Orgulho & Preconceito

Você quer aprender de forma independente? 15 dicas para se tornar um melhor autodidata

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Publicado no Amo Direito

Curiosidade e força de vontade são as principais características de quem gosta de aprender de forma independente. Confira 15 dicas para se tornar um melhor autodidata.

De certa maneira, todos somos aprendizes independentes ou autodidatas. Temos a capacidade de aprender diversas coisas sem a necessidade de um professor ou mestre ao nosso lado e conseguimos, pela lógica e esforço particular, assimilar os mais diversos assuntos e questões. É claro, não há necessidade alguma de se isolar dos outros quando a colaboração mútua ajuda você a aprender. Mesmo assim, é importante manter a motivação e conferir as seguintes dicas para que você possa se tornar um melhor autodidata:

Quando você deseja aprender algo que realmente gosta e transformar um hobby em algo mais sério ou profundo, mantenha expectativas realistas.

1 – Aproveite as oportunidades online
Você conhece o movimento OpenCourseWare? Ele já reúne mais de 200 universidades por todo mundo, entre elas, Harvard, Stanford, MIT e Yale, que disponibilizam vídeos-aula e outros conteúdos educacionais online e gratuitos. Para conhecer mais essa iniciativa e saber como ela ajuda você a se tornar um autodidata melhor, confira aqui.

2 – Estabeleça metas claras e alcançáveis
A educação independente não possui nenhuma estrutura pré-estabelecida ou formalizações, pelo contrário, é você quem toma essas decisões. Esse aspecto pode ser tanto positivo quanto negativo dependendo, é lógico, de como você irá lidar com ele. Para isso, estabeleça metas e objetivos realistas, sólidos e claros, mas seja responsavelmente flexível.

3 – Bibliotecas
Ser membro de uma biblioteca é essencial para autodidatas. A internet pode trazer milhares de informações ao alcance de um clique, mas ainda assim, as bibliotecas são extremamente úteis para quem deseja mais conhecimento. Não só pelos livros e outros materiais, mas também pelo ambiente que auxilia você a se concentrar.

4 – Auto-avaliação
Estudantes independentes bem sucedidos precisam saber como avaliar suas habilidades antes de passar para as próximas etapas. Você pode encontrar maneiras de fazer isso em cursos opencourse oferecidos por universidades ou desenvolver os métodos que melhor se encaixam com seu perfil.

5 – Seja realista
Quando você deseja aprender algo que realmente gosta e transformar um hobby em algo mais sério ou profundo, mantenha expectativas realistas. Algumas vezes emergências e desilusões podem surgir e é necessário que você não deixe que isso se torne uma fonte de estresse e ansiedade desnecessários.

6 – Tenha consciência de si mesmo
Essa dica se encaixa com a de cima, mas de uma maneira mais introspectiva. Você precisa ter consciência de suas fraquezas e pontos positivos e prevenir que possíveis problemas e obstáculos desanimem e prejudiquem seu desempenho.

7 – Administração do tempo
Aprender de forma independente exige do autodidata o maior comprometimento de tempo que ele se permitir ou conseguir alcançar, seja esse período minutos ou horas por dia. Manter-se comprometido a um cronograma e minimizar as distrações vai ajudar você a se manter mais eficiente. Listas, calendários e outros materiais podem ajudar você com essa tarefa.

8 – Desafie-se
Uma das estratégias mais eficientes para aprender e se manter motivado é estar se desafiando constantemente. Procure informações novas, pessoas que podem motivar você a seguir em frente, exemplos de superação e quaisquer outras ferramentas que podem ajudá-lo.

9 – Descanse
Relaxar – não necessariamente dormir – fortalece o cérebro e facilita o processo de retenção de informações. Quando uma sessão de estudos é muito extensa, faça pausas e envolva-se em alguma atividade mais simples.

10 – Seja mobile
Se sua condição financeira permitir, é claro, você pode usar os momentos em que está longe de casa para estudar usando seu celular ou tablet. Há diversos aplicativos especialmente desenvolvidos para ajudar você a aprender mais e melhor.

