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Livro polêmico que exalta ‘dieta de Auschwitz’ gera a única reação possível na internet

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Tuka Pereira, no Hypeness

Na Segunda Guerra Mundial, o regime nazista de Adolf Hitler matou milhões de pessoas graças aos campos de concentração que eram utilizados como estratégia para extermínio em massa de grupos étnicos, dissidentes políticos e de diversas minorias.

Um dos maiores, o de Auschwitz, na Polônia, ficou conhecido por ser um dos mais cruéis campos e lá morreram judeus, ciganos, políticos oposicionistas, minorias religiosas e homossexuais. No entanto, antes de serem executados nas câmaras de gás, eram submetidos a torturas, trabalhos extenuantes, experiências médicas desumanas e a muita fome.

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Por todos estes motivos, qualquer ser humano que passava por Auschwitz ou por outro campo de concentração como prisioneiro de guerra, possuía um corpo com praticamente apenas pele e ossos.

Por algum motivo muito bizarro, uma escritora portuguesa achou uma ótima ideia publicar um livro usando Auschwitz como exemplo de uma ‘dieta bem-sucedida’. “A Dieta de Auschwitz” de Emília O.G.Pinheiro, pela editora ‘ARIANA’, é de 2014 mas voltou aos holofotes nesta semana depois que a capa viralizou no Facebook.

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As críticas ao tema foram direcionadas ao absurdo em relacionar um campo de concentração onde as pessoas eram submetidas à fome com dietas nas quais as pessoas restringem a alimentação por escolha própria.

 

Resenha: A Bibliotecária de Auschwitz

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Drika, no Por essas Páginas

A_BIBLIOTECARIA_DE_AUSCHWITZUma garota de 14 anos. Um professor. Oito livros. Esperança. Em plena Segunda Guerra Mundial, no maior e mais cruel campo de concentração nazista, cerca de quinhentas crianças convivem todos os dias com a morte e com o sofrimento. No pavilhão 31, de vez em quando uma janela é aberta para férias. Obra de Fred Hirsch, o professor que consegue convencer os alemães a deixa-lo entreter as crianças. Desta forma, garante ele aos nazistas, seus pais – judeus – trabalhariam bem melhor. Os alemães concordam, mas com uma condição: seria terminantemente proibido o ensino de qualquer conteúdo escolar no local.
Mal sabiam eles o que a jovem Dita guardava na barra da saia: livros.
Baseado na história real de Dita Dorachova, A bibliotecária de Auschwitz é o registro de uma época triste da história, mas também o relato de pessoas corajosas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes na luta por uma vida melhor, munindo-se de livros. (Fonte)

Este foi meu último livro lido de 2014. A Lucy o recebeu em um dos Encontros de Blogs de Letras e achou que seria a minha cara – e ela acertou! E apesar da tristeza que traz em suas páginas, também traz uma história de perseverança de um jovem alemão judeu, Fredy Hirsch, e de uma menina de apenas 14 anos que aceita uma responsabilidade que pode custar sua vida, em Auschwitz, um dos campos de concentração mais conhecidos na época da 2a. Guerra.

Segundo o próprio autor “esta narração foi construída com materiais reais, que se uniram nas páginas com uma argamassa de ficção”.

Para nós, livrólatras, não é difícil entender porque Dita aceita a tarefa tão perigosa de se tornar a bibliotecária do bloco 31.

Fredy Hirsch, e mais tarde Dita e sua família, foram transferidos do campo de Terezín, uma cidade cercada na atual República Tcheca que foi utilizada como campo de concentração na 2a. Guerra, para Auschwitz-Birkenau, na Polônia. Ali havia o campo familiar, onde, diferentemente dos outros campos de concentração, poderiam ser encontrados idosos e crianças. Neste campo familiar o bloco 31 servia para abrigar um espaço para as crianças, onde elas poderiam ser entretidas com jogos e brincadeiras, mas qualquer conteúdo escolar e livros estavam proibidos.

Fredy era um jovem extremamente dedicado, que após a morte de seu pai encontrou consolo no JPD, a versão judaica e alemã dos escoteiros, e que por isso dedicou sua vida aos jovens. Ao reencontrar Dita em Auschwitz lhe oferece o cargo de bibliotecária do bloco 31. Mas esta não é uma tarefa nada fácil, considerando que quem fosse encontrado com livros certamente seria executado. Mas a menina aceita e se dedica de todo coração à tarefa.

