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Sem aulas e de graça: assim é a escola de programação mais revolucionária do mundo

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William Beaucardet

William Beaucardet

50.000 candidatos se inscrevem todos os anos para entrar na 42, uma escola vanguardista de Paris que não exige nem o ensino médio e onde não existem professores

Jacobo Pedraza, no El País

Duas instituições acadêmicas convivem no Boulevard Bessières de Paris, no 17º distrito, limite entre a cidade e os subúrbios. Uma é o Liceu-Colégio Internacional Honoré de Balzac, o maior colégio público da capital francesa: cinco hectares consagrados ao criador de A Comédia Humana, cuja assinatura se vê estampada na grade de entrada do local. A outra se chama 42. Uma escola de programação que a partir do próprio nome já encarna uma mudança em relação à totalidade do sistema educacional francês ou, o que é a mesma coisa, ao conceito de formação que impera há pelo menos três séculos. Para começar, porque não exige nenhum título acadêmico aos seus alunos. E porque é gratuita.

A 42 é uma fundação privada sem fins lucrativos, sustentada principalmente pelo magnata francês da tecnologia Xavier Niel, coproprietário do Le Monde (e dos direitos de My Way de Sinatra) e, além disso, incentivador do que será a maior incubadora do mundo, a também parisiense Station F. O modelo acadêmico foi concebido pelo próprio Niel e por Nicolas Sadirac, fundador e ex-diretor executivo da rede de escolas particulares de código Epitech, de excelente reputação no cenário tecnológico francês, mas com preços a partir dos 7.000 euros (25.800 reais) anuais. Ambos acreditam que a genialidade não surge somente entre os que podem pagar uma instituição desse tipo, e pensam que a universidade pública se asfixia por seu próprio tamanho e falha na hora de proporcionar o salto entre a formação e a empresa. Criaram uma escola que qualquer um “nascido para o código” (o lema da escola) possa ter acesso, em permanente contato com o ambiente empresarial e um com um conceito pedagógico que faz da gamificação sua essência.

A escola surpreende já na entrada. A primeira coisa que o aluno escuta é a própria porta, que o cumprimenta pelo nome: “Bonjour, Gilles”. A recepção tem um móvel para guardar o patinete, o meio de transporte favorito de muitos. Mas o que fascinam são as primeiras amostras da enorme coleção de arte urbana que decora a escola, e que se mistura à perfeição com os alunos e com o espírito desse espaço: mais de 150 pinturas e esculturas subversivas, rebeldes, jovens. “Temos até mesmo um Banksy”, confessa lá mesmo Catherine Madinier, ex-aluna dessa escola fundada em 2013 e membro do corpo docente, que por fim confirma a suspeita que todo bom freak já tinha sobre o nome da escola: “É pelo Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams”. A 42 é – nessa série de rádio, romance e filme – a resposta absurda e confusa que dá um monumental supercomputador à “pergunta definitiva sobre a vida, o universo e tudo”. Até a calculadora do Google conhece essa referência.

Sem aulas, sem professores

Madinier avança até a primeira colmeia de computadores, no térreo do edifício. Uma sala gigante com mais de 300 desktops com a inconfundível maçã da Apple: “Os macs consomem menos energia. Quando se usam mais de 1.000 por dia, a economia é considerável”, diz esta nativa de Nice, de 31 anos, que se define frequentemente como professora, embora saliente que seu papel é mais de tutora ou mediadora. “Não existem professores. Não há aulas. Não há lições ou livros de estudo”. “Isso é uma grande diferença em relação a outras escolas como a Epitech”, destaca David Giron, diretor de estudos da 42, que desempenhou a mesma função na própria Epitech, que acrescenta. “Os professores e as lições não têm sentido hoje em dia. Todo o material está na Internet, e queremos sejam capazes de procurá-lo, classificá-lo e filtrá-lo”.

Os mais de 2.000 alunos da escola deixam de lado o modelo de formação que conheceram em favor de uma educação a partir de uma perspectiva que, na realidade, conhecem muito melhor: a dos vídeogames.

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Níveis, títulos e recompensas

Gilles Potte tem vinte anos e está muito distante da imagem normalmente associada ao estudante de engenharia da computação: cobre seu cabelo longo com uma boina, ostenta um piercing na orelha, uma tatuagem nas costas e usa calças corsário e camiseta. Ao seu redor há alunos que escrevem linhas de código em velocidade de cruzeiro, enquanto outros socializam entre vídeos do YouTube e algum fica absorto jogando uma partida. “Podem fazer mais coisas, gostamos que façam mais coisas, mas na maior parte do tempo devem estar programado”, diz Madinier.

