Posts tagged Ao
Promoção: “Brasil Beer – O guia de cervejas brasileiras”
0Que o brasileiro ama cerveja já sabíamos. Não é à toa que é a bebida alcoólica mais consumida no país. O que agora todos saberão é quais são e onde estão as melhores cervejas feitas no Brasil, do Norte ao Sul.
Para este detalhado guia, os autores mapearam e catalogaram praticamente todas as cervejarias, microcervejarias e associações de cervejeiros artesanais que atualmente existem no Brasil. São produtos com cores, aromas e sabores distintos dos convencionais, produzidos em menor escala, com qualidade superior e sempre com o olhar do dono do negócio.
Além disso, traçaram os principais roteiros, reunidos por região do país, estado e cidade, que poderão ser percorridos para se encontrar uma boa cerveja, onde quer que você esteja. São mais de 500 cervejas, e mais de 120 locais em que se pode beber o precioso líquido.
____
O Livros e Pessoas vai sortear 3 exemplares de “Brasil Beer – O guia de cervejas brasileiras“.
Para participar é necessário:
* Ter + de 18 anos
* Faça o login
* Preencha os requisitos do aplicativo abaixo
O resultado será divulgado no dia 3/6 e o nome dos ganhadores serão conhecidos aqui no post e no perfil @livrosepessoas.
Boa sorte!
***
Atenção:
Os requisitos são:
- Tweet about the giveaway: é só clicar no botão “twitter” que será dado RT automaticamente no seu perfil. Se você clicar diariamente nesse botão, mais pontos você faz e melhor a chance de ganhar o livro.
- Easy entry for all Livros e Pessoas fan on facebook: É só clicar no botão para curtir a fan page do Livros e Pessoas
- Easy entry for all Ed. Gutenberg fan on facebook: É só clicar no botão para curtir a fan page do Ed. Gutenberg
- Follow @livrosepessoas on twitter: É só clicar no botão para seguir o perfil do Livros e Pessoas
- Follow @gutenberg_ed on twitter: É só clicar no botão para seguir o perfil do Ed. Gutenberg
Jornalões com Alzheimer: esqueceram para que servem
0Alberto Dines, no Observatório da Imprensa
No mundo líquido do consumismo, uma conjuntura local marcada por lapsos e berloques.
O filósofo Zygmund Baumann define a pós-modernidade como aquosa, amórfica, sem coesão ou vontade. Temos a sorte de nos alhear desta liquidificação generalizada graças a um desses surtos de voluntarismo que periodicamente nos distanciam dos valores permanentes e nos aninham no mundinho da mundanidade e das nano-satisfações. E como a telenovela das 9 está prestes a terminar, as angústias nacionais estão com os dias contados.
A descartabilidade dos nossos jornalões, imposta no fim de abril, não mudará o nosso destino, mas vai alterar nossa capacidade de perceber a rota que percorremos. Evidentemente, não foi o fim do suplemento “Sábatico” ou a violenta compressão no espaço noticioso do Estado de S.Paulo que operaram a transformação. O secular diário paulistano é apenas um dos três de referência nacional (quatro, contando com o especializado Valor Econômico), mas o seu encolhimento foi letal, multiplicado pelo mimetismo. Seus concorrentes não vestiram luto, ao contrário, espalharam serpentina e confete, exultantes com a oportunidade de imitá-lo. Nivelar por baixo não é próprio dos setores de ponta do processo econômico – mas quem disse que a indústria de mídia é hoje um setor de ponta?
Numeralha
Como era previsto, nossa imprensa não apenas emagreceu, encurtou ou perdeu o fôlego. Está com Alzheimer – não se reconhece, perdeu as referências, não sabe quem é, nem o que dela se espera. Faz ruído por obrigação, extremamente seletiva na escolha do que badalará. Num mundo cada vez mais expandido, com possibilidades ilimitadas de produzir nexos e conexões, aumentam os pontos cegos e zonas de silêncio. As pautas e primeiras páginas (salvo catástrofes) são rigorosamente previsíveis.
O perigo da liquefação apontado por Baumann não é cogitado, não cabe, inexiste. Dondocas e consumidores são incapazes de entendê-lo. A numerologia virou culto, há jornais e revistas que se comprazem em colocar apenas números como títulos, desacompanhados de palavras ou referências. Breve teremos um jornal denunciando em manchete “53,97% !!!” O concorrente responderá: “Mentira! 84,23%”. A polêmica será dirimida no STF.
