BKO WAVE SAÚDE

Bienal do Livro de São Paulo: 17 dicas de sobrevivência para aproveitar a feira

0

Publicado no Metro Jornal

A 25ª Bienal do Livro de São Paulo começa nesta sexta-feira (3) e finalmente você vai poder mergulhar em todo esse mar de livros. Mas como sobreviver às longas caminhadas e extensas filas durante um dia inteiro no Pavilhão do Anhembi? Calma meu caro padawan, você não está sozinho nessa: o Metro Jornal te dá as dicas para você se previnir antes de sair correndo Bienal a dentro. Dá só uma olhada:

1. Vá com uma roupa confortável

Sim, isso é tão importante que é o item que abre nossa lista: a roupa precisa ser confortável. Se você escolher aquela calça muito justa, por exemplo, as chances de ficar cansado rápido são grandes. Por isso, dê preferência a peças de algodão, pois elas permitem que o corpo respire. Se estiver frio, escolha uma blusa que não seja muito pesada, porque o pavilhão fica lotado – e quente.
2. Mais importante ainda: vá com um CALÇADO confortável

Mais importante que uma roupa confortável, o calçado deveria ser tratado como o protagonista do dia. Isso porque se você não escolher bem o seu tênis, não vai aguentar as longas caminhadas e vai querer voltar pra casa antes do meio-dia. É, não invente de escolher outra coisa para botar no pé.

3. Cosplayers: atenção à bagagem

Ok, ok, você não vai querer seguir as dicas acima porque vai fazer cosplay. Nesse caso, a dica é a do “somente o necessário”, literalmente. Leve somente a maquiagem e as peças que for realmente utilizar, para não precisar ficar arrastando peso à toa.

4. Vá com uma mochila de costas

Se você pretende comprar vários livros, a melhor coisa a se fazer é ir com uma mochila de costas. Bolsas e sacolas cansam mais rápido; já a mochila distribui melhor o peso.

5. Compre seu ingresso antecipadamente

Os ingressos para a 25ª Bienal do Livro de São Paulo podem ser adquiridos diretamente no site oficial do evento. Essa é uma dica valiosa, porque se você deixar para comprar na hora, as chances de pegar uma fila beeem demorada são grandes. Acredite, dependendo do horário ela pode chegar até 3h de espera.

6. Não esqueça os documentos

Roupas confortáveis, mochila nas costas, ingresso na mão: está faltando alguma coisa? Sim, os documentos. Se você é estudante, não esqueça de sua carteirinha, para comprovar na hora da entrada. Funcionários do Sesc, professores, idosos, crianças menores de 12 anos e autores previamente cadastrados têm entrada gratuita.

7. Leve comida

A comida na Bienal tem fama de ser cara, então se você não quer gastar com outras coisa que não os livros, leve algo para comer. Dê preferência a frutas – principalmente aquelas que você não precisa descascar – e algum sanduíche feito em casa.

8. Beba água

Se você é veterano de Bienal, já deve ter passado por isso: vai chegando o final da tarde e a cabeça começa a doer. Não, não é só por causa da multidão ou do cansaço. Muitas vezes é o corpo clamando por água. Então não subestime a importância de se hidratar. Aliás, justamente por conta da quantidade de água que você for beber, vai aí uma parte B dessa dica: não espere ficar muito apertado para ir ao banheiro. Como você vai seguir a regra de ouro de beber água sempre, não vai querer ficar 20 minutos esperando para se aliviar.

9. Leve o carregador do celular

A Bienal é um evento que ocorre a cada dois anos, então é comum querer registrar todos os momentos. Se a bateria do celular acabar, não se desespere, porque lá na Bienal tem um lounge com espaço para descansar e pontos para recarregar o telefone.

