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Morre escritor italiano Shlomo Venezia, autor de livro sobre o nazismo

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Imagem Google

Publicada originalmente na Folha de S. Paulo

O escritor italiano Shlomo Venezia, sobrevivente do campo de concentração nazista Auschwitz-Birkenau, que comoveu com uma obra em que relatou sua dramática experiência com os “sonderkommando”, prisioneiros judeus encarregados das tarefas de extermínio, morreu em Roma aos 89 anos.

Venezia, de origem sefardita, nasceu em Salônica (Grécia), mas com nacionalidade italiana vivia há anos em Roma.

A notícia de sua morte foi comunicada hoje pelo prefeito da capital italiana, Gianni Alemanno, que destacou que a perda de Shlomo Venezia deixa um “grande esvaziou e uma grande dor”.

Alemanno lembrou como Venezia foi um dos 70 sobreviventes dos “sonderkommando”, os comandos especiais formados por prisioneiros judeus que encarregados de iniciar a maquina de extermínio nazista.

“Uma experiência muito forte, destrutiva para um ser humano”, acrescentou o prefeito de Roma.

Shlomo Venezia deixou testemunho escrito de sua terrível vivência no livro, publicado em 2007, “Sonderkommando Auschwitz” (“Sonderkommando – No inferno das câmaras de gás, no Brasil”).

Em 11 de abril de 1944, quando tinha 21 anos, Venezia chegou ao campo de Birkenau, com sua mãe e sua irmã, de quem nunca mais teve notícias.

Foi obrigado a fazer parte dos “sonderkommando”, que, como ele mesmo relatou, se encarregavam de acompanhar aos prisioneiros que chegavam desde os trens até as câmaras de gás, os ajudavam a se despir e a entrar nessas salas e, após morrer, cortavam seus cabelos e tiravam seus dentes de ouro, os levando em seguida aos fornos crematórios.

Antes da libertação de Auschwitz por parte do exército russo, Venezia conseguiu escapar e chegar até Mauthausen e de lá viajou para Itália, onde passou 47 anos em silêncio, sem falar de sua experiência.

Até que em 1992, encorajado por sua mulher, começou a relatar os horrores de Auschwitz, sobretudo para que os jovens pudessem saber o que foi o Holocausto.

Após romper seu silêncio, Shlomo Venezia participou de uma iniciativa do prefeito anterior de Roma, Walter Veltroni, para que os jovens romanos pudessem conhecer o que ocorreu em Auschwitz. Por isso, retornou ao lugar onde viveu tantos horrores umas 54 vezes para acompanhar os estudantes.

Alemanno afirmou hoje que se dedicará a acelerar a construção de um Museu dedicado ao Holocausto na capital italiana para continuar “a obra de educação e de transmissão da memória que Shlomo Venezia realizou”.

dica do Emmanoel Jetro

Quando booktrailers valem a pena

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Márcia Lira, no -1 na Estante

Um belo dia eu me deparei com um trailer de livro, e achei algo muito esquisito. Como assim, trailer? Livro ganha primeiro capítulo à disposição, entrevista com o autor, frases de efeito, não trailers que pertencem a outra mídia. Depois eu descobri que eu conheci o formato um pouco atrasada, ele já era tendência.

Hoje é muito comum uma editora divulgar uma obra com um trailer. Para se ter ideia tem até um prêmio para o formato, o Moby Awards. A sensação de estranhamento, no entanto, ainda me acompanha. Demorei a decidir se gostava ou não dessa ideia, até dar uma boa pesquisada e tirar algumas conclusões.

Uma das mais fortes características de um livro é abrir espaços na narrativa para que a gente complemente com a nossa imaginação. Então se o autor escreve: “a mulher entrou na casa”, nós pegamos essas cinco palavrinhas e somamos a elas nossas referências, criando identificação. Isso me leva a ter uma ideia de “a mulher entrou na casa” bem diferente da que você absorve da mesma frase. Agora imagine expressões mais complexas e multiplique as possibilidades.

Então a meu ver, o principal problema de um booktrailer é quando ele encerra esses espaços abertos dos livros. Como? Num vídeo de três minutos, dá cara, voz e jeito aos personagens, aos lugares, aos grandes momentos da obra. Depois você vai ler com aquilo na cabeça, e a percepção será mais limitada, totalmente diferente do que você teria sem ter assistido.

