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Mais pop que “50 Tons de Cinza”, livro apresenta Leminski complexo à geração do Facebook

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O escritor Paulo Leminski posa para foto em bar de São Paulo, em 1984 (Foto: Avani Stein/Folhapress)

O escritor Paulo Leminski posa para foto em bar de São Paulo, em 1984 (Foto: Avani Stein/Folhapress)

Carlos Minuano, no UOL

Feito raro num país que dá pouca bola à literatura, Paulo Leminski é pop. Morto em junho de 1989, aos 44 anos, os versos do escritor e jornalista paranaense circulam há décadas em agendas e cadernos de estudantes e, hoje, encontram terreno fértil também na internet, sobretudo em redes sociais como o Facebook. Um dos poemas mais populares na rede diz o seguinte: “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”.

E é para além do universo de citações fáceis – e muitas vezes descontextualizadas ou incorretas – que uma série de lançamentos e projetos futuros, incluindo livros, filmes, discos e site, pretende levar a obra do autor descrito por Caetano Veloso como “concretista beatnik”, por Haroldo de Campos como “polilíngue paroquiano cósmico” ou simplesmente como “samurai malandro”, por Leyla Perrone-Moisés.

50 TONS DE LARANJA

Capa do recém-lançado "Toda Poesia", que reúne mais de 600 poemas de Paulo Leminski

Capa do recém-lançado “Toda Poesia”, que reúne mais de 600 poemas de Paulo Leminski

Recém-publicado pela Companhia das Letras, “Toda Poesia” reúne os seus mais de 600 poemas, de diferentes fases e estilos, e procura decifrar o complexo universo de Leminski, que transitou com desenvoltura pelos territórios distintos, e eventualmente opostos, do erudito e do popular.

Prova de que o poeta é mesmo pop, o livro está há semanas no topo da lista dos mais vendidos nas livrarias brasileiras na categoria ficção e já desbancou até mesmo o best-seller pornô soft “50 Tons de Cinza”.

No conjunto, a criação poética de Leminski apresentada em “Toda Poesia” mostra como ele circulava livremente por diferentes estilos. Do concretismo ao coloquialismo, em haicais ou poemas-piadas, o caboclo polaco-paranaense (descendente de negro e polonês), exibe uma linguagem, que resiste ao tempo.

Apesar de não trazer nenhum texto inédito, o lançamento republica material de livros raros, quase todos já fora de catálogos. A maior parte organizada em livros pelo próprio Leminski, segundo a poeta Alice Ruiz, viúva do autor, e responsável pela seleção dos poemas reunidos na nova publicação.

“O que ficou de fora foi porque ele assim quis, e respeito isso”, diz. “O que ele não considerou pronto não será publicado”, completa.

Múltiplo Leminski
Os holofotes que se voltam sobre Leminski nesse momento, além de recolocar em destaque um nome de relevo da poesia brasileira, também devem jogar luz sobre facetas do autor mais desconhecidas do grande público.

Por trás de tudo isso, o esforço da família, Alice e as filhas Estrela e Áurea, que há anos trabalham na organização e difusão da extensa produção de Leminski nas mais diferentes áreas. Parte desse trabalho resultou na exposição “Múltiplo Leminski”. A mostra, que fica até outubro em Curitiba e depois segue para Goiânia e Recife, além da obra poética, destaca os trabalhos do artista na música, no cinema, grafite e quadrinhos.

Áurea também está à frente da digitalização do acervo de Leminski. “Trabalho muito extenso”, desabafa. “Já são quase três anos debruçada sobre esse material”, conta. O motivo de tanta labuta é lançar em agosto deste ano o acervo digital do autor, a ser distribuído em bibliotecas e universidades.

