Entenda por que o letramento precoce pode ser prejudicial

2

Aprender a ler e a escrever antes do tempo pode excluir etapas decisivas no desenvolvimento das crianças

i461189

Juliana Duarte, na Revista Educação

O letramento precoce é um assunto permeado por controvérsias. Enquanto algumas instituições de ensino apostam em atividades ligadas à leitura e à escrita, outras defendem a ideia de que é preciso preparar a criança antes de abordar esse tipo de assunto.

Introduzida pelo filósofo e educador croata Rudolf Steiner (1861-1925) em 1919, a pedagogia Waldorf defende que os pequenos (com até 7 anos de idade) tenham apenas uma responsabilidade na escola: brincar. Ao participar de jogos e atividades lúdicas, meninos e meninas desenvolvem diversas habilidades, entre físicas e motoras, além de um estímulo essencial para a vida: a confiança. Segundo a teoria, nessa fase o aluno tende a gastar muita energia e se prepara fisicamente – isso é fundamental para o seu desenvolvimento neurológico e sensorial. Tais capacidades refletem em domínio corporal, linguagem oral e, principalmente, contribuem para a inteligência da criança.

Em poucas palavras: na educação infantil, aprimorar essas características é mais importante do que aprender a ler o próprio nome. “Eliminar atividades que favorecem a criatividade e o pensamento pode ter consequências graves. Infelizmente, muitas dessas práticas estão sendo substituídas pela escolarização antecipada”, alerta Luiz Carlos de Freitas, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os ideais disseminados pelo croata têm ligação direta com estudos elaborados por outro profissional de renome na área, o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934). Ele dizia que a alfabetização é resultado de um processo longo e repleto de etapas, como gestos e expressões. Ao fazer um símbolo no ar, por exemplo, a criança já se manifesta a partir de uma linguagem mais próxima da escrita. Esse aprendizado gradual é imprescindível e deve acontecer nas classes de primeira infância, sem que atividades mecânicas de leitura e escrita atrapalhem ou forcem as etapas de desenvolvimento. “O letramento exige um grau muito grande de amadurecimento neuromotor. Desse ponto de vista, a criança só estará pronta para ser alfabetizada por volta dos 6 anos”, afirma Eliana de Barros Santos, psicóloga e diretora pedagógica do Colégio Global e da Escola Globinho. Segundo ela, brincar leva o aluno a compreender a si mesmo, seus sentimentos e o mundo em que vive. “Essa prática garante a formação das bases necessárias para a construção de outras linguagens”, comenta.

Estimular a leitura precoce, por sua vez, compromete tal formação. Além disso, pode ocasionar problemas como sobrecarga, deficiências na coordenação motora, apatia, desinteresse, desmotivação e estresse. “Aprender a ler não é simplesmente decifrar as letras, mas sim dominar um sistema simbólico, o que exige um grande amadurecimento neuropsíquico”, explica a diretora.

ANA
Essa discussão ganhou fôlego principalmente depois da implantação da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2013. Direcionada a estudantes do 3º ano do ensino fundamental de escolas públicas, a prova avalia os índices de alfabetização e letramento em língua portuguesa e matemática. O objetivo é verificar se as crianças são preparadas corretamente para uma nova fase da vida estudantil. No entanto, uma questão defendida por muitos profissionais da área é que a aplicação de uma prova desse porte pode não ser tão benéfica quanto parece e ter reflexos já nas classes de educação infantil.

De acordo com Sandra Zákia Sousa, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), a ANA tende a fortalecer uma visão que já existe nas unidades escolares – a de que, na primeira infância, é preciso preparar os estudantes para a etapa seguinte, o ensino fundamental. “Fazer isso significa antecipar iniciativas relacionadas a processos de alfabetização e letramento, ou seja, o educador pula etapas importantes e passa a concentrar suas energias em algo que ainda não precisaria ser abordado”, diz.

Para Freitas, testes como a ANA deveriam acontecer apenas a partir do final do ensino fundamental. O formato também poderia ser diferente. O interessante, segundo ele, é que o método avalie as políticas públicas em geral e não a escola. “Um professor sabe muito bem em quais pontos seus alunos são bons ou não”, ressalta.

Pais podem contribuir
Ao mesmo tempo em que a instituição exerce um papel importante, os pais também devem redobrar o cuidado com o letramento precoce. De acordo com Sandra, a pressão pode começar a ocorrer dentro de casa, quando os familiares incentivam a criança a ler palavras ou a escrever nomes aleatórios. “É fundamental que todos se atentem a isso. No lar, bem como na escola, as atividades devem ser adequadas para a faixa etária”, diz.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Jornalista reúne 20 anos de trabalho e lança o livro ‘Viva La Brasa’

0

É um livro para divertir e questionar algumas coisas’, diz autor.
Publicação reúne textos, charges e fotografias.

dsc_0500

Marina Fontenele, no G1

O jornalista sergipano Adolfo Sá, 39 anos, ajusta os últimos detalhes do seu primeiro livro, o ‘Viva La Brasa’, que será lançado às 21h da sexta-feira (23) na Caverna do Jimilennon Rockbar, localizada na Rua Lagarto, 1140, no Centro de Aracaju.

