Com mesada negada, menina de dez anos escreve livro digital para ganhar dinheiro

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Criação de Larissa Lima, O Espanta Tranqueiras está à venda no iBooks, aplicativo da App Store, desde a semana passada

Biólogo de formação, mas com tino empreendedor, Paulo (acima com Larissa) incentivou a filha a ganhar a própria mesada por meio da criatividade e, claro, da diversão Foto: Paulo Lima / Arquivo Pessoal

Biólogo de formação, mas com tino empreendedor, Paulo (acima com Larissa) incentivou a filha a ganhar a própria mesada por meio da criatividade e, claro, da diversão
Foto: Paulo Lima / Arquivo Pessoal

Ana Carolina Bolsson, no Zero Hora

Educar pode ser uma tarefa árdua, mas uma experiência enriquecedora. E se há um caminho mais fácil, nem sempre ele é a melhor opção. Bem sabe Paulo Lima, que no ano passado lançou um desafio para a filha que insistia em pedir mesada. Ao incentivar Larissa, de 10 anos, a escrever um livro, colocá-lo à venda na internet e a ganhar o próprio dinheiro, ele sabe, contudo, que ensinou muito mais do que uma lição de educação financeira.

– Eu buscava incentivar sua proatividade, empreendedorismo, mas, principalmente, que ela exercitasse produzir algo de que goste, relacionado aos seus interesses. São estímulos que eu não recebi quando criança e que, lamentavelmente, acabaram surgindo por outros caminhos mais tarde na minha vida – diz.

– Ele me disse: “Quem sabe tu ganha dinheiro de uma forma mais legal, educativa e que se divirta, além de só um jeito de ganhar mesada?” E lembrou que eu gosto bastante de ler e escrever – afirma Larissa ao reproduzir o diálogo com o pai.

Biólogo de formação, Lima atuou no Nordeste por mais de três anos, mas decidiu retornar a Porto Alegre com a mulher e a filha pequena para abrir o próprio negócio como consultor em treinamento. Hoje, ele é proprietário de uma empresa especializada em adaptar livros para os principais formatos digitais do mercado editorial, expertise fundamental para o projeto da primogênita. Daí para dar vida à fantasia dela não demorou.

Uma semana depois da conversa inicial, Larissa, estudante da 5ª série do Colégio Israelita, retornou com a ideia:

– Pensei que ela própria fazer pulseiras e colares com miçangas, como algumas coleguinhas, mas me chamou a atenção quando disse que iria escrever um livro.

A decisão não surpreendeu totalmente ao pai e à mãe, também bióloga. Donos de uma ampla biblioteca na casa em que residem no bairro Alto Petrópolis, na Capital, eles estimulam desde o nascimento o hábito da leitura tanto na menina, quanto em Caio, de 5 anos, que, segundo o pai, já lê.

Dois meses depois, o pai tinha em mãos O Espanta Tranqueiras, história fictícia de um casal de irmãos que viaja nas férias para a casa dos avós, onde todo tipo de guloseimas cresce nas árvores. O livro chama a atenção ainda pela preocupação com hábitos alimentares saudáveis. Larissa fez as narrações, e, Paulo, como prometido, as ilustrações e formatações necessárias para envio do material para a Apple.

– Achei bárbara a ideia de árvores que davam refrigerantes, pirulitos e outras tantas comidas que ela está ciente de que não são saudáveis, justamente pelos hábitos que mantemos em casa – relata o pai orgulhoso.

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Na semana passada, sete meses depois do processo iniciado com a marca norte-americana, o livro (reprodução acima) O Espanta Tranqueiras foi aprovada está à venda por USD 3,99 na iBooks Store. Desde então, já foram realizados 55 downloads, totalizando US$ 80 em vendas (sem contar os impostos), números monitorados diariamente por Paulo e Larissa, que acompanha ansiosamente o interesse pelo o que ela própria criou.

– Mais do que o rendimento gerado, a grande lição que tanto ela quanto o Caio me dão diariamente é: “pai, faz mais porque eu consigo absorver”. Hoje, os pais limitam demais os filhos com muitos “nãos” e restrições. O livro é resultado de um conjunto de coisas que não se limita a uma forma de conseguir dinheiro, mas sim de despertar a criatividade, a imaginação e, claro, a consciência de que é preciso esforço para conseguir algumas coisas na vida. Senão, fica fácil agora, e difícil depois.

Animada com a experiência e com o incentivo dos pais, Larissa já pensa no próximo livro.

