Um Sorriso ou Dois

A Torre Negra | Diretor confirma que filme será uma sequência dos livros

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Diretor também afirma que Stephen King aprovou a adaptação.

Robinson Samulak Alves, no Cinema com Rapadura

Há muitos anos os fãs de Stephen King aguardam por uma adaptação de “A Torre Negra”. A principal obra do autor finalmente chegará aos cinemas pelas mãos do diretor Nikolaj Arcel (“O Amante da Rainha”), porém não da forma como muitos estavam aguardando. Depois do primeiro trailer algumas teorias começaram a surgir pela forma como elementos de vários livros apareciam juntos, ao mesmo tempo que personagens dos primeiros livros não eram citados. Agora, Arcel confirmou que uma das teorias estava correta. Durante uma entrevista à IGN, o diretor confirmou que o filme será uma sequência dos livros, mas que conta com a aprovação do diretor. Confira o que disse Nikolaj Arcel:

“É, de fato, uma continuação. É uma continuação do cânone. É exatamente isso que pretendemos e o que Stephen King assinou. Em um determinado ponto ele [Stephen King] disse: ‘Tenho algumas anotações para o script’. E ele nos enviou uma cópia impressa do roteiro, com notas feitas à mão. Ele foi muito educado e muito respeitoso. Era sempre como, ‘Talvez Roland não deva falar muito aqui’… ele era como o dono da casa dos personagens. Depois de ver o filme pela primeira vez, King me escreveu:’Este não é exatamente o meu romance, mas tem muito do espírito e do tom, e eu estou muito feliz’.”

Um pistoleiro chamado Roland Deschain (Idris Elba) percorre o mundo em busca da famosa Torre Negra, prédio mágico que está prestes a desaparecer. Essa busca envolve uma intensa perseguição ao poderoso Homem de Preto (Matthew McConaughey), passagens entre tempos diferentes, encontros intensos e confusões entre o real e o imaginário. Baseado na obra literária homônima de Stephen King.

No elenco, vemos ainda Tom Taylor (da série “The Last Kingdom”) como Jake Chambers, Abbey Lee (“Mad Max: Estrada da Fúria”) como Tirana e Jackie Earle Haley (“Invasão a Londres”) como Sayre.

“A Torre Negra” tem estreia prevista para 04 de agosto de 2017.

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Sem patrocínio, começa no Rio o 19º Salão do Livro Infantil e Juvenil

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Crianças visitam o Salão do Livro Infantil e Juvenil em edição passada - Divulgação

Crianças visitam o Salão do Livro Infantil e Juvenil em edição passada – Divulgação

Publicado na IstoÉ

Começou ontem (21), exclusivamente para professores, o 19º Salão do Livro Infantil e Juvenil, promovido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), no Centro de Convenções SulAmérica, na Cidade Nova, região central do Rio de Janeiro. A partir de amanhã (22), o evento estará aberto para escolas e o público em geral.

“O salão está cinco vezes menor; a gente está sem patrocínio”, lamentou, em entrevista à Agência Brasil a secretária-geral da fundação, Beth Serra. Em vez de 12 dias de duração, como aconteceu nas edições anteriores, o Salão 2017 foi reduzido para oito dias, estendendo-se até 28 deste mês. “Mas a gente conseguiu, pelo menos, manter a sequência”.

Em 2018, o Salão do Livro Infantil e Juvenil completará 20 anos de existência. “Eu costumo dizer que 2016 foi o salão da resistência. Este ano, é o salão da perseverança, da teimosia”, sublinhou Beth. Ela acredita, porém, que o Salão voltará ao tamanho anterior, conseguindo novos patrocínios. “Acredito que tem uma luz no fim do túnel para que as coisas sejam diferentes no ano que vem. A gente não perde a esperança”.

Verba para livros

Apoios tradicionais do passado, como da Petrobras; do Departamento do Livro, da Leitura e da Biblioteca, do Ministério da Cultura; e da Secretaria Municipal de Cultura do Rio não tiveram continuidade este ano. O que garantiu a realização do evento foi a manutenção, pela prefeitura carioca, da verba para os professores adquirirem livros no evento, informou Beth Serra.

“Isso já é uma tradição quase do início do salão, criada na gestão do prefeito Cesar Maia, que se mantém ao longo dos anos. Os secretários de Educação mantêm isso, o que motiva os editores a estarem presentes, porque tem a verba garantida para compra dos livros”, explicou. Nesta edição, participam 37 editoras.

