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Vida de Anne Frank será retratada pela primeira vez por cinema alemão

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A adolescente judia foi morta aos 15 anos em um campo de concentração nazista. Divulgação

A adolescente judia foi morta aos 15 anos em um campo de concentração nazista. Divulgação

Seu diário conta como foram os dois anos em que a família viveu escondida com um grupo de judeus na Holanda

Publicado no Primeira Edição

A rodagem do primeiro filme alemão sobre Anne Frank, a adolescente judia vítima do Holocausto e autora do famoso diário que leva seu nome, começou nesta segunda-feira em Amsterdã, no mesmo bairro em que a jovem viveu há mais de 70 anos.

A rodagem deve se prolongar até amanhã, de acordo com emissora pública de televisão holandesa “NOS”, na praça Merwedeplein de Amsterdã, onde viveu a família Frank após sua fuga de Frankfurt em 1933.

O filme, que é produzido pela produtora Zeitsprung Pictures em parceria com a Fundação Anne Frank da Basileia, será a primeira produção alemã sobre a vida dos Frank e deve ficar pronto no começo do próximo ano. Atualmente existem oito filmes sobre o diário de Anne Frank, todos produções americanas ou britânicas.

O longa-metragem será dirigido pelo diretor Hans Steinbichler, começou a ser rodado há poucos dias em Colônia e será protagonizado por Lea Van Acken, que encarna Anne Frank e Martina Gadeck e Ulrich Noethen, que interpretam os pais Frank.

Van Acken ficou conhecida por seu papel de Maria no filme “Kreuzweg” (2014), no qual interpretava uma jovem profundamente religiosa. Esse filme, dirigido por Dietrich Brüggemann, ganhou o Urso de Prata no Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2014.

A vida de Anne Frank foi levada ao cinema e ao teatro em várias ocasiões anteriormente, mas esta é a primeira vez que é filmada pelas mãos de uma produtora alemã, que quer narrar através dos escritos da jovem o Holocausto, assim como os fatos que rodeiam a vida dessa família.

Uma visão especial e particular da vida dos Frank ficou famosa através do diário de Anne, que conta com o reconhecimento internacional e está dentro da lista de patrimônio da literatura mundial e documentário da Unesco.

Referente documentário e símbolo do horror da Segunda Guerra Mundial, o relato de Anne Frank chegou a todo o mundo através de milhões de exemplares vendidos em 70 línguas e 100 países diferentes.

Após dois anos na clandestinidade em Amsterdã, a família foi delatada à Gestapo. Os Frank – que eram alemães e tinham mudado de Frankfurt para a Holanda em 1933 – foram capturados pelas tropas nazistas, sobrevivendo somente o pai ao Holocausto.

Anne Frank morreu em março de 1945, aos 15 anos, pouco antes da libertação do campo de concentração alemão de Bergen-Belsen, onde tinha sido presa junto com sua mãe e sua irmã, que também faleceram ali.

Dois livros trazem sugestões de roteiro de espaços literários de SP

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Volumes guiam os leitores por ruas, prédios, casas e eventos

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Quem gosta de literatura sempre dá um jeitinho de visitar lugares importantes para seus autores e personagens preferidos quando viaja – a casa de Victor Hugo em Paris, de Charles Dickens em Londres, de Fernando Pessoa em Lisboa, de Pablo Neruda em Santiago, de Anne Frank em Amsterdã; as ruas de Dublin por onde Harold Bloom passa em Ulysses, de James Joyce; os bares em que Ernest Hemingway bebia em Paris e Madri.

