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Editora relembra 40 anos de sua amizade com Ferreira Gullar

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Ferreira Gullar e Maria Amélia Mello num café da manhã, em São Luís (MA), em 1999

Ferreira Gullar e Maria Amélia Mello num café da manhã, em São Luís (MA), em 1999

 

Maria Amélia Melo, na Folha de S.Paulo

RESUMO Responsável por editar livros de Ferreira Gullar, autora relembra diversos episódios relacionados à vida e à obra do poeta, morto há exatos seis meses. Relatos remontam ao primeiro encontro, em 1977, passam pela colagem que o escritor fez em parceria com um gatinho e chegam aos momentos derradeiros, em 2016.

Ferreira Gullar acabava de chegar ao país, no final dos anos 1970. Voltava de um conturbado exílio e enfrentava os sobressaltos de sua opção política. Foram quase sete anos longe do Brasil: Moscou, Santiago, Lima. Por fim, na Argentina, já estava determinado a retornar, não suportava mais ficar distante de sua terra, da família.

Era melhor assim, deixar claro que lá fora não ficaria mais, agoniado, atravessando as avenidas portenhas sob o signo da solidão.

Essa dor fermentou sementes para sua grande obra, “Poema Sujo”, publicada em 1976 pela Civilização Brasileira, de Ênio Silveira. A poesia foi aliada decisiva no desenrolar dos acontecimentos, já que o recém-lançado livro causara impacto, e a repercussão acabou por antecipar o fim do exílio.

A noite de autógrafos, numa livraria carioca, reuniu muita gente, um verdadeiro ato de contestação, mas sem a presença do autor, ainda escondido numa interminável noite veloz, em Buenos Aires.

Era uma maneira de denunciar o que sofria o poeta e de abrir caminho para sua volta, sem represálias. Ou seja, a criação chegaria antes do criador, numa fita gravada, que Vinicius de Moraes trouxe após uma temporada de shows.

Jornalistas, escritores e amigos tomaram a iniciativa de obter do governo militar a garantia de que Gullar poderia desembarcar no Rio em segurança. Não foi bem assim. Foi preso, levado ao DOI-Codi e interrogado, sem parar, por 72 horas. Sofreu ameaças e, então, foi solto.

Numa coincidência de datas, poucos meses depois, recebi uma ligação de Ênio Silveira e aceitei o desafio de estruturar o departamento de imprensa da editora. Foi quando conheci Gullar. Ali, numa casa antiga de Botafogo, iniciamos uma amizade.

Mais tarde, convivi também com José de Ribamar Ferreira, nome que consta apenas nos documentos e registros oficiais, filho de seu Newton e dona Alzira, que chegara antes ao mundo, num 10 de setembro de 1930, em São Luís.

O menino José de Ribamar cedo entendeu seu destino: ser artista. Em 1951 tomou um avião para descobrir, na cidade grande, as novidades que não eram divulgadas no Maranhão. Estava com 20 anos e carregava na mala de madeira tosca algumas peças de roupa e um punhado de folhas avulsas, com material para um segundo livro.

A estreia, em 1949, não despertara muito interesse. Tratava-se de “Um Pouco Acima do Chão”, de minguada tiragem, paga com as economias de sua mãe. Já se assinava Ferreira Gullar, pseudônimo inspirado na família materna (Goulart) e que foi a saída encontrada para não ser mais confundido com um escritor de São Luís, de versos ultrapassados.

Para a literatura, nascia o outro, que se tornaria um dos mais importantes intelectuais brasileiros, com fôlego para participar de praticamente todos os movimentos expressivos dos anos 1950 para cá. Experiências em grupo, como o concretismo, o neoconcretismo, os CPCs (Centro Popular de Cultura).

Em 1954, publicaria “A Luta Corporal”, saudado por João Cabral de Melo Neto, e que se transformaria no livro de toda uma geração.

José de Ribamar e Ferreira Gullar se entenderam bem ao longo de 86 anos; apesar de eventuais desencontros, tinham a convicção de dividir espaços na vida e na criação.

Jornalista, locutor, crítico de arte, contista, biógrafo, tradutor, ensaísta, cronista, dramaturgo, autor de livros infantis, artista plástico. A obra de Gullar foi traduzida para várias línguas: inglês, espanhol, holandês, francês, alemão, italiano, sueco. Ele recebeu muitos prêmios e se destacou entre os melhores.

