Posts tagged 10 Anos

Garoto de 10 anos lança livro de poemas na Flip; leia entrevista

0

Publicado por Folha de S.Paulo

A literatura entrou cedo na vida de Antonio Perucello Ventura, 10. Aos seis anos, leu a “Divina Comédia”. Aos sete, “Dom Quixote”. Aos nove,”20 Mil Léguas Submarinas”. Sua lista inclui também “Frankenstein”, “Ilíada”, “Odisseia” e “O Pequeno Príncipe”. E agora o garoto lança seu próprio livro de poemas.

Toninho, que mora em Mococa e começou a escrever seus primeiros versos quando tinha cinco anos, lança no próximo sábado (2) no Off-Flip, em Paraty (RJ), seu primeiro livro de poemas: “Toninho, O Poeta A-Ventura”. O evento acontece durante a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que vai de 30 de julho a 3 de agosto.

1

Divulgação / O autor do livro “Toninho, o Poeta A-ventura”, Antonio Perucello Ventura, 10.

“Sempre que lia um livro, eu me sentia parte do texto. Acho muito bom que as pessoas possam sentir o mesmo com algo escrito por mim. Estou muito feliz, ainda mais por lançar meu livro ao mesmo tempo que o novo do meu pai”, conta.

Seu pai, Antonio Ventura, que também é poeta, lança também na Flip “O Guardador de Abismos”, pela sua editora, Toopbooks. Já o livro de Toninho leva é uma edição independente, quanto o autor é responsável pela edição do livro, e será vendido por R$ 15.

O garoto calcula que tenha escrito 27 ou 28 poemas até agora. Desses, 12 estão no livro e falam sobre a lua, a chuva, as estações do ano e outros temas cotidianos.

“As poesias precisam de imagem, emoção e significado. Essas três coisas estão sempre presentes em nosso dia a dia”, justifica.

Outros temas, como mitologia, também servem de inspiração. “Escrevi um poema sobre o renascer das cinzas, por exemplo, que é o que acontece com a fênix.”

Além de escrever, Antonio toca flauta transversal e faz aulas de natação, tênis e futebol. “Também sou apaixonado por ciências, gosto de estudar os átomos, os elétrons e a origem da vida”, conta. Entre as profissões que cogita para o futuro está a de cientista, de escritor e juiz.

Poema do livro que será lançado no dia 2 de agosto em Paraty

Poema do livro que será lançado no dia 2 de agosto em Paraty

Antonio Perucello Ventura, 10, escreveu seu primeiro poema "O Autor" aos 5 anos de idade

Antonio Perucello Ventura, 10, escreveu seu primeiro poema “O Autor” aos 5 anos de idade

Antonio já leu clássicos como "Frankenstein", "Ilíada" e "Odisseia"

Antonio já leu clássicos como “Frankenstein”, “Ilíada” e “Odisseia”

Poema do livro que será lançado no dia 2 de agosto em Paraty

Poema do livro que será lançado no dia 2 de agosto em Paraty

Antonio já leu clássicos como "Frankenstein", "Ilíada" e "Odisseia"

Antonio já leu clássicos como “Frankenstein”, “Ilíada” e “Odisseia”

Antonio Perucello Ventura, 10, escreveu seu primeiro poema "O Autor" aos 5 anos de idade

Antonio Perucello Ventura, 10, escreveu seu primeiro poema “O Autor” aos 5 anos de idade

PARA CONFERIR

Lançamento do livro ‘Toninho, O Poeta A-ventura’
QUANDO 2/8, das 18h às 21h
ONDE Câmara Municipal de Paraty – r. Dr. Samuel Costa, 29, Centro Histórico, Paraty – RJ

Khaled Hosseini: “Não gosto de ler ‘O caçador de pipas'”

0

Dez anos depois de lançar seu romance de estreia, o escritor afegão fala sobre sua carreira literária, sua infância e o futuro de seu país

Danilo Venticinque, na Época

DUAS CASAS Khaled Hosseini em seu escritório, na Califórnia. Ele vive nos Estados Unidos desde a adolescência, mas sempre escreve sobre o Afeganistão (Foto: Steve Schofield/Contour by Getty Images)