Professores de mais de 1.500 escolas vão comprar livros no salão. Beth salientou que isso faz parte do projeto de leitura e de educação do município. A verba dada pela prefeitura soma cerca de R$ 960 mil, à média de R$ 600 por escola, e se destina exclusivamente à aquisição de literatura infantil. Segundo Beth, esses recursos são muito importantes, porque o Programa Nacional da Biblioteca na Escola, do Ministério da Educação, que era fundamental para a formação de leitores jovens, foi interrompido em 2015.

A expectativa é que 5 mil crianças da rede municipal de ensino visitarão o salão, que receberá também estudantes de escolas particulares e de organizações não governamentais (ONGs) que trabalham com leitura e literatura. No espaço ocupado nesta edição do evento cabem 700 pessoas por turno (manhã e tarde).

Seminário

Em paralelo ao Salão do Livro Infantil e Juvenil, será realizado nos dias 26 e 27 próximos o 19º Seminário FNLIJ Bartolomeu Campos de Queirós, cujo tema central é o Prêmio FNLIJ: Seleção 2017. O seminário é voltado para educadores, que têm a oportunidade de conhecer os vários livros premiados pela entidade, recomendados para constar de bibliotecas das escolas para leitura de professores, alunos e suas famílias. Foi mantido também este ano o encontro de escritores infantis e juvenis indígenas.

Beth Serra destacou que, durante o evento, também haverá encontros paralelos, “que são uma coisa que a gente foi criando e ganharam corpo, mas têm uma demanda grande”. Esses encontros paralelos são abertos ao público, mas limitados ao número de vagas. Não é necessário fazer inscrição prévia. Cada mesa de debate dura em média uma hora, com temas ligados à leitura, literatura, biblioteca. Ao todo, serão 20 encontros paralelos.

O Salão do Livro Infantil e Juvenil ficará aberto de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h, e no sábado (24) e domingo (25), das 10h às 18h. O ingresso custa R$ 12,00, com meia entrada para menores de idade, estudantes, idosos e portadores de deficiência. Os agendamentos de visitação escolar e outras informações podem ser feitos nos telefones (21) 2262-9130 / 2262-9840 ou (21) 986047175 (mensagem de Whatsapp) ou pelos e-mails visitacaoescolar@fnlij.org.br e salaofnlij@fnlij.org.br.

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Sem aulas e de graça: assim é a escola de programação mais revolucionária do mundo

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William Beaucardet

William Beaucardet

50.000 candidatos se inscrevem todos os anos para entrar na 42, uma escola vanguardista de Paris que não exige nem o ensino médio e onde não existem professores

Jacobo Pedraza, no El País

Duas instituições acadêmicas convivem no Boulevard Bessières de Paris, no 17º distrito, limite entre a cidade e os subúrbios. Uma é o Liceu-Colégio Internacional Honoré de Balzac, o maior colégio público da capital francesa: cinco hectares consagrados ao criador de A Comédia Humana, cuja assinatura se vê estampada na grade de entrada do local. A outra se chama 42. Uma escola de programação que a partir do próprio nome já encarna uma mudança em relação à totalidade do sistema educacional francês ou, o que é a mesma coisa, ao conceito de formação que impera há pelo menos três séculos. Para começar, porque não exige nenhum título acadêmico aos seus alunos. E porque é gratuita.

A 42 é uma fundação privada sem fins lucrativos, sustentada principalmente pelo magnata francês da tecnologia Xavier Niel, coproprietário do Le Monde (e dos direitos de My Way de Sinatra) e, além disso, incentivador do que será a maior incubadora do mundo, a também parisiense Station F. O modelo acadêmico foi concebido pelo próprio Niel e por Nicolas Sadirac, fundador e ex-diretor executivo da rede de escolas particulares de código Epitech, de excelente reputação no cenário tecnológico francês, mas com preços a partir dos 7.000 euros (25.800 reais) anuais. Ambos acreditam que a genialidade não surge somente entre os que podem pagar uma instituição desse tipo, e pensam que a universidade pública se asfixia por seu próprio tamanho e falha na hora de proporcionar o salto entre a formação e a empresa. Criaram uma escola que qualquer um “nascido para o código” (o lema da escola) possa ter acesso, em permanente contato com o ambiente empresarial e um com um conceito pedagógico que faz da gamificação sua essência.