Gilles inicia a sessão na intranet da 42. É como carregar uma partida salva de um videogame. No menu principal se pode observar que ele está no nível 2, faltam poucos pontos de experiência para alcançar o 3. “No total, são 21 níveis [não é um número ao acaso, é a metade de 42], a partir do 21º se considera que o aluno está capacitado para sair para o mundo do trabalho”, diz Catherine Madinier. Frequentemente, segundo ela, os alunos conseguem um emprego em tempo integral que os faz deixar a escola antes de completar os três anos, duração média do programa.

A gamificação é aplicada em todos os campos da 42. Gilles ganhou dois títulos, algo como um tratamento oficial (senhor, doutor, excelentíssimo) muito comum no mundo dos videogames, que são dados como recompensa ou punição de acordo com as ações realizadas pelo jogador. “Tenho os títulos de troll e o de altruísta”, proclama o aluno, rindo. O primeiro é por fazer comentários demais e com ânsia de incomodar nos fóruns da escola. O segundo é por ser um grande corretor desinteressado dos exercícios dos colegas. Sim, na 42 os exercícios não são corrigidos pelos tutores, mas pelos próprios alunos: “É uma maneira de aprender com o trabalho dos outros, com suas formas, seus métodos para chegar a uma solução de um problema e com seus erros”, explica Madinier. O erro também é recompensado: o título de errão é assumido com orgulho porque implica em perseverança e desejo de superação de si mesmo.

O progresso nos estudos é observado no gráfico de exercícios, que lembra claramente os diagramas de habilidades aprendidas em videogames como Final Fantasy. O aluno começa no centro de vários círculos concêntricos e seu avanço o leva para a parte externa, prova a prova, escolhendo um ou outro caminho em função da parcela de todo o mundo da informática que mais lhe interesse.

O percurso começa focado no desenvolvimento do ambiente Unix com linguagem de programação C, no final os alunos poderão usar praticamente qualquer linguagem fluentemente. As quatro matérias principais são Unix, algoritmos, gráficos e web. Aos poucos vãos e especializando: celular, cibersegurança, hardware, design, videogames. “Não chegam a completar todos os exercícios de todos os caminhos, isso é quase impossível. Pense que existem trabalhos tão complexos como criar seu próprio sistema operacional ou o motor de um vídeo game online do zero”, revela Catherine Madinier. “Eu ainda não decidi. Estou entre design, vídeo games, ou inteligência artificial”, diz Gilles, fã de fotografia e edição gráfica.

O programa de estudos é elaborado e atualizado constantemente pela equipe docente, formada por cerca de 15 tutores dirigidos por David Giron. Há exercícios de todo tipo: elaborar periféricos para substituir o mouse do computador, dar forma a um videogame de tiros em primeira pessoa, criar um aplicativo de calendário que depois o próprio aluno utilizará ou pequenas ferramentas para o site da 42. Cada prática é avaliada pelos colegas e os resultados podem ser verificados e alterados a partir da intranet da escola.

Se um estudante é reprovado ou aprovado (mas não está satisfeito com seu desempenho) pode repetir o exercício quantas vezes quiser. “A escola fica aberta todos os dias do ano, 24 horas por dia, de modo que os alunos chegam a passar mais de 90 horas por semana nela”, diz Giron. Ser aprovado com boas notas ou com especial esmero em alguns pontos dá direito a medalhas e recompensas, um sistema amplamente desenvolvido em qualquer vídeo game da plataforma online Steam.

“As recompensas podem ser trocadas por produtos do refeitório ou, por exemplo, por banhos na Jacuzzi”, diz Madinier enquanto continua mostrando as instalações da 42. O refeitório e a varanda estão inusualmente cheios por causa do sol. É possível perceber estéticas e padrões: geeks que poderiam muito bem ser membros de qualquer equipe profissional de esports, alguns com roupas escuras e estética mangá, e outros com calças jeans largas e tênis de skate. Todos coexistem, se misturam e desfrutam da música, desta vez um rap francês, o gênero favorito do banlieue (subúrbio).

A piscina

Ao lado do refeitório fica a piscina. Não há piscina ou água. É uma enorme sala onde podem ser vistas malas, pessoas deitadas, gente descansando em colchões infláveis e sacos de dormir. A piscina é o nome do espaço e da época que definem se um aluno tem ou não futuro na 42. Quase um mês de intensidade máxima que representa o único veículo para ser admitido na escola.