DUAS CASAS
Khaled Hosseini em seu escritório, na Califórnia. Ele vive nos Estados Unidos desde a adolescência, mas sempre escreve sobre o Afeganistão (Foto: Steve Schofield/Contour by Getty Images)

Ao vê-lo caminhar pelas calçadas de Milão, onde circula sem ser reconhecido, poucos notariam que Khaled Hosseini, de 48 anos, é um escritor afegão. O terno azul-marinho sem gravata e os sapatos sociais o camuflam entre os executivos que visitam a cidade. Com seu inglês impecável, idioma em que escreve seus livros, poderia se passar por americano. É preciso sentar diante dele e ouvi-lo por alguns minutos para notar as inflexões de um contador de histórias do Oriente e o leve desconforto de quem está longe de casa, cercado por estrangeiros. Como o protagonista de O caçador de pipas, Hosseini deixou o Afeganistão na adolescência, mas o país define sua carreira e sua vida adulta.

ÉPOCA – Para muitos leitores, O caçador de pipas foi a primeira referência ao Afeganistão fora do noticiário sobre o terrorismo. Quanto ele mudou a imagem do país?
Khaled Hosseini –
Existe uma diferença entre o que o autor espera e a vida que o livro acaba tendo. Minha ideia era escrever uma história leve. Estava interessado na vida dos dois protagonistas. Em particular Amir, o personagem principal. Não tinha a intenção de educar o público, até porque não imaginei que o livro seria publicado. Mas era impossível contar a história dos personagens sem explicar o que aconteceu no Afeganistão. A vida dos personagens foi impactada pelo Taleban, como a de outros habitantes do país. Qualquer história ambientada no Afeganistão teria como pano de fundo a guerra, a política e a perda. A situação do país era dramática. Quando meus editores leram o livro, perceberam que havia mais que uma história de dois garotos. Era uma janela para a vida no país. Não sentei para escrever com essa intenção, mas o livro cumpriu essa missão mesmo assim. O lado humano do Afeganistão não aparece no noticiário, só há guerra e violência.

ÉPOCA – Como avalia o livro dez anos depois do lançamento?
Hosseini –
Como afegão, vejo o livro como uma janela para a sociedade do país. Algo que não existia antes. O livro serviu como ponte entre os leitores ocidentais e a vida no Afeganistão. O país se tornou mais real para os leitores. Como escritor, tenho uma relação complicada com o livro. Mudei desde que o escrevi. Estou mais velho, vejo a escrita com outra sensibilidade. Acho difícil ler O caçador de pipas, porque fico tentado a pegar uma caneta vermelha e editar todo o texto. Sou muito crítico. Passaria a leitura inteira pensando em tudo o que poderia ser diferente. Por que fiz isso? Por que fiz aquilo? Melhor deixar o livro em paz.

ÉPOCA – Assim como o protagonista de O caçador de pipas, o senhor nasceu no Afeganistão e se mudou ainda jovem para os Estados Unidos. A adaptação foi difícil?
Hosseini – Cheguei aos Estados Unidos sem dinheiro. Minha família teve de começar a vida do zero. A experiência de ser exilado, de ser um imigrante, de ser desalojado e de perder as raízes é algo que revisito sempre em meus livros. Existe uma tensão permanente entre o exilado e sua terra natal. Por muito tempo, minha família e eu sentíamos que não pertencíamos a lugar algum. Não sinto mais isso. Muitos anos se passaram. Trinta e três anos. Tenho uma casa nos Estados Unidos agora e me sinto confortável lá. E me sinto como um americano quando estou no Afeganistão. Embora tenha nascido lá, saiba ler e escrever no idioma e falar com todos, a realidade de minha vida é muito diferente. Dizer que sou um deles seria ingênuo.

ÉPOCA – Os afegãos o veem como um americano?
Hosseini –
Nunca serei visto por eles como igual. Sempre que visito o país, reconheço isso e me comporto de acordo com essa percepção. Vivo nos Estados Unidos. Não enfrentei o que outros afegãos enfrentaram. Não posso fingir que isso não importa. É parecido com o que eu sentia quando era criança. Havia uma questão de classe. Eu era filho de diplomatas e tinha consciência de que vivíamos uma vida confortável, mas havia pessoas miseráveis nas redondezas. Eu escrevia sobre isso desde a infância.

