Com amor, a garota chamada Estrela

Sem vaga em escola para as filhas, mãe gasta metade do salário com babá

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Publicado em Folha de S.Paulo

Com os R$ 955 de seu salário, Jocasta Batista, 27, não faz planos. Há três meses, voltou para a casa da mãe e se livrou do aluguel de R$ 450. Dos R$ 400 destinados à vizinha para tomar conta das gêmeas de 2 anos, no entanto, ela não se livra.

O motivo é um só: no Jardim Ângela, onde mora, na zona sul, as creches têm vagas de menos para crianças de mais.

A pouco menos de 3 km da casa de fundos onde Jocasta vive com a mãe, as filhas, a irmã e o sobrinho, a angústia se replica.

Ali, no Capão Redondo, o único plano que Ana Cristina de Souza, 36, faz é como ganhar mais e pagar menos que R$ 450 para que três de seus quatro filhos sejam olhados também por uma vizinha.

Outros 18 km zona sul adentro, no Jardim Miriam, Samara Ádamo Pereira, 22, tenta dar um jeito no nó em que se transformou a vida. De favor, desde que se separou, vai vivendo na casa de uma amiga.

Recém-empregada em uma empresa de telemarketing, trabalha de domingo a domingo com uma folga por semana, em dias alternados. Dos R$ 800 reais que recebe, R$ 300 vão também para uma vizinha tomar conta de seus dois meninos, de 4 e 2 anos.

Jocasta, auxiliar de nutrição. Ana Cristina, auxiliar de limpeza. Samara, atendente em um call center. Em comum, as três -que não se conhecem-têm o fato de viverem em alguns dos bairros de São Paulo com o maior deficit de vagas nas creches.

Jardim Ângela, Capão Redondo e Grajaú lideram essa lista, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação.

A espera das três mães parece que ainda será longa. Como a Folha mostrou nesta quarta-feira (20), a gestão Fernando Haddad (PT) admite que não conseguirá cumprir a meta de construção de 243 creches na cidade até 2016, no final do mandato.

A promessa consta do plano de metas da administração petista. A Secretaria da Educação, no entanto, afirma que só conseguirá fazer cem unidades, além das 47 que já foram entregues ou estão em fase de conclusão.

Enquanto espera pelas vagas, Jocasta vê as gêmeas Heloysa e Sophya ficarem atrasadas. “Elas não falam mais do que mamãe, vovó e papai. Estão sempre agitadas e nervosas. É falta de contato com outras crianças”, afirma ela, com a certeza inabalável que só as mães podem ter.

Avó das meninas, a diarista Zilda Batista, 55, se ressente de elas não terem um lugar adequado para passar o dia. “Na creche, as ‘bichinhas’ poderiam correr, fazer amigos. Em casa, não tem como.”

FILA

Em 2014, 187 mil crianças estavam na mesma situação das gêmeas na cidade: à espera de uma vaga no serviço. Até março deste ano, 106 mil.

Apesar de a fila ter ‘encurtado’, a situação para o poder público municipal não é nada confortável. Assim como Samara, a Prefeitura de São Paulo tem um prazo.

Por decisão do Tribunal de Justiça, até o final do próximo ano, a prefeitura precisa resolver esse problema.

A medida foi tomada em ação civil pública movida pelas ONGs Ação Educativa e Nossa São Paulo, com apoio da Defensoria Pública e do Ministério Público Estadual.

Na mesma decisão, o TJ ordenou que a administração tem de apresentar, semestralmente, relatório de providências para o atendimento da ordem, que é monitorada pela Coordenadoria da Infância e da Juventude do tribunal.

A pasta afirma que a gestão trabalha para aumentar os convênios com entidades idôneas, além de ampliar os convênios já existentes.

Caso a prefeitura não cumpra a decisão da Justiça, Samara não acredita que algum gestor será punido. Sobre as vagas de seus filhos, ela parece acreditar ainda menos.

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Alunos e professores fazem ato em apoio à greve na rede estadual paulista

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Publicado em Folha de S.Paulo

Ao menos 150 pessoas participaram de uma manifestação em apoio à greve dos professores da rede paulista na manhã desta quarta-feira (20) pelas ruas da zona oeste de São Paulo.

