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Professor da Escola de Medicina defende os livros como remédio para a ansiedade e diversos males

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

No Laboratório de Leitura montado na Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo que Dante Gallian pôde perceber como a literatura impactava os leitores de forma afetiva e reflexiva, influenciando diretamente em suas vidas. “Como estávamos num ambiente acadêmico, começamos a abordar essa experiência como um objeto de estudo. Fomos constituindo uma linha de pesquisa que hoje congrega dezenas de pesquisadores e que apresenta uma grande produção científica com alta qualidade. Hoje, temos pesquisado os efeitos da aplicação do Laboratório não só no campo da saúde – na formação ética e na humanização dos futuros profissionais; como meio recuperação de pacientes psicóticos… –, mas também no âmbito das grandes corporações e setores específicos da sociedade, como grupos da terceira idade”, conta.

Dante é formado em História pela USP, onde fez seu mestrado e doutorado. Seu pós-doutorado veio pela École des Hautes Études em Sciences Sociales, de Paris, e desde 1999 é professor e diretor do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da EPM. Grande entusiasta da leitura – acredita que ler é um ato revolucionário -, teve sua vida impactada por clássicos como “A Odisseia”, de Homero; “A Divina Comédia”, de Dante; “Dom Quixote”, de Cervantes; “Hamlet”, de Shakespeare; “Os Irmãos Karamázov”, de Dostoiévski e “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa.

Por ter aprimorado sua experiência de “ser e estar no mundo” graças aos livros que enveredou suas pesquisas para essa área. Os estudos resultaram em “A Literatura Como Remédio – Os Clássicos e a Saúde da Alma”, obra lançada há pouco pela Martin Claret, na qual fala sobre os resultados alcançados no Laboratório de Leitura. “Ali, a leitura compartilhada tem se apresentado como um elemento coadjuvante de grande poder em pacientes psicóticos ou como meio de combate à depressão em pacientes da terceira idade. Sendo um remédio que afeta primordialmente a alma, a psique, a literatura ajuda a reverter e mesmo a curar enfermidades de origem psíquica e emocional, que são as mais prevalentes no mundo atual”, diz na entrevista abaixo.

Dentre os problemas que um bom livro pode combater, Dante aponta principalmente para um que define como “predominante e crônico em nossos dias”: a ansiedade, algo diretamente relacionado à constante pressa a qual quase todos parecem estar submetidos. “Vivemos um tempo em que tendemos a privilegiar tudo o que é imediato e circunstancial e a desprezar tudo o que é permanente e essencial. Vemo-nos, cada vez mais, transformados em máquinas de produção e consumo e isso nos desumaniza e nos faz doentes. Estamos sempre extremamente ocupados, mergulhados numa dinâmica operacional de resolução de problemas e realização de tarefas, esquecendo de amar, de olhar, de contemplar o mundo, a vida, as pessoas que nos cercam”.

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Quais são as principais doenças e males contemporâneos que a literatura pode ajudar a combater? Como?

Minha experiência pessoal e de pesquisa aponta que a literatura pode ajudar a combater inúmeros males, porém creio que o principal é justamente aquele que se apresenta como predominante e crônico em nossos dias: a ansiedade. Ao nos “sequestrar”, através de uma narrativa envolvente e uma trama interessante, a literatura tem o poder de nos lançar numa outra espacialidade e temporalidade.

Enquanto estamos lendo, nos esquecemos, por um tempo, dos nossos problemas, das premências que muitas vezes nos oprimem. Esta “fuga” da realidade apresenta-se como algo desestressante e terapêutico, porque libertador. Ao fecharmos o livro, percebemos que os nossos problemas e premências continuam lá, porém nós não somos mais os mesmos. A leitura não apenas nos levou a uma outra dimensão de espaço e tempo, mas também contribuiu para olharmos a nossa realidade a partir de uma outra perspectiva.

A experiência da leitura, ainda mais quando dinamizada e potencializada pela dinâmica do Laboratório de Leitura, pode nos ensinar a olhar e interpretar a vida de uma forma nova, mais ampla, profunda, ajudando a relativizar certas visões e pontos de vista por demais obtusos e pessimistas. Assim, ao mesmo tempo em que nos permite “escapar” por um tempo das situações que são fonte de ansiedade, a literatura nos permite voltar a estas mesmas situações mais ricos e fortalecidos, prontos para enfrentá-las com um novo espírito e um novo olhar.

