PRAÇAS DA CIDADE

Estudantes de Caruaru-PE vão ao Chile desenvolver projeto de Robótica

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Equipe Protheus - Arquivo Pessoal Divulgação - Medalha OBR

Equipe Protheus – Arquivo Pessoal Divulgação – Medalha OBR

Eles lançaram campanha na internet para ajudar a bancar despesas naquele país

 

Três estudantes do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) Campus Caruaru/PE – cidade que fica a 130km do Recife – foram aceitos para realizar um intercâmbio no Chile durante seis meses. A viagem para troca de conhecimentos ocorrerá do dia 31 de julho ao dia 18 de dezembro deste ano. Durante o período, os alunos Asafe dos Santos, Élton Franklin e Daniel Queiroz – do curso de Engenharia Mecânica – desenvolverão atividades na Universidad Tecnologica de Chile (Inacap). A proposta é que eles estudem matérias de Automação e Controle Industrial que não estão no cronograma do campus em Caruaru e ainda desenvolvam uma atividade prática: a criação de um drone quadricóptero para pulverização de plantações. O intercâmbio faz parte do Programa Internacional Despertando Vocações, cujo objetivo é auxiliar os estudantes sobre suas carreiras profissionais e incentivá-los ao empreendedorismo, e tem convênios com mais de 20 instituições de ensino superior, a maioria delas da América Latina.

unnamedO professor Alexander Sena, orientador do grupo no IFPE, destaca que, diferentemente de outros projetos intercambistas,  neste Programa o aluno tem de apresentar um resultado palpável dos conhecimentos adquiridos por intermédio da viagem. “Eles terão de desenvolver de fato um projeto e trazer algo, para que a gente possa validar a experiência que eles tiverem fora do país. O produto que eles vão trazer, na experiência, é um drone que seja capaz de pulverizar produtos químicos em plantações, ou seja, uma aplicação na área agropecuária para pequenas e médias propriedades. Esse tipo de equipamento já existe, mas foi desenvolvido para grandes plantações e é bastante caro, da ordem de 40 mil reais. O que eles deverão desenvolver é para plantações menores e deverá ser de baixo custo”, pontua.

Atualmente estudantes do curso superior de Engenharia Mecânica no IFPE, Asafe, Élton e Daniel já foram alunos do curso técnico de Mecatrônica na mesma instituição. Assim sendo, desde 2013 eles formam a equipe ‘Protheus’, que tem como objetivo desenvolver projetos e pesquisa na área de Robótica, além de ministrar oficinas e disseminar o conhecimento científico pela região. Entre os projetos já executados pelos estudantes, está a criação de protótipos como um robô-guia para deficientes visuais e um robô paralelo (com finalidade industrial). No ano passado, a equipe conquistou a medalha de bronze na etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).

Os integrantes deixam claro que a ideia do grupo, ao retornar do Chile, é de partilhar os conhecimentos adquiridos naquele país com os demais estudantes de Caruaru e região, por meio de palestras e oficinas. “Temos consciência de que nosso papel é contribuir para com o desenvolvimento de nossa cidade, por meio da educação e das experiências vivenciadas”, explana Daniel. “Com certeza, tanto a viagem quanto o retorno nos proporcionarão um grande crescimento, do ponto de vista intelectual, profissional e também pessoal”, pondera Élton. “Participar de um intercâmbio como este é uma oportunidade ímpar de ampliar os conhecimentos, indo além dos conteúdos ministrados em sala de aula”, observa Asafe.

 

RECURSOS

A bolsa de estudos conseguida pelos estudantes financia unicamente as mensalidades na instituição de ensino chilena. Por isso, eles precisam arrecadar fundos para as demais despesas. Para tanto, os alunos lançaram uma campanha na internet, através do endereço: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/intercambio-ao-chile .

dica:Jénerson Alves de Oliveira

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O Peregrino, livro cristão escrito em 1678, será adaptado em filme “cheio de ação”

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“Estamos conquistando um novo terreno em filmes sobre a fé”, afirmam os criadores.

Bruno Carmelo, no Adoro Cinema

O cinema cristão está prestes a ganhar uma adaptação ambiciosa: a nova produtora King Street Pictures está preparando uma grande produção baseada em “O Peregrino”, livro escrito por John Bunyan em 1678.