ocacadordepipas_grdÉPOCA – Qual foi sua sensação ao retornar ao Afeganistão depois de escrever o livro?
Hosseini – O país mudou muito, e mudou de maneiras boas e ruins. As pessoas parecem ser mais realistas em relação ao futuro. As expectativas estão mais baixas. Elas estão desapontadas com o governo, com a velocidade da reconstrução do país, com a pobreza e o desemprego. Estão preo­cupadas com o tráfico de drogas e a corrupção. Mas algumas coisas melhoraram. Em 2001, havia só 1 milhão de crianças na escola. Quase todos eram meninos e recebiam educação religiosa. Agora, temos mais de 7 milhões de crianças na escola, e 35% delas são meninas. A mortalidade infantil diminuiu, e a expectativa de vida cresceu. Escolas e ruas foram reconstruídas. Não é o suficiente para mudar profundamente o país, mas é significativo.

ÉPOCA – Muitos autores escrevem sobre regiões de conflito, mas não se envolvem com o assunto na vida real. O senhor poderia escrever sobre o Afeganistão e viver tranquilamente nos Estados Unidos. Por que decidiu agir de outra maneira?
Hosseini –
Eu dirigia em Cabul, em 2007, e vi comunidades em que as pessoas viviam nas ruas. A situação dos refugiados era desesperadora, e fiquei comovido. Quando entrei no avião para voltar aos Estados Unidos, percebi que me esqueceria logo daquilo. Em poucos dias, aquela memória não seria mais tão chocante. Conversei sobre isso com minha mulher quando cheguei em casa, e surgiu a ideia de fazer algo por essas pessoas, muito parecidas com os personagens de meus livros. Tive muita sorte em minha vida. Quero compartilhar essa sorte com outros afegãos. São algumas das pessoas marginalizadas do mundo. Nosso principal projeto é construir abrigos para refugiados. Também temos programas para ajudar crianças e mulheres, ainda mais marginalizadas. Fazer algo por elas é uma obrigação humana.

ÉPOCA – O senhor sente culpa por ter uma vida tão diferente dos outros afegãos de sua geração?
Hosseini –
Sim, claro. É uma emoção incômoda e inútil, mas pode ter algum efeito positivo. Ela me incentiva a fazer algo.

ÉPOCA – O senhor já escreveu que os afegãos são otimistas. É um traço irreversível da personalidade afegã ou isso pode mudar?
Hosseini –
É por isso que não gosto de ler O caçador de pipas. (Risos.) Discordo dessa frase! O oposto é verdade. Não que os americanos sejam pessimistas, mas os afegãos são extraordinariamente otimistas. Essa frase foi um erro. E isso foi provado em pesquisas. Perguntaram a pessoas de 30 províncias do Afeganistão o que esperavam para o futuro do país. Elas não são ingênuas. Entendem muito bem o tamanho dos problemas que o Afeganistão enfrenta. Mas acreditam que o país está indo na direção certa e que amanhã será melhor que hoje.

ÉPOCA – Hoje a Síria aparece no noticiário com a mesma frequência que o Afeganistão há dez anos. Aprendemos a enxergar melhor o Oriente ou cometemos os mesmos erros?
Hosseini –
O Ocidente continua noticiando as bombas e os protestos. Seria importante olhar também para o custo humano da guerra. O número de refugiados dobrou desde março. São 2 milhões. Eles vivem em países que têm seus próprios problemas. Há 250 mil morando no Líbano. O país não consegue receber essa quantidade de pessoas. O Ocidente tem visto isso como um problema de países vizinhos, mas é um problema internacional. Não vivemos mais num mundo em que o que acontece na Síria não nos diz respeito. É um dos legados do 11 de setembro.

ÉPOCA – Muitos ocidentais ainda acreditam que a democracia é incompatível com o islã…
Hosseini –
Os países do Oriente Médio têm instituições frágeis e muito jovens. São sistemas políticos falhos. Dizer que o povo muçulmano não pode viver numa democracia é uma atitude colonialista e condescendente. As pessoas querem ser ouvidas.