A literatura pode, de alguma forma, ajudar diretamente na cura ou tratamento de doenças extremas, como o câncer ou o Alzheimer?

Apesar de não me dedicar a pesquisas assim tão direcionadas, é possível dizer que muitos pesquisadores têm demonstrado, por exemplo, quanto a leitura de obras clássicas da literatura podem interferir na dinamização de ligações e processos neurais importantes, impactando positivamente em tratamentos de doenças degenerativas como o Alzheimer. Mais concretamente, posso afirmar que não apenas a leitura, mas a leitura compartilhada no âmbito do Laboratório de Leitura, tem se apresentado como um elemento coadjuvante de grande poder em pacientes psicóticos ou como meio de combate à depressão em pacientes da terceira idade. Sendo um remédio que afeta primordialmente a alma, a psique, a literatura ajuda a reverter e mesmo a curar enfermidades de origem psíquica e emocional, que são as mais prevalentes no mundo atual.

Quais livros e autores você destaca pelo poder de cura que possuem?

Creio que praticamente todos os grandes clássicos e os grandes autores têm um poder terapêutico incomensurável, desde que bem trabalhados e administrados. Baseando-me, entretanto, em algumas experiências, destacaria, por exemplo, Miguel de Cervantes, que através do seu Dom Quixote nos ajuda a relativizar a rígida polarização que a Modernidade criou entre “realidade” e “ficção”; Shakespeare, que através de suas tragédias nos possibilita fazer um mergulho no mais profundo das nossas motivações e paixões; e Dostoiévski, que através de personagens como o Príncipe Mitchikin, do romance “O Idiota”, ou dos filhos de Fiodor Karamázov, de “Irmãos Karamázov”, nos permite encontrar a esperança na experiência mais profunda do desespero.

A experiência do Laboratório de Leitura tem me ajudado a elaborar uma verdadeira farmacopeia literária, que pretendo explorar cada vez mais, tanto no mundo acadêmico quanto no mundo corporativo e também na sociedade como um todo. Todos estamos muito necessitados desse remédio.

Você escreve no livro que ler é um ato revolucionário. Por quê?

Parafraseando Blaise Pascal [filósofo francês], a leitura é uma diversio conversio; ou seja, algo que nos possibilita sair de nós mesmos – o que é próprio da diversão – e, ao mesmo tempo, algo que, quase sem percebermos, nos lança dentro de nós mesmo – o que é próprio da conversão, no sentido filosófico e psicológico do termo. A literatura converte divertindo e este é um autêntico movimento revolucionário, na medida em que gera uma circularidade existencial extremamente propulsiva, transformadora. Percebemos em nossas pesquisas que a dinâmica do Laboratório de Leitura potencializa essa virtude revolucionária que literatura tem per si.

Ao longo de “A Literatura Como Remédio” você joga com a questão do “leitor extremamente ocupado”. Hoje, muitas pessoas dizem não ler porque estão, justamente, extremamente ocupadas. Qual o remédio que você recomenda para esses que não têm tempo para nada?

Em meu livro cito um autor francês, Daniel Pennac, que num ensaio genial intitulado “Como um Romance” afirma que “o tempo para ler é como o tempo para amar: é sempre um tempo roubado”. Vivemos um tempo em que tendemos a privilegiar tudo o que é imediato e circunstancial e a desprezar tudo o que é permanente e essencial. Vemo-nos, cada vez mais, transformados em máquinas de produção e consumo e isso nos desumaniza e nos faz doentes. Estamos sempre extremamente ocupados, mergulhados numa dinâmica operacional de resolução de problemas e realização de tarefas, esquecendo de amar, de olhar, de contemplar o mundo, a vida, as pessoas que nos cercam. A leitura de um bom livro pode ser uma fuga, um antídoto frente a esta dinâmica desumana e patológica em que vivemos.