A publicação independente reúne 20 anos de textos entre reportagens, crônicas e entrevistas, além de trabalhos gráficos em charges e no estilo fanzine, recortes que se assemelham a páginas de revista. O livro tem o mesmo nome do blog lançado no início dos anos 2000 e a diagramação tem influência de um outro trabalho do autor, o ‘Cabrunco Zine’.

“Foram dois anos organizando o conteúdo do livro. Tem muita irreverência, juventude, histórias de ‘aprontação’, viagens, festas, teatro, música, cultura e liberdade de expressão. Não é um livro com a pretensão de ser um produto artístico, mas sim para divertir e questionar algumas coisas, é a minha visão de mundo e dos meus amigos que colaboraram com conteúdos da publicação. Tentei dosar para não ser superficial nem pesado”, conta Sá.

10923140_1009848779030634_862854339_o

Para o lançamento do livro, seis bandas vão se revezar em shows de 30 minutos cada. Também haverá apresentação de Pole e Chair Dance e a exposição Zines & Prints. O acesso ao bar será gratuito.

Adolfo Sá planeja lançar o ‘Viva La Brasa’ em São Paulo e também no Rio de Janeiro. Além de jornalista e escritor, ele é editor de imagens, foi gerente de programação de um canal de TV pública de Sergipe e dirigiu uma cena do filme ‘A Pelada’, gravado em Sergipe e exibido nos cinemas de todo o país.

O livro tem 280 páginas está sendo vendido antecipadamente pelo site, mas também pode ser adquirido no dia do evento por R$ 39,90.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Apenas 16 escolas têm todos os professores formados na área em que lecionam

0

Esse número representa 0,1% das escolas brasileiras participantes do Enem 2013

1146

Publicado na Revista Escola

Apenas 0,1% das escolas de ensino médio tem seu corpo docente inteiro formado por professores que atuam na área em que se graduaram. Esta porcentagem representa só 16 das mais de 14,7 mil escolas que participaram do Enem 2013. Em 99,9% das escolas, porém, há professores atuando fora da disciplina em que se especializaram, como um professor formado em física lecionando matemática, por exemplo. Só quatro destas 16 instituições são públicas e todas têm menos de 200 alunos.

Segundo um levantamento feito pelo movimento Todos Pela Educação, 52% dos professores não atuavam na área em que se formaram em 2013. Considerando só os anos finais do Ensino Fundamental, essa porcentagem sobe para 67,2%. O pior resultado é na disciplina de Artes, em que apenas 14,9% dos professores têm formação específica.

De acordo com a meta 15 do Plano Nacional de Educação (PNE), todos os professores da Educação Básica devem ter formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam. Além disto, o item prevê que, em até um ano de vigência do PNE, os governos garantam uma política nacional com esse objetivo.

Veja a lista de escolas brasileiras com todo o corpo docente formado na área em que atua:

Colégio Estadual Padre Rômulo Zanchi – Santa Maria (RS)
Colégio Universitário – Porto Alegre (RS)
Colégio Marco A. Pimenta – Maringá (PR)
Sesi – Centro Educacional – São Carlos (SP)
Colégio Ítaca – São Paulo (SP)
Instituto Metodista de Petrópolis – Petrópolis (RJ)
Colégio e Curso Gau – Rio de Janeiro (RJ)
Sistema Elite de Ensino – Niterói (RJ)
Sistema de Ensino Universus – Rio de Janeiro (RJ)
Associação Jesuíta de Educação e Assistência Social – Juiz de Fora (MG)
Colégio La Salle – Brasília (DF)
Colégio Intelecto – Feira de Santana (BA)
Colégio Estadual Benedito B do Nascimento – Umbauba (SE)
Colégio Interativo – Maceió (AL)
Colégio Equipe – Macapá (AP)
Escola Estadual Marcantonio Vilaça – Manaus (AM)

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Paraibano nota mil na redação do Enem prefere livros a festas

1

Paraibano nota mil na redação do Enem prefere livros a festas

Publicado no Portal AZ

Escolher os livros ao invés de festas e baladas. Uma rotina diferente da maioria dos adolescentes, que ajudou o estudante Leoberto Batista, de 17 anos, a conseguir atingir a nota máxima na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e também da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em 2015. Ele mora no município de Patos, sertão paraibano, e está entre entre os 250 candidatos que conseguiram atingir mil pontos nesta edição do Enem. “Prefiro ficar com os livros a sair. Estudo o dia inteiro e, quando recebo um convite, meus amigos já sabem a resposta: tenho que estudar”, disse Leoberto.