Para mim, foi o mais plural e “singullar” amigo. Não se parecia com ninguém aquele homem magro, estatura mediana, pesando em torno de 50 quilos, cabelos lisos, dedos longos e finos, passo apressado, decidido até o fim.

A FAMA

Gullar andava por Copacabana, onde morou por muito tempo, num hoje conhecido prédio de número 49, ia ao supermercado, pagava contas, carregava as sacolas. Passeava à beira-mar. Acordava por volta das 6h, organizava a refeição matinal, cumpria as obrigações cotidianas, mas estava sempre refletindo, atento ao que o cercava.

Era um entre tantos, mas era ele, com a sua “singullaridade”. Mesmo sem saber, ou querer, deixava uma presença por onde circulava.

Não passava incógnito, e essa demonstração explícita não o incomodava. Sorria, balançava a cabeça, distraía-se. Em um de seus poemas, expressa: “apenas um homem comum”. Lá vai o poeta.

Um dia, percorrendo as calçadas incertas do bairro, deu de cara com um morador de rua, que chutava um carro abandonado. Ao vê-lo, o rapaz estancou os movimentos repetidos, afrouxou a raiva e encarou o homem indefeso. O poeta parou e, acuado, já se imaginou apanhando. Para sua surpresa, o prenúncio da violência se dissolveu no gesto do agressor, que, de braços levantados, gritava: “Ferreira Gullar, Ferreira Gullar, tão famoso e não sei quem é”.

Quando lhe perguntavam se era o poeta Ferreira Gullar, costumava responder, com ironia, mas deixando escapar uma verdade camuflada: “Às vezes”. É isso mesmo, ninguém consegue ser poeta 24 horas por dia, em permanente ebulição e delírio. Quem aguentaria?

Não se pode dizer que a vida dos dois -José de Ribamar e Ferreira Gullar- tenha sido fácil, mas pode-se afirmar, pelo que presenciei em diversos momentos, que a vocação de ambos era a felicidade. Não por outro motivo sua frase -“Não quero ter razão, quero ser feliz”- virou moda, estampada em camisetas.

Testemunhei a reação de seus admiradores, muitos ainda adolescentes, futuros leitores de uma poesia que se escrevia ao correr dos fatos, aos cheiros e sons que acendiam nele, aí sim, um espanto.

Sabe-se, ainda, que gostava de gatos, um em especial, o já famoso e primeiro Gatinho, que até mereceu um livro só para ele. Como costumava visitar Gullar com frequência, percebi que o felino, arisco, reivindicava sua posição no apartamento. E era tanto privilégio que se tornou parceiro do escritor.

Explico: tudo que lhe caía nas mãos -pastas coloridas, papéis diferentes, cartolinas- Gullar transformava em colagens. Certa vez, quando o poeta se achava absorvido na elaboração artesanal, o telefone interrompeu a quietude da sala. Ao retomar o que fazia, ele se daria conta de que o que havia deixado por colar já era outra coisa.

O poeta logo entendeu a parceria do Gatinho. Deu a ele, com bom humor, a coautoria da colagem.

QUESTIONADOR

Essas histórias -e outras tantas- amenizam a fama de mal-humorado que tinha. Era avesso à mesmice ou preguiça mental. Gostava de trocar ideias, era um provocador, não temia polêmicas políticas ou estéticas.

Estava sempre disposto a rever o que o tempo cristalizava, a rever a si mesmo -quando, por exemplo, aceitou entrar para a Academia Brasileira de Letras, após tantas recusas. Nunca se trancou em casa, em si mesmo, indiferente ao que ocorria no país ou no planeta.

Fui sua editora por muitos anos, e nosso diálogo profissional era intenso. Uma sugestão, uma ideia, um projeto era bem recebido. Sim ou não, faço ou não faço, a resposta tinha rumo certo. Algumas vezes, na ansiedade de ter pronto o livro inédito, eu não resistia e perguntava, assim entre um feixe de palavras descompromissadas. A resposta chegava direta: “O livro só fica pronto quando está pronto”. Era a senha para não mais indagar.

Num setembro distante, em 1999, partimos em caravana de amigos e jornalistas para o Maranhão, a única viagem de avião que fizemos juntos. Não é segredo que Gullar não gostava de voar. Tinha medo, sejamos francos.

Em São Luís, fomos guiados por ele a percorrer as ruas, espreitar seu passado mais remoto, num passeio único pelas memórias do José de Ribamar, que lá viveu por 20 anos, e mais, pelo senso lírico de Ferreira Gullar, que deu poesia aos becos e passagens da cidade.