Um exemplo é esse de Sangue Errante, de James Ellroy. Parece trailer de filme.

Tem também uns formatos piores que só fazem você perder tempo, pois eles colocam no vídeo o que poderia muito bem estar escrito, o famoso videopoint (vídeo de powerpoint). Conheci um desses numa, pasmen!, lista de melhores booktrailers de um blog. The Iron King, de Julie Kagawa, tem um trailer que é um colagem cafona de frases e imagens. Só consigo pensar que o livro é péssimo. No mesmo estilo, fizeram pra Angel Time, da Anne Rice. Please, economizem meu tempo.

O Sérgio, do Todo Prosa, blog que adoro, acredita que o booktrailer é um conceito ridículo. Pelos exemplos que ele pegou e pelos que coloquei até agora, eu concordaria se não tivesse me deparado com umas ótimas amostras.

O Triste Fim de Policarmo Quaresma, de Lima Barreto, ganhou uma animação simpática, que apesar de dar cara e voz aos personagens, vira um captador de atenção das crianças para a obra. O objetivo está no final: leia na biblioteca da sua escola.

Agora os formatos que me parecem ideais, e eles justificam a existência dos trailers de livros, é quando o vídeo vira uma obra à parte. Ou seja, tem uma certa autonomia em relação ao livro. Não apenas conta uns pedaços e joga umas frases, mas faz uma mini releitura assumindo que utiliza um formato diferente e explorando isso para atiçar a curiosidade do leitor.

É o que acontece no caso do Word as an Image, de Ji Lee (acima), e do I am in the air right now, de Kathryn Regina. Esse eu vi no blog do Tiago Dória, num post antigo mas ainda interessante sobre o formato. O que você assiste abaixo ganhou o Book Trailer Awards.

O de De Onde Vêm as Boas Ideias, de Steven Johnson é outro ótimo exemplo. Aí você me pergunta: só bons casos estrangeiros? Então eu lhe mostro o trailer de O Filho da Mãe, de Bernardo Carvalho, que mistura animação bem simples com depoimentos do autor. Ficou interessante.

Sabe um que me levou, não a comprar, mas pelo menos a tirar o livro da estante na hora? O booktrailer de A mulher de vermelho e branco, do Contardo Calligaris (leia resenha do livro aqui). Com cenas que não mostram rostos, deixa a curiosidade à flor da pele.

Outro simples, porém eficiente é um que achei googlando mesmo, o trailer de Assassinos S/A, uma coletânea de contos policiais. Nunca tinha ouvido falar no livro, mas o vídeo, apesar de bem simples mesclando frases e fotos dos autores, se sai bem investindo numa música sombria.

E você, simpatiza com os booktrailers? Quais você curte?

Como apresentar seu livro e despertar interesse das editoras (V)

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Gabriela Nascimento, no blog Gabi Gabiruska

Eu sei que você é modesto. Sei que você não gosta de se gabar e se vangloriar sobre o que realizou. Mas, na seção “Sobre o Autor”da sua proposta de livro, você terá de superar essa sua inclinação natural a ser reticente. Esta é a hora de você vir a público e dizer todas as coisas positivas sobre si mesmo e revelar suas credenciais como um bom escritor, como um agente faria se o estivesse representando.

Faça como “meus meninos”, arrisque-se na sua seção “sobre o autor”, mas lembre-se de falar na 3a. pessoa

Ihhh, isso não faz seu estilo? Não se preocupe, vou lhe dizer um segredo (de bastidor ) todos os autores já publicados se tornam peritos em mostrar o que sabem fazer bem, sem culpa nenhuma (ou arrogância). Dê uma olhada em qualquer sinopse de autor e você entenderá o que quero dizer. Eles sempre escrevem sobre si mesmo na terceira pessoa. Esse é o segredo! Assim, em vez de dizer “eu publiquei um artigo na revista tal e tal”, você diz “[Preencha seu nome aqui] publicou um artigo na revista tal e tal”. Confie em mim, uma vez que você comece se referir a si mesmo na terceira pessoa, vai ficar muito mais fácil e divertido de escrever sua seção “Sobre o Autor”.