No Sertão da Paraíba, o estudante frequentou sempre escolas particulares onde no ano passado concluiu o ensino médio. Da primeira vez em que realizou a prova, 900 pontos foram alcançados na redação. Neste ano, sua preparação para a prova do exame nacional ocorreu em um cursinho pré-vestibular, também particular. Para atingir a nota máxima nesta edição, ele contou que além de passar o dia inteiro estudando, a experiência fez toda a diferença. “Como já conhecia a prova, comecei logo pela redação, de cabeça fria”, contou ele.

Caseiro, o estudante aproveita todo o tempo possível com a leitura de livros, que vão de ficção à literatura clássica, e com os estudos de outras disciplinas. Segundo ele, festas, baladas ou coisas do tipo nunca fizeram parte da sua rotina. “Ainda hoje só saio de casa para ir à Igreja, meus amigos já sabem”, explicou o estudante.

Um segredo pessoal para uma boa redação foi revelado por ele: “debater as redações consigo mesmo antes de entregá-las”. Além disto, o estudante, que é leitor assíduo de Machado de Assis e Aluísio de Azevedo – seus autores preferidos, disse ter encontrado na leitura desses escritores uma boa base crítica para o seu texto.

“Apesar da surpresa do tema da prova, o olhar crítico da sociedade me ajudou bastante e ajudaria para qualquer tema. Na redação citei um pensamento de Karl Marx sobre a alienação comunista enfatizando essa crítica social, em conjunto, também citei um pouco do conhecimento histórico”, explicou Leoberto.

O sonho dele é cursar medicina. No momento em que viu sua nota, o sonho pareceu mais próximo da realidade. “Cheguei a chorar de alegria com a minha mãe e depois com o restante da família. No começo não queria que muitas pessoas ficassem sabendo do resultado, mas agora não é mais possível”, comentou o estudante.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

ONU: 121 milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola

0

crianças fora da escola

Publicado no Ribeirão Preto Online [via Agência Brasil]

Um relatório lançado nessa segunda-feira (19) em Londres mostra que 121 milhões de crianças e adolescentes, de 6 a 15 anos, no mundo inteiro, desistiram de frequentar a escola ou sequer começaram a fazê-lo. O documento foi feito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e contrasta com a promessa da comunidade internacional de alcançar a Educação para Todos até 2015.

O relatório, intitulado Reparação da promessa quebrada de Educação para Todos: resultados da Iniciativa Global Crianças Fora da Escola, mostra que houve pouco progresso na melhora desse cenário desde 2007. Além disso, o documento revela que 63 milhões de adolescentes com idade entre 12 e 15 anos não estão na escola. O número mostra que há muito mais adolescentes nessa situação do que crianças. Enquanto uma em cada 11 crianças em idade escolar de nível primário não frequenta a escola, um em cada cinco adolescentes está na mesma situação.

De acordo com a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, os métodos tradicionais de ampliar o acesso à educação, baseados em mais professores, mais livros didáticos e mais salas de aula, não é mais eficaz. Na opinião de Irina, os métodos têm que considerar formas de incluir crianças menos favorecidas.

“Precisamos de intervenções específicas para alcançar as famílias deslocadas devido a conflitos, as meninas que são forçadas a ficar em casa, as crianças com deficiência e as milhares que são obrigadas a trabalhar. Porém, essas políticas têm um custo. Esse relatório serve de alerta para mobilizar os recursos necessários para garantir a educação básica para cada criança, de uma vez por todas.”

O relatório mostra também que as mais afetadas pela falta de acesso à educação são as crianças que vivem em áreas de conflito, as que trabalham e as que enfrentam discriminação baseada em etnia, gênero ou deficiência. A pobreza, contudo, é o maior vilão da educação, diz o estudo. Na Nigéria, por exemplo, dois terços das crianças em áreas mais pobres não vão à escola. E 90% delas provavelmente nunca o farão. Os índices mais elevados de crianças fora da escola são encontrados na Eritreia e na Libéria, onde 66% e 59% das crianças, respectivamente, não frequentam a escola primária.

O diretor executivo do Unicef, Anthony Lake, enumera três prioridades de investimento em três áreas. A primeira é aumentar o número de crianças frequentando a escola primária; a segunda, ajudar mais crianças, principalmente as meninas, a permanecer na escola durante todo o nível secundário; e a terceira, melhorar a qualidade da aprendizagem.

“Não deve haver discussão a respeito dessas prioridades: precisamos realizar as três, porque o sucesso de cada criança – e o impacto do nosso investimento em educação – depende de todas elas”, disse Lake. Os dados da pesquisa podem ser consultados no site da Unesco, de forma interativa (site em inglês).

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Go to Top