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Bertrand Brasil lança “Mais poderosa que a espada”, de Jeffrey Archer

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Cadorno Teles, no Mundo Hype

Uma bomba é instalada no transatlântico Buckingham, no dia de sua viagem inaugural pelas águas do Atlântico. O atentado, encomendado por agentes do IRA, tinha por objetivo provocar um estrago irreparável no navio para que a Barrington Shipping, comandada por Emma Clifton, fosse à falência, mesmo que isso custasse a vida de inocentes. Por sorte, os danos são minimizados e Emma e os prioritários do navio conseguem contornar a situação. O jeito é encobrir o acidente, mas isso não impede que alguns passageiros façam perguntas.

As consequências do atentado vão além e Emma precisa lidar com a crise que se instala na diretoria. Os segredos que envolvem o episódio abrem a brecha necessária para que uma velha inimiga da família, Lady Virgínia Fenwick, tente mais uma vez destruir a vida de Emma. Enquanto isso, Harry, seu marido, tem suas próprias preocupações, que surgem quando o que parece uma viagem simples a Moscou para uma palestra literária se torna algo bem mais complicado… e perigoso. Os livros da série As crônicas de Clifton guardam uma saga familiar que atravessa gerações, levando os leitores às docas da Inglaterra operária, às devastações da Primeira Guerra, às ruas da Nova York dos anos 1940 e à eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Jeffrey Archer é nome assíduo nas listas de best-sellers do mundo inteiro. Entre seus romances, destacam-se Falsa Impressão, Filhos da Sorte e O Quarto Poder. Os pecados do pai é o segundo volume de “As crônicas de Clifton”. Considerada a obra mais ambiciosa de Archer em quatro décadas como escritor, a série é uma jornada poderosa que se estende por cem anos de história. Para saber mais, acesse: www.jeffreyarcher.co.uk

Belas Maldições: o livro de Neil Gaiman que você precisa conhecer antes de sair a série

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Publicação é um dos melhores trabalhos do autor (e também um dos mais engraçados)

Fábio de Souza Gomes, no Omelete

Depois do sucesso de Deuses Americanos, a Amazon logo confirmou a adaptação de um outro livro clássico de Neil Gaiman: Belas Maldições, publicação que o autor escreveu ao lado do amigo Terry Pratchett. Recheado de humor, críticas sociais e metáforas, o livro é um prato cheio para fãs de ficção, fantasia e de comédia.

A história é muito “simples” e envolve o fim do mundo. Na trama, Aziraphale, emissário do Céu, e seu colega, o demônio Crowley, vivem na terra desde a época de Adão e Eva. Um dia, o inferno envia para Crowley o anticristo – um bebê que, assim que completar 11 anos, deverá iniciar a guerra final entre o Paraíso e o Inferno. Após uma confusão na maternidade de freiras satanistas, ele acaba perdendo a criança e deve encontrá-la antes que o mundo (que segundo eles não é um lugar tão ruim de se viver) acabe. A única salvação pode ser o livro As Belas e Precisas Profecias da bruxa Agnes Nutter, que previu tudo isso.

O livro é extremamente imagético. Apesar de não escreverem esmiuçando detalhes, os autores conseguem passar imagens muito vivas em seu texto recheado de humor que, apesar de ter sido escrito no início dos anos 90, segue muito atual. Um dos exemplos está logo no começo da publicação, quando Crowley se encontra com dois demônios mais velhos que passam anos tentando corromper uma alma, enquanto ele corrompeu várias ao travar o serviço de celular por uma hora.

Um dos grandes detalhes do livro são as notinhas, colocadas no final de algumas páginas que dão ainda mais cor para história. São detalhes sobre o passado ou o futuro e são um artificio fantástico da publicação que dificilmente será transposto com tanta agilidade para série – em um deles, por exemplo, o texto revela que Aziraphale é o único com uma versão da Bíblia sem edição onde revela como ele acabou “perdendo” sua espada de fogo.