Livros clássicos com capas cretinas: uma proposta
0Sérgio Rodrigues, no Todoprosa
Não sei, mas acho que posso ter encontrado um jeito simples de aumentar os índices de leitura da população brasileira (clique na imagem para ter melhor resolução).
A inspiração veio dessa seleção de piores capas de títulos famosos da literatura – sexistas, sensacionalistas, caras de pau, sem noção, comicamente literais ou todas as alternativas anteriores – feita pela Flavorwire. Atenção ao primeiríssimo lugar ocupado por uma capa da Record para “O iluminado”, já comentada aqui.
A temporada de capas cretinas começa agora: se você tiver um Paint (ou programa melhor) na mão e uma ideia na cabeça, o Todoprosa está de portas abertas à sua criatividade pelo email sobrepalavras@todoprosa.com.br. Apenas arquivos em jpg, por favor.
*
Agora falando sério, é um primor de abrangência e lucidez o artigo “Literatura brasileira no exterior: problema das editores?”, de Felipe Lindoso, publicado em seu blog, aqui. Quem se interessa de forma profissional ou diletante pelo assunto tem muito a ganhar encarando a longa extensão do texto. Uma amostra:
…seja através das editoras – ou, principalmente, dos agentes literários – as negociações internacionais usam, no maior limite do possível, a predominância do inglês nessa etapa atual da República Mundial das Letras precisamente para valorizar seus autores.
As editoras brasileiras são, como as de outros países, os alvos disso. Por essa razão e pelo fato do português ser uma língua de menor expressão nessa constelação, os editores brasileiros participam do mercado literário internacional principalmente como compradores, não como vendedores.
Nesse contexto, querer que sejam os editores os que façam a promoção da literatura brasileira no exterior é tão somente uma manifestação de wishful thinking. Não funciona.
Professora vira ‘mãe por acaso’ ao adotar aluno em Belo Horizonte
1Convivência começou na escola, quando menino passava por problemas.
Tânia de Carvalho falou sobre a alegria de ser mãe.
Sara Antunes, no G1
A relação de Rodrigo Carvalho Gomes com a mãe tem abraços, elogios e muita bronca, levando Tânia Margareth de Carvalho, de 54 anos, às risadas. Tímido, o jovem de 18 anos se incomoda um pouco com o jeito expansivo dela e com a mania de abordar pessoas ao acaso sempre tentando ajudar. Da mesma maneira, há dez anos, Tânia decidiu fazer algo por um dos alunos, descrito por outros professores como uma criança triste e pouco participativa na escola. O menino era como diziam e não gostava da ideia de revelar os problemas. Pouco a pouco, ela conseguiu. Foram muitos passeios ao clube, lanches e visitas, até ficarem mais próximos e se chamarem, enfim, mãe e filho.

Mãe e filho demonstram cumplicidade e carinho construídos em anos de convivência em família. (Foto: Laura de Las Casas/G1)
Rodrigo foi adotado por Tânia, professora dele à época, aos oito anos de idade. Ela se lembra do dia em que ele foi transferido para sua turma, já que a outra professora o considerava um aluno difícil de lidar. No primeiro exercício em sala, no qual cada criança deveria se desenhar, o menino se fez com lágrimas nos olhos e disse estar triste. Não satisfeita com a explicação, ela deu início a atividades envolvendo todos os alunos; a ideia era fazê-lo se abrir e não se sentir só. Logo, em conversa com uma tia do garoto, descobriu que Rodrigo vivia em casa problemas familiares graves, o que justificava o jeito fechado e solitário do menino.
Casada há 14 anos, Tânia sempre quis ter filhos. Ela nunca engravidou, mas esse instinto maternal sempre existiu e foi vivido por meio de sua forte relação com as sobrinhas, com os vizinhos e, claro, com os alunos. Ao contar em casa sobre a história de Rodrigo, o marido da professora começou a insistir para que ele fosse passar uns dias na casa do casal. “Como a gente sempre saía com as minhas sobrinhas para passear, ir ao clube, ele deu a ideia da gente levar o Rodrigo junto”, conta.

Rodrigo abraça os pais em fotos do album de
família no ano em que chegou à nova casa.
