Vitrali Moema

Posts tagged 20 Anos

Estudante de 11 anos é admitido em universidade do Texas

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Publicado no UOL

Com apenas 11 anos, Carson Huey-You está no primeiro semestre da Texas Christian University

Com apenas 11 anos, Carson Huey-You está no primeiro semestre da Texas Christian University

Com apenas 11 anos, Carson Huey-You é o aluno mais novo a ser admitido na história da Texas Christian University. Carson, que quer ser físico quântico, tem aulas de cálculo, física, história e religião no primeiro semestre da universidade.

O garoto tinha apenas 10 anos quando se candidatou para a graduação — ele fez 1.770 pontos de 2.400 possíveis no SAT (espécie de Enem americano) e fala mandarim. A mãe dele afirma que o menino já lia livros com dois anos e fazia contas de multiplicação e divisão aos tr~es anos.

Tendo em vista o ritmo de estudos de Carson, a estimativa é que ele pode se tornar PhD com menos de 20 anos.

O estudante prodígio disse à CBS 11 News que a universidade é divertida pois parece com a escola, só que em um campus maior e com mais gente. A mãe de Carson acompanha o garoto nas aulas.

O pai de Carson disse que não pressionou o filho para entrar na universidade e que, inclusive, tentou “segurar” o garoto.

*Com informações do Huffington Post e do New York Daily News

Na Coreia do Sul, professor de inglês ganha R$ 9 milhões por ano

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Publicado por UOL

Com aulas à venda na internet, professor Kim Ki-Honn ganha mais de R$ 9 milhões por ano (SeongJoon Cho/The Wall Street Journal)

Com aulas à venda na internet, professor Kim Ki-Honn ganha mais de R$ 9 milhões por ano (SeongJoon Cho/The Wall Street Journal)

O professor Kim Ki-Hoon ganha mais de R$ 9 milhões (US$ 4 milhões) por ano na Coreia do Sul. Conhecido como ‘rock-star’, ele trabalha há mais de 20 anos com aulas particulares de reforço. As informações são do “Wall Street Journal”.

Ki-Hoon trabalha cerca de 60 horas por semana ensinando, mas apenas três dessas horas passa dando aulas. Suas aulas são gravadas em vídeo e tornaram-se commodities na internet, onde estão disponíveis para compra por R$ 9,10 (US$ 4) a hora.

A maior parte de seu tempo, Ki-Hoon gasta respondendo a mensagens de estudantes que precisam de ajuda em deveres de casa.

“Quanto mais trabalho, mais eu ganho”, disse o professor ao “Wall Street Journal”, “Gosto disso”.

Anualmente, cerca de 150 mil alunos assistem a suas aulas, é isso o que explica o volume de seus ganhos. A maioria é composta por estudantes do ensino médio que querem melhorar seu desempenho na prova nacional, uma espécie de Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Rock-star
Seu nome virou uma marca na Coreia do Sul, sua empresa tem 30 funcionários. O professor Ki-Honn tem cerca de 120 estudantes presenciais em cada uma de suas aulas, mais do que a maior parte dos professores de cursinhos. No país, os alunos escolhem os professores pela sua qualidade e fama.

Para ter bons professores, os cursinhos buscam profissionais na internet e estão sempre ligados a avaliação de pais sobre a qualidade de seus docentes. Os pais, no entanto, sentem-se pressionados a gastar grandes montantes de dinheiro para pagar aulas extras para seus filhos.

O rock-star Ki-Hoon disse ao “Wall Street Journal” acreditar que a forma de melhorar a qualidade da escola pública é aumentar significantemente o pagamento dos professores conforme seu desempenho. Assim a profissão atrairia os melhores alunos e os pais saberiam que os melhores professores estão na escola e não dentro de uma sala de aula privada como se fosse em um shopping.