Alguns pontos que podem te orientar:

  • Liste suas publicações nacionais, se houver (vale conto, participação em coletâneas, artigos para revistas e sites de boa audiência).
  • Mencione qualquer participação sua em programas de rádio e TV.
  • Fale sobre reportagens de jornais que mencionaram seu trabalho.
  • Mencione sua formação, se for o caso. Médicos, professores, psicólogos, dentistas e outros profissionais devem sempre mencionar sua trajetória educacional, especialmente quando seu livro refere-se ao seu campo de conhecimento.
  • Adicione qualquer outra informação relevante sobre si mesmo.
  • Aponte alguma empresa em que trabalhou que possa completar seu perfil como autor daquele livro.
  • Diga que você está entusiasmado com o livro. As editoras gostam de ouvir isso.

E se eu não tiver credenciais anteriores a minha publicação?

Mesmo que você não tenha créditos editoriais anteriores, ainda assim é possível conseguir um contrato de livro – acredite! Concentre-se em qualquer credencial que possa soar positiva. Por exemplo, se você é um cientista, foque em sua formação e experiência profissional. Se você é um professor, aponte os cursos que você leciona (lecionou) e pesquisas que tenha feito. Se você é uma dona de casa, foque justamente na natureza incomum dessa situação (uma dona de casa, com um olhar para x ou y coisa, alguns episódios vividos em seu cotidiano que fazem do seu olhar de mundo ser mais rico que qualquer outro). Se alguns jornais, revistas e sites já manifestaram interesse em sua história, mencione isso.

Os editores sabem que todo mundo começa por algum lugar e, acredite, se por uma lado eles preferem trabalhar com autores consagrados (que lhes oferecem alguma segurança), por outro, estão MUITO ansiosos para descobrir novos talentos (a coisa mais gostosa para um editor é revelar um novo autor que, se brilhar, será graças – em grande parte – a sua investida e ajuda!).

Edgar Rice Burroughs (escritor norte-americano conhecido pela criação do personagem Tarzan) foi um mestre na publicidade. Mesmo na apresentação de seu primeiro manuscrito, Edgar não hesitou em dizer ao editor que ele era bom. Não precisa exagerar, é claro, mas se você escrever na terceira pessoa você terá o tom certo e garantirá que é a melhor pessoa para escrever este livro.

E aí, já começou a colocar a mão na massa? Conte-me! Comente!

Livro sobre Stalin provoca revisão da figura histórica e de seu regime

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Joseph Stalin (Joseph Vissarionovich Djugashvili) 1879-1953 - Soviet politician - member of the October Revolution Committee 1917 - General Secretary Communist Party 1922 Russian Federation / Mono Print

Publicado originalmente no DW

Atualmente o autor Jörg Baberowski dá margem a muita discussão na Alemanha. Ele não faz concessões em sua análise: Josef Stalin era um agressor por paixão e um psicopata impiedoso, um déspota, que mandava matar por quotas e não poupava a ninguém. Ele semeava medo, pavor e desconfiança à sua volta, submetendo toda uma sociedade a uma cultura da destruição e do terror.

Evocando numerosas fontes, Baberowski expõe essa tese nas quase 600 páginas de seu perturbador Verbrannte Erde. Stalins Herrschaft der Gewalt (Terra queimada: O regime da violência de Stalin). “Não escrevi um livro sobre a União Soviética, ou sobre o stalinismo, mas sim sobre a violência extrema e o que ela faz com as pessoas”, disse, numa de suas disputadas leituras públicas.

Império da paranoia

Para o professor de História do Leste Europeu na Universidade Humboldt, em Berlim, o homem que de 1927 a 1953 transformou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em seu “Império da Paranoia” era um assassino que tinha prazer em destruiu e ferir. Um “agressor por paixão”, cujo regime foi marcado por terror sem limites e que não distinguia mais entre amigos e inimigos.

Autor Jörg Baberowski

Autor Jörg Baberowski

Em tal império, sob o signo do assassínio desbragado, em princípio não pode haver sucessos políticos ou econômicos, nem notícias positivas de qualquer tipo, mas somente pragas de fome em decorrência de uma política econômica totalmente equivocada, expulsões, desapropriações, desperdício de recursos, destruição da cultura camponesa, submissão total do partido e das instituições estatais à vontade do ditador, terror contra a população, denúncia, tortura, “confissões” extorquidas, processos de fachada – e também a lealdade incondicional dos funcionários.