O remédio é realmente “roubar”; roubar tempo que talvez dediquemos de forma exagerada às redes sociais, à televisão e a outras atividades que ocupam nosso tempo de ócio com sempre mais do mesmo. Ao nos darmos a oportunidade de fazer a experiência da leitura dos clássicos encontraremos algo tão bom e tão libertador que, em breve, descobriremos tempo e meios inéditos de nos dedicarmos a esta atividade “subversiva”, tal como os amantes que inventam mil jeitos e oportunidades para estarem juntos. Desde que eu me apaixonei pela literatura encontrei meios novos e criativos para me dedicar à leitura; todos os dias. Leio nos intervalos “mortos”, na fila do banco e até enquanto caminho para o trabalho…

Dica da Sonia Junqueira

Enem sem redação, mais um golpe na leitura

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A famosa frase de Monteiro Lobato é bastante oportuna: “um país se faz de homens e livros”

Tatiana Notaro, na Folha de Pernambuco

Uma das máximas mais verdadeiras proferidas pelos professores de redação País afora é: para escrever bem é preciso ler, e muito. A leitura amplia o vocabulário, o repertório de argumentos (essencial para um bom texto) e ainda ratifica gramática, com o uso das regras.

 

Não há como escrever bem sem ser um leitor assíduo. E num País onde se lê pouquíssimo (uma média que não chega a cinco livros per capita/ano) – onde o estímulo doméstico, em geral, é ínfimo -, ter um Ministério da Educação que propõe o fim da redação como critério de seleção às universidades, no Exame Nacional do Ensino Médio, é mais que um grande absurdo, é uma condenação.

 

Ao invés de incentivar o hábito da leitura, mesmo que obrigatoriamente como preparação para a prova, se propõe um sistema apenas com o objetivo de avaliação. Esta e outras mudanças para o Enem serão anunciadas pelo ministro Mendonça Filho em coletiva de imprensa (hoje, às 11h) e ainda vão para consulta pública.

Amazon anuncia os finalistas do Prêmio Kindle de Literatura

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Escritores brasileiros concorrem a prêmio de R$ 20 mil e contrato para livro impresso. Ao todo, competição recebeu submissões de 1.700 autores

Publicado no IDGNow

A Amazon.com.br e a Editora Nova Fronteira anunciaram nesta quarta-feira (11/01), os três finalistas do Prêmio Kindle de Literatura. São eles “Machamba”, de Gisele Mirabai; “Minha Sombra Cabe Ali”, de Leon Idris Azevedo; e “Os Últimos Passos do Enforcado”, de Edson Soares.

No total, 1.700 autores, de 460 cidades brasileiras submeteram mais de 2 mil livros ao concurso, com inscrições que foram do dia 1º de setembro a 31 de novembro.

Para concorrer ao prêmio, os livros deveriam ser romances inéditos e ainda não publicados, escritos em português, além de exclusivos para o Kindle e inscritos no KDP Select, ferramenta gratuita onde autores e editoras disponibilizam seus livros digitais para leitores Kindle.

O vencedor, que será anunciado na próxima terça-feira, 17 de janeiro, terá contrato para publicação do livro impresso com a Nova Fronteira, além de receber um prêmio de R$20 mil.

Todos os romances inscritos no prêmio serão disponibilizados na Loja Kindle, além de estarem disponíveis de graça para clientes inscritos no programa Kindle Unlimited.

Circuito da Poesia, no Recife, ganha quatro novas estátuas

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Estátua de Ariano Suassuna foi instalada na Rua da Aurora (Foto: Lu Streithorst/Prefeitura do Recife/Divulgação)

Estátua de Ariano Suassuna foi instalada na Rua da Aurora (Foto: Lu Streithorst/Prefeitura do Recife/Divulgação)

Escritor Ariano Suassuna está entre as personalidades homenageadas. Ao todo, projeto soma 16 monumentos de pernambucanos ligados à arte e à literatura.

Publicado no G1

Uma homenagem a quatro personalidades ligadas à arte em Pernambuco foi concretizada nesta quinta-feira (5). Os escritores Ariano Suassuna e Liêdo Maranhão, o poeta Alberto da Cunha Melo e a poetisa e jornalista Celina de Holanda Cavalcanti foram eternizados por meio de esculturas em locais emblemáticos do Recife, como a Rua da Aurora e o largo do Mercado de São José. As estátuas em tamanho real passaram a integrar o Circuito da Poesia, que soma 16 monumentos de pernambucanos importantes nos cenários musical e literário.

Com 1,80 de altura, a estátua de Ariano foi instalada em frente ao Teatro do Arraial, na Rua da Aurora, inaugurado quando ele era Secretário de Cultura. A homenagem ao escritor e fotógrafo Liêdo Maranhão, por sua vez, foi instalada na Praça Dom Vital, onde ele costumava olhar e fotografar quem circulava pelo local.

