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Livros clássicos com capas cretinas: uma proposta
0Sérgio Rodrigues, no Todoprosa
Não sei, mas acho que posso ter encontrado um jeito simples de aumentar os índices de leitura da população brasileira (clique na imagem para ter melhor resolução).
A inspiração veio dessa seleção de piores capas de títulos famosos da literatura – sexistas, sensacionalistas, caras de pau, sem noção, comicamente literais ou todas as alternativas anteriores – feita pela Flavorwire. Atenção ao primeiríssimo lugar ocupado por uma capa da Record para “O iluminado”, já comentada aqui.
A temporada de capas cretinas começa agora: se você tiver um Paint (ou programa melhor) na mão e uma ideia na cabeça, o Todoprosa está de portas abertas à sua criatividade pelo email sobrepalavras@todoprosa.com.br. Apenas arquivos em jpg, por favor.
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Agora falando sério, é um primor de abrangência e lucidez o artigo “Literatura brasileira no exterior: problema das editores?”, de Felipe Lindoso, publicado em seu blog, aqui. Quem se interessa de forma profissional ou diletante pelo assunto tem muito a ganhar encarando a longa extensão do texto. Uma amostra:
…seja através das editoras – ou, principalmente, dos agentes literários – as negociações internacionais usam, no maior limite do possível, a predominância do inglês nessa etapa atual da República Mundial das Letras precisamente para valorizar seus autores.
As editoras brasileiras são, como as de outros países, os alvos disso. Por essa razão e pelo fato do português ser uma língua de menor expressão nessa constelação, os editores brasileiros participam do mercado literário internacional principalmente como compradores, não como vendedores.
Nesse contexto, querer que sejam os editores os que façam a promoção da literatura brasileira no exterior é tão somente uma manifestação de wishful thinking. Não funciona.
Aulas sob vigilância e perseguição na ditadura militar
0Processo de demissão contra professor da rede pública obtido pelo GLOBO conta como educadores sofreram pressão para deixar escolas
Juliana Dal Piva, em O Globo
A ditadura militar proporcionou a seus apoiadores a oportunidade de promover uma caça a adversários pessoais e profissionais dos mesmos. É o que revela o processo de demissão de José Grabois, um professor de Geografia do extinto estado da Guanabara, que abrangia o território que hoje é a capital do Rio. O documento foi descoberto em meio a arquivos do governo do Rio no ano passado e faz parte do acervo do Arquivo do Estado. O GLOBO teve acesso ao processo após um pedido por meio da Lei de Acesso à Informação.
As acusações feitas em maio de 1964 partiram do diretor da Escola Visconde de Cairu, Eneias de Barros, e do professor Antonio Guerra, colega de disciplina. Os dois acusaram Grabois — que já não trabalhava mais na escola — de fugir do currículo para fazer “propaganda ideológica” para os alunos. Segundo as denúncias, ele lecionava sobre “o imperialismo americano”.
“Eram as aulas de Geografia de tal modo ligadas à linha do partido comunista que foi este diretor obrigado a intervir colocando-o sob vigilância”, afirmou Eneias à comissão. Ao folhear os cadernos dos alunos anexos ao processo, O GLOBO sequer encontrou as expressões citadas.
Aos 74 anos, José Grabois se diz nauseado ao lembrar do caso. Respira fundo e fecha os olhos por trás dos óculos. Lentamente, levanta as mãos e as desliza sobre a cabeça. O tema ainda trava na garganta.
— O ambiente, não só do colégio mas do Brasil, era de debate nacional. A sala dos professores era um palco importante de discussões. E, depois das aulas, por que excluir os alunos das discussões? — conta.
Ao fim de 1963, Grabois conta que pediu transferência para outra escola e nunca mais teve contato com Guerra ou Barros. Logo após o golpe, levou um grande número de livros para um apartamento que seu avô tinha no Leblon. Lá, destruiu as obras:
— Coloquei os livros na banheira e os derreti com água quente. Derreti a minha biblioteca. Isso é uma coisa que dói lembrar — lamenta. Para ele, o diretor pressionou o colega de disciplina a denunciá-lo:
— Tinha uma boa relação com o Guerra. Ele deve ter colaborado por medo.
Após o golpe militar, o professor diz que, de certa forma, já esperava a perseguição do regime. Ele frequentava a redação do jornal do Partido Comunista e era sobrinho de Maurício Grabois — líder do PCdoB e um dos militantes desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Ele, no entanto, não militou em nenhuma organização de esquerda.