Dica do Marcos Florentino

Carioca de 20 anos cria escola e bibliotecas em Marajó

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Estudante de Direito, Luti Guedes transforma realidade dos moradores de comunidades ribeirinhas na ilha ao Norte do Pará

William Helal Filho em O Globo

Luti Guedes. O estudante de 20 anos, sentado sobre uma pilha de livros que levaria para comunidades ribeirinhas da Ilha de Marajó, No Pará. Paula Giolito / Agência O Globo

Luti Guedes. O estudante de 20 anos, sentado sobre uma pilha de livros que levaria para comunidades ribeirinhas da Ilha de Marajó, No Pará. Paula Giolito / Agência O Globo

RIO – Esta segunda-feira é um dia importante para a pequena comunidade de São Miguel, no município de Portel, que fica na Ilha de Marajó, no Pará. Nesta manhã, começa a funcionar uma escola pública que vai atender a cerca de 150 moradores da região. São pessoas que, até o semestre passado, viajavam duas horas de barco até o colégio mais próximo. Muitos deixavam de estudar por causa disso.

O responsável por reunir os recursos para a construção da casa com quatro salas de aula é um estudante de 20 anos, que mora a cerca de 2,5 mil quilômetros de distância, na Gávea, Zona Sul do Rio. Luiz Carlos Guedes, chamado de Luti pelos amigos, não tinha relação nenhuma com os moradores de São Miguel até 2009, quando fez uma excursão escolar para conhecer algumas comunidades ribeirinhas da ilha.

— Achei que estava só indo a um lugar bonito fazer fotos. Mas, na viagem, eu chorava muito vendo as condições dos moradores. Eram pessoas felizes, mas sem acesso a educação, saúde e outros direitos básicos. Ninguém se importava com elas. Eu não queria simplesmente ir embora, como se aquilo fosse uma visita ao zoológico. Decidi fazer alguma coisa a respeito — conta o aluno de Direito da PUC-Rio.

Luti foi embora, mas voltou. Várias vezes. Produziu cartilhas sobre direitos civis, levou uma engenheira agrônoma que ensinou os moradores a cultivar hortas comunitárias, ajudou a construir cinco bibliotecas (o acervo total já passa de dois mil títulos) e, hoje, comemora a abertura do colégio, batizado de Imagine: Uma Escola. Os professores são da prefeitura de Portel, mas Luti quer incentivar o intercâmbio de docentes de outras partes do país.

— A escola tem alojamento para receber professores de fora interessados em viver essa experiência. Ninguém precisa ir à África para ver o que tem no Brasil — argumenta Luti, que está em Marajó para acompanhar a abertura do colégio e matar a saudade dos locais, que já o têm como parte da família.

A vida de Luti e dos moradores de São Miguel não foi mais a mesma depois de 2009. O carioca estudava no Colégio Santo Agostinho, que, anualmente, promove a excursão CSA Sem Fronteiras, para levar alunos a comunidades na Ilha de Marajó. O objetivo é apresentar outra realidade, para incutir neles o espírito de “solidariedade cristã”.

No apartamento do carioca, filho de um engenheiro e uma professora, tem TV de LCD com som surround, ar condicionado e mais desses aparelhos comuns em residências de classe média alta no Rio. Ao se deparar com pessoas vivendo sem sequer saneamento básico ou luz, Luti não se conformou.

— Na hora, fiquei com um sentimento ruim de impotência. O que um garoto de 16 anos poderia fazer pra ajudar aquela gente? — conta ele.

Um ano depois, o adolescente estava de volta, com um tio médico que prestou atendimento aos moradores. Naquela segunda vez, Luti foi convidado para ser padrinho do recém-nascido Luan. Foi o pretexto ideal para “ter que ir a São Miguel sempre que pudesse”.

‘Os moradores são agradecidos’

São quatro horas de voo até Belém, mais 19 de barco até Portel e outras seis horas rio acima. Luti já refez o trajeto mais de dez vezes. Sempre com uma mala estufada de livros e uma mochila com algumas mudas de roupa.

