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‘Fui salva pela indiferença’, diz amiga de Anne Frank que viveu o holocausto

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Também judia, Nanette Konig dividiu o campo de concentração com Anne.
Após sair de campo de concentração, ela ficou durante três anos internada.

Nanette Konig está com 85 anos e atualmente mora em São Paulo (Foto: Orion Pires/G1)

Nanette Konig está com 85 anos e atualmente mora em São Paulo (Foto: Orion Pires/G1)

Orion Pires, no G1

Uma sobrevivente do holocausto, contemporânea e amiga de escola de Anne Frank, esteve em Praia Grande, no litoral de São Paulo, para compartilhar suas lembranças com cerca de 700 alunos da Escola Estadual Vilma Catharina Mosca Leone. Aos 85 anos, Nanette Konig, que reencontrou a amiga famosa em um campo de concentração, mora atualmente em São Paulo e, até hoje, luta para superar os traumas causados pelo regime nazista comandado por Adolf Hitler.

Alunos montaram painel com frases de Anne Frank, colega de Nanette na juventude (Foto: Orion Pires/G1)

Alunos montaram painel com frases de Anne
Frank, colega de Nanette na juventude
(Foto: Orion Pires/G1)

Segundo Nanette, sua vida na década de 1940 foi “uma constante luta pela sobrevivência”. Ela foi colega de turma da jovem Anne Frank, que utilizava seu diário ‘secreto’ para relatar o drama vivido pelos judeus naquela época. “Eu e a Anne sempre nos encontrávamos. Ela foi uma pessoa especial, com sorriso no rosto e que esbanjava vontade de viver. Embora para mim, os escritos no livro não fossem novidade, pois eu também vivia aquilo. Sua escrita era impecável e descrevia com precisão a dor e a perseguição do Estado Nazista sobre nós judeus”, explica Nanette.

A última vez que teve contato com Anne Frank foi por meio de uma tela que separava os campos de concentração em Bergen-Belsen, na Alemanha. “Ela estava debilitada demais, praticamente morta-viva”, relata.

A repercussão do diário de Anne Frank foi tão grande que serviu de inspiração para diversos filmes sobre o holocausto. A escritora morreu aos 15 anos de idade de tifo (infecção bacteriana comum na época), no mesmo lugar em que Nanette a havia encontrado da última vez. Seus relatos foram traduzidos para mais de 60 idiomas.

Já Nanette, uma das poucas testemunhas vivas dessa parte da história mundial, relatou aos estudantes momentos que viveu antes, durante e depois do genocídio comandado por Hitler. “Eu estive frente a frente com a morte muitas vezes. Numa delas, um oficial apontou uma arma para mim e minha reação foi mostrar indiferença, pois estava desnutrida, pesando cerca de 30 kg e ainda com muitas dúvidas sobre tudo o que acontecia. Hoje estou aqui e acho que minha indiferença tirou o prazer dele em me matar. Fui salva pela indiferença”, conta.

Ao lado da namorada, o estudante acompanhou atento a palestra (Foto: Orion Pires/G1)

Ao lado da namorada, o estudante acompanhou
atento a palestra (Foto: Orion Pires/G1)

As cenas do passado estão cada vez mais vivas na memória da sobrevivente. A vontade de viver e a serenidade de Nanette ao falar chamaram a atenção do estudante do terceiro ano do ensino médio Emerson Luiz Dias Araújo. “Eu fico até emocionado, porque essa mulher é uma personagem das histórias que a gente só vê nos livros e ela está aqui. É muito legal ouvir com fidelidade o relato de quem viveu tudo aquilo que não fazemos nem ideia do tamanho”, comenta o jovem.

Para o professor de história Magno da Conceição Sousa dos Santos, o encontro foi uma oportunidade dos alunos se aproximarem da história. “O conteúdo sobre a Segunda Guerra Mundial está na grade curricular dos alunos e como eu já fiz essa atividade em um outro colégio, e deu certo, resolvi repetir”, disse.

Professor de história Magno trouxe Nanette pela segunda vez à região (Foto: Orion Pires/G1)

Professor de história Magno trouxe Nanette pela
segunda vez à região (Foto: Orion Pires/G1)

Segundo ele, o contato real com o passado ajuda a evitar erros no futuro. “Tenho certeza que depois de hoje a visão deles (estudantes) vai mudar. Apesar de todo mal que passou, Nanette é uma pessoa do bem, que acredita na mudança da humanidade e nada melhor do que investir nos jovens e na educação”, destaca.

Foi justamente sobre a educação que ela deixou sua principal mensagem. Para a sobrevivente do holocausto, estudar nos dias de hoje não é mais privilégio, mas valor de vida. “Em 1943 não tinha mais escola para os judeus. Era um privilégio se formar e se desenvolver. Agora, o aluno é muito importante, porque ele precisa estar bem para espalhar coisas boas. Eu consegui retomar os estudos depois de tudo o que me aconteceu. Estudei em escola pública e aprendi quatro línguas. Nunca é tarde”, disse.