Chega-se à piscina depois de duas provas online, dois jogos que, além disso, não são os mesmos para todos. Um dura 10 minutos e é um exercício de memória. O outro dura mais de duas horas e testa a capacidade lógica do candidato. Começam sendo simples, mas à medida que os níveis são concluídos tornam-se mais e mais complicados. Com eles é feita a seleção dos pretendentes que terão acesso à piscina: de cerca de 50.000, apenas 3.000 sobrevivem.

“Para a inscrição só pedimos nome, sobrenome e data de nascimento. Não queremos saber de mais nada”, afirma Madinier. “Nem o que estudaram. Ou de onde vêm. Ou se são pobres ou ricos”. Chegam à 42 muitos candidatos de classe baixa, dos subúrbios das cidades ou pessoas sem recursos de outros países, que dificilmente poderiam entrar em qualquer outra escola de programação. Durante o mês de provas, nas quais os alunos passam uma média de 15 horas por dia trabalhando, são autorizados a se alojar nas instalações da escola (no recinto da piscina), usar os chuveiros e os vestiários e comer no refeitório, com preços muito menores que os de estabelecimentos próximos e ainda mais baratos quando comparados aos do centro de Paris.

As provas terminam a cada dia exatamente às 23h42. Seu foco é o desenvolvimento de habilidades em linguagem C, um pilar básico para adaptar os conceitos e a mentalidade ao mundo da programação. “Muitos pré-inscritos chegam sem saber programar. Eu mesma vim do setor de negócios e não tinha a menor ideia”, revela Madinier. Gilles vem do mundo da restauração: “Eu me matriculei num curso técnico de hotelaria perto daqui, no 18º distrito, mas esse futuro não me convenceu. Descobri que era isso que eu gostava, então eu decidi tentar”, lembra o aluno parisiense, que também não sabia muito de código antes de entrar, apesar de reconhecer que se preparou antes da piscina.

Os exercícios da piscina são corrigidos entre os próprios alunos, que vão aprendendo com isso, e também por uma inteligência artificial conhecida como moedora. Nessa altura, são incentivados a trabalhar em conjunto e a ajudar uns aos outros “algo que em outros lugares significa fazer trapaça e que nós pensamos que é essencial”, argumenta David Giron. No fim da primeira semana de cada processo seletivo mais de uma centena de candidatos (entre 800 e 1.000 para cada uma das três piscinas anuais, que são realizadas no verão) terá desistido. “É um processo muito difícil e a maneira de encará-lo também é importante para nós. As notas são uma indicação, mas no final os selecionados são escolhidos pelo corpo docente para além dos seus resultados. O critério varia e o número de admitidos, também”, afirma Madinier. A 42 não costuma aceitar alunos menores de 18 anos ou maiores de 30: não quer que deixem o ensino médio para entrar em um processo muito difícil de aprendizagem porque perderiam muitas oportunidades de futuro, e tampouco acreditam que aqueles que já passaram dos trinta possam absorver a quantidade de conceitos que precisam assimilar. A intenção também é ter um corpo discente coeso.

 Uma das colmeias de computadores da escola. William Beaucardet

Uma das colmeias de computadores da escola. William Beaucardet

A escola estima que 40% dos alunos não têm o ensino médio completo. Uma porcentagem um pouco menor vem de meios desfavorecidos. Cerca de 20% vêm de fora da França. Poderia ser um ambiente complicado, mas é completamente o oposto. “Eu estou aqui faz pouco tempo, mas desde o início você percebe que este é o seu lugar. Na piscina todos ajudamos uns aos outros e agora continua sendo assim. Não importa de onde você vem. Somos todos amigos”, diz Gilles.

Como diretor de estudos, David Giron viveu histórias que destacam as oportunidades que a escola deu para muitos alunos: “Poderia mencionar um ex-pequeno traficante de drogas que veio para cá depois de escapar por pouco da cadeia e hoje dirige sua própria empresa e contrata nossos alunos. Ou um montador da ópera que não via sentido na vida e hoje é feliz como desenvolvedor de aplicativos para celular. Ou até mesmo um doutor em filosofia italiano que agora é diretor de tecnologia de uma grande empresa”. “A melhor coisa de trabalhar aqui é ver florescer alguns. Sua mudança dentro da 42 ao encontrar um lugar e colegas com os que se sentem realmente bem e envolvidos. Muitos encontram aqui pela primeira vez uma motivação, um modo de vida e uma oportunidade única “ diz sorrindo Catherine Madinier, que cumprimenta muitos alunos com dois beijos.

