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Moradora de favela faz vaquinha para pagar universidade em Portugal

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Marcelle Souza, no UOL

Leidiane Silveira, 21, foi aprovada na Universidade de Coimbra

Leidiane Silveira, 21, foi aprovada na Universidade de Coimbra

No início deste mês, Leidiane Silveira, 21, foi surpreendida duas vezes: primeiro com a aprovação no curso de economia da Universidade de Coimbra, em Portugal, e, em seguida, ao descobrir que o valor cobrado pela instituição é bem maior do que o esperado.

Ela foi selecionada pela instituição com a sua nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A universidade anunciou a adesão ao exame brasileiro em abril e foi a primeira instituição estrangeira a aceitá-lo como forma de ingresso. No processo de maio deste ano foram ofertadas mais de 600 vagas para estudantes do Brasil.

“Eu não estava ciente de todas as taxas quando realizei minha inscrição, imaginei que houvesse alguma taxa, mas não sabia que chegaria a ser 7.000 euros por ano [o equivalente a R$ 21 mil]”, diz Leidiane, que mora em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.

Diante das taxas inesperadas, Leidiane foi estimulada pelos colegas a fazer uma vaquinha virtual para tentar arrecadar R$ 6.400, que corresponde a cerca de 30% da primeira anuidade, que deve ser paga já em setembro.

“Na vaquinha, eu peço inicialmente o valor para concretizar a matrícula, mas paralelamente, estou em busca de instituições ou pessoas físicas que possam me financiar durante esse período da faculdade, para que eu possa pagar tudo depois. E, simultaneamente, farei todo o possível para conseguir uma bolsa na própria universidade através de bons rendimentos”, afirma.

Leidiane foi bolsista nos três anos do ensino médio do colégio Pueri Domus e chegou a cursar um ano de economia na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) com bolsa do Prouni (Programa Universidade Para Todos). O benefício na universidade foi perdido porque a família ultrapassou a renda máxima de um salário mínimo e meio por pessoa exigido pelo programa federal.

Sem dinheiro para a mensalidade na PUC, ela decidiu tentar a seleção na Universidade de Coimbra como forma de juntar dois sonhos: fazer faculdade e estudar fora do país. “Pensava em fazer um período de intercâmbio em 2015 ou 2016. E por uma feliz coincidência, vi nessas vagas abertas na UC uma oportunidade maior ainda, pois não seria seis meses ou um ano, mas toda a graduação fora do país em uma ótima universidade, e eu acredito fielmente que é uma enorme oportunidade tanto curricular como pessoal”.

A vaquinha ficará no ar até o dia 19 de setembro, pouco antes do início das aulas. Até agora, ela arrecadou pouco mais de 20% dos R$ 6.400. Além dos 30% da anuidade, ela procura ajuda financeira para a passagem aérea, as demais taxas da universidade e as despesas para morar em Portugal.

“Não quero nada de graça nem de ‘mão beijada’. Estou atrás de alguém que possa financiar, mesmo que sob contrato e com as taxas de juros aproximadas das do mercado atual, e, assim que eu terminar os estudos e começar a trabalhar, eu pagarei tudo devidamente como o combinado”, diz.

Custos dificultam mudança de estado de aprovados no Sisu

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Sistema permite mobilidade; governo oferece bolsas de estudo de R$ 400.
Prazo de matrícula dos convocados na 1ª chamada termina nesta terça (21).

Milena, de 18 anos, vai deixar Campo Grande para estudar na Federal de Sergipe (Foto: Jorge Henrique/G1)

Milena, de 18 anos, vai deixar Campo Grande para estudar na Federal de Sergipe (Foto: Jorge Henrique/G1)

Publicado por G1

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do governo federal permite que estudantes sejam aprovados em universidades de qualquer estado da federação. Assim, por exemplo, um estudante da Região Norte pode ingressar em uma instituição do Sul, e vice-versa. Mas essa mobilidade também cria um obstáculo para que alguns dos convocados efetivem suas matrículas: a dificuldade financeira para se sustentar longe de suas cidades de origem.