O processo contra o professor foi presidido por Alcino Salazar e fez parte da “Operação Limpeza”, promovida pela ditadura após o Ato Institucional nº 1. O objetivo era retirar do governo todos aqueles contrários ao regime. No ano seguinte, Salazar se tornou procurador-geral da República.
Grabois jamais foi recebido pelos investigadores e teve que apresentar a defesa por escrito. E, mesmo com mais de 30 declarações a seu favor dadas por colegas professores e pais de alunos, nada evitou a demissão. Ele e outros quatro professores foram considerados “inconvenientes para o exercício do magistério”. No texto, outros 12 também foram listados.
Um deles foi Mauricio Silva Santos, outro professor de Geografia. Ele trabalhava na Escola Rivadávia Corrêa e fez questão de dizer que se mantinha longe da política:
— Eu era pobre e precisava estudar para ser bom. Não tinha tempo para outra coisa. Dizem que havia um núcleo comunista no colégio. Sei que eu ia almoçar com um colega da Matemática e, depois, disseram que ele era comunista. Era o Bayard Boiteux.
Boiteux é outro da lista dos demitidos. Diferentemente dos outros, ele fez parte da Guerrilha do Caparaó, desmantelada em 1967. Foi preso e condenado, mas conseguiu partir para o exílio de onde retornou em 1979. Morreu em 2004.
Mauricio Silva Santos não foi demitido, mas sofreu uma suspensão de seis meses. Ao retornar, ainda ficou outros três meses sem receber salário. Durante esse período, sua mulher estava grávida de gêmeos.
Depois da demissão, Grabois deu aulas particulares e continuou vigiado. Mais tarde, seguiu carreira acadêmica na UFPB e na UFPE. Ele só retornou ao Rio em 1990, para lecionar na UFF. No ano passado, foi anistiado pelo Ministério da Justiça.
— Para sobreviver a gente introjeta o medo. Aprende a viver colocando cadeados em vários lugares e épocas. Depois não consegue soltar — afirma ele, que não quis ser fotografado.
Eneias de Barros, Antonio Guerra e Alcino Salazar já morreram.
Durante a ditadura, o educador Paulo Freire foi preso e teve que sair do país. O ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) Anísio Teixeira foi demitido logo após o golpe e morreu em circunstâncias ainda não esclarecidas.
O total de educadores demitidos por razões políticas é desconhecido. De acordo com a Comissão de Anistia, cerca de 1.200 professores já foram anistiados pelo governo federal, e outros 243 processos aguardam julgamento. Entre mortos e desaparecidos políticos, estão ao menos 26 educadores.
Promoção: “Os arquivos secretos do Vaticano”
4Tudo o que é oculto, secreto, proibido parece chamar mais nossa atenção. E, de fato, uma aura de mistério envolve os Arquivos Secretos do Vaticano. O local é um imenso repositório de informações. Em seus 85 quilômetros de prateleiras estão livros, documentos, papéis e imagens, contando cerca de dois milhões de registros, que a Igreja Católica acumulou em oito séculos. Mas o que há de tão secreto em tudo isso? O local, apenas parcialmente aberto para consulta, não é um simples depósito de dados, mas uma espécie de área proibida, que guarda detalhes que mudariam não apenas a história do cristianismo, mas também a da humanidade como a conhecemos. Lá seria possível encontrar informações “perigosas”, como os Evangelhos Apócrifos, o código da Bíblia, o verdadeiro terceiro segredo de Fátima, documentos confidenciais e outros, incluindo os relacionados à renúncia do papa emérito Bento XVI. Se há algo que fascina as pessoas é a possibilidade ter acesso a dados considerados “proibidos”, que desafiam a realidade como a conhecemos e provocam nosso imaginário a conjecturar qual seria, na verdade, a realidade.
Vamos sortear 3 exemplares de “Os arquivos secretos do Vaticano”, lançamento da Editora Gutenberg que vai trazer revelações dos mistérios e segredos do maior acervo religioso do mundo.
Para participar é muito fácil:
* Faça o login e siga os requisitos do aplicativo.
O resultado será divulgado no dia 16/4 no perfil do twitter @livrosepessoas e os ganhadores terão 48 horas para enviar seus dados completos para o e-mail livrosepessoas@gmail.com.
