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Evaldo Cabral de Mello é eleito para vaga de João Ubaldo na ABL

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historiador Evaldo Cabral de Mello é eleito para a ABL

(Foto: Divulgação)

Vinte acadêmicos votaram pessoalmente e 16 enviaram sua escolha por carta

Publicado no Correio da Bahia

O historiador e diplomata Evaldo Cabral de Mello, de 78 anos, foi eleito nesta quinta-feira, 23, para ocupar a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras (ABL), vaga desde a morte de João Ubaldo Ribeiro, em 18 de julho passado. Evaldo recebeu 36 dos 37 votos possíveis (houve uma obtenção), em primeiro escrutínio.

Vinte acadêmicos votaram pessoalmente e 16 enviaram sua escolha por carta. Um dos mais destacados historiadores brasileiros, Evaldo é irmão do poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999), que também foi acadêmico, eleito em 15 de agosto de 1968. O novo integrante da ABL nasceu em Recife em 1936 e atualmente mora no Rio de Janeiro. Estudou Filosofia da História em Madri e Londres.

Em 1960 ingressou no Instituto Rio Branco, que tem sede no Rio e forma diplomatas, e dois anos depois iniciou a carreira diplomática. Serviu nas embaixadas do Brasil em Washington, Madri, Paris, Lima e Barbados, em missões do Brasil em Nova York e Genebra e nos consulados gerais do Brasil em Lisboa e Marselha.

Evaldo é especialista em história regional e no período de domínio holandês em Pernambuco no século XVII, tema de vários de seus livros, como “Olinda restaurada” (1975), sua primeira obra, “Rubro veio” (1986), sobre o imaginário da guerra entre Portugal e Holanda, e “O negócio do Brasil” (1998), sobre os aspectos econômicos e diplomáticos do conflito entre portugueses e holandeses. Sobre a Guerra dos Mascates e a rivalidade entre brasileiros e portugueses em seu Estado natal, publicou “A fronda dos mazombos” (1995).

Estudando português para o ENEM? Aplicativo promete ajudar candidatos

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A Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou novo aplicativo que tira dúvidas de português

Fonte: Shutterstock Provas do Enem 2014 acontecem nos dias 8 e 9 de novembro

Fonte: Shutterstock
Provas do Enem 2014 acontecem nos dias 8 e 9 de novembro

Publicado por Universia Brasil

O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa ainda é considerado um obstáculo por muitos estudantes que prestarão o ENEM em 2014, apesar de só se tornar obrigatório a partir de 2016. A mudança adotada para padronizar o idioma em todos os países falantes ainda gera dúvidas em relação às novas regras ortográficas.

Para ajudar a resolver essas questões, a Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), aplicativo disponível para Android e IOS. Nele, estão listadas quase 400 mil palavras para consulta e ainda há recursos como o aumento da imagem para quem têm dificuldade de leitura.

Para facilitar a navegação, o aplicativo propõe sugestões antes mesmo de o usuário digitar a palavra completa. Também é possível copiar as palavras diretamente da tela, garantindo a exatidão caso o usuário esteja escrevendo em meio eletrônico.

A ideia de criar o aplicativo surgiu a partir do grande número de pessoas consultando o site da entidade para resolver suas dúvidas de ortografia, por meio do espaço ABL Responde. Outra grande vantagem é que pode ser usado em tablets e smartphones de maneira totalmente gratuita.

Infelizmente, esse recurso não poderá ser utilizado na hora do prova, já que aparelhos eletrônicos são terminantemente proibidos. Porém, trata-se de mais uma ferramenta de estudo que pode ser bem aproveitada nessa reta final.

Como a doença influenciou a obra final do poeta João Cabral

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Como a doença influenciou a obra final do poeta João Cabral

(Foto: Eder Chiodetto/Folhapress)

Um livro analisa os últimos trabalhos de João Cabral de Melo Neto e conclui que, mesmo cego e deprimido, ele manteve sua excelência literária

Marcelo Bortoloti, na Época
Quando morreu, em 1999, o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto estava cego. Passava os dias com as janelas fechadas em seu apartamento no Rio de Janeiro, ouvindo o noticiário do rádio. Não gostava de música. Havia muito tempo não saía de casa e estava afastado de seu principal prazer, a leitura. Deprimido, não podia beber por proibição médica. Tomava dezenas de medicamentos, que atrapalhavam sua dicção. Mesmo ateu, dizia ter medo da morte, impressionado com a imagem do inferno que descobrira criança num colégio de padres. Para amigos próximos, falava do receio de ver sua obra esquecida depois que se fosse.