Há alguns exemplos aqui também, como as casas de Guimarães Rosa, em Cordisburgo, e a de Cora Coralina, na cidade de Goiás. E há a Casa Guilherme de Almeida, nas colinas de Perdizes, que não deixa nada a desejar aos tantos museus casa espalhados pelo mundo. Muito pelo contrário. Passando de cômodo em cômodo, é possível imaginar como o poeta modernista e sua mulher Baby viviam – eles se mudaram para lá em 1946, quando o bairro ainda era longe de tudo. Estão ali, para quem quiser ver (a visita, gratuita, é guiada), objetos, louças, livros, a arma que usou na Revolução Constitucionalista, os brinquedinhos dos cães, a luneta – e muitos retratos do casal e quadros feitos pelos amigos Di Cavalcanti. Lasar Segall, Tarsila do Amara, Anita Malfatti.

O museu funciona desde 1979, mas nunca foi tão visitado quanto é hoje – pudera, é o único espaço do gênero na cidade e sua existência se deve, na opinião de Marcelo Tápia, diretor da instituição, ao próprio poeta e Baby. Alunos visitam com frequência, mas sua função não se limita à preservação da memória da família. Lá, são realizados cursos e debates, sobretudo na área de tradução.

Se a Casa Guilherme de Almeida é única no quesito museu em São Paulo, como centro cultural e espaço para curtir literatura ela encontra pares de peso. Dois livros lançados recentemente se dedicam a mostrar essa faceta da Cidade. Rotas Literárias de São Paulo, de Goimar Dantas, é uma espécie de grande reportagem sobre o tema. Já São Paulo, Literalmente – Uma Viagem Pela Capital Paulista na Companhia de Grandes Escritores, de João Correia Filho, funciona como um guia, com informações práticas sobre os lugares.

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Os volumes guiam os leitores por ruas, prédios, casas, histórias, livros e eventos, como a Balada Literária, um happening que neste ano será de 19 a 23 de novembro. Estão ali, também, os saraus do Binho e da Cooperifa, que têm chamado a atenção de muitos jovens da periferia e do centro; o Museu da Língua Portuguesa, com suas exposições sobre escritores; o Teatro Municipal, para lembrar da Semana de Arte Moderna; a Mercearia São Pedro, misto de venda, bar e livraria na Vila Madalena; o Cemitério da Consolação e o passeio guiado; as livrarias; as bibliotecas; a Casa das Rosas, na Paulista, que abriga o acervo de Haroldo de Campos e tem uma programação literária intensa; os sebos, etc.

Mas este é um assunto vivo, e há sempre alguma novidade, como a primeira estante fixa do projeto Esqueça um Livro, instalada no Rock’n Roll Burguer, na Augusta. Funciona assim: basta ir lá, deixar aquele livro que você não quer mais e pegar outro – se quiser. Essa história de “esquecer um livro” está virando mania na cidade e há pouco foi criado o Leitura no Vagão. Por isso, se encontrar um livro perdido e quiser pegar para ler, é só deixá-lo em algum lugar depois para que outra pessoa também possa usá-lo. E isso vale também para alguns táxis que integram o projeto Bibliotaxi.

Museu. O poeta modernista Guilherme de Almeida deixou sua casa em Perdizes para a posteridade

Museu. O poeta modernista Guilherme de Almeida deixou sua casa em Perdizes para a posteridade

Outra novidade: será inaugurada, entre outubro e novembro, pelo Instituto Brasil Leitor e SPTrans, a primeira biblioteca do programa Leitura no Ponto. Ela ficará no Terminal Pinheiros. Até 2015 serão criadas outras seis e até 2017, mais cinco. Além disso, a Cozinha da Doidivana – Ivana Arruda Leite cozinha enquanto conversa com um escritor -, que fez sucesso no Casarão do Sesc Ipiranga, cuja programação termina em novembro, deve ser levada, no ano que vem, para dentro da unidade da instituição no bairro.

Como os dois livros mostram, há muitas atrações literárias em São Paulo. Basta definir a região e fazer o próprio roteiro, ou escolher um escritor ou uma obra e seguir seus passos. Mas não deixe de visitar as bibliotecas, onde é possível, além de emprestar e consultar livros, participar das intensas programações culturais.

