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Professora da rede estadual de SP dá aula vestida de palhaça

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Lucas Rodrigues, no UOL

Professores da rede estadual de SP fazem manifestação na avenida Paulista

A docente da rede estadual de São Paulo Nancy Almeida Silva, 37, compareceu, caracterizada de palhaça, à assembleia da categoria, que aconteceu nesta sexta-feira (3), no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista. Os professores estão em greve e vão decidir se a paralisação continua.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 2 mil pessoas interditaram as faixas no sentido Consolação. O sindicato dos docentes contesta o número e acredita que mais de 10 mil pessoas compareceram ao ato.

Formada em letras e há cinco anos trabalhando na sala de aula, Nancy conta que veio à assembleia vestida de palhaça porque é como se sente tratada pelo governo. “Eu sinto como se as autoridades me tratassem dessa forma, mas eu já cansei de dar aula assim. Não como protesto, mas por gosto”, conta.

Ela trabalha na escola Amélia Kerr, na zona sul da capital paulista, e conta que já se vestiu na sala de aula como Gasolina Blue Blue, uma esteticista que fala sobre aplicações de botox e até de Michael Jackson – tudo para que suas aulas ficassem mais divertidas para os alunos.

“Hoje eu dou aula de português assim para incentivar a leitura e fazer brincadeira com os estudantes”, diz Nancy. “As aulas ficaram maravilhosas, tudo que eu dizia os alunos assimilavam, participavam da aula e o conteúdo não ficava chato”.

A ideia começou quando a professora, hoje efetiva, era eventual. “Eu estava decidida a parar de dar aula, por desrespeito dos alunos e dos colegas, mas resolvi fazer uma revolução e ser como eu sou, me vestir do jeito que eu gosto e mostrar quem sou na sala de aula”, conta.

“Luto agora pelo piso, pela redução da jornada, pela não privatização do nosso hospital e também em prol dos colegas da categoria O”, afirma a docente. “Eu já fui professora temporária e foi horrível. Só duas faltas por ano, e eu estava no período de efetivação, então tinha que faltar para ir ao curso de formação”.

Jovens improvisam ‘bibliotecas’ em pontos de ônibus no Rio

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Passageiros podem pegar e trocar livros em estantes espalhadas na cidade.
Projeto ‘Troque 1 livro’ está espalhado por 10 locais da Zona Sul.

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Bibliotecas improvisadas no Rio pelo projeto “Troca 1 livro” (Foto: Divulgação)

Publicado por G1

Por iniciativa de um grupo de cinco jovens, alguns pontos de ônibus da Zona Sul do Rio de Janeiro se transformaram em bibliotecas itinerantes. Os caixotes usados nas feiras livres viraram estantes de livros, que abrigam obras de Vladimir Nabokov a Jorge Amado, passando por contos infantis e escolares, que podem ser trocados e lidos gratuitamente pelos passageiros nos longos engarrafamentos da cidade.

O designer Vitor Sento Sé, um dos autores do projeto intitulado “Troque 1 livro”, explica que o objetivo da ação é desenvolver o potencial criativo da cidade. “Queremos melhorias e ideias inovadoras para o Rio. Nesse início, 100 livros foram doados por amigos. Queremos expandir para outros locais, como a Zona Norte e o Subúrbio”, conta o jovem de 30 anos.

Projeto começou em 10 pontos de ônibus (Foto: Divulgação)

Projeto começou em 10 pontos de ônibus
(Foto: Divulgação)

No primeiro dia do projeto, que teve início na quarta-feira (3), dez pontos de ônibus receberam as bibliotecas improvisadas. Os livros podem ser retirados e entregues na Rua Cosme Velho, na altura do Colégio São Vicente, na Praça Santos Dumont, na Gávea, na Rua da Passagem, em Botafogo, na Rua Jardim Botânico, na altura do Parque Lage, e em Ipanema, na esquina das ruas Garcia d´Ávila e Joana Angélica.

“Sabemos que na França e na Alemanha existe esse conceito de livros nos pontos de ônibus, mas lá não tem essa ideia de trocar, que é o mais legal do projeto”, diz o arquiteto e urbanista Hugo Rapizo, 28, um dos autores da iniciativa.

