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Poema escrito à mão por Anne Frank vai a leilão

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Anne Frank em foto não datada - Reprodução

Anne Frank em foto não datada – Reprodução

 

Item pode alcançar até R$ 108 mil

Publicado em O Globo

RIO – Um poema de Anne Frank, datado de 28 de março de 1942, vai a leilão e a expectativa é bater os 50 mil euros (cerca de R$ 180 mil). Escrito à mão e com oito linhas, o texto, devidamente assinado, foi encontrado no “livro da amizade” da irmã mais velha de Jacqueline van Maarsen, melhor amiga de Anne.

“Minha irmã (apelidade Cricri) arrancou essa página do livro da amizade dela e me deu, por volta de 1970”, escreveu Jacqueline em carta que acompanha o poema. “Sei que minha irmã não estava tão apegada a esses versos de Anne como eu fiquei com os que ela fez para mim, e esse é o motivo de eu estar colocando isso à venda”.

Segundo a casa de leilões Bubb Kuyper, o poema é um daqueles “tipicamente edificantes, do tipo que costumava ser escrito nesses álbuns de amizade, exortando o dono a fazer o seu melhor e a ser diligente nos trabalhos, para que qualquer um que o reprovasse fosse respondido de maneira honrosa”.

O poema foi escrito meses antes de a família de Anne Frank se refugiar no escritório de Otto, pai de Anne, em fuga pela perseguição dos nazistas aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Foi lá que Anne escreveu seu diário, publicado postumamente e sucesso no mundo todo.

A Casa de Anne Frank: um museu para um livro

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Anne Frank, em 1940 | © Domínio público / WikiCommons

Anne Frank, em 1940 | © Domínio público / WikiCommons

 

A partir de Primo Levi e Anne Frank, Roney Cytrynowicz analisa a difusão da fotografia do menino Omran Dagneesh dentro de uma ambulância após ser ferido no bombardeio de Alepo

Publicado no Publishnews

Mais de 1,2 milhão turistas visitam anualmente a Casa de Anne Frank, em Amsterdam, na Holanda, inaugurada como museu em 1960. O que atrai as pessoas é a possibilidade de conhecer a casa e o anexo clandestino no qual Anne Frank viveu e escreveu, dos 13 aos 15 anos, seu diário / romance durante a Segunda Guerra Mundial.

De manhã a visita é realizada com ingressos previamente comprados e, à tarde, por ordem de chegada em uma fila quilométrica. É literalmente uma peregrinação com turistas de todo o mundo, especialmente jovens, tornando a casa um dos locais turísticos mais concorridos da capital holandesa.

Entram a cada cinco minutos grupos de cerca de 50 pessoas e o percurso dura de 30 a 40 minutos. O que se visita é uma casa vazia e seu anexo, com algumas fotos da mobília original, mas o percurso emociona e emudece profundamente os visitantes. O pesado silêncio raramente é rompido por algum comentário. Crianças e jovens se identificam profundamente quando a história contada no diário se torna real e palpável.

Uma frase do escritor italiano Primo Levi pode ser uma das chaves para se aproximar do apelo singular exercido em torno do diário, de sua jovem escritora e da visita à Casa: em uma história com a dimensão do Holocausto, em que seis milhões de pessoas foram mortas, a história de uma única vítima, uma menina, comove, emociona. Porque se fôssemos tentar nos aproximar do que significa o genocídio de milhões de pessoas, entre os quais um milhão e meio de crianças e jovens como Anne, escreve Primo Levi, simplesmente não aguentaríamos continuar vivendo.

A frase de Primo Levi pode ser estendida, claro, para a lógica individualizada da cobertura de mídia sobre outros genocídios e massacres, como vimos na semana passada com a difusão da fotografia do menino sírio Omran Dagneesh, de cinco anos, dentro de uma ambulância após ser ferido no bombardeio de Alepo, Síria, ou de Aylan Kurdi, o menino de três anos cujo corpo foi jogado pelo mar na praia em 2015. Segundo a Unicef, a guerra na Síria afeta profundamente a vida de 8,6 milhões de crianças sírias.

Na visita à Casa de Anne Frank, os recortes de jornal no quarto de Anne, uma das poucas características originais preservadas, comovem. Anne sonhava com Hollywood, gostava de histórias de reis e rainhas. Esta banal normalidade da vida de uma jovem contrasta dolorosamente com o seu destino: o assassinato em uma câmara de gás e depois a incineração em um crematório.