ÉPOCA – A história de Malala, a garota baleada pelo Taleban por tentar ir à escola, não é um exemplo de choque entre islã e democracia?
Hosseini –
Não diria que o Taleban é um representante do islã. Milhões de muçulmanos discordam disso. O Taleban é uma entidade cultural, movido primariamente por motivações étnicas. São religiosos, mas, em sua raiz, o movimento é étnico. Nada no islã diz que as mulheres não podem ser educadas. Nenhum muçulmano informado e digno de respeito acredita nisso. Dito isso, a história de Malala é um símbolo poderoso para quem acredita na democracia. É uma voz para jovens mulheres que querem ter um papel ativo, aprender e contribuir para a sociedade. Certamente, incentivará outras garotas a seguir o mesmo caminho.

ÉPOCA – O que o Afeganistão poderia aprender com a Turquia, um país próximo em que a democracia é mais madura?
Hosseini –
O passado da Turquia a preparou para a consolidação da democracia. É um caminho que o Afeganistão ainda não percorreu e está longe de percorrer. Mas isso pode acontecer. O grande mérito da Turquia foi preservar o Estado laico. Eu ficaria muito preocupado se a Suprema Corte do Afeganistão decidisse adotar a lei islâmica. A religião pode ser uma grande força construtiva e positiva, mas a Constituição não é seu lugar. Nossa Constituição atual dá margem a isso.

ÉPOCA – O escritor Salman Rushdie tornou-se conhecido no Ocidente por suas críticas ao islã. Sua visão de religião é semelhante à dele?
Hosseini – Nunca tive muito interesse em escrever sobre religião. Fui criado num lar quase secular. Meus pais me ensinaram que a religião é algo privado. Não éramos obrigados a rezar ou jejuar. Hoje sou um muçulmano cultural, mas não sou um muçulmano praticante. Acredito que é possível escrever sobre religião e até criticá-la de forma ponderada, sem provocar ou insultar. Mas invejo o fato de os ocidentais poderem discutir livremente o assunto, sem medo de represálias. O mundo islâmico ainda não atingiu esse estágio.

ÉPOCA – O senhor se tornou uma espécie de embaixador cultural do Afeganistão. Sente- se à vontade para criticar o país?
Hosseini –
O dever de um escritor é ser sincero. Se eu começar a escrever sobre o que os outros acham que devo escrever, minha relação com o leitor terá sido corrompida. Tento escrever sobre o Afeganistão da forma mais realista possível. Meus livros provocam reações divididas nos afegãos. Algumas pessoas já escreveram que faço uma apologia da vida ocidental, que sou um agente da CIA e que exploro as tragédias alheias em benefício próprio. Outras gostam de ver o país retratado em meus livros e reconhecem sua realidade. Entendo essas reações. Passei 33 anos sem viver no Afeganistão, depois resolvi escrever um livro sobre a vida no país. As pessoas que continuaram lá por todo esse tempo têm direito a suas opiniões.

ÉPOCA – Sua literatura é oriental ou ocidental?
Hosseini –
Quando cresci, meu livro favorito era O livro dos reis, um épico persa escrito há mais de 1.000 anos. É grandioso, dramático e cheio de mitologia. Esse livro me influenciou muito. Também cresci ouvindo histórias contadas por minha avó e meu pai. Essa tradição da narrativa oral é algo que me define como escritor. Tive algumas influências ocidentais, como os livros de James Bond e os filmes de John Wayne, e vivo no Ocidente. Mas, quando me sento para escrever, a voz e o ritmo são orientais.

ÉPOCA – Quais são seus escritores ocidentais favoritos?
Hosseini –
Alice Munro é uma mulher que admiro muito. É uma contista maravilhosa. Mereceu ganhar o Nobel de Literatura. Li tudo o que ela escreveu. Suas histórias são cheias de mistério. Ela não dá respostas fáceis. O leitor precisa se esforçar para compreender o sentido de suas histórias. Nada termina da maneira como você espera. Também gosto do dominicano Junot Diaz, que escreve com uma musicalidade linda. E convivo com muitos escritores na Califórnia. Alguns se tornaram meus amigos. Isabel Allende é alguém que sempre admirei e se tornou uma grande incentivadora.