10. Verifique o trajeto que você vai fazer

Antes de sair de casa, é bom dar uma checada no trajeto que você vai fazer até o Pavilhão do Anhembi. Um ônibus gratuito levará o público da estação Portuguesa-Tietê, da linha 1-Azul do Metrô, até a Bienal. Aos finais de semana, a estação Palmeiras-Barra Funda, da linha 3-Vermelha do Metrô, também contará com os ônibus até a feira. Caso você vá de carro, o estacionamento por lá custa R$ 40. Para motos, é R$ 30.

11. Vai com amigos? Combine um ponto de encontro

Isso vale tanto para antes de entrar, quando lá dentro: a Bienal é enorme e é muito fácil se perder. Então aproveite o momento em que vocês estão juntos logo no início do dia para combinar um ponto de fácil acesso e identificação para encontrar a galera caso alguém se perca.

12. Pegue um mapa

Sim, é tão grande que, para economizar tempo, é bom pegar um mapa da Bienal lá na entrada – ou baixar na internet mesmo – e checar onde fica a editora daquele livro que você tanto quer. Caso tenha esquecido de pegar antes e não está conseguindo fazer o download, não se desespere, porque dentro do pavilhão existem alguns cartazes enormes com o mapa completo da feira.

13. Não compre no primeiro estande

Essa é importante para quem quer voltar com uma montanha de livros para casa. Dê uma pesquisada antes, porque às vezes você pode encontrar o mesmo título por um preço mais em conta em outra distribuidora. Parte B desta dica: se você é daqueles que abriram a Bienal, vá primeiro nos estandes das editoras mais ‘badaladas’, porque elas costumam ficar abarrotadas de gente no meio da tarde, especialmente aos finais de semana.

14. Leve dinheiro em espécie

E se você não quer perder tempo na fila do pagamento, levar o dinheiro trocado pode ser uma mão na roda. Geralmente, quem não vai pagar com cartão passa na frente.

15. Faça uma lista com quais livros são prioridade

Cuidado para não ir à falência antes do fim do mês. Se você quer mesmo comprar muitos livros, faça uma lista antes de sair de casa com quais são prioritários – assim, caso você atinja sua meta de gastos antes do tempo previsto, vai poder descartar de forma mais fácil.

16. Cheque a programação

Ao verificar a programação, você vai notar que a Bienal vai além de uma grande feira de livros. Ela é um espaço onde rolam muitos eventos culturais – alguns, inclusive acontecem ao mesmo tempo. Então vale dar aquela conferida, para você não perder a passagem do seu autor favorito.

17. Em casos de autógrafos, tenha paciência

Chegou na fila de autógrafos? Tenha paciência, afinal, tudo na Bienal é cheio mesmo. Este ano, para conseguir uma assinatura do seu autor favorito, os leitores precisavam pegar uma senha online, que foi distribuída no mês passado. A maioria delas estão esgotadas, mas atenção: geralmente, essas senhas são para a Arena Cultural. Algumas editoras promovem um encontro para um número menor de participantes no próprio estande, então é bom passar nelas para perguntar.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

A Mulher do Viajante do Tempo, romance de Audrey Niffenegger vai virar série de TV

0

Victor Tadeu, no Desencaixados

A Mulher do Viajante do Tempo, de Audrey Niffenegger publicado em 2003 nos Estados Unidos, ele conta a história de Clare, uma artista casada, na qual, o marido chamado Henry é vítima de um distúrbio genético que, infelizmente, faz ele viajar no tempo totalmente sem controle. Durante a leitura do livro iremos acompanhar Clare lidando com as dificuldades do marido e também a ausência do mesmo. A obra é uma metáfora que Audrey conseguiu fazer para o fim do seu relacionamento e ela foi publicada no Brasil em 2009 pela Editora Suma de Letras.

Em 2009 a história ganhou uma adaptação cinematográfica, na qual foi titulada como Te Amarei Para Sempre, esse trabalho teve a participação de Eric Bana (Hulk), Rachel McAdams (Meninas Malvadas) e a produção de Brad Pitt. Porém o romance ganhará uma adaptação em série por Steven Moffat, um showrunner que já passou por Doctor Who, e a HBO será responsável pela distribuição do conteúdo. O showrunner já foi responsável por cocriar e roteirizar Sherlock, mas em A Mulher do Viajante do Tempo ele estará atuando como produtor-executivo e também como roteirista.