A obra é uma das primeiras publicadas em língua inglesa, e considerada um dos livros religiosos mais populares de todos os tempos. A narrativa gira em torno de um peregrino de nome Christian, que encontra diversos personagens fantásticos (Desespero, Hipocrisia, Boa-Vontade) em seu caminho para ser um bom cristão.

O elenco de Heavenquest: A Pilgrim’s Progress vem de vários países, incluindo Coreia do Sul (Pyo Cha, Ricky Kim), México (Fernanda Romero e Karyme Lozano), Austrália (Peta Sergeant) e Estados Unidos (Alan Powell, cantor da banda religiosa Anthem Lights).

O diretor é o pouco experiente Matt Bilen, conhecido pelos curtas-metragens de terror e animação. De acordo com o cineasta, “Estamos conquistando um novo terreno em filmes sobre a fé. Heavenquest vai ter mais ação, mais ambição e mais estilo cinematográfico do que as plateias já viram antes”.

As filmagens começaram esta semana, na Califórnia.

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Confira dez livros para ler ou presentear no Dia do Rock

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(foto: Divulgação)

(foto: Divulgação)

Publicado no Bem Paraná

O Dia Mundial do Rock é celebrado no dia 13 de julho. Pensando nisso, a Benvirá, selo para cultura, entretenimento e negócios da editora Saraiva, selecionou dez livros sobre o gênero musical para os roqueiros de plantão comemorarem a data. As obras também servem como dicas para quem quer presentear um amigo que gosta de rock n’ roll.

Nothin’ To Lose – A formação do Kiss, Eu sou Ozzy, No ritmo do prazer – amor, morte e Duran Duran e Jagger – A biografia estão entre os dez.

METALLICA – ALL THAT MATTERS

Com mais de três décadas de estrada, 140 milhões de discos vendidos e nove prêmios Grammy, o Metallica é uma das bandas mais importantes do planeta. ‘Metallica – All that matters’ – a história definitiva desvenda cada detalhe do passado da banda, os altos e baixos que levaram o grupo dos estádios para os tribunais e de lá para a reabilitação, enquanto desata os nós de algumas de suas maiores contradições. Com entrevistas inéditas de amigos esquecidos e ex-amantes, aqui está a história completa da banda, sem censura – e tudo o que importa para os fãs do Metallica de todas as gerações. (Benvirá, R$ 30,90)

EU SOU OZZY

Ozzy Osbourne é um dos nomes mais importantes no rock. Ao formar a banda Black Sabbath, ele ajudou a moldar um estilo que, anos mais tarde, se tornaria conhecido no mundo todo e adorado por milhares de fãs. Além do impacto musical, sua personalidade carismática e desvairada foi responsável por sua popularidade. Nos anos loucos em que esteve à frente do Sabbath, Ozzy protagonizou episódios de exageros com drogas, os quais resultaram em sua saída do grupo. Iniciou carreira solo bem-sucedida, também permeada pelos excessos. Após a morte trágica do guitarrista de sua banda e grande amigo Randy Rhoads em um acidente de avião, Ozzy diminuiu o ritmo e a intensidade de seu comportamento, mas nunca o talento. Nesta autobiografia, o “madman” conta em detalhes e com muito humor sua trajetória de sucesso, escândalos, amor e muito rock ‘n’ roll. (Benvirá, R$48,00)

CONFIE EM MIM – EU SOU O DR. OZZY

Pelas leis naturais, Ozzy Osbourne não deveria estar vivo. Ele passou 40 anos usando drogas, ‘comendo’ morcegos e bebendo. Quebrou o pescoço ao andar em um quadrículo a oito quilômetros por hora e ‘morreu’ duas vezes em comas induzido quimicamente. E agora – aos 62 anos de idade – ele está mais saudável e mais feliz do que nunca. Ele é um milagre da medicina! Então, quem melhor do que ele para oferecer conselhos médicos e palavras de conforto ao seu público? Em maio de 2010 do Sunday Times convidou ‘Dr.’ Ozzy para ter uma coluna de aconselhamento. Desde então, ele responde às perguntas que vão desde depressão do cão a dúvidas de adolescentes sobre sexo. Com sensibilidade até então desconhecida pelo público, Ozzy oferece sábios conselhos, entre eles o de se manter longe das drogas – assunto que ele domina. A coluna se tornou um fenômeno, e agora o Dr. Ozzy decidiu reunir todos os seus conselhos em um guia prático. O lema de Ozzy é que se pode sobreviver e desfrutar de uma vida feliz e saudável. (Benvirá, R$ 39,90)