(Foto: Tânia Margareth/Arquivo Pessoal)
Na primeira visita, em um feriado prolongado, Rodrigo ficou uma semana, indo ao clube diariamente. A hora de ir embora foi difícil. O menino, chorando muito, pediu para ficar insistentemente. “Eu lembro de sentir o meu coração partindo, de sentir que eu estava fazendo mal a ele, deixando ele ir embora. Mas ai depois as coisas foram acontecendo, ele começou a vir sempre, e a mãe biológica dele me procurou, me contou que não tinha condições de criá-lo, me pediu para ficar com ele”, lembra.
Ela sabia o que queria, mas esperou uma posição do marido, também muito apegado ao garoto. O caminhoneiro Wilson Marques Gomes atendeu às expectativas e sugeriu a adoção de Rodrigo. O casal explicou ao menino que havia duas opções. Eles poderiam virar tutores, cuidando dele até os 18 anos ou registrá-lo como filho. “Ele não pensou duas vezes e me falou que queria ser adotado”, diz.
“Quando eu vim para cá não era uma coisa que eu achei que fosse fazer tanta diferença na minha vida. Mas aos poucos eu fui percebendo que aquilo era sério, que eu estava me apegando. Era difícil ir embora”, conta o jovem. Tânia acredita que no mundo existem filhos de mães trocadas, cabendo ao destino uni-los com as mães verdadeiras. “Eu não me lembro da minha vida sem ele. (…) É o filho que eu queria”, explica ela.
A dinâmica da casa de Tânia mudou um pouco com a presença do menino, e levou alegria para a vida do casal, que se tornou uma família com a chegada de Rodrigo. “No começo ele me chamava de professora, mas um dia conversamos e eu expliquei à ele que ele podia me chamar de como ele quisesse. Nesse mesmo dia , lá do quarto dele, ele me gritou de longe: ‘Mamãe, mamãe!’. E a partir daí eu deixei de ser professora e passei a ser mamãe”.
Os dois compartilham gostos em comum, o que fortalece a relação de mãe e filho. O mais forte é pelos livros. Tânia também incentiva Rodrigo a escrever poesias, coisa que o jovem faz desde novo. A troca de experiências é, segundo a professora, uma via de mão dupla, já que Rodrigo também apresentou à mãe muito sobre o mundo. “A maior recompensa de ser mãe é poder passar o que eu tenho de melhor pra alguém e muitas vezes identificar a minha pessoa nele. E ele em mim também, porque isso daqui é uma troca maravilhosa. Ele está aqui, é meu amigo, meu companheiro”.
No dia das mães, neste domingo (12), a família pretende escolher um restaurante especial para comemorar. Mesmo considerando o jeito exagerado de Tânia, Rodrigo admira o coração grande da mulher que o escolheu como filho. “O melhor dela é esse pensamento positivo, e essa questão de sentir a energia dela. Contagia!”, diz. E a mãezona ainda demonstra a vontade de aumentar a família: “Eu sempre acho que aqui ainda cabe mais. Ainda não veio porque não tenho um quarto sobrando. Mas eu acho que tem uma menininha em algum lugar por aí que vai me encontrar em algum momento”, diz, com esperança.
Paulo Leminski ganhará exposição, reedições, songbook e até uma cinebiografia
0Poeta morto em 1989 se mantém há oito semanas na lista de livros mais vendidos com ‘Toda poesia’

Obra poética, ensaística e de ficção de Leminski já circula, mas surpresa de “Toda poesia” nas listas de livros mais vendidos do país fez aumentar interesse por novas reedições Divulgação/Márcio Santos
Bolívar Torres, em O Globo
RIO – Responsável pelo espólio editorial de Paulo Leminski (1944-1989), a poeta e compositora Alice Ruiz, viúva do autor, se vê cercada por propostas. No momento em que “Toda poesia”, reunião da obra poética de Leminski pela Companhia das Letras, se mantém há oito semanas na lista de livros mais vendidos no país, editoras e produtoras intensificam suas buscas por materiais inéditos e reedições. Algumas expectativas, contudo, nem sempre correspondem à realidade.
— Foi aberta a temporada de caça a Leminski — brinca Alice. — Estou sofrendo assédio de todos os lados, e não apenas das editoras. Mas o que já temos programado ocupa todo nosso tempo, por enquanto.