11 – Tenha uma alimentação equilibrada
Assim como o resto de seu corpo, seu cérebro precisa de nutrientes e substâncias específicas para funcionar bem. A memória, raciocínio, capacidade de concentração e tantas outras habilidades dependem de hábitos alimentares saudáveis. Evite o uso de estimulantes, como café e energéticos e evite alimentos gordurosos e com muito açúcar.

12 – Pratique exercícios físicos
Participar de alguma atividade física ajuda você a manter seu cérebro saudável, já que o ajuda a processar melhor os estímulos e informações recebidas externamente. As atividades aeróbicas, especialmente, ajudam a moldar as habilidades cognitivas, muito necessárias para o aprendizado.

13 – Motivação
O fato de que você está engajado em uma atividade de aprendizado independente já demonstra certo grau de motivação, porém, mesmo assim, ela deve ser sempre mantida e alimentada. Manter um padrão, regras ou cronograma de estudos ajuda você a perseverar mesmo quando os objetivos parecem estar longe demais para serem alcançados.

14 – Estude ao ar livre
Pensar “fora da caixa” nunca fez tanto sentido. Saia de espaços confinados e métodos ortodoxos de aprendizado e experimento outros ambientes de estudo, ao ar livre, com paisagens e maior visibilidade do que as paredes do seu quarto.

15 – Bloqueie a negatividade
Se você começou esse curso sozinho, nada pode exigir de você que o finalize. Se perceber que não está conseguindo conciliar todas as suas responsabilidades com o curso, interrompa o processo e retome quando tiver o tempo disponível. O importante é que tudo seja feito com uma mentalidade positiva, sem cobranças exageradas ou expectativas fantasiosas.

Autor: Universia Brasil

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14ª Flip aposta em autores que vão além da ficção

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Walter Carvalho, Patrícia Campos Mello, Benjamin Moser e Caco Barcellos estão confirmado na Flip Foto: Divulgação / Reprodução / Reprodução

Walter Carvalho, Patrícia Campos Mello, Benjamin Moser e Caco Barcellos estão confirmado na Flip Foto: Divulgação / Reprodução / Reprodução

 

Conheça alguns dos destaques da edição da festa literário em 2016

Publicado no Zero Hora

Em 2015, o Nobel de Literatura contemplou pela primeira vez o jornalismo. A premiação parece ter inspirado também a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que anunciou a presença de importantes autores de não ficção entre os convidados da sua edição deste ano, de 29 de junho a3 de julho – entre eles, a vencedora do Nobel no ano passado, a repórter bielorrussa Svetlana Aleksiévitch. A lista de todos os participantes da Flip será divulgada em 3 de maio, mas alguns nomes já foram confirmados. Saiba mais sobre as atrações que combinam criação literária com rigor jornalístico em seu trabalho.

Caco Barcellos
Rosto conhecido do grande público por seu trabalho como jornalista da Rede Globo, o gaúcho Caco Barcellos também é autor de alguns dos mais prestigiados livros–reportagem brasileiros. Barcellos já recebeu dois prêmios Jabuti de não ficção, o primeiro deles em 1993, por Rota 66: A História da Polícia que Mata, sucedido por Abusado, O Dono do Morro Dona Marta, em 2004 – além de premiados, ambos foram best-sellers na época em que foram lançados. Ele também é autor do menos conhecido Nicarágua: A Revolução das Crianças, seu livro de estreia, escrito em 1982 a partir da experiência de ter sido refém dos sandinistas. Caco Barcellos estará em Paraty para lançar Profissão Repórter 10 Anos, sobre o programa que comanda na Globo desde 2006. Realizado a partir de entrevistas com 40 repórteres que fizeram ou ainda fazem parte da sua equipe, o novo livro de Barcellos retrata o exaustivo trabalho dos jovens jornalistas em busca de reportagens mais aprofundadas.

