhares saiam os futuros compradores do livro. Com tiragem de 10 mil (os destinados à eternidade), eles apostam é no sucesso da versão e-book. Ela não quis falar dos valores do contrato.

Que novidades o leitor pode esperar na obra? “Nenhuma”, diz, candidamente, sem se preocupar com o marketing. “Eu vou contar os bastidores de todas as experiências que tive”.

Se ela acha que é pouco, está enganada. Seu Diário provocou reações violentas de colegas, a fúria de professores e abalou o sistema público catarinense – até ela ser ouvida e respeitada. No ano passado, ficou entre os 25 brasileiros mais influentes, segundo o jornal inglês Financial Times.

Ela não deu bola para a honraria: “Tenho certeza que o resultado do Diário foi para melhor”, afirma, sem modéstia. “As críticas que eu fiz tinham fundamento e muita coisa foi mexida enquanto o blog esteve no auge”.

Ainda hoje ela recebe pedidos para participar de eventos em defesa da qualidade do ensino público. Com a ajuda da mãe, seleciona os melhores e acha tempo na agenda para participar e ajudar.

Num lado mais pessoal, o que faz a menina de 1m60 e 40 quilos quando não está na pele da Isadora autora/palestrante/celebridade? “Não tenho namorado”, vai avisando. Lazer? Muita praia (sempre que tem sol, a 200 metros de casa).

E ler, no conforto de seu quarto, com o bebê poodle Juba no colo. No momento, está lendo “A Menina que Roubava Livros”. O da menina que agita na internert, mas não abre mão de lançar um livro de papel só estarás livrarias em 16 de maio.

Fonte: UOL notícias

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Crítico literário afirma ter encontrado emoticon em poema de 1648

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Publicado no Boa Informação

Já imaginou escrever uma mensagem sem um emoticon? :-/ Realmente a internet e as mensagens de texto não seriam as mesmas. Mas pode ser que combinar caracteres para expressar sentimentos não seja exclusivo da era da internet.

O crítico literário Levi Stahl, da Universidade de Chicago, diz ter encontrado o que pode ser o primeiro uso da pontuação para criar um rosto sorridente em uma cópia do poema “To fortune”, escrito por Robert Herrick, em 1648.

Primeiro Emoticon

Segundo informações do site do jornal O Globo, Stahl achou que a carinha fosse um erro de digitação, mas ao checar a versão publicada ano passado pela Universidade de Oxford, encontrou a mesma marcação e, com isso, passou a considerar que a intervenção foi proposital, o que faria sentido na obra de Herrick, marcada pelo humor.

Até hoje, o exemplo mais antigo de uso de emoticons estava na edição da revista Puck de 30 de março de 1881.

Revista Puck

Repare na parte inferior, no meio da página.

Mas no caso dessa edição da revista, o emoticon não está dentro do texto, logo não imprime os mesmos sentimentos :’(.

Isso significa que Heck talvez seja o “pioneiro” das carinhas de caracteres por pelo menos 200. O emoticon pode ser apenas um erro tipográfico, mas a hipótese da inclusão ser proposital ganha força graças ao contexto do verso “smiling yet” (“ainda sorrindo”).

O professor de literatura inglesa Alan Jacobs, no entanto, discorda e acha pouco provável que Herrick tenha criado o emoticon. Ele argumenta que, para ter certeza das intenções do poeta, seria preciso encontrar os manuscritos originais, pois os responsáveis pela impressão não necessariamente seguiram as orientações dos autores.

Como exemplo, ele cita uma versão do poema publicada no século XIX sem os parênteses. Jacobs imagina que a imagem tenha sido incluída em edições posteriores.

“Os parênteses não eram usados em verso na época de Herrick de forma tão comum quanto hoje nem da forma como usamos hoje”, argumenta ele. “A pontuação, no geral, era incerta no século XVII, tão incerta quanto soletrar. Shakespeare escrevia seu nome de várias formas diferentes e não havia regras gerais. Herrick dificilmente tinha práticas de pontuação consistentes e, mesmo que tivesse, não poderia esperar que os editores ou seus leitores compartilhassem dessas práticas”, completa.

A história oficial aponta o cientista da computação Scott Fahlman como o criador dos emoticons, apesar dos registros da revista Puck em 1881. Em 19 de setembro de 1982, mais de 100 anos depois, ele sugeriu a seus colegas na universidade Carnegie Mellon o uso das formas gráficas :-) e :-( para expressar emoções.

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