A Biblioteca de São Paulo, onde ficava o Carandiru, não está nos livros, mas é um dos melhores exemplos de transformação do espaço público e a que tem o conceito mais moderno. Uma das mais antigas que foi recentemente restaurada é a Mário de Andrade, na Consolação. A mais nova de todas, a Brasiliana Guia e José Mindlin, na USP, também merece a visita.

Criada em 1936 por Mário de Andrade, a Biblioteca Monteiro Lobato é dedicada à literatura infantojuvenil. Uma exposição em homenagem ao criador de Emília mostra até um pedaço da costela dele. Por falar em Mário, na casa em que ele viveu, na Barra Funda, são realizados cursos na área de literatura. Um piano encostado na recepção foi o que sobrou dos tempos do escritor, mas vale o exercício de imaginação ao andar pela casa, que é aberta ao público – tudo o que pertenceu a ele está no Instituto de Estudos Brasileiros.

E há uma série de encontros nos mais diferentes espaços. Nas unidades do Sesc, por exemplo, as dicas são o Sempre um Papo – a cada 15 dias um escritor participa de bate-papo na Vila Mariana -, o Clube de Leitura no Sesc Carmo – hoje, às 19 h, o tema é Toda Poesia, de Leminski, e o Estante Viva, no Belenzinho – Eliardo França (30/10) e Paloma Vidal (27/11) falam de seus livros fundamentais.

ROTAS LITERÁRIAS DE SÃO PAULO
Autora: Goimar Dantas
Editora: Senac (368 págs.,R$ 59,90)

SÃO PAULO, LITERALMENTE
Autor: João Correia Filho
Editora: Leya(400 págs.,R$ 89,90)

ENDEREÇOS

Casa G. de Almeida
Rua Macapá, 187 – Tel. 3673-1883

Oficina da Palavra (Casa Mário de Andrade)
Rua Lopes Chaves, 546 – Tel. 3666-5803

Biblioteca de São Paulo
Av. Cruzeiro do Sul, 2.630 – Tel. 2089-0800

Biblioteca M. Lobato
Rua General Jardim, 485 – Tel. 3256-4122

Biblioteca M. de Andrade
Rua da Consolação, 94 – Tel. 3256-5270

Esqueça um Livro
Rua Augusta, 538

Sesc (programação e unidades)
www.sescsp.org.br

Com redação sobre Anne Frank, aluno da periferia de BH viaja para Holanda

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Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou para a Holanda e conheceu a casa de Anne Frank (foto: Arquivo Pessoal)

Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou para a Holanda e conheceu a casa de Anne Frank (foto: Arquivo Pessoal)

Rayder Bragon, no UOL

A primeira vez em que o adolescente mineiro Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou de avião foi em grande estilo: ele embarcou para Amsterdã, na Holanda. O estudante venceu um concurso de redações com o texto “Anne Frank e a atualidade”, sobre a adolescente perseguida por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Filho de uma diarista, ele é aluno do 9º ano do ensino fundamental da escola municipal Anne Frank, situada no bairro Confisco, uma região pobre encravada entre as divisas de Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais.

O concurso que o levou ao exterior foi promovido pelo segundo ano consecutivo pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp). Participaram do certame as escolas que levam o nome de Anne Frank no Brasil. Em entrevista por e-mail ao UOL, Willian disse ter encontrado uma Anne Frank ainda atual.

Bullying, racismo, discriminação

O “Diário de Anne Frank”, em que a garota conta sobre sua vida no esconderijo, foi publicado por seu pai, Otto Frank, único sobrevivente da família, em 1947. A jovem morreu em um campo de concentração nazista, aos 16 anos.

“Bullying, racismo e desrespeito às diferenças fazem parte da vida de muitos jovens como eu”, explica o garoto. “A violência contra minorias de todos os tipos é uma questão que a humanidade ainda não resolveu. Anne Frank não é questão do passado. Muito pelo contrario, é bem atual”, declarou.