Para não perder a vaga, alguns desses alunos afirmaram ao G1 que vão recorrer a moradias estudantis e buscar empregos e estágios, entre outras alternativas. Há ainda os que desistiram e vão adiar o sonho de entrar na faculdade. O prazo para matrícula dos candidatos aprovados na primeira chamada termina nesta terça-feira (21).

Jeane passou no 1º lugar de ciências biológicas da Ufam (Foto: Arquivo pessoal/Jeane Souza)

Jeane passou no 1º lugar de ciências biológicas
da Ufam (Foto: Arquivo pessoal/Jeane Souza)

Jeane Souza, de 18 anos, moradora do Amapá, passou em 1° lugar no curso de ciências biológicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mas abriu mão da vaga por conta da condição financeira da família.

“Entrei em consenso com meus pais para cursar uma graduação no Amapá. Espero o resultado da Unifap [Universidade Federal do Amapá] e ainda vou tentar uma vaga no Prouni [Programa Universidade para Todos, do governo federal]”, diz Jeane, conformada.

A compra de passagens aéreas para realização da matrícula presencial obrigatória em Manaus e o custo de se manter na capital amazonense durante a graduação foram as principais dificuldades que levaram à desistência da jovem.

“Por estudar tanto em 2013, decidi me inscrever em uma universidade federal mesmo sabendo do risco de não conseguir viajar. A minha primeira opção no Sisu seria medicina, mas acompanhei a nota de corte e vi que não era possível. Então optei pela Ufam, porque seria viável ser aprovada. Foi uma realização pessoal”, afirma.

Esforço e economia
A estudante Milena Gama Caetano, de 18 anos, mora em Campo Grande e foi aprovada no curso de medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS) pelo Sisu. Ela já fez a matrícula, está se preparando para se mudar para Aracaju, mas vai precisar de ajuda para conseguir cobrir os gastos.

Milena disse que pagou caro na passagem aérea para garantir a matrícula. Por isso, pretendia dormir no aeroporto para evitar gastos com hospedagem. Os planos dela, porém, mudaram após um amigo oferecer hospedagem em sua casa.

A jovem tem visão monocular (só enxerga de um olho) e concorreu às vagas de cota para portadores de deficiência física. Por conta disso, antes de efetivar a matrícula, a estudante vai ser avaliada por uma junta médica da UFS.

Milena contou que já pesquisou os custos de moradia e alimentação em Sergipe. “Nos primeiros meses, vou ficar em um pensionato, depois pretendo me mudar para um apartamento e dividir o aluguel com algum amigo”, disse. Para economizar, ela também vai fazer as refeições no restaurante da universidade. “O almoço custa mais ou menos R$ 1. Ainda vou tentar uma bolsa de iniciação científica ou de auxílio a universitários, para me ajudar”, afirmou.

O mineiro Gerry vai tentar o auxílio-moradia da UFBA (Foto: Gerry Costa/Arquivo pessoal)

O mineiro Gerry vai tentar o auxílio-moradia da
UFBA (Foto: Gerry Costa/Arquivo pessoal)

Ajuda de parentes
O estudante Gerry Costa, de 22 anos, que mora em Belo Horizonte, foi aprovado no curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. Na nota de corte, ele obteve 802 pontos. Com essa pontuação, Gerry disse que não conseguiria passar no mesmo curso na Universidade de Minas Gerais (UFMG).

Para se manter na capital baiana, o estudante pretende contar com a ajuda de parentes e com um provável auxílio-moradia oferecido pela UFBA. “Também penso em arrumar um emprego ou, quem sabe, um estágio na área.”

Atualmente, o jovem mora com a avó, Maria da Conceição Azevedo, de 77 anos, e disse que ela se assustou quando soube que o neto vai mudar de estado, mas entendeu que essa é uma chance de vida para ele. “Estou correndo atrás do meu sonho. Todo esforço é válido.”