Além de Vitor e Hugo, integram o projeto o arquiteto André Almeida, o fotógrafo Marcelo Braga e o designer Jonas Dihel. Os jovens também são os criadores do programa “Simplicidades”, que promove exposições e atividades na cidade através do financiamento coletivo na internet.

dica do João Marcos

Incêndio destrói depósito de maior rede de livrarias do Sul do Brasil

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Rafael Moro Martins, no UOL

Um incêndio destruiu um barracão que pertence às Livrarias Curitiba na Vila Hauer, região leste de Curitiba. O fogo começou por volta das 22h de domingo (3). Alertados por vizinhos, os bombeiros chegaram ao local cerca de 15 minutos depois e controlaram as chamas durante a madrugada desta segunda (4).

O trabalho de rescaldo prossegue, para evitar a formação de novos focos de incêndio, e só deve terminar no fim da tarde. Um bombeiro que trabalhou no combate às chamas foi o único ferido – ele foi atingido por uma estante de livros que desabou. Encaminhado a um hospital com escoriações, ele passa bem.

A livraria informou que o depósito, de cerca de mil metros quadrados, era utilizado para abrigar livros infanto-juvenis da Editora Libris, que pertence ao grupo. Segundo os bombeiros, todo o material abrigado no galpão foi queimado.

“Usamos aproximadamente 20 homens e até cinco carros. Conseguimos controlar o fogo, evitando que as chamas atingissem barracões vizinhos”, disse ao UOL o tenente Rafael Busatto, do Corpo de Bombeiros.

A causa do incêndio só será conhecida após perícia. Ainda não há informações sobre quantos volumes estavam no depósito nem sobre prejuízos. Tanto o prédio quanto o estoque estavam cobertos por seguro.

Fundada em 1963 em Curitiba, a rede tem 20 lojas em quatro Estados – Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – onde opera sob as marcas Livrarias Catarinense e Livrarias Porto, respectivamente. Atualmente, é líder de mercado no Sul do Brasil nos segmentos de livros e papelaria.

dica da Judith Almeida

Poeta Manoel de Barros pode ser indicado ao Prêmio Nobel de Literatura de 2013

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Carlos Martins, no Campo Grande News

Manoel de Barros ao lado do jornalista Bosco Martins (Foto: Maurício Almeida)

Manoel de Barros ao lado do jornalista Bosco Martins (Foto: Maurício Almeida)

O nome de Manoel de Barros, o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários, consta em uma lista interna da União Brasileira dos Escritores (UBE) como um dos possíveis indicados para a Academia Sueca para concorrer ao prêmio Nobel de Literatura de 2013.

Nascido em Cuiabá, no então Mato Grosso Uno, em 19 de dezembro de 1916, o poeta vive em Campo Grande. Manoel Wenceslau Leite de Barros, conhecido como Manoel de Barros, recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis.

Por enquanto, além do nome de Manoel de Barros, constam também na lista os nomes de Ferreira Gullar (poeta nascido em São Luis em 10 de setembro de 1930) e Nélida Pinõn (escritora nascida no Rio de Janeiro em 3 de maio de 1937). A informação é do jornalista Bosco Martins, em post publicado em sua página do Facebook.

Segundo o jornalista, que já entrevistou o poeta algumas vezes, a reunião decisiva acontece na próxima semana. “Toda torcida para o nosso poeta maior. Ta super confirmado”, escreveu Bosco.

O jornalista diz, ainda: “Na minha humilde e insignificante opinião os três são merecedores da citação. Mas com todo respeito aos demais, o nome de Manoel de Barros destoa e tudo de bom seria ele não só ser o indicado, mas o vencedor do prêmio…”

Sobre a obra de Manoel de Barros, Bosco Martins diz que “sua poesia tem tudo a ver com O Nobel, pois tem muita paz e luz em tudo o que escreveu em toda sua obra poética. Em sua obra originalíssima no universo literário mundial, a poesia está sempre recorrente, de seres amiúdes…”

Prossegue o jornalista: “Com uma estética insuperável é uma voz permanente em favor dos que habitam o oco do mundo. Um poeta de raríssima escrita e que aparece somente em tempos seculares, como no caso de Rosa (Guimarães). Manoel que fala da natureza sem ser “o poeta da natureza” e em seu “escritório de inutensílios” inventa sua poesia como outro olhar sobre as coisas e o mundo. Embora Manoel já tenha recebido os principais prêmios da literatura, estamos empolgados e felizes, pela possibilidade de também ser reconhecido com um prêmio da desenvoltura do Nobel literário…”