A Casa de Anne Frank é um dos lugares turísticos centrais em uma cidade cheia de atrações imperdíveis, como o museu Van Gogh e o Rijkssmusem. Além do Museu Judaico e diversos outros edifícios, como a Sinagoga Portuguesa do século 17, e a ativa Ets Haim Bibliotheek, fundada em 1639 (vale a pena conhecer o site de manuscritos digitalizados, há um roteiro de museus e monumentos relacionado à Segunda Guerra Mundial: o Hollandsche Schouwburg (o teatro judaico que se tornou o trágico ponto de partida da deportação), um novo museu do Holocausto (em uma antiga escola cujo diretor salvou dezenas de crianças da deportação) e o Museu da Resistência.

A memória da guerra em Amsterdam não deixa de ter suas tensões. Entre os países da Europa Ocidental, a comunidade judaica da Holanda foi a que, proporcionalmente, teve o maior número de mortos: 110 mil de cerca de 140 mil pessoas. Muitas causas poderiam explicar isso, entre elas a força do governo colaboracionista local e a ação de sua polícia em apoio aos nazistas.

Estes números e fatos contrastam com a imagem de um país inteiro solidário (embora a resistência tenha sido vigorosa), imagem que é muito reforçada pela história da pequena e corajosa rede de solidariedade em torno dos habitantes do anexo da família Frank. Como conta Miep Gies em seu livro (Anne Frank: o outro lado do diário, Best Seller), ajudar os Frank era apenas o certo a fazer.

O Museu da Resistência (imperdível e com uma seção para crianças; o site tem versão em português) integra também um circuito de memória local, entre eles o museu de história da cidade, que celebra e exalta a memória de uma Holanda livre, altiva, independente, empreendedora, lembrando que o país foi a principal potência colonial no século 17, quando ocupou Pernambuco para romper o bloqueio que a união entre Portugal e Espanha impôs à circulação do açúcar produzindo no Nordeste brasileiro.

Quando se pensa na história do livro no século 20, suas diferentes edições, tiragens, circulação, leituras e, principalmente, possibilidades de releituras e reinterpretações, o Diário de Anne Frank é certamente uma das histórias mais interessantes e complexas em seu impacto e sua repercussão, traduzido em pelo menos 72 línguas.

O livro tem já uma expressiva bibliografia em torno da história de suas edições, entre eles Anne Frank: A história do diário que comoveu o mundo, da ensaísta e escritora norte-americana Francine Prose (Zahar, 2010), já resenhado nesta coluna. Prose mostra a força literária das duas camadas de texto que Anne escreveu: o diário e, depois, o romance em forma de diário – e a consciência literária que ela foi adquirindo como escritora. O extraordinário é uma menina de sua idade, naquelas circunstâncias, produzir um texto com tal potência literária e de testemunho.

O Diário, editado pela primeira vez em 1947, tem figurado seguidamente na lista dos livros mais vendidos no Brasil. O número de leitores é crescente e o livro passa de geração em geração, novos leitores descobrem renovados sentidos e mensagens, entre inspirações e esperanças sobre a própria vida e o mundo. É intrigante a contínua apropriação do diário por tantas leituras e metáforas adolescentes e adultas, subjetivas e pessoais.

Abordando por um prisma diferente do de Primo Levi, o psicanalista Bruno Bettelheim sugeriu que uma chave para entender o fascínio pelo livro de Anne Frank é que, embora seja uma história relacionada a Auschwitz, o diário em si não conta o destino final de Anne, de sua família e dos moradores do anexo. O diário termina antes, como se pudéssemos esconder de nós mesmos o que aconteceu depois.

Um texto da psicológica Roseli Sayão sobre adolescência sugere que uma das diferenças da adolescência de hoje para a de anos atrás é que enquanto na de anos atrás jovens escondiam seus segredos dos pais e adultos, hoje eles os escancaram nas redes sociais, sem qualquer constrangimento. Questões da mais profunda intimidade são expostos em público.

Talvez aqui se encontre outra dimensão para entender o sucesso do Diário de Anne Frank: o acesso ao mundo íntimo, aos sentimentos, conflitos, angústias, desejos, sonhos de uma jovem, em uma situação histórica absolutamente limite. Mas o diário não apenas guardava seus segredos dos adultos do próprio anexo. É como se o diário guardasse sua vida do perigo máximo, a ocupação nazista a poucos metros, em uma corrida contra o tempo, da própria morte certa, a morte por gás. E Auschwitz é parte do mundo que os adultos (fora da casa) criaram.