Sua biblioteca continha apenas 8 livros, entre eles um em russo e um em francês, os quais as crianças e a maioria dos professores não poderiam ler por causa do idioma. Mesmo assim, eram tratados com o mesmo cuidado. Escondidos diariamente sob tábuas soltas do quarto de Fred Hirsch, o único “morador” do bloco 31. Depois de uma inspeção de surpresa, na qual Dita quase foi pega com os livros, ela tem a ideia de fazer bolsos sob a saia para esconder os livros em caso de emergência.

O livro se desenrola mostrando como era a vida ali no campo familiar. Até que o grupo que completava 6 meses de sua chegada ao campo foi transferido para o campo de quarentena, e dali, certamente, iria para a morte.

Depois disso, mais próximo ao fim da guerra, Dita e sua mãe, Liesl, são transferidas para Bergen-Belsen, outro campo de concentração, na Alemanha, onde morreram Anne Frank e sua irmã, Margot, em março de 1945, pouco antes da libertação do campo em 15 abril de 1945. Ali elas foram deixadas à própria sorte com a comida cada vez mais escassa, aglomeradas em barracões infestados de doenças, pulgas e piolhos, sendo obrigadas, por vezes, a carregar os corpos das colegas mortas até a vala comum. Esta situação quase fez com que Dita desistisse de lutar pela vida e simplesmente esperasse a morte chegar. Mas, então, chegaram tropas inglesas que libertaram o campo.

Achei interessante a Etapa Final, onde o autor nos apresenta algumas informações a respeito da pesquisa realizada para o romance, e o Anexo, que nos mostra o que aconteceu com alguns personagens verídicos da história.

É um livro por vezes chocante e, também, tocante. Um livro que trata de um episódio tão triste da história da humanidade, mas que traz o valor de se defender aquilo em que se acredita, aquilo que se ama. Um livro com um final feliz, apesar do desenrolar amargo.

Costumo dizer que não gosto muito de finais felizes, mas neste caso, nada mais justo!

Dei quatro estrelas na avaliação. E você pode se perguntar: “Mas o livro não é ótimo?” É sim. Mereceria as 5 estrelinhas, mas infelizmente alguns erros de revisão e um erro terrível de tradução atrapalharam minha leitura.

Ficha Técnica
Título: A Bibliotecária de Auschwitz
Autor: Antonio G. Iturbe
Páginas: 366
Editora: Agir
Minha Avaliação:

Filhos de sobreviventes do Holocausto mantêm memória viva em novo livro

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Visitantes passam por um portão com a inscrição "Arbeit macht frei"(O trabalho liberta) no antigo campo de concentração de Dachau, na Alemanha. 25/01/2014. REUTERS/Michael Dalder

Visitantes passam por um portão com a inscrição “Arbeit macht frei”(O trabalho liberta) no antigo campo de concentração de Dachau, na Alemanha. 25/01/2014.
REUTERS/Michael Dalder

Philip Pullella, na Reuters

ROMA (Reuters) – Com a iminência do 70o aniversário da libertação de Auschwitz, no ano que vem, os descendentes do Holocausto enfrentam um dilema que irá se aprofundar com a passagem do tempo: como transmitir a “memória recebida” para as futuras gerações.

Em um livro chamado “Deus, Fé e Identidade a Partir das Cinzas: Reflexões de Filhos e Netos de Sobreviventes do Holocausto”, 88 deles contam como herdaram a lembrança e como esperam passá-la adiante.

“Muitas, senão a maioria dos filhos e netos de sobreviventes do Holocausto, vivem com fantasmas”, escreveu Menachem Rosensaft, ele mesmo um destes filhos, na introdução do livro que editou.

“De certa maneira, somos assombrados da mesma maneira que um cemitério é assombrado. Trazemos dentro de nós as sombras e os ecos de um perecimento angustiado que jamais vivenciamos ou testemunhamos.”

Os ensaístas são de 16 países e têm entre 27 e 72 anos de idade. Alguns nasceram em campos de Pessoas Deslocadas na Europa no final da Segunda Guerra Mundial, mas muitos são netos na casa dos 20 ou 30 anos. Nenhum deles tem nenhuma lembrança pessoal do Holocausto, no qual os nazistas assassinaram cerca de seis milhões de judeus.

Embora muitos livros e estudos sobre filhos e netos de sobreviventes do Holocausto se dediquem aos aspectos psicológicos, os ensaístas se concentram no modo como as experiências de seus pais e avôs ajudaram a moldar sua identidade e sua atitude em relação a Deus e ao judaísmo. Pelo menos um deles é ateu.