Eu li a obra de Audrey Niffenegger muitos anos atrás e me apaixonei por ela. Para falar a verdade, escrevi um episódio de Doctor Who chamado ‘The Girl in the Fireplace‘ como uma resposta direta. Quando, no próximo livro, Audrey fez uma personagem assistir ao episódio, percebi que ela tinha me sacado”, disse Moffat. “Após todos esses anos, ter a chance de adaptar o romance é um sonho realizado.” (via Omelete)

A Mulher do Viajante do Tempo e grandes problemas para encontrar um agente literário, só que, conseguiu publicar pela MacAdam/Cage sem muitas pretensões, o livro foi best seller — 2.5 milhões de exemplares vendidos nos Estados Unidos e Reino Unido — em seu ano de lançamento e dividiu opiniões dos críticos, mas, por outro lado, ele ganhou o Exclusive Books Boeke Prize e um British Book Award. Ainda não foi divulgado nenhuma informação técnica da produção, mas provavelmente em breve o elenco é estrelado.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Bienal Internacional do Livro de São Paulo começa hoje

0

Best-sellers como Victoria Aveyard, Beth Reekles, David Levithan e Marissa Meyer vão participar do evento, que terá Mauricio de Sousa, Ziraldo, Fernanda Montenegro Lázaro Ramos.

Publicado no G1

A 25ª Bienal Internacioal do Livro de São Paulo começa nesta sexta-feira (3) e traz grandes best-sellers internacionais e também autores brasileiros que arrastam multidões.

Com o tema “Venha fazer esse download de conhecimento”, o evento, que acontece no Pavilhão Anhembi (veja o serviço abaixo), deve oferecer 1,5 mil horas de atividades ao longo de dez dias, até 12 de agosto.

Além das tradicionais sessões de autógrafos e estandes de editoras, a Bienal tem na programação palestras com escritores, debates sobre atualidades, local para saraus e shows, espaço infantil e área dedicada à gastronomia.

“Tivemos o cuidado de trazer uma programação capaz de atingir todos os públicos – das crianças aos adultos – buscando temas atuais”, afirmou, em nota, Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que promove a Bienal.

Veja, abaixo, 5 destaques da Bienal do Livro de SP 2018:

1. Best-sellers internacionais

A partir da esquerda: os escritores best-sellers David Levithan, Marissa Meyer e Tessa Dare, anunciados para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Divulgação)

A principal atração da Bienal são os best-sellers estrangeiros que levam os fãs a formar aquelas filas gigantes para pegar um autógrafo. São com astros do rock – só que da literatura.

Dentre os principais, estão:

Victoria Aveyard, americana autora da saga “A rainha vermelha”;
David Levithan, americano que assina “Todo dia”, obra cuja adaptação para o cinema acaba de estrear no cinema, e autor de obras de temática LGBTQ;
Marissa Meyer, americana que escreveu a série “As crônicas lunares”, com versões futuristas de Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel e Branca de Neve;
Beth Reekles, autora de “A barraca do beijo”, que inspirou o filme de mesmo nome e faz bastante sucesso entre os jovens;
Tessa Dare, escritora best-sellers conhecida por seus romances de época e eróticos;
A.J. Finn, autor de “A mulher na janela, que vai ser adaptado para o cinema com Amy Adams na pele da protagonista;
Lauren Blakely, ameriana que escreveu a série “Big Rock”;
Yoav Blum, israelense que assina o best-seller “Os criadores de coincidências”;
Charlie Donlea, escritor americano autor de “A garota do lago” e “Deixada para trás”;
Soman Chainani, americano conhecido pela série “A escola do bem e do mal”.