No recém-publicado em português A assimetria e a vida. Artigos e ensaios 1955-1987 (Editora da Unesp, uma edição muito bem cuidada), Primo Levi, no artigo (1980) Com Anne Frank falou à história, conta em uma frase singela o encontro com Otto Frank, pai de Anne: “cruzei em Auschwitz durante uns poucos minutos logo depois da libertação: estava procurando as duas filhas desaparecidas”.

Otto sobreviveu, voltou para casa e encontrou o diário / romance, guardado por Miep Gies. O Diário de Anne Frank e É Isto um Homem?, de Primo Levi, foram publicados pela primeira vez no mesmo ano, em 1947.

A amiga de Anne Frank que mora no Brasil

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Nanette Blitz Konig no jardim de sua casa em São Paulo. Foto: Luiza Sigulem

Nanette Blitz Konig no jardim de sua casa em São Paulo. Foto: Luiza Sigulem

Setenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a holandesa Nanette Blitz Konig, que vive em São Paulo, conta em livro o reencontro em um campo de concentração da Alemanha com a colega de classe que escreveu em um esconderijo de Amsterdã o mais famoso diário da época

Luiza Villamea, no Brasileiros

‘‘Ainda é um mistério para mim como pudemos nos reconhecer”. É assim que Nanette Blitz Konig descreve o reencontro com a amiga Anne Frank, no campo nazista de concentração de Bergen-Belsen, no norte da Alemanha, em janeiro de 1945. Esquelética, Anne caminhava enrolada apenas em um cobertor, pois dispensara as roupas, infestadas por piolhos. No braço, trazia um número tatuado no campo de Auschwitz, na Polônia, onde estivera presa antes de ser despachada para Bergen-Belsen. Nanette se encontrava em melhores condições, mas também esquálida. Perto delas, pilhas de cadáveres. Nada lembrava reuniões anteriores das duas adolescentes, que frequentaram a mesma classe de um liceu judaico em Amsterdã, na Holanda. Em junho de 1942, Nanette tinha festejado o aniversário de 13 anos de Anne na casa da família Frank, com direito a exibição de um filme de Rin-Tin-Tin. Levou um broche para a amiga, que ganhou do pai um caderno de capa xadrez. Nele, Anne escreveu o diário que se tornou um dos maiores fenômenos editoriais do mundo. Setenta anos depois, Nanette acaba de lançar o livro Eu Sobrevivi ao Holocausto – O Comovente Relato de Uma das Últimas Amigas Vivas de Anne Frank.

Na casa em que mora em São Paulo desde os anos 1950, cercada por um amplo jardim, Nanette repete várias vezes que não há nenhum “mérito” em poder relatar sua convivência com Anne, dona de fama internacional: “Foi um acaso”. As duas se conheceram no liceu em Amsterdã. Como outros estudantes de origem judia, elas tinham sido proibidas de frequentar escolas convencionais. Na Holanda invadida por tropas de Adolf Hitler, as adolescentes tiveram experiências similares, mas não chegaram a ser íntimas. Em seu diário, Anne, que vivia sendo repreendida por ser tagarela, até reclama de Nanette, porque “ela falava demais”. As duas, no entanto, eram próximas o suficiente para Nanette ser convidada para a festa de aniversário de Anne, que já sonhava em ser escritora. “Mas, naquele dia, na sala da família Frank, ninguém imaginava que o diário dela seria lido por milhões de pessoas de todo o mundo”, lembra Nanette.

Em julho de 1942, um mês depois de comemorar o aniversário de 13 anos, Anne sumiu da escola. Nanette não estranhou. Afinal, no primeiro ano havia 30 alunos em sua classe. “No segundo, éramos apenas 16”, conta. “As pessoas simplesmente desapareciam.” Parte delas era “deportada” para campos nazistas de concentração. Outra parte conseguia fugir ou se esconder. Nanette acreditou nos boatos de que a família Frank tinha escapado para a Suíça até o dia em que encontrou Anne no campo de concentração de Bergen-Belsen. Com a cabeça raspada, tremendo de frio, Anne contou que a fuga para a Suíça fora uma história inventada por sua própria família para despistar a polícia nazista. Na verdade, por mais de dois anos, ela e outras sete pessoas tinham ficado escondidas em um anexo secreto da empresa do pai, Otto Frank. Para sobreviver, contavam com a cumplicidade de antigos empregados, mas o esquema acabou delatado aos nazistas e todos foram presos e “deportados”.

