O Teste (Joelle Charbonneau)

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Fábio Mourão, no Dito pelo Maldito

Se tem uma coisa que os romances distópicos fazem com uma grande maestria, é desenvolver incríveis variações de um mesmo tema. Por mais que a gente perceba, logo no início de uma leitura, os nítidos sinais de que estamos lendo uma distopia (embora hoje em dia o gênero já venha bem definido nas capas), os sinuosos detalhes que diferenciam e tornam cada história única entre si são sempre imbuídos de uma criatividade espetacular, o que me faz pensar se acaso esse não seja o segredo do recente sucesso deste estilo literário.

A cada novo lançamento do gênero instala-se um tipo de competição para que a obra recente tenha cenas, ou conceitos, ainda mais chocantes que o anterior. E é inegável que tudo isso parece funcionar muito bem junto ao público. Desde a distopia mais famosa, 1984 de George Orwell, as torturas infligidas pelos sistemas autoritários retratados nesses livros vêm acompanhando a violência do nosso tempo e evoluindo de suplícios psicológicos, para martírios físicos. Tudo isso me ocorreu enquanto lia O Teste (Editora Única, 318 páginas), o primeiro volume de uma trilogia da autora Joelle Charbonneau.

o-testeEm uma primeira vista apressada, essa obra pode passar despercebida dentre outras similares, mas as cores vivas da sua capa escondem uma história habilidosa que propõe estimulantes desafios à mente do leitor.

Apesar de usar elementos conhecidos do formato, como uma jovem protagonista feminina, um cenário de provações e outros fatores típicos, O Teste consegue imprimir o seu próprio ritmo na narrativa ao utilizar o suspense com excelência dentro do seu enredo. Dessa maneira o livro te prende em uma cadeia de acontecimentos sequenciais que torna difícil para o leitor desviar os olhos de suas páginas por conta de uma curiosa sensação de que pode acabar perdendo alguma coisa.

Outra tendência que a autora soube conduzir muito bem são as constantes e repentinas mortes de personagens, um estilo popularizado por George R.R. Martin e aclamado pelo público que parece gostar de sofrer com a agonia de perder seu herói (ou nesse caso, heroína) a qualquer capítulo.

Está claro que O Teste soube explorar todos os ingredientes certos para formar uma história afinada com a sua geração. O tipo de leitura que se encaixa perfeitamente naqueles momentos entressafra em que você está esperando sair o próximo livro da sua saga favorita, e uma oportunidade de conhecer um universo diferente.

Recentemente, em um trabalho primoroso, a Única Editora fechou a trilogia com o lançamento do terceiro volume da série, nos poupando do sofrimento de esperar longos meses pelo desfecho desta grande história.

Abaixo você confere o book trailer da obra, e pode sentir um pouco do clima tenso que ela traz em seu conteúdo:

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Livro dará R$ 1,2 milhão ao primeiro leitor que desvendar seu mistério

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À agência de notícias EFE, o autor não esconde o propósito da ação. “Não tenho vergonha de dizer que espero vender milhões de cópias com este livro”

Fazendo uma verdadeira competição global, o autor lançou o livro em 30 países na semana passada, inclusive no Brasil (Divulgação)

Fazendo uma verdadeira competição global, o autor lançou o livro em 30 países na semana passada, inclusive no Brasil (Divulgação)

Luiza Belloni Veronesi, no InfoMoney

SÃO PAULO – Com o mercado editorial em crise, o escritor James Frey decidiu explorar o lado
“Sherlock Holmes” dos leitores para alavancar as vendas de sua mais nova obra. Frey acabou de lançar o
projeto “Endgame: O Chamado”, “um romance do século 21”, que esconde pistas que levarão a um
prêmio de US$ 500 mil (ou R$ 1,2 milhão) para o primeiro leitor que resolver seu mistério.

À agência de notícias EFE, o autor não esconde o propósito da ação. “Não tenho vergonha de dizer que
espero vender milhões de cópias com este livro e que ele tem uma vocação comercial”, disse Frey. “Isso
não significa que eu seja um cínico que escreve pensando em uma ideia milionária. Simplesmente tentei
oferecer ao leito a coisa mais legal que veio na minha cabeça.”

Fazendo uma verdadeira competição global, o autor lançou o livro em 30 países na semana passada,
inclusive no Brasil. Ele garante que o mistério presente na obra é “incrivelmente difícil” de ser
solucionado. A editora estima que, no melhor dos casos, levará cerca de nove meses para relacionar as
provas.

“Não importa os motivos que levarão as pessoas a lerem meu livro, desde que o leiam e desfrutem da história”, disse Frey. A obra conta a história de 12 linhagens milenárias que lutam entre si para sobreviver, escolhendo um representante que esteja preparado para uma catástrofe iminente.