NOTHIN’ TO LOSE – A FORMAÇÃO DO KISS

O cenário musical dos anos 1970 foi marcado por homens maquiados e com roupas espalhafatosas. Quando levaram essas características ao extremo, Gene Simmons e Paul Stanley ficaram a um passo de criar o Kiss. Com maquiagem, roupas chamativas e botas plataforma se transformaram em figuras paradoxais: cativantes e assustadoras ao mesmo tempo. Simmons virou “Demon” e Stanley se tornou “Starchild”. Aos dois, juntaram-se “Space Man” (Ace Frehley) e “Catman” (Peter Criss).

Com duas dezenas de discos lançados e 100 milhões de cópias vendidas, o Kiss é praticamente uma instituição do rock. Em mais de 40 anos de carreira, seu legado parece inesgotável, e sua legião de fã, inabalável. Para explicar o Kiss, o jornalista Ken Sharp, com a colaboração de Stanley e Simmons, vasculhou o passado da banda atrás de material exclusivo e histórias inéditas. E descobriu muito. Mais de 200 entrevistas depois, o resultado é Nothin’ To Lose, um relato íntimo e original sobre os passos iniciais da banda que conseguiu reinventar o rock. (Benvirá, R$ 44,00).

JAGGER – A BIOGRAFIA

Em ‘Jagger’, o jornalista musical Marc Spitz desvenda mistérios de um dos mais polêmicos e importantes personagens do rock de todos os tempos. Spitz traça um perfil de Jagger por meio das lembranças de amigos e colegas – roqueiros, cineastas, escritores e artistas – que cruzaram o caminho do Rolling Stone e revela as múltiplas facetas do cantor, até então escondidas sob sua imagem de sex symbol.

Nada escapa aos olhos e ouvidos atentos de Spitz: a fama de conquistador, os conturbados relacionamentos – com Marianne Faithfull e as ex-esposas Bianca Jagger e Jerry Hall –, a complexa e criativa parceria com Keith Richards e a rivalidade com os Beatles, no começo de tudo. Combinando biografia com história cultural, ‘Jagger’ se desdobra como um documentário vibrante, que vai da infância do artista numa família de classe média em Londres, no pós-guerra, até seu reconhecimento como cavaleiro da Coroa Britânica. Perspicaz, e muitas vezes engraçado, o livro oferece um retrato fiel do homem por trás do mito. (Benvirá, R$34,90)

ROCKS – MINHA VIDA DENTRO E FORA DO AEROSMITH

Antes de fazer shows em grandes arenas como integrante de uma das mais importantes e duradouras bandas de rock do mundo, Joe Perry era um garoto de classe média que vivia numa pequena cidade em Massachusetts, nos Estados Unidos. Nascido em 1950, ele idolatrava Jacques Cousteau, adorava passeios ao ar livre e seu grande sonho era ser biólogo marinho. Mas os vizinhos dos Perry tinham filhos adolescentes que tocavam guitarra… E o barulho que vinha da casa ao lado mudaria de vez sua vida.

A guitarra se tornou sua paixão, um objeto de desejo, uma válvula de escape para sua inquietação e sua alma rebelde. Logo, essa paixão se tornou uma obsessão, e ele montou uma banda. Uma noite, depois de um show, acabou conhecendo um músico jovem e barulhento chamado Steven Tallarico (futuramente, Steven Tyler); pouco tempo depois, nasceria o Aerosmith, na cidade de Boston. E tudo que aconteceu nos 45 anos seguintes é história: brigas homéricas entre os membros da banda, grandes quantidades de drogas e de bebida, internações em clínicas de reabilitação, estádios lotados, músicas de sucesso, disputas com empresários e reconciliações.