A horta local é administrada por mulheres de São Miguel, que, com isso, sentem-se valorizadas. A cartilha de direitos informou sobre a importância de documentos de identidade, o valor do voto e a utilidade de órgãos como o Ministério Público. As bibliotecas do projeto “Sonho de papel” atendem a cerca de 400 pessoas de três comunidades.

As séries “Harry Potter” e “Jogos Vorazes” fazem o maior sucesso entre os ribeirinhos, assim como livros de Fernando Pessoa e Monteiro Lobato.

— Tem gente que não confia na capacidade dele, por causa da idade, mas o Luti já fez muito. Eu nem gostava de ler, e hoje leio bastante. As crianças adoram. Os moradores são agradecidos — elogia Andrei Pinheiro, de 20 anos, um líder comunitário de São Miguel que virou fã da série “As Crônicas de Artur”, do britânico Bernard Cornwell.

Em 2011, o universitário fundou sua ONG, a Lute Sem Fronteiras. Para realizar seus projetos, Luti faz vaquinhas entre amigos. Quando ele e os moradores de São Miguel resolveram fazer a escola, a prefeitura de Portel concordou em ceder professores, mas informou que não tinha dinheiro para a obra, orçada em R$ 10 mil. Metade desse valor foi doado por Marcos Flávio Azzi, fundador do Instituto Azzi, que busca investidores para trabalhos sociais. Para conseguir os outros R$ 5 mil, o carioca fez uma lista de cem amigos para arrecadar R$ 50 de cada. Acabou reunindo um total de R$ 16 mil. Tudo investido no projeto. A escola vai receber alunos desde a creche até o Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

— Quando me deparo com uma pessoa que canaliza toda a energia para ajudar o próximo sem visar a nada além do bem comum, me emociono, quero cooperar para que Luti se desenvolva cada vez mais — elogia Azzi.

Professora do Santo Agostinho, Kity Guedes, mãe de Luti, integrou o primeiro grupo de alunos e professores a ir a Marajó. Na volta, reuniu recursos para fazer poços artesianos no local.

— Depois, pensei: “Pronto. Fiz minha parte”. No ano seguinte, o Luti foi a Marajó e, na volta, não conseguia entender como não fiz mais por aquelas pessoas — conta ela.

O universitário, que este mês parte para um intercâmbio na Universidade Pontifícia Comillas, em Madrid, onde vai estudar Direito e Políticas Públicas, tem consciência de agente transformador. Ajuda os ribeirinhos, mas também os incentiva a não depender dele.

— São esses jovens que transformarão o país e servirão de inspiração para muitos outros — elogia Vera Cordeiro, fundadora da Associação Saúde da Criança, que conheceu Luti recentemente.

Agora, Luti planeja arrecadar dinheiro para construir um posto de saúde em São Miguel.

Alguém duvida?

A dura realidade marajoara

Localizada na Foz do Rio Amazonas, a cerca de 90km de Belém, Marajó mistura cenários paradisíacos e problemas sociais graves. Dos 16 municípios da ilha, nove estão entre os cem piores do Brasil, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado na semana passada. Dom José Luis Azcona Hermoso, bispo de Marajó, é uma voz que tenta chamar atenção não apenas para o pouco acesso a educação e saúde como também a ocorrência de crimes como tráfico de seres humanos e a exploração de menores de idade. Ele vem acompanhando de perto o trabalho da ONG Lute Sem Fronteiras, de Luti Guedes.

— Poucos têm coragem de enfrentar a dura realidade marajoara. Luti combate a gravidade da situação com cultura, leitura e educação. A comunidade precisa sair da mentalidade insular e conhecer o universo dos escritores — elogia o bispo. — Um grupo de alemães veio conhecer Marajó após a Jornada Mundial da Juventude, no Rio, e percebeu como São Miguel se destaca em termos de desenvolvimento social. O Luti está fazendo a diferença.