A partir da esquerda: Victoria Aveyard, Soman Chainani, Yoav Blum e Lauren Blakely, os primeiros autores internacionais anunciados na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Divulgação)

2. Autores brasileiros

Ziraldo (Foto: Gustavo Garcia/G1)

O time de escritores brasileiros da Bienal também é forte. Vão estar presentes, por exemplo:

Mauricio de Sousa, criador da “Turma da Mônica”;
Ziraldo, “pai” do Menino Maluquinho e de muitos outros personagens;
O escritor e cronista Antonio Prata;
O best-seller de livros policiais Raphael Montes;
Julián Fuks, um dos mais premiados jovens escritores do país, autor de “A resistência”;
Luiz Ruffato.

3. Convidados de fora da literatura

Fernanda Montenegro (Foto: Divulgação/Walter Craveiro)

Como costuma acontecer em outras edições, a Bienal do Livro de 2018 também abre espaço a convidados de outras áreas que não a literatura.

Desta vez, vai haver por exemplo um show do Moraes Moreira. É nesta sexta-feira (3), em um espaço reservado a cordelistas e repentistas que vai receber músicos do Nordeste durante todos os dias do evento.

Outros artistas escalados para passar pelo Anhembi são Fernanda Montenegro e a turma do “Casseta & Planeta”.

4. Espaço Infantil

O ator e escritor Lázaro Ramos (Foto: Divulgação)

O quarto destaque é o espaço infantil da Bienal, que é inspirado no “Livro das mil e uma noites”. Por lá, vão passar nomes como Lázaro Ramos e Ana Maria Machado.

Contos, mitos e fábulas devem orientar as atividades do local, que certamente será uma das principais atrações de todo o evento, já que o público infantil é tradicionalmente um dos mais assíduos da Bienal.

5. Debates sobre temas atuais

Djamila Ribeiro (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)

O quinto destaque da Bienal é o espaço chamado Salão de Ideias, dedicado a debates sobre temas da atualidade, como feminismo e racismo.

Por lá, vão passar nomes como a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, a escritora Ana Maria Gonçalves, a escritora e jornalista Miriam Leitão, a atriz e escritora Maria Ribeiro e o poeta Fabrício Carpinejar.

Veja, abaixo, os principais espaços culturais da 25ª Bienal do Livro

Arena Cultural – receberá best-sellers nacionais e internacionais, como A. J. Finn, Victoria Aveyard, Soman Chainani, Yoav Blum, Tessa Dare, Lauren Blakely, Charlie Donlea, David Levithan, Marissa Meyer, Fernanda Montenegro, Mauricio de Sousa, Bela Gil, Marcos Piangers, Walcyr Carrasco, Adriana Falcão, Ziraldo, e turma do “Casseta & Planeta”

Arena de Autógrafos – receberá os autores que se apresentarão na Arena Cultural para sessões de autógrafos com fãs.
Salão de Ideias – discussões sobre temas atuais (como fakenews, lideranças negras, o protagonismo da mulher negra, abolição da escravatura e feminismo) e artes (literatura, música, cinema). Gêneros literários também vão ser discutidos, casos de crônicas (com Miriam Leitão e Antônio Prata), poesia (Ryane Leão e Alice Sant’ Anna) e romance policial (Raphael Montes e Vitor Bonini).

Espaço Infantil – chamado “Tenda das Mil Fábulas”, teve o nome escolhido em homenagem ao nosso convidado de honra da Bienal, Sharjah, nos Emirados Árabes. É uma referência a uma obra bastante representativa na cultura árabe: o “Livro das Mil Fábulas”, conhecido no ocidente como o “Livro das Mil e Uma Noites”. O espaço deve ter atividades em torno de fábulas, lendas, histórias, contos e mitos. Entre convidados, estão Ana Maria Machado, Lázaro Ramos, Ziraldo, Mauricio de Sousa, Daniel Munduruku, Cristino Wapixana e Yaguarê.