Recheado com mais de cem fotos, Rocks é o livro de memórias de uma vida que vai do topo do mundo ao fundo do poço – várias vezes. Fala de paixão e fama, persistência e companheirismo. Ao abordar sua incrível experiência ao lado dos colegas da banda, relata com uma sinceridade impressionante a intensa, porém conflituosa, relação com Tyler. (Benvirá, R$44,00)

COMO O ROCK PODE AJUDAR VOCÊ A EMPREENDER

Nem só de amor à música vivem as estrelas do rock. A profissionalização do setor fica cada vez mais evidente, e o que antes era apenas um grupo de amigos tocando para pequenas plateias tornou-se um negócio. Há algumas décadas, os músicos são empreendedores que têm um negócio (a música) e clientes (os fãs). Em “Como o Rock Pode Ajudar Você A Empreender”, os jornalistas Daniel Fernandes – fascinado por negócios – e Marco Bezzi – apaixonado pelo cenário musical – mostram, por meio das histórias de grandes nomes, como Legião Urbana, Guns N’ Roses e Beatles, lições de negócios que podemos tirar do universo musical. (Benvirá, R$ 24,90)

O BARULHO NA MINHA CABEÇA TE INCOMODA?

Steven Tyler é vocalista da famosa banda norte-americana Aerosmith, formada em Boston, Massachusetts, no início dos anos 70. Sua trajetória como líder da banda é narrada aqui, por ele mesmo, sem cortes: desde a formação como músico; o afastamento para tratar da dependência de drogas, sem muito sucesso; o regresso em 1984, quando, em turnê, Tyler chegou a desmaiar no palco… Ele também narra suas aventuras sexuais e fala do reconhecimento da paternidade da atriz Liv Tyler. Um livro polêmico – como é, muitas vezes, a vida de um astro do rock. (Benvirá, R$44,00)


RELENTLESS – 30 ANOS DE SEPULTURA

Em uma época em que fazer música poderia levar para a cadeia, quatro jovens de Belo Horizonte ousaram se aventurar por um ritmo pouco explorado no Brasil: o metal.

Com músicas polêmicas – “Antichrist” e “Bestial devastation” – e letras em inglês, o Sepultura começou, nos anos 1980, a trilhar um caminho de sucesso que o alçaria ao estrelato internacional. Em Relentless, o americano Jason Korolenko narra a história do grupo criado originalmente por Max, Igor, Jairo e Paulo; desde seu começo, quando o país passava por grandes transformações políticas, até os dias de hoje, com seus 30 anos de carreira. (Benvirá, R$ 39,90)

NO RITMO DO PRAZER – AMOR, MORTE E DURAN DURAN

A juventude dos anos 1980 foi à loucura do som Duran Duran, a banda inglesa que criou algumas das melhores músicas do nosso tempo. Desde seu single de estreia, “Planet Earth”, até seu disco mais recente, All You Needs Is Now, o Duran Duran sempre teve o mundo a seus pés.

A jornada da banda foi emocionante e sem limites e, para John Taylor, quase destrutiva. Agora, pela primeira vez, o baixista conta sua historia de sonhos realizados, lições aprendidas e, principalmente, demônios vencidos. (Benvirá, 42,50)

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As origens perdidas de Game of Thrones

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Robb, Ned, Cersei: todos eles têm versões na história. (Gabriel Goés/Superinteressante)

Robb, Ned, Cersei: todos eles têm versões na história. (Gabriel Goés/Superinteressante)

 

Conheça os mitos fantásticos e sanguinolentos da Europa medieval que inspiraram a maior das sagas modernas

Reinaldo José Lopes, na Superinteressante

Gigantesco, complexo, multifacetado – apenas adjetivos assim conseguem descrever o mundo de Game of Thrones, a série inspirada nos sete livros de George R.R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo. Mas Martin não tirou todas essas hipérboles do nada. O escritor usou como inspiração histórias que são contadas no continente europeu há pelo menos mil anos. Por trás de tantos enredos inacreditáveis, é possível reconhecer as mitologias nórdica e celta, além das primeiras obras da literatura fantástica. Dragões, cavaleiros, troca-peles, os Outros: já estava tudo lá. Vamos conhecer essas sagas milenares a partir de agora.