Pensei comigo mesma: era como se ele escrevesse, em voz alta, as muitas vozes do “Poema Sujo”, matriz e raiz de sua existência, sua infância, seus pais e irmãos.

No seu aniversário, ele gostava do carinho, da atenção dos amigos. Em 2016, não foi assim. Passamos na casa dele, sentados, informalmente, em volta da mesma mesa onde ele punha em prática suas ideias. E ali comemos pizza, tomamos vinho (Gullar comia e bebia muito pouco), em família.

Relembro aqui meu amigo de tantos anos. Procuro afastar a emoção esgarçada, armadilha emotiva, alheia à cumplicidade que a amizade abastece. Ele ensinou muito da vida e da arte.

Nossa última reunião de trabalho aconteceu na editora Autêntica, no Rio, no início de outubro do ano passado. Ele foi me visitar para tomarmos um café e dali seguirmos para o lançamento da edição comemorativa dos 40 anos do “Poema Sujo”, agora pela Companhia das Letras.

FIRME E LÚCIDO

No final da tarde, fomos a pé até a livraria Da Vinci, na avenida Rio Branco. Ele ia rápido, como era seu jeito. Comento isso para dizer que estava firme, nada ofegante (uma complicação pulmonar levou meu amigo), e não havia nele indício de doença.

Depois do evento, ele me deu carona. Durante o trajeto, conversamos sobre uma possível biografia, e ele, apesar de animado, confessou que estava cansado. “É muita coisa, você sabe.”

Editei seu último livro inédito -“Autobiografia Poética e Outros Textos”- quando assumi a editoria literária da Autêntica. Lançamos na Travessa do Leblon, em setembro de 2015, com um debate mediado pelo jornalista Geneton Moraes Neto, nosso amigo comum.

O volume suscitou muitas matérias e resenhas, mas a melhor opinião que recebi foi de sua filha, Luciana: “Isto não é um livro, é uma declaração de amor ao meu pai”. O comentário nunca me saiu da cabeça. No fundo, editar é um ato de amor, de dedicação e cumplicidade.

Fui vê-lo na Casa de Saúde. Ele estava falante, sem transparecer desânimo. Parecia o Gullar de sempre. Conhecendo seu temperamento, percebi que aqueles dias deveriam ser intermináveis para ele.

Negou-se a prolongar o sofrimento, mas não o sonho, quando pediu que a filha o levasse para o mar de Ipanema. Ainda no leito, ditou para a neta Celeste a crônica “Arte do Futuro”, confirmando a paixão de toda uma vida, que seria publicada no domingo seguinte à sua morte.

Esteve lúcido até o coração deixar de pulsar. Inteiro Gullar.

MARIA AMÉLIA MELLO, 64, é editora de livros.

Todo ser humano deveria ler O Menino do Pijama Listrado

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Paula Ramos, no Poltrona Nerd

Essa semana, baseada na posse de Donald Trump nos Estados Unidos, resolvi falar de um livro que me marcou muito, dentre todos que já li até hoje. O livro é relativamente antigo, assim como o filme de mesmo nome, que foi muito bem adaptado para o cinema em 2008, mas ainda permanece com um dos mais importantes.

John Boyne criou uma história onde os dois protagonistas são crianças por volta de seus 9 anos de idade. Enquanto um é filho de um oficial nazista, o outro é judeu. Juntos, Bruno e Shmuel criam a mais proibida e pura das amizades, caracterizando a inocência de uma criança em relação a religião, cor da pele e outros tipos de “distinções”.

O Menino do Pijama Listrado descreve o surgimento de uma amizade entre um judeu e um alemão, em plena Segunda Guerra Mundial, que de tão comovente parece real. Enquanto o pai e o professor de Bruno tentam convencer o menino de que os judeus são a pior raça possível, ele só quer ser um explorador e conhecer o mundo. Durante uma de suas pequenas expedições no quintal, ele se depara com uma enorme cerca e diversas pessoas vestindo pijamas listrados. Uma delas, é Shmuel.

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Aos 9 anos de idade, tudo que uma criança quer é brincar e fazer amigos, e Bruno não é diferente disso. É com esse pensamento que o menino se aproxima do jovem judeu, e o trata com seu igual, independente do fato de Shmuel não ter cabelo, ser magro e todo sujo. Curiosamente, os dois nasceram no mesmo dia, e a partir dessa descoberta a amizade só floresce, assim como os questionamentos de Bruno perante os adultos.