Benjamin Moser
O escritor americano é formado em História e colabora frequentemente com revistas e jornais como o New York Times. Seu trabalho mais conhecido no Brasil é Clarice, (2009), biografia da escritora Clarice Lispector. Moser viajou pelo Brasil, pela Ucrânia – país no qual a escritora nasceu – e por outras partes do mundo para pesquisar detalhes da vida da autora de A Hora da Estrela (1977). Já em 2014, ele lançou o e-book Cemitério da Esperança, ensaio sobre a construção de Brasília e sua relação com o pensamento brasileiro. Entre seus projetos futuros, está uma biografia da americana Susan Sontag. Na Flip, Moser vai falar sobre seus novos livros, que dão continuidade a projetos anteriores: a edição brasileira de The Complete Stories of Clarice Lispector, coletânea organizada por ele e lançada no mercado estrangeiro; e Auto-Imperialismo, reunião de três ensaios que repensam a história brasileira por meio da arquitetura, sendo Cemitério da Esperança um deles.

Walter Carvalho
Cineasta paraibano, já participou de mais de 30 filmes como diretor de fotografia, entre outras funções. Esteve na equipe de longas de ficção como Terra Estrangeira (1995), Central do Brasil (1998) e Budapeste (2009), mas foi convidado para a Flip por conta de seu trabalho como documentarista. Carvalho é o diretor de Manter a Linha da Cordilheira Sem o Desmaio da Planície, sobre o escritor Armando Freitas Filho. O cineasta e seu biografado serão as atrações da mesa de abertura da Flip. Ambos vão debater a respeito da obra da poeta carioca Ana Cristina Cesar, homenageada desta edição da festa literária. Uma das cenas mais tocantes de seu filme é a leitura de uma carta de despedida que Ana escreveu para Freitas Filho pouco antes do suicídio dela, aos 31 anos, em 1983. Entre outros documentários coassinados por Carvalho, estão também Janela da Alma (2001), sobre pessoas com diferentes graus deficiência visual, e Raul: O Início, o Fim e o Meio (2012), que retrata a vida e a obra do ídolo do rock brasileiro Raul Seixas.

Patrícia Campos Mello
Repórter especial da Folha de S. Paulo, a paulista Patrícia Campos Mello fez carreira em jornais como Jornal da Tarde, Valor Econômico, Gazeta Mercantil e O Estado de S. Paulo, sendo correspondente internacional neste último. Morou por quatro anos em Washington (EUA) e viajou com soldados americanos no Afeganistão, onde também investigou casos de violência contra mulheres. Patrícia está escrevendo atualmente o livro Lua de Mel em Kobani, que deve ser lançado em breve pela Companhia das Letras. A narrativa aborda a guerra contra o Estado Islâmico na Síria, contada a partir de um casal de refugiados, sobreviventes ao cerco da cidade de Kobani, em 2014. Na Flip, a autora vai participar de um debate com o poeta sírio Abud Said, autor de O Cara Mais Esperto do Facebook, reunião de aforismos e poemas que o autor publicava na rede social sobre seu cotidiano em meio à guerra e sua fuga para a Europa – o livro de Said será lançado no Brasil, durante a Flip, pela Editora 34.

Outros confirmados:

Abud Said – Poeta sírio, lança no Brasil O Cara Mais Esperto do Facebook.
Armando Freitas Filho– Poeta carioca, autor de Fio Terra (2000).
Arthur Japin – Ficcionista holandês, lança no país o romance O Homem com Asas.
Helen Macdonald – Romancista inglesa, lança no Brasil o best-seller internacional F de Falcão.
Ramon Nunes Mello – Jovem poeta fluminense, considerado herdeiro da poesia marginal.
Tati Bernardi – Roteirista e cronista paulista, autora do recém-lançado Depois a Louca Sou Eu.

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Arma de instrução em massa: um tanque que leva livros

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publicado no ADCT

Apesar do nome, o Dia Internacional do Livro é celebrado em datas distintas em diferentes países do mundo. No Brasil, ele é celebrado no dia 23 de Abril, mas, em alguns países como Reino Unido, acontece na primeira quinta feira de Março, para evitar que caia na mesma data que a Páscoa.

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Na Argentina, em 2015, o Dia Internacional do Livro caiu em 5 de Março. Para celebrar a data, a 7Up contratou o artista Raul Lemesoff para criar um tanque de guerra, mas não para causar destruição e sim para levar livros.