O inverno está chegando

Em Game of Thrones, os nobres da Casa Stark vivem avisando faz milênios: o inverno está chegando. Acontece que o bordão dos senhores do norte de Westeros poderia muito bem servir como lema da mitologia nórdica, que também prevê a chegada de uma estação fria de consequências cataclísmicas em um futuro distante.

Pelo menos, é isso o que dizem os principais textos míticos escritos em islandês antigo, como a Edda em Prosa, compilada pelo erudito Snorri Sturluson, no fim do século 12, começo do 13. Segundo Snorri, as divindades de Asgard (o mundo onde vivem os deuses vikings), como Thor e seu pai Odin, tinham tomado conhecimento de profecias assustadoras sobre o Ragnarök, a Perdição dos Deuses, que destruiria não apenas o palácio divino deles, mas também todos os Nove Mundos que formam o cosmos. Como os inimigos jurados de Asgard eram os gigantes do gelo e os monstros gerados pelo deus trapaceiro Loki (que também tem sangue de gigante), a ordem cósmica seria rompida inicialmente por uma onda de frio severo, o chamado Fimbulvetr (“inverno extremo”, em islandês). Com uma duração equivalente a seis invernos normais – que já não são nenhuma moleza na Escandinávia, como a gente sabe –, o Fimbulvetr ajudará a desencadear guerras que não respeitarão nem os elos sagrados entre parentes. Com o mundo enfraquecido por esses desastres, os gigantes do gelo e Loki atacarão os deuses de Asgard com força máxima e acabarão com toda a Criação, segundo a profecia.

Repare agora como Martin alterou alguns dos elementos do mito para dar dramaticidade à sua história. Em primeiro lugar, Westeros vive sob a ameaça permanente do ciclo meio doido de longos verões e longos invernos – não é incomum que muita gente acabe morrendo de fome e frio durante os períodos invernais “comuns”. Além desse risco mais prosaico, porém, os habitantes dos Sete Reinos, em especial nos domínios dos Stark, conhecem bem o mito da Longa Noite. Nesse inverno sobrenatural, que sobreveio entre 6 e 8 mil anos antes do início da cronologia da série, os temidos Outros teriam atacado os domínios dos seres humanos e só foram derrotados aos 45 minutos do segundo tempo, digamos, graças a uma aliança entre os Primeiros Homens (a mais antiga raça humana a habitar o continente de Westeros) e os misteriosos filhos da floresta. Tudo indica que, nas temporadas finais da série, vamos assistir a um repeteco da Longa Noite.

Ou seja, em Westeros, a Longa Noite já aconteceu e vai se repetir. Nos mitos escandinavos, o Fimbulvetr e o Ragnarök também têm uma natureza cíclica. Nos momentos finais do desastre, uns poucos deuses sobreviventes da luta contra Loki, como os filhos de Thor, conseguem se safar, junto com um derradeiro casal humano, e são esses sortudos que repovoam o cosmos. O ciclo de destruição e criação, portanto, é bastante similar na mitologia antiga e na moderna. (Sem falar nos gigantes: você notou que em Game of Thrones eles também reapareceram assim que o tempo começou a esfriar?).

Sangue, sexo e tripas

Comparada com outras sagas fantásticas clássicas, como O Senhor dos Aneis ou as Crônicas de Nárnia, GoT é uma história bem mais… adulta. Sexo, sangue, violência extrema, sacanagem: tudo isso bate cartão o tempo todo na obra de Martin. Nos livros, por exemplo, o autor não tem o menor pudor de gastar alguns parágrafos descrevendo uma sessão de sexo oral em Theon Greyjoy (antes de ele ser castrado, é claro) ou o fedor que emana das tripas semiexpostas do rei moribundo Robert Baratheon. Nesse ponto, Martin não é exatamente um cara inovador, mas um purista: ele, na verdade, está resgatando o tom realista das mitologias originais.

J.R.R. Tolkien, o pai dos hobbits, e os outros pioneiros da fantasia, ainda muito influenciados pela mentalidade pudica do fim do século 19, é que tinham cortado as passagens viscerais e indecentes dos mitos. O quão viscerais e indecentes eram essas histórias? Veja aqui alguns exemplos:

O deus trapaceiro Loki, do panteão nórdico, a certa altura se transforma numa égua para ser emprenhado por um garanhão.

