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It 2 – Conheça o elenco adulto do Clube dos Perdedores

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Guilherme Cepeda, no Burn Book

Esse é o novo elenco selecionado que dará vida aos personagens adultos na sequência de “IT – A COISA“! O que vocês acharam das escolhas?

James McAvoy (Bill), Jessica Chastain (Bev), Bill Hader (Richie), James Ransone (Eddie), Jay Ryan (Ben), Andy Bean (Stanley) e o recém-anunciado Isaiah Mustafa (Mike).

O segundo filme estreia em 6 de setembro de 2019.

Livro que teria inspirado ‘O Pequeno Príncipe’ chega ao Brasil

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Ilustração original de 'Les histoires de Patachou', feita por André Hellé - André Hellé / Reprodução

Ilustração original de ‘Les histoires de Patachou’, feita por André Hellé – André Hellé / Reprodução

 

Bolívar Torres, em O Globo

RIO — Editora da Piu, especializada em literatura infantojuvenil, Paula Taitelbaum adora garimpar livros raros ou “perdidos” do gênero. Em 2016, pesquisando na Bibliothèque Nationale de France, de Paris, encontrou as histórias de Patachou, um garotinho que descobre o mundo “misturando fantasia e melancolia”, como ela define. Escritos em 1929 pelo poeta francês Tristan Derème (e ilustrados pelo seu conterrâneo André Hellé em 1930 e 1932), os contos sobre o personagem estavam reunidos em dois volumes obscuros (“Patachou petit garçon” e “Les histoires de Patachou”). Encantada, a editora começou a investigar mais sobre a obra, até que tropeçou em uma tese polêmica: segundo o pesquisador Denis Boissier, Patachou seria a inspiração por trás de “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry. A partir daí, Paula teve a certeza de que precisava publicá-la no Brasil, pela própria Piu. Com os títulos de “O pequeno Patachu” e “As histórias de Patachu” (o nome do personagem foi aportuguesado para facilitar a pronúncia) e bancados por financiamento coletivo, os dois volumes devem chegar em junho nas livrarias.

— O interesse em publicar a história veio pela qualidade do texto e das ilustrações e por essa curiosidade relacionada com “O Pequeno Príncipe” — diz Paula. — As coincidências entre as obras são mesmo impressionantes.

Em seu estudo, publicado em uma prestigiosa revista literária francesa, em 1997, Boissier aponta paralelos entre os dois livros, mostrando que várias das palavras-chaves do texto de Derème são as mais usadas por Saint-Exupéry em “O Pequeno Príncipe”. A semelhança do tema (o olhar generoso de duas crianças) e o uso constante dos mesmos símbolos (como a estrela, por exemplo), também impressionam — o pesquisador, porém, não fala em plágio, mas em inspiração.

Nesse sentido, o desconhecimento em torno de Patachou é mesmo curioso. Apesar de ter feito muito sucesso até os anos 1950, o personagem sumiu desde então, ganhando pouquíssimas edições pelo mundo. Se tudo que fez a fama do livro de Saint-Exupéry também aparece no personagem de Derème, então por que uma obra permanece popular através das décadas, enquanto a outra entrou para o esquecimento?

O próprio Boissier não tem uma resposta definitiva. Embora ache impossível explicar o sucesso de uma obra, o pesquisador lamenta que as pessoas não se interessem em procurar outros autores que aqueles consagrados “pela indústria”. E culpa o “império industrial” da editora Gallimard, que até 2015 tinha exclusividade dos direitos de “O Pequeno Príncipe” na França (desde então a obra está em domínio público). A popularização de um concorrente, como Patachu, não seria interessante para a editora.
— Nada pode atrapalhar a glória daquele que rende tanto dinheiro à Gallimard — diz Boissier, em entrevista ao GLOBO. — Nunca haverá capitalização sobre a obra de Darème. Ao contrário: só se empresta aos ricos.

Boissier acredita que nem mesmo sua teoria teve muita receptividade na França.