O Parque 13 de Maio, no Centro do Recife, ganhou a estátua de concreto do poeta Alberto da Cunha Melo, instalada em frente à Biblioteca Central, local em que ele atuou no setor de obras Raras. Na Praça José Sales Filho, no bairro da Torre, foi instalado o monumento para homenagear a jornalista Celina de Holanda Cavalcanti de Albuquerque. Ao lado da estátua, será esculpido um banco de pedra para que os visitantes possam contemplar o local em que ela morou.

Desenvolvidas pelo artista plástico Demétrio Albuquerque, as esculturas tiveram um investimento de R$ 120 mil para instalação e são uma iniciativa da Prefeitura do Recife, executadas pela Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb).

Criado para perpetuar o legado de personalidades ligadas à arte em Pernambuco, o Circuito da Poesia é composto de monumentos de artistas como os poetas Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, os músicos Chico Science, Luiz Gonzaga e o compositor Capiba. O monumento em homenagem ao poeta Joaquim Cardozo, na Ponte Maurício de Nassau, continua em processo de restauro após ser alvo de vandalismo.

Acordo Ortográfico entra hoje em vigor no Brasil depois de três anos de polêmica

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O novo Acordo Ortográfico (AO) entra hoje em vigor no Brasil, culminando um processo que não tem sido consensual e que ainda não é bem aceite por muitos brasileiros.

Publicado no Sapo

O AO “tirou muitos acentos, hífens, boa parte da língua ficou mais fácil de escrever e mais parecida com a falada”, afirmou o professor de natação César Augusto, de 26 anos. “Na faculdade, tive pelo menos seis meses [de estudo] das novas regras”, acrescentou.

A entrada em vigor do acordo tem lugar após um adiamento de três anos decretado pelo Governo devido a divergências apresentadas por linguistas.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro referiu à Lusa que a implantação do acordo foi “bem sucedida” e o Governo entende que “não existe motivo para novo adiamento”. O Ministério da Cultura acrescentou que “a previsão está mantida e o acordo entra em vigor a 01 de janeiro”.

“É importante destacar que qualquer retrocesso no processo de implementação do Acordo Ortográfico implicará enormes prejuízos para as editoras nacionais, além de incalculável e injustificável desperdício de dinheiro público”, referiu o Ministério da Cultura, aludindo ao investimento em livros didáticos.

Brasileiros entrevistados pela Lusa afirmaram estar adaptados às novas regras, mas referiram dificuldades na transição entre as diferentes grafias. O uso facultativo do AO no Brasil começou em 2009.

A professora de antropologia e sociologia Tereza Jorge, de 51 anos, afirmou ser “interessante que a língua portuguesa seja uma só”, mas entende que “para o brasileiro e para outros povos será difícil perder velhos hábitos”.

Já o advogado Antônio Carét Santos, de 64 anos, disse que recorre a mecanismos de buscas na Internet para solucionar dúvidas.

Em 28 de dezembro de 2012, a obrigatoriedade das novas regras foi adiada no Brasil após divergências de linguistas apoiadas pela Comissão de Educação do Senado, e para acompanhar a data da implantação em Portugal.

A comissão do Legislativo formou um grupo de trabalho, que teve como coordenadores os linguistas Ernâni Pimentel e Pasquale Cipro Neto, críticos do AO. O relatório final, divulgado em novembro, sugere a inclusão de “observações” e de “alterações mínimas” no acordo, como a manutenção de alguns acentos diferenciais (como em “fôrma” e forma) e do trema, e mudanças nas regras do hífen.

“A Academia Brasileira de Letras recebeu da nossa comissão em duas audiências públicas contribuições para alterar os itens que poderiam trazer dúvidas. Aparentemente, elas não foram aproveitadas, o que lamentamos, mas o nosso trabalho foi feito”, afirmou à Lusa a senadora Ana Amélia, que foi vice-presidente e atualmente é suplente na comissão.

O coordenador da Comissão Nacional Brasileira no Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Carlos Faraco, afirmou que o adiamento decretado há três anos foi uma “perda de tempo”, já que a imprensa brasileira e os livros didáticos já estavam adaptados.

“O maior ganho do acordo é a cooperação internacional em torno da língua portuguesa, que ganha força e espaço”, disse Faraco.

O Acordo Ortográfico está já em vigor em Portugal e em Cabo Verde, mas ainda não está a ser aplicado nos restantes países da CPLP — Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

FYB // VM

Lusa/Fim

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