Os anões Fjalar e Galar matam o mais sábio dos deuses escandinavos, chamado Kvasir, e usam seu sangue para fabricar hidromel.

O herói irlandês Cú Chulainn resolve punir um adversário esmagando-o com tanta força que suas fezes são espalhadas por todo lado. “Pelo resto de seus dias, seus intestinos nunca mais funcionaram direito”, diz o mito.

A princesa irlandesa Deichtine fica grávida do deus Lug, o pai da moça resolve casá-la com um de seus nobres e ela, com vergonha de transar grávida com o marido, provoca um aborto.

E até o nobre rei Arthur tenta matar o próprio filho, fruto de uma relação incestuosa com sua irmã.

Corvos na floresta

Você conhece Bran Stark, o caçula dos herdeiros do Norte, que foi empurrado de uma janela por Jaime Lannister na primeira temporada, ficou paraplégico e aprendeu a viajar no tempo e espaço tomando posse de corpos (humanos e animais) na sexta temporada. Seu nome completo é Brandon Stark, mas não é por acaso que todo mundo o chama de Bran. Isso porque, em galês medieval, brân significa “corvo” – e sua recém-adquirida habilidade surgiu justamente graças ao elo mágico que tem com um misterioso corvo de três olhos. (Quem leu os livros sabe: a tal ave é ligada ao povo dos filhos da floresta, e originalmente foi um lorde humano dos reis Targaryen).

Não por coincidência, o garoto Stark tem um xará famoso na mitologia do País de Gales. A história do rei Bran Bendigeidfran (“Bran, o Abençoado”) é narrada na coletânea medieval conhecida como Mabinogion. Em um dos textos, Bran é apresentado como o monarca de toda a ilha da Bretanha – o que corresponde hoje à Inglaterra, ao País de Gales e à Escócia. Numa guerra contra os irlandeses, o rei fica imobilizado graças a uma lança envenenada que acerta seu pé. O governante então pede a seus companheiros que cortem sua cabeça e a levem de volta para Londres – e, durante décadas, a cabeça do rei Bran continua capaz de falar e raciocinar, prevendo inclusive o futuro e orientando seus amigos. É quase impossível não se lembrar de Bran Stark, que não consegue mais movimentar seu corpo, mas, ao mesmo tempo, adquire uma sabedoria cada vez mais profunda.

A escolha do corvo como um animal telepata também não é à toa. Nas mitologias antigas da Europa, Hugin (“Pensamento”) e Munin (“Memória”) são dois corvos que pertencem a Odin, o mandachuva dos deuses nórdicos. A função deles é voar pelos Nove Mundos e trazer até Odin notícias sobre tudo o que acontece no cosmos.

Trocando de Pele

Bran pode ser mestre na hora de prever o futuro ou visitar o passado, mas todos os seus irmãos (incluindo o suposto bastardo Jon Snow, que na verdade não é nada disso, como descobrimos na sexta temporada de Game of Thrones) conseguem atuar como troca-peles. Ou seja, fundem a sua consciência à de um animal, controlando o bicho ou experimentando as mesmas sensações que ele em tempo real. Nos livros, os troca-peles que conseguem se unir a lobos são chamados de wargs. Ambos os termos têm origem nos clássicos da fantasia do século passado e também na mitologia nórdica.

Comecemos com “troca-peles” – uma expressão usada por J.R.R. Tolkien em sua aventura infanto-juvenil O Hobbit. No livro, o troca-peles por excelência é o feroz guerreiro humano Beorn, que é capaz de se transformar num gigantesco urso negro para confrontar seus inimigos (não por acaso, beorn é uma palavra do inglês antigo que significa “urso” e também um termo poético para designar um grande guerreiro). Tanto nesse livro quanto em O Senhor dos Anéis, Tolkien batizou uma raça de lobos enormes, inteligentes e malévolos de “wargs”.

Nas antigas histórias escandinavas, há várias menções aos berserkir (“camisas de urso”), guerreiros cuja fúria praticamente os transforma em bichos. Já vargr, em islandês antigo, um termo que originalmente significava “lobo”, passou a designar seres humanos fora da lei. Martin preservou o elo humano-animal, mas evitou que seus personagens literalmente virassem bichos.