O carioca conhece o poder das ferramentas que usa:

— As pessoas se tornam vítima de tráfico de humanos por falta de opção. Elas são iludidas pelos criminosos. Quero dar opção a elas.

Alunos da UFRRJ denunciam no Facebook crimes no campus

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Criada em maio, página ‘Abusos cotidianos – UFRRJ’ já reúne 22 relatos, como uma tentativa de estupro sofrida por uma estudante
Diretor de vigilância diz que precisa de um efetivo três vezes maior para dar conta de toda a área da Rural

Página no Facebook para denunciar crimes no campus já conta com mais de 1.200 “curtidas”

Página no Facebook para denunciar crimes no campus já conta com mais de 1.200 “curtidas”

Eduardo Vanini, em O Globo

RIO – Agressões, tentativa de estupro e assédio são alguns dos problemas que compõem uma extensa lista de reclamações feita por alunos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) que começa a se formar na internet. Diante do quadro de insegurança instaurado no interior do campus, em Seropédica, eles criaram a página “Abusos cotidianos – UFRRJ” no Facebook. Lá as vítimas podem fazer denúncias sem que sejam identificadas. A maior parte dos casos é de assédio a alunas.

Aberta em maio deste ano, a comunidade já reúne 22 relatos (veja alguns trechos abaixo) e mais de 1.200 “curtidas”. Um dos casos mais graves é de uma tentativa de estupro que teria ocorrido em 19 de maio. Na ocasião, uma estudante teria sido atacada por um homem desconhecido que teria agredido e rasgado a roupa da vítima. Mas, ao notar que uma viatura de segurança do campus se aproximava do local, ele acabou fugindo.

A aluna do 2º período de psicologia Ellen Mariane, de 20 anos, é uma das criadoras da página. Ela conta que a combinação de um campus que se estende por mais de três mil hectares e um efetivo de apenas 62 guardas torna a universidade um ambiente propício a essas práticas. Além disso, segundo ela, há a falta de cuidados e de manutenção das instalações que se repetem ao longo de anos.

– Havíamos chegado a um ponto em que não conseguíamos enxergar o chão, devido à falta de iluminação – diz.
Sobre a quantidade de assédios, ela conta que boa parte vem dos próprios profissionais que atuam no campus.

– Por conta do Reuni (Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), há muitas obras aqui. É comum os homens que trabalham nessas construções mexerem com as garotas. Por isso, já criamos até um abaixo-assinado para que as empresas responsáveis pelos trabalhos capacitem seus funcionários.

Todo esse quadro acabou forçando os alunos a mudarem seus hábitos. Ellen conta que há casos de pessoas que pensam em trancar a faculdade por medo da falta de segurança e outros que deixaram de assistir aulas à noite.

Segundo a estudante, a página já garantiu alguns resultados positivos, como a restauração da iluminação do campus. Além disso, a visibilidade aos fatos também transformou a postura dos próprios alunos.

– Resolvemos dar mais visibilidade aos fatos justamente para forçar a direção tomar providências. Agora, isso está começando a acontecer. Também percebemos que os próprios alunos estão mais conscientes e participam com mais afinco das mobilizações e dos atos – nota.

Para o diretor da Divisão de Guarda e Vigilância (DGV) da UFRRJ, Renan Canuto, o efetivo reduzido e a grande extensão do campus de Seropédica prejudicam os trabalhos de segurança no local. Sem dar números concretos, Canuto afirmou que o ideal seria um contingente três vezes maior do que o atual.