De acordo com a Polícia Militar, o grupo caminhou pelas ruas e avenidas do bairro, como a rua Cerro Corá, a avenida Pompeia e a rua Heitor Penteado, onde fica a estação Vila Madalena, da linha 2-verde do Metrô.

Em frente à estação, o grupo formou uma roda e abriu faixas e cartazes com os dizeres: “Professores em greve queremos negociação – Pedimos apoio”. Entre os manifestantes, estavam alunos da escola estadual Manuel Ciridiao Buarque Professor. A polícia informou que o ato foi pacífico e durou pouco mais de uma hora.

Os docentes estão em greve por melhores salários e condições de trabalho desde o dia 16 de março. Na última sexta (15), os grevistas decidiram manter a greve da categoria.

MULTA DE R$ 300 MIL

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu na Justiça a aplicação de multa ao sindicato do professores paulistas por bloquear rodovias no Estado.

A juíza Lais Helena Bresser Lang Amaral determinou que a Apeoesp (sindicato dos professores) deve pagar cerca de R$ 300 mil por fechar as rodovias Régis Bittencourt, no dia 7, Anchieta –que liga São Paulo ao litoral paulista– no dia 13, e Hélio Smidt –que dá acesso ao aeroporto de Guarulhos (Grande SP)– no dia seguinte.

Na decisão, divulgada na segunda-feira (18), a juíza destacou que o sindicato não “deve praticar qualquer ato de turbação ou esbulho nas rodovias do Estado de São Paulo ou das vias que lhe permitam acesso”.

Segundo Lais Helena, caso o sindicato não tenha recursos para pagar a multa, a Justiça poderá bloquear as contas dos dirigentes da entidade.

No dia 22 de abril, a Justiça já havia determinado, em caráter liminar, que a Apeoesp não poderia fechar total ou parcialmente rodovias em São Paulo. Na ocasião, a Justiça fixou multa de R$ 100 mil por rodovia fechada.

No final de abril, a PGE (Procuradoria Geral do Estado) entrou com pedido na Justiça para que o sindicato fosse multado por bloquear totalmente uma rodovia durante um protesto.

Em nota, a Apeoesp afirmou que orientou suas subsedes a não realizar bloqueios em rodovias após decisão judicial contrária à medida, e que os protesto que levaram à aplicação da multa aconteceram à revelia da entidade. Ela também afirmou que já recorreu do bloqueio de bens.

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PARALISAÇÃO

Os professores estão em greve há 66 dias e as negociações com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) não avançaram no período. A categoria pede reajuste de 75% (para equiparar o salário aos demais servidores do Estado com formação superior), mas o governo tucano até agora nem sequer apresentou uma contraproposta.

Segundo a Apeoesp (sindicato dos professores), o governo pretende apresentar uma proposta apenas em junho, um mês antes da data-base da categoria, num sinal de que a paralisação tende a se estender por mais tempo. Se o acordo não acontecer até lá, a greve superará, em duração, a mais longa da história, ocorrida em 1989, com 80 dias parados.

No começo de maio, levantamento feito pela Folha mostrou que a greve dos professores de SP tem baixa adesão em grandes escolas. As escolas estaduais com mais matrículas na capital têm paralisações, mas com adesão de, em média, 15% dos professores.

Além dessa guerra dos número, professores e governo disputam na Justiça o pagamento ou não dos dias parados. A última vitória foi do sindicato, nesta quarta, após decisão do Tribunal de Justiça contra o desconto do ponto.

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Afinal, Harry Potter é literatura?

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Cristine, no Cafeína Literária

Segundo Ruth Rocha, não. emoji

A autora, com mais de 120 livros infantis publicados, em entrevista ao portal iG há uma semana (27/04/2015), afirmou categoricamente:

“Não acho errado ‘Harry Potter’ fazer sucesso, mas não acho que seja literatura.”

Como assim?!

Há algum tempo, escrevi sobre uma declaração que Paulo Coelho fez a respeito de Ulisses, de James Joyce (leia aqui). Não faz diferença a opinião dele ou de outra pessoa sobre a obra, se gostou ou não gostou é algo pessoal. O que incomodou na declaração dele, entre outras coisas, foi o subtexto do tipo “não li e não gostei”. Se foi por autopromoção ou não, é difícil entender que um escritor – por mais raso que seja o que ele escreve – emita uma “não-opinião” feito essa.