Os autores ainda brincam com os quatro cavaleiros do apocalipse, que viram versões modernas das previsões do passado. Fome vira um guru da dieta e tem livros aclamados ao redor do mundo; Guerra vira uma vendedora de armas e, mais tarde, uma jornalista de sucesso; Poluição (que substituiu o aposentado Peste) é um homem que passa despercebido em cada desastre recente; e Morte é aquele que está em todos os lugares ao mesmo tempo. Ao invés de cavalos eles usam motos e estão totalmente conectados e atualizados com o mundo moderno, ressaltamos como os humanos admiram e vivem tranquilamente com o que há de pior.

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A série tem tudo para ser uma das melhores adaptações do trabalho de Neil Gaiman – que será roteirista e showrunner do programa. O autor divulgou recentemente o visual de David Tennant como Crowley e Michael Sheen como Aziraphale e ambos estão perfeitos nos papéis principais. O elenco ainda contará com Jack Whitehall como o caçador de bruxas Newton Pulsifer, Michael McKean como o sargento Shadwell (líder do exército de caçador de bruxas) e Miranda Richardson como madame Tracy, uma médium que é fundamental na ajuda do anjo e do demônio para salvar o mundo.

Acima de tudo, o livro – que no Brasil foi relançado recentemente pela Bertrand Brasil – fala sobre como ser bom, mal e as dificuldades de ser humano (que são muito mais complexos que anjos e demônios). É um livro essencial e que vai deixar quem é fã de Gaiman e Pratchett ainda mais ansioso pela série, além de ser um dos trabalhos mais bem humorados dos dois. Simplesmente imperdível.

Resenha: a cor do leite

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Karen, no Por Essas Páginas

Forte e sensível, belo e visceral, feminista e humano. Esses são apenas alguns dos muitos adjetivos de a cor do leite (sim, em minúsculas), de Nell Leyshon e da Editora Bertrand Brasil. Quando recebi esse livro como uma cortesia da nossa parceria com o Grupo Editorial Record, apesar de ter considerado a capa belíssima (aveludada, deliciosa de tocar) e a sinopse instigante, acabei deixando-o para depois, devido às leituras de parceria. Grande erro: a cor do leite é um livro para ser lido imediatamente, com urgência, e acabou se tornando um dos meus favoritos na estante.

A_COR_DO_LEITE“em 1831, uma menina de 15 anos decide escrever a própria história. mary tem a língua afiada, cabelos da cor do leite, tão brancos quanto sua pele, e leva uma vida dura, trabalhando com suas três irmãs na fazenda da família. seu pai é um homem severo, que se importa apenas com o lucro das plantações. contudo, quando é enviada, contra a sua vontade, ao presbitério para cuidar da esposa do pastor, mary comprovará que a vida podia ainda ser pior. sem o direito de tomar as decisões sobre sua vida, mary tem urgência em narrar a verdade sobre sua história, mas o tempo é escasso e tudo que lhe importa é que o leitor saiba os motivos de suas atitudes. a cor do leite apresenta a narrativa desesperada de uma menina ingênua e desesperançosa, mas extremamente perspicaz e prática. escrito em primeira pessoa e todo em letras minúsculas, o texto possui estrutura típica de quem ainda não tem o pleno controle da linguagem. a jovem narradora intercala a história com suas opiniões, considerados por alguns críticos os trechos mais angustiantes da obra.” Fonte

O livro, narrado em primeira pessoa por Mary, uma menina de 15 anos, se passa em 1831, uma época na qual as mulheres não tinham valor algum. Mary é a mais nova de quatro irmãs, e o pai das meninas nunca as perdoou por nascerem mulheres. Ele as obriga a trabalhar na roça de sol a sol, sem descanso, e os dias se sucedem iguais, sempre cansativos, muitas vezes com castigos físicos. Mas Mary está acostumada com essa vida, aceita-a como sua com uma maturidade e resignação extraordinárias para sua idade. Sempre de cabeça erguida, Mary está acostumada a dizer o que pensa, até mesmo para o pai bruto, e por isso sofre toda sorte de castigos e humilhações, mas jamais abaixa a cabeça, apesar de ser obediente. A personagem mostra que há uma grande diferença entre obediência e submissão. Talvez sua única felicidade seja realmente as conversas e a companhia com o avô inválido, que tem a língua tão ferina quanto Mary, o que rende diálogos excepcionais durante o livro.