Segundo ele, a universidade já abriu licitação para instalar um sistema de câmeras de vigilância e adquirir mais duas pickups, além de fazer o restabelecimento da iluminação da área. Canuco argumentou ainda que algumas denúncias dos estudantes seriam “infundadas, e aproveitou para pedir que casos de crimes também sejam comunicados a delegacias, e não somente no Facebook:

– Eles denunciam no Facebook, mas (os casos) têm que estar na delegacia, né? Cada um põe o que quer na rede. Para mim, algumas denúncias são infundadas. Se fossem verdadeiras, a delegacia de Seropédica estaria lotada de registros de ocorrência, o que não é verdade.

Veja alguns relatos que estão na página, reproduzidos da mesma maneira que foram escritos:

“Era noite já e não tinha nenhuma iluminação (um problema que temos enfrentado aqui no campus), quando de repente me deparei com um indivíduo na minha frente. Ele me mandou parar, obedecer tudo que ele falasse ou eu sofreria as conseqüências. Eu não tinha reação. Eu não conseguia me mover. Diante disso ele irritado me deu um tapa no rosto, mandou eu tirar a blusa. Diante da minha negativa ele tentou puxar minha calça causando um rasgo nela. (…) Da onde estávamos dava pra ver a guarda universitária do campus, foi quando percebi um carro da guarda saindo e subindo a rua, olhei assustada pro carro e ao perceber a movimentação o indivíduo se assustou, me largou e disse pra eu ir andando disfarçadamente pra onde eu estava indo, sem falar com ninguém, sem pedir ajuda, ou ele iria atrás de mim, porque sabia meu nome e onde eu morava. (…) Diante disso, hoje, eu me encontro em total pavor.”

“Me sinto abusada,invadida por não poder caminhar com segurança dentro da universidade…Assim como eu,já vi várias meninas sendo abordadas por esses caras que trabalham nas obras da Rural. O problema é essa cultura de achar que ”ah,foi só uma cantada mais grosseira,é normal!’”

“(…) Já fui assediada por professores desta universidade, com propostas indecentes, desde aqueles que foram diretos e chamaram para um jantarzinho mais intimo aos indiretos que chamam para uma cervejinha fora da rural (…) te prometem vantagens (…) e quando vc se recusa e rejeita a proposta é perseguida, ja tive muita vontade de abandonar meu curso por causa dessas coisas (…)”

“Numa tarde, a caminho do bandex, passei por um grupo de aproximadamente 10 funcionários e ouvi insultos de todos, um deles ainda ousou aproximar o rosto do meu ouvido para sussurrar asneiras; ao me manifestar, me afastando e rebatendo o que ouvia, tentando me manter firme, eles começaram a me ofender e hostilizar mais ainda, só que dessa vez num tom ameaçador, me deixando extremamente assustada e indignada.”

Convidado da Flip, escritor transforma Axl Rose e Michael Jackson em literatura

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Isabelle Moreira Lima, na Folha de S.Paulo

Prazos, para escritores, são sempre tensos: o editor quer menos tempo, o autor quer mais. Nos agradecimentos do livro de ensaios “Pulphead – O Outro Lado da América” (Cia. das Letras), o escritor John Jeremiah Sullivan menciona “aqueles que demonstraram gentileza e compromisso com o prazo”.

John leva entre seis e nove meses para produzir um ensaio. E, eventualmente, atrasa. A justificativa? Pesquisa extensiva e extremo apuro formal.

Em seu último livro, com trabalhos escritos entre 1997 e 2011, sobre assuntos como um festival de rock cristão, a aura do neoconservadorismo americano e a genialidade esquecida de Michael Jackson, o ensaísta teve de revisitar e aprofundar textos há tempos publicados e abandonados. “Odeio o meu trabalho de uma semana atrás, nem tenho cópias dos meus livros em casa. Foi terrível.”