A apreensão se justifica: já estava difícil organizar a fila de projetos mais antigos. Ainda em 2013, a Companhia das Letras deverá relançar as biografias de personalidades históricas, escritas por ele ao longo dos anos 1980. Ao mesmo tempo, Alice está envolvida no projeto de uma cinebiografia, enquanto sua filha, Áurea, cuida da itinerância da exposição “Múltiplo Leminski”, atualmente em exibição no Paraná. Mas, com a necessidade de definir prioridades, a iniciativa imperiosa no momento é a digitalização do vasto acervo de gravações em fita cassete deixadas pelo poeta, que deverá servir como base para a publicação de um livro de partituras com sua obra musical completa, em 2014. A ideia é mostrar uma faceta menos conhecida de Leminski, a de compositor, músico e cantor.
— Por causa da deterioração das fitas, a digitalização é o projeto que exige mais urgência — lembra Estrela Ruiz Leminski, filha mais nova do autor e responsável por seu acervo musical. — Algumas datam de 1972 e estão com muito bolor, outras eu sequer consigo ouvir. O acervo tem muita coisa que ninguém conhece, como Leminski musicando poemas de Shakespeare, uma versão muito diferente de “Verdura” (gravada por Caetano Veloso em 1981, no disco “Outras palavras”), além de uma dezena de canções inéditas.
Estimulado pelo sucesso de suas músicas na voz de outros cantores, Paulo Leminski redobrou seus exercícios caseiros de violão e composição a partir dos anos 1980. Gravador ligado, o poeta paranaense registrava ideias harmônicas e canções acabadas. Como não pretendia fazer carreira como cantor, enviava-as a seus amigos músicos. Algumas ganharam gravações de nomes como Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Arnaldo Antunes e Caetano Veloso; outras permaneceram inéditas, guardadas em fitas, por décadas.
Nascida em 1981, Estrela tem recordações precisas do processo de composição do pai. Durante a infância, ela o via sentado com o violão, concentrado por horas a fio. Começava com estudos e, em seguida, vinham as ideias. Nas fitas, é possível ouvir as músicas sendo construídas passo a passo.
— Era um violonista autodidata — explica Estrela, que como seu pai, é escritora e compositora. — Ele pegou um método de violão e passou a estudar sozinho, até o dedo sangrar. Começava buscando cadências harmônicas e quando aparecia a ideia de uma música, ia numa tacada só: música e letra sempre surgiam juntas. Era um cancionista, gostava de pensar letra e melodia como uma coisa única.
Além do material deixado pelo autor, a família conseguiu recuperar canções e poemas interpretados por outros cantores, não lançados em disco.
— Parcerias de meu pai com Itamar Assumpção, diversos poemas musicados que o Itamar registrou num gravador no fim da vida — diz Estrela.
Em gestação desde 2009, o projeto acaba de ser contemplado na Seleção Pública do Programa Petrobras Cultural, assim como a exposição “Múltiplo Leminski”, que reúne shows, filmes, debates e oficinas. Resultado de anos de pesquisa e catalogação por parte da família, a mostra já passou por São Paulo e Paraná, e em 2014 irá para Recife e Goiânia graças ao patrocínio.
O sucesso de “Toda poesia” ressuscitou o interesse pelo autor. A série “Uma vida”, originalmente lançada pela Brasiliense, na qual Leminski biografa as vidas de Jesus Cristo, do marxista Leon Trotski, e do poeta Cruz e Sousa, encabeça a fila das futuras reedições. Em 2012, os romances “Catatau” (1975) e “Agora é que são elas” (1984) também ganharam novas edições da Iluminuras.
— A verdade é que não sobrou muito para publicar, pois a obra já está circulando — diz Alice. — Mas existe a possibilidade de lançar as entrevistas dele em novo volume.
Em pareceria com Marcos Pamplona, Alice escreveu o roteiro da cinebiografia. O título provisório é “Alice e Paulo” e deverá ter direção do cineasta Gustavo Tissot (também corroteirista). Ambientado entre 1968 e 1988, o longa retratará o período da contracultura pelo olhar do casal. A produtora Abaporu aguarda patrocínio para começar as filmagens.
— O filme é sobre o que vivemos juntos nesse período marcante — adianta Alice. — Vários amigos dessa época serão representados também, como Caetano, Gil, Moraes Moreira, Itamar Assumpção.




