Trabalho

Os que foram aprovados também podem comer no refeitório e até mesmo trabalhar nele. Também podem ser remunerados com dinheiro para uso interno por fazer visitas guiadas para os turistas. Podem descansar, mas ao contrário dos candidatos, não estão autorizados a dormir nas instalações: em troca, a escola oferece alojamentos baratos e os apoia para obter empréstimos.

No primeiro andar da 42 fica a segunda colmeia de computadores, conhecida como Terra Média. Outros 300 computadores, onde o ambiente de trabalho é mais profissional. “Temos um fórum onde colocamos ofertas de emprego que chegam a nós”, diz Madinier. Estágios, contratos por tarefa, por tempo indeterminado ou até para cargos de diretor e tecnologia em algumas das startups do poderoso ecossistema parisiense. O centro é muito bem relacionado graças ao apoio de Xavier Niel e ao prestígio que adquiriu desde sua criação. É comum que os alunos colaborem com escolas de design e de negócios, muitas vezes através de hackathones: maratonas de programação para concluir um projeto específico. Muitos dos trabalhos que aparecem no fórum não requerem estar fisicamente presente, por isso chegam anúncios de qualquer lugar do planeta.

Quando eles saem da escola, os alunos têm um amplo leque de opções: “Não levam mais de dois meses para encontrar um emprego. Muitos gostam de cibersegurança, também de videogames e do campo dos gráficos, que agora está tendo muito desenvolvimento com a realidade virtual”, exemplifica Madinier. “Alguns alunos vão para startups, enquanto outros preferem as grandes empresas. Alguns decidem fundar suas próprias empresas e outros vão para o GAFA [acrônimo de Google, Apple, Facebook e Amazon]” explica David Giron.

Existe um elemento em que a 42 se parece com qualquer outra escola de programação: a ausência de mulheres. Catherine Madinier é uma exceção, pois elas representam apenas 8% do corpo discente. “Há muuuuito trabalho a fazer”, admite. Giron insiste que o problema vem de antes, uma vez que o percentual é semelhante ao das mulheres que se candidatam às provas de ingresso: “É uma coisa cultural. A indústria dos videogames, com as personagens femininas que cria, tem muito a ver com isso”. A mentalidade e o espírito divertido da escola fazem dela talvez algo mais atraente, mas em um setor, o do entretenimento eletrônico, em que as mulheres também foram sempre uma minoria muitas vezes esquecida. A 42 não tem quotas de qualquer espécie e se recusa a estabelecer um percentual mínimo de mulheres.

Agora em Silicon Valley

A 42 é o sonho de Xavier Niel, que aos 49 anos é a nona fortuna da França, com cerca de 10 bilhões de dólares, segundo a Forbes. Ele contribuiu com mais de 70 milhões na fundação da 42 para comprar o prédio da escola e mantê-la nos primeiros 10 anos de vida, à razão de cerca de 7 milhões de euros por ano. Niel é um pioneiro que criou uma das primeiras empresas francesas de Internet quanto tinha 19 anos. Alguns dos alunos da escola foram trabalhar em suas empresas, entre elas a Free, a segunda maior fornecedora de serviços de rede do país, e a terceira operadora de telefonia celular. Na incubadora de startups Station F, investiu mais de 100 milhões de euros com o objetivo de continuar impulsionando a criação de empresas de tecnologia em Paris.

Em 2016 Niel decidiu levar o modelo de sua escola ao Silicon Valley, o epicentro da inovação tecnológica, com a abertura de uma sede em Fremont, na Baía de San Francisco, na qual também investiu 100 milhões para garantir sua viabilidade para a próxima década. Ele tem o apoio dos fundadores de empresas tão importantes no mundo da tecnologia como Snapchat, Periscope, Nest Labs, Slack ou a conhecida incubadora YCombinator. Lá, Niel levantou um campus de quase 20.000 metros quadrados com um edifício de dormitórios para 300 alunos, oferecidos gratuitamente aos nascidos para o código que têm menos recursos.

Agora todo mundo pode vender livros novos ou usados na Amazon

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Amazon: pessoas físicas e jurídicas podem vender livros dentro da Amazon.com.br (Chris Ratcliffe/Bloomberg)

Amazon: pessoas físicas e jurídicas podem vender livros dentro da Amazon.com.br (Chris Ratcliffe/Bloomberg)

Com novo marketplace na Amazon.com.br, sebos, editoras, livrarias e mesmo pessoas físicas podem vender livros novos ou usados pelo site da varejista

Victor Caputo, na Exame

São Paulo – A Amazon está a caminho de se tornar a melhor amiga de sebos e de quem tem muitos livros encalhados em casa. Isso porque a empresa lança hoje seu marketplace para a venda de livros.