A escola surpreende já na entrada. A primeira coisa que o aluno escuta é a própria porta, que o cumprimenta pelo nome: “Bonjour, Gilles”. A recepção tem um móvel para guardar o patinete, o meio de transporte favorito de muitos. Mas o que fascinam são as primeiras amostras da enorme coleção de arte urbana que decora a escola, e que se mistura à perfeição com os alunos e com o espírito desse espaço: mais de 150 pinturas e esculturas subversivas, rebeldes, jovens. “Temos até mesmo um Banksy”, confessa lá mesmo Catherine Madinier, ex-aluna dessa escola fundada em 2013 e membro do corpo docente, que por fim confirma a suspeita que todo bom freak já tinha sobre o nome da escola: “É pelo Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams”. A 42 é – nessa série de rádio, romance e filme – a resposta absurda e confusa que dá um monumental supercomputador à “pergunta definitiva sobre a vida, o universo e tudo”. Até a calculadora do Google conhece essa referência.

Sem aulas, sem professores

Madinier avança até a primeira colmeia de computadores, no térreo do edifício. Uma sala gigante com mais de 300 desktops com a inconfundível maçã da Apple: “Os macs consomem menos energia. Quando se usam mais de 1.000 por dia, a economia é considerável”, diz esta nativa de Nice, de 31 anos, que se define frequentemente como professora, embora saliente que seu papel é mais de tutora ou mediadora. “Não existem professores. Não há aulas. Não há lições ou livros de estudo”. “Isso é uma grande diferença em relação a outras escolas como a Epitech”, destaca David Giron, diretor de estudos da 42, que desempenhou a mesma função na própria Epitech, que acrescenta. “Os professores e as lições não têm sentido hoje em dia. Todo o material está na Internet, e queremos sejam capazes de procurá-lo, classificá-lo e filtrá-lo”.

Os mais de 2.000 alunos da escola deixam de lado o modelo de formação que conheceram em favor de uma educação a partir de uma perspectiva que, na realidade, conhecem muito melhor: a dos vídeogames.

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Níveis, títulos e recompensas

Gilles Potte tem vinte anos e está muito distante da imagem normalmente associada ao estudante de engenharia da computação: cobre seu cabelo longo com uma boina, ostenta um piercing na orelha, uma tatuagem nas costas e usa calças corsário e camiseta. Ao seu redor há alunos que escrevem linhas de código em velocidade de cruzeiro, enquanto outros socializam entre vídeos do YouTube e algum fica absorto jogando uma partida. “Podem fazer mais coisas, gostamos que façam mais coisas, mas na maior parte do tempo devem estar programado”, diz Madinier.

Gilles inicia a sessão na intranet da 42. É como carregar uma partida salva de um videogame. No menu principal se pode observar que ele está no nível 2, faltam poucos pontos de experiência para alcançar o 3. “No total, são 21 níveis [não é um número ao acaso, é a metade de 42], a partir do 21º se considera que o aluno está capacitado para sair para o mundo do trabalho”, diz Catherine Madinier. Frequentemente, segundo ela, os alunos conseguem um emprego em tempo integral que os faz deixar a escola antes de completar os três anos, duração média do programa.

A gamificação é aplicada em todos os campos da 42. Gilles ganhou dois títulos, algo como um tratamento oficial (senhor, doutor, excelentíssimo) muito comum no mundo dos videogames, que são dados como recompensa ou punição de acordo com as ações realizadas pelo jogador. “Tenho os títulos de troll e o de altruísta”, proclama o aluno, rindo. O primeiro é por fazer comentários demais e com ânsia de incomodar nos fóruns da escola. O segundo é por ser um grande corretor desinteressado dos exercícios dos colegas. Sim, na 42 os exercícios não são corrigidos pelos tutores, mas pelos próprios alunos: “É uma maneira de aprender com o trabalho dos outros, com suas formas, seus métodos para chegar a uma solução de um problema e com seus erros”, explica Madinier. O erro também é recompensado: o título de errão é assumido com orgulho porque implica em perseverança e desejo de superação de si mesmo.

O progresso nos estudos é observado no gráfico de exercícios, que lembra claramente os diagramas de habilidades aprendidas em videogames como Final Fantasy. O aluno começa no centro de vários círculos concêntricos e seu avanço o leva para a parte externa, prova a prova, escolhendo um ou outro caminho em função da parcela de todo o mundo da informática que mais lhe interesse.