Outra parte deve se tornar um site oficial gerido pela família. Embora familiarizada com a obra do pai, Áurea diz ter se surpreendido com a multiplicidade de suas criações. “Ele era profundamente interessado em todas as formas de conhecimento, sobretudo as ligadas às áreas humanas”. (mais…)

Entre letras e números

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Joselia Aguiar, no Valor Online

Otávio Marques da Costa e Júlia Moritz: novos publishers da Companhia das Letras participam juntos de temporadas de imersão no grupo Penguin, que comprou 45% da editora
Otávio Marques da Costa enviou o currículo pelo site. Advogado jovem num grande escritório de São Paulo, queria mudar de profissão. Começou a cursar outra faculdade, de história, aventava um mestrado no exterior e, enquanto não se decidia, passou a se ocupar nas horas vagas como preparador de texto, um tipo avançado de revisor. Pelo site, seu currículo chegou até a diretora editorial da Companhia das Letras, então Maria Emília Bender. Contratado como assistente por um salário que correspondia a metade do que ganhava, mudou de emprego sem hesitar.

Contado até aí, o enredo se presta a um livro sobre gestão de carreira, título que talvez tivesse boa acolhida sem alcançar as listas de mais vendidos. Com o desfecho, dá até best-seller: depois de cinco anos, o funcionário que se distinguiu por um comprometimento singular acaba de assumir o recém-criado cargo de publisher, o que representa chefiar o coração de uma das mais prestigiosas editoras do país. A virada representa bem a ousadia na hora de apostar e a velocidade para obter resultados que exige hoje o mercado editorial brasileiro, espelho de grandes praças estrangeiras.

A função é compartilhada. Ao lado de Costa, assumiu Júlia Moritz, filha do fundador, Luiz Schwarcz. Ambos têm 31 anos, dividiam a mesma sala e agora participam juntos de temporadas de imersão no grupo britânico Penguin, que comprou 45% da Companhia das Letras em 2011. A mudança no organograma levou à saída de gente que estava havia décadas na casa, como a própria Maria Emília, e à promoção de assistentes para cargos de editores, agora ocupados também com novos selos editoriais, como Paralela e Seguinte, que marcam a entrada em nichos comerciais. Coordenados pela dupla de publishers, oito editores na faixa dos 30 anos leem, aprovam ou descartam obras oferecidas por agentes, “scouts” ou os próprios autores. Antes se responsabilizavam pela edição do texto – encomendas de tradução, preparação e revisão -, que cabe hoje a um núcleo criado exclusivamente para a tarefa.

A renovação das equipes – não só a troca, o rejuvenescimento de seus componentes – é uma das mudanças por que passam editoras de médio e grande porte diante de um mercado que tende a ficar ainda mais aguerrido. Pelo menos cinco das mais importantes editoras do país reestruturaram recentemente seu corpo editorial – além da Companhia, Record, Objetiva, Globo, Cosac Naify – e duas se constituíram ou deram sua arrancada há pouco tempo – LeYa e Intrínseca. Não só mais jovens, os editores, mais envolvidos do que antes com a escolha dos títulos, precisam estar mais pragmáticos. Num ofício historicamente associado à ideia de arte e artesania, não parece mais possível sobreviver alheio aos números.

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Marcos Strecker (no centro) e equipe de editores da Globo Livros: “A internet como meio de venda e de divulgação passa a ter um papel cada vez maior, talvez determinante”, diz
O novo perfil de editor-gestor, que substitui o do editor que só atentava para o texto, e o formato de empresa mais diversificada, que não se acanha em abranger obras comerciais, são, em parte, a adaptação da editora de Schwarcz a um mercado que está modificado desde a criação de sua casa editorial, em 1986.

Nos últimos tempos, as vendas de livros têm crescido concentradas em poucos títulos comerciais, os chamados mega-sellers. Não são novidade na praça – o “Harry Potter”, da Rocco, é de fins da década de 1990 -, mas agora praticamente dominam as listas de mais vendidos. O sucesso, que se dá em escala mundial, é levantado por estratégias de marketing agressivas.