“esse é o meu livro e eu estou escrevendo ele com as minhas próprias mãos.” Página 7.

Essa é a primeira frase do livro e isso já diz muito sobre a obra – e sobre Mary. Todo o livro é em letras minúsculas, repleto de erros de concordância, o que por si só demonstra a grande sensibilidade e competência da autora, que se colocou na pele de uma menina humilde e semi-alfabetizada que resolveu escrever sua história com próprias suas mãos. Em uma época onde as mulheres não tinham voz, a escolha narrativa é brilhante e extremamente significativa: Mary, a corajosa, honesta, direta e afiada Mary, assume a tarefa de escrever sua história para, assim, dizer a verdade, sabendo que só ela poderia fazê-lo.

a cor do leite - livros

Mary é obrigada pelo pai a trabalhar na casa do pastor. É claro que ela não vê a cor do salário, que é integralmente repassado ao pai, e obviamente ela não tem escolha a não ser ir para uma casa estranha, afastando-se da família. Alguns podem dizer que isso foi bom para ela, afinal, ela tinha roupas limpas e comida quente na casa do pastor, e até mesmo a companhia amável da esposa adoentada do religioso, que acaba por nutrir um grande carinho pela menina. Mas essa não é a questão: o fato é que Mary não queria isso, simples assim. Ela queria continuar na sua casa, na sua cama, com a sua família, por mais que a vida fosse dura, por mais que as coisas não fossem perfeitas. Mas Mary não tem voz nem escolha simplesmente pelo fato de ser mulher. É claro, que, sendo uma menina de gênio e opinião forte, Mary obedece ao pai, mas não sem dizer tudo o que pensa, não sem lembrar a cada minuto ao pastor que ela não queria estar ali. E algumas vezes você até pensa que Mary é impertinente, que ela teve sorte, mas aí vem o livro e dá um grande tapa na sua cara.

“às vezes é bom ter lembranças porque elas são a história da nossa vida e sem elas não ia ter nada. mas tem vezes que a memória guarda coisas que a gente não quer nunca mais ouvir falar e não importa quanto a gente tenta tirar elas da cabeça, elas voltam.” Página 163

A obra é ao mesmo tempo deliciosa e dolorosa de ler. Deliciosa por ser repleta de cenas inteligentes e sacadas brilhantes, por Mary ser essa personagem incrível, complexa e real, que encarna a dor de ser mulher com maestria, que exala sabedoria em sua aparente ignorância. Dolorosa pela vida repleta de sofrimento e a dor pungente de Mary não ser mera ficção; e não é só por isso ter acontecido em uma época que já passou, mas sim por isso continuar acontecendo. É tolo quem pensa que as mulheres não são mais oprimidas, que não há preconceito, violência e rejeição contra um ser humano apenas por ele ser do sexo feminino, mesmo na nossa suposta época moderna. E aqui arrisco uma opinião pessoal: feminismo é essencial e, se você acha que não é feminista, pense de novo, ou será que você não concorda, por exemplo, que uma mulher pode e deve receber o mesmo salário que um homem se faz a mesma função que ele numa empresa? Bem, isso é feminismo, meu caro e minha cara. E a cor do leite é um livro feminista da primeira à última linha.

Leitura intensa e sensível, a cor do leite certamente emocionará até mesmo o leitor mais duro. Impossível não se impressionar com a jornada de uma personagem tão rica e extraordinária como Mary. Recomendo do fundo do coração que leiam; esse livro é capaz de mudar sua visão de vida e vai tocá-lo profundamente.

Esse livro foi gentilmente cedido como cortesia pelo Grupo Editorial Record!

Ficha Técnica

Título: a cor do leite
Autor: Nell Leyshon
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 208
Avaliação: 5star

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