“Visitei  a Escola onde Anne Frank estudou e, lá, tive a oportunidade de ler minha redação para os estudantes. Eles me fizeram perguntas e eu também pude conhecer um pouco de seus costumes. Enfim, uma semana de muita aprendizagem”, contou, para emendar em seguida, “é muito bacana conhecer novas pessoas, crenças, costumes e culturas”.

Willian também conheceu a casa em que Anne Frank viveu com a família e o famoso anexo secreto em que a adolescente se escondeu dos nazistas com os familiares por mais de dois anos.

“Conheci os  Museu de Van Gogh e  Neno.  Diverti-me passeando  de bicicleta  e de  barco pelos canais da cidade. Andei de trem, ônibus, van” descreveu o jovem.

Souza disse ter sido instigado a buscar mais conhecimento após a viagem, feita entre os dias 24 e 31 de agosto deste ano. Quando questionado sobre o que mudou na sua vida, ele responde: “Tudo. Existe um mundo a ser descoberto”.

Divulgar o que viu

Willian disse ter se empolgado com as novas descobertas e afirmou querer repassá-las para os colegas da escola, que atende alunos do ensino fundamental.

“[Quero] passar minha experiência para meus colegas e outras pessoas. Quero  continuar a divulgar os ideais de Anne Frank através dos projetos da escola que participo. O power point [a apresentação] da viagem pretendo mostrar para meus colegas e, se tiver oportunidade, em outros espaços da cidade”, relatou.

O adolescente conta que a lição mais importante, na sua opinião, foi a de  nunca desistir dos seus sonhos e objetivos. “Não importa a dificuldade”, disse.

 

Leia o texto vencedor do concurso:

A história de Anne Frank na atualidade

Hoje, vejo a luta das pessoas por um mundo com igualdade, respeito e sem discriminação social. Vejo os negros lutando para conseguir seu espaço nas universidades, na política e nas empresas públicas; os indígenas lutando para preservar a sua cultura e até para não serem queimados em praça pública; as pessoas despertando e acordando para lutar pelos seus direitos.

No período da segunda guerra mundial, as pessoas não tinham nem direito de lutar ou de reivindicar. Acredito que isso é pior: não poder lutar, não ter voz e não ter vez.

Hoje, vejo que as pessoas têm mais oportunidades de lutar pelos seus direitos e liberdade de ir e vir.

Nisso, vejo que a luta de Anne Frank não foi em vão, pois devido ao seu exemplo, muitas pessoas entendem que reivindicar os seus direitos é uma ação e não o parar e esperar.

A história de Anne Frank foi e é importante para a humanidade saber como é o sofrimento das pessoas em uma guerra, a tristeza com a morte de amigos, a falta de água, comida e luz.

Além disso, é importante para nós valorizarmos mais a vida, aquilo que conquistamos, pois as pessoas que viveram durante a guerra, não tinham nada.

Anne Frank nunca deve ser esquecida, pois uma simples história muda vidas. Não vamos deixar que esta história de crueldade se repita por meio do bullying, do preconceito, da discriminação, do racismo e muito mais.

Todos querem mudar o mundo, o universo, mas ninguém dá o primeiro passo mudando a si mesmo.

Mas, apesar disso tudo, eu ainda acredito na bondade humana.

‘Fui salva pela indiferença’, diz amiga de Anne Frank que viveu o holocausto

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Também judia, Nanette Konig dividiu o campo de concentração com Anne.
Após sair de campo de concentração, ela ficou durante três anos internada.

Nanette Konig está com 85 anos e atualmente mora em São Paulo (Foto: Orion Pires/G1)

Nanette Konig está com 85 anos e atualmente mora em São Paulo (Foto: Orion Pires/G1)

Orion Pires, no G1

Uma sobrevivente do holocausto, contemporânea e amiga de escola de Anne Frank, esteve em Praia Grande, no litoral de São Paulo, para compartilhar suas lembranças com cerca de 700 alunos da Escola Estadual Vilma Catharina Mosca Leone. Aos 85 anos, Nanette Konig, que reencontrou a amiga famosa em um campo de concentração, mora atualmente em São Paulo e, até hoje, luta para superar os traumas causados pelo regime nazista comandado por Adolf Hitler.