– Estou botando pilha desde cedo porque esse comportamento abre muitas portas. Estou plantando uma semente, ainda que no futuro ela opte por uma atividade não relacionada com a escrita e até por um emprego de carteira assinada, como eu optei por muito tempo – afirma Lima.

dica do Jarbas Aragão

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Eduardo Bueno prepara trilogia da ‘Guerra dos tronos’ carioca

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Há dez anos sem publicar, o autor da polêmica coleção ‘Terra Brasilis’ anuncia série que mistura História e ficção tendo o Rio como cenário

Eduardo Bueno, o Peninha, laça novo livro sobre o Rio - Simone Marinho / Agência O Globo

Eduardo Bueno, o Peninha, laça novo livro sobre o Rio – Simone Marinho / Agência O Globo

Patrícia Kogut em O Globo

RIO — Eduardo Bueno, o Peninha, é jornalista, mas trafega por várias praias. Escreveu muito sobre História — sua obra mais famosa é a coleção “Terra Brasilis” — e, mais recentemente, fez sucesso em “Extra ordinários”, no SporTV. Por falar em praia, uma de suas prediletas é a Vermelha, na Urca, bairro onde o Rio foi descoberto, em 1502. Ali começa a saga de uma família que atravessará os séculos até os dias de hoje na trilogia “Carioca”, a ser lançada pela Leya a partir de outubro. Trata-se de um romance histórico, gênero com o qual ele admite “ter preconceito”.

A aventura literária é ambiciosa, escrita em sintonia com o português de cada período, ou seja, do seiscentista ao moderno carioquês. É também inspirada em “Game of thrones”, série que o autor adora. No fim de cada volume, o leitor será informado do que era fato histórico e do que se resumia a invenção. Um exemplo: Pináculo da Tentação já foi o nome do Corcovado, mas, no início de “Carioca”, o epíteto será atribuído ao Pão de Açúcar. Na entrevista a seguir, Peninha refuta críticas da academia, fala de sua “paixão febril pela História” e descreve o projeto com gestos largos, eventualmente ficando de pé para reforçar o que diz. É uma energia que faz jus ao adjetivo “insopitável”, atribuído a ele pelo colunista do GLOBO Joaquim Ferreira dos Santos, e que virou piada reiterada na TV.

Assista ao vídeo aqui.

Você diz estar trabalhando no seu mais profundo projeto. O que é?

Um romance histórico, a saga de uma família no Rio desde a descoberta da Baía de Guanabara, em janeiro de 1502, até hoje, com a retomada do Complexo do Alemão. O Rio Carioca será o ponto focal. É a metáfora líquida e certa da cidade, sua expressão reveladora. Um lugar fabuloso, mítico e sagrado que foi transformado em esgoto. Quando tive a ideia do livro, veio tudo na minha cabeça de uma só vez. Fiquei até tonto e tive que me escorar na parede. É um romance histórico, com personagens reais, outros, inventados. O substrato é verdadeiro. Usarei o português de cada período, então trata-se de um exercício da prosa vinculada ao seu tempo. E quero que seja, sobretudo, pop, logo, terei que esgrimar com o léxico. No final de cada volume, um apêndice de cem páginas revelará o que é verdade e o que não é. Serão três volumes de 500 páginas cada.

Com a coleção “Terra Brasilis”, você foi acusado de simplificar a História com uma obra superficial. Partindo para o romance histórico diria que está assumindo esse descompromisso com uma visão menos acadêmica?

Essa coleção mudou o comportamento do público brasileiro diante da História do país, criou uma legião de leitores. O mercado de livros de História no Brasil se solidificou em torno da “Terra Brasilis”, é um fato. Em minha defesa, saíram as pessoas que eu admiro, como Lilia Moritz Schwartz, Evaldo Cabral de Mello, o almirante Max Justo Guedes e o Nicolau Sevcenko. Havia nos livros algumas fragilidades e eu sabia disso, mas eles têm um valor imenso. Adoro ser atacado pelos medíocres, embora algumas das obervações deles estivessem certas. Sempre fui isso, um jornalista apaixonado pela História. Comecei estudando os Estados Unidos por causa de Bob Dylan, que é o artista do mundo que mais admiro. Tenho uma paixão fervorosa pela História. Estou disposto a matar quem duvidar disso. É um preconceito ridículo. Li muito, tenho uma biblioteca imensa, com mais de 400 livros só sobre o Rio.

Por que tanto tempo sem escrever?