Uma das principais lições que o livro nos dá é a ingenuidade das crianças, que não entendem o ódio, o medo e a repulsa de pessoas que, sem nenhum motivo aparente, são taxadas de diferentes. Tudo que Bruno quer é um amigo e o encontra do outro lado de uma cerca de arame farpado.

“A infância é medida por sons, aromas e visões, antes que o tempo obscuro da razão se expanda.”

“Você é o meu melhor amigo, Shmuel”, disse ele. “Meu melhor amigo para a vida toda.”

Toda criança, jovem ou adulto deveria ler O Menino do Pijama Listrado. Diariamente temos mais e mais confirmações do quão racista e preconceituoso o mundo está, e encontrar uma história de amizade em meio a tudo isso é algo que deve ser mencionado. O nazismo de Hitler é apenas um exemplo do ódio disseminado por palavras e ações, mas assim como ele, muitos outros ainda existem e surgem por aí.

Com apenas 192 páginas, o livro é curto e a leitura rápida, o que não o torna menos bonito ou profundo. O conteúdo foi todo adaptado para o cinema, em um filme igualmente emocionante, mas vale a leitura primeiro. John Boyne conseguiu tratar um assunto tão polêmico e pesado, de maneira infantil e graciosa, abrindo os olhos de quem lê sua trama. O Menino do Pijama Listrado é, até hoje, um dos meus livros favoritos e considero obrigatória a sua leitura!

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19 livros para ler pelo menos uma vez em 2017

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19 livros para ler pelo menos uma vez em 2017 | Fonte: Shutterstock

19 livros para ler pelo menos uma vez em 2017 | Fonte: Shutterstock

 

19 livros para ler em 2017: temas abordados nas obras podem influenciar o momento que você está vivendo; Confira a lista

Publicado no Universia Brasil

Cada história contida em um livro nos ensina a lidar com diferentes fases e momentos de nossas vidas. Os livros têm o poder de nos auxiliar a enxergar sempre além e nos dão a oportunidade de vivenciar experiências únicas, as quais não teríamos oportunidade de viver sem lê-los.

Confira 19 livros, sobre diferentes temas e de diferentes estilos, que você deve ler pelo menos uma vez em sua vida. Identifique aquele que está mais relacionado com seu momento atual e boa leitura!

1. O CAÇADOR DE PIPAS, DE KHALED HOSSEINI

A história de Amir, um garoto afegão que se sente culpado por ter traído seu melhor amigo, tem como cenário uma série de acontecimentos políticos, que começa com a queda da monarquia do Afeganistão em 1973, golpe de estado comunista em 1978, invasão soviética em 1979, a migração de refugiados para o Paquistão e para os EUA e a implantação do regime Militar pelos Talibã.

2. NUMBER THE STARS, DE LOIS LOWRY

O livro mostra que diferenças culturais e religiosas não importam entre amigos. Number the Stars conta a história de Annemarie Yohansen, uma menina dinamarquesa que cresceu na Segunda Guerra Mundial com sua melhor amiga, Ellen, que é judaica. Quando Annemarie descobre o que os nazistas estão fazendo contra o povo judeu, faz de tudo para proteger Ellen e toda comunidade judaica.

3. ORGULHO E PRECONCEITO, DE JANE AUSTEN

A história mostra como a personagem Elizabeth Bennet lida com os problemas relacionados à educação, cultura, moral e casamento na sociedade aristocrática do início do século XIX, na Inglaterra. Orgulho e Preconceito, uma das obras mais duradouras da literatura inglesa, ensina a superar diferenças e a encontrar a alegria em tudo o que vivemos.

4. THE OUTSIDERS, DE SUSAN E. HINTON

Hilton escreveu The Outsiders quando tinha apenas 16 anos visando apresentar a realidade de um adolescente americano do século 20. O livro acompanha dois grupos rivais, os Greasers e os Socs, que são divididos por suas condições socioeconômicas e nos lembra que a transição para a vida adulta nunca foi uma tarefa fácil.

5. LITTLE WOMEN, DE LOUISA MAY ALCOTT

O livro conta a história de quatro irmãs crescendo durante a Guerra Civil Americana, entre 1861 e 1865, e como elas aprenderam a superar juntas as dificuldades da vida. Ensina, acima de tudo, sobre a importância da união familiar.

6. A MENINA E O PORQUINHO, DE E. B. WHITE

O livro infantil fala sobre um porco chamado Wilbur e sua amizade com uma aranha chamada Charlotte. Publicado em 1952, é uma lição para as crianças e um lembrete para os mais velhos da beleza da natureza, do ciclo da vida e da importância de lembrar que cada criatura tem seu lugar na terra.