Auditório Edições Sesc São Paulo – espaço para encontros criados a partir dos livros das Edições Sesc e dos temas da programação. Estão previstos debates sobre cinema, música, filosofia, história, arquitetura, meio ambiente e antropologia, dentre outros assuntos.
Espaço Cordel e Repente – espaço com presença de cordelistas e repentistas de oito estados do Nordeste, além de poetas radicados em São Paulo, Rio e Brasília. Vai ter oficinas, debates e encontros com autores. Dentre os convidados, estão Moraes Moreira, Socorro Lira, Maciel Melo e Bráulio Tavares.

BiblioSesc (Praça da Palavra e Praça de Histórias) – duas praças, com caminhões biblioteca e atividades para o público, terão saraus, contação de histórias e slams, além de espetáculos de música e literatura. Elisa Lucinda, Eva Furnari, Xico Sá e Sergio Vaz estão entre os convidados.

Cozinhando com Palavras – espaço com debates, aula-show e bate-papos sobre a relação da gastronomia e cultura (incluindo literatura. Diversidade, questões sociais e patrimônio cultural devem estar na pauta. O chef colombiano Juan Manuel Barriento, do El Cielo, que trabalha com a capacitação de ex-guerrilheiros e refugiados, vai estar presente. Outros convidados são Morena Leite, Gabriela Kapim, Thiago Castanho, Tereza Paim, Ivan Achcar, Breno Lerner, Janaina Rueda, Olivier Anquier, Rodrigo Oliveira e o apresentador Zeca Carmago.

25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Quando: de 3 a 12 de agosto
Onde: Pavilhão Anhembi (Pavilhão de Exposições do Anhembi, Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana)
Ingressos: R$ 20 (com meia-entrada) de segunda a quinta-feira; e R$ 25 (com meia-entrada) de sexta-feira a domingo.
Site oficial: www.bienaldolivrosp.com.br

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Siga pegadas deixadas por Jorge Amado em suas férias de verão no Recife

0

Casario da rua da Aurora diante do rio Capibaribe, no centro do Recife 
Marcos Michael/JC Imagem

Temporada do escritor baiano na cidade rendeu frutos literários e inspira passeios

Fernando Granato, na Folha de S.Paulo

Recife

Não foi nas ladeiras e nos becos escuros do Pelourinho, nem na orla do cais de Salvador (BA) que surgiu um dos personagens mais lendários de Jorge Amado (1912-2001), escritor que divulgou para o mundo as histórias da Bahia.

A inspiração para compor Quincas Berro D’Água, o pacato chefe de família que se tornou um beberrão inveterado, veio de um cachaceiro que frequentava as areias da praia do Pina, no Recife (PE).

Jorge Amado costumava passar as férias de verão com a família na capital pernambucana. Hospedava-se na casa dos amigos Laís e Ruy Antunes, na cidade. Ou na do casal Dóris e Paulo Loureiro, na praia de Maria Farinha, distante 30 quilômetros. Assim foi entre 1959 e 1962.

Em seus livros de memórias, Zélia Gattai (1916-2008), mulher do escritor, lembrou-se das temporadas pernambucanas que renderam frutos literários. A casa da cidade era “imensa”, à beira do rio Capibaribe.

“Mangueiras frondosas, chão forrado de mangas de tudo quanto era qualidade”, recordava a escritora em seu livro “Chão de Meninos”.

Zélia salientou ainda que Jorge Amado gostava de perambular pelas pontes sobre o rio e de visitar o centro antigo.

No mesmo livro, ela conta que bastava correr a notícia de que Jorge Amado estava na terra para chover convites para almoços e jantares.

“Visitávamos Gilberto Freyre no Solar dos Apipucos, bebíamos a cachaça de pitanga, almoçávamos com ele e Magdalena (sua mulher)”, escreveu ela. A casa do autor de “Casa Grande e Senzala”, morto em 1987, virou museu e pode ser visitada de segunda a sexta, das 9h às 16h30. O ingresso é R$ 10 (rua Dois Irmãos, 320).