Lemesoff, que costuma chamar suas criações de “Armas de Instrução em Massa”, começou com um Ford Falcon de 1979, adaptando o seu exterior para que fosse possível carregar até 900 livros que seriam distribuídos gratuitamente pelas ruas de Buenos Aires, contanto que quem os receba prometa lê-los.

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Para quem não gosta de ler

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Machado de Assis e Guimarães Rosa deveriam ser lidos por leitores ainda ‘virgens’?

Raphael Montes, em O Globo

No último sábado, 23 de abril, comemorou-se o Dia Mundial do Livro, criado pela Unesco para encorajar as pessoas, especialmente os jovens, a descobrir os prazeres da leitura e a conhecer a enorme contribuição dos autores de livros através dos séculos. A data foi escolhida pelo fato de que, neste dia do ano de 1616, morreram Miguel de Cervantes, William Shakespeare e Garcilaso de la Vega. Outros escritores importantes também nasceram ou morreram em 23 de abril, como Maurice Druon, Vladimir Nabokov, Manuel Mejía Vallejo e Josep Pia.

Tenho íntima relação com os livros e não poderia deixar de aproveitar o espaço desta coluna para comemorar a data. No entanto, tomado pelo espírito da festividade, direciono este texto não aos meus pares — aqueles apaixonados por livros, que devoram as páginas para mergulhar em um novo mundo —, mas sim àqueles que não gostam de ler; que acham chato, monótono ou perda de tempo. Faça ao menos um esforcinho e chegue ao final deste texto. Quem sabe assim a gente não tem uma boa conversa?

Antes de tudo, é importante dizer que eu o entendo. Mais do que isso, até meus 13 anos, eu era como você: havia lido apenas alguns livros obrigatórios do colégio e não extraía qualquer prazer daqueles clássicos. Conhecimento eu até extraía, vá lá, mas ninguém gosta de conhecimento sem algumas doses de diversão aos 13 anos de idade. Nesta coluna, já escrevi sobre como as leituras escolares são grandes responsáveis pela formação de não-leitores no Brasil. Não pretendo me repetir. Mas, apenas para retomar o conceito, acredito que os principais erros estão no momento e na abordagem das leituras escolares.

Não há dúvidas de que Machado de Assis e Guimarães Rosa escreveram grandes livros, mas não canso de me perguntar se esses livros deveriam ser lidos por leitores ainda “virgens”, em processo para adquirir o hábito de pegar um livro e ler por vontade própria. A meu ver, o correto é que aquele que não gosta de ler comece por um texto mais simples, mais divertido, e, aos poucos, chegue a autores mais complexos e ricos na linguagem e no tema.

Em geral, esta caminhada inicial pelo mundo da literatura fica mais fácil quando encontramos um guia experiente. Não tenho dúvidas de que existe o livro certo para cada leitor — você pode achar chata aquela história de fantasia, mas se deliciar com aquela de terror ou com outra que narra uma saga familiar. Há os que preferem uma linguagem mais seca e direta, e há os que se encantarão com textos poéticos e rebuscados. A literatura abraça um mundo absolutamente democrático, repleto de possibilidades. Basta procurar com atenção até encontrar seu livro-alma-gêmea.

Quando eu tinha 12 anos, num fim de semana chuvoso, minha tia-avó Iacy me entregou um exemplar de “Um estudo em vermelho”, do Conan Doyle. Decidi ler mais pelo carinho que nutria por ela do que pela vontade de enfrentar o livro. Naquela madrugada, minha vida mudou. Meu interesse pela literatura nasceu (em especial, pela literatura de mistério) e decidi que seria escritor.

Naturalmente, não é assim que acontece com todo mundo. Em casa, meus pais não gostavam de ler e não compravam livros. Com o passar dos anos, decidi ser o guia de minha mãe. Comecei com os romances de Martha Medeiros e Walcyr Carrasco: leves, divertidos e gostosos de ler. Aos poucos, sem cobranças, entreguei livros de Amóz Óz e Italo Calvino — e ela também os devorou. Foi assim que conquistei uma nova leitora lá em casa.