Com o marketplace, pessoas físicas e jurídicas poderão vender livros novos e usados dentro do site da Amazon. “Nosso foco neste lançamento é aumentar o nosso catálogo”, falou a EXAME.com o diretor para livros impressos da Amazon.com.br Daniel Mazini.

O resultado imediato deve ser bastante satisfatório para a empresa. Com alguns parceiros iniciais (que envolvem grandes sebos e até editoras), há um salto de 150 mil para 250 mil títulos em português sendo vendidos dentro do site—uma adição de 100 mil novos títulos portanto. Esse novos títulos são exemplares esgotados, raros, entre outros. A partir de hoje, o número de livros oferecidos deve aumentar com a abertura do cadastro de vendedores.

Para o consumidor, pouco muda. Ao entrar na página de um produto, o comprador poderá ver se aquele título é vendido por terceiros dentro do site. A listagem completa oferece informações sobre preço, estado do exemplar (caso não seja novo) e taxa de entrega. A partir disso, o cliente pode escolher se quer comprar da própria Amazon ou de algum outro vendedor.

Para quem vende

A Amazon oferece dois tipos de perfil de vendedores, o profissional e o não profissional. No profissional, é preciso pagar uma mensalidade (que não será cobrada nos primeiros 3 meses) de 19 reais que traz alguns benefícios (sobre os quais comento dentro de algumas linhas).

O não profissional não chega a ter limitações nas vendas, mas a depender do número de unidades de livros vendidos, acaba pagando mais do que a mensalidade dos profissionais. A cada livro vendido, uma taxa de dois reais deve ser paga para a Amazon. Além disso, a empresa fica com 10% do valor da transação–incluindo o preço do produto somado ao frete cobrado.

Por conta disso, a empresa aconselha que o vendedor assine a conta profissional caso tenha previsão de vender mais do que 10 livros ao longo do mês (10 x R$ 2 = R$ 20, número maior do que os 19 reais da assinatura). Toda a estrutura de pagamentos é gerenciada pela Amazon. O comprador pode, inclusive, escolher por pagar em vezes sem qualquer efeito para quem vende.

Outro benefício da novidade é a possibilidade de vender livros para o exterior—eles são Estados Unidos, Canadá e México (este último somente para os assinantes profissionais). “Finalmente poderemos concretizar um antigo sonho do nosso fundador, Sr. Messias A. Coelho: vender livros no exterior”, afirma em comunicado Cleber Aquino, gerente de e-commerce do Sebo do Messias, um dos parceiros iniciais da Amazon neste lançamento.

A assinatura da conta profissional ainda traz benefícios como atualização por API, criação de políticas de fretes diferenciadas por região do país, cadastro de múltiplos livros por tabela, entre outros.

Garantia Amazon

Tradicionalmente, a empresa fundada por Jeff Bezos tem uma obsessão de aliar preços baixos a uma experiência de alta qualidade para o consumidor.

Por conta disso, a Amazon ficará de olho em quem vende dentro de seu site. Reclamações constantes e problemas não resolvidos serão analisados e podem levar à remoção do vendedor do marketplace. Isso porque o comprador fica coberto pela Garantia de A a Z, da Amazon, ao efetuar uma compra no marketplace–seja a Amazon ou não o vendedor em questão.

Isso garante que o produto será entregue no estado de conservação cadastrado no site. Caso o vendedor não deixe o consumidor satisfeito, a Amazon entra em campo. A empresa poderá devolver o dinheiro integral do consumidor que se sentir lesado.

O marketplace para livros da Amazon entra no ar hoje. Você pode obter mais informações e se cadastrar como vendedor neste link.

Quando a mulher era proibida de ler livros

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Rachel Weisz como Hipátia em cena do filme Alexandria.

Rachel Weisz como Hipátia em cena do filme Alexandria.

 

Mario Sérgio Lorenzetto, no Campo Grande News

Em uma tarde de março de 415 d.C. uma mulher de 60 anos é tirada de sua carruagem por uma multidão enfurecida, em Alexandria, no Egito. Em seguida, é despida e tem sua pele e carne arrancadas com ostras (ou fragmentos de cerâmica, segundo outra versão). É destroçada viva pela turba alucinada. Já morta, arrancam seus braços e pernas. O cadáver é queimado em uma pira nos arredores da cidade. Era o fim da trajetória impressionante de Hipácia de Alexandria. Hipácia foi a primeira mulher de fama internacional no mundo da matemática, astronomia e da botânica. Hipácia foi a primeira intelectual de renome e imensa influencia. “As mulheres que leem são perigosas”, assim pensavam, e agiam, os homens por dezenas de séculos.