Levy é aluno do EJA e ficou emocionado com os depoimentos (Foto: Orion Pires/G1)

Levy é aluno do EJA e ficou emocionado com os
depoimentos (Foto: Orion Pires/G1)

Tanto é verdade que, aos 44 anos, Levy Martins Fortes voltou a estudar pelo programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ele não quer perder tempo e se sentiu incentivado pelo depoimento que escutou. “Eu que vivi um pouco do período da ditadura fiquei impressionado com as palavras dela, principalmente em estar perto de alguém que, literalmente, sofreu na pele”, comenta.

Embora Nanette não tenha precisado de apoio psicológico para se livrar do trauma do holocausto, ela ficou internada por quase três anos para se recuperar da desnutrição que sofreu no campo de concentração. Depois, conheceu seu futuro marido, um húngaro cujos tios moravam no Brasil e se casou em 1953. Anos depois, ela se mudou para São Paulo.

Atualmente, a sobrevivente dá palestras sobre o holocausto e também participa de gravações de documentários sobre o assunto. “Eu não quero que ninguém se esqueça que aquilo tudo aconteceu de verdade. Realmente foi uma crueldade sem tamanho o que fizeram com a humanidade, mas eu acredito em dias melhores. Eu fiquei sozinha no mundo com praticamente 14 anos, sem família, sem ninguém e precisava encontrar forças. Acho que é por isso que estou viva, para mostrar que a vida segue mesmo depois de tantas barreiras”, alerta a experiente senhora.

Mais de 700 estudantes, além de pais e professores, acompanharam o palestra (Foto: Orion Pires/G1)

Mais de 700 estudantes, além de pais e professores, acompanharam o palestra (Foto: Orion Pires/G1)

Israel oferece ao Japão exemplares do Diário de Anne Frank para substituir os destruídos

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Páginas foram arrancadas ou danificadas em mais de 300 obras JIJI PRESS/AFP

Páginas foram arrancadas ou danificadas em mais de 300 obras JIJI PRESS/AFP

Centenas de livros perderam páginas ou foram destruídos em bibliotecas públicas de Tóquio.

Publicado no Público

A embaixada de Israel no Japão ofereceu-se para doar 300 exemplares de o Diário de Anne Frank para substituir os livros com o mesmo título e outros sobre a jovem alemã judia vítima do Holocausto. Recorde-se que os livros foram vandalizados este mês em bibliotecas municipais de Tóquio.

Numa cerimónia pública, representantes da missão diplomática israelita e da comunidade judaica entregaram esta quinta-feira alguns dos livros ao presidente do distrito de Suginami, em Tóquio, onde foram destruídas 121 cópias em 11 das 13 bibliotecas públicas. As restantes serão distribuídas pelas bibliotecas que também têm obras danificadas.

Mais de 300 exemplares de o Diário de Anne Frank e obras relativas à jovem que morreu num campo de concentração nazi foram vandalizadas, com páginas arrancadas dos livros, em perto de 30 bibliotecas públicas da capital japonesa.

A imprensa local revela agora que além destes exemplares, as bibliotecas registaram ainda danos em obras com memórias de Chiune Sugihara, cônsul japonês em funções nos países bálticos durante a Segunda Guerra e que ajudou vários judeus a fugir aos campos de concentração criados pelo regime de Adolf Hitler.

As autoridades japonesas abriram uma investigação ao caso mas até agora não há qualquer informação sobre a autoria dos actos de vandalismo.

Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947. O livro é o relato quase diário dos dois anos que a jovem de 15 anos viveu escondida num anexo de um edifício em Amsterdão, Holanda. A família acabou por ser descoberta e deportada para campos de concentração. Anne Frank morreu no campo de Bergen-Belsen, em 1945.

Exemplares do ‘Diário de Anne Frank’ são destruídos em bibliotecas de Tóquio

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Diretor de livraria de Shinjuku mostra cópia rasgada de A ripped copy of Anne Frank’s ‘Diário de Anne Frank’ Koji Ueda / AP

A polícia da capital japonesa abriu uma investigação depois de receber várias denúncias. Vice-diretor da biblioteca central de Suginami disse que nunca viu algo parecido

Publicado em O Globo

TÓQUIO – Vários exemplares do “Diário de Anne Frank” foram destruídos em bibliotecas públicas de Tóquio. A polícia da capital japonesa abriu uma investigação depois de receber várias denúncias.

De acordo com o conselho de bibliotecas públicas de Tóquio, páginas foram arrancadas de pelo menos 250 exemplares do diário ou de publicações que continham a biografia de Anne Frank ou informações sobre as perseguições aos judeus. Em outras regiões próximas, informa a imprensa, foram atacados mais de dez livros sobre a mesma questão.