Mas o que Jorge Amado gostava mesmo em suas temporadas pernambucanas era de “jogar pôquer e arengar com os amigos”, conta a pintora e poeta Tania Carneiro Leão, 82, testemunha dessas estadas no Recife.

Tania é viúva do poeta Carlos Pena Filho (1929-1960), a pessoa que comentou com Amado sobre a existência do boêmio da praia do Pina, figura usada em “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água”, novela que ganhou o mundo.

“Carlos, em meio ao carteado, disse que conheceu num boteco do Pina um cachaceiro convicto, que achou que uma garrafa continha cachaça e quando viu que era água deu um grito desesperado e cuspiu, dizendo que era alérgico àquele líquido insípido”, contou Tania. “Foi o bastante para Jorge guardar a história e registrar em sua novela. Ele adorava ouvir histórias e depois as usava em seus livros.”

Zélia Gattai, ainda no livro “Chão de Meninos”, lembrou que em 1959 seu marido, Jorge Amado, recebeu do amigo artista Carlos Scliar (1920-2001) a encomenda para escrever uma história curta para a revista Senhor. Como o escritor acabara de retornar das férias pernambucanas, tinha fresco na memória o caso narrado pelo poeta Pena Filho.

“Dentro de Jorge ficara o que ouvira em Pernambuco nas conversas de sotaque, conversas sem compromisso, conversa de quem não tem o que fazer, conversa de preguiça”, disse Zélia. “Daí saíra ‘A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água’, em dois dias, nem mais, nem menos.”

Quando a história foi publicada, em 1959, o escritor a dedicou aos amigos: “Para Laís e Ruy Antunes, em cuja casa, pernambucana e fraternal, cresceram, ao calor da amizade, Quincas e sua gente”.

O cenário em que vivia o sujeito que inspirou o personagem de Jorge Amado, a praia do Pina, é local pouco frequentado pelos turistas.

Fica numa área caracterizada por uma linha contínua de arrecifes, paralela à orla, na altura de Brasília Teimosa, a maior favela da cidade.

Os habitantes, sobretudo pescadores, têm forte ligação com o mar. Jangadas ancoradas junto à areia mostram que a economia local ainda depende muito do peixe.

Aos domingos, a praia ganha efervescência com o forró vindo dos barzinhos pé na areia. Uma infinidade de caldinhos e frutos do mar fresquinhos sai das panelas diretamente para as mesas. Os preços são mais em conta do que na vizinha Boa Viagem. Um espetáculo à parte é o trabalho dos garis, no fim do dia. Ao som de Reginaldo Rossi, o Rei do Brega, eles exercem seu ofício com uma alegria que só os pernambucanos sabem ter.

Quando estava hospedado no Recife, Jorge Amado gostava de frequentar o restaurante Leite, no centro (praça Joaquim Nabuco, 147), o mais antigo do Brasil ainda em funcionamento.

Inaugurado em 1882, quando o Brasil ainda tinha escravos e era governado por Dom Pedro 2º, o local conserva suas bandejas de prata e guardanapos de algodão puro.

Mas não era isso que agradava Jorge Amado. O que despertava seu interesse era o entra e sai de gente conhecida, como os escritores Gilberto Freyre (1900-1987), José Lins do Rego (1901-1957) e Ariano Suassuna (1927-2014), o escultor Francisco Brennand e o pintor Cícero Dias (1907-2003). Ou até estrelas internacionais como o filósofo francês Jean Paul Sartre e o escritor inglês Aldous Huxley.

As conversas na mesa do restaurante varavam as madrugadas e alguns dos casos ali acontecidos foram registrados por Jorge Amado.

Um deles foi citado numa carta para Zélia Gattai, em julho de 1959. “Ontem jantávamos, à noite, no Leite”, contou. “No outro extremo da sala, numa mesa grande, jantava uma família. Dessa mesa saíram duas meninas, de uns 10 ou 11 anos, e vieram me pedir um autógrafo num caderno de notas.”