O percurso começa focado no desenvolvimento do ambiente Unix com linguagem de programação C, no final os alunos poderão usar praticamente qualquer linguagem fluentemente. As quatro matérias principais são Unix, algoritmos, gráficos e web. Aos poucos vãos e especializando: celular, cibersegurança, hardware, design, videogames. “Não chegam a completar todos os exercícios de todos os caminhos, isso é quase impossível. Pense que existem trabalhos tão complexos como criar seu próprio sistema operacional ou o motor de um vídeo game online do zero”, revela Catherine Madinier. “Eu ainda não decidi. Estou entre design, vídeo games, ou inteligência artificial”, diz Gilles, fã de fotografia e edição gráfica.

O programa de estudos é elaborado e atualizado constantemente pela equipe docente, formada por cerca de 15 tutores dirigidos por David Giron. Há exercícios de todo tipo: elaborar periféricos para substituir o mouse do computador, dar forma a um videogame de tiros em primeira pessoa, criar um aplicativo de calendário que depois o próprio aluno utilizará ou pequenas ferramentas para o site da 42. Cada prática é avaliada pelos colegas e os resultados podem ser verificados e alterados a partir da intranet da escola.

Se um estudante é reprovado ou aprovado (mas não está satisfeito com seu desempenho) pode repetir o exercício quantas vezes quiser. “A escola fica aberta todos os dias do ano, 24 horas por dia, de modo que os alunos chegam a passar mais de 90 horas por semana nela”, diz Giron. Ser aprovado com boas notas ou com especial esmero em alguns pontos dá direito a medalhas e recompensas, um sistema amplamente desenvolvido em qualquer vídeo game da plataforma online Steam.

“As recompensas podem ser trocadas por produtos do refeitório ou, por exemplo, por banhos na Jacuzzi”, diz Madinier enquanto continua mostrando as instalações da 42. O refeitório e a varanda estão inusualmente cheios por causa do sol. É possível perceber estéticas e padrões: geeks que poderiam muito bem ser membros de qualquer equipe profissional de esports, alguns com roupas escuras e estética mangá, e outros com calças jeans largas e tênis de skate. Todos coexistem, se misturam e desfrutam da música, desta vez um rap francês, o gênero favorito do banlieue (subúrbio).

A piscina

Ao lado do refeitório fica a piscina. Não há piscina ou água. É uma enorme sala onde podem ser vistas malas, pessoas deitadas, gente descansando em colchões infláveis e sacos de dormir. A piscina é o nome do espaço e da época que definem se um aluno tem ou não futuro na 42. Quase um mês de intensidade máxima que representa o único veículo para ser admitido na escola.

Chega-se à piscina depois de duas provas online, dois jogos que, além disso, não são os mesmos para todos. Um dura 10 minutos e é um exercício de memória. O outro dura mais de duas horas e testa a capacidade lógica do candidato. Começam sendo simples, mas à medida que os níveis são concluídos tornam-se mais e mais complicados. Com eles é feita a seleção dos pretendentes que terão acesso à piscina: de cerca de 50.000, apenas 3.000 sobrevivem.

“Para a inscrição só pedimos nome, sobrenome e data de nascimento. Não queremos saber de mais nada”, afirma Madinier. “Nem o que estudaram. Ou de onde vêm. Ou se são pobres ou ricos”. Chegam à 42 muitos candidatos de classe baixa, dos subúrbios das cidades ou pessoas sem recursos de outros países, que dificilmente poderiam entrar em qualquer outra escola de programação. Durante o mês de provas, nas quais os alunos passam uma média de 15 horas por dia trabalhando, são autorizados a se alojar nas instalações da escola (no recinto da piscina), usar os chuveiros e os vestiários e comer no refeitório, com preços muito menores que os de estabelecimentos próximos e ainda mais baratos quando comparados aos do centro de Paris.

As provas terminam a cada dia exatamente às 23h42. Seu foco é o desenvolvimento de habilidades em linguagem C, um pilar básico para adaptar os conceitos e a mentalidade ao mundo da programação. “Muitos pré-inscritos chegam sem saber programar. Eu mesma vim do setor de negócios e não tinha a menor ideia”, revela Madinier. Gilles vem do mundo da restauração: “Eu me matriculei num curso técnico de hotelaria perto daqui, no 18º distrito, mas esse futuro não me convenceu. Descobri que era isso que eu gostava, então eu decidi tentar”, lembra o aluno parisiense, que também não sabia muito de código antes de entrar, apesar de reconhecer que se preparou antes da piscina.