— Meu trabalho passou despercepido, a não ser por um especialista de Saint-Exupéry, Michel Autrand, que se achou na obrigação de divulgar a descoberta. Recentemente meu trabalho começou a ser muito modestamente assinalado na internet. E é só.

Para Paula, no entanto, a tese de Boissier é “perturbadora”.

Versão brasileira da obra contará com ilustrações originais da década de 1930 - André Hellé / Reprodução

Versão brasileira da obra contará com ilustrações originais da década de 1930 – André Hellé / Reprodução

— Ele faz uma análise inclusive de frases que são poeticamente (ou metaforicamente) muito parecidas e raciocínios que são exatamente iguais nos personagens Patachou e Pequeno Príncipe — analisa. — Ele cita as páginas, demonstra questões relacionadas com elementos como a rosa, o elefante, o carneiro, a caixa, as estrelas, etc. Seria muito delicado dizer que é plágio, nem acho que seja, mas a sensação que ficamos é a de que Saint-Exupéry leu as histórias de Patachou em algum momento da vida, gostou e ficou com elas guardadas, absorveu esse diálogo entre um homem mais velho e um menino, e de como esse menino poderia fazer com que o adulto visse o mundo a partir do olhar da infância. Acho que a maior contribuição é essa: o mundo infantil, inocente, visto pelos olhos de um adulto. Além disso, Tristan Derème foi um dos criadores da chamada “escola fantasista literária” que enfatizava a imaginação, o ritmo, a musicalidade, o humor e, ao mesmo tempo, a melancolia. Elementos que, não podemos negar, estão presentes em “O Pequeno Príncipe”.

A editora espera que, no Brasil, o destino de Patachu seja outro e que o personagem possa conquistar um amplo público, tanto infantil quanto adulto. Para isso, já ganhou inclusive uma ajuda da Embaixada Francesa, que concedeu a Piu um prêmio que financiou a tradução dos dois livros.

— É um livro infantojuvenil que não é especificamente escrito para crianças — destaca. — Existe uma espécie de filtro que mostra o mundo da criança pelos olhos de um adulto. Justamente por isso há um ar de encantamento, de leveza e de beleza no texto. Ainda tem o humor e a poesia, mesmo que em certos momentos essa poesia soe melancólica. E a forma como o texto flui em tom de conversa ou confidência.

Mãe conta em livro as dificuldades e conquistas do filho autista de 32 anos

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Juliana Vines na Folha de S.Paulo

A empresária Dalva Tabachi, 65, tem quatro filhos. O mais velho, Ricardo, 32, tem autismo e só começou a falar aos cinco anos. Hoje ele trabalha com a mãe na confecção da família, no Rio, toca violão e vai ao cinema com uma amiga. Tudo, segundo Dalva, com muito esforço.

Em 2006, com base em anotações do dia a dia do filho, ela lançou o livro “Mãe, me ensina a conversar” (Rocco, 96 págs., R$ 20). Agora lança o segundo livro, “Mãe, eu tenho direito!”.

Leia o depoimento dela.

*

Percebemos que o Ricardo tinha algum problema com três anos. Ele não falava nada, só repetia “bola, bola, bola”. Ficava isolado, não brincava com outras crianças.

Fomos ao pediatra, à psicóloga, à fonoaudióloga. Naquela época, ninguém sabia o que era autismo. Quando eu perguntava o que meu filho tinha, diziam: “Ah, esquece isso”. Falavam que ele ia ficar bom.

Dalva Tabachi, 62, e seu filho Ricardo, 32

Dalva Tabachi, 62, e seu filho Ricardo, 32

Mas até o Ricardo ter 12 anos foi horrível. Ele era bem comprometido. Ficava fazendo “hummm” continuamente. Quando ficava nervoso, pulava e se mordia.

A gente sofria preconceito. Quando ele tinha dez anos, em uma viagem de avião, um passageiro pediu que o tirassem do voo, porque ele não ficava quieto, gritava. Com 18 anos, fomos a uma neurologista e perguntei: “Afinal, o que ele tem?”. Autismo.