ÉPOCA – Todos os seus livros têm personagens afegãos. O senhor se sente obrigado a escrever sobre sua terra natal?
Hosseini –
Sinto a obrigação de escrever livros verdadeiros. Se eu tiver uma história ótima na cabeça e ela for ambientada na Califórnia, não deixarei de escrevê-la só porque as pessoas esperam que eu escreva sobre o Afeganistão. Por acaso, me interessei muito pelo Afeganistão nos últimos dez anos. Talvez não tenha mais uma história a contar sobre o país. Talvez não tenha mais nenhuma história para contar. Toda vez que me sento para escrever, tenho a sensação de que o livro não irá a lugar algum, ninguém vai lê-lo e não tenho nada a dizer. Ter conseguido publicá-los é uma surpresa maravilhosa. Se as pessoas se lembrarem de mim no futuro, serei lembrado como alguém que trouxe o verdadeiro Afeganistão para os olhos do Ocidente. Nada que eu possa fazer em minha carreira mudará isso.

ÉPOCA – Se, daqui a dez anos, o senhor escrever um novo livro ambientado no Afeganistão, que país gostaria de descrever?
Hosseini –
Adoraria escrever um livro em que as guerras, o extremismo e a pobreza não aparecessem. Um livro que pudesse se concentrar apenas nos personagens, sem fazer uma crônica de tragédias e violência. É um caminho longo. Os próximos anos serão difíceis. Mas é disso que o Afeganistão mais precisa, de uma geração que não tenha nascido em meio a conflitos armados e que não veja a violência como algo cotidiano, cujos heróis não carreguem armas. Seria maravilhoso se o país estivesse em paz daqui a dez anos.

Sinal vermelho para os vícios de linguagem

0

Projeto em Maringá busca mostrar a grafia correta das palavras. Para isso, faixas com pequenas lições estão sendo levadas para semáforos e outros locais públicos

1

 

Marcus Ayres, Gazeta Maringá

 

Apesar de incorretas, expressões como “de menor” e palavras como “mindingo” e “seje” são comumente faladas e escritas por muitas pessoas. Buscando evitar a propagação destes vícios de linguagem, um advogado de Maringá iniciou uma campanha para mostrar a grafia correta e esclarecer significados dos termos.

Algumas das lições repassadas pelo projeto
Não existe a palvra “menas”, somente menos

O plural é troféus e não “troféis”

O correto é faz 10 anos e não “fazem 10 anos”

O correto é casa geminada e não “germinada”

O plural é cidadãos e não cidadões

Não se fala “di menor”, mas sim, menor de idade

O certo é meio-dia e meia e não meio-dia e meio

É duzentos gramas e não duzentas gramas

Não é “perca” de tempo, mas perda de tempo

O certo é mortadela e não mortandela”

O correto é cadarço e não “cardaço”

Trata-se do projeto Sinal do Saber. Desde julho, faixas feitas com material reciclável são levadas para locais públicos, principalmente semáforos. Basta o sinal ficar vermelho para que painéis entrem em cena chamando a atenção dos motoristas e pedestres para erros comuns. As mensagens são curtas e diretas como: “O certo é meio-dia e meia e não meio-dia e meio” e “Não é perca de tempo mas perda de tempo”.

“Pensei numa maneira de melhorar o nível cultural de nossa cidade. Sabemos que o desenvolvimento cultural é essencial para uma comunidade ir bem”, explicou o idealizador do projeto, Lutero de Paiva Pereira. O projeto é custeado por empresas e profissionais liberais que se tornaram apoiadores culturais e tem seus nomes divulgados nos painéis.

Atualmente, oito faixas estão em circulação pela cidade, sendo colocadas principalmente em cruzamentos onde existe um fluxo maior de tráfego. A escolha dos pontos é feita a cada fim de semana, levando em consideração a realização de eventos que possam atrair um grande número de pessoas. As mensagens também são fixadas em praças e parques e divulgadas pela internet, na página que o projeto mantém no Facebook www.facebook.com.br/sinal.dosaber.

Ampliação

A receptividade da ação foi tão boa que o projeto já está sendo levado para dentro das empresas. É o caso da Catamarã Engenharia, que está orientando os funcionários a corrigirem certos vícios de linguagem. A proposta também deve ganhar outras cidades, como Cuiabá (MT). “Um empresário de uma rede hoteleira achou a ideia boa e pediu autorização para implementá-la em sua cidade”, revelou Pereira.

Já a Secretaria de Cultura de Maringá autorizou a divulgação das faixas durante o desfile da Independência no próximo dia 7. Com o sucesso do projeto, o idealizador já prepara uma ampliação. Além de evitar erros gramaticais, as faixas devem, em breve, veicular informações sobre o Município e o país, além de outros temas como história mundial.