Os exercícios da piscina são corrigidos entre os próprios alunos, que vão aprendendo com isso, e também por uma inteligência artificial conhecida como moedora. Nessa altura, são incentivados a trabalhar em conjunto e a ajudar uns aos outros “algo que em outros lugares significa fazer trapaça e que nós pensamos que é essencial”, argumenta David Giron. No fim da primeira semana de cada processo seletivo mais de uma centena de candidatos (entre 800 e 1.000 para cada uma das três piscinas anuais, que são realizadas no verão) terá desistido. “É um processo muito difícil e a maneira de encará-lo também é importante para nós. As notas são uma indicação, mas no final os selecionados são escolhidos pelo corpo docente para além dos seus resultados. O critério varia e o número de admitidos, também”, afirma Madinier. A 42 não costuma aceitar alunos menores de 18 anos ou maiores de 30: não quer que deixem o ensino médio para entrar em um processo muito difícil de aprendizagem porque perderiam muitas oportunidades de futuro, e tampouco acreditam que aqueles que já passaram dos trinta possam absorver a quantidade de conceitos que precisam assimilar. A intenção também é ter um corpo discente coeso.

 Uma das colmeias de computadores da escola. William Beaucardet

Uma das colmeias de computadores da escola. William Beaucardet

A escola estima que 40% dos alunos não têm o ensino médio completo. Uma porcentagem um pouco menor vem de meios desfavorecidos. Cerca de 20% vêm de fora da França. Poderia ser um ambiente complicado, mas é completamente o oposto. “Eu estou aqui faz pouco tempo, mas desde o início você percebe que este é o seu lugar. Na piscina todos ajudamos uns aos outros e agora continua sendo assim. Não importa de onde você vem. Somos todos amigos”, diz Gilles.

Como diretor de estudos, David Giron viveu histórias que destacam as oportunidades que a escola deu para muitos alunos: “Poderia mencionar um ex-pequeno traficante de drogas que veio para cá depois de escapar por pouco da cadeia e hoje dirige sua própria empresa e contrata nossos alunos. Ou um montador da ópera que não via sentido na vida e hoje é feliz como desenvolvedor de aplicativos para celular. Ou até mesmo um doutor em filosofia italiano que agora é diretor de tecnologia de uma grande empresa”. “A melhor coisa de trabalhar aqui é ver florescer alguns. Sua mudança dentro da 42 ao encontrar um lugar e colegas com os que se sentem realmente bem e envolvidos. Muitos encontram aqui pela primeira vez uma motivação, um modo de vida e uma oportunidade única “ diz sorrindo Catherine Madinier, que cumprimenta muitos alunos com dois beijos.

Trabalho

Os que foram aprovados também podem comer no refeitório e até mesmo trabalhar nele. Também podem ser remunerados com dinheiro para uso interno por fazer visitas guiadas para os turistas. Podem descansar, mas ao contrário dos candidatos, não estão autorizados a dormir nas instalações: em troca, a escola oferece alojamentos baratos e os apoia para obter empréstimos.

No primeiro andar da 42 fica a segunda colmeia de computadores, conhecida como Terra Média. Outros 300 computadores, onde o ambiente de trabalho é mais profissional. “Temos um fórum onde colocamos ofertas de emprego que chegam a nós”, diz Madinier. Estágios, contratos por tarefa, por tempo indeterminado ou até para cargos de diretor e tecnologia em algumas das startups do poderoso ecossistema parisiense. O centro é muito bem relacionado graças ao apoio de Xavier Niel e ao prestígio que adquiriu desde sua criação. É comum que os alunos colaborem com escolas de design e de negócios, muitas vezes através de hackathones: maratonas de programação para concluir um projeto específico. Muitos dos trabalhos que aparecem no fórum não requerem estar fisicamente presente, por isso chegam anúncios de qualquer lugar do planeta.

Quando eles saem da escola, os alunos têm um amplo leque de opções: “Não levam mais de dois meses para encontrar um emprego. Muitos gostam de cibersegurança, também de videogames e do campo dos gráficos, que agora está tendo muito desenvolvimento com a realidade virtual”, exemplifica Madinier. “Alguns alunos vão para startups, enquanto outros preferem as grandes empresas. Alguns decidem fundar suas próprias empresas e outros vão para o GAFA [acrônimo de Google, Apple, Facebook e Amazon]” explica David Giron.