Nessa época ele já estava bem melhor. Tudo com muito esforço, muito choro. Corri atrás de tudo. O que ele podia fazer, fez: aula particular, fonoaudióloga, psicóloga, violão, natação. Não desistimos. Ele tem três irmãos mais novos que sempre o puxavam para a realidade, não deixavam que ele se isolasse.

Quem vê o Ricardo hoje não acredita. Ele fala muito. Claro que ainda tem traços de autismo, o pior deles é a repetição. Ele repete a mesma coisa dez, 20 vezes.

Conta tudo o que comeu, diz tudo o que fez hoje e no dia anterior, avisa dez vezes quando vai dormir. Às vezes, fica remoendo coisas de anos atrás: “Por que fulano puxou a minha orelha um dia?”.

Ele não se acerta com números –não entende que duas notas de 20 e quatro de dez são a mesma coisa– e não entende muito bem o que é quente ou frio: usa blusas no calor, liga o ar-condicionado no frio.

ANDAR SOZINHO

Ele nunca fica sozinho. Não tem como. Tenho uma empregada que mora em casa. Ele espera meu marido e eu até para escovar os dentes, porque tinha mania de escovar tanto que já estava se machucando. Quando demoramos para chegar em casa, ele liga: “Onde vocês estão? Preciso passar fio dental.”

A minha maior preocupação é quem vai cuidar do Ricardo no futuro. Já faz muito tempo que penso nisso. Fiquei muito angustiada quando um dos meus filhos se casou. Os irmãos dizem que vão cuidar dele, mas sempre penso que tenho que viver muito. E, para isso, me cuido.

Eu nado no time master do Flamengo, não sou gorda e não como gordura. Tenho que ficar boa, não posso ficar doente. Sempre que vejo um casal sozinho com um filho autista penso: quem vai cuidar dessa criança no futuro?

O Ricardo melhora a cada dia. Ele toca violão direitinho, participa de competições de natação, vai ao cinema todos os sábados e adora ouvir música aos domingos.

Tudo o que ele sabe foi ensinado. A fonoaudióloga explicava o que era o teto, o chão, o nome das coisas.

Ele tem uma memória incrível. Se você disser que hoje é seu aniversário, ele vai lembrar daqui a meses e vai dizer: no ano que vem vai ser numa quinta-feira, porque neste ano foi na quarta.

Antes ele não entrava nas conversas, hoje já puxa papo. Sempre falando uma besteira, o que ele comeu no almoço. Eu o repreendo, digo que não é assim que conversa, e ele pede: “Mãe, me ensina a conversar”. Esse foi o título do meu primeiro livro.

O segundo livro se chama “Mãe, eu tenho direito!”, porque mais recentemente ele aprendeu a dizer não, a reclamar. Eu digo para ele não comer alguma coisa e ele repete: “Eu tenho direito!”.

O que mais dá trabalho hoje é comida. Ele é compulsivo. Na adolescência, engordou. Colocamos ele de dieta e ele emagreceu 18 quilos.

Hoje, o Ricardo trabalha no escritório comigo, atendendo o telefone. No começo, quando ligavam perguntando por mim, ele respondia: “Ela está fazendo xixi.”

Ele é supersincero. E não tem muito tato. Quando o avô morreu, saiu gritando “o vovozinho morreu”, como se anunciasse um nascimento.

Depois de adolescente, nunca vi o Ricardo chorar. Isso me preocupa às vezes, mas depois penso que ele não tem por que ficar triste, tem tudo o que precisa. Todos gostam dele, ele é muito carismático.

Às vezes fico cansada, principalmente quando ele repete coisas demais. Mas desanimar, não. Se ele chegou onde chegou foi porque não desistimos.