“Eu Sobrevivi ao Holocausto – Um Comovente Relato de Uma das Últimas Amigas de Anne Frank” – Anette Blitz Konig – 192 páginas – Universo dos Livros. Foto: Divulgação

“Eu Sobrevivi ao Holocausto – Um Comovente Relato
de Uma das Últimas Amigas de Anne Frank” – Anette Blitz Konig – 192 páginas – Universo dos Livros. Foto: Divulgação

Anne também contou que tinha deixado no esconderijo um diário com trechos reescritos, preparados para uma futura publicação. “Ela decidiu fazer isso porque um ministro do governo holandês no exílio pediu que as pessoas guardassem registros pessoais do perío­do da ocupação”, diz Nanette, referindo-se a iniciativa do ministro Gerrit Bolkestein. “No esconderijo tinha um rádio e Anne ouviu o apelo do ministro na BBC de Londres”. Dois meses mais velha que Anne, Nanette jamais planejou registrar seu cotidiano na guerra: “Nunca pensei em ser escritora, mas, como sobrevivente, me preparei para contar sobre o Holocausto”. Hoje com 86 anos, ela tinha 70 quando começou a falar em público sobre a própria saga na Holanda ocupada. “As novas gerações precisam saber”, diz Nanette, que estudou Economia na PUC de São Paulo quando já era avó.

Nascida e criada em Amsterdã, ela tinha acabado de completar 11 anos quando a Deutsche Luftwaffe, a Força Aérea alemã, invadiu a Holanda, em maio de 1940. “A partir desse dia (mais…)

Estudo altera data da morte de Anne Frank em campo de concentração nazista

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Morte de Anne Frank teria ocorrido em fevereiro de 1945 e não em março, como se acreditava

Morte de Anne Frank teria ocorrido em fevereiro de 1945 e não em março, como se acreditava

Adolescente judia escreveu diário que tornou-se ícone do holocausto durante Segunda Guerra Mundial

Publicado no Divirta-se

A adolescente judia Anne Frank, que teve seu diário lido por milhões de pessoas, faleceu pelo menos um mês antes da data oficial de sua morte, segundo as conclusões de um novo estudo publicado nesta terça-feira, 31. “A investigação joga nova luz sobre os últimos dias de Anne Frank e de sua irmã Margot”, afirma um comunicado da Casa Anne Frank, divulgado na data de aniversário da morte da famosa adolescente.

“Suas mortes aconteceram em fevereiro de 1945, e não em março”, segundo a instituição. Anne e Margot Frank morreram no campo de Bergen-Belsen entre 1 e 31 de março, informou a Cruz Vermelha na ocasião. As autoridades holandesas adotaram a data de 31 de março.

A família Frank se escondeu em 1942 em um anexo secreto de um edifício da empresa de seu pai, Otto, com o objetivo de escapar dos alemães. A adolescente escreveu no local seu diário, que se tornou um dos relatos mais emblemáticos da ocupação nazista, até que a família foi detida e deportada.

Entre junho de 1942 e agosto de 1944, Anne registrou em diário o cotidiano com sua família judia; textos formaram crônica da vida em um esconderijo improvisado, onde os Frank viviam enquanto eram perseguidos pelo regime nazista
Anne e Margot morreram vítimas de tifo em Bergen-Belsen, com 15 e 19 anos respectivamente. Sua mãe, Edith, faleceu em Auschwitz e o pai, Otto Frank, o único dos oito habitantes do anexo secreto que conseguiu sobreviver ao Holocausto, morreu em 1980 com 91 anos.

O novo estudo examina o trajeto de viagem das duas irmãs, primeiro para Auschwitz-Birkenau e depois para Bergen-Belsen, enquanto os russos avançavam pela frente leste. Os pesquisadores se basearam principalmente em documentos da Cruz Vermelha e do Memorial de Bergen-Belsen, mas também em “diversos relatos de testemunhas e sobreviventes como foi possível”.

De acordo com quatro sobreviventes, Anne e Margot já sofriam de tifo no fim de janeiro. “A maioria das mortes por tifo acontece 12 dias depois do surgimento dos primeiros sintomas”, destacam os investigadores, que citam o Instituto Holandês de Saúde Pública.