Existe um elemento em que a 42 se parece com qualquer outra escola de programação: a ausência de mulheres. Catherine Madinier é uma exceção, pois elas representam apenas 8% do corpo discente. “Há muuuuito trabalho a fazer”, admite. Giron insiste que o problema vem de antes, uma vez que o percentual é semelhante ao das mulheres que se candidatam às provas de ingresso: “É uma coisa cultural. A indústria dos videogames, com as personagens femininas que cria, tem muito a ver com isso”. A mentalidade e o espírito divertido da escola fazem dela talvez algo mais atraente, mas em um setor, o do entretenimento eletrônico, em que as mulheres também foram sempre uma minoria muitas vezes esquecida. A 42 não tem quotas de qualquer espécie e se recusa a estabelecer um percentual mínimo de mulheres.

Agora em Silicon Valley

A 42 é o sonho de Xavier Niel, que aos 49 anos é a nona fortuna da França, com cerca de 10 bilhões de dólares, segundo a Forbes. Ele contribuiu com mais de 70 milhões na fundação da 42 para comprar o prédio da escola e mantê-la nos primeiros 10 anos de vida, à razão de cerca de 7 milhões de euros por ano. Niel é um pioneiro que criou uma das primeiras empresas francesas de Internet quanto tinha 19 anos. Alguns dos alunos da escola foram trabalhar em suas empresas, entre elas a Free, a segunda maior fornecedora de serviços de rede do país, e a terceira operadora de telefonia celular. Na incubadora de startups Station F, investiu mais de 100 milhões de euros com o objetivo de continuar impulsionando a criação de empresas de tecnologia em Paris.

Em 2016 Niel decidiu levar o modelo de sua escola ao Silicon Valley, o epicentro da inovação tecnológica, com a abertura de uma sede em Fremont, na Baía de San Francisco, na qual também investiu 100 milhões para garantir sua viabilidade para a próxima década. Ele tem o apoio dos fundadores de empresas tão importantes no mundo da tecnologia como Snapchat, Periscope, Nest Labs, Slack ou a conhecida incubadora YCombinator. Lá, Niel levantou um campus de quase 20.000 metros quadrados com um edifício de dormitórios para 300 alunos, oferecidos gratuitamente aos nascidos para o código que têm menos recursos.

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Combate à evasão escolar pode evitar homicídio, diz pesquisadora

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A pesquisadora Ilona Szabó, diretora do Instituto Igarapé

A pesquisadora Ilona Szabó, diretora do Instituto Igarapé

Fernanda Mena, na Folha de S.Paulo

Com 8% da população mundial, a América Latina concentra 38% dos assassinatos globais. O problema se concentra em sete países: Brasil, Colômbia, El Salvador, Honduras, Guatemala, México e Venezuela. Só o Brasil responde por pouco mais de 10% dos assassinatos do planeta.

Foi a partir da eloquência desses dados que se articulou a campanha Instinto de Vida, que reúne 32 organizações latino-americanas e com um cardápio de políticas públicas baseadas em evidências para se reduzir em 50% os homicídios nos próximos dez anos.

Entre elas está o investimento em famílias vulneráveis e na redução da evasão escolar. “Investir na primeira infância tem relação custo-benefício altíssima, assim como a busca ativa de jovens que abandonaram a escola, porque é ali que começa o problema”, diz Ilona Szabó de Carvalho, 39, que abandonou o mercado financeiro para se especializar em segurança pública e política de drogas.

Ela é diretora do Instituto Igarapé, que lidera a campanha no Brasil ao lado de entidades como Anistia Internacional Brasil, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Instituto Sou da Paz, Nossas e Observatório de Favelas.

Para ela, além das linhas de prevenção e reabilitação, é imprescindível investigar a entrada de armas no país e todo o caminho dos recursos gerados pelo crime organizado.

RAIO-X

NASCIMENTO
Nova Friburgo (RJ), 1978

FORMAÇÃO
Mestre em Estudos de Conflito e Paz pela Universidade de Uppsala (Suécia), especialista em Desenvolvimento Internacional pela Universidade de Oslo (Noruega)

CARREIRA
Foi secretária-executiva da Comissão Global de Políticas sobre Drogas (2011-16) e pesquisadora e co-roteirista do documentário “Quebrando o Tabu”. É autora do livro “Drogas: As Histórias que Não te Contaram” (ed Zahar)

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Como chegamos até índices recordistas de homicídio?
A América Latina é uma das regiões mais desiguais do mundo. A população jovem é numerosa, desempregada e de baixa escolaridade. Temos baixa regulação de acesso a drogas, armas e álcool. Temos a negligência dos governos. As ditaduras também influíram porque fizemos a transição para a democracia sem discutir o novo papel da polícia.