Inventei esse mercado de livros de História, mas sou que nem surfista que não quer mais a onda quando ela está crowd. Estou há dez anos sem publicar. Nesse meio-tempo, criei uma editora, a Buenas Ideias, e fiz 25 livros por encomenda. A designer é Ana Adams, minha ex-mulher, e o fotógrafo, meu irmão, Fernando Bueno. Fazemos absolutamente tudo e entregamos o livro pronto. Mas minha mulher, Paula (Taitelbaum, escritora e editora da L&PM), me pressionava muito para que eu fizesse algo autoral. E eu pensava: “Pô, meus livros são bons, podem ser para mais gente”. Era eu fugindo de mim. Paula defendia a tese de que eu deveria escrever minha autobiografia meio fake, contar a viagem que fiz em 1978. Foram nove meses por terra de Nova York a Porto Alegre. Passei pela trilha inca, por uma favela em Bogotá, enfim. Aí tive essa inspiração. Vou escrever sobre o Rio, a cidade que mais amo, o que me qualifica para odiá-la. É um lugar maravilhoso que é também uma merda e resume o Brasil. Farei um cântico de amor à cidade.

Você lê romances históricos?

Tenho um preconceito ridículo, é lógico que há boas obras do gênero. E sou um fã ardoroso de “Game of thrones”, e “Carioca” tem essa inspiração no que diz respeito a muitos personagens com tramas entrelaçadas e um fundo histórico. Só que no meu livro o cenário é real.

A sua atuação na televisão é parte dessa defesa do que é pop?

Sempre acreditei que TV e História estão unidos. Fiz com o (Pedro) Bial aquele quadro bem legal no “Fantástico” (“É muita história”, de 2007). Fui repórter da TV Globo no fim da década de 70, e agora surgiu esse convite do Raul (Costa Júnior, diretor do SporTV) para o “Extra ordinários”. Não esperava que desse tão certo. Mas, do taxista ao intelectual, muita gente assistiu. Funcionou porque foi tudo na base do improviso, sem uma disputa real de poder. E os debates geraram um estranhamento positivo, digo isso porque adoro estranhamento. Acredito no poder do constrangimento. Vamos voltar ao ar em setembro.

Você se envolveu numa polêmica que fez barulho nas redes sociais…

Falei que o Nordeste é uma bosta porque o Brasil é uma bosta, o mundo e a humanidade também são. No caso do Nordeste, me referia a questões sociais, não é o povo que é uma bosta. Não tenho medo de confronto, pelo contrário, se quiser é só me chamar. Mas aquela briga com uma massa anônima do Twitter e do Facebook etc. é péssima. Aliás, vou processar o Facebook porque fizeram um perfil meu. A coisa mais fácil do mundo é abrir um perfil falso. Mas, para fechar, tem que apresentar o exame de fezes da bisavó. Não pode.

Mas você passa o “Extraordinários” de olho nas mensagens do Twitter…

Não! Só checo as mensagens do meu telefone. 140 caracteres pra mim é ejaculação precoce. Não me interessa.

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Amizade entre Tolkien e Lewis será tema de filme

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Desirée Soares, no Cabine Literária

Que J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis são grandes escritores britânicos de fantasia, todo mundo sabe. Mas eles tiveram mais coisas em comum do que o gênero literário: a amizade. Os dois foram bons amigos durante anos, e será essa relação que o filme “Tolkien & Lewis” quer mostrar.

Imagem: Attractive Films

Imagem: Attractive Films

O longa será produzido pela Attractive Films, no Reino Unido, com um orçamento de 18 milhões de dólares. A direção será de Simon West (Os Mercenários 2). A produtora descreve o filme como “um drama de fantasia situado na Grã-Bretanha durante a guerra, em 1941, revelando a fé, amizade e rivalidade entre J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis”.

Os dois escritores têm muito em comum, ambos deram aula na Universidade de Oxford, os dois lutaram na Primeira Guerra Mundial e ambos abreviaram os nomes. O relacionamento foi amigável por anos; por meio de conversas tarde da noite, Tolkien, católico, converteu Lewis ao cristianismo. Mas isso não durou pra sempre. “Lewis se tornar o garoto-propaganda do cristianismo deixou Tolkien chatedo”, contou Wernher Pramschufer, diretor da Attractive Films, ao Holywood Reporter. Em seguida, a amizade dos dois foi envenenada por ciúmes, paranoia e diferenças criativas e religiosas.