Dragões pós-modernos

Os dragões de Game of Thrones são uma grande maçaroca mitológica – e Martin os descreve de uma maneira que nenhum escritor da Antiguidade ou da Idade Média faria.

Antes de mais nada, ao analisar essas influências, é importante traçar uma distinção entre os dragões do Extremo Oriente, de um lado, e os da Europa e do Oriente Médio, de outro. Em países como a China, o Japão e o Vietnã, dragões são “mocinhos” – ou, para ser mais exato, simbolizam forças benevolentes do cosmos, como a chuva, os rios e a fertilidade. Costumam também estar associados à figura do imperador chinês. Além disso, têm formato completamente diferente do de Drogon, Rhaegal e Viserion – são parecidos com serpentes: alongados e raramente alados.

Já os dragões europeus e do Oriente Médio são sempre vilões: representam forças naturais hostis, o caos primordial do Universo ou, após a chegada do cristianismo, o próprio Demônio. Embora as representações ocidentais mais antigas dos monstros também lembrem bastante serpentes gigantescas (o que, aliás, deve ter sido o significado original do termo grego drákōn), o dragão europeu acabou assumindo a forma de quadrúpede alado que todos conhecemos e amamos. Na série de TV, os bichos adquiriram um aspecto ainda mais “morceguesco”, com as patas da frente terminadas em asas – o que seria até mais cientificamente correto, uma vez que espécies de vertebrados com seis membros não existem. Portanto, daria para pensar nos dragões de Game of Thrones como uma fusão dos dragões ocidentais e orientais? Talvez – principalmente, se levarmos em consideração a aliança que os dragões têm com a dinastia dos Targaryen, além da aparência física dos monstros.

Mas uma coisa que não existe nas mitologias antigas – tanto do Leste quanto do Oeste – são seres humanos cavalgando dragões: ou eles são inimigos impiedosos que têm de ser exterminados a qualquer custo, ou criaturas veneráveis e dignas de adoração. Foi George R.R. Martin que aperfeiçoou essa espécie de cavalos turbinados, meio bons, meio maus.

Guerreiros sagrados

Por enquanto, falamos de inspirações mitológicas pagãs (ou seja, politeístas, nas quais havia a crença em diversos deuses). Mas há também um elemento importantíssimo do universo de Martin: a cavalaria, que surgiu no mundo real e tem origens no monoteísmo cristão.

Na Europa medieval, os sujeitos que eram “sagrados cavaleiros”, como se dizia, juravam ser leais a seus senhores, defender os ensinamentos da Igreja Católica, proteger os indefesos (em especial as damas, os órfãos e os pobres) e ser misericordiosos com seus inimigos. É basicamente o mesmo que se espera dos cavaleiros de Westeros. Como seria absurdo enfiar o catolicismo num universo tão diferente quanto o de Game of Thrones, Martin o substituiu por outra religião institucionalizada e com tanto ímpeto conquistador quanto o catolicismo medieval: a chamada Fé dos Sete. Assim como os cruzados da Europa, que invadiram a Terra Santa dispostos a expulsar os “infiéis” muçulmanos de lá, os primeiros cavaleiros a colocar os pés em Westeros foram os seguidores da Fé dos Sete, que queimaram as florestas sagradas dos Primeiros Homens, que acreditavam nos chamados Deuses Antigos.

Ao assumirem oficialmente o título de “Sor”, os cavaleiros de Westeros são ungidos com sete óleos, cada um correspondente às sete divindades: Pai, Mãe, Guerreiro, Donzela, Ferreiro, Velha e Estranho. O curioso é que a teologia da Fé dos Sete não enxerga essas figuras como deuses separados, mas como aspectos do mesmo princípio divino – uma ideia que lembra o que dizem certas vertentes do hinduísmo ou a doutrina cristã da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Na mitologia de Martin, há até ordens de cavaleiros com funções diretamente religiosas, como os Filhos do Guerreiro e os Pobres Irmãos, equivalentes aos Templários medievais.