Quais são os fatores de risco para homicídios?
Homicídios são multicausais e decorrem da acumulação de fatores de risco. Desigualdade social, desemprego e baixa escolaridade são alguns. A escola expulsa o jovem e isso é um divisor de águas: ele vai para o sistema de justiça juvenil e depois para o sistema prisional ou vira estatística de homicídio.

A exposição à violência é outro fator importante. Hoje sabemos que ela promove comportamentos violentos, inclusive a partir de mudanças no cérebro.
Há ainda a urbanização rápida e irregular. Estudos mostram que, em áreas urbanas que crescem acima de 4% ao ano, rompe-se o tecido social.

Por fim, há comportamentos de risco associados a álcool, drogas e armas, que funcionam como gatilhos. Na nossa região, soma-se a isso a questão da impunidade porque a taxa de elucidação de homicídio é muito baixa.

Prendemos muito, mas prendemos mal

Sim! Esse jargão é verdadeiro. A gente não prioriza crimes que de fato ameacem a sociedade. Os crimes contra o patrimônio continuam sendo privilegiados, assim como o tráfico de drogas, na figura, não do traficante homicida, mas do produtor, transportador ou pequeno vendedor.
O Judiciário não revisa suas políticas em termos do efeito da aplicação das leis. O impacto da morosidade da Justiça é brutal para os presos provisórios do país, que somam 40% da massa carcerária. Sabemos que eles não são separados por periculosidade e que, portanto, a pessoa sai do sistema mais perigosa do que entrou. Além disso, temos um Congresso que passa ou tenta passar antimedidas de segurança.

Quais?
O porte de armas para civis, por exemplo. No Brasil, as pessoas podem ter armas, mas não podem andar armadas na rua. E há sempre novas iniciativas para liberar isso.
Em momentos de crise, o discurso do medo atende ao desespero da população. É justamente essa política que nos trouxe onde estamos. Tivemos uma trajetória de achar que algumas vidas valem mais do que outras, dependendo do seu CEP e da sua cor.

No Rio, havia a chamada “gratificação faroeste”, que dava bônus a policiais que matavam supostos bandidos. Como você acha que esse policial era recebido nas comunidades? Se o bandido sabe que o policial vai atirar antes de qualquer coisa, o que ele vai fazer? Atirar antes de qualquer coisa.

Como melhorar a atuação das polícias?
A estratégia número um é o policiamento de manchas criminais. São Paulo tem um sistema de dados, e a polícia militar coloca suas viaturas nas ruas baseada em informação de onde ocorrem mais crimes, de forma preventiva.

No Rio, conseguimos juntar empresários que doaram esse tipo de sistema ao Estado. Mas a maioria absoluta do território nacional não tem isso. Custa muito pouco: menos de R$ 1,5 milhão. Foi assim que Nova York diminuiu a violência.

Além disso, precisamos no Brasil de uma Lava Jato do tráfico de armas e da lavagem de dinheiro. Nunca usamos as técnicas que estão à serviço do combate à corrupção contra o crime organizado.

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Quais outras políticas fazem parte da cartilha de redução de homicídios?
Políticas de prevenção e reabilitação, que são de âmbito local. Investimentos extra nas famílias mais vulneráveis. Investir na primeira infância tem relação custo-benefício altíssima, assim como a busca ativa de jovens que abandonaram a escola porque é ali que começa o problema. Criam-se comitês nas escolas para ir atrás deles, um a um.

Terapias cognitivo-comportamentais também têm funcionado nas periferias de grandes cidades norte-americanas tanto com egressos do sistema prisional quanto com jovens mais aguerridos, que são vistos como “problema”, mas que podem ser “solução” porque são líderes. São técnicas de autocontrole e a designação de mentores que podem ser acionados em momentos críticos. O custo disso é mínimo, não tem de criar estrutura, construir presídio…

E do ponto de vista urbano?
Intervenção nos modelos de Medellín e Bogotá são essenciais porque promovem integração física e social de locais mais vulneráveis com o restante da cidade, criando espaços seguros de convivência.

Além disso, tem a regulação do álcool, que é tabu, apesar de sabermos que muitas manchas criminais estão no entorno de bares. Em Diadema, Bogotá e Medellín houve fechamento de bares mais cedo. À medida que os índices melhoraram, permitiram sua abertura até mais tarde.