Com a quantidade maior de títulos, operação com que as grandes ganham em escala, sobra pouco lugar nas vitrines para obras de arte ou não comerciais, os chamados long-sellers ou “fundo de catálogo”, obras que, a despeito de sua qualidade e relevância, vendem aos poucos, sem instantânea pirotecnia. A vocação da grande literatura é sobreviver ao tempo. Num balanço de empresa, porém, é um valor dramaticamente não computável.

Costa e Júlia preferem não dizer qual é a nova cara da empresa. A pergunta é difícil e restritiva. “Um título talvez possa simbolizar a atual fase”, sugere Costa. Da estante, pega a capa cítrica, o desenho de um imenso bigode. “Toda Poesia”, de Paulo Leminski, cultuado poeta curitibano que morreu em 1989, cuja obra, dispersa em vários volumes, estava fora da praça. Saiu com tiragem atípica, alta para o gênero, 5 mil exemplares. Esgotou-se em dois dias. Uma nova tiragem de 5 mil foi encomendada e vendida. Na semana passada, o livro entrou na lista de mais vendidos na Livraria Cultura, rede com público mais intelectualizado, à frente da série pornô soft “50 Tons de Cinza”, de E.L. James, publicada pela Intrínseca.

Um mega-seller exige ousadia e velocidade: para identificá-lo, oferecer nos leilões uma soma que os concorrentes não vão se arriscar em pagar, traduzi-lo a tempo e colocar nas livrarias em tiragens altas, indicando para livreiro e público que vale o negócio. Um pouco o “efeito-Tostines”: vende mais porque é mais lido ou é mais lido porque vende mais. (mais…)

Atividades sórdidas e desprezíveis

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Quadrinhos sendo queimados após a investigação do Senado que contou com depoimento de Fredric Wertham

Quadrinhos sendo queimados após a investigação do Senado que contou com depoimento de Fredric Wertham

Érico Assis, no Blog da Companhia

Já falei algumas vezes por aqui sobre Fredric Wertham. Wertham foi o psiquiatra que escreveu A Sedução do Inocente, livro que fez explodir a perseguição aos quadrinhos nos EUA dos anos 1950. Quando pais, professores, padres e políticos já desconfiavam que os gibis estavam confundindo os miolos das pobres criancinhas e induzindo-as à delinquência, o livro de Wertham trouxe comprovação científica, baseada em sua extensa experiência profissional com o público juvenil.

Com base em relatos que colheu principalmente na sua clínica psiquiátrica para público de baixa renda no Harlem (NY), Wertham falou que os quadrinhos não conduziam somente à delinquência — resultado das cenas violentas que os meninos viam nos gibis policiais —, mas também à pederastia (Batman e Robin), distúrbios de identidade sexual (o bondage em Mulher-Maravilha) e tendências fascistas. Para comprovar, tinha falas de meninos e meninas perturbados e sua autoridade médica. Virou best-seller.

A relação entre quadrinhos e delinquência foi motivo de investigação no Senado dos EUA, as editoras viram-se obrigadas a criar um Código de Ética para proibir conteúdo discutível nas HQs (antes que a censura viesse do governo) e, de repente, ter emprego na indústria de quadrinhos era pior que ser lobista da NRA depois de tiroteio em colégio. Quase mil roteiristas, desenhistas, editores e outros abandonaram a carreira, o mercado veio abaixo e até hoje os pais, professores, padres e políticos erguem a sobrancelha para tudo que crianças leem, assistem, ouvem, jogam e, enfim, curtem.

Para os quadrinhos, Wertham foi o pior dos vilões. Mas, até o mês passado, não se sabia o quanto.

Carol Tilley, professora da University of Illinois, publicou um artigo revelador. Segundo sua pesquisa nos documentos do próprio Wertham (falecido em 1981), o psiquiatra manipulou os dados que colheu na sua clínica e apresentou em A Sedução do Inocente. Comparando as anotações do próprio ao que está no livro, Tilley descobriu que Wertham misturou depoimentos, atribuiu falas de um entrevistado a vários e de vários a um, falou de casos de outros médicos como se fossem seus e deu uma exagerada nos números.