Alunos montaram painel com frases de Anne Frank, colega de Nanette na juventude (Foto: Orion Pires/G1)

Alunos montaram painel com frases de Anne
Frank, colega de Nanette na juventude
(Foto: Orion Pires/G1)

Segundo Nanette, sua vida na década de 1940 foi “uma constante luta pela sobrevivência”. Ela foi colega de turma da jovem Anne Frank, que utilizava seu diário ‘secreto’ para relatar o drama vivido pelos judeus naquela época. “Eu e a Anne sempre nos encontrávamos. Ela foi uma pessoa especial, com sorriso no rosto e que esbanjava vontade de viver. Embora para mim, os escritos no livro não fossem novidade, pois eu também vivia aquilo. Sua escrita era impecável e descrevia com precisão a dor e a perseguição do Estado Nazista sobre nós judeus”, explica Nanette.

A última vez que teve contato com Anne Frank foi por meio de uma tela que separava os campos de concentração em Bergen-Belsen, na Alemanha. “Ela estava debilitada demais, praticamente morta-viva”, relata.

A repercussão do diário de Anne Frank foi tão grande que serviu de inspiração para diversos filmes sobre o holocausto. A escritora morreu aos 15 anos de idade de tifo (infecção bacteriana comum na época), no mesmo lugar em que Nanette a havia encontrado da última vez. Seus relatos foram traduzidos para mais de 60 idiomas.

Já Nanette, uma das poucas testemunhas vivas dessa parte da história mundial, relatou aos estudantes momentos que viveu antes, durante e depois do genocídio comandado por Hitler. “Eu estive frente a frente com a morte muitas vezes. Numa delas, um oficial apontou uma arma para mim e minha reação foi mostrar indiferença, pois estava desnutrida, pesando cerca de 30 kg e ainda com muitas dúvidas sobre tudo o que acontecia. Hoje estou aqui e acho que minha indiferença tirou o prazer dele em me matar. Fui salva pela indiferença”, conta.

Ao lado da namorada, o estudante acompanhou atento a palestra (Foto: Orion Pires/G1)

Ao lado da namorada, o estudante acompanhou
atento a palestra (Foto: Orion Pires/G1)

As cenas do passado estão cada vez mais vivas na memória da sobrevivente. A vontade de viver e a serenidade de Nanette ao falar chamaram a atenção do estudante do terceiro ano do ensino médio Emerson Luiz Dias Araújo. “Eu fico até emocionado, porque essa mulher é uma personagem das histórias que a gente só vê nos livros e ela está aqui. É muito legal ouvir com fidelidade o relato de quem viveu tudo aquilo que não fazemos nem ideia do tamanho”, comenta o jovem.

Para o professor de história Magno da Conceição Sousa dos Santos, o encontro foi uma oportunidade dos alunos se aproximarem da história. “O conteúdo sobre a Segunda Guerra Mundial está na grade curricular dos alunos e como eu já fiz essa atividade em um outro colégio, e deu certo, resolvi repetir”, disse.

Professor de história Magno trouxe Nanette pela segunda vez à região (Foto: Orion Pires/G1)

Professor de história Magno trouxe Nanette pela
segunda vez à região (Foto: Orion Pires/G1)

Segundo ele, o contato real com o passado ajuda a evitar erros no futuro. “Tenho certeza que depois de hoje a visão deles (estudantes) vai mudar. Apesar de todo mal que passou, Nanette é uma pessoa do bem, que acredita na mudança da humanidade e nada melhor do que investir nos jovens e na educação”, destaca.

Foi justamente sobre a educação que ela deixou sua principal mensagem. Para a sobrevivente do holocausto, estudar nos dias de hoje não é mais privilégio, mas valor de vida. “Em 1943 não tinha mais escola para os judeus. Era um privilégio se formar e se desenvolver. Agora, o aluno é muito importante, porque ele precisa estar bem para espalhar coisas boas. Eu consegui retomar os estudos depois de tudo o que me aconteceu. Estudei em escola pública e aprendi quatro línguas. Nunca é tarde”, disse.