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O humor depreciativo de Gary Shteyngart

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No livro ‘Fracassinho’, autor russo relembra sua própria vida com doses de ironia e estranha tristeza

O escritor russo Gary Shteyngart

O escritor russo Gary Shteyngart

Ubiratan Brasil, no Estadão

Igor Shteyngart tinha sete anos, no final dos anos 1970, emigrou da União Soviética para os EUA. Seus pais, para evitar que o moleque sofresse bullying no bairro, trocaram seu primeiro nome para Gary. O problema é que humilhação já começava em casa. Diz ele: “Porque eu vivia doente e com o nariz escorrendo quando criança (e na idade adulta), meu pai me apelidou de ‘Soplyak’ – Melequento. Minha mãe, que estava desenvolvendo uma fusão interessante de inglês com russo, aprimorou o termo para ‘Failurchka’, ou Fracassinho”.

É justamente Fracassinho o título do novo livro de Shteyngart, divertida mistura de biografia com ficção, que a Rocco acaba de lançar. Com o típico humor auto depreciativo, Shteyngart não apenas diverte como intriga pela trama bem articulada e envolvente.

Imagem de Amostra do You Tube

Na sua obra, a ficção e a realidade às vezes coincidem. Ao escrever seu livro de memórias, você desejou ocultar alguma coisa porque já havia escrito a respeito num romance?
Existem alguns similaridades entre o meu ser e alguns dos cabeludos imigrantes judeus soviéticos em meu romance. Mas o que ocorre com eles nos romances é muito mais melodramático e insano. Por exemplo, jamais tentei comprar uma cidadania belga falsificada ou entrar para a máfia russa como os meus alter egos fizeram. Mas felizmente minha vida foi bastante interessante sem a criminalidade.

A figura do pai é muito importante para você. Por que?
Ah, sim. Pais e filhos. O pai exerce um domínio avassalador durante toda a nossa vida, para o bem como para o mal. De qualquer modo, escreve-se extensivamente sobre a mãe judia. Então, por que não o pai?

Você escreve num estilo de sátira particular. É uma peculiaridade russa? Ou adotou-o conscientemente?
Adoro a sátira! A Rússia é um país que merece um bom olhar satírico. E os tempos que vivemos lá quando o mal e a estupidez colidem diariamente são perfeitos para a sátira.

Você acompanhou seus pais pela Rússia com um gravador de vídeo. Há alguma entrevista que se destaca como particularmente dolorosa ou reveladora?
Oh, cada momento foi doloroso e revelador. Descobri principalmente o quão difícil foi a sua vida em comparação com a minha. Hitler e Stalin garantiram uma infância interessante.

É interessante quando você começou a fazer psicanálise. O quão importante foi isto em seu processo criador?
Eu não teria conseguido escrever este livro sem os 15 anos de psicanálise. Mas faço apenas quatro vezes por semana. Cinco vezes é uma loucura!

David Slone Wilson, em seu ensaio Evolutionary Social Construction, observa que constantemente nos construímos e reconstruímos para atender às necessidades de situações com que deparamos. Segundo ele, agimos assim orientados por nossas lembranças do passado e nossas esperanças e temores do futuro. O que o senhor acha?
Parece-me correto. E o imigrante está sempre em processo de readaptação. Crescer na Rússia para mim foi terrível. Depois foi ótimo. Hoje é terrível novamente. Devo vestir minha camisa de cossaco ou não?

A experiência do imigrante há muito tempo é uma grande preocupação da literatura americana e isto vem sendo retomado nos últimos anos por vários escritores que chegaram à maturidade numa era de globalização. O quão difícil é para um imigrante se integrar plenamente na vida americana?
Em Nova York todo mundo vem da China, ou Brasil, Índia ou Rússia. Esta é a cidade dos Brics. Então venha até aqui e compre um apartamento ao lado do meu. Preciso de alguma “farofa” em minha vida.

Que tal ser considerado a mistura de Woody Allen e Nabokov?
Acho ótimo! Vou usar isto da próxima vez.

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Gandalf em “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”, Ian McKellen dá conselho para estudantes

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Imagem de Amostra do You Tube

Cleber Facchi, no Brasil Post

Já imaginou ir à biblioteca da escola e dar de cara com Ian McKellen?

Conhecido pelo papel do mago Gandalf, em O Senhor dos Anéis e O Hobbit, recentemente o ator deixou malucos os alunos da Chew Valley School, localizada em Bristol, Inglaterra.

Durante o passeio pela instituição, McKellen, também marcado pelo personagem Magneto na franquia X-Men, deu um divertido conselho aos estudantes que se aglomeravam em uma das janelas da biblioteca:

Durante a preparação para os exames, se vocês não revisarem [os conteúdos] corretamente, sabem o que vai acontecer?

“O que vai acontecer?”, perguntaram as crianças entusiasmadas. E a resposta veio como uma divertida referência ao personagem mágico de McKellen:

VOCÊS NÃO PASSARÃO!

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Jovem de 22 anos é aprovado em 4 concursos em 3 anos

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Diogo Machado foi aprovado na PF, Ministério Público da União e Ibama.
Estudos começaram em 2011; ele busca boa remuneração e estabilidade.