Com meu pai, não foi tão fácil. Apresentei literatura policial: muito violenta. Literatura fantástica: muito surreal. Literatura romântica: muito água com açúcar. Biografias: muito detalhamento. Então, decidi atacar pelos assuntos de que ele mais gostava: turismo, samba e cervejas. Consegui um guia do Rio de Janeiro com pegada literária, que foi rapidamente devorado. Agora, dei de presente “Desde que o samba é samba”, de Paulo Lins. Vamos ver no que vai dar.

Conheço, ainda, muita gente que adorava ler na infância e na adolescência, mas acabou perdendo o hábito, sugado pelos compromissos. É claro que a vida adulta devora nosso tempinho de lazer, mas sempre dá para encontrar um jeito de voltar aos livros — nem que seja cortando um pouco as horas gastas nas redes sociais. Por isso, para comemorar o Dia Mundial do Livro, quero propor um desafio a vocês.

Àqueles que costumavam ler, mas perderam o hábito, que passem na livraria mais próxima e comprem o lançamento que chamar sua atenção. Comecem a ler nesta mesma noite (e tentem terminar até meados de maio, no máximo!).

A quem já gosta de ler, o desafio é outro: nas próximas semanas, conquiste um novo leitor. Seja paciente e evite a imposição. Ler deve ser prazeroso, antes de tudo. Busque indicar gêneros que vão ao encontro do perfil do leitor. Perguntar quais seus filmes e músicas favoritos costuma ajudar a encontrar o livro ideal.

Por fim, o desafio aos que não gostam de ler: permita-se viver essa experiência. Comece por algum livro cuja história o atraia. Se não gostar, pule para outro, sem medo de largar no meio. Experimente livros de todos os gêneros e estilos, desde suspense até poesia. Existe um universo incrível a ser desvendado. Vá em frente sem medo de ser feliz!

 

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9 lições que ‘Spotlight’ te ensina sobre o jornalismo

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Flávia Marreiro, no El País

Não chega a ser uma heresia usar o formato consagrado pelo BuzzFeed, o símbolo do reino da Internet, para falar sobre Spotlight, o indicado ao Oscar de melhor filme em 2016 que já nasce um clássico do jornalismo. O filme é uma homenagem às redações de jornal, esses lugares românticos e duros e tão deliciosamente século 20, mas traz também lições perenes para jornalistas de todas as épocas e para os milhões de ombudsmen da imprensa nas redes sociais. CONTÉM SPOILERS.

1 – É o sistema, estúpido

1453227211_733111_1453491176_sumario_normal_recorte1Chega ao Boston Globe Marty Baron (Liev Schreiber), um diretor de fora com fama de cortador de vagas, e ele poderia ser só isso mesmo. Mas o filme recorda o poder de armas imprescindíveis para o jornalismo: desnaturalização e distanciamento. Quando o editor resolve revisitar um tema com novo ângulo e novos recursos é que a mágica acontece. O maior dos especialistas e cavador de notícias exclusivas vai sempre precisar de alguém para fazer as perguntas básicas e não tão básicas. O “follow the money” (siga o dinheiro), a lição clássica do Todos os Homens do Presidente (1976) para o escândalo que derrubou Richard Nixon, se soma ao “get the system” (mostre os problemas do sistema). Poderia ser mais uma história sobre maçãs podres na Igreja Católica e virou uma reportagem sobre o sistema corrompido da instituição com impacto mundial. Reflita: quem está na cadeia de comando das atrocidades que vemos por aí?

2 – Agradeça a essa gente mal vestida e monotemática

JLHGw5Raramente há grandes reportagens com informações exclusivas – por definição, algo que alguém poderoso não queria que viesse a público – se não há por trás um jornalista que se obcecou por um tema, ficou até mais tarde, provavelmente brigou com familiares e amigos por causa disso, encheu o saco de alguém, talvez o do próprio editor. Enfim, virou monotemático. De quebra, o filme revela ainda outra dura verdade: somos uma classe que se veste mal. Pobre da atriz Rachel McAdams com 1453227211_733111_1453484588_sumario_normal_recorte1essas pantalonas horrendas (descontado o custo fim dos 90, aqui o que New York Times escreveu sobre isso). Seja como for, uma salva de palmas para esses bravos pelo mundo, e uma reflexão da ombudsman da Folha, Vera Guimarães: jornalismo investigativo é o mais caro e o que mais sofre com a crise do modelo de negócios do setor.