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Os requisitos são:
- Tweet about the giveaway: é só clicar no botão “twitter” que será dado RT automaticamente no seu perfil. Se você clicar diariamente nesse botão, mais pontos você faz e melhor a chance de ganhar o livro.
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Cinquentenário da Mônica, de Mauricio de Sousa, causa “incômodo” em Jaguar
1Bruno Molinero, na Ilustrada
Acostumado às páginas do extinto jornal “O Pasquim” e aos bares da orla carioca, o ratinho Sig, personagem criado pelo cartunista Jaguar, trocou o copo de cerveja por um campo cheio de flores e passarinhos.
“Eu vi as comemorações pelos 50 anos da Mônica nos jornais e resolvi ressuscitar o Sig em uma charge com ela. Foi o desenho mais difícil da minha vida”, contou Jaguar, por telefone à Folha.
Primeiro, Jaguar teve que comprar algumas revistinhas da personagem. “Nunca tinha lido.” Em seguida, ele tentou copiar os traços de Mauricio de Sousa.

Desenho de Jaguar sobre o aniversário de 50 anos da personagem Mônica, criada pelo cartunista Mauricio de Sousa (Jaguar)
“Fiz tudo rigorosamente igual. As florzinhas, os passarinho, o Sol. De tão ruim que é o desenho, demorei quatro horas para desenhar. É mais fácil copiar o Steinberg [cartunista que serviu de inspiração para "O Pasquim"] do que um desenho ruim.”
A Turma da Mônica, entretanto, responde por mais de 85% do mercado brasileiro de quadrinhos infantojuvenis. “Ele acha que aquilo é desenho, e todo mundo acha maravilhoso. Mas eu estou muito velho para ganhar inimigo novo”, completa.
Em casa desde que descobriu uma cirrose avançada, o passatempo de Jaguar agora é mexer em seus arquivos.
“Lembrei que o Sig está fazendo 49 anos. Ele é o único rato que afundou junto com o navio”, ri, referindo-se a “O Pasquim”. E o comandante? “Não posso beber, mas ainda não afundei.”
Com mais lojas no Brasil, e-books custam de 60% a 85% do preço de livros de papel
0Alexandre Aragão, Marianna Aragão e Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo
Com a entrada da Amazon e do Google Play no Brasil, na semana passada, o mercado de e-books no país está agitado. Apesar disso, o preço dos arquivos ainda é alto e não apresenta descontos tão robustos em relação aos livros de papel e tinta.
Levantamento feito pela Folha com 12 títulos de oito editoras, em destaque na página inicial de quatro lojas –Amazon, Google Play, Livraria Cultura e Saraiva–, mostra que os preços dos e-books variam entre 60% e 85% dos preços dos livros físicos.
Para quem lê em inglês, ainda é mais barato comprar livros publicados no idioma de Shakespeare na Amazon americana. Os valores são menores mesmo levando em conta o câmbio e a adição de 6% sobre o valor final da compra, por causa do IOF (imposto sobre operações financeiras) cobrado pela operadora de cartão de crédito.
O e-book mais vendido no Brasil na semana passada é um exemplo de título que, em inglês, sai por um preço menor. “Cinquenta Tons de Liberdade” custa, na Amazon brasileira, R$ 22,41. No site americano, o livro na versão eletrônica sai por US$ 8,55. Com adição de impostos e câmbio, o custo é de R$ 18,85.
O usuário que já possui conta na Amazon dos EUA deverá escolher entre o site americano e o brasileiro –mas poderá migrar de volta.
No entanto, segundo a empresa, é melhor usar a loja brasileira já que “a experiência será aprimorada, pois o usuário poderá navegar em português e comprar com cartão de crédito nacional, e as sugestões de oferta serão de livros em português”.
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CONCORRÊNCIA
No primeiro dia de operação tanto do Google Play como da Amazon, um sobe e desce no preço de “Cinquenta Tons de Cinza” no decorrer da tarde mostra como a concorrência entre as lojas tende a ser acirrada.
Com preço sugerido de R$ 24,90, pela editora Intrínseca, o e-book chegou a custar R$ 21,90 na Saraiva, no Google Play e na Amazon –e terminou o dia a R$ 22,41 em todas as lojas. Procuradas, nenhuma das empresas quis comentar o assunto.
A Folha apurou que, por contrato, a Amazon obriga que as editoras ofereçam a ela o menor preço de capa nos e-books. Assim, a concorrência não teria como fazer preços finais menores que os da empresa.





