Diogo Machado começou a estudar para concursos com 19 anos (Foto: Arquivo Pessoal/ Diogo Machado)

Diogo Machado começou a estudar para concursos com 19 anos (Foto: Arquivo Pessoal/ Diogo Machado)

Pâmela Kometani, no G1

Com apenas 22 anos de idade, Diogo Machado já conta com grandes resultados na sua breve história na área de concursos públicos. Foram 4 aprovações em apenas 3 anos, de 2012 a 2014, em órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público da União (MPU) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“O que mais atraiu no setor público foi a remuneração. Com a minha formação atual, de ensino médio, e sem experiência, não existia oportunidade na iniciativa privada que pagasse um salário próximo ao do órgão público. Também pela estabilidade, posso fazer planos e assumir compromissos sem medo da incerteza de estar ou não empregado amanhã”, afirma Machado.

Atualmente, ele trabalha como técnico administrativo no MPU, mas continua estudando para alcançar o cargo de seus sonhos, de agente da Polícia Federal. O concurso, que está com inscrições abertas, oferece 600 vagas. O salário é de R$ 7.514,33. Nos seus planos também está a conclusão do curso de tecnologia da informação.

Resistência da família
Diogo começou sua busca por uma vaga na área pública em 2011, aos 19 anos, quando fez o concurso para o Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina (Detran-SC), mas não foi aprovado. No total, foram 8 concursos até agora. “Nos primeiros sempre ficava muito longe da nota necessária”, conta.

Para seguir seu sonho, o jovem encontrou resistência dentro da família. “Alguns parentes diziam que concurso era muito difícil e que era perda de tempo estudar. De alguns amigos ouvia que eu era muito novo, que estava na idade de curtir e que me arrependeria depois de passar essa parte da vida só estudando. Por enquanto não me arrependo de nada, muito pelo contrário”, conta.

Focado em concursos na área administrativa, de nível médio, seu primeiro resultado positivo foi o 57º lugar para o cargo de técnico administrativo na Secretária de Saúde de Santa Catarina, em 2012. Suas outras aprovações foram para técnico administrativo no Ibama, em 2012, técnico administrativo no MPU, em 2013, e agente administrativo na Polícia Federal, neste ano.

“O primeiro que fui nomeado foi no MPU. Foi muito rápido, um mês após a publicação do resultado final e homologação já fui nomeado. Quando os outros órgãos chamaram não assumi, pois a carreira no ministério é melhor”, ressalta.

Na Polícia Federal, Machado conseguiu o primeiro lugar em sua região, Santa Catarina. O concurso ofereceu 534 vagas de nível médio e contou com 318.832 inscritos, uma concorrência de 597,06 candidatos por vaga.

Ele foi convocado para apresentar sua documentação, mas soube que não havia vaga disponível para a localidade que ele desejava e decidiu ir para o final da lista dos aprovados. “Apesar de não ter assumido na PF, fiquei feliz em me ver diante desse ‘privilégio’ de poder escolher em qual órgão público trabalharia, coisa que até pouco tempo atrás seria impossível até de imaginar”, conta.

Preparação
Quando começou a fazer concursos, no meio do ano de 2011, Machado trabalhava em uma loja e percebeu que não ia conseguir estudar por causa da sua carga horária no trabalho. Trocou o emprego por outro em que a jornada era de 6 horas diárias. Ele também foi jovem aprendiz da Espro (Ensino Social Profissionalizante).

Com a escolha da área de atuação, ele passou a estudar de forma contínua as disciplinas comuns em diversas provas como português, informática, direito constitucional e direito administrativo. Assim, quando o edital é publicado, ele revisa essas matérias e inicia o estudo de conteúdo específico de cada prova. “Com essa estratégia estudo para vários concursos da área ao mesmo tempo. Acabo escolhendo os concursos específicos por causa do órgão, da remuneração e da jornada de trabalho”, diz.

O estudo de Machado é formado por cursos em videoaulas e materiais digitais (cursos em PDF). Quando nenhum edital está aberto, ele costuma estudar cerca de 3 horas por dia. Com a publicação do edital, a carga de estudos aumento para 5 a 6 horas por dia. “O importante é a pessoa descobrir qual método de estudo é melhor para ela”, afirma o jovem.

Dicas para quem ainda estuda
Segundo Machado, os candidatos que ainda estão em busca de uma vaga em concursos públicos devem focar seus estudos em apenas uma área, mesmo que seja para fazer seleções que cobram apenas nível médio. “Cada área cobra determinadas matérias, não adianta sair fazendo concurso pra área administrativa, área bancária e área fiscal ao mesmo tempo, pois caem assuntos bem diferentes”, afirma.

O estudo deve ser bem organizado, com um quadro de horários, em que o candidato poderá priorizar as disciplinas que têm mais dificuldade.

Como as provas acontecem entre 60 e 90 dias após a publicação do edital, Machado ressalta a importância do estudo antecipado. “Este período é muito curto, principalmente para quem está começando. E essa é a importância de escolher uma área.”

A última dica do jovem é focar na banca organizadora, com a resolução de provas e questões anteriores da área do concurso, para que o candidato entenda como a organizadora abordas os temas em questão.

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