“Temos queixas de cinco (dos 23) distritos de Tóquio, mas ainda não sei exatamente quantas bibliotecas foram afetadas”, disse à AFP Satomi Murata, chefe do conselho de bibliotecas públicas da capital. “Não sabemos o motivo, nem quem fez isto”, completou.

“Cada exemplar danificado tem entre dez e 20 páginas arrancadas. Estão inutilizáveis”, afirmou Kaori Shiba, diretor de arquivos da biblioteca municipal central do distrito de Shinjuku.

Toshihiro Obayashi, vice-diretor da biblioteca central de Suginami, relatou que 119 exemplares foram danificados em 11 das 13 livrarias da região. Ele disse que nunca havia acontecido algo parecido. Na internet, o Centro Simon Wiesenthal manifestou surpresa e inquietação.

“Pedimos às autoridades japonesas que identifiquem os autores desta campanha de ódio e que resolvam a questão”, declarou Abraham Cooper, diretor do Centro, que tem sede nos Estados Unidos.

A partir de 1942, a família de Anne Frank viveu escondida por dois anos em Amsterdã, ocupada pelos nazistas, até que foi encontrada. Anne, de 13 anos, foi deportada para o campo de Bergen Belsen, onde morreu.

‘O Diário de Anne Frank’, que relata horrores da guerra, vai virar filme de animação

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Publicado na Folha de S.Paulo

O cineasta Ari Folman, do documentário animado “Valsa com Bashir”, vai escrever e dirigir uma nova animação –dessa vez, baseada no livro “O Diário de Anne Frank”. A obra conta história de vida de uma garota judia que, com sua família, tenta fugir dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Folman e seus produtores receberam acesso completo aos arquivos do Anne Frank Fonds, instituição criada pelo pai da menina, Otto.

Associated Press
Fotografia da menina judia Anne Frank (1929-1945), cujo diário se transformou num fenômeno literário
Fotografia da menina judia Anne Frank (1929-1945), cujo diário se transformou num fenômeno literário

“Levar ‘O Diário de Anne Frank’ às telas é uma oportunidade fantástica e desafiadora”, disse Folman em nota à imprensa. “Há uma verdadeira necessidade de novo material artístico para manter a memória dela viva para as gerações mais novas.”

A exploração de traumas do passado associados à história não é novidade para Ari Folman.

Em “Valsa com Bashir” (2008), ele escavou suas lembranças como soldado de Israel para realizar um documentário animado sobre a invasão de seu país no Líbano, em 1982. O filme lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Folman também é o criador da série “En Terapia”, que ganhou versões em diversos países, entre eles Estados Unidos (“In Treatment”) e Brasil (“Sessão de Terapia”).

Padres querem banir “O Diário de Anne Frank” de escolas de Michigan por ter trechos “pornográficos”

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Gustavo Magnani, no Literatortura

Depois de Justin Bieber ter dito acreditar que Anne Frank seria sua fã se fosse adolescente nos dias de hoje, agora é a vez do livro de estampar os noticiários. Isso porque padres de Michigan querem banir a obra das escolas do respectivo estado, isso porque, supostamente, ela contém trechos inadequados para as crianças de 13 anos. Pior: eles alegam que o conteúdo é pornográfico.

No livro, Anne conta sobre a descoberta de sua própria sexualidade e esses trechos, segundo os padres, são ruins para as crianças. Afinal, com 13 anos ninguém sabe nada sobre sexo. Ainda acreditam que os filhos são entregues por cegonhas e mamãe e papai vivem brincando de apertar um ao outro. Aliás, outro ponto curioso é aquela velha máxima das “tisoradas” escolares: os padres poderiam ter dormido sem essa. A Igreja Católica questionar algo tão pequeno acerca da sexualidade, dá margem para seus críticos relembrarem os casos de pedofilia e até fazer uma comparação: quem será que foi mais prejudicial para a formação sexual das crianças?

Veja bem, eu detesto jogar com essas cartas, mas é um paralelo impossível de não vir à mente.

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Outro lamento é o fato da obra ser icônica e representar um momento histórico e trágico da humanidade. Anne Frank tornou-se um dos principais rosto do holocausto, que assassinou cerca de 6 milhões de judeus. Ou seja, não é uma questão apenas sexual ou de “gostar da obra”, mas também um marco histórico.

O pai de Anne, Otto Frank, que reuniu as memórias da filha, havia deixado as partes sexuais de fora do lançamento original em 1947. Os trechos foram adicionados ao livro há mais ou menos 10 anos e reacenderam a leitura da obra. Além do que já escrevi, fica a eterna decepção por ver pessoas que geralmente não entendem nada – ou muito pouco – sobre educação escolar, querendo meter o bedelho onde não deveriam.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

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