O menino que queria ser Robin e “ter relações com Batman”, citado no livro, eram dois jovens de 16 e 17 anos, namorados, que falavam em Tarzan e Príncipe Submarino, nunca na dupla dinâmica. Outro paciente citado no livro, suposto fã de Batman que mijara na boca de outro menino, aparece nas anotações como fã de Superman que comete o ato por vingança — o mijado havia sido seu estuprador.

Um garoto de quinze anos, já desencaminhado e membro de uma gangue, aparece em páginas e páginas de anotações. Suas falas foram parar na boca de quatro personagens no livro. Wertham diz, em Sedução e em seu depoimento ao Senado, que analisou milhares de meninos e meninas, ao passo de 500 por ano — mas sua clínica só registra 500 pacientes com menos de 17 nos dez anos em que trabalhou lá.

Talvez as descobertas mais marcantes sejam as que fecham com teorias contemporâneas sobre mídia e comportamento juvenil: nos depoimentos do livro em que adolescentes dizem que imitaram algo visto num gibi, Wertham ignora que os entrevistados tinham, em alguns casos, deficiência cognitiva e que vinham de famílias com casos de dependência química ou envolvimento com gângsters, além de outros fatores de risco. Sua amostragem, no Harlem pobre dos anos 40 e 50, é apresentada como válida para todo tipo de adolescente.

Há décadas de pesquisas em comunicação, psicologia e sociologia que desmontam a causalidade entre mídia e comportamento — até antes de Wertham. Os gibis de terror, os games com heróis carniceiros e as músicas moralmente questionáveis só vão causar distúrbios na mente influenciada por um ambiente real em que exista predisposição à violência, à indiferença, à deturpação de valores. Mundos de ficção nunca terão o mesmo impacto que a vivência no mundo concreto, do adolescente com sua família, seus amigos, sua condição socioeconômica. Gibis, filmes, games etc. podem no máximo catalisar um impulso que já existe.

Wertham era um reformista social, legitimamente preocupado com a saúde mental dos jovens. Pegou o monstro que estava mais à vista — 90% dos jovens liam gibis — e, ao descobrir que o monstro não era tão feio, resolveu pintar garras, sangue e sexo sobre ele. Faz pensar em quantos monstros pintados, pesquisados e comprovados não andam por aí.

Promoção: “Incertezas de outono”

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promomob

Depois do sol forte e das altas temperaturas do verão, é a vez do outono mudar a paisagem, trazer novas cores e grandes mudanças para a vida dos habitantes de Deepwater Cove.

Esther e Charlie Moore percebem que a vida feliz que construíram ao longo de quase cinquenta anos de união começa a desmoronar, especialmente depois de um grave acidente de carro sofrido por ela, que deixa sua saúde debilitada.

O casamento – que até então era modelo de perfeição – demonstra sinais de que o gelo do inverno se aproxima como nunca antes. Eles e outros casais dessa pequena cidade do Missouri terão de redescobrir o amor e se esforçar para salvar seus relacionamentos.

Incertezas de outono é o terceiro livro de uma série de ficção baseada no best-seller As quatro estações do casamento, de Gary Chapman.

Vamos sortear 3 exemplares de “Incerteza de Outono”,  superlançamento da Mundo Cristão. O sorteio será realizado no dia 28/3 às 17h30.

Para concorrer, basta completar esta frase: “Minha  dica para superar maus momentos na relação conjugal é…”.

O resultado será divulgado no perfil do twitter @livrosepessoas e os ganhadores terão 48 horas para enviar seus dados completos para o e-mail livrosepessoas@gmail.com.

O prazo de entrega é de 30 dias e o envio é de responsabilidade da editora.

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Parabéns aos ganhadores: Rafael Trindade, Edith Boschmann Bier e Emanoella =)

Cabine Literária: 50 Tons de Cinza

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Antes da resenha (hiperdivertida e excelente), Gabriel Utiyama desfila uma série de curiosidades sobre o best-seller “50 tons de Cinza”, de E. L. James.

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