Ilustração de Hipátia sendo retirada de sua carruagem. (fonte: irenesoldatos.eu)

Ilustração de Hipátia sendo retirada de sua carruagem. (fonte: irenesoldatos.eu)

 

Somente no século XIX o livro se tornou comum para as mulheres. Foi, e continua sendo, sua maior arma para a conquista da liberdade, sua possibilidade de existência, de se lançar em novos horizontes.

Entre a mulher e o livro estabeleceu-se uma aliança. Com ele, ela podia desejar e imaginar um mundo para si própria. Gesto um tanto ousado – e perigoso. Daí os homens desejarem impedi-la de ler ou controlar o que liam. Até o século XIX, os homens marginalizavam as mulheres que liam, rotulando-as de neuróticas e histéricas. Sobretudo as mulheres que liam “demais”. A leitura permitiu que tomassem consciência do mundo. A leitura, esse ato tão intimo, tão secreto, terminou por colocar a mulher para fora. Fora do núcleo familiar opressor. O vazio do mundo real foi tomado pela ficção.

Para quem vivia, e vive, na prisão do casamento sem amor, das regras sociais sufocantes, a leitura foi a possibilidade de viver em outro mundo que não o seu e, em seguida, mudar a própria vida. De adquirir prazer que lhe era negado. Um prazer solitário de início. Mas que passou à voz. E, depois um grito… de liberdade.

Os personagens mais mal-humorados da história da literatura

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Publicado por Revista Bula
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Pedimos aos leitores, seguidores do Twitter e Facebook que apontassem, entre personagens literários conhecidos, quais eram os mais mal-humorados da história da literatura universal. Na lista, aparecem personagens dos mais díspares perfis, em comum entre eles apenas o mau-humor crônico. De Holden Caulfield, criação de J. D. Salinger em “O Apanhador no Campo de Centeio” — o mais citado —, até o Deus vingativo do Velho Testamento bíblico. Abaixo, a lista baseada no número de citações e uma pequena amostra do humor colérico dos personagens selecionados.

Holden Caulfield — personagem de “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger (Editora do Autor)

“Não sei direito o nome da música que ele estava tocando quando entrei, mas só sei que ele estava esculhambando mesmo o troço pra valer. Dando uma porção de floreios imbecis nos agudos e outras palhaçadas que me aporrinham pra chuchu. Mas valia a pena ver os idiotas quando ele acabou. Era de vomitar. Entraram em orbita, igualzinho aos imbecis que riem como umas hienas, no cinema, das coisas sem graça. Juro por Deus que, se eu fosse um pianista, ou um autor, ou coisa que o valha, e todos aqueles bobalhões me achassem fabuloso, ia ter raiva de viver. Não ia querer nem que me aplaudissem. As pessoas sempre batem palmas pelas coisas erradas. Se eu fosse pianista, ia tocar dentro de um armário.”

José Severo — personagem de “O Ventre”, de Carlos Heitor Cony (Companhia das Letras)

“Só creio naquilo que possa ser atingido pelo meu cuspe. O resto é cristianismo e pobreza de espírito. Não creio nos sentimentais encabulados, nos líricos disfarçados que se benzem quando os raios caem. Meu materialismo é integral. Nasceu no mesmo ventre que me concebeu. Mas voltemos ao irmão. Dentro da predestinação que fez Caim matar o inocente Abel e Jacó passar o conto-do-vigário em Esaú, o torturado irmão foi coisa que sempre desprezei. Nunca fiz indagações em torno de nossas diferenças. Sei, o problema é dos muitos que aguçam a ignorância dos sábios e demais desocupados que teimam explicar coisas inexplicáveis, como a vida. Não sou entendido em cromossomos. O que sei de genética é pouco mas divertido: está espalhado nos mictórios do mundo.”

Homem do subsolo — personagem de “Memórias do Sub­solo”, de Fiódor Dostoiévski (Editora L&PM)

“Não apenas não consegui tornar-me cruel, como também não consegui me tornar nada: nem mau, nem bom, nem canalha, nem homem honrado, nem herói, nem inseto. Agora vivo no meu canto, provocando a mim mesmo com a desculpa rancorosa e inútil de que o homem inteligente não pode seriamente se tornar nada, apenas o tolo o faz. Sim, senhores, o homem do século XIX que possui inteligência tem obrigação moral de ser uma pessoa sem caráter; já um homem com caráter, um homem de ação, é de preferência um ser limitado. Essa é a minha convicção aos quarenta anos. Tenho agora quarenta. E quarenta anos é toda uma vida, é a velhice mais avançada. Depois dos quarenta é indecoroso viver, é vulgar, imoral.”