Não é por gostar de Harry Potter que eu estou me pronunciando a respeito. Não li Ulisses – na verdade, já comecei três vezes – e ainda assim me senti compelida a contestar as afirmações feitas por PC. E, por mais rasos e clichês que sejam os textos dele – que me desculpem seus fãs -, eles são literatura. Não necessariamente excelente literatura mas, ainda assim, literatura. E, mesmo não gostando, não é por isso que sairei falando por aí que não é literatura.

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O GLOBO (EXCLUSIVO) SÃO PAULO 02.06.2009 – PROSA E VERSO – RUTH ROCHA FOTO:SERGIO BARZAGHI/DIARIO

Voltemos a Ruth Rocha. É isso que ela parece estar dando a entender com suas declarações: que leu, não gostou e que por isso não é literatura. Em certo ponto, inclusive afirma “eu sei que não é bom.”

“Isto não é literatura, isto é uma bobagem. É moda, vai passar. Criança deve ler tudo, o que tem vontade, o que gosta, mas eu sei que não é bom.”

E continua:

“O que eu acho que é literatura é uma expressão do autor, da sua alma, das suas crenças, e cria uma coisa nova. Esta literatura com bruxas é artificial, para seguir o modismo. Acho que o Harry Potter fez sucesso e está todo mundo indo atrás.”

Percebam o quanto essas frases soam contraditórias. Ao mesmo tempo em que a autora afirma que ‘criança deve ler de tudo’, cria uma barreira a uma parte desse tudo, já que pela sua lógica Harry Potter não deve ser lido pois não é literatura.

E mais contraditória ainda é sua resposta quanto a não gostar de Harry Potter:

“Não acho errado os livros fazerem sucesso. Eu gosto porque acho que as crianças leem, mas eu não gosto de ler “Harry Potter”, não acho que é literatura.”

E aí, gosta ou não gosta? Criança pode ler tudo, mas não deve ler Harry Potter? Mas, afinal, Harry Potter é ou não é literatura?

Comecemos pela definição de literatura feita pela própria autora:

“Literatura é uma expressão do autor, da sua alma, das suas crenças, e cria uma coisa nova.”

  • Harry Potter é uma expressão do autor?
  • Harry Potter é uma expressão da alma do autor?
  • Harry Potter é uma expressão das crenças do autor?
  • No caso de J.K.Rowling, basta assistir a qualquer entrevista com a autora para saber que a resposta a essas três perguntas é “Sim!”.

  • Harry Potter cria uma coisa nova?
  • Por mais que a história do bruxinho pareça familiar, por mais que seja impossível escapar da jornada do herói, não há dúvida que a forma de contar a história e a concepção do universo de Hogwarts são uma coisa nova. “Sim” também para essa questão.

    Então, pela própria definição de Ruth Rocha, Harry Potter é, sim, literatura.

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E podemos confirmar isso não apenas tomando como base suas declarações. O conceito de Literatura já foi descrito e discutido por vários estudiosos. Vejamos o que escreve Massaud Moisés, professor titular da Universidade de São Paulo, autor de vários livros sobre Teoria Literária:

“A literatura é a expressão de conteúdos da ficção ou da imaginação por meio de palavras de sentido múltiplo e pessoal.

Vale lembrar que para ser um texto literário, deve-se preencher alguns requisitos: a questão de valor já é outra história. Desde um soneto comum escrito por um adolescente sonhador, publicado num jornal acadêmico, até a Divina Comédia, tudo é Literatura. Pode ser que o soneto necessite de valor artístico ou de qualidade, mas irá satisfazer aquelas condições implícitas ou explícitas nas considerações feitas até agora.

(…) podemos concluir que somente a poesia, o conto, a novela e o romance pertencem à Literatura, por satisfazerem àquele requisito básico: Literatura é ficção expressa por palavras polivalentes.”
MOISES, Massaud. A análise literária. 17.ed. São Paulo: Editora Cultrix, 2005

Então, a menos que eu esteja redondamente equivocada, Harry Potter encaixa-se perfeitamente no conceito de Literatura descrito acima. Além de tudo, literatura é arte. E arte não é algo estanque, imutável, binário, é ou não é. A arte transborda, trespassa, sensibiliza.