7. JANE EYRE, DE CHARLOTTE BRONTË

A obra conta as experiências de sua heroína homônima, Jane Eyre. O livro contém elementos de crítica social, com um forte senso de moralidade, mas não deixa de ser considerado a frente do seu tempo, dado o carácter individualista da personagem e a exploração do classicismo, religião e feminismo.

8. POR FAVOR, NÃO MATEM A COTOVIA, DE HARPER LEE

O livro é baseado nas memórias familiares da autora, assim como em um evento ocorrido próximo a sua cidade natal, em 1936, quando ela tinha dez anos de idade. Conhecido pela sua vivacidade e humor, discute assuntos sérios como estupro, desigualdade racial e as injustiças do sistema jurídico.

9. HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL, DE J. K. ROWLING

Leia todos os livros, mas comece a série pelo primeiro deles. A história de Harry Potter apresenta a importância da amizade, ensina a como lidar com a perda, mostra o triunfo do bem sobre o mal e como devemos enfrentar nossos problemas internos.

10. O JARDIM SECRETO, DE FRANCES HODGSON BURNETT

É um clássico atemporal sobre a beleza da natureza, o poder de cura do amor e a crença na magia. O livro é considerado a mais importante obra de Burnett, pois é a primeira obra na qual um garoto, Dickon, e uma garota, Mary Lennox, são os personagens principais.

11. O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA, DE CLIVE STAPLES LEWIS

Quando Peter, Susan, Edmund e Lucy encontram a terra mágica de Nárnia, fazendo amizades com animais falantes e lutando contra o mal, descobrem o verdadeiro significado dos laços familiares e o valor da coragem. Mais do que uma história sobre um mundo inteiro escondido em um armário, a obra, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, exalta Nárnia como a esperança de um futuro melhor.

12. ANNE OF GREEN GABLES, DE L. M. MONTGOMERY

Quando Anne Shirley, órfã de 11 anos, vai morar com uma nova família, descobre que houve algum erro: eles queriam adotar um menino. Enquanto essa descoberta deixa Anne insegura, com medo de não ser amada, você verá como a imaginação e o coração bondoso de uma criança pode te tocar. Uma história emocionante de amor e amizade, que nos lembra que a vida pode nos apresentar boas surpresas, mesmo quando acontecem coisas que não estávamos esperando.

13. THE GIRL WHO FELL FROM THE SKY, DE HEIDI W. DURROW

Após uma tragédia, a menina Rachel vai morar com sua avó em um bairro predominantemente branco. Com sua pele negra e seus olhos azuis, a garota enfrenta o desafio de aprender a viver em um mundo preconceituoso. A obra discute a construção cultural e nos desafia a confrontar nossos prejulgamentos.

14. O DIÁRIO DE BRIDGET JONES, DE HELEN FIELDING

O livro tem sido um símbolo do feminismo para mulheres de todo o mundo. Humorística e reconfortante, a obra apresenta comentários cômicos, mas críticos sobre o significado de ser mulher na sociedade atual.

15. A CABANA DO PAI TOMÁS, DE HARRIET BEECHER STOWE

O livro apresenta o conflito vivido entre escravos norte-americanos e proprietários de terras dos Estados Unidos, mostrando como foi horrível o período de escravidão. A obra é uma história de fé, coragem e luta pela liberdade.

16. ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS, DE LEWIS CARROLL

O livro infantil é um conto de magia que gira em torno de Alice e um mundo imaginário. A história, que encanta crianças e adultos com seu discurso entre o real e o faz de conta, pode ser interpretada de diversas maneiras. Uma delas afirma que a narrativa representa a adolescência, com uma entrada inesperada, as mudanças, confusões e transformações que aparecem com o desenrolar da trama.

17. O PEQUENO PRÍNCIPE, DE ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY

Um dos livros mais traduzidos do mundo, a obra conta a história de um garoto que cai de um asteroide na Terra quando estava buscando entender a humanidade. Durante sua viagem, ele encontra uma série de personagens, que o auxiliam a compreender o poder transformador da amizade e da confiança.

18. O MUNDO MÁGICO DE OZ, DE L. FRANK BAUM

Um clássico sobre aventura e magia, o livro conta a história de Dorothy, seu cão Toto e os personagens que encontram durante o caminho para a Cidade das Esmeraldas, como o Espantalho e o Leão Covarde. Juntos, viajam para encontrar o famoso Mágico em busca de conhecimento, amor e coragem.