Arturo Bandini — personagem de “Pergunte ao Pó”, de John Fante (Editora José Olympio)

“Caro Sammy, aquela putinha esteve aqui esta noite; você sabe, Sammy, a pequena sebenta com o corpo maravilhoso e a mente de um retardado. Entregou-me certos alegados textos supostamente escritos por você. Além do mais, afirmou que o homem da foice está vindo ceifá-lo. Sob circunstâncias normais, eu chamaria esta de uma situação trágica. Mas tendo lido a bílis que os seus manuscritos contêm, deixe-me falar para o mundo em geral e dizer imediatamente que a sua partida é uma sorte para todo mundo. Você não sabe escrever, Sammy. Sugiro que se concentre na tarefa de colocar sua alma idiota em ordem nestes últimos dias antes de deixar um mundo que vai suspirar aliviado com a sua partida.”

Heathcliff — personagem de “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë (Editora Landmark)

“Não tenho dó nem piedade, quanto mais os vermes se retorcem, mais desejo sinto eu de lhes revolver as entranhas! É como uma espécie de dor de dentes moral; quanto mais a dor aumente, mais trinco os dentes! (…) O incômodo que me causa sua presença ultrapassa em muito o prazer que eu possa sentir em atormentá-la. (…) Eu sei que você procedeu infernalmente comigo… infernalmente, está ouvindo? E se tem a ilusão de que não apercebi disso, não passa de uma tonta! E se cuida que me consolo com palavrinhas amáveis, é uma idiota! E se imagina que vou ficar sofrendo sem tirar vingança, hei de convencê-la do contrário, e muito em breve!”

Henry Chinaski — personagem de “Misto Quente”, de Charles Bukowski (Editora L&PM)

“Eu não tinha interesses. Eu não tinha interesse por nada. Não fazia a mínima ideia de como iria escapar. Os outros, ao menos, tinham algum gosto pela vida. Pareciam entender algo que me era inacessível. Talvez eu fosse retardado. Era possível. Frequentemente me sentia inferior. Queria apenas encontrar um jeito de me afastar de todo mundo. Mas não havia lugar para ir. Suicídio? Jesus Cristo, apenas mais trabalho. Sentia que o ideal era poder dormir por uns cinco anos, mas isso eles não permitiriam. (…) Eu gostava do lugar, tinha grandes árvores que davam sombra, e desde que algumas pessoas haviam me dito que eu era feio, sempre preferia a sombra ao sol, a escuridão à luz.”

Paulo Honório — personagem de “São Bernardo”, de Graciliano Ramos (Editora Record)

“Sou, pois, o iniciador de uma família, o que, se por um lado me causa alguma decepção, por outro lado me livra da maçada de suportar parentes pobres, indivíduos que de ordinário escorregam com uma sem-vergonheza da peste na intimidade dos que vão trepando. Se tentasse contar-lhes a minha meninice, precisava mentir. Julgo que rolei por aí à toa. Lembro-me de um cego que me puxava as orelhas e da velha Margarida, que vendia doces. O cego desapareceu. A velha Margarida mora aqui em São Bernardo, numa casinha limpa, e ninguém a incomoda. Custa-me dez mil-réis por semana, quantia suficiente para compensar o bocado que me deu. Tem um século, e qualquer dia destes compro-lhe mortalha e mando enterrá-la.”

Ebenezer Scrooge — personagem de “Um Conto de Natal”, de Charles Dickens (Editora L&PM)

“Scrooge era um tremendo pão duro! Um velho sovina, avarento, mesquinho, unha-de-fome e ganancioso! Duro e áspero como uma pedra de amolar, não era possível arrancar dele a menor faísca de generosidade. Era solitário e fechado como uma ostra. A sua frieza congelou o seu rosto e encompridou ainda mais o seu nariz pontudo, murchou suas bochechas e endureceu seu caminhar; deixou seus olhos vermelhos, azulou seus lábios finos e tornou ferino o tom de sua áspera voz. Uma camada de gelo cobria sua cabeça, suas sobrancelhas e seu queixo áspero. Onde ia, levava consigo sua frieza, que gelava o escritório nos dias mais quentes do ano e não degelava nem um grau no Natal. O frio e o calor tinham pouca influência sobre Scrooge. Calor algum podia aquecê-lo e nem o vento de inverno esfriá-lo.”