Treineiro aprovado
O estudante João Pedro Lopes de Lima, de 16 anos, ainda não concluiu o ensino médio e acabou disputando uma vaga pelo Sisu como treineiro. Ele passou no curso de bacharelado em história na Universidade Federal de Goiás (UFG), mas não vai efetuar a matrícula porque, mesmo que já tivesse concluído o ensino médio, não teria condições financeiras para mudar de estado. “Fiquei desapontado, mas me conformei”, diz João Pedro, que mora em Crateús, no interior do Ceará.

O jovem estuda em escola pública e diz que sempre sonhou em estudar história. “Não temos condições econômicas. Teria que ficar em uma residência estudantil. Pensei em tentar uma bolsa de iniciação ou trabalhar, mas poderia não conseguir.” João Pedro mora com a mãe, que é trabalhadora autônoma e não tem renda suficiente para sustentá-lo em outro estado.

O estudante afirma que a aprovação como treineiro no Sisu também serviu de estímulo para que ele se prepare mais e consiga uma aprovação no fim de 2014 – desta vez, na Universidade Federal do Ceará (UFC). “Vou estudar bastante para a UFC”, disse João Pedro, acrescentando que tem outros colegas na mesma situação.

Milena, de MS, é recepcionada por colega no dia da matrícula em Sergipe (Foto: Jorge Henrique/G1)

Milena, de MS, é recepcionada por colega no dia da
matrícula em Sergipe (Foto: Jorge Henrique/G1)

Bolsa de R$ 400
Para tentar diminuir o problema de alunos que não têm como se manter longe de suas cidades natais, o Ministério da Educação (MEC) criou, em maio do ano passado, o Programa Nacional de Bolsa Permanência para estudantes de graduação de universidades e institutos federais. O governo destina R$ 400 mensais a alunos com renda familiar média per capita de até 1,5 salário mínimo durante o período do curso. Para quilombolas e indígenas, a bolsa é de R$ 900.

Segundo o MEC, o estudante não precisa ter ingressado no ensino superior por meio do sistema de cotas nem ter cursado o ensino médio em escolas públicas para receber a “bolsa permanência”. Para conceder o benefício, o MEC exige, além do critério financeiro, que o aluno esteja matriculado em um curso cuja carga horária média seja de cinco horas diárias.

Além do programa do governo federal, há instituições que mantêm iniciativas específicas para alunos carentes, como moradia e ajuda financeira para cobrir os custos com transporte e alimentação.

Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Fundação Universitária Mendes Pimentel (Fump) é a instituição responsável por prestar assistência aos estudantes de baixa renda. Eles são classificados por nível de dificuldade financeira, e os mais carentes não pagam para comer nos restaurantes universitários, têm moradia, tratamento médico e odontológico gratuitos, ganham bolsas para pagar transporte e material acadêmico, entre outros benefícios.

Já na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há um alojamento com 504 quartos no campus da Cidade Universitária. As vagas são distribuídas mediante avaliação da condição socioeconômica e da distância do local de moradia da família do candidato.

Ações isoladas
Organizações sem fins lucrativos – como a Fundação Estudar, com sede em SP – também são opções a estudantes que têm dificuldade financeira para bancar os estudos, seja com despesas de mensalidade ou de moradia. Todos os anos, a Estudar seleciona, em média, 30 bolsistas que recebem auxílio em dinheiro e uma espécie de “mentoria profissional” (orientação e acompanhamento sobre carreira, com dicas profissionais e de mercado).

As bolsas da fundação variam de 5% a 95% do valor solicitado pelo candidato, e é concedida de acordo com sua condição socioeconômica. A seleção, no entanto, é rigorosa. Mais que um excelente desempenho acadêmico, a instituição procura estudantes de graduação e pós que tenham “sonhos e projetos para melhorar o país”.