“Queremos colaborar de alguma forma para termos uma sociedade cada vez mais aculturada, o que implica num trabalho de longo prazo e esforço de muitos. De qualquer forma, se o projeto durar apenas poucos meses, espero que nesse tempo ele tenha se prestado ao fim que motivou sua criação e tenha servido para muitas pessoas.”

Falta de conhecimento

Para a professora de Língua Portuguesa do Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), Débora Azevedo Malentachi, o uso incorreto da língua acaba ocorrendo por causa da simplicidade das pessoas e da falta de conhecimento.

“Muitos desses vícios de linguagem são passados pela família e pelos amigos. A pessoa acaba usando determinadas palavras até para não ser excluída socialmente. Por isso, projetos como o do Sinal do Saber são importantes. Se a pessoa compreende o uso da língua, passa a falar corretamente.”

Débora lembra que mesmo as pessoas que conhecem mais a língua acabam usando palavras gramaticalmente inadequadas. “A língua portuguesa é muito rica. Para se comunicar com maior clareza, é importante conhecê-la”, explicou a professora, que é mestre em Letras.

dica do Jarbas Aragão

Aspirantes a escritor evitam o ‘não’ das editoras recorrendo a prêmios

0

Concursos apresentam ao leitor brasileiro uma nova safra de autores que talvez não entrariam em grandes editoras.

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Há prêmios que reconhecem o trabalho de um escritor ou a qualidade de um livro e dão um respiro à saúde financeira dos literatos – muitas vezes precária, já que é consenso dizer que não se vive da venda de direitos autorais. Nesta terça-feira (13), serão anunciados os finalistas do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, que premia o autor do melhor romance com R$ 150 mil. Há 10 dias, o Prêmio São Paulo de Literatura encerrou as inscrições – concorrem 187 obras. Este ano, ele passa a premiar em três categorias: melhor romance (R$ 200 mil), melhor romance de autor estreante com menos de 40 anos (R$ 100 mil) e melhor romance de autor estreante com mais de 40 anos. O Portugal Telecom, que paga R$ 50 mil aos vencedores das categorias romance, conto/crônica e poesia e mais R$ 50 mil ao melhor dos três, revela até meados de setembro quem está no páreo. Existem outros nessa linha, como o Jabuti, o Paraná, o Benvirá etc.

E há prêmios que priorizam a produção literária de jovens autores ou de autores que nunca publicaram. Os melhores exemplos são os do Prêmio Governo de Minas Gerais, que ainda não lançou o edital deste ano, mas que tem uma opção interessante para jovens escritores mineiros (entre 18 e 25 anos): o autor do melhor projeto de livro ganha R$ 25 mil para tocá-lo adiante. E o Prêmio Sesc, que só aceita originais de autores inéditos nos gêneros romance ou conto.

Desde que foi criado há 10 anos, o Prêmio Sesc apresentou aos leitores brasileiros uma nova safra de escritores que talvez não teriam entrada em grandes editoras. Já revelou 17 escritores das mais diferentes profissões – um professor universitário de química, um servidor público, uma estudante, um redator publicitário, um psicanalista e por aí vai. Pessoas com pouca ou nenhuma circulação pelo mundo literário. Alguns deles ficaram pelo caminho, outros, com esse pontapé, investiram na carreira. É o caso, por exemplo, de Lúcia Bettencourt, André de Leones e Luisa Geisler. Vêm novos nomes por aí – as inscrições estão abertas até 30 de agosto.

A questão do ineditismo é o que difere o Prêmio Sesc e o São Paulo, que também tem uma categoria de autores estreantes – mas neste caso, só concorrem livros já editados. Portanto, de autores que já venceram a primeira barreira.

Acostumado a receber originais, o editor Marcelo Ferroni, da Alfaguara, já foi um autor estreante. Seu Método Prático de Guerrilha saiu pela Companhia das Letras e ganhou o Prêmio São Paulo em 2011 nesta categoria, o que acabou dando mais visibilidade a sua obra. Em 2014, lança, pela mesma editora, Da Parede, Meu Amor, os Escravos Nos Contemplam. Como editor, diz que prêmios podem ajudar um autor, mas que não é só isso o que importa: “Se o autor tem algo no currículo, ou se é indicado por alguém de confiança, isso facilita seu caminho, para que ele seja lido mais rapidamente pelo editor. Mas no final, o que conta mesmo é a qualidade do livro.”