O fim dele foi o ponto mais triste de uma trajetória marcada por transtornos físicos e psicológicos nas duas últimas décadas da vida. Nesse período turbulento, ele produziu cinco livros que compõem sua produção menos conhecida e estudada. Naquela época, rechaçado pela nova geração de poetas (que o considerava formalista demais), desacreditado pelos críticos (que supunham que sua poesia se esgotara nos anos 1960), ele escreveu livros como Auto do frade, que quase ninguém leu. Quinze anos após sua morte, o principal especialista em sua obra, Antônio Carlos Secchin, lança um livro que pode fazer justiça à fase final. Publicado pela editora Cosac Naif, Uma fala só lâmina analisa criticamente cada um dos 20 livros de João Cabral, incluindo os últimos, que Secchin põe no mesmo patamar dos demais. É um convite para voltar às obras derradeiras e também a seus anos finais de vida, cujo drama seguramente influenciou os rumos de sua poesia.

João Cabral ainda é pouco lido. Foi o escritor brasileiro que teve mais chances de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1992. Grande parte do público não conhece mais que seu poema Morte e vida Severina, musicado por Chico Buarque e transformado em filme e peça de teatro. Mestre do rigor formal e das sobreposições de imagem, produziu uma obra que exige grande concentração e raciocínio do leitor. Isso afastou o público acostumado à poesia mais leve e emotiva. “Existem escritores que produzem em função de uma expectativa do público. Cabral estava completamente fora disso. Ele quis fazer uma obra coerente até o final, quem quiser que o acompanhasse. Muita gente não acompanhou”, diz Secchin. Essa poesia que não transige tem relação com o temperamento de João Cabral. Ele foi um diplomata pouco sociável. Por causa da profissão, passou 40 anos longe do Brasil e escreveu a maior parte de sua obra fora do país. Em razão da distância, não frequentou as rodas literárias de sua geração. Dizia ter horror a escrever cartas e se correspondeu com poucos amigos. Nos postos diplomáticos que ocupou, tinha aversão a festas e badalações. Vivia recolhido a sua casa, lendo e escrevendo. “Me interessava escrever minha obra, não conhecer paisagens”, disse, em sua última entrevista, ao cineasta Bebeto Abrantes.

O ponto alto de sua carreira aconteceu na segunda metade dos anos 1960, quando o poema Morte e vida Severina foi adaptado para o teatro. Nesse mesmo período, ele entrou para a Academia Brasileira de Letras e publicou A educação pela pedra, considerada sua obra-prima. Muitos críticos consideravam que Cabral não tinha mais para onde avançar.

OLHAR FEMININO Marly de Oliveira, a segunda mulher de João Cabral, em foto de 1987. Ela lia para ele, mas João Cabral só acompanhava textos curtos (Foto: Agência O Globo)

OLHAR FEMININO
Marly de Oliveira, a segunda mulher de João Cabral, em foto de 1987. Ela lia para ele, mas João Cabral só acompanhava textos curtos (Foto: Agência O Globo)

Em 1972, ele partiu para um posto no Senegal, onde ficou mais de sete anos. Vivia numa mansão com 14 empregados para servi-lo, à mulher e a um filho. Sua rotina era de clausura. “Ele voltava a 1 da tarde do trabalho e ficava a tarde inteira lendo. Sete da noite, trocava de roupa e continuava lendo”, diz seu filho, João Cabral de Melo. Na correspondência com o editor Daniel Pereira, depressão e doenças se tornaram tema constante. Em 1975, escreveu: “Tenho andado ocupado, ocupadíssimo e, para variar, doente. Doenças acumuladas: polineurite, seguida de crises hepáticas, seguidas de alergia”. O resultado desse período foi A escola das facas, recebido friamente pela crítica. Secchin defende o livro. Diz que inaugura um viés histórico e mais autobiográfico. João Cabral dificilmente punha suas emoções ou experiências particulares nos poemas que escrevia. Nesse livro, estão presentes com força suas vivências de infância. A partir daí, sua escrita foi ficando rara e difícil. João Cabral costumava dizer que escrever lhe era doloroso. Ele anotava suas ideias em pequenos papéis que guardava no bolso. Depois, se trancava no escritório para desenvolvê-las em forma de poema, num trabalho exaustivo de lapidação. Um poe­ma poderia levar anos para atingir a forma final. “Posso dizer que, de livro para livro, o fazer poético torna-se mais difícil. Meus primeiros livros saíam com mais facilidade”, disse em entrevista na época.