John Jeremiah Sullivan

O escritor americano John Jeremiah Sullivan, que vem para a FLIP, mistura estilos diferentes para escrever sobre temas não menos distintos: do fim do Guns N’Roses até suas relações familiares (Sebastian Lucrecio)

O escritor americano John Jeremiah Sullivan, que vem para a FLIP, mistura estilos diferentes para escrever sobre temas não menos distintos: do fim do Guns N’Roses até suas relações familiares (Sebastian Lucrecio)

Há 15 anos, ele trabalha na pesquisa para um livro, a ser publicado em 2014. É a história de um advogado alemão que foi ao sul dos EUA, em 1730, e tentou fundar uma república iluminista utópica entre índios (Sebastian Lucrecio)

Há 15 anos, ele trabalha na pesquisa para um livro, a ser publicado em 2014. É a história de um advogado alemão que foi ao sul dos EUA, em 1730, e tentou fundar uma república iluminista utópica entre índios (Sebastian Lucrecio)

John escreveu ficção e poesia antes de chegar ao ensaio, aos 20 anos, quando disse ter ouvido sua própria voz (Sebastian Lucrecio)

John escreveu ficção e poesia antes de chegar ao ensaio, aos 20 anos, quando disse ter ouvido sua própria voz (Sebastian Lucrecio)

O fruto dessa “terrível” experiência, sucesso de público e crítica, será assunto na próxima Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), entre os dias 3 e 7 de julho, em que ele participa de uma mesa sobre “a arte do ensaio”.

Nos EUA, “Pulphead” foi considerado um dos cem livros notáveis do ano pelo “New York Times”. Para a “Time”, ficou entre as dez melhores obras de não ficção, sob a justificativa de que, “com David Foster Wallace e Hunter S. Thompson mortos e Tom Wolfe praticamente aposentado, não restam muitos escritores com coragem e cérebro para confrontar nossa cultura e não se deixar contaminar pelos seus absurdos”.

A primeira ideia era que eu o acompanhasse na festa trimestral da revista “Paris Review”, em que trabalha como editor, em Nova York. Seria interessante -eu repetiria seus próprios passos, quando acompanhou Miz, subcelebridade conhecida pelo reality show “The Real World”, da MTV, em uma balada.

A segunda opção seria uma viagem à Carolina do Norte, para conhecer a casa onde vive com a família. Fiquei espantada com sua generosidade: ele me disse que eu poderia dormir lá.

Acabamos em um banco de praça, em Nova York. Era uma tarde de sábado. Ali, John falaria, entre tragadas de um cigarro que ele mesmo enrolou, sobre sua vida de escritor, o livro que lança no Brasil, seu próximo trabalho e a entrevista em si. “O meu trabalho é fazer exatamente o que você está fazendo.”

VELHO NOVO ENSAIO

John discorda dos críticos que o consideram expoente de um estilo batizado como “o novo ensaio”. “Se você lê bastante, vai ver que esse jeito de escrever sempre existiu. O que acontece é que, de vez em quando, as pessoas voltam a ficar interessadas no assunto e colocam a palavra ‘novo’ na frente.”

Como ele mesmo define, o formato ensaio, em sua versão “século 21”, dá conta de uma escrita em primeira pessoa, caracterizado pela análise e argumentação em torno de um tema. E faz uso de estratégias literárias, como o cuidado com a forma e a tensão narrativa, “como se fazia no século 18”.

Geralmente, há dois caminhos para quem passa meses trabalhando em um texto assim, que requer extremo aprofundamento do tema: a repulsa ou a obsessão. John costuma ser vítima do segundo.

Há 15 anos, ele trabalha na pesquisa para um livro, a ser publicado em 2014. É a história de um advogado alemão que foi ao sul dos EUA, em 1730, e tentou fundar uma república iluminista utópica entre índios. Foi perseguido pelos ingleses e morreu na prisão, em 1743. Para o trabalho, aprendeu a ler em alemão.

“Você está perto de terminar?”, pergunto. “A resposta depende do quão deprimido estou. Algumas vezes, diria que tenho 60%. Em outras, tenho 4%.”