Naquele ano, o São Paulo ainda pagava R$ 200 mil. Já o do Sesc não envolve dinheiro – e isso não importa aos vencedores ouvidos pelo Estado. Mais relevante é, na opinião deles, a oportunidade de ver o livro editado e distribuído pela Record, a maior editora do País. É esse o prêmio. Por sua vez, o Sesc organiza um intenso tour com os vencedores por suas unidades e por outros eventos, como a Jornada de Passo Fundo e a Flip – na programação paralela que a instituição promove durante a festa. Anualmente, o Sesc investe R$ 500 mil nessas ações.

E foi lá em Paraty, no mês passado, que o advogado paranaense Marcos Peres, de 28 anos, fez seu debut literário. Vencedor da última edição do prêmio com o romance O Evangelho Segundo Hitler, ele é exemplo de um novo movimento: de autores que têm preferido encarar outros concorrentes num prêmio do que esperar um milagre ou uma carta-padrão de uma editora negando o original. Quem o inspirou a tomar esse caminho foi o conterrâneo Oscar Nakasato, o professor que, com Nihonjin, seu romance de estreia, venceu o 1.º Prêmio Benvirá e o Jabuti.

Há 10 anos, concurso possibilita a estreia literária de aspirantes a escritor

Mostrar o primeiro livro para um estranho não é tarefa fácil. A carioca Lúcia Bettencourt que o diga. Tímida, ela passou a vida estudando literatura, escrevendo contos e cuidando do marido e dos quatro filhos. Resistia em mostrar sua ficção porque tinha uma carreira acadêmica e achava que passaria vergonha. Seu marido Guilherme ficou sabendo do Prêmio Sesc, que estava então em sua terceira edição, e disse que não havia mais desculpas. Como a inscrição seria feita com um pseudônimo, se não desse certo ninguém saberia. Foi ele quem organizou e imprimiu os textos e inscreveu o livro da mulher.

Mas Guilherme morreu em outubro de 2005, antes de saber que Lúcia tinha vencido – o anúncio seria feiro em março do ano seguinte. “O prêmio foi minha tábua de salvação. Se não fosse por ele hoje eu estaria numa clínica de repouso, pirada”, comenta. Estavam juntos há 36 anos. “Ele se foi, e a literatura me deu sustentação.”

Ela deixou de ser Lúcia, a mulher de Guilherme (ele era executivo de uma grande empresa), e virou Lúcia, a escritora. O luto ela viveu viajando pelas unidades do Sesc. No interior do Paraná, ouviu de um leitor que um de seus contos tinha sido escrito para ele, e essa nova profissão começou a fazer sentido.

Outros livros vieram depois de A Secretária de Borges, e há um mês ela recebeu a notícia de que O Banquete, obra baseada em sua tese, tinha recebido o prêmio da Academia Brasileira de Letras na categoria crítica literária e R$ 50 mil.

André de Leones, vencedor na categoria romance com Hoje Está Um Dia Morto no mesmo ano em que Lúcia ganhou, também não inscreveu o livro sozinho. À época, ele tinha terminado um curso de cinema em Goiânia e estava de volta à casa dos pais, em Silvânia. Entre os 19 mil habitantes, estava o escritor Aldair Aires, que tomou a iniciativa. “Se não fosse pelo prêmio, é provável que eu estivesse lecionando no interior de Goiás e dependendo de editais para, com sorte, publicar meus livros localmente”, conta o escritor. Numa das viagens para divulgar o prêmio, conheceu, em Paranaguá, sua primeira mulher. Foi a deixa para ir embora de vez de Goiás. Participou do projeto Amores Expressos, publicou mais quatro livros pela Record e pela Rocco e está em outras tantas antologias – internacionais, inclusive. Vive hoje em São Paulo e é colaborador do Caderno 2.

No ano seguinte, foi a vez dele dar uma mão a um colega. Wesley Peres, psicanalista em Catalão, não achava que seu romance Casa Entre Vértebras seria considerado no prêmio “porque estava no limite entre prosa e poesia”. Foi Leones quem a inscreveu. Wesley já tinha lançado dois livros de poemas. Depois do prêmio, investiu num segundo romance, o Pequenas Mortes, publicado recentemente pela Rocco.