MÃE, EU TENHO DIREITO! – CONVIVENDO COM O AUTISTA ADULTO
AUTORA Dalva Tabachi
EDITORA Rocco
PREÇO R$ 24,50 (144 págs.)

dica do Chicco Sal

Concurso Cultural Literário (35)

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capa peterpan3

LER UM TRECHO

A extraordinária recriação da aventura de Peter Pan, traduzida para o universo adulto por Régis Loisel, chega à sua conclusão neste terceiro volume pela editora Nemo. Peter Pan, o líder dos seres imaginários da Terra do Nunca, continua sua vitoriosa luta contra os piratas do Capitão Gancho. Mas, em suas rápidas visitas à Londres dos tempos de Jack, o Estripador, o menino que não quer crescer volta a se deparar com alguns fatos inevitáveis de nossa existência. Uma HQ bela e imperdível, uma história fantástica e profundamente humana, sobre imaginação e realidade, desilusões e esperança.

Vamos sortear 2 exemplares da HQ “Peter Pan – Vol. 3“, um superlançamento para enlouquecer os fãs de histórias em quadrinhos.

Para participar é só completar: “Se eu pudesse voltar a ser criança…” (use no máximo 2 linhas).

Se for usar o Facebook, por gentileza deixe seu email de contato.

O resultado será divulgado dia 25/11 às 17h30 nesse post e também no nosso perfil do twitter: @livrosepessoas.

Participe! 😉

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Parabéns aos ganhadores: Renan Nascimento e Livia =)

Por gentileza enviar seus dados completos para livrosepessoas@gmail.com em até 48 horas.

 

As bicicletas na literatura e na (por vezes trágica) vida real

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Publicado em O Globo

O jornal espanhol El País publicou nesta segunda-feira um texto do escritor Antonio Muñoz Molina, membro da Real Academia Española, sobre ciclistas. Molina começa falando sobre a presença das bicicletas nas artes, na literatura, no cinema (pra música não ficar de fora, coloquei um vídeo bacaninha de “Bike”, do Pink Floyd, ali embaixo). Depois, passa a relatar um triste caso de atropelamento recentemente ocorrido em Madrid. Acho que os comentários dele sobre o trânsito e o sistema judiciário espanhol vão ressoar nos corações dos leitores brasileiros.

“A bicicleta é uma máquina tão literária que recém-inventada já começou a circular pelos livros. Relendo “Misericórdia”, descobri algo que não lembrava desse romance assombroso, publicado em 1897: um dos personagens aluga uma bicicleta para ir de Madrid ao Pardo. Na Madrid de subúrbios macabros e personagens desgarrados de Valle-Inclán, essa bicicleta insuspeita é um sobressalto ágil da vida moderna em meio ao atraso, obscurantismo, injustiça crua e pobreza. Quem quiser saber mais sobre ela, pode imaginá-la elevada e veloz, democrática, futurista, circulando entre carroças lentas e carruagens arrogantes da aristocracia.

Marcel Proust via fraqueza em todas as formas de transporte moderno, em particular os automóveis e os aviões, mas quando quis retratar a primeira visão das “jovens em flor” que deslumbram um adolescente durante um passeio marítimo as descreveu montadas em bicicletas, avançando em bandos com os vestidos desportivos livres de adornos barrocos e espartilhos que permitiram que as mulheres adotassem o hábito do ciclismo na virada do século.

H. G. Wells observou que cada vez que via um adulto em cima de uma bicicleta crescia sua confiança na possibilidade de um mundo melhor.

Há relatos de que Henry James tentou aprender a pedalar, mas com consequências desastrosas. Se lançou por uma estrada rural e perdeu o controle da bicicleta, atropelando, sem gravidade, uma menina que brincava na porteira de uma fazenda. Que essa menina tenha se tornado Agatha Christie é dessas coincidências que assombram os aficcionados da literatura e do ciclismo.

Ramón Casas gostava de sugerir um erotismo moderno nas mulheres ciclistas, mulheres em automóveis, mulheres fumantes. Em um de seus melhores contos escritos em espanhol, e também um dos mais tristes, “La cara de la desgracia”, Juan Carlos Onetti toma de Proust o tema do verão e da mulher na bicicleta. Mas quem a vê passar de um balcão é um homem desolado que graças a ela revive, desfazendo-se em desejo e ternura.