Em 1984, transferido para Portugal, escreveu ao editor Daniel Pereira. “Gostaria de nunca ter escrito uma linha, pois a poesia só me tem dado aporrinhações”, dizia. No ano seguinte, lançou Agrestes, cuja produção o deixou esgotado. Nesse livro, com 14 poemas sobre a morte, ele se despede do leitor em forma de verso. Mas não parou de escrever. Um novo choque tumultuou sua vida em 1986, com a morte de Stella, a primeira mulher, vítima de câncer. Durante 40 anos, ela cuidara de todos os aspectos práticos da rotina de João Cabral. Datilografava seus poemas e ajudava na organização dos papéis. Deixava seu terno, calças e sapatos prontos, do lado de fora do banheiro, para que ele vestisse ao sair do banho. Quando a mulher morreu, ele perdeu o rumo. Passou meses deprimido no Rio de Janeiro. Foi quando conheceu a poeta Marly de Oliveira. Apaixonou-se no meio do luto.

Marly era uma mulher bonita, inteligente e refinada. João Cabral era considerado o maior poeta brasileiro. Tinha 15 anos a mais e parecia ainda mais velho, por causa das doenças. Não foi uma conquista fácil. João Cabral voltou para seu posto em Portugal. Ligava diariamente para ela, muitas vezes embriagado, pedindo que o acompanhasse. Acabaram se casando. Hoje, as duas famílias avaliam negativamente o casamento. “Minha mãe se tornou uma espécie de enfermeira dele e acabou com a mesma depressão do João. Ela anulou sua carreira para cuidar dele”, afirma Mônica Moreira, filha do primeiro casamento de Marly. “Marly estava acostumada a que tomassem conta dela. Passava o dia inteiro fechada no quarto, lendo literatura clássica. Meu pai ficou entregue às traças”, diz Inez Cabral, filha de João Cabral.

Aposentado, ele não conseguiu se adaptar à vida no Rio de Janeiro. A sacada de seu apartamento tinha uma vista maravilhosa da Baía de Guanabara, e ele não achava graça. “Essa natureza opulenta do Rio não me interessa”, disse na época. Pouco saía de casa, com medo da violência. Começou a fumar aos 69 anos. Fumava até ficar com os dedos amarelados. Foi proibido de beber depois da operação da úlcera, mas não cumpria a ordem. Marly tentava esconder as bebidas de casa. Ele saía em silêncio para o botequim da esquina, onde comprava vodca ou cachaça de má qualidade. A mistura da bebida com remédios era explosiva. Várias vezes João Cabral caiu dentro de casa e se cortou. Embora escrevendo com sofrimento e dificuldade, a poesia ainda lhe dava sentido à vida. Reuniu uma nova leva de poemas e lançou seu último livro, Sevilha andando, em 1990. João Cabral declarou que pretendia continuar escrevendo, mas o problema da visão interrompeu seus planos. Começou a sofrer uma degeneração macular, que gradativamente o impediu de ler e escrever. Ficou cada vez mais recolhido e deprimido. “Nunca fiz outra coisa na vida senão ler. Ficar cego foi um castigo violento que Deus me deu”, disse. Marly e sua filha Inez liam em voz alta para ele, mas João Cabral só conseguia acompanhar textos curtos. A televisão lhe dava dor de cabeça. Só restava o rádio. Os poucos amigos que frequentavam seu apartamento encontravam um cenário melancólico. “Estou sem vontade, sem razão de viver”, disse ao escritor e crítico José Castello, autor da biografia João Cabral de Melo Neto: o homem sem alma. Num derradeiro esforço para continuar produzindo, tentou ditar versos para Marly. O último poema que escreveu na vida, usando esse método, fala da impossibilidade da escrita sem visão: Pedem-me um poema,/um poema que seja inédito,/poema é coisa que se faz vendo,/como imaginar Picasso cego? Com esses versos melancólicos, se despedia. O livro de Antônio Carlos Secchin mostra que conseguiu concluir com dignidade e talento suas obras finais.

Escritor Ferreira Gullar é eleito o novo integrante da Academia Brasileira de Letras

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Escritor ocupará a cadeira de número 37, onde já passaram Ivan Junqueira, João Cabral de Melo Neto, Assis Chateaubriand e Getúlio Vargas

Publicado no Correio da Bahia

 

Escritor Ferreira Gullar é eleito o novo integrante da Academia Brasileira de Letras

Foto: Divulgação

O escritor maranhense Ferreira Gullar, de 84 anos, é o novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Eleito nesta quinta-feira (9), Gullar ocupará a cadeira de número 37, onde já passaram Ivan Junqueira, João Cabral de Melo Neto, Assis Chateaubriand e Getúlio Vargas.