Luisa Geisler foi a mais jovem escritora premiada pelo Sesc e tem uma das carreiras mais promissoras. Ela tinha 19 anos e fazia a oficina literária do Luiz Antonio de Assis Brasil quando soube do concurso. Ajeitou alguns contos, fez outros e inscreveu Contos de Mentira na premiação. Levou. No ano seguinte, em 2011, resolveu experimentar o romance, e escreveu Quiçá. Levou de novo. No mesmo ano, foi selecionada para a Granta Melhores Jovens Escritores Brasileiros e o romance que escreve agora sairá pela Alfaguara, uma das principais editoras na área de ficção. “Sem o Prêmio Sesc, minha carreira estaria na estaca zero em termos de publicação”, conta a estudante de Relações Internacionais e Ciências Sociais.

“A ideia é justamente essa: que o prêmio dê o primeiro empurrão na carreira literária dos autores, e que eles possam assim construir as suas trajetórias”, explica Henrique Rodrigues, um dos idealizadores do concurso.

De fato, o prêmio deu o pontapé na carreira de muitos dos vencedores. Alguns passaram a acreditar na vocação, abandonaram a ideia de autopublicação ou de publicação por uma editora regional, e tentam viver de literatura. Outros conciliam a profissão com a escrita. É o caso de Marcos Peres, servidor do Tribunal de Justiça, em Maringá e autor do melhor romance deste ano. “A questão de ser apenas um escritor é quase uma utopia. Eu consigo conciliar o ato de escrever com meu trabalho”, diz.

O publicitário João Paulo Vereza, vencedor este ano com os contos de Noveleletas, conta que ainda não descobriu o que é ser escritor. Sempre escreveu, nunca publicou. “A literatura sempre foi meu playground, o espaço onde me sinto livre e confortável.”

Morre aos 94 anos a escritora de livros infantil-juvenis Tatiana Belinky

0

Tatiana nasceu na Rússia e mudou-se para o Brasil aos 10 anos.
Ela é considerada uma das mais importantes autoras do segmento no país.

Tatiana Belinky em foto tirada em 1993 (Foto: Protásio Nene/Estadão Conteúdo/Agência Estado)

Tatiana Belinky em foto tirada em 1993 (Foto: Protásio Nene/Estadão Conteúdo/Agência Estado)

Publicado no G1

A escritora de livros infantil-juvenis Tatiana Belinky, de 94 anos, morreu na tarde deste sábado (15) no Hospital Alvorada, em São Paulo, após 11 dias internada, segundo a assessoria de imprensa do hospital, que não soube informar a causa da morte.

Tatiana Belinky é autora de mais de 250 livros, que lhe renderam diversos prêmios educacionais, e tradutora de muitas obras, entre elas contos do escritor russo Anton Tchekhov.

Ela nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em 1919, e aos 10 anos mudou-se com a família para o Brasil, instalando-se em São Paulo. Na época, ela já falava três línguas: russo, alemão e letão.

A autora trabalhou como secretária bilíngue durante alguns anos, até se casar com Julio de Gouveia, com quem teve dois filhos, cinco netos e ao menos três bisnetos.

Em 1948, começou a fazer teatro para crianças, junto com o marido, para a Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo, adaptando e traduzindo textos teatrais que Julio produzia e encenava.

Com o advento da televisão, o grupo teatral de Tatiana foi convidado a apresentar suas peças na “TV Tupi”, onde realizou espetáculos de tele-teatro ao vivo, com textos sempre baseados em livros, entre 1951 a 1964. Os roteiros eram escritos pela autora, a maioria adaptados da literatura nacional e internacional.

Mais tarde, Tatiana e seu marido adaptaram para a televisão o Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato, com cerca de 350 capítulos, além de diversas minisséries criadas a paritr de romances famosos.

Belinky também escreveu críticas literárias para diversos jornais durante a vida, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de São Paulo” e “Jornal da Tarde”. Ela ainda colaborou com a “TV Cultura”.

De acordo com a família, o enterro será às duas horas da tarde deste domingo (16) no cemitério israelita da Vila Mariana, em São Paulo.

Go to Top