Entre os 51 homens e as 37 mulheres estão acadêmicos, escritores, rabinos, políticos, artistas, jornalistas, psicólogos, um ator e um terapeuta sexual.

Um dos mais jovens é Alexander Soros, o filho de 29 anos do investidor George Soros. A primeira vez em que os dois se sentiram ligados foi quando seu pai lhe contou sobre suas experiências de infância na Budapeste ocupada pelos alemães em 1944.

Uma das mais idosas, Katrin Tenenbaum, de 72 anos, da Itália, escreve que, à medida que a distância do Holocausto aumenta, “mais a tristeza perde o foco, tornando-se de certa forma mais difusa e, ao mesmo tempo, mas difícil de precisar”.

O livro começa com um prólogo do vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Elie Wiesel, de 86 anos, que sobreviveu aos campos de concentração de Auschwitz e Buchenwald.

Ele diz àqueles que receberam as lembranças: “Estamos sempre lhes dizendo que a civilização traiu a sim mesma ao nos trair, que a cultura terminou em falência moral, e ainda assim queremos que vocês aprimorem ambas, não uma ao custo da outra”.

Resenha “A bibliotecária de Auschwitz”

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Fabio de Toledo Tonhosol, no Ler é mais

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Sinopse

Muitas histórias do horror e sofrimento testemunhados dentro dos campos de concentração nazistas são contadas e recontadas, já estão gravadas e arquivadas. É difícil, nesses relatos, encontrar atos de esperança e força diante de todo o mal registrado durante o Holocausto. A Bibliotecária de Auschwitz é um livro diferente. É uma história verdadeira e cheia de detalhes a respeito de um professor judeu, Fredy Hirsh, que criou uma escola secreta dentro do bloco 31, no campo de concentração de Auschwitz, dedicando-se a lecionar para cerca de 500 crianças. Criou também uma biblioteca de poucos volumes com a ajuda de Dita Dorachova, uma menina judia de 14 anos que se arriscava para manter viva a esperança trazida pelo conhecimento e escondia os livros embaixo do vestido. É um registro de uma época sofrida da História, mas que também mostra a coragem de pessoas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes usando os livros como “arma”.

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Dita em sua juventude

Muito se fala sobre Auschwitz e a internet é recheada de documentos, livros, contos e qualquer outro material que possa interessar ao leitor. Por isso você pode estar se perguntando, o que este livro tem de diferente?

Antonio Iturbe não escreveu um documentário. Não é um livro de história explicando o que acontecia nos campos de concentração e quais as técnicas que os nazistas empregavam para matar. Também não é um conto que enaltece a libertação propagada pelas tropas aliadas, como é comum encontrar por ai. Tudo isso é abordado no livro, é claro, mas o mais importante para o autor foi contar a história vista de dentro, por personagens reais que vivenciaram na pele o dia-a-dia da maior máquina de matar que já existiu.

A escrita é simples e narrada pela visão de diversos personagens, mas a protagonista é Dita Dorachova, uma jovem Checa de 14 anos, residente de Auschwitz e uma garota de sorte. Sorte porque ela foi enviada para o Bloco 31, único bloco residencial do complexo, ou seja, ela tem sorte porque não morreu assim que colocou os pés em Auschwitz e como que por um milagre não foi direcionada para as câmaras de gás como centenas de milhares de outros jovens.

Com muitos detalhes sobre o campo e sobre a vida das pessoas que trabalhavam ou eram prisioneiras no inferno chamado Auschwitz, Iturbe escreveu um romance único, emocionante, tocante e por vezes chocante, privilegiado pelo contato com a própria protagonista do livro que ainda hoje vive em Israel.

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Cena rara com crianças prisioneiras. A maior parte era
assassinada assim que chegava ao campo

Logo após chegar ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, Dita recebe uma tarefa bastante incomum para um local onde as pessoas não têm onde dormir, comer ou fazer suas necessidades. Ela tem o desafio de cuidar e administrar a biblioteca do Bloco 31, que constitui incríveis 8 livros impressos e mais alguns vivos, ou seja, narrados por pessoas que praticamente decoraram as obras.

Não só a biblioteca é algo quase sobrenatural quando pensamos nas precariedade do local, como também há uma escola, onde as 500 crianças do bloco tomam aulas utilizando esses poucos livros como apoio.

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Milhares de judeus Húngaros chegando à Auschwitz.
Quase todos foram mortos no mesmo dia.