Enviadas ao campo de concentração Bergen-Belsen em outubro de 1944, Anne Frank (à direita) e a irmã Margot contraíram tifo e morreram no início do ano seguinte

Enviadas ao campo de concentração Bergen-Belsen em outubro de 1944, Anne Frank (à direita) e a irmã Margot contraíram tifo e morreram no início do ano seguinte

Melhor amiga de Anne Frank foi salva por oficial nazista

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amiga anne frank

A história de como Jacque van Maarsen conseguiu se livrar dos campos de concentração alemães mesmo sendo judia – e toda a sua relação com a amiga, que viria a ser famosa posteriormente por narrar seu cativeiro em Diário de Anne Frank

Giuliander Carpes, no Terra

Durante o período de dominação alemã da Segunda Guerra Mundial, a Holanda enviou 107 mil judeus para campos de concentração. Apenas 5,2 mil sobreviveram. Considerada por Anne Frank sua melhor amiga – conforme está escrito no seu famoso Diário -, Jacqueline van Maarsen só escapou da deportação para um destino semelhante porque seu nome entrou na lista de Hans Georg Calmeyer. À frente da Direção de Administração Interior, o advogado livrou pessoas que não fossem “puramente judias” da perseguição nazista.

Jacqueline é filha de pai judeu holandês e mãe católica francesa. Aos 86 anos, ela não sabia que seu nome constava na famosa lista de Calmeyer – pelo menos 3,7 mil judeus se livraram da morte por causa da intervenção do advogado. Foi alertada para o fato por um pesquisador durante uma palestra na Casa de Anne Frank de Berlim há poucos meses. A entrevista para o Terra em sua casa no sul de Amsterdã foi a primeira que concedeu depois de confirmar a informação.

“Não se sabe ao certo se Calmeyer salvou tantos judeus apenas porque sabia que a Alemanha perderia a guerra, mas de qualquer forma ele o fez. Quando você tinha apenas o pai ou a mãe judeu, ele organizava para que você não fosse considerado judeu”, explica Jacqueline, que perdeu muitos primos e tios por causa da perseguição dos nazistas.

“Eu não acreditei no que esse pesquisador falou logo na primeira vez, mas ele me mostrou um documento onde estavam as assinaturas da minha mãe e do meu pai. Foi esse papel que permitiu que eu não precisasse mais frequentar a escola judia e pudesse não fazer mais parte da comunidade judia à época, o que foi muito difícil porque a comunidade era muito unida e eu gostava da escola. Foi muito estranho saber disso apenas agora quando eu já tenho 86 anos.”

A amizade com Anne Frank
A relação com Anne Frank surgiu antes, quando as duas foram colegas na escola de judeus criada pelos alemães para segregá-los do restante da população. “Os alemães que haviam fugido para a Holanda eram muito unidos e não se misturavam muito com a gente. Mas, no momento que a gente se conheceu, ela deixou um pouco esse grupo (Anne era alemã). Ela era bastante doce comigo”, conta Jacqueline. “Nunca conheci ninguém que gostasse mais de viver do que Anne. Nós estávamos sempre ocupadas fazendo alguma coisa divertida.”

 Jacque van Maarsen mostra as cartas entregues pelo pai, Otto Frank: melhor amiga cumpriu a sua promessa Foto: Giuliander Carpes / Colaboração para o Terra

Jacque van Maarsen mostra as cartas entregues pelo pai, Otto Frank: melhor amiga cumpriu a sua promessa
Foto: Giuliander Carpes / Colaboração para o Terra

Mas, como é normal em qualquer idade, as duas também tinham alguns desentendimentos. “Ela era bastante ciumenta, queria que eu fosse amiga só dela. Algumas vezes ela ficava brava comigo porque eu conversava com outras pessoas”, lembra.

Quando a perseguição aos judeus aumentou, as duas fizeram uma promessa: a primeira que tivesse de fugir dos nazistas (ou que fosse capturada por eles) deixaria uma carta para a outra. Em julho de 1942, a irmã de Anne, Margot, recebeu uma carta que a ordenava a se apresentar para os alemães afim de que fosse levada para um campo de trabalho forçado.

A carta foi o estopim para toda a família Frank se esconder no anexo do prédio da antiga empresa de Otto, pai das duas. Numa tentativa de despistar os nazistas, ele deixou um bilhete avisando que todos teriam fugido para a Suíça.

Impedida pela mãe de dar qualquer pista de seu paradeiro, Anne escreveu, na verdade, mais de uma carta para Jacqueline durante (mais…)

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