Na carta, Jorge Amado diz que, quando seu grupo pediu a conta, já estava tudo pago pelo pai das meninas que pediram o autógrafo.

“Chamamos o garçom para pagar, mas em vez da conta, ele trouxe uma garrafa de champanhe Viúva Clicquot, francesa legítima”, escreveu. “Serviu-nos declarando que o jantar nosso estava pago pelo doutor José Paulo Cavalcanti, meu leitor e pai das duas meninazinhas.”

Entre as especialidades da casa, o baiano apreciava a pernambucana sobremesa cartola, feita com banana frita sob camada calculada de queijo de manteiga, regada com nuvem de canela e açúcar. “Jorge era um glutão”, lembra a pintora e poeta Tania Carneiro Leão.

Praia de areias fofas, Maria Farinha tem mangues e coqueirais  

Calção de banho, pé no chão, lá ia Jorge Amado atrás de uma conversa com os nativos. Assim era a rotina do escritor na praia de Maria Farinha, distante cerca de 30 quilômetros do Recife, onde se hospedava com a família, nos verões, na casa do amigo Paulo Loureiro.

Jorge conheceu a casa numa viagem a trabalho em 1959 e programou passar ali, com a família, as férias seguintes de verão. “Hoje fui à praia de Maria Farinha com Paulo Loureiro”, escreveu ele à mulher, Zélia Gattai, em 18 de novembro daquele ano. “É lugar lindo e creio que gostarás.”

As lembranças dessas estadas foram depois registradas por Zélia, em seus livros de memórias. Em “A Casa do Rio Vermelho”, a escritora recordou que a praia era quase deserta, boa para pescaria. “Não precisávamos ir longe para trazer peixe”, escreveu. “Da praia, ali mesmo defronte à casa, era só atirar o anzol e recolher em seguida o peixe se debatendo.”

Jorge Amado, segundo a sua mulher, não aderia às pescarias nem às caminhadas. “Seu divertimento era outro.” “Preferia descansar deitado na rede do terraço, ouvindo as histórias dos empregados da casa e de pescadores que apareciam lá na hora da preguiça.”

A praia, de areias brancas e fofas, se estende por quatro quilômetros, cercada por coqueirais e mangues.

Antigo reduto hippie, é hoje repleta de condomínios e costuma encher aos finais de semana.

Para quem gosta de história, vale conhecer as igrejinhas de Nossa Senhora do Ó e de Nossa Senhora da Conceição dos Milagres, além do Forte do Pau Amarelo, erguido no século 18.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Nova Fronteira lança coletânea especial de Sherlock Holmes com histórias de Stephen King e Neil Gaiman

0

Victor Tadeu, no Desencaixados

Sherlock Holmes é um personagem detetive criado pelo médico Sir Arthur Conan Doyle, apesar de ser muito antigos vários casos estão sendo desenvolvidos para Holmes investigar. Em uma edição especial a Nova Fronteira estará publicando contos escritos por Arthur Conan Doyle, na qual, estará envolvendo histórias também escritas por Stephen King, Neil Gaiman e Anthony Burgess. A informação é do Omelete.

A coletânea contará com dois volumes, em seu primeiro os leitores irão encontrar alguns textos de autores contemporâneos, na qual, histórias curiosas onde o tão conhecido detetive não se encontra presente, porém, por outro lado, também será remediada com contos que ele sai de sua zona de conforto, ou seja, também vai haver outro cenário sem ser Londres no século XlX.

O segundo volume os consumidores da coletânea irão deparar com histórias engraçadas e sátiras, onde o personagem é bastante envolvido. Além disso, a 2a edição de As Aventuras de Sherlock Holmes mostrará contos de grandes autores de mistério bem reconhecidos no passado. Ambas as coletâneas estarão sendo publicadas durante Agosto pela Nova Fronteira.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Go to Top