Mas esse não é o único longa sobre a vida de Tolkien que está sendo produzido. A Fox Searchligh anunciou ano passado que iria fazer um filme biográfico do autor de “O Senhor dos Anéis”, sobre o período em que ele esteve na Guerra, e depois como professor em Oxford.

O lançamento de “Tolkien & Lewis” está previsto para a Páscoa, só não se sabe de que ano. Já “Tolkien” ainda não tem diretor e nem previsão de lançamento.

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Record em primeiro no ranking semanal

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Editora tem quinze livros na lista semanal e empata na lista anual com a Sextante

Cassia Carrenho, no PublishNews

Numa semana em que os números ainda estão sob efeito da Copa, tivemos poucas novidades e mudanças. Mas, a editora Record conseguiu emplacar 15 títulos nessa semana e assumiu o primeiro lugar no ranking semanal, deixando Intrínseca e Sextante empatados, em segundo lugar. Em terceiro lugar, com seis títulos, menos da metade das três primeiras, empate entre quatro editoras: Companhia das Letras, LeYa, Santillana e Vergara & Riba.

No ranking anual, Record e Sextante estão disputando livro a livro, e seguem empatados com 41 títulos cada.

A culpa é das estrelas (Intrínseca) continua brilhando em primeiro lugar, mas nessa semana sofreu uma queda de mais 20% comparada com a semana anterior e vendeu “apenas” 18.967 exemplares.

As novidades na semana foram: em ficção, O resgate e Estranha perfeição (Arqueiro); em não ficção, A vida secreta de Fidel (Paralela); infantojuvenil, Peppa – a maior poça de lama do mundo (Salamandra) e Maze Runner- correr ou morrer (Vergara&Riba) e negócios, 151 dicas essenciais para reconhecer e recompensar colaboradores (BestBolso).

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Brasil conquista cinco medalhas em Olimpíada Internacional de Matemática

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Equipe brasileira foi formada por seis estudantes e um professor - Divulgação

Equipe brasileira foi formada por seis estudantes e um professor – Divulgação

Ao todo, 560 estudantes de 101 países participaram da competição

Publicado em O Globo

RIO – Se na Copa do Mundo nossa seleção teve resultado decepcionante, o mesmo não se pode dizer do time de estudantes brasileiros que participaram da 55ª Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, da sigla em inglês), na África do Sul. Ao todo, os alunos conquistaram cinco medalhas, sendo três de prata e duas de bronze.

Com isso, o Brasil ocupou a 34ª posição no ranking geral por países com 122 pontos. No topo da tabela está a equipe da China, com 201 pontos, seguida pelos Estados Unidos, com 193 e Taiwan, com 192. Ao todo, 560 estudantes de 101 países participaram da competição.

As provas ocorreram dos dias 8 e 9 de julho, na Universidade da Cidade do Cabo. Em cada dia, os estudantes tiveram 4h30 para resolver três problemas de matemática, selecionados a partir de diferentes áreas da matemática do ensino médio como álgebra, análise combinatória, geometria e teoria dos números.

Murilo Corato Zanarella, 16 anos, Rodrigo Sanches Ângelo, 18 anos, de São Paulo e Daniel Lima Braga, 16 anos, do Ceará, tiveram o melhor desempenho da equipe brasileira garantindo as medalhas de prata, enquanto Victor Oliveira Reis, 17 anos, de Pernambuco e Alexandre Perozim de Faveri, 17 anos, de São Paulo, voltaram ao país com as medalhas de bronze. Alessandro de Oliveira Pacanowski, 18 anos, do Rio de Janeiro recebeu uma menção honrosa.

Voltando da África do Sul com uma medalha de bronze no peito, Victor Oliveira Reis coleciona conquistas em competições de matemática mundo afora. Em três anos de treino, ele já subiu ao pódium em olimpíadas na Romênia, Colômbia, Paraguai, dentre outros lugares. Ano passado, foi prata na Olimpíada Internacional.

- Fico feliz porque pelo menos conseguimos dar uma alegria em competições para o Brasil – diz o Victor, que está de malas prontas para estudar na Cornell University, nos Estados Unidos, em agosto.

MELHOR DA AMÉRICA LATINA

As medalhas conquistadas neste ano são apenas mais um exemplo de um histórico de resultados positivos do Brasil na competição. Desde 1979, ano em que os brasileiros participaram pela primeira vez, conquistamos 110 medalhas, sendo nove de ouro, 33 de prata e 68 de bronze, o que o torna o país latino-americano com o melhor retrospecto na história da competição.

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