19. A CULPA É DAS ESTRELAS, DE JOHN GREEN

A história tocante aborda a vida de Hazel, uma adolescente com câncer que convive com outros jovens em seu grupo de apoio à doença – juntos, eles compartilham seus medos e alegrias. O livro consegue capturar a doença com ternura e autenticidade, lembrando os leitores que o amor, a amizade e a fé transcendem tudo, inclusive a própria morte.

Meu professor preferido da escola tinha partido e surtava diariamente

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Catarina Bessel

Catarina Bessel

 

Gregório Duvivier, na Folha de S.Paulo

Na minha escola a gente podia escolher entre o literário e o científico. Quem escolhesse o primeiro, teria oito horas de filosofia por semana. Todas elas com o mesmo professor. Um sujeito que podia ser tudo menos simpático.

Levy Midon tinha uma barriga dura e um bigode ruivo de gaulês, como Abracurcix –mas sem o carisma. Não sorriu. Não perguntou nossos nomes. Na primeira vez que entrou na sala, tivemos a certeza de que nossa vida seria um inferno.

Um aluno falou, blasé, que aquela aula seria tempo perdido porque “filosofia não servia pra nada”.

Antes que o estudante terminasse, o sangue subiu à cabeça já vermelha do professor: “Nada serve pra porra nenhuma, seu imbecil!”, ele berrava, batendo os punhos na mesa.

“Você vai morrer! Não importa o que você faça! Sabe o que não serve pra nada? Você. Eu também não sirvo pra nada. Mas você serve pra menos ainda, porque você acha que serve pra alguma coisa.” E ele foi se acalmando, aos poucos, enquanto deixava claro para quão pouco servia a vida.

Sem que percebêssemos, a aula tinha começado. Quando descobrimos que ele podia surtar a qualquer momento, assistíamos à aula vibrantes e estarrecidos, como quem brinca com um tigre.

Uma vez, falei que os franceses eram fascistas porque tratavam mal as crianças. Midon virou um camarão graúdo: “No seu país, meio milhão de crianças mora na rua! E você está cagando pra elas! Fascista é você que só se importa com criança branca e rica”.

“Iaaaaau”, todos berravam, fazendo a famosa onomatopeia de humilhação moral, hoje talvez substituída por “chupa!”.

Sempre que consultado, o professor versava sobre qualquer assunto: futebol, cinema, dicas de masturbação, a vida íntima dos outros professores, sua própria vida íntima, a morte da esposa num acidente de carro. Tudo estava em pauta.

A não ser o assunto da semana. Hegeliano, sobre atualidades não falava de jeito nenhum. “A coruja de Minerva só levanta voo no crepúsculo”, dizia, e se calava.

Ficamos amigos dele. Quando se apaixonou, levou a namorada pra sala pra que a gente a conhecesse.

Quando me formei, não sabia o que cursar. Tinha medo de, escolhendo a literatura, ser pobre pra sempre.

Perguntei a ele o que achava. “Você já escolheu”, ele disse, “quando escolheu um professor pobre pra escolher. Você não perguntou a um banqueiro. Essa é a tragédia da vida, meu amigo. Você não consegue não escolher.”

Nunca mais nos encontramos.

Quarta-feira visitei a escola. Perguntei por ele. Morreu no início do ano, disseram-me. Do coração.

Alunos ajudam colega a superar grave acidente com linda atitude

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Publicado no Catraca Livre

Alunos do 4º ano de uma escola no Tocantins encontraram uma maneira linda de ajudar uma colega de sala que sofreu um grave acidente a superar o trauma. A garota acidentada precisaria usar uma máscara por causa dos ferimentos para que sua pele não ficasse manchada pelo sol.

Mas, para que ela não se sentisse diferente, os colegas decidiram fazer essa surpresa:

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Isso, mesmo. Todos resolveram usar máscaras. Assim, ela poderia se sentir mais aceita por todos durante o processo de recuperação. A atitude emocionante teve o apoio da professora e foi divulgada por meio da página do Facebook da instituição na última quinta-feira, 18. A publicação já conta com mais de 15 mil reações (curtir, etc.) e 4,6 mil compartilhamentos.

Créditos: reprodução/Facebook Máscaras foram confeccionadas para aluna não se sentir diferente

Créditos: reprodução/Facebook
Máscaras foram confeccionadas para aluna não se sentir diferente

 

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