Chega às livrarias “1889”, último (e melhor) título da trilogia criada pelo jornalista Laurentino Gomes

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Chega às livrarias “1889”, último (e melhor) título da trilogia criada pelo jornalista Laurentino Gomes, série que vendeu mais de 1,5 milhão de livros e colocou a história do Brasil na moda

1889

Ana Weiss, na IstoÉ

Falar da vida privada das pessoas atrai público. Como jornalista de longa data, Laurentino Gomes conhecia bem esse fato, mas não poderia calcular onde isso o levaria. Em 2007, nas vésperas de sua aposentadoria, ao lançar “1808”, o primeiro volume da série que fecha agora com “1889”, última e melhor narrativa da trilogia que percorre o período da chegada da corte portuguesa até o governo Campos Salles, Gomes alcançou o feito inédito: manter por dois anos consecutivos um livro sobre história do Brasil no topo dos mais vendidos no País. A marca o obrigou a largar a carreira de executivo de mídia, mudar de casa e de vida e assumir o status de personalidade, amada por estudantes e detestada por muitos historiadores.

FINAL O último volume da série mostra como a República brasileira só começaria, de fato, com o movimento das Diretas Já. Não por acaso, a data e os personagens ligados a ela, segundo o autor, são menos lembrados que os legados pela Monarquia

FINAL
O último volume da série mostra como a República brasileira só começaria,
de fato, com o movimento das Diretas Já. Não por acaso, a data e os personagens
ligados a ela, segundo o autor, são menos lembrados que os legados pela Monarquia

“Não foi fácil”, diz o jornalista, na varanda de sua casa em Itu, onde vive com a mulher e agente literária, Carmen Gomes, e a cadela Lua. Laurentino Gomes é hoje um dos raros autores nacionais que vivem exclusivamente de sua literatura. Isso permite certos luxos como, por exemplo, estabelecer seu ritmo de trabalho – um livro a cada três anos. “Passo dois anos e meio pesquisando e seis meses escrevendo.” Para este “1889”, que como os anteriores traz a sinopse no subtítulo (Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil), o autor se exilou em State College, na Pensilvânia, para a fase da apuração.

Foram mais de 150 fontes de consulta (devidamente reproduzidas no fim do livro), adquiridas em sebos, bibliotecas e “na maravilhosa invenção chamada Estante Virtual”, escarafunchadas sem nenhuma ajuda. “O pesquisador contratado traz exatamente o que você pede”, explica. “E é muitas vezes da informação inesperada que saem as passagens mais interessantes do trabalho”, diz. “Além do que, confesso, adoro a fase de pesquisa. Já escrever, para mim, é um fardo.” O escritor tem consciência de que a boa costura de seu fardo faz toda a diferença na apreciação do público.

Não são apenas os desconcertos pessoais, as pequenas falhas e curiosidades da vida privada e grandes personalidades históricas que fecharam o 1,5 milhão de compras do primeiro e do segundo livro do autor, “1822” (quase um ano encabeçando o rol de mais vendidos), mas também a forma atraente com que eles são embalados. “São só técnicas jornalísticas. Isso inclui jogar muita luz nos personagens, no que eles têm de banal ou comovente”, ensina o autor, que no mês que vem lança “1808” nos Estados Unidos – um mercado fechadíssimo, do qual apenas 2% dos títulos são estrangeiros.

Na esteira do sucesso internacional, veio também o incômodo da academia. “O que faço hoje é jornalismo. Meus livros são reportagens. E é da natureza da imprensa sofrer represálias dos especialistas.” Entre críticas, “estridentes e até agressivas”, conta, e declarações derramadas de estudantes que puderam entender passagens relatadas de forma árida pelos livros didáticos, o autor se sente feliz com a média afetiva de seu público. “Fico envaidecido de saber que os historiadores olham para os meus livros. Mas minha maior vitória, até por ser um desafio autoimposto a cada livro, é chegar de forma clara aos estudantes. Eles se divertirem com a leitura é lucro puro.”