José Ribamar Ferreira, mais conhecido como Ferreira Gullar, é poeta, tradutor, dramaturgo, ensaísta e crítico de arte.

Ele escreveu livros marcantes como A luta corporal (1954), Poema Sujo (1976) e Em alguma parte alguma (2010), que em 2011 ganhou o Prêmio Jabuti.

Além do Jabuti, os livros de Gullar já receberam diversos outros prêmios de literatura, incluindo seus poemas infantis. Ele se destacou, ainda, como crítico de arte e roteirista de televisão. Em 2010, o autor foi agraciado com o Prêmio Camões, a mais importante premiação literária da língua portuguesa.

A cerimônia de posse na ABL acontece, porém, apenas no próximo ano.

Niskier diz que Nuvem de Livros é o remédio contra a pirataria

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Nuvem de livros

Publicado no Yahoo
Madri, 5 out (EFE).- O imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Arnaldo Niskier acredita que a Nuvem de Livros, o projeto de uma biblioteca virtual online criado no Brasil há três anos com grande sucesso, é uma ferramenta perfeita “contra a pirataria”.

Nieskier, que foi secretário de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia no estado do Rio de Janeiro, explicou à Agência Efe que esse projeto “não dá motivos para estimular a pirataria, porque, por cerca de três euros por mês (US$ 3,70), você pode ter acesso a informações e mais de 30 mil livros que estão na nuvem utilizando um computador ou um celular”.

A Nuvem de Livros, que, segundo Niskier, é um projeto que em breve será levado à Espanha e ao Peru, é uma biblioteca digital multiplataforma criada por Jonas Suassuna que é possível acessar de computadores e celulares conectados a internet.

“Esta experiência é uma solução que me parece inédita no mundo”, opinou o acadêmico. “No início do ano que vem teremos 2 milhões de estudantes, de gente interessada em ler os livros através da nuvem”. “É algo de muita qualidade e é um espetáculo”, acrescentou Niskier, que está de visita na Espanha.

O professor e acadêmico reivindica uma reforma no sistema educacional de seu país porque “nunca a educação e a cultura foi uma coisa prioritária para os governos”, acrescentou.

“No Brasil temos 60 milhões de estudantes em 200 mil escolas, mais que a população de muitos países do mundo, como a Espanha, mas não há uma educação de qualidade. Temos aulas durante três ou quatro horas por dia, quando deveriam ser oito. Os professores estão desmotivados e não recebem salários compatíveis com a dignidade humana”, destacou o imortal.

“Temos que trabalhar com uma pedagogia nacional, porque o Brasil tem uma personalidade própria. Olharam para teorias do exterior que em meu país não funcionam. Há anos focaram em gente como (Jean) Piaget, o gênio suíço que trabalhou sobre realidades europeias com crianças bem alimentadas que tinham a assistência de seus pais, e isso são coisas que não ocorrem no Brasil”, opinou Niskier.

Como acadêmico, reconhece que a modernidade entrou definitivamente na ABL, uma instituição avaliada positivamente por 84% da população brasileira, afirmou baseado em uma pesquisa recente.

“Nós temos no Brasil um dicionário com 94 mil entradas em língua portuguesa que serve para o mundo lusófono, e temos um site na internet com um sucesso extraordinário, feito por uma comissão de lexicografia e lexicologia com um grande equipamento eletrônico moderno que faz com que o público participe”.

“As pessoas podem fazer perguntas com seu computador que são respondidas todos os dias, inclusive aos sábados e domingos. Temos uma base de 5 mil questões por dia”, explicou.

Niesker, que também visitou a Academia da Língua Espanhola e conheceu como será a nova edição do dicionário da Real Academia Espanhola (RAE), que será lançado no próximo dia 16, afirma que o estudo da língua espanhola no Brasil é cada vez maior.

“No Brasil temos o português como língua oficial e durante muitos anos tivemos o francês como segunda língua, até a Segunda Guerra Mundial. Depois veio o inglês, mas o espanhol era quase desconhecido em nossas escolas, e agora, vendo a realidade objetiva, se vê que o interesse pelo espanhol cresce muito”.

“Muitos cursos de espanhol são oferecidos nas capitais brasileiras e eu acho que supera ao francês. Em pouco tempo foram criadas muitas oportunidades de negócio, de trabalho com o mundo hispânico. Muita gente vem ao Brasil porque a economia cresce e há boas oportunidades para fazer negócios”, concluiu o acadêmico. EFE

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