Deus — personagem da “Bíblia”, no Velho Testamento

“Disse a Moisés: Toma todos os príncipes do povo, e pendura-os em forcas contra o sol: para que o meu furor se aparte de Israel. (…) Matai pois a todos os machos, ainda os que são crianças; e degolai as mulheres que tiveram comércio com os homens. Mas reservai para vós as meninas e todas as donzelas. (…) E o Senhor nosso Deus no-lo entregou: e nós o derrotamos com seus filhos e com todo o seu povo. Tomamos-lhe ao mesmo tempo todas as suas cidades, mortos os seus habitantes, homens mulheres e meninos: e nela não deixamos nada. (…) Mas eles matarão as crianças com as suas setas, e não se compadecerão das mães em cujo ventre elas andarem, e a seus filhos não perdoará o olho deles. (…) E dar-lhes-ei a comer as carnes de seus filhos, e as carnes de suas filhas: e cada um comerá a carne de seu amigo, no cerco, e no aperto, em que os terão encerrados os seus inimigos, e os que buscam as almas deles.”

“Não colocaria meu filho na escola pública”, diz Isadora Faber

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Isadora Faber lança livro sobre o "Diário de Classe" em São Paulo (Foto: Amanda Martins)

Isadora Faber lança livro sobre o “Diário de Classe” em São Paulo (Foto: Amanda Martins)

Lucas Rodrigues, no UOL

Isadora Faber ficou famosa após criar uma página no Facebook, “Diário de Classe”, onde denunciava problemas de infraestrutura em sua escola pública, na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. Depois da experiência, a garota de 14 anos acredita que provavelmente colocaria seu filho na escola privada.

“Não me arrependo de ter feito escola pública por tudo que aconteceu. Mas em relação ao ensino gostaria de não ter estudado”, afirmou em evento de lançamento de seu livro “Diário de Classe – A Verdade” (Ed. Gutenberg) em São Paulo.

A disparidade entre ensinos público e privado foi o estopim para que Isadora começasse a escrever a página. “Fui ver a escola da minha irmã e comecei a ver a diferença. Ela sempre tinha muita coisa para fazer e eu, nada”, conta.

Ela acredita que a educação brasileira ainda tem muito o que melhorar, começando pela atualização dos professores. “Muitos não conseguem mexer em um computador. Acho que é fundamental na sala de aula, porque um quadro e um giz não prendem mais a atenção de um aluno. Não é mais a mesma coisa.”

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Isadora precisou mudar de escola porque sua antiga não tem ensino médio. “Acho que foi a formatura mais comemorada por lá”, brinca a mãe, Mel Faber.

A garota já encontrou algumas vezes sua ex-diretora no ônibus e em uma visita na ex-escola: “Fui buscar a segunda via do meu boletim, e a diretora nem falava comigo. Passou por mim e fingiu que não me conhecia.”

No mesmo dia, a mãe de um aluno que continua no colégio lhe disse que a “escola estava voltando a ser como antes”. Agora estudando em uma instituição particular, Isadora não tem críticas a fazer.

Ela ainda sofre consequências por sua passagem na escola pública. Está respondendo ao processo de uma professora por danos morais. Isadora disse que ela não estava qualificada para dar aulas na sétima série. “O processo está em andamento e não teve nenhuma audiência ainda. Inclusive ela está processando nós e o Facebook”, conta a mãe da estudante.

Sua ONG, criada no ano passado, está com dificuldades para implementar projetos. Um deles, “Aluno Nota 10”, iniciativa inspirada em outra da Bahia, tem como objetivo incentivar os alunos de escolas públicas por meio de prêmios para os melhores.

Inspirações e fama

Fã de livros de ficção, como “Harry Potter” e “Percy Jackson”, agora está lendo “Divergente”. Encantou-se também com a biografia de Steve Jobs. “Foi bem legal ler”, diz Isadora.

Mesmo não tendo encontrado em sua vida acadêmica professores que lhe apoiassem, são eles a sua inspiração. “Quando participo de palestras, conheço vários professores.”

Hoje com 630 mil pessoas que curtem sua página, lidar com a fama para ela é normal. Ano passado, foi eleita pelo jornal britânico “Financial Times” uma das “25 estrelas ascendentes” brasileiras. Ela diz que não se incomoda quando pedem para tirar foto com ela na rua. No livro, inclusive, dá dica para que futuros criadores de diários de classe não deixem a fama subir à cabeça. “Isso é para não virar estrela”, explica.

Faria algo diferente? “Sempre pensava o outro lado [se estava sendo injusta] quando vinham críticas. Mas não, faria tudo de novo”, diz enfática.

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