Não são só os estudantes que se divertem com o contorno pitoresco com que Laurentino Gomes apresenta os personagens, cujas características extrai de pesquisa bem fundamentada. Das consultas ao levantamento do historiador José Maria Bello, referência sobre a vida social da República Velha, o escritor apresenta Deodoro da Fonseca, figura central da Proclamação da República, em atos que revelam que, além da fragilidade ideológica e física, o marechal alagoano padecia de um estado de ânimo errático que flutuava entre o drama e a histeria. Para renunciar à presidência, o ex-imperialista escolheu abrir o discurso se dizendo “o derradeiro escravo do Brasil.” Dois meses depois o proclamador do novo regime morreu e foi enterrado sem farda.

Do governante seguinte, Floriano Peixoto, Gomes reuniu descrições ácidas de intelectuais do período, que na narrativa, como em uma boa ficção, têm o efeito redentor de ver o vilão como alvo de chacota e críticas. “Não se pode ter medo do tamanho dos fatos ou dos personagens.” O próximo livro? “Não sei. Me interessam muito as revoltas do período, a Revolução Federalista, Canudos. Seria algo como ‘Um Brasil em Chamas’”, diz. “Mas, com certeza, só posso dizer que o próximo não terá um número na capa.”

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Livro de 2 cm² é descoberto nos Estados Unidos

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Publicado no Folha do Sertão

Título original: Livro de 2 cm² é descoberto nos Estados Unidos; Curioso pra saber o que há nele? Veja

Livro de 2 cm² é descoberto nos Estados Unidos; Curioso pra saber o que há nele? VejaImagine qual seria a sua curiosidade ao se deparar com um livro de apenas 2 cm² e 1 mm de espessura.

Certamente, você ficaria com muita vontade de descobrir o que está sendo dito nele — e não precisa se sentir culpado, pois a sensação seria a mesma para a grande maioria das pessoas. Mas como fazer para ler algo assim? Apenas com os olhos humanos seria impossível.

Na Universidade de Iowa (Estados Unidos), um livro com as dimensões que foram mencionadas anteriormente foi encontrado em uma biblioteca que reúne mais de 4.000 obras em miniatura. A bibliotecária responsável pelo encontro afirma que ele estava na caixa de “microminiaturas”, sendo ainda menor do que os outros itens que estariam na mesma coleção.

Só era possível identificar a capa, que mostra uma cruz dourada em meio a uma superfície vermelha. Com isso, havia grandes chances de o pequeno livro ser uma versão reduzida de uma bíblia, mas a bibliotecária Colleen Theisen queria ir além. Como informa o The Atlantic, Theisen recebeu a ajuda de Giselle Simón para colocar a obra em um microscópio da Biblioteca de Iowa, conseguindo identificar qual era a editora do livro.

Com isso, conseguiram chegar ao nome da Toppan Printing. Rastreando e cruzando informações, conseguiram descobrir que o livro foi lançado na Feira Mundial de Nova York de 1965. Mas ele não era uma obra independente, pois fazia parte de um conjunto com uma versão maior do mesmo texto: o primeiro capítulo do Gênesis (livro da Bíblia) escrito pelo Rei James para a igreja Anglicana.

Nos EUA, aulas durante as férias oferecem mais do que reforço

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Cursos oferecidos durante o verão são reformulados e misturam conteúdos acadêmicos e culturais

Publicado por Último Segundo

Há poucos anos, escolas de todos os Estados Unidos estavam cortando as aulas de férias de verão por falta de orçamento. Agora, apesar dos desafios orçamentários permanecerem, muitos distritos estão reformulando os cursos de férias, tornando-os algo além de um exercício obrigatório de recuperação.

De acordo com a ONG National Summer Learning Association, 25 dos maiores distritos escolares do país desenvolveram programas para o curso de verão que vão além do tradicional reforço. Escolas públicas da cidade de Nova York oferecem no verão opções que misturam conteúdos acadêmicos com enriquecimento cultural, como aulas intensivas de artes e um programa que combina aulas com estágio remunerado.