Levy é aluno do EJA e ficou emocionado com os depoimentos (Foto: Orion Pires/G1)

Levy é aluno do EJA e ficou emocionado com os
depoimentos (Foto: Orion Pires/G1)

Tanto é verdade que, aos 44 anos, Levy Martins Fortes voltou a estudar pelo programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ele não quer perder tempo e se sentiu incentivado pelo depoimento que escutou. “Eu que vivi um pouco do período da ditadura fiquei impressionado com as palavras dela, principalmente em estar perto de alguém que, literalmente, sofreu na pele”, comenta.

Embora Nanette não tenha precisado de apoio psicológico para se livrar do trauma do holocausto, ela ficou internada por quase três anos para se recuperar da desnutrição que sofreu no campo de concentração. Depois, conheceu seu futuro marido, um húngaro cujos tios moravam no Brasil e se casou em 1953. Anos depois, ela se mudou para São Paulo.

Atualmente, a sobrevivente dá palestras sobre o holocausto e também participa de gravações de documentários sobre o assunto. “Eu não quero que ninguém se esqueça que aquilo tudo aconteceu de verdade. Realmente foi uma crueldade sem tamanho o que fizeram com a humanidade, mas eu acredito em dias melhores. Eu fiquei sozinha no mundo com praticamente 14 anos, sem família, sem ninguém e precisava encontrar forças. Acho que é por isso que estou viva, para mostrar que a vida segue mesmo depois de tantas barreiras”, alerta a experiente senhora.

Mais de 700 estudantes, além de pais e professores, acompanharam o palestra (Foto: Orion Pires/G1)

Mais de 700 estudantes, além de pais e professores, acompanharam o palestra (Foto: Orion Pires/G1)

Israel oferece ao Japão exemplares do Diário de Anne Frank para substituir os destruídos

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Páginas foram arrancadas ou danificadas em mais de 300 obras JIJI PRESS/AFP

Páginas foram arrancadas ou danificadas em mais de 300 obras JIJI PRESS/AFP

Centenas de livros perderam páginas ou foram destruídos em bibliotecas públicas de Tóquio.

Publicado no Público

A embaixada de Israel no Japão ofereceu-se para doar 300 exemplares de o Diário de Anne Frank para substituir os livros com o mesmo título e outros sobre a jovem alemã judia vítima do Holocausto. Recorde-se que os livros foram vandalizados este mês em bibliotecas municipais de Tóquio.

Numa cerimónia pública, representantes da missão diplomática israelita e da comunidade judaica entregaram esta quinta-feira alguns dos livros ao presidente do distrito de Suginami, em Tóquio, onde foram destruídas 121 cópias em 11 das 13 bibliotecas públicas. As restantes serão distribuídas pelas bibliotecas que também têm obras danificadas.

Mais de 300 exemplares de o Diário de Anne Frank e obras relativas à jovem que morreu num campo de concentração nazi foram vandalizadas, com páginas arrancadas dos livros, em perto de 30 bibliotecas públicas da capital japonesa.

A imprensa local revela agora que além destes exemplares, as bibliotecas registaram ainda danos em obras com memórias de Chiune Sugihara, cônsul japonês em funções nos países bálticos durante a Segunda Guerra e que ajudou vários judeus a fugir aos campos de concentração criados pelo regime de Adolf Hitler.

As autoridades japonesas abriram uma investigação ao caso mas até agora não há qualquer informação sobre a autoria dos actos de vandalismo.

Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947. O livro é o relato quase diário dos dois anos que a jovem de 15 anos viveu escondida num anexo de um edifício em Amsterdão, Holanda. A família acabou por ser descoberta e deportada para campos de concentração. Anne Frank morreu no campo de Bergen-Belsen, em 1945.

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