Por que parece tão difícil ao Brasil implementar um plano de redução de homicídios?
Passa por não querer enfrentar questões estruturais. Estamos com um problema de grande proporção, e quem se envolver acha que o preço político pode ser muito alto. Há uma saga dos planos nacionais desde o governo passado [Dilma Rousseff], quando um plano foi anunciado mas nunca lançado. O primeiro ministro da Justiça de Temer fez outro pré-lançamento de um plano de redução de homicídios motivado pela crise carcerária, mas ele nunca saiu do papel.
É triste, porque o conhecimento dos institutos de pesquisa não está sendo acessado. O pedido é: governos, por favor, diante desta urgência, usem esse conhecimento para não insistirmos em políticas que não geram resultados.

Como a campanha pretende influir nesse processo?
Qualquer plano de segurança é uma política de Estado, não de governos. Criamos um cardápio de políticas e o submetemos a quatro consultas regionais –em Washington, Cidade do México, Bogotá e Rio de Janeiro– para que pudéssemos oferecer aos governos um guia robusto de elaboração de políticas.

A ideia é assessorarmos tecnicamente vários níveis de governos que queiram fazer planos de redução de homicídios e se comprometer com metas e políticas eficazes. Estamos dialogando com a Organização dos Estados Americanos (OEA) para que haja compromisso dos países com uma redução clara na taxa de homicídios.
E negociamos com o Banco Interamericano (BID) e a CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina) para que coloquem indicadores de redução de violência como contrapartida de seus empréstimos e doações.

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Machado de Assis é homenageado pelo Google em 178º aniversário

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Um Doodle cheio de referências: os hipopótamos de “Memórias Póstumas”; o cachorro de Rubião, chamado Quincas Borba; as batatas de “ao vencedor, as batatas!” e o bebê Ezequiel, de “Dom Casmurro”, entre outros (Google/Reprodução)

Um Doodle cheio de referências: os hipopótamos de “Memórias Póstumas”; o cachorro de Rubião, chamado Quincas Borba; as batatas de “ao vencedor, as batatas!” e o bebê Ezequiel, de “Dom Casmurro”, entre outros (Google/Reprodução)

O maior escritor brasileiro de todos os tempos foi homenageado com uma ilustração que cita suas principais obras

Ligia Helena, no M de Mulher

178 anos hoje (21) e por isso ganhou uma merecida homenagem do Google: um belíssimo Doodle na home do site de buscas.

A ilustração homenageia algumas das principais obras de Machado de Assis, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro.

Nascido Joaquim Maria Machado de Assis, ele veio ao mundo no Morro do Livramento, na área central da cidade do Rio de Janeiro, próximo à região portuária. Neto de escravos libertados, Machado de Assis era negro e sofreu com o racismo enquanto viveu: imaginem que a escravidão só foi oficialmente abolida no Brasil em 1888, quando ele já tinha 49 anos.

(Reprodução/Academia Brasileira de Letras)

(Reprodução/Academia Brasileira de Letras)

Machado de Assis não teve muito acesso à educação formal, mas insistiu em seu sonho de estudar literatura. Em 1854, aos 15 anos, foi trabalhar em uma tipografia, estabelecimento onde imprimiam-se livros e folhetos. Lá, começou a fazer poemas e escrever histórias. Trabalhou como tipógrafo até 1858, e em paralelo escrevia para revistas e jornais, até que passou a se dedicar apenas ao texto. Tornou-se fundador da Academia Brasileira de Letras e foi presidente da ABL por 10 anos.

As Obras

Machado de Assis produziu muito durante a vida. Escreveu poesia, teatro, crônica, conto, romance e ainda crítica e fez traduções como a de “Os Trabalhadores do Mar”, de Victor Hugo. No teatro, escreveu peças de comédia como “Quase Ministro” e “Deuses de Casaca”.

Mas a consagração se deu por meio dos nove romances que escreveu. O primeiro, “Ressurreição”, foi publicado em em 1872. Depois vieram obras-primas como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Quincas Borba, lidas e celebradas até os dias de hoje.

Livros de Machado de Assis de graça

Como a obra de Machado de Assis já é de domínio público, você pode encontrar todos os livros disponíveis gratuitamente na versão digital, na Biblioteca de Domínio Público Brasileira.

No site de Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, são disponibilizadas inclusive as primeiras edições de cada obra. Vale a visita!

O trabalho de Machado de Assis já foi lido, revisto e adaptado centenas de vezes. De histórias em quadrinhos a ópera, as tramas imaginadas pelo carioca se espalharam pelo mundo.

Na TV, uma das adaptações mais recentes foi a minissérie Capitu, baseada em “Dom Casmurro”, e que tenta responder à pergunta: Capitu, afinal, traiu Bentinho? A resposta mora na cabeça de cada um que leu o clássico.

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