O Nobel de Literatura é um prêmio literário concedido anualmente desde 1901. A Academia Sueca é quem escolhe o escritor e o anuncia no começo do mês de outubro de cada ano. Conforme o criador da distinção, Alfred Nobel, o prêmio é atribuído a um autor de qualquer nacionalidade que tenha produzido, através do campo literário, o “mais magnífico trabalho em uma direção ideal”. “Trabalho” significa para Nobel a obra inteira desse escritor, seus principais livros, sua mentalidade, seu estilo e suas filosofias, não distinguindo uma obra em particular.

dica da Luciana Leitão

Morto há cem anos, autor de “O Cortiço” ainda instiga

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Marco Rodrigo Almeida, na Folha de S.Paulo

Quando você leu Aluísio Azevedo pela última vez?

Se já saiu da escola há alguns anos, é bem provável que nunca mais tenha passado os olhos por qualquer texto do autor de “O Cortiço” –ou mesmo que o confunda com outros Azevedos ilustres da literatura brasileira do século 19: Artur (de quem era irmão) e Álvares.

Não se trata de um azar específico de Aluísio (1857-1913), cuja morte completa cem anos nesta segunda, dia 21.

Reprodução
O escritor Aluísio Azevedo
O escritor Aluísio Azevedo

Quase todos os autores brasileiros do século 19 –Machado de Assis é a maior exceção– são mais próximos do universo escolar e acadêmico, lidos mais por pesquisadores e estudantes. São o que se costuma chamar de “autores de vestibular”.

“Machado é o maior, mas um galo sozinho não tece uma manhã. Não há motivo para um brasileiro não ler Aluísio Azevedo”, diz Luiz Dagobert de Aguirra Roncari, professor de literatura brasileira da USP.

Houve um tempo, contudo, em que Aluísio ofuscou até mesmo Machado (1839-1908). Em 1881, ambos publicaram obras fundamentais. Machado lançou “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e Azevedo, “O Mulato”.

Enquanto as inovações do primeiro tiveram repercussão discreta na época, o segundo, de linguagem crua, mais explícito em seu retrato do preconceito, da corrupção do clero e do desejo sexual, gerou escândalo e sucesso.

Nos anos seguintes, produziu outros livros importantes, como “Casa de Pensão” (1884) e “O Cortiço” (1890), este último sua obra-prima, conhecido, mesmo que de orelhada, por quase todo mudo que já passou pela escola.

Com esses três livros, Aluísio firmou-se como o principal expoente nacional do naturalismo, escola literária fortemente influenciada por teorias científicas, como o evolucionismo, que procura retratar fielmente a realidade.

Por suas qualidades, e também pelas controvérsias que desperta, sua obra, longe de engessada, segue bastante viva.

“‘O Cortiço’ é excepcional. Tem grande consistência estética e inaugurou um novo tipo de romance urbano no Brasil”, afirma Paulo Franchetti, professor da Unicamp.

ALEGORIAS

O principal romance de Aluísio retrata a vida de trabalhadores miseráveis que coabitam um cortiço no Rio do fim do século 19. No centro da trama está o comerciante português João Romão, que não mede esforços para enriquecer.

Divulgação
Imagem de cortiço no Rio no começo do século 20, pouco depois da publicação do livro
Imagem de cortiço no Rio no começo do século 20, pouco depois da publicação do livro

Em “De Cortiço a Cortiço”, famoso ensaio que dedicou ao livro, Antonio Candido argumenta que Aluísio, mesmo tendo se inspirado na obra do francês Émile Zola, deu cor local à trama, criando uma alegoria do Brasil, do conflito entre as classes e do nosso capitalismo primitivo do final do século 19.

O ensaio destaca o pioneirismo do romance ao retratar a menstruação e o lesbianismo.

Mas Candido também aponta alguns problemas e chavões, de certa forma característicos do naturalismo. O clima e a mestiçagem são encarados como causa da miséria e desgraça dos personagens.

“Aluísio teve o mérito de colocar a miséria em cena, mas alguns aspectos ficaram datados. Com essa visão sobre o clima e a raça, as contradições sociais ficaram diluídas”, avalia Cilaine Alves Cunha, professora de literatura da USP.

“É um livro complexo. Tem aspectos conservadores, mas, por outro lado, tanta densidade”, afirma Franchetti.

“A epígrafe, por exemplo, cita uma fábula sobre são Francisco. Mas como isso se articula ao resto do livro? Ainda hoje é difícil de entender.”

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