Eu poderia dar muitas outras referências e outros exemplos e todos desmentiriam a afirmação inicial de Ruth Rocha. E ela poderia simplesmente ter dado sua opinião, afinal gosto não se discute. Poderia inclusive ter exposto argumentos baseados em teoria literária que (talvez) demonstrassem que Harry Potter não é tão boa literatura quanto a maioria dos leitores considera.

É possível que ela tenha se referido ao embate antigo entre literatura de entretenimento e literatura “de verdade” e que, no seu entender, Harry Potter não se encaixa na segunda classificação. Mas existe mesmo essa distinção? Muitas obras hoje consideradas clássicos, foram literatura de entretenimento na época em que foram inicialmente publicadas. Shakespeare, por exemplo. Será que Ruth Rocha diria que Shakespeare não é literatura “de verdade”? Bom, mas isso é assunto para outro post.

Enfim, a autora de inúmeros livros que embalaram tardes de leitura durante minha infância pisou na bola. #xatiada

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‘O Pequeno Príncipe’ tem estreia adiantada no Brasil

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Publicado no Cinepop

‘O Pequeno Príncipe‘ (Le Petit Prince), adaptação do clássico da literatura mundial escrito por Antoine de Saint-Exupéry, teve sua estreia adiantada nos cinemas nacionais. A Paris Filmes anunciou que o filme estreia dia 8 de Agosto, dois meses antes do previsto.

O belo filme também ganhou um novo banner e trailer.

Confira:

Imagem de Amostra do You Tube

Competindo na seleção oficial do Festival de Cannes, a adaptação foi criada em uma animação stop-motion lúdica que faz jus a um dos livros mais adorados da história.

O elenco de vozes na versão dublada em inglês é formado por grandes estrelas de Hollywood: James Franco, Rachel McAdams, Jeff Bridges, Marion Cotillard, Benicio Del Toro e Paul Giamatti.

No centro de tudo está A Pequena Garota, que está sendo preparada por sua mãe para o mundo muito adulto no qual vivem – e é interrompida por seu excêntrico e amável vizinho, O Aviador. O Aviador apresenta sua nova amiga a um mundo extraordinário, no qual tudo é possível. Um mundo ao qual ele mesmo foi apresentado há muito tempo pelo Pequeno Príncipe. É aí que começa a jornada mágica e emocionante da Pequena Garota pela sua própria imaginação – e pelo universo do Pequeno Príncipe. E é onde a Pequena Garota redescobre sua infância e aprende que o que importa são as relações humanas e o que é realmente essencial somente pode ser visto com o coração.

Mark Osborne (‘Kung Fu Panda’) dirige.

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10 perfis do Instagram ótimos para quem ama devorar livros e curtir novas histórias!

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Chega de ficar só olhando fotos na rede social! Aproveite o tempo para conhecer mais sobre alguns livros bem legais.

Publicado no Purebreak

O Purebreak está sempre trazendo várias novidades do mundo literário, e dessa vez vamos indicar 10 perfis super lindos, criativos e interessantes pra você parar de perder tempo de ficar curtindo as selfies dos seus amigos no Instagram e descobrir vários livros incríveis através da famosa rede social de fotos!

Não é à toa que vários seriados de sucesso como “Game of Thrones”, são inspirados nos sucessos dos livros. Mas também há quem goste de saber sobre a vida dos famosos e apreciar a biografia de artistas como a Dulce María, que até dividiu o palco com Valeska Popozuda no lançamento seu livro. Não importa a sua idade, profissão ou gênero, dedique um tempo do seu dia para ler, pois como já dizia o filósofo Sêneca: “A leitura nutre a inteligência”.

1. @nerdsthat

Não precisa ser nerd para se identificar de cara com as frases postadas por esse perfil.

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2. @grifeinumlivro

Pra você que adora grifar frases em livros, nesse perfil também é possível enviar sugestões dos seus trechos favoritos!

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3. @livrogram

Quer ler uma resenha diferente daquele livro ou HQ que você tá em dúvida se compra ou não? Esse perfil te ajuda exatamente nisso!

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4. @books_secrets

O perfil é de uma blogueira chamada Bia Brito, que além de dar dicas, posta lindas imagens de livros.

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5. @blueeyedbiblio
Apesar de ser inglês, as fotos de livros e estantes são tão fantásticas, que vale muito a pena virar um seguidor.

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6. @jovemleitora

Se você curte uma leitura voltada para “jovens adultos”, esse perfil é o super indicado!

l6 (mais…)

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