“Ao fim, Stalin não precisa escrever nem decretar nada. Cada um sabia, de algum modo, o que devia fazer para manter o déspota satisfeito. E ninguém queria se tornar vítima”, explica Baberowski a seu público na cidade de Colônia.

Inferno de muitos, vantagem de poucos

Com um golpe de pena, Josef Stalin enviava inocentes para a morte, às vezes alguns milhares num único dia. Ao mesmo tempo, sinaliza a seu círculo mais imediato de colaboradores que isso podia acontecer com qualquer um.
“Ele simplesmente mandava matar alguém, assim mostrando aos outros o que acontecia a quem não se submetesse.” Portanto não havia segurança nem para quem estivesse próximo do núcleo do poder. “Hoje ministro, amanhã condenado à morte: esta era a macabra imprevisibilidade do sistema”, narra o historiador.

Não eram perseguidos apenas os supostos inimigos do Estado, mas também seus familiares. Eles eram tomados como reféns, para extorquir confissões dos detentos. “E nem mesmo depois da morte da vítima tinha fim o sofrimento das esposas, filhos e parentes”. Eles eram expulsos de suas casas, deportados para os campos de trabalho, internados em orfanatos estatais.

As vidas de muitos eram transformadas num inferno por alguns poucos. Baberowski também constatou em suas pesquisas que, sem dúvida, também havia beneficiados: a elite técnica, alguns artistas, gente que se dava bem como os novos tempos.

Culto ao ditador na Geórgia

Culto ao ditador na Geórgia

Culto contemporâneo na Rússia


Não houve um processamento reflexivo da época stalinista, nem na URSS, nem na Rússia contemporânea. No momento, o livro de Jörg Baberowski está sendo traduzido para o russo. O autor mostra-se cético: dificilmente terá muitos leitores na Rússia.

No país – assim como na Geórgia, onde o ditador nasceu em 1878 – há atualmente uma verdadeira euforia stalinista em alguns círculos. O autor consegue compreender o fenômeno, e prefere não julgá-lo.
“As pessoas que hoje aclamam Stalin, aclamam um império afundado e não se recordam da miséria da época”, opina. Os russos querem voltar a se orgulhar das guerras vencidas, por isso só se evoca o glorioso papel do grande marechal de guerra. A sociedade russa tira pouco proveito de reformas pacíficas; porém a mudança não pode vir de fora, afirma Baberowski.

O especialista em história do Leste Europeu tem recebido muitos elogios pela pesquisa meticulosa e pela apresentação cativante. Seu colega Gerhard Simon caracteriza a monografia como “arrebatadora, memorável e indispensável”. Ela oferece um contrapeso à memória histórica europeia, ainda fortemente concentrada no nacional-socialismo.

Vozes críticas

Stalin: polêmico, mesmo seis décadas após a morte

Stalin: polêmico, mesmo seis décadas após a morte

Outros pesquisadores apontam no trabalho de Baberowski emocionalidade e falta de distanciamento em relação ao objeto de estudo. Eles questionam essa tese de um tirano absoluto, que move todos os fios da política.

Em um ensaio para a revista Osteuropa, o historiador Stefan Plaggenberg, de Bochum, afirma que Stalin não foi um “maníaco geneticamente defeituoso”, mas sim um produto das circunstâncias.

Benno Enker, especialista em história do Leste Europeu de Sankt Gallen, Suíça, se incomoda com uma “equiparação das ditaduras terroristas” do nazismo e no stalinismo, acusando um “obscurecimento terminológico”. Já Christoph Dieckmann, do Instituto Fritz Bauer, critica o estudo por dar a impressão de que as ondas de violência stalinista viessem “como fenômenos naturais”, explicadas exclusivamente pelos “humores de Stalin”.

Todas essas diferentes tentativas de explicação confirmam: mais quase seis décadas após sua morte, a figura histórica de Stalin não deixa ninguém indiferente: nem o autor do livro, nem seus críticos. E muito menos os leitores.

Autoria: Cornelia Rabitz (av)
Revisão: Mariana Santos

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