NYT Aulas de ciências no verão na Escola de ensino fundamental Sallye B. Mathis, em Jacksonville

NYT
Aulas de ciências no verão na Escola de ensino fundamental Sallye B. Mathis, em Jacksonville

Em Jacksonville, o ano letivo terminou há três semanas, mas Roshelle Campbell continua levando seu filho Gregory para um dia de aulas cheio. Gregory, de 6 anos, é um dos mais de 300 alunos que vão passar seis semanas de suas férias de verão na escola Mathis, mas não porque foi mal nas provas. “Ele sempre foi muito esperto. Acho que a educação é muito importante e não quero que ele perca oportunidades durante as férias de verão”, diz a mãe.

Mesmo em distritos com graves problemas fiscais, como Baltimore, Chicago, Filadélfia, Pittsburgh e San Francisco, autoridades da educação conseguiram ajuda da organizações filantrópicas, particularmente daquelas que acreditam que as aulas nas férias podem ajudar os estudantes com condições sociais desfavorecidas. “Conheço vários alunos de escolas públicas que estão na Europa ou em acampamentos. Isso é ótimo, mas temos de pensar se todas as crianças têm acesso e oportunidades, se não passam o dia em casa vendo desenhos e comendo porcarias”, diz Nikolai Vitti, superintendente das escolas públicas do distrito de Duval.

Cada vez mais os educadores veem o verão como uma época para reforçar o conteúdo que as crianças – incluindo tanto as de alto desempenho quanto as que apresentam dificuldades – aprendem durante o ano letivo. Junto com leitura, matemática e ciências, as escolas têm oferecido atividades de artes e músicas, vela, esgrima e karatê, além de passeios a museus e teatros.

Pesquisas mostraram que os estudantes regridem durante as férias, perdendo em média um mês de instrução por ano, com a chamada queda de verão afetando desproporcionalmente os alunos de renda mais baixa. A falta de programas de qualidade durante o verão também afeta famílias em que ambos os pais trabalham, deixando as crianças com poucas opções durante os longos meses de folga.

Enriquecer os cursos de verão “deveria ser parte da educação pública até que conseguíssemos reorganizar o calendário escolar tradicional, que não se encaixa mais na vida dos americanos”, diz Harris M. Cooper, professor de educação na Universidade Duke. “Acrescentar 20 dias de aula por ano e ter vários intervalos curtos em vez de um único longo período de férias se encaixa melhor com a forma que as famílias vivem e no jeito que as crianças aprendem.”

Em um esforço para avaliar que tipo de programa produz melhores resultados acadêmicos, a Wallace Foundation iniciou um estudo em vários distritos, com 5.700 alunos que vão entrar no quarto ano. O estudo vai comparar os resultados em testes padronizados ao longo de dois anos, assim como fatores comportamentais, como a habilidade dos alunos de trabalhar em grupo e persistir nas tarefas.

NYT Estudante da quarta série se diverte com games de matemática e ciências nas férias

NYT
Estudante da quarta série se diverte com games de matemática e ciências nas férias

Em uma manhã recente, na escola fundamental de Mathis, sete estudantes do quarto ano estavam juntos em um computador da biblioteca para escrever o script de um curta metragem que eles produziriam mais tarde. O professor de inglês andava entre grupos de estudantes, fazendo gentilmente sugestões de edição e ajudando na pontuação. “Isso é muito mais divertido do que a escola”, disse Asi’yon Brinson, 9 anos.

Ao escrever o script o aluno usa as habilidades acadêmicas, mas de um jeito mais divertido do que em um exercício regular das aulas de inglês. “Eles nem percebem que estão aprendendo a escrever”, diz a diretora da escola, Angela Maxey. Segundo ela, o programa também está servindo como uma espécie de laboratório para novas ideais pedagógicas. “Era assim que a escola deveria ser durante o ano inteiro”, afirmou.

Mas Angela foi contundente sobre o fato de que ter o financiamento de uma ONG permitiu iniciativas improváveis normalmente, como dar festas de sorvete para os alunos. “Você pode dizer que poderíamos usar o dinheiro de outra forma. Mas as crianças estão sorrindo, elas não tem faltado e estão aprendendo. Parte do esforço é motivar as crianças a aprender durante o verão.”

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