Uma figura numa bicicleta é passageira, mas não tão rápida que seja também fugaz. A verticalidade necessária favorece o perfil. O ritmo da pedalada ressalta a beleza das pernas.

O ápice da arte inspirada em torno das bicicletas talvez seja um curta de François Truffaut de 1957, “Les mistons”, um poema visual de 17 minutos feito de longos planos sinuosos de uma mulher muito jovem, a atriz Bernadette Lafont, pedalando descalça, as pernas nuas, o vestido branco agitado pela brisa da velocidade.

A bicicleta é uma máquina silenciosa e perfeita, como um veleiro, tão prática que causa assombro também ser poética.

As bicicletas são para o verão, disse um pai ao filho adolescente na comédia triste na qual Fernando Fernán-Gómez pôs o melhor de seu talento e a verdade de sua memória e imaginação. Sobre o infortúnio de se crescer numa cidade em guerra e a saudade de um pai que era maior e mais nobre por, no caso de Fernando, ser um pai inventado.

O verão pode ser um modesto paraíso para os fãs das bicicletas, sobretudo para os ciclistas urbanos que lidam com o tráfego nos dias de trabalho, mas nas cidades espanholas, que com duas ou três exceções são hostis para quem se atreve a pedalar, assim como com qualquer um que tente exercer o direito soberano de caminhar de um ponto a outro. E também, desde cedo, para os lentos, os distraídos, os idosos.

Quando se volta de países com o tráfego mais civilizado, é difícil se adaptar à agressividade dos motoristas na Espanha. Nova York não é exatamente Amasterdã ou Copenhagen nas facilidades que oferece aos ciclistas, mas quando venho de lá para Madrid e saio na rua, me imponho uma mudança instintiva de atitude.

É preciso estar muito mais alerta, na defensiva, atento sempre a acelerações bruscas. É preciso acostumar-se ao fato de que a visível fragilidade raramente gera maior cuidado – alguns motoristas se tornam ainda mais agressivos contra os mais frágeis, como se despertasse neles uma impaciência que leva a acelerar sobre a faixa de pedestres, ou deixa passar quem vai mais lento contendo o impulso do motor como quem trinca os dentes. Como se caminhar lentamente fosse uma ofensa que merece o desprezo e punições ocasionais.

Às 7h, hora do frescor da manhã, no silêncio das ruas amplas e vazias nas quais alguém pode pedalar com mais velocidade, também pode acontecer o choque. As bicicletas são para o verão, para o exercício saudável e a mobilidade sem emissões tóxicas, mas não têm defesa contra a barbárie.

As bicicletas são para o passeio despreocupado, mas também para a ida diária ao trabalho.

Óscar Fernández Pérez, um garçom de 37 anos, ia para o sul de Madrid na quarta-feira, 6 de agosto, quando foi atropelado por um motorista que fugiu e o deixou agonizando na rua. Óscar Fernández Pérez está morto e o infeliz que o matou não tem motivos para preocupação.

Em 2012 foi preso por dirigir bêbado, de forma “negligente e temerária”, e lhe tomaram a carteira. Mas em fevereiro desse ano já havia voltado a conduzir. Com esse histórico, e tendo fugido depois de matar um ciclista, era de se esperar que a justiça o tratasse com algum rigor. Mas em nosso país as leis e o sistema judicial quase sempre protegem os poderosos contra os mais frágeis, os corruptos contra os honrados, os bárbaros contra as pessoas afáveis, os motoristas contra os ciclistas ou pedestres.

O golpe que matou Óscar Fernández Pérez foi tão forte que sua bicicleta despedaçada voou a 15 metros do seu corpo. Mas o juiz considerou que o motorista sem carteira que o atropelou e não teve sequer a compaixão de parar para ajudá-lo merece se defender em liberdade. Ele foi denunciado por homicídio culposo, por imprudência. A pena por acabar com uma vida é de um a quatro anos.

José Javier Fernández Pérez, irmão de Óscar, resumou o caso melhor que ninguém, com poucas palavras, muito verdadeiras: “A justiça é uma merda. Matar sai muito barato nesse país”.”

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