Dita assume sua tarefa como se o simples fato de cuidar de preciosidades de papel como seus livros fossem fazer com que a Alemanha perdesse a guerra. De certa forma, ela não está tão longe da verdade, pois ao menos neste bloco, os nazistas são derrotas diante da vontade e teimosia dos prisioneiros em continuar, em viver, em tentarem ser melhores sem se importar com as adversidades ou com a força do inimigo.

Em paralelo o autor nos presenteia com algumas outras histórias e alguns outros personagens, que entram e saem do livro. Essas histórias ajudam a moldar em nossa mente o cenário onde todo o drama da vida se passa, pois deixamos de conhecer somente o local como também as pessoas com quem nossa heroína conviveu.

De ponta a ponta acompanhamos Dita em sua jornada até a libertação. Suas dores, os dramas do dia a dia, fatos desconhecidos dos campos e suas pequenas, porém importantes vitórias contra o medo e a morte. Ela perdeu tudo, mas o tudo não basta, há de perder muito até que finalmente chegue a seus ouvidos frases ditas no idioma inglês, mas que no dia em que as ouviu, deve ter soado como trombetas de anjos.

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Dita Kraus em evento que participou em 2007.

O que mais gostei no livro foi de Dita. Essa mulher não pode existir. Sua força e espírito são os de uma pessoa evoluída. E pensar que hoje essa heroína é uma simpática senhora que ainda luta para que o mundo não esqueça as atrocidades do holocausto, sem fraquejar, sem diminuir o ritmo, sem desistir. Foi um prazer conhecer Dita Kraus!

Não gostei de algumas ferramentas que o autor utilizou para dramatizar o livro. Não é nada demais, mas citar Anne Frank por exemplo foi desnecessário, um tentativa de comover e aumentar a dimensão do que foi Auschwitz nos lembrando de outra história triste no mesmo local. Porém, acho que isso é mais gosto pessoal do que qualquer outra coisa…

Antonio G. Iturbe

Antonio G. Iturbe

Trechinhos

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“ – Inspeção – sussurra o Obersharfuhrer.
Os SS que o acompanham repetem sua ordem e a amplificam, até transformarem-na num grito que penetra os tímpanos dos prisioneiros. Dita, no grupo das garotinhas, sente um calafrio, aperta os braços contra o corpo e ouve os livros roçando em suas costelas. Se a pegarem com eles, será o fim de tudo.
– Não seria justo… – murmura.”

“A menina tinha o vínculo que une algumas pessoas aos livros. Uma cumplicidade que ele próprio não possuía, por ser ativo demais para se deixar fisgar por linhas e linhas de impressas em páginas. Fredy preferia a ação, o exercício, as canções, o discurso. . . Mas se deu conta de que Dita tinha essa empatia que faz com que certas pessoas transformem um punhado de folhas num mundo inteiro só para elas.”

“Seu pai está à sua espera, como toda segunda, quarta e sexta em que não chove, na lateral do barracão. Ali desdobra uma velha manta xadrez repleta de rasgos, mas que ele estende da maneira mais graciosa possível para que os dois se sentem. Essa é a escola de Dita. Quando ela chega, seu pai já trançou um mapa-múndi no barro com um pau. É custoso reconhecer o mundo desenhado na lama de Auschwitz.”

“Dita ergue a cabeça, e seu rosto, suas mãos e seu vestido ficam salpicados de minúsculos flocos cinzentos que se desfazem entre os dedos. As habitantes do bloco 31 saem para vr o que há.
– O que está acontecendo? – pergunta uma menina assustada.
– Não tenham medo – diz Miriam Edelstein. – São nossos amigos do transporte de setembro. Eles estão voltando.

Conclusão:

O tema pode ser meio batido para alguns, mas a humanidade jamais poderá esquecer os erros cometidos durante a segunda-guerra mundial e também as atrocidades cometidas logo após o término do conflito, das quais pouco se fala. Livros como esse nos ajudam a lembrar e a refletir sobre nossas ações, nos tornam melhores, mais humildes, mais humanos! Um livro lindo sobre uma vitória solitária em deserto de derrotas, um livro para ser lido!

Autor: Antonio G. Iturbe
Livro: A Bibliotecária de Auschwitz (La Bibliotecaria de Auschwitz)
Editora: Agir (Editorial Planeta)
http://www.ediouro.com.br/novo/
http://www.planetadelibros.com/editorial-editorial-planeta-8.html
Ano: 2014 (2012)
Páginas: 368

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