3 – Os cínicos não servem para essa profissão

Se você, como eu, saiu do cinema frustrado por nunca ter feito uma reportagem que abalasse a República, console-se pensando que o sol nasce para todos. Há os que veem as árvores, há os que veem as florestas – o jornalismo precisa dos dois. A equipe do Spotlight tinha o Mike Rezendes (Mark Ruffalo) no braço investigativo, mas tinha Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams) na rua. Sem ela, sua entrega e seu esforço de empatizar com o entrevistado, faltaria uma peça importante. Pfeiffer lembra, como diria o jornalista polonês Ryszard Kapuscinski, que os cínicos não servem para essa profissão.

4 – Vai mesmo ignorar o doido de redação?

l5c1UEO filme redime um personagem típico: o doido da redação. Todo veículo enfrenta milhares de telefonemas e e-mails prometendo o furo (a notícia exclusiva) do milênio, assim como ativistas e especialistas (verdadeiros e fakes) nos mais variados temas. O filme prova que o Boston Globe errou ao ignorar o insistente Phil Saviano e sua pequena associação das vítimas de abuso. Jornalismo requer paciência e curiosidade, mesmo quando isso é um desafio.

5 – Há mudanças e mudanças

Já no final do filme, os jornalistas comemoram poder publicar na Internet a cópia dos documentos sobre os casos de abusos e pedofilia e o efeito multiplicador que isso teria. É um índice do que a Internet ofereceria ao jornalismo já naquele longínquo 2001. Além de bagunçar o modelo de negócios do jornalismo do século 20, a rede trouxe muito mais gente para a conversa, novos formatos e possibilidades. Há temas que, não adianta torcer o nariz, vão ficar melhor em listas tipo BuzzFeed: dos dez mandamentos às melhores cenas de gatos. E para outros não há como escapar da reportagem. Marty Baron, o diretor do jornal filme, agora comanda mudanças no Washington Post.

6 – Que notícia você leu sobre a Assembleia de São Paulo?

Exibido nos cinemas, o trailer alternativo é uma meta-homenagem: diretores e atores comentam da importância do jornalismo para a democracia, comentam que o Boston Globe é apenas metade do que era em 2001 e falam do perigo da morte dos jornais locais nos EUA, que fazem um tipo de jornalismo insubstituível. Pense com eles: qual a foi a última notícia que você leu sobre a Assembleia de São Paulo?

7 – O charuto, às vezes, é apenas um charuto

É tarefa do leitor saber o que está lendo, onde está lendo e como as características políticas e ideológicas de quem publica pode influenciar o material. Dito isto, um título que você achou um acinte ou a ausência daquela pauta que ninguém viu, só você diferentão, podem ser apenas produto de um mau dia de um jornalista ou incompetência mesmo. Como diria Freud, o charuto às vezes, é só um charuto. A cara do personagem de Michael Keaton quando descobre que ele mesmo deixou a pauta dos abusos sistêmicos passar sob seu nariz quando era editor é desoladora (e reveladora).

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8 – Bom repórter tem sorte

Alguém alguma vez me disse que bom repórter tem sorte. Se você for obcecado e persistente, você multiplica as chances de sorte, de a fonte amolecer e resolver te contar algo, como em algum momento o ótimo advogado faz com o repórter interpretado por Mark Ruffalo. De acordo. Mas, às vezes, sorte é sorte mesmo. Você disse a palavra certa, na hora certa, estava no lugar certo e fica se sentindo tocado pelo deus do jornalismo.

9 – Independência é melhor que engajamento

A real equipe do furo do 'Boston Globe'.

A real equipe do furo do ‘Boston Globe’.

 

O editor Baron vai até ao poderoso cardeal da Igreja em Boston e diz: é melhor para o jornal ser independente do que seguir na relação de compadrio com a instituição. Deveria ser o básico, mas não é, especialmente em uma época em que muitos leitores cobram adesão às mais diversas causas e partidos e estrilam quando confrontados com qualquer abordagem crítica se o assunto em questão for o de sua predileção.

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