Stark/York x Lannister/Lancaster

Pois é, a semelhança de nomes não é mera coincidência. O conflito entre os York e os Lancaster, dois ramos da família real inglesa que surgiram a partir do século 14, dilacerou a Inglaterra entre 1455 e 1487 e ficou conhecido como a Guerra das Rosas (por causa do emblema das duas dinastias, a rosa branca dos York e a rosa vermelha dos Lancaster).

O próprio Martin já declarou diversas vezes que essa briga é uma das principais inspirações para as disputas de poder em Game of Thrones, ao lado de outras contendas medievais, como a Guerra dos Cem Anos, entre a Inglaterra e a França. As semelhanças vão além dos nomes das famílias e da ambientação geral – a carreira de alguns protagonistas da Guerra das Rosas serviu de base para certos detalhes do conflito de Westeros.

Vejamos, por exemplo, o caso de Richard, 3º Duque de York (1411-1460), um dos nobres mais influentes da Inglaterra durante o governo de seu parente mentalmente instável, Henrique 6º. O duque seria o “Ned Stark” da vida real: foi nomeado Lorde Protetor do reino quando Henrique sofreu um colapso nervoso e bateu de frente com a esposa manipuladora e violenta do monarca, Margaret de Anjou (a versão francesa de Cersei, digamos). Richard chegou a ser reconhecido como herdeiro do trono, mas foi derrotado em combate por forças reunidas pela rainha, e sua cabeça, fincada numa estaca assim como a de Ned, foi exibida nos portões da cidade de York.

Pouco tempo depois, porém, um dos filhos do duque (nosso Robb Stark inglês) derrotou de forma arrasadora os exércitos dos Lancaster e tomou para si a coroa, reinando com o título de Eduardo 4º. O novo rei, porém, chocou seus súditos ao se casar com a jovem e bela viúva Elizabeth Woodville, de uma família nobre relativamente desimportante (mais ou menos como Robb faz nos livros. Na série de TV é ainda pior, já que ele se casa com uma estrangeira). Desgostosos com a influência da nova rainha, boa parte dos nobres ingleses se rebelou, o que levou à instabilidade política e a novas guerras depois da morte de Eduardo 4º (pelo menos esse escapou de ser assassinado e ter uma cabeça de lobo costurada no pescoço).

Entre tantas referências históricas, literárias e folclóricas, dá para dizer que Game of Thrones acabou criando uma mitologia própria – um apanhado de lendas versão premium, digamos assim. Mesmo quem torcia o nariz para contos de princesas e monstros teve de se render às aventuras de Westeros. Quem saiu ganhando fomos todos nós.

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Flip 2017: venda de lote extra de ingressos abre na sexta-feira

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greja Matriz em Paraty, que vai receber os debates da programação principal da Flip 2017 - Divulgação

Igreja Matriz em Paraty, que vai receber os debates da programação principal da Flip 2017 – Divulgação

 

No mês passado, entradas para a programação principal se esgotaram em poucas horas

Publicado em O Globo

RIO – RIO – A venda do lote extra de ingressos para a programação principal da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) será aberta na próxima sexta-feira, a partir das 10h. No mês passado, as entradas se esgotaram em poucas horas.

Os ingressos podem ser comprados pela internet, no site da Ticket for Fun, ou nos pontos de venda autorizados. Os preços são de R$ 55 (inteira) e R$ 27,50 (meia) por mesa. A venda é limitada a duas entradas por CPF para cada mesa.Flip 2017: venda de lote extra de ingressos abre na sexta-feira.

Neste ano, a programação principal, que tradicionalmente ocupava a Tenda dos Autores, será levada para a Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios, na Praça da Matriz. A capacidade do rebatizado Auditório Matriz será de 450 lugares, cerca de 50% a menos do em edições anteriores. Em compensação, haverá 700 lugares cobertos gratuitos no Auditório da Praça, onde haverá transmissão pelo telão.

Entre os nomes confirmados nesta Flip estão a escritora Conceição Evaristo, o ator Lázaro Ramos, o jamaicano Marlon James, o escritor Alberto Mussa, a crítica Beatriz Resende e a historiadora Lilia Moritz Schwarcz, autora de recém-lançada biografia de Lima Barreto.

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