Na segunda locação da entrevista, um café ao lado do hotel em que estava hospedado com a mulher e as duas filhas, de dois e sete anos, ele fala devagar, com longas pausas entre as ideias. Com o olhar distante, dá a impressão de ter deficit de atenção. Mas o raciocínio seguinte à pausa é tão articulado que logo a hipótese é descartada.

John acredita ter se tornado escritor na infância. Nascido em Louisville, Kentucky, no sul dos Estados Unidos, em 1974, filho de um jornalista esportivo e de uma professora de inglês, ele conta que nunca teve muita esperança de “escapar do carma de escritor”.

Escreveu ficção e poesia antes de chegar ao ensaio, aos 20 anos, quando disse ter ouvido sua própria voz. Para James Wood, crítico de literatura da revista “New Yorker”, sua principal característica é a qualidade de camaleão, de adaptar a voz narrativa ao assunto que está sendo abordado.

Convidado da Flip(Festa Literária de Paraty) escritor transforma Axl Rose e Michael Jackson em literatura (Paulo Whitaker/Reuters/Michael A. Mariant/Associated Press)

Convidado da Flip(Festa Literária de Paraty) escritor transforma Axl Rose e Michael Jackson em literatura (Paulo Whitaker/Reuters/Michael A. Mariant/Associated Press)

ESQUISITOS E PROBLEMÁTICOS

Mas talvez o traço mais marcante do autor seja a capacidade de retratar personagens esquisitos, problemáticos ou fracassados com doses iguais de humor e generosidade. “Eu parto do pressuposto de que todos nós somos prejudicados pela vida. Tento ver o personagem não com empatia, mas a partir de uma postura de igualdade.”

Após a terceira e última mimosa (espumante com suco de laranja), diz que quer saber mais sobre o Brasil. Quase foi ao país para acompanhar a ação da polícia no Complexo do Alemão, em 2010. Agora, espera conhecer outras cidades além de Paraty, Rio e São Paulo. “Você me recomenda alguma outra região?”

Por ele ter nascido no sul dos EUA, digo que o Nordeste poderia apresentar paralelos interessantes. Falo sobre a colonização, sobre Salvador, sobre a influência africana na cultura da região. Apaixonado por música (toca vários instrumentos e escreve seguidamente sobre o assunto), ele pergunta sobre os artistas locais. E a conversa termina com um interrogatório sobre Caetano Veloso.

Não duvidaria se dali nascesse uma nova obsessão.

VEJA TRECHO DE “O ÚLTIMO RETORNO DE AXL ROSE”, DE “PULPHEAD”

Será que a banda não deveria voltar? Será que não percebem o impacto gigantesco que isso causaria? Dana Gregory me contou que Slash e Izzy nunca mais vão tocar numa banca com Axl. “Conhecem ele bem demais.”

Eu não conheço nem um pouco do Axl. Se o pessoal dele tivesse deixado a gente conversar, talvez ele tivesse me mordido, me batido e me mandado manter meus pirralhos de merda dentro de casa, e eu seria capaz de transcender esses sentimentos.

Mas, nas circunstâncias atuais, tudo que posso fazer é ouvir “Patience” mais uma vez. Não sei como são as coisas aí onde você mora, mas aqui no Sul dos Estados Unidos, onde estou, essa música ainda toca o tempo todo.

E eu assobio junto e espero por aquela voz, perto do fim, quando ele canta “Ooooooo, I need you. OOOOOO, I need you”. E naquele primeiro Ooooooo ele alcança uma nota capaz de esgarçar tecidos. Ela conjura a imagem de alguém arrancando o próprio escalpo como se fosse uma casca de uva.

Preciso tomar cuidado para não tentar cantar junto nessa parte, porque isso pode fazer você meio que se engasgar e quase vomitar um pouquinho. E no segundo OOOOOO você enxerga apenas um crânio desnudo, verde e brilhante pairando ali, vibrando de boca escancarada numa cela de prisão.

Ou sei lá eu o que você enxerga.

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